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O “corpo-escola” em Basílio de Cesareia
The "body-school" in Basil of Caesarea
El «cuerpo-escuela» en Basilio de Cesarea
Revista de Investigación del Departamento de Humanidades y Ciencias Sociales, núm. 27, pp. 85-101, 2025
Universidad Nacional de La Matanza

Educación Física


Recepción: 25 Noviembre 2024

Aprobación: 11 Abril 2025

DOI: https://doi.org/10.54789/rihumso.25.14.27.5.

Resumo: O objetivo deste trabalho é compreender a maneira como o corpo estava inserido na obra Homilias sobre a Origem do Homem, de Basílio de Cesareia. Nela, o autor tece instruções sobre o cristianismo e aborda a relação entre homem e Deus. Advindo da elite, Basílio escreve para outros cristãos aristocratas pertencentes a sua comunidade, esse período marca a transição histórica da Antiguidade para a Idade Média. O método de estudo utilizado provém da história social. Nesse sentido, constatou-se ainda as transformações sociopolíticas que o Oriente perpassou naquele momento e, também, que o corpo na história antiga é atuante na construção do imaginário conduzindo os homens. Também, analisou-se que leituras de outros períodos da história podem ajudar a estabelecer exemplos para assim ampliar a visão sobre o momento contemporâneo que se está inserido e dos problemas vivenciados.

Palavras-chave: Corpo, História do Corpo, História da Educação.

Resumen: El objetivo de esta obra es comprender cómo se incluyó el cuerpo en las Homilías sobre el origen del hombre de Basilio de Cesarea. En ellas, el autor da instrucciones sobre el cristianismo y aborda la relación entre el hombre y Dios. Procedente de una élite, Basilio escribía para otros cristianos aristocráticos pertenecientes a su comunidad, y este periodo marca la transición histórica de la Antigüedad a la Edad Media. El método de estudio utilizado procede de la historia social. En este sentido, también se analizaron las transformaciones sociopolíticas por las que atravesó Oriente en aquella época, así como el hecho de que el cuerpo en la historia antigua es activo en la construcción del imaginario, protagonizando a los hombres. También se analizó que la lectura de otros períodos de la historia puede ayudar a establecer ejemplos y así ampliar la visión del momento contemporáneo y de los problemas vividos.

Palabras clave: Cuerpo, Historia del Cuerpo, Historia de la Educación.

Abstract: The aim of this work is to understand the way in which the body was included in Basil of Caesarea's Homilies on the Origin of Man. In it, the author gives instructions on Christianity and addresses the relationship between man and God. Coming from an elite background, Basil wrote for other aristocratic Christians belonging to his community. This period marks the historical transition from Antiquity to the Middle Ages. The study method used comes from social history. In this sense, the socio-political transformations that the East went through at that time were also analyzed, as well as the fact that the body in ancient history is active in the construction of the imaginary, playing a leading role in human life. It was also analyzed that reading about other historical periods can help to establish examples and thus broaden the understanding of the contemporary moment and the problems experienced.

Keywords: Body, Body History, History of Education.

Introdução

O objetivo deste trabalho é compreender a maneira como o corpo estava inserido na obra de Basílio de Cesareia (329?-379), especialmente, na obra Homilias sobre a origem do homem, escrita em meados do século IV d.C. Em certo sentido, tal escrito versa sobre instruções aos seus seguidores e trata a respeito do homem e sua relação/condição perante a Deus. A propósito, a proposta é um pedido da própria comunidade cristã na qual o autor estava inserido, considerando que anteriormente, Basílio havia proferido as instruções sobre a origem do universo e também das coisas da natureza.

Nesta perspectiva, o autor direciona seus escritos aos cristãos aristocratas daquele tempo, Basílio pertenceu à cúpula dos bem-nascidos, e esse período marca a presença da formação clássica num ambiente cristão repleto de crises sociopolíticas. Além de sublinhar a passagem da Antiguidade para a Idade Média.

O método que orienta a análise das Homilias sobre a origem do homem, considera os preceitos apresentados por Marc Bloch, historiador francês que, no fim do século XX, escreveu Apologia da História ou o Ofício do Historiador. Dessa maneira, Bloch nos orienta sobre o percurso dentro do estudo da história:

Em suma, nunca se explica plenamente um fenômeno histórico fora do estudo do seu momento. Isso é verdade para todas as etapas da evolução. Tanto daquela em que vivemos como das outras. O provérbio árabe disse antes de nós: “Os homens se parecem mais com sua época do que com seus pais.” Por não ter meditado essa sabedoria oriental, o estudo do passado às vezes caiu em descrédito. (Bloch, 2001, p.60).

A partir do exposto acima, compreende-se ao menos dois aspectos pertinentes no estudo da história: o primeiro diz respeito à capacidade de entender o tempo histórico de determinados acontecimentos. Isso significa que a vasta produção de conhecimento juntamente com os elementos que tal ação carrega, ocorre dentro de um próprio período cronológico de existência. Assim, o objetivo principal deve estar relacionado à compreensão do tempo, na qual a obra e o autor se encontram inseridos.

