Artigos

Antes do American way of life: experiências com o baseball no Rio de Janeiro e São Paulo da transição dos séculos XIX e XX

Before the “American way of life”: Experiences with baseball in the transition of the 19th and 20th centuries in Rio de Janeiro and São Paulo

Victor Andrade de Melo
Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil
Michelle Carreirão Gonçalves
Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil

Antes do American way of life: experiências com o baseball no Rio de Janeiro e São Paulo da transição dos séculos XIX e XX

História Unisinos, vol. 22, núm. 3, pp. 442-452, 2018

Universidade do Vale do Rio dos Sinos

Concedo a Revista História Unisinos o direito de primeira publicação da versão revisada do meu artigo, licenciado sob a Licença Creative Commons Attribution (que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista). Afirmo ainda que meu artigo não está sendo submetido a outra publicação e não foi publicado na íntegra em outro periódico e assumo total responsabilidade por sua originalidade, podendo incidir sobre mim eventuais encargos decorrentes de reivindicação, por parte de terceiros, em relação à autoria do mesmo. Também aceito submeter o trabalho às normas de publicação da Revista História Unisinos acima explicitadas.

Recepção: 26 Dezembro 2017

Aprovação: 03 Maio 2018

Resumo: No Brasil da transição dos séculos XIX e XX, quando aumentou a presença de norte-americanos e se fortaleceu o relacionamento com os Estados Unidos, foram organizados jogos de beisebol em algumas cidades nas quais o campo esportivo estava em processo de consolidação, articulado com os movimentos de adesão ao ideário e imaginário da modernidade. Nesse cenário, como teria sido representada tal prática? Podem-se considerar essas partidas como antecedentes da influência cultural estadunidense que se tornaria mais notável a partir dos anos 1930? Tendo em conta tais questões, este estudo teve por objetivo investigar as experiências com o beisebol promovidas no Rio de Janeiro e São Paulo do período. Como fontes foram utilizados revistas e jornais publicados nas duas capitais. Foi possível perceber as peculiaridades do processo de trânsito cultural, como certos sentidos conferidos à modalidade foram distintos dos concebidos no seu país de origem.

Palavras-chave: influência norte-americana, história do esporte, beisebol.

Abstract: In Brazil of the transition of the 19th and 20th centuries, when the presence of Americans increased and the relationship with the United States was strengthened, baseball games were organized in some cities in which the sporting field was in the process of consolidation, articulated with movements of adherence to the ideals and imagery of modernity. In this context, how was baseball represented? Can such games be considered as antecedents of the American cultural influence that would become more remarkable from the 1930s onwards? Considering these questions, this study aimed to investigate the experiences with baseball promoted in Rio de Janeiro and São Paulo of the period. The sources used were magazines and newspapers published in the two capitals. It was possible to perceive the peculiarities of the process of cultural transit, as certain meanings conferred to baseball were different from those conceived in its country of origin.

Keywords: North American influence, sport history, baseball.

Introdução

No Brasil, a influência da cultura norte-americana tornou-se mais notável a partir dos anos 1940, explícita no aumento da circulação do cinema produzido naquele país (Tota, 2000; Valim, 2017). Ana Maria Mauad (2001), contudo, sugere que, desde a década de 1930, pode-se perceber a adoção de parâmetros publicitários daquela nação. Articulados com as estratégias de relações internacionais dos Estados Unidos (a Política da Boa Vizinhança e o Pan-Americanismo), segundo a autora, funcionaram como “um eficiente canal de penetração cultural [...] no mais elementar da vida cotidiana: os hábitos de consumo e padrão de sociabilidade” (p. 137).

De fato, já na década de 1920, referências culturais norte-americanas tornaram-se mais conhecidas e começaram a exercer influência em função da apreciação do cinema hollywoodiano. A diversão celebrava a vida moderna apresentando novos arranjos do cotidiano, novos comportamentos que passariam a ter os Estados Unidos como grande (autoproclamado) exemplo (ver Sevcenko, 1992; Pinto, 1999). Nos anos 1930, todavia, o American way of life passou a ser mais intensamente divulgado. Propagava-se a ideia de que o país do norte era

o local da perfeição e que compreende a sua intervenção, em outras regiões do mundo, como a tentativa de estender tal perfeição. Os pilares desse sonho de perfectibilidade seriam a Democracia e a Liberdade introduzidas pela homogeneização cultural, como mais um produto a ser consumido (Mauad, 2001, p. 134).

Para a autora, tratou-se de um processo de substituição da influência francesa pela norte-americana. Da mesma forma, no período se reduziu na economia nacional a presença dos britânicos, comunidade com a qual os estadunidenses tinham compartilhado, desde o século XIX, algumas ocasiões, inclusive as de natureza recreativa, em função da proximidade cultural (ver Jeha, 2013; Melo, 2017a). Vale ter em conta que, mesmo que existissem esses espaços de encontro, no final daquela centúria se acirrou a rivalidade entre a Grã-Bretanha e os Estados Unidos no tocante à ingerência na América Latina (Doratioto, 2012).

Nesse cenário, nos anos 1930, algumas práticas esportivas oriundas dos Estados Unidos começaram a se consolidar no Brasil. Esse foi o caso do voleibol, que chegou ao país na década de 1910, tendo como um dos dinamizadores uma entidade de origem norte-americana, a Associação Cristã de Moços, na qual, a propósito, a modalidade foi criada, em 1895, por um dos seus diretores, Willian Morgan (ver Matias e Greco, 2011). Da mesma forma, o basquetebol – concebido, em 1891, por outro professor dessa instituição, James Naismith – espraiou-se por algumas cidades brasileiras (ver Gaudin, 2007).

Como se pode ver pelo caso do voleibol, a circulação de referências norte-americanas é mesmo anterior ao período em que tal influência cultural se tornou mais notável. Já no século XIX, houve a veiculação de ideias de educadores dos Estados Unidos, inclusive e notavelmente por meio de articulação com iniciativas protestantes[3]. No final daquela centúria, merece ainda destaque a presença estadunidense no processo de industrialização, especialmente no que tange à introdução de novas técnicas de produção (ver Martins e Cardoso, 2009). Nesses casos, usualmente se representava a nação do norte como um possível exemplo para o desenvolvimento do Brasil, um modelo para o processo civilizatório e progresso do país, na visão de algumas lideranças políticas e intelectuais.

Há que se ter em conta que o Brasil começou a receber imigrantes norte-americanos na década de 1820, já mantendo vínculos diplomáticos e comerciais com os Estados Unidos desde 1824 (ver Goldman, 1972). Mesmo que chegassem em menor número do que os oriundos de outras regiões/países (britânicos, portugueses, alemães, italianos), também deram a conhecer seus hábitos e costumes, notadamente aqueles relacionados a suas denominações religiosas (ver Cavalcanti, 2001).

Um número maior de norte-americanos se estabeleceu no Brasil após a Guerra da Secessão, o que fortaleceu os vínculos com os Estados Unidos, algo que se intensificou no período republicano (ver Bandeira, 1973; Wright, 1978; Bethell, 2009, 2010), quando paulatinamente se substituiu a ideia de “somos da América mas queremos ser europeus” pela de “somos da América e queremos ser americanos” (Schwarcz, 2012, p. 29).

