Servicios
Descargas
Buscar
Idiomas
P. Completa
História local num centro de memória: jovens estudantes ampliam sua compreensão da cidade
Maria Sílvia Duarte Hadler
Maria Sílvia Duarte Hadler
História local num centro de memória: jovens estudantes ampliam sua compreensão da cidade
Local history in a memory center: young students expand their understanding of the city
Historia local en un centro de memoria: jóvenes estudiantes amplían su comprensión de la ciudad
Revista NUPEM (Online), vol. 14, núm. 33, pp. 103-116, 2022
Universidade Estadual do Paraná
resúmenes
secciones
referencias
imágenes

Resumo: No âmbito das relações entre instituições de memória, ensino de História e História Pública é apresentado neste artigo um projeto educacional pensado em torno da abordagem da história local e realizado no Centro de Memória - Unicamp com jovens estudantes do Ensino Médio de escolas públicas da região de Campinas no período de férias escolares. Tal projeto procurou introduzir estudantes na discussão de questões referentes às relações entre patrimônio cultural, memória e preservação, ao propiciar-lhes o contato com momentos da história de Campinas em que houve expressivas modificações da área urbana central, acompanhadas de sucessivos apaga-mentos de suportes de memória. Encontros entre passado e presente ocorreram no diálogo com documentos e observações realizadas pelas estudan-tes. A cidade tomada como eixo organizador de atividades associadas às aprendizagens da história se mostrou em sua potencialidade de estimular uma compreensão mais alargada da dinâmica das relações sociais no espaço urbano, ampliando suas experiências urbanas.

Palavras-chave: Centro de memória, História local, Cidade, Produção de conhecimentos históricos.

Abstract: In the context of the relations between institutions of memory and teaching of public history, this article presents an educational project designed around the approach of local history and carried out at the Unicamp Memory Center with young high school students from public schools in the Campinas region during the school holidays. This project sought to introduce students to the discussion of issues related to the relationships of cultural heritage, memory, and preservation, by providing them with contact with moments in the history of Campinas in which there were significant changes in the central urban area, accompanied by successive erasures of memory supports. Encounters between past and present occurred in the dialogue with documents and observations made by the students. The city, taken as the organizing axis of activities associated with the learning of history, carries the potential to stimulate a broader understanding of the dynamics of social relations in urban space and broaden urban experiences.

Keywords: Memory center, Local history, City, Production of historical knowledge.

Resumen: En el contexto de las relaciones entre las instituciones de la memoria, la enseñanza de la Historia y la Historia Pública, este artículo presenta un proyecto educativo diseñado en torno al abordaje de la historia local y realizado en el Centro de Memória - Unicamp con jóvenes estudiantes de escuelas públicas de la región de Campinas durante las vacaciones escolares. Este proyecto buscó introducir a los estudiantes en la discusión de temas sobre patrimonio cultural, memoria y preservación, brindándoles contacto con momentos de la historia de Campinas en los que hubo cambios significativos en el casco urbano central, acompañados de la destrucción sucesiva de los medios de memoria. Encuentros entre el pasado y el presente ocurrieron en el diálogo con documentos y observaciones realizadas por los estudiantes. La ciudad, tomada como eje organizador de actividades asociadas al aprendizaje de la historia, se mostró en su potencial para estimular una comprensión más amplia de la dinámica de las relaciones sociales en el espacio urbano, ampliando sus experiencias urbanas.

Palabras clave: Centro de memoria, Historia local, Ciudad, Producción de conocimiento histórico.

Carátula del artículo

Dossiê

História local num centro de memória: jovens estudantes ampliam sua compreensão da cidade

Local history in a memory center: young students expand their understanding of the city

Historia local en un centro de memoria: jóvenes estudiantes amplían su comprensión de la ciudad

Maria Sílvia Duarte Hadler
Universidade Estadual de Campinas, Brasil
Revista NUPEM (Online), vol. 14, núm. 33, pp. 103-116, 2022
Universidade Estadual do Paraná

Recepción: 09 Abril 2022

Aprobación: 19 Julio 2022

Introdução

Ao atentarmos para o espaço público de uma dada sociedade, reconhecemos práticas sociais e culturais articuladas a formas de percepção e de compreensão da realidade social, as quais, em sua diversidade, se apresentam em uma contínua movimentação, produzindo tensões contradições, ou alinhamentos.