Em segundo, nesta perspectiva, é válido ressaltar que tanto a obra quanto o autor, não são desligados das realidades, experiências e sensações de seu tempo, por isso todos esses aspectos são relevantes. Dessa maneira, tais afirmações ecoam em Fustel de Coulanges, que no século XIX alertava sobre o problema de observar mal as instituições antigas e tentar revivê-las entre nós (De Coulanges, 2006).

Nesse sentido, o estudo também se concentra nos encaminhamentos de Jacques Le Goff e Nicolas Truong (2006) que, em Uma História do Corpo na Idade Média permite compreender determinadas qualidades do corpo enquanto objeto de pesquisa. Em certo sentido, considera-se que ao tratar de pesquisa histórica, o corpo não comporta apenas abordagens biológicas, isso implica em compreender a complexidade do corpo que não deve ser tratado apenas como ‘receptor’ de ações por parte dos homens durante o percurso na história, ao contrário, ele é capaz de produzi-la e, assim ampliar o leque de possíveis reflexões a seu respeito, visto que, ele pode se relacionar com as estruturas econômicas, e sociais, além de participar das representações mentais em determinadas civilizações:

Na disciplina histórica reinou por muito tempo a idéia de que o corpo pertencia à natureza, e não à cultura. Ora, o corpo tem uma história. Faz parte dela. E até a constitui, assim como as estruturas econômicas e sociais ou as representações mentais, das quais ele é, de certa maneira, o produto e o agente.”. (Le Goff; Truong, 2006, p.9)..

Sob essa perspectiva, destaca-se que “O corpo pode conduzir sua consciência em vez de ser seu objeto”. (Corbin et al., 2008, p.10). E esse pode ser considerado fundamento importante na produção de uma história do corpo. Aliás, para compreender o corpo, como objeto de estudo dentro da história antiga, é possível se apoiar nas considerações de David Le Breton que analisa que “o corpo, lugar de contato privilegiado com o mundo, está sob a luz dos holofotes.” (Le Breton, 2006, p.10). Tal afirmação fornece subsídios para entender a ideia de Corbin et al. (2008,) na compreensão do corpo enquanto “ponto-fronteira”, entre a realidade existente e o imaginário que o cerca.

Portanto, se postando entre o real e aquilo que recai sob a imaginação dos homens, existe o corpo capaz de suportar circunstâncias e contar sua história para auxiliar na compreensão do presente. Dessa maneira, a história estará a serviço da humanidade e poderá trazer exemplos para o entendimento do momento atual. Por acreditar na possibilidade de a história contribuir para o desenvolvimento da humanidade é que considero relevante abordar o estudo desta obra.

Assim, este estudo divide-se em duas seções. A primeira busca compreender questões gerais acerca do século IV d.C., especialmente sobre Cesareia, durante o período em que Basílio estava inserido, com a finalidade de entendê-lo em seu tempo. Por último, a segunda seção busca entender a proposta de como o corpo estava inserido na obra Homilias sobre a origem do homem. No entanto, é importante ressaltar que Basílio não escreveu essencialmente nada sobre o corpo, porém, por meio da interpretação de seus escritos é possível empreender este estudo.

O Homem era Fé e Política: Basílio e a Unidade de suas Ações

Basílio de Cesareia (329? - 379) teria nascido em Neocesareia, na província do Ponto, ao norte da Ásia Menor. Ele pertencia à aristocracia e sua família era numerosa, contam-se ao menos dez irmãos. Por parte do pai, Basílio, Ancião, bem educado e considerado excelente retórico, as riquezas provinham, sobretudo, do ramo dos latifundiários, enquanto que sua mãe, Emélia, era de família nobre da Capadócia (cf. Frangiotti, 2014). Aliás, Basílio nasceu no seio de uma família culta e cristã, com destaque para sua avó, Macrina, que havia sido educada por Gregório Taumaturgo[2].

Ressalta-se que, nesse período da história, se encontrava numa altura em que “o cristianismo passara a ser reconhecido e legitimado no Império Romano, e começava a ser uma realidade cada vez mais efectiva na vida pública do império” (Vasconcellos, 2017, pp. 13-14). Portanto, Basílio pertenceu à cúpula dos bem-nascidos e tradicionalmente cristãos, realidade que por sua vez, era comum para os adeptos dessa religio no século IV.

Nesse momento, destaca-se que por pertencer à elite cristã, é possível que a qualidade de educação recebida e a capacidade de viajar pelo universo antigo fosse um diferencial para a compreensão e comportamentos de Basílio. No que tange a sua educação, a formação de Basílio, é fundamentada na cultura clássica helenística, realizada em instituições relevantes e apreciadas do Oriente, para compreender a representatividade dessas escolas, ele, por exemplo, foi aluno de Libânio[3] e dividiu estudos com Juliano[4], que viria a ser imperador no ano 361 d.C., além de estudar com seu amigo Gregório de Nazianzo[5]. No século IV d.C., esses estudos clássicos eram utilizados para que o homem pudesse participar e construir sua carreira política. Possivelmente para seguir os ramos da advocacia, administração de cidades ou atividades desse tipo. Basílio não fugiu disso. Ruy Nunes (1978) analisa que “O valor da educação clássica era indiscutível e, ao mesmo tempo, imprescindível para a carreira de um cidadão de escola” (p. 144).

