Artigos

D.F. Rocco, um construtor em Porto Alegre, Brasil: sobre casas urbanas, imigrantes italianos e difusão da arquitetura

D.F. Rocco, a builder in Porto Alegre, Brazil: About urban houses, Italian immigrants and dissemination of architecture

Renato Gilberto Gama Menegotto
Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Brasil

D.F. Rocco, um construtor em Porto Alegre, Brasil: sobre casas urbanas, imigrantes italianos e difusão da arquitetura

História Unisinos, vol. 22, núm. 4, pp. 673-684, 2018

Universidade do Vale do Rio dos Sinos

Concedo a Revista História Unisinos o direito de primeira publicação da versão revisada do meu artigo, licenciado sob a Licença Creative Commons Attribution (que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista). Afirmo ainda que meu artigo não está sendo submetido a outra publicação e não foi publicado na íntegra em outro periódico e assumo total responsabilidade por sua originalidade, podendo incidir sobre mim eventuais encargos decorrentes de reivindicação, por parte de terceiros, em relação à autoria do mesmo. Também aceito submeter o trabalho às normas de publicação da Revista História Unisinos acima explicitadas.

Recepção: 16 Novembro 2017

Aprovação: 14 Setembro 2018

Resumo: As residências urbanas do tipo de dois pavimentos, implantadas em terreno de testada estreita e produzidas nos anos 1920 em Porto Alegre, Brasil, pelo construtor de sobrenome italiano D.F. Rocco, evidenciam semelhanças com a arquitetura realizada no início do século XX por arquitetos oriundos da Itália na cidade de Buenos Aires, Argentina. Utilizando-se de fontes primárias e secundárias, o trabalho procura estimular o aprofundamento de estudos sobre o tema. A partir de método comparativo aplicado a situações históricas afins, abre-se a possibilidade para o fenômeno da circulação de ideias. A mobilidade de personagens e a proximidade entre cidades de países distintos, destinos da emigração desde a Itália, podem ser vistas como fatores de difusão de manifestações arquitetônicas. Em simultâneo, pretende-se, com a apresentação de obras de pequeno porte de D.F. Rocco, reconhecer o valor da contribuição de arquiteturas conformadoras do pano de fundo da paisagem urbana, que, em sentido ampliado e de algum modo, fazem parte da história de Porto Alegre e/ou de seu patrimônio edificado.

Palavras-chave: D.F. Rocco, história de Porto Alegre, arquitetura de italianos.

Abstract: The urban households of the two-story type, built on narrow terrain and produced in the 1920s in Porto Alegre, Brazil, by a builder with an Italian surname, D.F. Rocco, show similarities to the architecture performed in the early 20th century by architects from Italy in the city of Buenos Aires, Argentina. Using primary and secondary sources, the present paper aims to stimulate further studies on the subject. The comparative method applied to similar historical moments opens the possibility to the phenomenon of an exchange of ideas. The mobility of characters and the geographical proximity of distinct cities from different countries, destinies of Italian migration, can be seen as decisive factors for the propagation of architectural manifestations. Simultaneously, it is intended, with the presentation of small works by D.F. Rocco, to recognize the value of the contribution of architectures that form the backdrop of the urban landscape, which, in an extended sense and in some way, are part of the history of Porto Alegre and its built heritage.

Keywords: D.F. Rocco, history of Porto Alegre, architecture of Italians.

Introdução

Na passagem do século XIX para o XX, é possível observar que artistas nascidos na Itália chegavam ao Rio Grande do Sul provenientes da Argentina. Há notícias de escultores que residiram inicialmente em Buenos Aires antes de se fixar em Porto Alegre para trabalhar em oficinas de estatuária e ornamentação de edifícios. A proximidade geográfica facilitava trocas comerciais e culturais, contribuindo para que peninsulares europeus, especializados em algumas profissões, viessem para o Rio Grande do Sul. Na época e mesmo nas primeiras décadas do século XX, conforme Weimer (2003), o número de profissionais de origem italiana que atuava em arquitetura na Capital do Estado era o segundo maior, sendo superado apenas pelo de alemães.

Neste trabalho, a partir de estudo de casos, destacam-se obras de pequeno porte produzidas na década de 1920 pelo construtor de sobrenome italiano Domingo F. Rocco. Por evidenciarem aspectos arquitetônicos – tipológico e compositivo – de traços comuns à produção de arquitetos italianos na cidade de Buenos Aires, na Argentina, acredita-se admissível relacionar manifestações arquitetônicas de locais distintos, não muito distantes entre si, em que a possível mobilidade de personagens entre esses lugares se constitua em um dos fatores de assimilação de conhecimentos e práticas. A tal sentido de circulação de ideias, agrega-se metodologia que busque comparações de situações históricas de contextos afins, estes próximos geográfica e temporalmente como são os da capital argentina e de Porto Alegre.