Como vimos, na transição dos séculos XIX e XX, os Estados Unidos, que passaram por grande expansão econômica, buscaram ampliar sua influência na América Latina. Nesse cenário, como nunca antes, as diplomacias das duas nações procuraram alinhamento. Em 1905, suas representações foram elevadas ao status de embaixada. Na gestão de Rio Branco no Itamaraty, acentuou-se ainda mais o contato entre os países (Doratioto, 2012), algo que se refletiu na predominância do comércio exterior.

Destaca-se que os norte-americanos que se instalaram nas cidades brasileiras – muitos foram para áreas rurais – dedicavam atenção à prática de esportes, costume que trouxeram de seu país de origem (Riess, 1995). No século XIX, não chegaram a fundar clubes próprios, mas frequentaram as agremiações de britânicos (ver Melo, 2017a, 2017b; Melo e Gomes, 2017; Melo e Gonçalves, 2017) e organizaram algumas iniciativas em escolas, como na Mackenzie College de São Paulo, onde se criou uma associação atlética que promoveu experiências com distintas modalidades (Mills, 2005).

No âmbito esportivo, vale ainda destacar a ação da já citada Associação Cristã de Moços. Embora tenha surgido na Inglaterra, foi nos Estados Unidos que a entidade melhor se estruturou e ganhou notoriedade. No Brasil, o primeiro núcleo foi fundado nos anos 1890, no Rio de Janeiro, sendo posteriormente também criadas filiais em Recife e São Paulo. Como na matriz norte-americana, procurou implementar sua leitura da ideia de Cristianismo Muscular, proposta que originalmente surgira por intervenção de Thomas Arnold na escola de Rugby (Holt, 1989). Tratava-se de entabular estratégias educacionais que articulassem formação corporal, preparação para o trabalho e visão religiosa[4].

Nos Estados Unidos, uma das características da atuação da entidade era a divulgação dos esportes, considerados mais motivadores do que a ginástica[5]. Como vimos, na Associação Cristã de Moços foram até mesmo criadas novas modalidades, como o voleibol e o basquetebol. Outra prática também ocupou espaço notável nas suas ações, o beisebol.

Originário dos Estados Unidos, tal esporte foi relacionado a ideais de liberdade, oportunidade, livre iniciativa, patriotismo[6]. Na verdade, durante décadas persistiu uma polêmica envolvendo os antigos colonizadores: se os norte-americanos o consideravam uma modalidade por eles concebida, relacionada ao forjar de uma identidade nacional, os britânicos a tratavam como uma variante do críquete, inclusive a encarando, de maneira pejorativa, como a forma comercial de um jogo para as mulheres (Holt, 1989).

Para os estadunidenses, o beisebol era pouco violento, não ligado às apostas e uma ferramenta de formação de caráter. Além disso, em função das oportunidades financeiras que ao seu redor rapidamente se gestaram, era símbolo do espírito empreendedor norte-americano. Como lembra Riess (1995), sua popularização teve a ver ainda com o fato de que “a nova classe média tinha tempo, dinheiro e acesso a instalações atléticas que os permitia desfrutar o esporte” (p. 7).

No Brasil da transição dos séculos XIX e XX, quando aumentou a presença de norte-americanos e se fortaleceu o relacionamento com os Estados Unidos, foram organizados jogos de beisebol em algumas cidades nas quais o campo esportivo estava em processo de consolidação, articulado com os movimentos de adesão ao ideário e imaginário da modernidade (Melo, 2001). Nesse cenário, como teria sido representada tal prática? Podem-se considerar tais iniciativas como antecedentes da influência cultural estadunidense que se tornaria mais notável a partir dos anos 1930?

Tendo em conta essas questões, este estudo teve por objetivo investigar as experiências com beisebol promovidas no Rio de Janeiro[7] e São Paulo na transição dos séculos XIX e XX. Tais cidades foram escolhidas por acolherem número significativo de norte-americanos e serem importantes no que se refere à consolidação do campo esportivo num momento em que passavam por intensas mudanças, inclusive reformas urbanas[8]. Nelas se fortaleceu uma cultura citadina num cenário em que se consagrou a “hegemonia europeia sobre todo o globo terrestre, que viu seus modos de vida, usos, costumes, formas de pensar, ver e agir” serem “transformados em modelos inspiradores de novas guinadas culturais” (Saliba, 2012, p. 239).

Em algumas décadas, essas capitais tornar-se-iam bastante influenciadas pela cultura norte-americana, mas na transição dos séculos XIX e XX ainda preponderava o relacionamento com o continente europeu. De toda forma, tratou-se de outra faceta do processo de adesão ao ideário e imaginário da modernidade advindos do exterior.

Como fontes foram utilizados periódicos publicados nas duas cidades no momento em tela. Jornais e revistas, a despeito de seus limites, mostraram úteis por permitir perceber o trato público do tema. A imprensa já se constituía em uma arena de debates sobre as novidades que chegavam ao país, além de espaço privilegiado para a divulgação de notícias das diversas agremiações criadas num período de grande efervescência da cena pública. Vale destacar que muitos autores, como os reunidos na obra organizada por Buarque de Hollanda e Melo (2012), têm defendido a relevância desse material no que tange à investigação do fenômeno esportivo. Para trato do coletado, tivemos em conta as sugestões de Luca (2005).

Sugerimos que um dos potenciais deste artigo é discutir as peculiaridades do processo de adesão a referências culturais que vinham do exterior. Mesmo que o esporte tenha sido eminentemente uma prática que se conformou a partir de influências estrangeiras, especialmente dos britânicos (Melo, 2014; Melo, 2015a; Melo, 2015b), houve particularidades na apreensão das diferentes modalidades. O que se passou com o beisebol ajuda mesmo a refletir sobre o relacionamento estabelecido com outras manifestações; em última instância, sobre a formação cultural nacional[9].

Primeiras iniciativas

As primeiras referências ao beisebol surgiram de forma esparsa nos jornais, em relatos de correspondentes do exterior que percebiam que a prática ganhava espaço nos Estados Unidos. Por exemplo, em 1875, um cronista, ao enviar notícias de Nova York, comentou que os esportes se tornavam progressivamente valorizados, entre os quais a modalidade que investigamos (Jornal do Comércio, 1875, p. 4). A longa notícia forja uma representação de que tal gosto é uma expressão do avanço civilizatório dos norte-americanos.

No século XIX, indícios sobre a prática em terras brasileiras somente há nos periódicos que tinham como público-alvo majoritário a colônia britânica[10], especialmente no The Rio News, que circulou entre 1874 e 1901. Desde 1882, seu proprietário foi o norte-americano Andrews Jackson Lamoureux, que chegara ao Rio de Janeiro em 1877 (Rocha, 2007).

Talvez em função da origem de Lamoureux e de seu interesse manifesto pelo esporte – além de ser habituée dos eventos esportivos da colônia britânica (Melo, 2017a), constantemente solicitava que as agremiações enviassem informações sobre as contendas (The Rio News, 1901, p. 5) –, o beisebol ocupou espaço constante nas páginas do periódico, em conjunto com o críquete, o tênis, o futebol e o rúgbi.