Para mais, sua capacidade econômica aliada à necessidade de obter uma boa formação, o permitiu viajar, sobretudo pela região da Ásia Menor. Passou por Bizâncio, Antioquia e Atenas ainda quando jovem e posteriormente, empreendeu novas viagens, desta vez, visitando os ascetas do Egito, da Palestina, da Síria e Mesopotâmia (cf. Frangiotti, 2014). Não cabe destacar as aspirações e anseios de todas viagens, ressalva somente a Atenas, na qual Basílio confessa a Gregório, seu irmão, que tinha “encontrado um paraíso vazio” (Vasconcelos, 2017, p.15), apesar de ainda ser considerada o centro cultural do Oriente no século IV d.C.

Em certo sentido, a exposição indica um cenário de crise, especialmente relacionado à educação, que alcançava até mesmo os grandes centros urbanos durante o século IV d.C. Posto isso, centra-se, agora, na Cesareia, região em que Basílio permaneceu durante boa parte de sua vida e, ainda, onde exerceu seu bispado, época na qual foi mais influente nas questões político-religiosas da época.

A Cesareia, local cujo nome Basílio recebe o epíteto, evidentemente existiu bem antes do autor. A cidade figurou no centro da Ásia Menor, onde atualmente se encontra o centro da Turquia, e era considerada uma metrópole pertencente à província da Capadócia. Foi na época de Nero, em meados do primeiro século, que a adesão de suas terras por parte do Império Romano foi realizada.

Não obstante, o contato e as relações político-administrativas com os romanos datam dos tempos do Rei Ariarate IV[6], no período republicano em Roma. De acordo com a historiadora da cultura, Helena Amália Papa (2009) “A Capadócia esteve sob a dominação e a influência de vários povos: assírios, hititas e persas. No século II a.C. tornou-se aliada de Roma e no século I d.C. foi elevada à província do Império” (p.70). Além disso, é válido ressaltar que não faz parte das intenções do trabalho, discutir a esse respeito, contenta-se somente em traçar o cenário na qual Basílio de Cesareia estava inserido.

Portanto, analisa-se que o século IV d.C., sublinha um momento complexo na história do conhecimento. Muitas mudanças são encontradas no âmbito social, estrutural e econômico nesse período, tanto no Ocidente, quanto no Oriente. Nesse sentido, em linhas gerais, Miguel Marvilla (2007) ao analisar este ‘tempo de mudança’, desenha o cenário do século IV: “A expectativa de vida reduzira-se drasticamente com as guerras, tanto externas quanto internas, a fome e as epidemias. A ordem tradicional já não satisfazia ao indivíduo, carente de proteção e segurança” (p.31). Nos tempos de Basílio, o Império, apesar de enfraquecido, materialmente ainda existia e o cristianismo por sua vez havia se estruturado de maneira significativa. Cabe ressaltar que a instituição cristã soube aproveitar os flancos deixados pelos imperadores.

Em certo sentido, desde o século II d.C. a estrutura e organização da igreja antiga, enquanto instituição humana, estava mais visível. O cânon literário sagrado contendo as diretrizes para os cristãos fora preparado e a hierarquia eclesiástica instalada. Aliás, desde os tempos de Constantino I, o cristianismo enquanto instituição humana, exerce influência nas relações político-administrativas do Império, sobretudo no que diz respeito ao compartilhamento de terras, Pierre Grimal (1993), se referindo a Constantino, recorda o exemplo de que “o imperador doou ao bispo de Roma o palácio dos Laterani, que pertencia a sua família” (p.140).

A orientação de Constantino continha conotação política, sobretudo, pois ele estava em busca de estabelecer rotas comerciais, próximas ao Oriente, que fossem mais lucrativas e influentes para o Império em colapso. No entanto, interesse central encontra-se nos movimentos políticos-religiosos da instituição humana cristã, para que sob essa prerrogativa, seja possível analisar a vida e obra de Basílio de Cesareia, considerando que ele vivenciou parte desse imbróglio religioso e político entre igreja e Império, algo que era recorrente no século IV, especialmente no Oriente.

Para tanto, é importante considerar que durante este período, o homem bem instruído não distingue entre fé, razão e política. Basílio não foi exceção. Existe uma espécie de unidade entre esses recursos, de modo que as ações dos homens no século IV d.C. comportem as três esferas. Nesse sentido, Margarida de Carvalho (2010) ao se direcionar para questões acerca da política e cultura na antiguidade tardia e também ao tratar das figuras importantes do cristianismo neste período, analisa que eles “curiosamente, se consideravam helenistas e teólogos e, com base no entrosamento de seus estudos helênicos e canônicos, pregavam a racionalização da fé e através dela, uma unidade política que deveria ser consubstanciada e forma de unidade imperial” (pp.32-33).