Ao considerar culturas que se aproximam, interagem e se adaptam a distintas realidades, julga-se possível, também, estabelecer relação com análises em que está presente o conceito de identidade étnica, capaz de encerrar diferenças entre conjuntos de pessoas reconhecidos racial e culturalmente, conforme reflexão de Constantino (1991). Sobre a questão, a autora, citando Cecchi (1967, p. 224), evidencia a assimilação de “modelos externos de conduta e modelos conceituais de comportamento que caracterizam o mesmo sujeito como pertencente a um determinado grupo étnico”. Assim sendo, alude-se aqui à condição de que, se tais modelos são adotados para a compreensão do conceito, a arquitetura, por extensão – ao fazer parte do universo de representações simbólicas vinculadas a uma cultura –, também poderá ser considerada.

Concomitantemente a tal premissa, deseja-se acreditar como de valor cultural edifícios que Gutiérrez (1992, p. 121) menciona como de “significado essencialmente intangível”, afastados da “visão reducionista que enfatizava a historiografia oficial”. Ao se destacar obras de menor porte que produzem o pano de fundo da paisagem urbana, pensa-se estar na direção de perspectiva teórica de valorizar manifestações cotidianas a que Burke (2005) se refere, ou seja, costumes, modos de vida e expressões artísticas e de arquitetura que não fazem parte do domínio da cultura de prestígio. Agregam-se à noção de cultura, que contempla objetos oficialmente reconhecidos como de valor, também realizações comuns, oriundas de saberes e práticas do dia a dia, capazes de alimentar identidades particulares. Nesse sentido, a História Cultural apresenta possibilidades de abordagem, conforme evidencia Barros (2005, p. 126):

Esta modalidade historiográfica abre-se a estudos os mais variados, como a “cultura popular”, a “cultura letrada”, as “representações”, as práticas discursivas partilhadas por diversos grupos sociais, os sistemas educativos, a mediação cultural através de intelectuais, ou a quaisquer outros campos temáticos atravessados pela polissêmica noção de “cultura”.

Entende-se como atual a perspectiva que envolve realizações cotidianas, à margem de reconhecimentos oficiais (Barros, 2005). Ao se aproximarem por ação de agentes – projetistas de arquitetura e construtores entre eles –, tais manifestações acabam, culturalmente, sobrepondo-se àquelas com notoriedade, cada uma se mantendo em parte íntegra, mas em parte se misturando.

Projeto e obra como “fatores de sociação” e a mobilidade de profissionais imigrantes

O presente texto, portanto, busca ressaltar empreendimentos de edifícios de pequena dimensão realizados por construtores de origem italiana em cidades de diferentes contextos sociais e econômicos. Permite-se, desde tal assunto de estudo, propor o exame e a interpretação do passado por meio de “fenômenos de conjunto”, conforme expressão de Daumard et al. (1984, p. 14), fenômenos estes protagonizados por determinado grupo social – os italianos. Os trabalhos de projeto e construção da obra, que estão diretamente vinculados à arquitetura, constituem “fatores de sociação”, diz Simmel (2006, p. 60), “quando transformam a mera agregação isolada dos indivíduos em determinadas formas de estar com o outro e de ser para o outro que pertencem ao conceito geral de interação”. Ao interagirem, os sujeitos têm consciência da sociedade como tal. Eles próprios, neste caso os personagens italianos, produzem um conjunto de pensamentos, convicções e atitudes – como grupo –, considerando o que têm em comum ou a visão de mundo que os cerca. Tudo se vincula a tudo e fenômenos e ideias se misturam dinamicamente. Nesse sentido, Simmel (2006, p. 60) salienta o que denomina “conteúdo e matéria da sociação”, ou seja,

tudo o que existe nos indivíduos e nos lugares concretos da realidade histórica como impulso, interesse, finalidade, tendência, condicionamento psíquico e movimento nos indivíduos – tudo que está presente nele de modo a engendrar ou mediatizar os efeitos sobre os outros, ou a receber esses efeitos dos outros.

Acredita-se ser possível refletir sobre a história de arquiteturas em nosso meio, buscando analogias com aquelas ocorridas em outras realidades. Examinam-se características resultantes de atitudes de projeto vigentes em determinados contextos urbanos e socioeconômicos, tendo em vista associações atinentes à cultura arquitetônica. Uma vez concretizadas em formas/espaços, tais arquiteturas podem revelar articulações entre si e modos de ocorrência, concepção dinâmica de expressões que deverá ser vista como um processo de produção de sentido.

Em Porto Alegre, eram típicas as casas originárias da tradição portuguesa encostadas nas duas divisas laterais (Bittencourt, 1996). Na realidade local, nem sempre o construtor contava com lotes de dimensões avantajadas. Muitas vezes o terreno era estreito, determinado a partir da antiga medida “palmo”, correspondente a 22cm, e de seu múltiplo, a “braça”, igual a 2,20m. Resultavam, assim, testadas de 4,40m, 6,60m ou 8,80m. Igualmente comuns eram os projetos de sobrados, de 3 ou 4 braças de largura, ocupando integralmente a frente do terreno, como os construídos na área urbana central e no bairro Cidade Baixa. Ao se considerarem o aspecto tipológico e a exiguidade da dimensão do lote, merecem registro as semelhanças entre a produção local de Domingo F. Rocco e a de arquitetos atuantes em Buenos Aires, nos primórdios do século XX.