No The Rio News chegou a ser publicado um longo artigo de três colunas – “How base-ball is played” (The Rio News, 1895a, p. 5) – no qual se procurou explicar a modalidade, tentando-se esclarecer por que fascinava tanto os norte-americanos. Os elogios eram hiperbólicos: seria técnico e científico, mas também emocional; vigoroso, mas igualmente diplomático. Um estadunidense teria perguntado quase em tom afirmativo: “Nenhum jogo é como esse, não é verdade? Deixa todos os outros para trás, não é?” (The Rio News, 1895a, p. 5).

Em outro artigo, sequência do anterior, o cronista, na mesma medida em que defendeu certos valores norte-americanos, esgrimiu argumentos típicos do Cristianismo Muscular para defender o beisebol. Seria a prática adequada para preparar o corpo para os novos desafios exigidos pela sociedade, para desenvolver temperança, coragem, preparo físico (The Rio News, 1895b, p. 5).

Essas crônicas tinham em conta jogos de beisebol realizados em Buenos Aires, cidade onde a colônia norte-americana parecia estar melhor estabelecida, envolvida mais intensamente com práticas esportivas, ocasiões sempre prestigiadas pelos mais importantes personagens locais e pela diplomacia (The Rio News, 1895c, p. 3). No Brasil, eram também oriundos dos Estados Unidos os que promoviam as partidas.

No Rio de Janeiro, os jogos de beisebol eram disputados nos grounds de críquete (The Rio News, 8 ago. 1893, p. 4), esporte praticado no Brasil desde a década de 1830, de forma estruturada em clubes a partir dos anos 1850 (Melo, 2017a). Uma dessas partidas, ocorrida em julho de 1898, foi incentivada por F. Harvey, que convidou uma equipe do Rio Cricket and Athletic Association[11] para enfrentar um combinado de norte-americanos estabelecidos no Distrito Federal (The Rio News, 1898a, p. 7). Participaram do desafio, realizado na sede da agremiação de Niterói, até mesmo membros da representação diplomática dos Estados Unidos. O próprio ministro Charles Page Bryan[12] esteve presente no festejo, encarado como oportunidade para os anglófonos enaltecerem seus laços em comum[13].

O evento foi saudado como uma retomada da prática do beisebol depois de anos sem atividade (The Rio News, 26 jul. 1898b, p. 5). É possível, portanto, que já tivessem ocorrido jogos anteriores. O esporte enfrentava, de fato, problemas de sazonalidade idênticos ao do críquete – a regularidade dependia da presença de interessados na cidade –, com o agravante de que era menor o número de norte-americanos estabelecidos em comparação aos britânicos. Vejamos que a iniciativa só foi possível graças à adesão dos associados do Rio Cricket.

Na cobertura dos festejos, percebemos alguns elementos que ajudam a entender a pouca difusão do esporte. Um deles é o fato de que o beisebol era encarado como uma prática típica de norte-americanos, pouco compreensível para outros públicos. A presença de Charles Bryan, inclusive, foi saudada, pelo editor do The Rio News, tanto como sinal de que legitimava uma ocasião especial para os estadunidenses quanto pelo seu empenho em explicar a todos as regras do jogo (The Rio News, 1898b, p. 5). Na verdade, o cronista reconheceu que mesmo os associados e jogadores do Rio Cricket não entendiam bem a dinâmica da modalidade, o que tornava inteligível o placar alargado desfavorável aos britânicos.

De toda forma, o editor fez questão de destacar o grande número de presentes, entre as quais “senhoritas”, ciosas de seus vestidos e celebradas pelos jogadores[14]. A quase totalidade era de britânicos e norte-americanos. O cronista tratou de enumerar os personagens mais importantes, entre os quais a família Cox, cujo patriarca, George, há muito desempenhava papel de liderança no que tange às atividades esportivas. Foi costumeiro integrante e organizador de equipes de críquete, sendo um dos principais responsáveis pela construção da bela sede do Rio Cricket and Athletic Club (Melo, 2017a). Seu filho, Oscar Cox, conhecido como um dos pioneiros do futebol no Rio de Janeiro, praticante de várias modalidades, foi, inclusive, athleta do team de beisebol da agremiação fluminense.

A esperança do cronista é que se entendesse que “o beisebol é algo mais do que rodadas gloriosas e mesmo mais atrativo do que um jogo de críquete” (The Rio News, 1898b, p. 5). Falava o norte-americano apaixonado pela modalidade e pelas referências culturais do seu país. Dificilmente convenceria os britânicos de que algo era melhor do que o críquete[15].

No ano seguinte (1899), em um informe sobre as atividades do Rio Cricket, o cronista comentou que, no calendário anual da agremiação, três datas foram reservadas para as partidas de beisebol, acreditando que “nossos amigos americanos irão nos apresentar boas disputas, já que o jogo é decididamente uma novidade para muitos e irá despertar grande interesse” (The Rio News, 1899a, p. 4). A gentileza mal podia esconder o distanciamento dos britânicos da modalidade norte-americana.

Na capital paulistana, parece ter ocorrido algo semelhante ao que se passou no Rio de Janeiro. O primeiro jogo de beisebol mais celebrado (é possível que antes tenham sido promovidos outros de forma espontânea) foi realizado em 1899 (The Rio News, 1899b, p. 4), entre norte-americanos que lá viviam e sócios do São Paulo Athletic Club, um dos mais importantes na cidade do século XIX, agremiação de britânicos dedicada ao críquete, mas também a outras modalidades (ver Gambeta, 2015; Melo e Gomes, 2017). Um dos destaques da disputa foi o desempenho do polivalente Charles Miller, um dos pioneiros do rúgbi e do futebol no país.

Diferentemente do caso fluminense, na capital paulistana saiu vitoriosa a equipe do São Paulo Athletic Club. Na visão otimista de um cronista, o resultado induzia a crer que a modalidade se estabeleceria com sucesso na cidade. De toda forma, transpareceram apreensões similares às que houve no Rio de Janeiro: o fato de que não se tinha pleno conhecimento da dinâmica do jogo e a sutil concorrência entre os dois grupos que integravam a colônia de anglófonos. Um jornalista não deixou de registrar que os “britânicos venceram os americanos no seu próprio jogo nacional” (The Rio News, 1899b, p. 4).

Tal vitória foi celebrada em mais de uma ocasião. Um cronista do Rio de Janeiro, mesmo elogiando o desempenho do São Paulo Athletic Club, observou que um dos motivos do triunfo foi o fato de três estadunidenses integrarem o team. O seu desejo irônico – carregado com alguma tinta de rivalidade – era que “uma equipe puramente britânica vença um time americano de beisebol” (The Rio News, 1899c, p. 4).

De toda forma, no seu olhar, essa rivalidade poderia incentivar o interesse pela modalidade, dizendo-se esperançoso de que o esporte se consolidasse tanto porque era apreciado pelas “moças inglesas, irlandesas e escocesas” (The Rio News, 1899c, p. 4) quanto porque, de alguma forma, junto com o críquete, ajudaria a consolidar a posição de liderança dos anglo-saxões[16].

Não se deve desprezar a hipótese de que nesses embates e posicionamentos já se encontrassem ecos das tensões que havia entre a Grã-Bretanha e os Estados Unidos no cenário político e econômico internacional. Além disso, deve-se ter em conta que, como no Rio de Janeiro, os britânicos estabelecidos em São Paulo dedicavam grande atenção ao críquete (Melo e Gomes, 2017).