Desse modo, Basílio de Cesareia, também agiu desse modo, sobretudo quando exerceu o cargo de bispo na Cesareia antiga, na qual foi muito influente em questões relacionadas à administração da cidade e do Império. Inclusive, “Basílio chega a ser acusado, de com suas ações sociopolíticas, imiscuir-se em assuntos do Estado.”. (cf. Müller, 2018, p.385). Apesar de que tal acusação era pouco incisiva, no século IV d.C., sob a ótica do que foi dito anteriormente, acusá-lo disso era um ataque sem valor, pois os bispos no cristianismo desse período, detinham o poder de negociar com o Império e, por sinal foram excelentes administradores.

O próprio Basílio crítica[7] e aponta que essa situação na Cesareia, por vezes, ultrapassou o sentido ‘religioso’ e almeja “que os bispos deixassem de ser primordialmente administradores do patrimônio eclesial e passassem a ser acima de tudo homens de uma elevada espiritualidade.”. (Vasconcelos, 2017, p.16). No mais, nenhuma novidade para o cristianismo. Não se tratava de algo ilícito e nem pejorativo se intrometer nos assuntos do Estado, sobretudo quando o que se alega é o bem da comunidade cristã e também o da urbe.

Para exemplificar a unidade das ações em Basílio de Cesareia, direciona-se para a construção de um edifício. O local era uma espécie de hospital/pousada, sobretudo, para viajantes e doentes no século IV, e ficou conhecido como Basíliade. É válido ressaltar as palavras de Helena Papa ao recordar Hamman e relatar que “o Bispo organizou as portas de Cesareia, uma nova cidade que o povo se habituou a chamar de Basilíade”. (PAPA apud HAMMAN, 2009, p.75). A respeito do ano de fundação desta obra, não se sabe ao certo. Acredita-se, por conta do seu epistolário, que tenha sido por volta de 370, 372 ou 373. Se considerar 370, é o mesmo ano na qual Basílio começa exercer seu bispado e se for levado em consideração os outros anos citados, Basílio já havia sido ordenado bispo de Cesareia.

De qualquer maneira, a Basíliade é uma maneira de analisar a unidade das ações presente em Basílio, especialmente se analisar sua fundação e função. Nesse sentido, destacam-se duas situações a respeito da ação de Basílio ao realizar essa empreitada, no que tange a construção, ele é nada inovador, não foi o primeiro e nem o único a realizar tal fato. O Imperador Juliano, no ano de 362, já havia dedicado esforços para erguer hospedarias desse tipo aos estrangeiros na Ásia Menor, “a cidade de Sebastia, situada a cerca de 190 km de distância de Cesareia, é um exemplo, o próprio Basílio conhecia a hospedaria do local” (cf. Müller, 2018, p.379).

Para mais, esse costume era notado no Egito, ainda no início do século IV d.C. Portanto, ao vislumbrar a construção da Basilíade, Basílio poderia antecipar o impacto que tal ação iria causar na civilização antiga. Ademais, é possível que com a construção do edifício, Basílio agiria em três frentes: política, religiosa e particular. No aspecto político analisa os movimentos do cristianismo enquanto instituição humana, considerando que a igreja no século IV não perderia mais espaços físicos/terras em disputa com o Império, especialmente com o imperador Valente.

Aliado a isso, Basílio, ainda receberia o apoio das massas menos abastadas da civilização antiga, tendo-as a seu favor, a esse respeito “o empenho de Basílio nas causas sociais de Cesareia foi efectivo eficaz” (Vasconcelos, 2017, p.25), o que o fez ser muito querido pelo povo. Além disso, é importante ressaltar que a Cesareia passava momentos delicados de crise, Roque Frangiotti (2014) nos relata que “De fato, foram tempos difíceis, anos terríveis para o bispo Basílio: crise moral, econômica, política, religiosa. A fome se abate sobre regiões inteiras, atingindo toda a Capadócia” (p. 9).

É provável que questões climáticas tenham desencadeado um inverno rigoroso em tal região da Ásia Menor durante aquele tempo, logo uma hospedaria para pobres, viajantes e doentes, viria a calhar. No aspecto religioso, Basílio se destaca por seu incansável “ideal de caridade” (Papa, 2009, p.75), qualidade muito apreciada entre os cristãos desde os tempos de Paulo de Tarso (1Cor. 13, 13) e que respalda a busca por busca da justiça e melhorias aos menos favorecidos. Segundo Peter Brown (2009), no fim do século IV, “o notável cristão é o apaixonado pelos pobres” (264). Posto isso, ao direcionar para o aspecto particular, a construção dessa hospedaria reside no fato de Basílio possuir uma doença, “sua saúde era frágil e ele muito doente, provavelmente sofria com problemas hepáticos” (cf. Papa, 2009, p. 73). O próprio chega a mencionar que sua doença o impedia de realizar algumas ações importantes, como por exemplo, pregar sermões aos cristãos. No início de sua primeira homilia, sobre a origem do homem, intitulada a imagem, Basílio alude estar em débito com a comunidade cristã, devido a sua “fraqueza corporal” (Homilias Sobre a Origem do Homem, I, 1, 2014).