Sabe-se que escultores nascidos na Itália aportavam no Rio Grande do Sul procedentes da Argentina. Os italianos Frederico Pellarin e Luiz Sanguin, por exemplo, residiram na capital argentina antes que viessem trabalhar em Porto Alegre, em ateliês de produção de estátuas e ornamentos. Constantino (1991) menciona a presença de italianos em núcleos urbanos do Brasil, mesmo anteriormente à chegada do maior contingente imigratório no último quartel do Oitocentos. Segundo a autora, a vizinhança com países platinos contribuiu para que profissionais oriundos da Península se estabelecessem em cidades do Estado e pode-se inferir, por consequência, também em Porto Alegre.

Pellarin, conforme anotações de Corona (1957), nasceu no norte da Itália e estudou em Milão, Veneza e Roma. Após algum tempo em Buenos Aires, era visto também na Capital do Rio Grande do Sul, em 1898. Sanguin, de Cantanaro, havia realizado estudos no Régio Instituto de Belas-Artes de Veneza e na Escola de Desenho e Artes Plásticas de Pádua. Também vindo da capital argentina, estabeleceu-se em Porto Alegre na segunda metade da primeira década do século XX em busca de melhores oportunidades de trabalho (Doberstein, 2002). Na época, em Buenos Aires, houve redução substancial da quantidade de empregos para escultores-decoradores.

Na mesma direção de raciocínio, a facilidade de transporte durante a República Velha, por conta da existência de ferrovia, estimulou contatos culturais e, lembra Weimer (2003, p. 271), “as relações do Rio Grande do Sul com os países do Prata foram intensas e muitos arquitetos [...] imigraram através de Buenos Aires e Montevidéu”.

Residências de D.F. Rocco em Porto Alegre e de arquitetos italianos em Buenos Aires: estudos

Domingo F. Rocco, que na década de 1920 produziu residências em Porto Alegre, não raro se utilizava de arquitetura similar à observada em moradias de Buenos Aires. Todavia não há notícias da procedência do construtor. São conhecidas obras suas no interior do Estado, como o edifício da Prefeitura de Bagé e o da atual Secretaria da Cultura e Escola Livre de Belas-Artes de Uruguaiana. Esta última edificação, tombada pela municipalidade, foi a filial do Banco da Província em 1911 e, posteriormente, a Exatoria Estadual em Uruguaiana.

Na Capital, Rocco era proprietário da “Empreza de Construcções” que se localizava no “Campo da Redempção nº 83”, conforme anúncio veiculado em fins do século XIX no jornal Correio do Povo (18/09/1897, p. 3). Assinava a documentação para licenciamento de obras como “D.F. Rocco”. Adota-se, neste texto, o prenome Domingo, tendo em vista a placa de identificação existente na Secretaria da Cultura e Escola Livre de Belas-Artes de Uruguaiana: “Domingo F. Rocco – Arq. Ctor.” – muito embora Gea (1995) se refira a “Domingos Rocco” ao citar o projetista da residência Rocco Medaglia, de 1897, na Rua Independência (atual Avenida Independência), em Porto Alegre.

D.F. Rocco foi responsável também pelos projetos da Sociedade Espanhola na Rua Andrade Neves números 23-25 e do Cinema Popular (hoje Cinemateca Capitólio) na Avenida Borges de Medeiros esquina com a Rua Demétrio Ribeiro, ambos de 1926. Igualmente, assinou obras na Rua José do Patrocínio números 620, 632 e 642, a primeira de 1924 e as duas outras de 1926; na Rua Vigário José Inácio nº 16; na Paysandu (atual Caldas Júnior) e Ernesto Alves, estas de 1925; na Rua Fernando Machado, de 1926; e um palacete, em 1927, para o Sr. João Rizzo, na Rua Gonçalo de Carvalho (Weimer, 1998).

Rocco, lembra Constantino (1991), é o sobrenome de Nicola, que, juntamente com outros imigrantes calabreses – Santoro, D’Angelo, Papaleo, Comte, Lauria, Castellano, Cosenza, Mainieri e Marrone –, rumou para Porto Alegre depois de ter passado por Buenos Aires e Montevidéu. Segundo estudo da autora, o cônsul Pascale Corte, em seu relatório de 1884, publicado na capital uruguaia, faz referência a empreendimento que deslocou para Porto Alegre trabalhadores italianos qualificados capazes de exercerem atividades relacionadas a demandas urbanas. Trata-se de exemplo de movimento imigratório, ocorrido em meados da década de 1870, a partir daquelas cidades da região do Rio da Prata, afetadas por grave crise comercial (Constantino, 1991). Por conseguinte, a proximidade geográfica entre destinos de imigração desde a Itália, mencionada anteriormente, também pode ser vista como aspecto facilitador da mobilidade de um lugar para outro, especialmente quando há expectativa por condições de vida mais satisfatórias.

A moradia projetada por D.F. Rocco para o Sr. Arly Souza Moura, situada na Rua José do Patrocínio (Figura 1), tudo indica tratar-se da edificação nº 620, ainda existente e com fachada demasiadamente alterada. No título da documentação do projeto há palavras em espanhol – “Proyecto de Casa Habitación” –, e o construtor identifica-se como “Engº Architecto”. A edificação possui dois pavimentos e programa de necessidades de média complexidade, apresentando desenho dos ornamentos da fachada bastante elaborado.