Disputas de narrativas, de pontos de vista, de concepções sobre acontecimentos diversos e comportamentos sociais de diferentes grupos são constantemente travadas e atravessadas por determinados interesses e relações de poder. Neste movimentado cenário político-cultural reconhecemos enfrentamentos entre diferentes narrativas de natureza histórica que circulam na sociedade, oferecendo interpretações a processos sociais e culturais em curso ou circunscritos a determinados períodos. Tais disputas de narrativas e/ou tensionamentos entre esquemas explicativos de uma dada realidade social afetam e se desdobram nas mais variadas instâncias de uma sociedade, seja num plano mais global, nacional ou local.

Dessa perspectiva, neste cenário em que estamos enredados, não deixa de ser necessário e também instigante, pensar relações entre instituições de memória, ensino de História e História Pública. A História Pública, enquanto uma forma de produção e de escrita da História, pressupõe o compartilhamento do conhecimento. Ela nos remete aos usos do passado, aos usos públicos da História, às formas como circulam na sociedade e são apropriados (Mauad; Almeida; Santhiago, 2016; Almeida; Meneses, 2018; Mauad; Santhiago; Borges, 2018). Podemos atestar a existência de certas visões e concepções sobre a história de uma cidade que se tornaram públicas, participantes da memória coletiva desta localidade pela atuação de memorialistas ou de uma parcela da imprensa que reitera essas visões. Visões que circulam naquela sociedade, referendadas por agentes políticos e culturais e que se colocam como parâmetros de interpretação/compreensão daquela história. Por outro lado, temos a atuação de profissionais, pesquisadores do campo da história, e também de grupos organizados informalmente, cujos trabalhos se assentam em pesquisas articuladas à história local e que descortinam outras possibilidades de entendimento daquela história, ou trazem novas formas de interpretação das vivências de determinados grupos sociais até então mais invisibilizados. Sob esta perspectiva, o esforço de tornar pública uma certa visão da história local se desdobra no estabelecimento de diálogos, implícitos ou explícitos, com diferentes sujeitos, individuais ou institucionais desta localidade, abrindo-se a possibilidade de um debate público (Côrte et al., 2021).

No esforço de amplificar esta questão, indagamo-nos como arquivos e centros de memória participam de processos de constituição de uma memória social ou em que medida podem fazer parte de um debate público que se desenrola de modo velado, sutil ou explícito entre diferentes narrativas.

Arquivos e centros de memória são depositários de uma massa documental disponibilizada, em geral, a pesquisadores e trabalhos acadêmicos. No entanto, desafios se colocam quando nos perguntamos a respeito de uma possível e desejada função social, cultural que possa ser desempenhada por tais instituições de memória. Desafios que se tornam particularmente agudos quando voltamos nossa atenção para as possíveis relações que estes centros de documentação podem entretecer com o público de professores e professoras da Educação Básica e seus/suas estudantes.

As considerações aqui postas tocam no centro de uma problemática complexa e delicada, qual seja, a dos modos de produção de conhecimentos históricos, bem fundamentados ou não, que circulam nas diversas instâncias da sociedade, seja nos espaços educacionais institucionalizados como universidades e escolas, seja nos meios mais informais de produção de conhecimento como a imprensa, redes sociais, programas televisivos, cinema, teatro, etc. Não se toma contato com a História, portanto, apenas nas escolas e universidades. Tal constatação nos impele a avaliar a complexidade e a responsabilidade postas para o campo do ensino de História em instituições escolares ou em instituições que pretendem trabalhar com processos de aprendizagem da História, como é o caso de centros de memória, como o Centro de Memória - Unicamp (CMU).

Reconhecendo a dimensão pública de atividades educacionais associadas ao ensino de História, gostaria de ressaltar as potencialidades de um centro de memória em participar de processos de produção de conhecimentos históricos junto a determinados públicos, por meio de propostas que não se reduzam a simples transmissão de informações e que não se confundam com as importantes atividades de divulgação de acervo, mas que se constituam em possibilidades de uma dada educação histórica na perspectiva da construção de uma compreensão histórica mais sensível, crítica e reflexiva.

No diálogo com estas ponderações, apresento neste artigo um projeto educacional pensado em torno da abordagem da história local e realizado no CMU com jovens estudantes do Ensino Médio de escolas públicas da região de Campinas no período de férias escolares.