Sob essa perspectiva e após traçar ligeiras considerações a respeito de Basílio e suas ações na civilização antiga, bem como suas aspirações político-religiosas, aliado ao cenário geral de crise presente no século IV na qual ele estava inserido, torna-se possível considerar as questões relacionadas ao corpo. De maneira geral, nos direcionamos para este aspecto, especialmente por dois motivos: em primeiro, pois, Basílio detinha conhecimento sobre o corpo (Homilias Sobre a Origem do Homem, I, 2, 2014) e delibera sobre isso, segundo porque sua doença, além de promover fraqueza corporal, afeta o seu modo de perceber o mundo e, portanto, afeta também sua própria concepção de corpo. Por isso, a próxima seção será destinada a compreender como o corpo estava inserido na obra de Basílio de Cesareia, em especial, nas Homilias sobre a Origem do Homem.

O Corpo como Escola: Ensinamentos da Carne

Basílio de Cesareia não escreveu propriamente nenhum tratado sobre o corpo, embora sua produção literária tenha sido abundante. No entanto, por meio de seus escritos podemos identificar aspectos a esse respeito. De modo geral, suas obras versam sobre questões ascéticas, pedagógicas, teológicas e dogmáticas. Também produziu homilias e sermões, além de compor um vasto epistolário, retratando especialmente acerca da vida cotidiana na igreja cristã do século IV. Posteriormente, seus escritos foram preservados no período medieval e grande maioria chegou até nossos dias, para exemplificar destacamos as Regras Monásticas, o Discurso aos jovens sobre como tirar proveito das letras gregas ou então, o Hexaémeron.

Posto isso, centra-se as atenções nas Homilias sobre a Origem do Homem, considerada como uma espécie de continuidade ao Hexaémeron, e que, dentre outras coisas, aborda questões sobre o homem, imagem e a semelhança de Deus. Além disso, a homilia está dividida em duas partes: a primeira, denominada A Imagem enquanto a segunda não possui nome específico. Ambas são direcionadas à comunidade cristã na qual Basílio pertencia.

Em certo sentido, além dos aspectos direcionados a relação entre homem e Deus, nessa obra também é possível analisar aquilo que, Alexandre de Humboldt, no século XIX, destacou a respeito da personalidade de Basílio e os aspectos de sua sensibilidade profunda pela natureza, e, bem assim, uma fina capacidade de observação. Desse modo, Boehner e Gilson (1970) na História da Filosofia Cristã, analisam que “Basílio é o primeiro pensador cristão a tomar uma posição plenamente consciente, e inspirada no cristianismo, perante as questões cíentífico-naturais” (p. 91).

Dessa maneira, isso significa que o cristianismo estava expandindo suas possíveis ideias e reflexões, no sentido de ampliar a capacidade de interpretar e conhecer o mundo durante o século IV. Outro aspecto relevante a ser destacado nas Homilias sobre a Origem do Homem reside naquilo que Ruy Nunes apresenta como critério de valor útil ao cristão. Esse critério, por sua vez, remonta à superioridade da alma sobre o corpo como elemento diferenciador das suas vidas (cf. Nunes, 1979). Assim, analisa o autor, “É a vida superior, diz São Basílio, que os Livros Sagrados nos conduzem por meio do ensinamento dos mistérios” (Nunes, 1979, p.145). De fato, esse é um aspecto fundamental a ser observado, considerando que Basílio se empenha em demonstrar a superioridade não só da alma, mas do próprio Deus sobre o corpo do homem (Homilias Sobre a Origem do Homem, I, 6, 2014), inclusive chega a mencionar que é um equívoco conceber a Ele uma forma, e pior ainda se ela for corporal.

Para o autor, este era um típico erro cometido, em especial, por judeus e que deveria ser evitado por cristãos na civilização oriental antiga (Homilias Sobre a Origem do Homem, I, 5, 2014). Ademais, o que nos intriga é que Basílio, apesar de considerar o corpo como inferior em relação à alma e a Deus, ainda nos revela que ele serve para promover ensinamentos proveitosos aos cristãos, se trata de uma espécie de ‘corpo-escola’ (Homilias Sobre a Origem do Homem, II, 15, 2014), capaz de ensinar, sobretudo, orientações a respeito daquilo que deve ser feito com corpo (Homilias Sobre a Origem do Homem, II, 5, 2014).

Nessa perspectiva, a primeira análise reside no fato de que para Basílio de Cesareia o corpo do homem é frágil. Essa fragilidade encontra-se na saúde, no ambiente e também nas relações sociais que o homem do século IV realiza. Nesse período, tais relações estão intimamente ligadas às aspirações e mediações entre homem e Deus:

Então, em que sentido declara a Escritura que fomos criados à imagem de Deus? Aprendamos o que se refere a Deus e entendamos que não fomos feitos à imagem de Deus quanto à forma corporal. Com efeito, a forma corporal é a de um ser corruptível. Um ser incorruptível não toma forma corruptível, nem o ser corruptível é imagem do incorruptível. O corpo cresce, encolhe-se, envelhece, modifica-se. É uma coisa na juventude, e outra na velhice; um o corpo sadio, outro o doente; difere se assustado ou alegre; diverso, na fartura ou na penúria; uma coisa na paz e outra na guerra; um se desperto, outro se adormecido. Em alguns a tez é mais corada porque o calor vital atua na pele, em outros, a temperatura se retrai, e por isso os adormecidos ficam mais pálidos (Homilias Sobre a Origem do Homem, I, 6, 2014).