Em ambas as cidades, nos anos finais do século XIX, houve outros desafios de beisebol, sempre atraindo algum público. No Rio de Janeiro, seguiu sendo o ground do Rio Cricket o local das partidas, da mesma forma que a sede do São Paulo Athletic – localizada no bairro da Consolação – o era na capital paulistana. Em dezembro de 1899, um cronista, ao observar que mais jogos estavam sendo promovidos, sugeriu que se tornara necessária a elaboração de um calendário anual de contendas (The Rio News, 1899e, p. 3), como já era usual com o críquete (Melo, 2017a). Para ele, tal iniciativa contribuiria para ampliar o interesse pela modalidade e atrair novos jogadores.

O máximo, contudo, que conseguimos perceber foi a inserção de dois jogos de beisebol no calendário de 1901 do Paissandu Cricket Club (The Brazilian Review, 1901, p. 347; sobre o clube, ver Melo 2017a), o que pode indicar que a modalidade se espraiou para outras agremiações de britânicos. De toda forma, eram atividades restritas aos anglófonos, ainda que eventualmente pudessem envolver alguém de fora da colônia.

Encontros de norte-americanos

No século XX, a primeira evidência que encontramos, em São Paulo, da prática do beisebol foi uma partida promovida por ocasião de um festejo organizado, em 1903, pelo Club Internacional, no Parque Antártica[17]. Contando com a presença de grande público e importantes autoridades paulistanas (inclusive o presidente do Estado e o prefeito da cidade) (Correio Paulistano, 1903a, p. 1), entre exibições musicais e disputas de diferentes modalidades, o jogo foi protagonizado por “marinheiros da esquadrilha americana” (Correio Paulistano, 1903b, p. 1) que se encontrava ancorada no Porto de Santos.

Esse tipo de evento se tornou usual na São Paulo do início do século, ocasiões em que se celebravam os “novos tempos”, marcados por maior exposição pública e fortalecimento de uma cultura citadina. O Parque Antártica, de propriedade da companhia cervejeira de mesmo nome, tornara-se um dos principais espaços de entretenimento da capital paulistana. O beisebol era, assim, apresentado a assistências maiores, não se restringindo aos anglófonos, como era usual na centúria anterior.

Como teriam se posicionado os frequentadores ante a modalidade? Segundo um cronista paulistano, foi efusiva a recepção do público ao jogo (Correio Paulistano, 1903b, p. 1). Já para um jornalista fluminense, a indiferença marcou a postura dos assistentes (Jornal do Brasil, 1903, p. 1). De toda forma, aparentemente foram mesmo os norte-americanos estabelecidos na cidade os que se mostraram mais entusiasmados.

Essa participação de marítimos em festivais esportivos ocorreu em outras ocasiões, sempre considerada uma forma de celebrar os laços de fraternidade entre Brasil e Estados Unidos[18]. Merece destaque um evento promovido, em 1906, para homenagear a visita do ministro do Exterior dos Estados Unidos, Elihu Root[19], no qual tomou parte ativa a Light and Power, companhia de capital canadense integrada por muitos estadunidenses, que atuava no ramo de iluminação e do transporte público (Correio Paulistano, 1906, p. 1).

Além de envolvimento na preparação das competições, a empresa se empenhou em levar para São Paulo a oficialidade de embarcações ancoradas em Santos, com o intuito de que abrilhantassem o festejo e tomassem parte nas provas. As disputas de todas as modalidades se deram entre brasileiros e norte-americanos, à exceção da partida de beisebol, na qual os dois times eram formados por oriundos dos Estados Unidos.

Tais contendas eram ocasionais. Um primeiro indício de maior sistematização da prática pode ser encontrado na informação de que fora instituída uma diretoria de beisebol no Athletico Club Paulista[20], assumida por Victor Hermes (Correio Paulistano, 1904, p. 3). Todavia, não conseguimos mais informações sobre essa iniciativa.

Foi mesmo graças à ação de norte-americanos empregados da Light and Power que se criou, em 1907, a primeira agremiação paulistana exclusivamente dedicada ao beisebol (Correio Paulistano, 1907, p. 5). Os dinamizadores da iniciativa, W. Walmsley e George Eck[21], certamente tinham em conta envolver seus conterrâneos que desembarcaram na cidade para trabalhar na empresa. O campo foi instalado provisoriamente no Bosque da Saúde, até sua transferência para o Parque Antártica.

Nesse mesmo momento, no Rio de Janeiro, percebe-se quadro semelhante. Nos jornais, há registros de jogos realizados, em 1906 e 1907, nos campos do Fluminense Futebol Clube e do Rio Cricket, entre o time da Rio Light and Power e tripulantes de embarcações norte-americanas ancoradas na Baía de Guanabara (Revista da Semana, 1907, p. 14), bem como uma equipe de engenheiros da Rio das Lages (também funcionários da empresa de iluminação e transporte público) (Jornal do Brasil, 1907, p. 5). É possível que houvesse brasileiros nas arquibancadas, mas os jogadores eram todos estadunidenses.

Um cronista salientou que o jogo parecia fastidioso até mesmo para uma parte da assistência, majoritariamente integrada por anglófonos (Jornal do Brasil, 1907, p. 5). Em outra ocasião, um jornalista fluminense, mesmo considerando a modalidade interessante, não deixou de destacar que se tratava de um esporte menos emocionante do que o futebol (Gazeta de Notícias, 1911, p. 2). Esse tipo de observação foi usual nos periódicos do Rio de Janeiro.

Houve também os que desejassem que o beisebol fosse “cultivado pela nossa mocidade, visto que é um dos ramos da educação física de primeira ordem” (Revista da Semana, 1907, p. 14). Os elogios ao caráter atlético da modalidade e a indicação de que fosse praticada por maior número de pessoas não obliteravam a percepção de que se tratava de um jogo nacional dos Estados Unidos, pouco compreendido e apreciado pelos brasileiros.

Na capital paulistana, nos jornais se encontram maior número de notícias de jogos de beisebol, boa parte integrando a programação de eventos que durante um tempo tornaram-se regulares no Parque Antártica (ver Correio Paulistano, 1907b, p. 1). Com entrada gratuita (ou com valor acessível), promovidos em um dos espaços que se tornara referência de lazer na cidade, as contendas atraíam um bom público.

Em conjunto, eram realizados jogos de tênis, corridas de automóveis, apresentações musicais, entre muitas outras atividades. Não é possível dizer, assim, que os interessados eram somente atraídos pelo beisebol. De toda forma, tratava-se de mais uma tentativa de apresentar a modalidade para maior número de pessoas.

Algumas antigas agremiações, como o São Paulo Athletic Club, seguiam envolvidas com o beisebol. Eventualmente surgiam novas equipes, como as que disputaram, em 1907, uma partida no campo da Liberdade – Juvenal Prado versus Paraíso (Correio Paulistano, 1907c, p. 4)[22]. Nesse mesmo ano, surgiu nos jornais o anúncio de uma nova sociedade, o The São Paulo Baseball Club (Correio Paulistano, 1907d, p. 6), que logo estabeleceu rivalidade com a Light and Power. Contava com alguns brasileiros, entretanto era majoritariamente integrada por gente vinculada à colônia norte-americana.