Uma proposta de trabalho com a história local

O Centro de Memória - Unicamp constitui-se como um centro de documentação e pesquisa que abriga um importante acervo documental referente, em especial, mas não exclusivamente, à cidade de Campinas e região. Seu acervo é composto por arquivos pessoais e institucionais, abrigando conjuntos documentais de diversos gêneros como textuais, iconográficos, audiovisuais e tridimensionais, relativos a meados do século XVIII até a atualidade. A história local tem se constituído como um eixo articulador de grande parte das pesquisas ali realizadas.

Entendemos o local como um espaço onde se encontram imbricadas as particularidades e singularidades de dimensões sociais, políticas e culturais que guardam conexões com relações mais amplas e gerais instaladas em outros locais, sejam eles regionais, nacionais ou internacionais. O local, em nossa perspectiva, não se reduz, portanto, a um espaço demarcado por limites físicos e normas jurídicas e administrativas, o que nos permite ressaltar que “acontecimentos singulares, localizados, não têm encerrada sua significação nos limites da localidade” (Hadler, 2020, p. 149).

Como bem observado pela historiadora Sonia Miranda (2021, p. 198), “no local reside a construção da experiência da vida e a percepção direta do tempo não como linha, mas como camadas temporais. Processos históricos manifestos numa cidade são, portanto, perceptíveis também em muitas outras cidades”.

Sob esta perspectiva de compreensão do local foi realizado o projeto “Memória, patrimônio documental e preservação no Centro de Memória - Unicamp”, em 2020, no âmbito do programa “Ciência & Arte nas Férias”, promovido anualmente pela Pró-Reitoria de Pesquisa da Unicamp no mês de janeiro, período de férias escolares. Em virtude da situação gerada pela pandemia de corona vírus (Covid-19), o programa foi suspenso temporariamente em 2021 e 2022. Buscando uma aproximação da Universidade com alunos do Ensino Médio de escolas públicas de Campinas e região, a proposta do “Ciência & Arte nas Férias” tem sido estimular jovens estudantes para a pesquisa científica e atividades artísticas, colocando-os em contato com atividades práticas que os aproximem seja de laboratórios de pesquisa, da metodologia do trabalho científico, seja das diferentes formas de expressão artística. Sob a supervisão de professores e pesquisadores da Universidade, são realizadas, pelos estudantes inscritos, as atividades propostas pelas várias unidades de ensino e pesquisa que se candidataram ao programa.

Proposto pela área de pesquisa do Centro de Memória - Unicamp, o projeto “Memória, patrimônio documental e preservação no Centro de Memória - Unicamp” procurou introduzir estudantes nas reflexões e discussões de questões referentes às relações entre patrimônio cultural, memória e preservação por meio de atividades desenvolvidas no CMU em torno de alguns conjuntos documentais ali abrigados. Para tal finalidade, o projeto buscou propiciar a estudantes o contato com momentos da história da cidade de Campinas em que a paisagem urbana sofreu muitas modificações, principalmente durante o período compreendido pelas décadas de 1950 e 1960. As áreas mais centrais da cidade, em especial, foram, então, afetadas mais incisivamente pela execução de reformas urbanas que preconizaram a necessidade de demolições, de alargamento de ruas e abertura de avenidas. Locais significativos da cidade foram afetados por estas intervenções urbanas como é possível ser observado, entre outros exemplos, nos processos de demolição da Igreja do Rosário e do Teatro Municipal ou da construção do viaduto Miguel Vicente Cury.

Interessava-nos a reflexão acerca das potencialidades de um trabalho de aproximação de estudantes com documentos arquivísticos para pensarmos possibilidades de produção de conhecimentos de natureza histórica a partir destas relações estabelecidas entre um centro de memória e um público específico e importante como o constituído por jovens estudantes em pleno processo de formação. Paralelamente, interessava-nos a consideração da relevância de processos educacionais que poderíamos compreender como tributários de uma certa educação histórica que tocasse sensibilidades destes estudantes em relação a uma ampliação da compreensão de relações entre história, memória e patrimônio.

Pensamos o CMU como um espaço em diálogo com as discussões e reflexões que têm sido desenhadas no campo da História Pública. Um lugar com possibilidades de abertura para compartilhamento de conhecimentos, como também para a descoberta de conhecimentos outros por diferentes públicos. A historiadora Caroline Pacievitch (2021, p. 140) se refere à sala de aula de História como um “lugar de encontros, de narrativas que envolvem identidades e alteridades”. Um centro de documentação aberto a diferentes públicos também pode se apresentar como tal, o que se reveste de especial interesse na relação com o projeto desenvolvido com as estudantes de Ensino Médio que ali se apresentaram.