Portanto, a partir do exposto acima, evidencia-se que a forma corporal do homem em nada se parece com Deus e para demonstrar tal situação, Basílio acaba por forjar a fragilidade do corpo, bem como suas deficiências. Cabe ressaltar que Basílio não é um entusiasta do corpo, uma vez que, para ele “A fraqueza está na carne; na alma acha-se a fortaleza” (Homilias Sobre a Origem do Homem, I, 18, 2014). Nesse sentido, é presumível aludir a sua doença. É bem provável que sua condição, enquanto doente, tenha o incomodado, além de ter afetado seu modo de perceber o corpo dentro da civilização antiga.

Não obstante e, de certo modo atrelado a isso, é possível destacar outro fator que corrobora para essa pusilanimidade em relação ao corpo que reside na própria tradição cristã: a concepção de que o cristianismo visa o domínio do homem sob o corpo. O filósofo francês Etienne Gilson (2001), se referindo aos padres gregos e o aproveitamento da filosofia helenística antiga pelo cristianismo durante o século IV, analisa que “os exemplos que nos deixaram merecem amiúde ser imitados contanto que nos ajudem a cultivar nossa alma e a nos libertar do corpo, que é o dever de todo cristão” (p.64). Além disso, desde o primeiro século, nas origens do cristianismo, Paulo de Tarso alertava para os problemas e preocupações geradas pelo ‘espinho na carne’[8].

Com efeito, o que Basílio propõe sobre o corpo por vezes pode parecer ambíguo. Especialmente ao analisar a descrição, do fim do item dois da primeira homilia, na qual o autor se refere à grandeza do homem: “Tomando consciência da arte com a qual fui feito, com que sabedoria meu corpo foi plasmado, através deste pequeno organismo, apreendi a grandeza daquele que me fez” (Homilias Sobre a Origem do Homem, I, 2, 2014).

Nesse sentido, compreende-se a seguinte situação: Deus criou o homem, juntamente com seu corpo, e de algum modo, o próprio Deus, teria estabelecido e colocado a sabedoria nele. No entanto, ocorre que é somente por meio do próprio corpo que se torna possível perceber tal situação. Por meio do “pequeno organismo” [9], frágil e inferior, é que o homem na civilização oriental antiga, possui a possibilidade de conhecer aquilo que é considerado de grande valor para o cristão: o próprio Deus.

Essa concepção encontra eco, sobretudo, quando Basílio de Cesareia realiza exegese sobre o trecho de Gênesis, retirado das sagradas escrituras antigas:

Se profiro qualquer coisa por mim mesmo, não a acolhais; mas se é expressão do pensamento do Senhor, acolhei-a. “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança; e que eles dominem sobre os peixes” (Gn 1,26). Pelo corpo ou por meio da razão? Esse domínio reside na alma ou na carne? A carne humana é mais fraca do que a de muitos animais. Qual a diferença entre a carne do homem e a do camelo, entre a carne do homem e a dos bois, entre a carne do homem e a de qualquer animal selvagem? É frágil a carne humana em comparação com a das feras. Mas onde se encontra o domínio do homem? Na superioridade da razão. O que falta ao homem relativamente às forças corporais, supre-o a faculdade da razão. Como pode o homem transportar pesos enormes? Graças à inteligência ou à força do corpo? (Homilias Sobre a Origem do Homem, I, 6, 2014).

Portanto, torna-se possível analisar a fraqueza do corpo humano, em especial contra outros elementos presentes na natureza e que rodeiam o homem. O corpo é fisicamente fraco. Como dito anteriormente, seu próprio corpo era fraco, devido a doença hepática. Desse modo, o que resta a Basílio é confiar na razão. No século IV, na civilização antiga, se faz presente a concepção de que a razão se sobressai sobre o corpo. A razão não adoece o corpo sim.

Além disso, Basílio, como simpatizante das ‘ciências biológicas’[10] e bom leitor de Opiano, Eliano e Aristóteles, compara a carne dos homens com a dos animais. A princípio, essa ação rebaixa o corpo ainda mais. Entretanto, um olhar mais atento permite analisar que o corpo torna o homem mais inteligente. Nessa perspectiva, o corpo permite ao homem reconhecer-se inferior, em relação a outras circunstâncias materiais e metafísicas presentes na civilização antiga, para assim poder agir em busca de equiparar essa inferioridade. Assim, compreende-se que as necessidades do homem e de seu corpo, conduzem e permeiam os avanços do intelecto, e, nesse sentido criam-se coisas para e pelo o corpo.

Ademais, destaca-se também, que de acordo com Basílio de Cesareia, “Os animais, de fato, crescem corporalmente; quanto a nós, porém, crescemos espiritualmente; os animais enchem a terra pelo número, nós, contudo, fazemos crescer por atividades boas a terra a nós associada, quer dizer, os nossos serviços corporais” (Homilias Sobre a Origem do Homem, II, 5, 2014). A princípio, analisa-se dois aspectos fundamentais a partir deste trecho. O primeiro reside no diálogo que Basílio propõe ao mencionar que do corpo podem crescer atividades boas. Assim, o corpo considerado frágil e inferior, capaz de conduzir o homem, não deve guiar todas suas ações, mas somente aquelas que favorecem o desenvolvimento, sobretudo, agrário da civilização, além dos mecanismos da razão e também o conhecimento de Deus.