Na decoração externa do volume, o construtor utilizou o artifício de dar destaque ao elemento mais estreito que contém o acesso principal. Este, no entanto, não está junto ao alinhamento, mas dá-se por meio de um pórtico lateral. A ideia compositiva é de duas unidades justapostas, uma estreita e alta e outra ligeiramente mais baixa e larga, simétricas se consideradas isoladamente e com predominância da verticalidade na composição da fachada. A verticalidade fica mais evidenciada não só pela parte que constitui o acesso, mas também por faixas, dispostas de um lado e outro da abertura frontal maior, existentes no pavimento superior e que se estendem compondo o fechamento superior. Frisos ondulados sobre uma espécie de entablamento decorado dividem o piano nobile do coroamento da unidade mais larga. Nesta o rusticado ameniza a diretriz vertical do conjunto sem subtrair, no entanto, sua dominância no conjunto. É contrastante a decoração das duas unidades. A sacada, na abertura maior frontal do pavimento superior, reafirma a atitude de muitos projetos de pequenos construtores italianos de São Paulo, da qual falam Salmoni e Debenedetti (2007, p. 65):

Nos sobrados, o mesmo procedimento dava origem ao andar superior, nos quais frequentemente os construtores colocavam sacadas, ora com balaústres de alvenaria, ora com decorações em ferro batido, muito usado então nas construções de origem portuguesa, ainda que muitas vezes eram compostas com motivos renascentistas.

No pavimento inferior, concentram-se os cômodos que fazem parte dos setores social e de serviço. A entrada principal, sendo lateral, dá acesso ao hall que divide a sala – presumivelmente mais permitida às visitas – da sala de jantar, de uso mais da família. Neste nível, o programa ainda prevê copa (com pequeno sanitário), cozinha (com despensa) e, após, na direção do pátio de fundos, uma pequena área coberta à qual se vincula um depósito de lenha. Completam o programa os compartimentos do pavimento superior: dormitórios, incluindo o de hóspedes; banho e lavatório separados; e mais uma sala posicionada com janela para a rua. Como se percebe, apesar da reduzida testada, trata-se de moradia capaz de abrigar uma família relativamente grande.

Casa na Rua José do Patrocínio, nº 620, em Porto Alegre, projeto de D.F. Rocco, de 1924: fachada e planta baixa.
Figura 1.
Casa na Rua José do Patrocínio, nº 620, em Porto Alegre, projeto de D.F. Rocco, de 1924: fachada e planta baixa.

Figure 1. House at 620 José do Patrocínio Street, Porto Alegre, project of D.F. Rocco, 1924: facade and floor plan.

Fonte: Acervo de pesquisas do autor do texto. Desenhos realizados por Thiago Brenner e Kétlyn Giovana Schuh conforme microfilme 021, processo 662. Acervo de microfilmes de Günter Weimer e do Arquivo Público da Prefeitura Municipal de Porto Alegre. Denominação dos compartimentos segundo a fonte original com grafia atualizada.

Casa na Rua Vigário José Inácio, nº 16, em Porto Alegre, projeto de D.F. Rocco, de 1925: fachada e planta baixa.
Figura 2.
Casa na Rua Vigário José Inácio, nº 16, em Porto Alegre, projeto de D.F. Rocco, de 1925: fachada e planta baixa.

Figure 2. House at 16 Vigário José Inácio Street, Porto Alegre, project of D.F. Rocco, 1925: facade and floor plan.

Fonte: Acervo de pesquisas do autor do texto. Desenhos realizados por Thiago Brenner e Kétlyn Giovana Schuh conforme microfilme 022, processo 342. Acervo de microfilmes de Günter Weimer e do Arquivo Público da Prefeitura Municipal de Porto Alegre. Denominação dos compartimentos segundo a fonte original com grafia atualizada.

O projeto de D.F. Rocco para o Sr. Henrique Zago, na Rua Vigário José Inácio nº 16 (Figura 2), é uma edificação de dois pavimentos que possui espaço comercial no térreo e moradia no pavimento superior. Apresenta programa de necessidades de média complexidade e fachada de composição elaborada. Situada na zona central da Capital, o edifício privilegia, em sua composição de fachada, o acesso da área de comércio. A atitude projetual pode ser explicada pela importância da função, tendo em vista a região urbana na qual se localiza. Novamente, neste exemplar, Rocco repete a divisão da elevação em duas faixas, uma larga e outra estreita. Porém, aqui, a parte maior está mais evidenciada, não só pelos paramentos sobre a abertura da entrada do “salão negócio”, mas também pelo próprio tratamento da platibanda, mais alta e mais trabalhada do que o do volume ao lado, que contém o acesso residencial.

Todo o pavimento inferior é de uso comercial, conforme consta no desenho original da planta baixa. No piso superior, há uma disposição tradicional: a sala, o conjunto de quartos atendido por um banheiro, a sala de jantar e as dependências de serviço na parte posterior. Uma escada liga a copa ao nível do pátio de fundos.