O projeto de trabalho proposto para estas estudantes ancorava-se numa concepção ampla de educação patrimonial que se encaminhava para o reconhecimento das possibilidades de existência de inúmeras formas de patrimônio cultural, além daquelas já oficializadas por instituições de preservação. Participamos das perspectivas de uma educação patrimonial que dê espaço para questionamentos de escolhas patrimoniais oficiais já vigentes, que possibilite a percepção e a valorização de outras formas de patrimônio cultural mais relacionadas às vivências cotidianas de inúmeros sujeitos.

Neste sentido, apoiamo-nos nas reflexões sobre o campo do patrimônio cultural empreendidas pelo antropólogo José Reginaldo Gonçalves (2002; 2005) em seus trabalhos. Gonçalves nos assinala que os patrimônios culturais, de alguma forma, constituem narrativas em torno das memórias e da identidade de grupos sociais. Como bem observa, “transformar objetos, estruturas arquitetônicas e urbanísticas em patrimônio cultural significa atribuir-lhes uma função de ‘representação’, que funda a memória e a identidade” (Gonçalves, 2002, p. 121).

O autor observa a ocorrência, na sociedade brasileira, de duas modalidades de discursos relativos ao patrimônio, ou seja, pensá-lo sob o signo da monumentalidade ou sob o registro do cotidiano. No discurso da monumentalidade imperaria a ideia de um certo passado como tradição, tais como monumentos barrocos coloniais, conjuntos arquitetônicos e urbanísticos, objetos de arte. Já pensar o patrimônio no contexto de uma narrativa em torno de práticas culturais do cotidiano implica em reconhecer a existência de “tantos passados e tantas memórias quantos são os grupos sociais” (Gonçalves, 2002, p. 119).

A experiência pessoal e coletiva dos diferentes grupos sociais na vida cotidiana erige-se como referência fundamental para se pensar a questão do patrimônio. O espaço público, nesta perspectiva, se apresenta marcado pela heterogeneidade de sujeitos, de pontos de vista, de interesses. Para Gonçalves (2002, p. 122), os “patrimônios são instrumentos de constituição de subjetividades individuais e coletivas, um recurso à disposição de grupos sociais e seus representantes em sua luta por reconhecimento social e político no espaço público”.

Tal perspectiva de compreensão do espaço público na relação com a questão do patrimônio cultural mostrou-se bastante pertinente para o tratamento da problemática escolhida pelo projeto a ser desenvolvido. A abordagem das transformações então verificadas nas áreas urbanas mais centrais da cidade de Campinas implicava no reconhecimento de tensões entre interesses diversos, entre diferentes concepções do que deveria ou não ser considerado como um patrimônio a ser preservado para a cidade. Implicava também numa necessária atenção aos diferentes sujeitos afetados pelas demolições, às perdas de referências cotidianas no espaço urbano, ao desaparecimento de suportes de memória.

A cidade está colocada, portanto, como o recorte fundamental da abordagem da história local. A cidade como um espaço plural, um espaço em que se movimentam histórias e memórias plurais em diferentes temporalidades. Um espaço em que a dinâmica das relações de poder aí predominantes propicia disputas de memórias, disputas de versões de história, como também promove práticas socioculturais que implicam em valorização/desvalorização de determinados grupos sociais, de seus modos de viver e estar no espaço urbano.

Ações educativas num arquivo ou num centro de memória podem representar oportunidades de se deparar com outras perspectivas de entendimento do cotidiano, da vida urbana, propiciando que os sujeitos envolvidos se manifestem, exponham suas novas reflexões ou percepções, constituindo-se em possibilidades de abertura de outros horizontes de compreensão e de atuação na cidade.

Um processo de produção de conhecimentos históricos: trajetos percorridos

Curiosas e ressabiadas, quatro estudantes de Ensino Médio de diferentes escolas públicas chegaram ao CMU no início de janeiro para participarem do projeto proposto. Importante destacar que nunca tinham ouvido falar do CMU e, principalmente, não sabiam o que vinha a ser um centro de documentação. Ao mesmo tempo em que se mostravam disponíveis para participar das atividades que iam ser propostas, temiam passar pela frustração e pelo desagrado.