Basílio está respaldado historicamente para tanto, ele situa-se nas portas do feudalismo. A ascensão dos latifundiários é inevitável, Basílio de Cesareia crava, por meio de Deus, ser vital que “empreguemos para nossa subsistência, frutos, grãos, produtos de árvores frutíferas; renunciemos a quanto vai além disso, como desnecessário” (Homilias Sobre a Origem do Homem, II, 7, 2014). Certamente que o cenário de crise e fome se também se alinhe diante dessa perspectiva, por isso não é estranho que Basílio trate do corpo como do elemento que faz parte da manutenção da natureza, realizando essa manutenção por meio de serviços corporais considerados bons para sua comunidade e também para o cristianismo.

Ainda cima, Basílio de Cesareia cita exemplos das coisas boas que o corpo do homem pode vir a conduzir, durante o século IV na civilização antiga:

Enchei de boas obras o corpo que recebestes para prestar serviço. Os olhos se encham da visão dos deveres. A mão esteja repleta de boas obras. Os pés sirvam para visitares os doentes, prontos a partir para o cumprimento do dever. Todos os nossos membros, em seu conjunto, estejam repletos da prática das obras prescritas. (Homilias Sobre a Origem do Homem, II, 5, 2014).

Nesse sentido, analisa-se que o corpo pode ser considerado uma ‘escola’ quando permite ao homem realizar tais ações. Nessa perspectiva, Basílio torna explícita a função do corpo dos cristãos. Em certo sentido, ele propõe que o corpo mesmo quando inferior, em relação aos mais variados momentos já expostos anteriormente, pode ser útil para servir e executar boas ações.

Além disso, ressalta-se que Basílio de Cesareia compreende a importância do corpo enquanto elemento educacional dentro da civilização oriental antiga, ele reconhece que é o corpo quem conduz as ações dos homens no século IV, por isso é fundamental moldá-lo. Essa constatação é um fato da natureza. Porém, se o corpo necessariamente é responsável por conduzir as ações dos homens, então que o homem realize ações boas. Portanto, é a partir desses aspectos que Basílio procura organizar a civilização antiga, da maneira preferível a ele, de acordo com sua própria orientação político-religiosa e com a concepção em prol dos latifundiários.

Em suma, Basílio de Cesareia apresenta uma nova realidade presente na civilização oriental antiga do século IV. Trata-se de um cenário de mudanças, repleto de crises econômicas, sociais e agrárias, na qual o cristianismo se encontra estruturado e precisa intervir na vida dos homens para que esse momento passe sem destruir ou devastar completamente aquilo que os cristãos anteriormente edificaram.

Para tanto, Basílio recorre ao corpo. O corpo possui respostas para propor, solucionar e apresentar as transformações necessárias à civilização antiga. Entretanto, essas mudanças almejadas para a civilização no século IV, tendem a ocorrer em ambientes conscientemente, social e economicamente estruturados. Desse modo, desde o início, o cristianismo é composto por pessoas medianamente ricas e que em geral viajam muito; “por isso acham-se expostas a um leque de contatos sociais e de ocasiões de escolha” (cf. Brown, 2009, p. 231) Em virtude disso, Peter Brown (2009), a respeito do cristianismo na antiguidade tardia, analisa que “as Igrejas cristãs nas cidades dependem de chefes de família respeitáveis e prósperos” (p. 234). Assim, Basílio abraça tal concepção e propõe o utilizar o corpo como escola para realizar as transformações necessárias na vida dos homens que pertencem à civilização antiga.

Considerações Finais

Para o término deste trabalho é possível concluir que a análise da obra Homiliassobre a Origem do Homem de Basílio de Cesareia, quando realizada por meio da história, direciona para o caminho de transformações que a civilização antiga do Oriente estava passando. Ademais, tornou-se possível reconhecer a presença de certa maturidade de pensamento presente em Basílio que permite realizar uma boa leitura do momento na qual estava inserido. Nesse sentido, sua condição enquanto aristocrata cristão, de ampla capacidade econômica e social, o respaldam. Esses aspectos tornam-no capaz de compreender o momento vivido.

Para mais, a estruturação da instituição humana do cristianismo, se encontra desenvolvida no século IV, e permite que Basílio, em um ambiente cristão pressionado por crises econômicas, territoriais e, portanto, sociais, possa fundamentar suas reflexões em prol de melhorias para si e para os seus. Para tanto, é necessário que o corpo desempenhe seu papel dentro da civilização antiga, uma vez que durante o século IV, o corpo é capaz de conduzir as ações dos homens e ser considerada uma espécie de escola. Portanto, o corpo, especialmente por meio do divino, conduz o homem para a Idade Média. Por isso as ações políticas de Basílio se emaranham com questões religiosas, é inevitável.