Moradia similar, do ponto de vista tipológico e compositivo, pode ser encontrada em publicações do início do século XX sobre “arquitetura moderna” em Buenos Aires.[2] Trata-se do tipo que apresenta salão destinado para comércio no pavimento térreo, com porta maior para a rua, e entrada da moradia deslocada para um dos lados do plano da fachada. O acesso dá-se por escadaria que leva ao pavimento superior. Uma descrição de Ortiz (2002, p. 128) do mencionado tipo reafirma a semelhança com a obra de D.F. Rocco na Rua Vigário José Inácio:

Um imóvel com local para negócio na planta baixa do térreo e a porta da rua, à esquerda da loja, que dá acesso a uma moradia no primeiro andar, a qual se acessa, como em todos os casos similares, logo ao se subir a escada e abrir a porta de entrada, normalmente envidraçada. Em geral, após a porta de entrada havia um vestíbulo de distribuição, às vezes coberto e às vezes com cobertura de claraboia, porém envidraçada no eixo da divisa, ou medianeira, conforme o caso, com vidro translúcido. Os cômodos da frente eram uma sala de estar, um dormitório principal e talvez um escritório ou fumoir, que em ocasiões festivas poderia ser integrado à sala. Este esquema era típico, localizando um ou dois dormitórios, mais um banheiro, encostados na medianeira oposta ao vestíbulo, em seguida o comedor, contíguo à despensa e, atrás dessa, a cozinha, que na maioria dos casos, cumpria a função de comedor diário.

Em busca de mais elementos para a proposição levantada no presente texto, pretende-se evidenciar o fato de que, em projetos de arquitetos de origem peninsular que trabalharam na capital argentina – tais como Arnoldo Albertolli, Agustín Berrino, De Benedetti, Escudero e Fimeno, Rodolfo Fasiolo e Jacobo Pedro Storti (Figuras 3, 4, 5, 6, 7a, 7b) –, observam-se aspectos em comum com a arquitetura de Rocco em Porto Alegre. Assim, destaca-se especialmente o tipo de edificação de dois pavimentos que ocupa toda a testada do terreno, com plano de fachada posicionado junto ao alinhamento e composição assimétrica, dividido em duas faixas de diretriz vertical de distintas larguras. São também características que constituem essa arquitetura urbana, a existência de acesso principal deslocado, o telhado oculto por platibanda e o uso de rica ornamentação frontal.

Casa projetada por A. Albertolli, em Buenos Aires.
Figura 3.
Casa projetada por A. Albertolli, em Buenos Aires.

Figure 3. House designed by A. Albertolli in Buenos Aires.

Fonte: AMS Historica (s.d., p. 32, 33, 27).

Casa projetada por A. Berrino, em Buenos Aires.
Figura 4.
Casa projetada por A. Berrino, em Buenos Aires.

Figure 4. House designed by A. Berrino in Buenos Aires.

Fonte: AMS Historica (s.d., p. 32, 33, 27).

Casa projetada por De Benedetti, em Buenos Aires.
Figura 5.
Casa projetada por De Benedetti, em Buenos Aires.

Figure 5. House designed by De Benedetti in Buenos Aires.

Fonte: AMS Historica (s.d., p. 32, 33, 27).

Casa projetada por Escudero e Fimeno, em Buenos Aires.
Figura 6.
Casa projetada por Escudero e Fimeno, em Buenos Aires.

Figure 6. House designed by Escudero and Fimeno in Buenos Aires.

Fonte: AMS Historica (s.d., p. 29, 22 e 9).

Casas projetadas por R. Fasiolo e J. P. Storti, em Buenos Aires.
Figura 7a.
Casas projetadas por R. Fasiolo e J. P. Storti, em Buenos Aires.

Figure 7. Houses designed by R. Fasiolo and J. P. Storti, in Buenos Aires.

Fonte: AMS Historica (s.d., p. 29, 22 e 9).

Casas projetadas por R. Fasiolo e J. P. Storti, em Buenos Aires.
Figura 7b.
Casas projetadas por R. Fasiolo e J. P. Storti, em Buenos Aires.

Figure 7. Houses designed by R. Fasiolo and J. P. Storti, in Buenos Aires.

Fonte: AMS Historica (s.d., p. 29, 22 e 9).

Para o Sr. José Carvalho, D.F. Rocco projetou na Rua Paysandu (Figura 8), atual Rua Caldas Júnior, uma edificação de dois pavimentos, de programa de necessidades de média complexidade, com garagem e escritório no pavimento inferior e moradia no piso superior. A profusa elaboração do plano da fachada, associada à existência de garagem, de espaço para o chauffer e de escritório no térreo, permite que se faça a ilação de que o proprietário tivesse elevado poder aquisitivo e de que talvez se tratasse de profissional liberal. O programa do pavimento superior – de caráter residencial –, com apenas um dormitório, indica tratar-se de moradia destinada a poucas pessoas.

Casa na Rua Paysandu, em Porto Alegre, projeto de D.F. Rocco, 1925: fachada e planta baixa.
Figura 8.
Casa na Rua Paysandu, em Porto Alegre, projeto de D.F. Rocco, 1925: fachada e planta baixa.

Figure 8. House at Paysandu Street, Porto Alegre, project of D.F. Rocco, 1925: facade and ground floor.

Fonte: Acervo de pesquisas do autor do texto. Desenhos realizados por Thiago Brenner e Kétlyn Giovana Schuh conforme microfilme 023, processo 2043. Acervo de microfilmes de Günter Weimer e do Arquivo Público da Prefeitura Municipal de Porto Alegre. Denominação dos compartimentos segundo a fonte original com grafia atualizada.