Em 1907, uma novidade agitou a cena do beisebol paulistano. Alguns jogadores estadunidenses – ligados à Light and Power e ao Baseball Club – reuniram-se numa viagem para Buenos Aires a fim de atender o convite da agremiação local de beisebol para realização de jogos e confraternização (Correio Paulistano, 1907e, p. 4). A vitória na Argentina teve boa repercussão no Brasil, sendo considerada sinal de que avançava a vida esportiva do país e de que o “esporte atlético dos yankees” (Jornal do Brasil, 1908a, p. 11) poderia progredir por aqui. Lembrou-se que a modalidade estava mais desenvolvida na capital buenairense até mesmo por ser maior a colônia norte-americana. Chegou-se a aventar uma visita dos argentinos para disputar uma revanche, sugerindo-se que a equipe brasileira fosse formada também por jogadores do Rio de Janeiro (A Imprensa, 1908, p. 5)[23].

Enquanto isso, na capital fluminense, poucos avanços podem ser observados na difusão da prática. Na primeira década do século XX, não se chegou a criar outro clube exclusivo dedicado ao beisebol. As partidas eram mais esporádicas do que as de São Paulo, disputadas por times da Rio Light and Power, de associados de clubes dos britânicos (o Rio Cricket e o Paissandu Cricket), de empresas que tinham relação com os Estados Unidos, de tripulantes de embarcações daquele país.

Maior destaque se dava quando havia desafios com a Light and Power de São Paulo. A primeira disputa entre as equipes das cidades foi promovida em 1907, quando o clube inaugurou seu campo no Parque Antártica (Correio Paulistano, 1907f, p. 4). A partir de então e durante a segunda década do século XX, os oriundos do Rio de Janeiro voltaram muitas vezes à capital paulistana, inclusive para jogar com outras agremiações. Da mesma forma, os sediados em São Paulo viajaram diversas vezes ao Distrito Federal.

Uma vez mais, alguns cronistas sugeriram que essas ocasiões ajudariam a consolidar a modalidade (Correio Paulistano, 1907g, p. 4). Todavia, eram menos oportunidades de difusão do que reuniões dos norte-americanos das duas cidades. Tratava-se de mais uma experiência em que os estadunidenses, para fortalecer seus laços, reproduziam uma estratégia adotada pelos britânicos, desde o século XIX, com o críquete e o rúgbi.

Em 1908, no campo do Rio Cricket, um desses encontros ocorreu quando “a honrada e laboriosa colônia americana” (Jornal do Brasil, 1908b, p. 11) comemorava a independência dos Estados Unidos. Essa, de fato, tornou-se uma das mais importantes ocasiões em que os jogos de beisebol foram promovidos, tanto em São Paulo quanto no Rio de Janeiro. As cerimônias sempre tinham na programação as partidas “disputadas por cavalheiros da colônia americana” (O Paiz, 1911, p. 1).

Os jornais fartamente anunciaram esses eventos, que envolviam o corpo diplomático e importantes lideranças dos dois países, marcados por posturas cívicas e de mútuos elogios (Jornal do Brasil, 1914, p. 11; Correio Paulistano, 1918, p. 3). Ocasiões eminentemente políticas, reforçavam a forte ligação entre o beisebol e o nacionalismo norte-americano.

Anúncio de comemoração do aniversário da independência dos Estados Unidos
Figura 1.
Anúncio de comemoração do aniversário da independência dos Estados Unidos

Figure 1. Commemoration announcement of the anniversary of the United States independence.

Jornal do Comércio, 1º jul. 1915, p. 16.

A partir de 1917, as celebrações da independência dos Estados Unidos se tornaram ainda mais intensas, consideradas mais explicitamente como um sinal da amizade entre os dois países (Correio da Manhã, 1917, p. 3). Segundo um cronista, o país do norte seria “nosso irmão mais forte, o braço permanentemente alçado sobre os que se atrevem, na sua cobiça, a experimentar a nossa fraqueza de gigante sem músculo” (O Imparcial, 1917, p. 5). Certamente, tal situação tinha relação com o quadro mundial de guerra[24] e o aumento de influência política e cultural dos Estados Unidos no continente americano, inclusive no Brasil.

Anúncio de comemoração do aniversário da independência dos Estados Unidos.
Figura 2.
Anúncio de comemoração do aniversário da independência dos Estados Unidos.

Figure 2. Commemoration announcement of the anniversary of the United States independence.

A Noite, 2 jul. 1916, p. 6.

Na segunda década do século XX, em São Paulo, percebe-se um refluxo na prática da modalidade. Tirando os jogos interestaduais e as festas cívicas norte-americanas, a maior parte das partidas foi promovida mesmo por ocasião de atividades, inclusive festivais esportivos, organizadas pela já citada Associação Cristã de Moços (Correio Paulistano, 1919, p. 2), que tentou sem sucesso difundir o beisebol (Baía, 2012). Uma vez mais o envolvimento ficou restrito quase exclusivamente aos estadunidenses.

O mesmo se pode perceber na atuação da Associação Cristã de Moços do Rio de Janeiro. Nos festivais esportivos que organizava era usual a programação de partidas de beisebol. Alguns destes eventos foram promovidos em conjunto com o Colégio Batista[25] e o Sporting Club do Rio de Janeiro[26], normalmente no Campo de São Cristóvão ou na Quinta da Boavista, já estabelecidos como importantes espaços de lazer da cidade.

No Rio de Janeiro, ao contrário da década anterior, foi maior o número de iniciativas com o esporte. Algumas agremiações tentaram implementar a prática. Exemplar é o caso do América Futebol Clube, que chegou a inserir o beisebol em seu estatuto (O Imparcial, 1919, p. 6), bem como a promover alguns eventos da modalidade, como na ocasião de uma homenagem a jornalistas argentinos e uruguaios, organizada em 1913 (O Século, 1913, p. 3). Não conseguimos mais informações sobre os jogadores, mas não é improvável que tenha sido gente da colônia norte-americana[27], os mesmos que, em 1914, fundaram o Rio Baseball Club, que de imediato estabeleceu uma rivalidade com a Associação Cristã de Moços.

Também em 1914, os sócios de um novo clube passaram a se dedicar, entre outras modalidades, ao beisebol, o The Rio de Janeiro Athletic Association (ver Gazeta de Notícias, 1917, p. 7), que existe até os dias de hoje com o nome de Leme Tênis Clube. Era mais uma das agremiações no Distrito Federal fundadas por estrangeiros, especialmente por britânicos e norte-americanos que trabalhavam na Companhia de Carris, Luz e Força do Rio de Janeiro.

A participação de seus associados em jogos de beisebol se deu notadamente em encontros com equipes de embarcações dos Estados Unidos ancoradas no Rio de Janeiro (O Imparcial, 1917b, p. 10) e por ocasião das festas cívicas norte-americanas. Vale dizer que sua sede (muito bem instalada no bairro de São Cristóvão), nos anos finais da década de 1910, passou a ser palco das comemorações da colônia estadunidense (Gazeta de Notícias, 1917b, p. 2).

Para além de Rio de Janeiro e São Paulo, em Recife há indícios da prática da modalidade. Em 1919, marinheiros de uma embarcação norte-americana realizaram uma partida no estádio do Sport Club (Jornal Pequeno, 1919, p. 2). Em Manaus, alguns jogos foram também organizados nos anos finais da década de 1910 (Jornal do Comércio, 1919, p. 1). No Espírito Santo, há uma interessante referência à modalidade sendo praticada por mulheres em uma Escola Normal (O Malho, 1908, p. 66). Também em Porto Alegre, a Associação Cristão de Moços organizou disputas (A Federação, 1917, p. 6). Houve ainda alguns desafios em Curitiba (Diário da Tarde, 1904, p. 1) e em Belém (Estado do Pará, 1914, p. 4).