Em linhas gerais, também é importante compreender que ao longo da história do pensamento cristão, das origens do cristianismo até a época de Basílio, outros estudiosos também escreveram e retrataram o cenário vivido. Cada um em seu momento da história e com seus anseios, interesses e dificuldades típicas de seu próprio tempo histórico, alguns também consideravam a compreensão do corpo como fundamental dentro da civilização.

No entanto, Basílio de Cesareia parece ser o mais explícito nesse quesito, especialmente, por intermédio de determinados ‘traços’ que contém a história do corpo que por meio de seus escritos ele revela. Portanto,cabe aos historiadores da educação, analisar que o corpo está presente na história antiga. Ele não apenas recebe ações dos homens, ele também, por vezes, aparece como atuante na construção do imaginário e nas relações sociais entre os próprios homens. Também, ressalta-se que para esta pesquisa não foram abordadas as práticas corporais, ou ainda os espaços destinados/construídos para o corpo, presentes na região da Capadócia. Nesse sentido, tal estudo poderia contribuir para o desenvolvimento de reflexões voltadas para uma história do corpo.

Enfim, ainda tornou-se possível compreender o desenvolvimento dos movimentos da história ao longo do tempo, especialmente na condição fundamental para entender e refletir a respeito da própria história, e, dessa forma, pensar sobre o tempo em que estamos inseridos. Assim, essa compreensão da história, será capaz de trazer exemplos que poderão auxiliar na resolução de problemas das quais vivenciamos.

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Notas

[2] Gregório Taumaturgo (213 – 270 d.C.) foi figura importante e influente na construção do cristianismo na província do Ponto, Ásia Menor. O Taumaturgo ficou conhecido como operador de maravilhas/milagres. As informações sobre sua biografia e obras são breves.
[3] Libânio (314 – 384 d.C.) foi importante e influente professor de retórica no império romano antigo. Além de Basílio, foi preceptor de João Crisóstomo e amigo de Juliano.
[4] Flávio Cláudio Juliano (331 – 363 d.C.) foi imperador romano conhecido por seu epíteto O Apóstata, seu governo durou apenas dois anos.
[5] Gregório de Nazianzo (329 – 390 d.C.), contemporâneo e amigo de Basílio, foi um importante e influente estudioso do cristianismo durante o século IV no Oriente. Algumas reflexões de Basílio partem de concepções de Gregório.
[6] Ariarate IV Eusébio foi rei da Capadócia advindo da linhagem da família real dos persas. Ele exerceu sua monarquia durante o final do século III a.C. e início do século II a.C.
[7] É importante observar que, as críticas que Basílio de Cesareia tece e recebe, especialmente enquanto bispo da Cesareia tratava-se de uma disputa político-religiosa. Basílio é convidado a ser bispo justamente por isso. Em suma, havia dois grupos partidários distintos dentro da igreja no século IV d.C., homoiousianos e nicenos segregaram a instituição cristã. Basílio estava ao lado dos nicenos, enquanto que o imperador do Oriente vigente da época, Valente (364-378), era partidário dos homoiousianos. No apogeu da ‘unidade’ do homem no século IV, a cisão religiosa afetava a esfera política da província da Capadócia. Com o império em crise econômica e social, Velente seguia a prática de divisão das províncias, iniciada por Diocleciano (284-305) na qual a ideia política recorrente no século era dividir as regiões para castrar autonomia e administração local dos governadores. No caso da Capadócia, a divisão foi realizada em duas partes (Capadócia I e Capadócia II). Essa divisão, por sua vez, seria prejudicial à Cesareia, visto que iria influenciar diretamente na rota comercial de escoamento de produção da cidade, bem como no seu status de metrópole e ainda na cobrança de impostos e taxas. Então, Basílio convoca seus fiéis escudeiros para ocupar os locais estratégicos de interesse comercial na qual favoreciam Cesareia e o cristianismo, ele convida seu amigo e companheiro Gregório de Nazianzo além de Gregório de Nissa, seu irmão. O cenário estava montado e a disputa política e religiosa era iminente entre Valente e seus protegidos e Basílio de Cesareia e a dupla de Gregórios. Ver: Espaços de integração e fronteira no império romano: um estudo de caso sobre a divisão da província da capadócia e o bispado da cidade de Nissa (séc. iv d.c.), Helena Amália Papa, 2015.
[8] Ver a segunda epístola de Paulo de Tarso, destinado aos (2Cor. 12, 7).
[9] Frangiotti recorda que este termo foi retirado das obras de Aristóteles. Ver a segunda nota publicada por Roque Frangiotti nas Homilias sobre a Origem do Homem.
[10] É válido ressaltar que o termo ciências biológicas é algo moderno. Referimo-nos às noções sobre plantas, animais e o funcionamento do universo que Basílio utiliza. Essas noções são mais evidentes na obra Hexaémeron.

Notas de autor

[1] Mestre em Educação pela Universidade Estadual de Maringá (UEM). Graduado em Educação Física (UNESPAR campus Paranavaí). Pesquisador no grupo de pesquisa Transformações Sociais e Pensamento Educacional (GPTSPE - UEM) vinculado a Universidade Estadual de Maringá - UEM. Correo: mrbreda.teixeira@gmail.com. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-7903-7601.

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