Nesta obra, Rocco trabalha com uma composição simétrica. A porta da garagem centralizada tem, de um lado e de outro, os acessos à moradia, situada no piso superior, e ao escritório, no térreo. Densamente ornamentada, a superfície frontal da edificação apresenta um vocabulário eclético, no qual comparecem frisos no entrepiso, cornija descontínua no coroamento, platibanda com destaque central, guirlandas, medalhão com as iniciais do proprietário sobre a verga da garagem em forma de frontão curvo, figuras humanas e de animais. As linhas curvilíneas das aberturas e gradis remetem ao universo art nouveau. Apesar de situar-se em meados dos anos 20, a linguagem proposta para a fachada pode ser relacionada àquela registrada por Bittencourt (1996, p. 562-563) para edificações do final do século XIX e dos primeiros anos do XX, em que a moda decorativa se constituía de

guirlanda de flores saindo de bocas de animais, enredo de folhas e frutas, e medalhões com efígies femininas. [...] Entre 1915-1920, ainda nos prédios concebidos como volumes retangulares, o ecletismo manifesta-se nas fachadas ricamente trabalhadas, onde cada espaço é preenchido por frisos, recortes, broches, medalhões, ramalhetes com cordões, num tratamento onde as linhas verticais e horizontais buscam um equilíbrio entre os cheios excessivamente trabalhados e os vazios.

Não somente o tipo arquitetônico das casas construídas em Porto Alegre pode ser apontado como aspecto que as relaciona àquelas de italianos em Buenos Aires. Como se percebe, as moradias sob responsabilidade de D.F. Rocco primam, também, por abundante decorativismo, fato que permite estender as associações à produção na Argentina e pode ser compreendido em um contexto de circulação de ideias, de trânsito de informações entre um lugar e outro. Nesse sentido, o arquiteto milanês Virginio Colombo (1885-1928) produziu, na cidade de Buenos Aires, um trabalho reconhecidamente influenciado por seu professor Giuseppe Sommaruga, quando estudou na Academia de Brera, na Itália.

Colombo é tido como um dos principais arquitetos italianos que trabalharam na capital argentina, como aponta Ortiz (2002). A originalidade e a força decorativa imprimida ao tratamento de superfícies nas obras de Sommaruga constituem-se em um dos principais temas projetuais de Virginio Colombo. Para Ortiz (2002, p. 125), Sommaruga

é o mestre da valorização das superfícies frontais, que obtém mediante a justaposição de texturas e a criação de polos de exacerbação, cujo núcleo é geralmente erótico acompanhado de uma ornamentação vegetal de caráter denso.

Em seus projetos dos primeiros anos na cidade, à qual chegou em 1906, Colombo produziu a partir do vocabulário art nouveau, notadamente da sua vertente italiana, o liberty. Sobre o arquiteto, nesta fase inicial, diz Radovanovic (2004, p. 167):

Trabalhou para uma clientela atraída pelas formas do ecletismo e do estilo floreale [...]. Em um primeiro período, em suas obras coexistem as experiências do art nouveau europeu e particularmente do liberty, que neste caso utiliza estatuária na organização da fachada, fortes texturas, composições simétricas com intervenções assimétricas. Os elementos se combinavam de forma original: capitéis, que recebem dois fustes, balcões que descansam em mísulas e tratamento de ferro forjado. Em uma segunda etapa retorna para certo classicismo.

Colombo realizou uma série de obras significativas em Buenos Aires, tais como os edifícios na Rua Hipólito Yrigoyen números 2566-2568 (1910), na Avenida Rivadavia números 2330 (1912) e 3222; a sede da Unione Operai Italiani na Rua Sarmiento números 1364-80 (1913), a edificação na Avenida Corrientes nº 2558 (1918) e, entre outras obras, a casa da Rua Tucumán nº 1961 (Figura 9). Esta última, sobremaneira, enquadra-se no tipo implantado em terrenos de pequena dimensão frontal – 8,66m – muito encontrado na cidade.

Foto do exterior e desenho da casa na Rua Tucumán, nº 1961, em Buenos Aires, projeto de Virginio Colombo.
Figura 9.
Foto do exterior e desenho da casa na Rua Tucumán, nº 1961, em Buenos Aires, projeto de Virginio Colombo.

Figure 9. Exterior photo and drawing of the house at 1961 Tucumán Street, in Buenos Aires, project of Virginio Colombo.

Fonte: AMS Historica (s.d., p. 48).

Foto da casa na Rua Suipacha nº 940, em Buenos Aires, projeto de Bernardo Milli, de 1905.
Figura 10.
Foto da casa na Rua Suipacha nº 940, em Buenos Aires, projeto de Bernardo Milli, de 1905.

Figure 10. Photo of the house at 940 Suipacha Street, Buenos Aires, project of Bernardo Milli, 1905.

Fonte: Viñuales (2004, p. 207).