Ainda assim, mesmo com o aumento de iniciativas e com o incremento da presença de norte-americanos no Brasil, o beisebol não se espraiou nem caiu no gosto dos brasileiros. Permaneceu sendo encarado apenas como um típico jogo dos Estados Unidos.

Considerações finais

A baixa popularidade do beisebol em terras tupiniquins não se vinculava a preocupações quanto à sua pertinência, como ocorreu, por exemplo, com outro esporte fortemente ligado a uma nacionalidade estrangeira: o rúgbi, cultuado pelos britânicos (ver Melo e Gonçalves, 2017). Pelo contrário, comumente destacaram-se suas potenciais contribuições para a educação física, saúde, higiene, preparação da juventude (ver A Época, 1914, p. 4). Houve mesmo alguns cronistas que incentivaram a sua adoção como estratégia de preparação corporal.

Todavia, mesmo que tenham sido promovidas algumas experiências, a modalidade ficou restrita ao círculo dos anglófonos, especialmente dos norte-americanos, sempre muito identificada como prática típica dos Estados Unidos, algo que, no período investigado não era ainda tão valorizado como o seria nas décadas seguintes.

Dificilmente, assim, pode se considerar o beisebol como antecedente da influência norte-americana que se tornou notável a partir dos anos 1930. Até então, é possível inferir que as conexões entre Brasil e Estados Unidos eram mais fortes no âmbito das relações internacionais e da economia, ainda menos no âmbito cultural.

De toda forma, deve-se ter em conta que já havia uma intervenção como a da Associação Cristã de Moços, que atuava de maneira semelhante às missões protestantes estadunidenses que existiam no país desde o século XIX. Com elas, tinha em comum a ação no âmbito da educação, inclusive a atenção às práticas corporais.

O não desenvolvimento do gosto pelo beisebol não deve, contudo, ser tributado somente a esse aspecto. Tampouco pode ser considerado como uma suposta resistência à cultura norte-americana em função da influência europeia. Nem todas as modalidades oriundas do Velho Continente se tornaram apreciadas, como no caso do anteriormente citado rúgbi.

Assim como ocorreu com esse esporte britânico, o caso do beisebol aponta as peculiaridades do processo de trânsito cultural. Mesmo tratando-se de um momento em que em algumas cidades havia certa avidez pelas novidades – por introduzir manifestações das nações ditas mais desenvolvidas –, o que foi um estímulo à adoção de muitos esportes, nem todas as modalidades foram aceitas igualmente, sendo algumas delas interpretadas pelos filtros locais de maneira bem distinta do concebido nos países de origem.

Britânicos e norte-americanos debatiam se era mais empolgante o críquete ou o beisebol. Para os brasileiros, o jogo dos estadunidenses foi considerado fastidioso e de difícil compreensão. Não se difundiu, assim, ao contrário de outras modalidades também oriundas dos Estados Unidos, como o voleibol e o basquetebol[28].

Referências

BAIA, A.C. 2012. Associação Cristã de Moços no Brasil: um projeto de formação moral, intelectual e física (1890-1929). Belo Horizonte, MG. Tese de Doutorado. Universidade Federal de Minas Gerais, 214 p.

BANDEIRA, M. 1973. Presença dos Estados Unidos no Brasil: dois séculos de história. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 470 p.

BETHELL, L. 2009. O Brasil e a ideia de América Latina em perspectiva histórica. Estudos Históricos, 22(44):289-321. https://doi.org/10.1590/S0103-21862009000200001

BETHELL, L. 2010. Nabuco e o Brasil entre Europa, Estados Unidos e América Latina. Novos Estudos – CEBRAP, 88:73-87. https://doi.org/10.1590/S0101-33002010000300005

BIRLEY, D. 1999. A social history of English cricket. London, Aurum Press, 400 p.

BUARQUE DE HOLLANDA, B.B.; MELO, V.A. 2012. O esporte na imprensa e a imprensa esportiva no Brasil. Rio de Janeiro, Faperj/7 Letras, 212 p.

BURKE, P.; PALLARES-BURKE, M.L.G. 2016. Os ingleses. São Paulo, Contexto, 416 p.

CANCLINI, N.G. 1997. Culturas híbridas: estratégias para entrar e sair da modernidade. São Paulo, Edusp, 416 p.

CAVALCANTI, H.B. 2001. O projeto missionário protestante no Brasil do século 19: comparando a experiência Presbiteriana e Batista. Revista de Estudos da Religião, 4:61-93.

DORATIOTO, F. 2012. O Brasil no mundo/Idealismos, novos paradigmas e voluntarismo. In: L.M. SCHWARCZ (coord.), História do Brasil Nação (1808-2010): Volume 3: A abertura para o mundo (1889-1930). Rio de Janeiro, Objetiva, p. 19-34.

GAMBETA, W. 2015. A bola rolou: o velódromo paulista e os espetáculos de futebol. São Paulo, Editora Sesi, 432 p.

GAUDIN, B.C.P. 2007. O basquete no país do futebol. Revista de Ciências Sociais, 38(1):53-58.

GOLDMAN, F.P. 1972. Os pioneiros americanos no Brasil (educadores, sacerdotes, covos e reis). São Paulo, Pioneira, 180 p.

HOLT, R. 1989. Sport and the British: a modern history. New York, Oxford University Press, 424 p.

JEHA, S.C. 2013. Anphitheatrical Rio! Marítimos americanos na baía do Rio de Janeiro – século XIX. Almanack, 6:110-132. https://doi.org/10.1590/2236-463320130608

LUCA, T.R. 2005. História dos, nos e por meio dos periódicos. In: C.B. PINSKY (org.), Fontes históricas. São Paulo, Ed. Contexto, p. 111-153.

MALCOLM, D. (org.). 2012. Globalizing cricket: Englishness, empire and identity. London, Bloomsbury, 208 p.

MARTINS, L.C; CARDOSO, L.S. 2009. A dimensão civilizatória da presença americana no Brasil: tecnologia, educação e religião. Revista Cesumar – Ciências Sociais e Humanas Aplicadas, 14(2):285-301.

MATIAS, C.J.A.S.; GRECO, P.J. 2011. De Morgan ao voleibol moderno: o sucesso do Brasil e a relevância do levantador. Revista Mackenzie de Educação Física e Esporte, 10(2):49-63.

MAUAD, A.M. 2001. A América é aqui: um estudo sobre a influência cultural norte-americana no cotidiano brasileiro (1930-1960). In: S. TORRES (org.), Raízes e rumos: perspectivas interdisciplinares em estudos americanos. Rio de Janeiro, 7Letras, p. 134-146.

McDOWALL, D. 2008. Light: a história da empresa que modernizou o Brasil. Rio de Janeiro, Ediouro, 608 p.

MELO, V.A. 2001. Cidade Sportiva: primórdios do esporte no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, Relume Dumará/Faperj, 233 p.