Assim, foi organizada uma visita orientada em que percorreram os espaços relativos aos diversos setores do CMU, tais como a área de atendimento ao pesquisador, o processamento técnico, a digitalização, o Laboratório de Conservação e Restauro, o setor de pesquisa, a biblioteca, área de comunicação e publicações, a reserva técnica de guarda do acervo, além dos espaços administrativos como secretaria, direção e setor de informática. Nesta visita, em cada um destes espaços, tiveram um contato inicial com as particularidades das atividades ali realizadas. Não se pode deixar de mencionar uma conversa mais detalhada sobre o acervo e sua abrangência, os processos de doação e as necessárias tramitações legais. Nas palavras de uma das estudantes, “um mundo diferente se abriu diante de seus olhos”.

Após este contato inicial com as atividades existentes num centro de documentação e pesquisa como o CMU, foi passada a proposta de trabalho com o período da história da cidade marcado por uma série de intervenções urbanísticas e de forte descaracterização das áreas urbanas centrais. A partir da pesquisa, em diversos conjuntos documentais pertencentes ao acervo, de imagens fotográficas referentes aos locais da cidade que foram objeto destas intervenções, poderia ser elaborado uma espécie de catálogo seletivo de fotografias a respeito da temática, acompanhado de pequenos textos explicativos e de algumas reflexões que talvez pudessem levantar acerca da problemática em pauta.

Algumas questões de ordem metodológica se colocaram nestes momentos iniciais de desenvolvimento da proposta. Tratava-se de encetar um processo de produção de conhecimentos pautado pelo diálogo com as experiências/vivências das estudantes no espaço urbano, com suas percepções da cidade, com suas noções acerca do que considerar como patrimônio cultural.

Dificuldades já se fizeram sentir. As estudantes relataram que a história da cidade nunca tinha sido abordada em suas escolas e, morando em bairros mais distantes, pouco conheciam da área central.

Tocamos, aqui, num aspecto crucial para se pensar nas relações dos diferentes sujeitos com a cidade em que habitam. Que cidade habitam? Como é percebida esta cidade? Os ritmos acelerados da modernidade na contemporaneidade impelem a uma fragilização dos vínculos dos habitantes de diversos estratos sociais e de diversas faixas etárias com os espaços e lugares de uma cidade. Observamos, com frequência, indivíduos apressados, continuamente em trânsito, sempre de passagem pelos lugares da cidade. Podemos acrescentar a esta situação a forte presença de relações virtuais, das redes sociais, intermediando processos de percepção do mundo urbano, o que tem contribuído para um certo esvaziamento da experiência concreta, direta do sujeito com a cidade. Posturas mais individualistas, de maior recolhimento em seus espaços privados tenderam a reduzir o contato com espaços públicos. Descompromissos com a coisa pública, com a ideia de interesse público, coletivo são observados com certa frequência. Tal panorama, ao incidir, certamente, de alguma forma, nas jovens estudantes, nos trouxe o desafio de desenvolvermos um processo conjunto de produção de conhecimento que fosse significativo para elas e acrescentasse maior densidade às suas experiências com a cidade.

Campinas, esta cidade conhecida e, ao mesmo tempo, desconhecida, precisava ser apresentada às estudantes. Informações sobre momentos importantes de sua história foram transmitidas em encontros marcados por muitas perguntas, trocas de impressões, associações com certos acontecimentos e relatos relembrados de alguns familiares.

Os próximos passos se concentraram na apresentação e discussão dos conceitos de memória e de patrimônio cultural - a importância da memória para a configuração de subjetividades mais enraizadas, mecanismos sociais e culturais de constituição de memórias sociais, de uma memória coletiva, bem como a produção contínua de esquecimentos associados a relações de poder e a interesses diversos presentes no espaço público. Tais reflexões propiciaram um entendimento mais amplo do que possa ser considerado e valorizado como patrimônio cultural. As pertinentes discussões presentes nos trabalhos do antropólogo José Reginaldo Gonçalves, já referidas anteriormente, nos auxiliaram bastante nestes encaminhamentos.

O filme “Narradores de Javé”, de 2003 e dirigido por Eliane Caffé, representou uma excelente oportunidade para dialogarmos sobre identidade, relações de pertencimento, memória e preservação. Diante da ameaça de inundação do povoado de Javé devido à construção de uma hidrelétrica, os moradores procuram escrever as histórias da localidade e de seus habitantes, conferindo-lhes o valor de patrimônio histórico e, assim, preservar este território, seus costumes, a cultura local, seus modos de viver. O filme propicia a discussão sobre relações entre memória e patrimônio cultural e, sobretudo, relações entre patrimônio, preservação e desenvolvimento econômico associado a uma certa ideia genérica de progresso.