A rica expressividade artística de fachada notabiliza a produção de Colombo e de outros arquitetos italianos que trabalharam em Buenos Aires. Um deles é Bernardo Milli, que construiu na Rua Suipacha, nº 940, em 1905 (Figura 10), uma edificação que, tipologicamente, assemelha-se à mencionada casa da Rua Tucumán, de Virginio Colombo. Ortiz (2002, p. 129), ao caracterizar a obra de Milli na Rua Suipacha, refere-se a

um prédio urbano de dimensão modesta, composto de fachada assimétrica constituída de dois corpos edificados, um deles maior, e em consequência mais importante. A qualidade dos materiais de revestimentos é espetacular, porém o que possui verdadeiro impacto é todo o esquema decorativo.

As obras de Colombo e de Milli tendem a representar uma atitude transcendente frente ao próprio ecletismo historicista. O sentido de transgressão estabelece-se por conta, principalmente, do afastamento da ornamentação classicista. Desvencilhados do sentido de imitação das formas da Antiguidade, por intermédio da invenção e da sofisticação ornamental de texturas impregnadas à massa do edifício, os arquitetos trabalharam com o tipo de habitação de dois pavimentos, destinada a uma classe ascendente de médio poder aquisitivo, muitas vezes com previsão de comércio no pavimento térreo. Conforme manifestação de Radovanovic (2004, p. 207), na casa da Rua Suipacha nº 940, “se destacam a profusa decoração com máscaras, os vasos decorados, os adornos de estuque que formam cordões, e o chamativo arremate do corpo maior que procura romper os limites do academicismo”.

Em Porto Alegre, outros projetos de D.F. Rocco foram realizados para o Sr. Leopoldo Viegas, na Rua José do Patrocínio números 632 e 642, de 1926 (Figura 11). São exemplares existentes, casas distintas dispostas lado a lado, do tipo sobrado. Ambas apresentam exuberante ornamentação. Uma delas, a de maior área total e de programa de necessidades mais complexo – com garagem, sala e três dormitórios, mais quarto de vestir no piso superior –, tende a revelar o maior status social do morador. A vaga para veículo registra, também, mudanças nos modos de vida em uma cidade que prospera economicamente e se moderniza. De outra parte, a posição centralizada da varanda em uma das casas e a do seu compartimento análogo na outra, a sala de jantar – além das dependências de cozinha e serviços, ao fundo –, caracterizam hábitos tradicionais que permanecem.

Casas na Rua José do Patrocínio, atuais números 632 e 642, em Porto Alegre, projeto de D.F. Rocco, 1926: fachada e planta baixa.
Figura 11.
Casas na Rua José do Patrocínio, atuais números 632 e 642, em Porto Alegre, projeto de D.F. Rocco, 1926: fachada e planta baixa.

Figure 11. Houses at José do Patrocínio Street, current numbers 632 and 642, Porto Alegre, project of D.F. Rocco, 1926: facade and floor plan.

Fonte: Acervo de pesquisas do autor do texto. Desenhos realizados por Thiago Brenner conforme microfilme 025, processo 2542. Acervo de microfilmes de Günter Weimer e do Arquivo Público da Prefeitura Municipal de Porto Alegre. Denominação dos compartimentos segundo a fonte original com grafia atualizada.

Em boa medida, no que tange à composição de fachada, percebem-se semelhanças com os exemplares buenairenses de Albertolli, Berrino, de De Benedetti, de Escudero e Fimeno e de Fasiolo e Storti (Figuras 3 a 7). O grande número de linhas verticais evidencia o predomínio de tal diretriz. A ornamentação é mais contida no pavimento térreo, tornando-se profusa no pavimento superior e no coroamento. A simetria está presente apenas em cada uma das partes justapostas que conformam a elevação. É preciso destacar que a distinção das unidades se dá somente pela ornamentação e não propriamente por diferença na volumetria. Uma cornija espessa encima pilastras entre as janelas. Acima da cornija, uma platibanda, com linhas retas e curvas, ornamentada, completa o fechamento. A outra parte da fachada, de largura reduzida em relação à adjacente e, por isso mesmo, mais verticalizada, marca o acesso residencial. Este elemento, presente nos projetos argentinos, também repercute, como se viu, nas fachadas das obras de Rocco. Em especial, aproximam-se muito o projeto porto-alegrense, de 1924, da Rua José do Patrocínio (Figura 1), e o de Rodolfo Fasioli e Jacob Pedro Storti, em Buenos Aires (Figura 7b). Na unidade de menor largura, ambas possuem extremidade superior vazada em arco, guirlandas, janela vertical, balcão e abertura do acesso principal igualmente em arco, compondo uma parte do conjunto que, embora não sendo de fato, traz a ideia do torreão.

Considerações finais

Tendo em vista o exposto, semelhanças encontradas na amostra buenairense apresentada e na porto-alegrense permitem a ilação de que esta reflete aquela em vários aspectos. Ao se transitar por ruas de uma cidade e de outra, percebe-se a existência de exemplares do tipo arquitetônico estudado com características similares a ponto de estimular possibilidades de novas pesquisas sobre o assunto.

Infere-se, portanto, que, nas primeiras décadas do século XX, na moradia de dois pavimentos implantada em lote de testada estreita, a ausência de recuos frontal e laterais, a ocultação do telhado por meio de platibanda, a elevação principal em geral assimétrica e com motivos ornamentais afastados, estilisticamente, do classicismo, a dominância da linha diretriz vertical na composição de fachada e a descentralização do acesso principal da casa constituem traços presentes nesse tipo de manifestação arquitetônica. Sob tais características, aproximam Buenos Aires e Porto Alegre.