MELO, V.A. 2007. Mulheres em movimento: a presença feminina nos primórdios do esporte na cidade do Rio de Janeiro (século XIX-primeira década do século XX). Revista Brasileira de História, 27(54):127-152. https://doi.org/10.1590/S0102-01882007000200008

MELO, V.A. 2014. Antes do club: as primeiras experiências esportivas na capital do Império (1825-1851). Projeto História, 49:197-236.

MELO, V.A. 2015a. O sport em transição: Rio de Janeiro, 1851-1868. Movimento, 21(2):363-376. https://doi.org/10.22456/1982-8918.49489

MELO, V.A. 2015b. Entre a elite e o povo: o sport no Rio de Janeiro do século XIX (1851-1857). Tempo, 20(37):1-22. https://doi.org/10.1590/tem-1980-542x2015v213706

MELO, V.A. 2017a. A sociabilidade britânica no Rio de Janeiro do século XIX: os clubes de cricket. Almanack, 16:168-205. https://doi.org/10.1590/2236-463320171604

MELO, V.A. 2017b. Para inglês ver? Os clubes de cricket e a sociabilidade britânica em Recife (1865-1906), Territórios e Fronteiras, 10(1):161-178. https://doi.org/10.22228/rt-f.v10i1.568

MELO, V.A.; GOMES, E.S. 2017. Os britânicos e os clubes de cricket na São Paulo do século XIX (anos 1870-1890). Mimeo.

MELO, V.A.; GONÇALVES, M.G. 2017. Entre o críquete e o futebol: experiências com o rugby nas duas primeiras décadas do século XX. Movimento, Porto Alegre, no prelo.

MILLS, J. 2005. Charles Miller: o pai do futebol brasileiro. São Paulo, Panda Books, 236 p.

PINTO, M.I.M.B. 1999. Cultura de massas e representações femininas na paulicéia dos anos 20. Revista Brasileira de História, 19(38):139-163. https://doi.org/10.1590/S0102-01881999000200007

RADER, B.G. 2002. Baseball: a history of America’s game. Urbana, University of Illinois Press, 296 p.

RIESS, S. 1995. Sport in industrial America – 1850-1920. Illinois, Harlan Davidson, 336 p.

ROCHA, A.P. 2007. The Rio News de A. J. Lamoureux: um jornal abolicionista carioca de um norte-americano. Projeto História, 35:141-159.

SALIBA, E.T. 2012. Cultura/As apostas na República. In: L.M. SCHWARCZ (coord.), História do Brasil Nação (1808-2010): Volume 3: A abertura para o mundo (1889-1930). Rio de Janeiro, Objetiva, p. 239-294.

SÃO PAULO ANTIGA. 2012. 12 túmulos curiosos e pouco conhecidos do Cemitério da Consolação. Disponível em: http://www.saopauloantiga.com.br/12-tumulos-curiosos-consolacao/. Acesso em: 11/10/2017.

SCHWARCZ, L.M. 2012. As marcas do período. In: L.M. SCHWARCZ (coord.), História do Brasil Nação (1808-2010): Volume 3: A abertura para o mundo (1889-1930). Rio de Janeiro, Objetiva, p. 19-34.

SEVCENKO, N. 1992. Orfeu extático na metrópole. São Paulo, Companhia das Letras, 424 p.

SEVCENKO, N. 1998. A capital irradiante: técnica, ritmos e ritos do Rio. In: N. SEVCENKO (org.), História da vida privada no Brasil: Volume 3: República – da Belle Époque à era do rádio. São Paulo, Companhia das Letras, p. 7-48.

SEYMOUR, H.; MILLS, D.S. 1989. Baseball: the early years. New York, Oxford University Press, 392 p.

SOARES, C.L. 2001. Educação física: raízes europeias e Brasil. Campinas, Autores Associados, 141 p.

TOTA, A.P. 2000. O imperialismo sedutor. São Paulo, Companhia das Letras, 272 p.

VALIM, A.B. 2017. O triunfo da persuasão: Brasil, Estados Unidos e o cinema da Política de Boa Vizinhança durante a II Guerra Mundial. São Paulo, Alameda Editorial, 336 p.

VIEIRA, C.R.A. 2006. Protestantismo e educação: a presença liberal norte-americana na Reforma Caetano de Campos – 1890. Piracicaba, SP. Tese de Doutorado. Universidade Metodista de Piracicaba, 205 p.

WEID, E.V.D. 1989. A expansão da Rio de Janeiro Tramway Light and Power ou as origens do “Polvo Canadense”. Rio de Janeiro, Casa Rui Barbosa, 49 p.

WRIGHT, A.F.P.A. 1978. Desafio à preponderância britânica no Brasil: 1808-1850. São Paulo, Companhia Editora Nacional, 277 p.

A ÉPOCA. 1914. Rio de Janeiro 4 jan., p. 4.

A FEDERAÇÃO. 1917. Rio de Janeiro, 1 jan., p. 6.

A IMPRENSA. 1908. Rio de Janeiro, 19 jul., p. 5.

A IMPRENSA. 1911. Rio de Janeiro, 12 out., p. 6.

A NOITE. 1913. Rio de Janeiro, 31 out., p. 1.

CORREIO DA MANHÃ. 1917. Rio de Janeiro, 28 jun., p. 3.

CORREIO PAULISTANO. 1903a. São Paulo, 12 out., p. 1.

CORREIO PAULISTANO. 1903b. São Paulo, 11 out., p. 2.

CORREIO PAULISTANO. 1904. São Paulo, 10 maio, p. 3.

CORREIO PAULISTANO. 1906. São Paulo, 4 ago., p. 1.

CORREIO PAULISTANO. 1907. São Paulo, 16 jun., p. 5.

CORREIO PAULISTANO. 1907b. São Paulo, 14 jul., p. 1.

CORREIO PAULISTANO. 1907c. São Paulo, 15 dez., p. 4.

CORREIO PAULISTANO. 1907d. São Paulo, 14 set., p. 6.

CORREIO PAULISTANO. 1907e. São Paulo, 28 nov., p. 4.

CORREIO PAULISTANO. 1907f. São Paulo, 6 jul., p. 4.

CORREIO PAULISTANO. 1907g. São Paulo, 13 jul., p. 4.

CORREIO PAULISTANO. 1918. São Paulo, 4 jul., p. 3.

CORREIO PAULISTANO. 1919. São Paulo, 21 jun., p. 2.

DIÁRIO DA TARDE. 1904. Rio de Janeiro. 26 set., p. 1.

ESTADO DO PARÁ. 1914. Belém. 7 nov., p. 4.

GAZETA DE NOTÍCIAS. 1911. Rio de Janeiro, 5 jul., p. 2.

GAZETA DE NOTÍCIAS. 1914. Rio de Janeiro, 12 jul., p. 9.

GAZETA DE NOTÍCIAS. 1917. Rio de Janeiro, 10 jun., p. 7.

GAZETA DE NOTÍCIAS. 1917b. Rio de Janeiro, 3 jul., p. 2.

JORNAL DO BRASIL. 1902. Rio de Janeiro, 28 jun., p.1.

JORNAL DO BRASIL. 1903. Rio de Janeiro, 13 out., p. 1.

JORNAL DO BRASIL. 1907. Rio de Janeiro, 26 jun., p. 5.

JORNAL DO BRASIL. 1907b. Rio de Janeiro, 17 jul., p. 5.

JORNAL DO BRASIL. 1908a. Rio de Janeiro, 30 jan., p. 11.

JORNAL DO BRASIL. 1908b. Rio de Janeiro, 26 jun., p. 11.

JORNAL DO BRASIL. 1914. Rio de Janeiro, 6 jul., p. 11.

JORNAL DO COMÉRCIO. 1875. Rio de Janeiro, 23 ago., p. 4.

JORNAL DO COMÉRCIO. 1919. Rio de Janeiro 17 abr., p. 1.

JORNAL PEQUENO. 1919. Recife, 7 fev., p. 2.

O IMPARCIAL. 1913. Rio de Janeiro, 2 nov., p. 8.

O IMPARCIAL. 1917. Rio de Janeiro, 1 jul., p. 5.

O IMPARCIAL. 1917b. Rio de Janeiro, 23 jun., p. 10.

O IMPARCIAL. 1919. Rio de Janeiro, 29 jan., p. 6.

O MALHO. 1908. Rio de Janeiro, 3 out., p. 66.

O PAIZ. 1911. Rio de Janeiro, 4 jul., p. 1.

O SÉCULO. 1913. Rio de Janeiro, 3 dez., p. 3.

REVISTA DA SEMANA. 1907. Rio de Janeiro, 30 jun., p. 14.

THE BRAZILIAN REVIEW. 1901. Rio de Janeiro, 14 maio, p. 347.

THE RIO NEWS. 1893. Rio de Janeiro, 8 ago., p. 4.

THE RIO NEWS. 1895a. Rio de Janeiro, 28 maio, p. 5.

THE RIO NEWS. 1895b. Rio de Janeiro, 4 jun., p. 5.

THE RIO NEWS. 1895c. Rio de Janeiro, 30 jul., p. 3.

THE RIO NEWS. 1898a. Rio de Janeiro, 5 jul., p. 7.

THE RIO NEWS. 1898b. Rio de Janeiro, 26 jul., p. 5.

THE RIO NEWS. 1899a. Rio de Janeiro, 25 abr., p. 4.

THE RIO NEWS. 1899b. Rio de Janeiro, 6 jun., p. 4.

THE RIO NEWS. 1899c. Rio de Janeiro, 13 jun., p. 4.

THE RIO NEWS. 1899d. Rio de Janeiro, 2 maio, p. 4.

THE RIO NEWS. 1899e. Rio de Janeiro, 12 dez., p. 3.

THE RIO NEWS. 1901. Rio de Janeiro, 28 maio, p. 5.

Notas

[3] Há muitos estudos sobre o tema. Entre outros, ver Vieira (2006).
[4] Para mais informações sobre a Associação Cristã de Moços, ver Baia (2012).
[5] Na Associação Cristã de Moços também se desenvolveu um método de ginástica, a calistenia (Soares, 2001).
[6] É extensa a produção sobre o beisebol norte-americano. Entre tantos, para mais informações, sugerem-se: Seymour e Mills (1989) e Rader (2002).
[7] Deve-se observar que uma parte das experiências, embora tenha se realizado na esfera de influência do Rio de Janeiro, teve como local Niterói, a sede do Rio Cricket and Athletic Association.
[8] Vale destacar que o esporte ocupou importante espaço nas reformas lideradas por Antônio Prado – prefeito de São Paulo entre 1899 e 1911 – e Pereira Passos – prefeito do Rio de Janeiro entre 1902 e 1906. Para mais informações, ver Sevcenko (1998), Melo (2001), Gambeta (2015).
[9] Estamos considerando que se tratou de um processo ativo de releitura, adaptação, apropriação de manifestações de origens diversas, gestando-se, em decorrência, uma formação cultural híbrida. Para mais informações, ver Canclini (1997).
[10] Integravam a colônia os nascidos na Grã-Bretanha, mas também os descendentes natos em outros países, inclusive no Brasil.
[11] Sobre a agremiação, integrada majoritariamente por britânicos, ver Melo (2017a).
[12] Bryan atuou no Brasil entre 1898 e 1902, trabalhando intensamente para fortalecer os laços entre os dois países.
[13] Sobre como os festejos esportivos eram considerados ocasiões para os anglófonos celebrarem uma cultura em comum, ver Melo (2017a).
[14] Sobre a valorização da presença de mulheres nos eventos dos clubes britânicos, ver Melo (2017a). Sobre a maior participação feminina nas iniciativas esportivas no Rio de Janeiro da transição de séculos, ver Melo (2007). Vale ter em conta que algumas notícias sobre as britânicas e norte-americanas destacavam seu envolvimento com a prática. Ver, por exemplo, Jornal do Brasil (1902, p. 1).
[15] Para um debate sobre a importância do críquete para os britânicos, ver: Birley (1999), Malcolm (2012), Burke e Pallares-Burke (2016).
[16] Essa “esperança” de consolidação do beisebol foi de novo manifesta em matéria na qual se comentou a temporada esportiva de 1899 (The Rio News, 1899a, p. 4).
[17] Tratou-se de um evento beneficente com renda revertida para a Maternidade.
[18] Esse tipo de participação era muito comum entre os britânicos, promovida desde o século XIX, especialmente em jogos de críquete (Melo, 2017a; Melo, Gomes, 2017) e rúgbi (Melo, Gonçalves, 2017). Os marítimos eram exaltados como portadores dos valores, símbolos e lembranças da terra natal.
[19] Os jornais paulistanos divulgaram extensivamente essa visita, celebrando que se tratava de “uma confirmação de um novo período iniciado auspiciosamente para as relações entre países americanos” (Correio Paulistano, 1906, p. 1).
[20] Provavelmente o jornal se referia ao Club Athletico Paulistano, que nos anos iniciais do século XX já tinha ocupado papel de destaque na cidade. Liderado por Antônio Prado Júnior, tinha sede no Velódromo Paulistano, importante espaço esportivo de propriedade da família Prado.
[21] Eck nasceu em Nova York e trabalhou na empresa até o ano de sua morte, 1912 (São Paulo Antiga, 2012). Sobre Walmsley não encontramos mais informações.
[22] Destaca-se que foram as únicas equipes que identificamos formadas integralmente por brasileiros.
[23] Vale citar que esses encontros internacionais foram usuais entre os britânicos envolvidos com o críquete (Melo, 2017a) e o rúgbi (Melo e Gonçalves, 2017).
[24] Vale observar que nos jornais circularam muitas notícias do beisebol relacionadas à 1ª Grande Guerra: jogadores que se envolveram com a guerra, jogos no front, partidas para comemorar o fim dos combates.
[25] Fundado em 1907, por missionários norte-americanos, dedicou grande atenção aos esportes. Existe até os dias de hoje com o nome de Colégio Batista Shepard.
[26] Fundado em 1913, com sede na Quinta da Boavista, tinha como intuito estimular a prática de diferentes modalidades, entre as quais o beisebol (O Imparcial, 1913, p. 8). Os norte-americanos tinham forte relação com o clube.
[27] Há indícios de que também se tentou implementar o beisebol no Clube Ginástico Português (A Noite, 1913, p. 1).
[28] Está para ser feita uma discussão mais aprofundada sobre o quanto esses esportes integraram o movimento de aumento da influência cultural norte-americana.
HMTL gerado a partir de XML JATS4R por