Em paralelo, a partir de questões da arquitetura, torna-se admissível estabelecer conexões em que a proximidade geográfica de destinos da emigração desde a Itália e a mobilidade de projetistas construtores de um lugar a outro se constituam em fatores de difusão de conhecimentos e fazeres, refletidos na expressão arquitetônica. Tais fatores também podem ser percebidos como resultado, entre outras razões, da expectativa por melhores condições de vida.

Assim, é permitido concluir que o contexto de produção arquitetônica de italianos, natos ou descendentes, em boa medida pode ser compreendido como um meio de assimilação cultural, determinado por modos diversos de trânsito de informações e/ou mesmo graças a deslocamentos de profissionais entre as duas capitais – Buenos Aires e Porto Alegre. Alude-se à possibilidade de difusão de ideias e práticas atinentes ao campo de conhecimento da arquitetura – que definem formas de expressão –, associando-as à noção de relação étnico-cultural. As obras produzidas passam a ser o elo capaz de ligar certo grupo social que, mesmo composto de personalidades que vivem em cidades e países distintos, tem origem cultural comum. Tal grupo compartilha um conteúdo objetivo – neste caso, manifestações relacionadas a um conhecimento técnico – socialmente produzido e propagado.

Referências

AMS HISTORICA. [s.d.]. Le costruzioni moderne di Buenos Ayres. Milano, Bestetti & Tumminelli, 51 p. Disponível em: http://amshistorica.unibo.it/architettura. Acesso em: 09/10/2017.

BARROS, J. D’A. 2005. A História Cultural e a contribuição de Roger Chartier. Revista Diálogos, 9(1):125-141.

BITTENCOURT, D.M.M. 1996. Casas residenciais em Porto Alegre em fins do século XIX e início do século XX. São Paulo, SP. Dissertação de Mestrado. Universidade de São Paulo, 791 p.

BURKE, P. 2005. O que é história cultural? Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 191 p.

CECCHI, C. 1967. L‘identificazione etnica’ nella seconda e terza generazione degli emigrati. Studi Emigrazione, 4(9):209-252.

CONSTANTINO, N.S. 1991. O italiano da esquina: imigrantes na sociedade porto-alegrense. Porto Alegre, Esc. Sup. de Teologia e Espiritualidade Franciscana, 180 p.

CORONA, F. 1957. 50 anos de formas plásticas e seus autores. In: F. CORONA, O Rio Grande atual: Enciclopédia rio-grandense. Canoas, Regional, vol. 3, p. 217-270.

CORREIO DO POVO. 1897. Porto Alegre, 18 set., p. 3.

DAUMARD, A. et al. 1984. História Social do Brasil: teoria e metodologia. Curitiba, UFPR, 259 p.

DOBERSTEIN, A.W. 2002. Estatuários, catolicismo e gauchismo. Porto Alegre, EDIPUCRS, 372 p.

GEA, L.S. 1995. O espaço da casa: arquitetura residencial da elite porto-alegrense (1893-1929). Porto Alegre, RS. Dissertação de Mestrado. Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, 233 p.

GUTIÉRREZ, R. 1992. História, memória e comunidade: o direito ao patrimônio construído. In: Congresso Internacional Patrimônio Histórico e Cidadania, São Paulo, SP, 1991. Anais... São Paulo, DPH/SMC, 1(1):121-127.

MOSER, M. [s.d.]. Arquitectura bonaerense. Buenos Aires, Casa Editora Libreria Leonardo Preiss, Vols. 1 e 2.

ORTIZ, F. 2002. Cuatro arquitectos italianos buscando hacer algo nuevo en Buenos Aires. In: R. BLANCO (org.), Temas de la Academia Nacional de Bella Artes: el sentido de la arquitectura. Buenos Aires, Academia Nacional de Bellas Artes, p. 123-134.

RADOVANOVIC, E. 2004. Italianos y ticineses en la Argentina. In: G.M. VIÑUALES (org.), Italianos en la arquitectura argentina. Buenos Aires, Argentina, Cedodal, p. 130-256.

SALMONI, A.; DEBENEDETTI, E. 2007. Arquitetura italiana em São Paulo. 2ª ed., São Paulo, Perspectiva, 193 p.

SIMMEL, G. 2006. Questões fundamentais da sociologia: indivíduo e sociedade. Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 119 p.

VIÑUALES, G.M. (org.). 2004. Italianos en la arquitectura argentina. Buenos Aires, Argentina, Cedodal, 256 p.

WEIMER, G. 2003. A vida cultural e a arquitetura na República Velha rio-grandense 1889-1945. Porto Alegre, EDIPUCRS, 328 p.

WEIMER, G. 1998. Levantamento de projetos arquitetônicos Porto Alegre – 1892 a 1957. Porto Alegre, PMPA, PROCEMPA, 174 p.

Notas

[2] São exemplos as publicações: AMS Historica (s.d.) e Moser (s.d.).
HMTL gerado a partir de XML JATS4R por