Atenção especial foi dada a reflexões em torno de questões relacionadas à preservação. Preservar o que? Por que preservar? Como interpretar sentidos atribuídos a edificações selecionadas para preservação e a outras destinadas ao descarte e à demolição?

No âmbito desta discussão, as estudantes foram convidadas a colocar em prática procedimentos rotineiros do Laboratório de Conservação e Restauro do CMU, tais como atividades de higienização, conservação, restauro, acondicionamento de documentos. A importância da preservação e da conservação do acervo, de um patrimônio documental de grande relevância para a história da cidade de Campinas, de alguma forma, adquiria uma dimensão de concretude para aquelas jovens. Além da higienização de itens documentais, trabalharam com processos de encadernação e também de confecção de embalagens adequadas para o armazenamento de fotografias.

Abaixo, imagens de momentos das atividades realizadas no Laboratório de Conservação:


Imagem 1:
Estudantes trabalhando com encadernação no Laboratório de Conservação do CMU, em 2020
Fonte: Dados da pesquisa (2020).


Imagem 2:
Documento sob procedimentos de conservação
Fonte: Dados da pesquisa (2020).


Imagem 3:
Documento em processo de higienização
Fonte: Dados da pesquisa (2020).

Podemos afirmar que foi construído com as estudantes um campo de relações conceituais em que elas pudessem transitar com mais desenvoltura numa discussão que envolvesse suas trajetórias de percepção e conhecimento da cidade no tempo presente na aproximação com um período de transformações da paisagem urbana que implicaram em demolições tanto de inúmeras edificações do final do século XIX e início do século XX, quanto de construções já inseridas por parcelas da população na categoria de patrimônios culturais, como o Teatro Municipal e a Igreja Nossa Senhora do Rosário

No processo de contato com os documentos arquivísticos, privilegiamos a pesquisa de imagens fotográficas acerca de diversos momentos da história de Campinas, focalizando mais detidamente os locais das áreas centrais afetados pelas reformas urbanas.

Neste movimento de pesquisa das imagens fotográficas muitos cuidados se fizeram necessários. Era preciso evitar uma leitura descontextualizada destes documentos arquivísticos, não considerá-los como se fossem únicos, isolados de seu contexto de produção. Houve uma abordagem a respeito da proveniência destes documentos fotográficos - a quais conjuntos documentais pertenciam, quem foram os produtores destes conjuntos, o que era possível saber sobre as condições de produção daquelas imagens.

As fotografias estão sujeitas a serem tomadas como ilustração de uma dada narrativa histórica e/ou a serem reduzidas a objetos de consumo de imagens de um passado. Tivemos a preocupação, nos diálogos tecidos com as estudantes, de nos distanciarmos da posição de espectadores e consumidores de fragmentos do passado. Como bem registra a historiadora e educadora Adriana Koyama (2017, p. 184):

os registros incessantes de lugares e acontecimentos feitos pelas mídias eletrônicas se multiplicam pelo mundo nas redes informatizadas, carregando imagens de um presente já passado, tornando-nos espectadores e consumidores dessas “memórias”. Os arquivos, inseridos nesse movimento, têm digitalizado e exposto imagens de documentos em seus sites, para a fruição de um público cada vez mais ávido de imagens do passado.

Documentos abrigados num arquivo podem ser aproximados da ideia de rastros, vestígios. Como nos assinala Jeanne Marie Gagnebin (2006, p. 113) acerca desta noção, “rigorosamente falando, rastros não são criados - como são outros signos culturais e linguísticos -, mas sim deixados ou esquecidos”. Documentos em torno das transformações por que passou a área central de Campinas, postos à disposição da pesquisa das estudantes, podem ser vistos como índices dos gestos de quem os produziu, gestos articulados a sentimentos de lamentação, de indignação ou de entusiasmo pelo que testemunhavam. Daí a importância de se afastarem da concepção de ilustração operada por aquelas imagens referentes às modificações do centro urbano, mas, sobretudo, considerá-las como sinais de intenções, de desejos, de frustrações, de concepções de sujeitos que vivenciaram aqueles momentos. Compreender o documento como rastro, vestígio de visões de mundo, de concepções acerca de como deveria ser configurada a área urbana central da cidade.

E, a partir destas considerações e reflexões, as estudantes foram estimuladas a procurar estabelecer alguns diálogos entre aquelas imagens e aquilo que elas poderiam suscitar de problematizações do presente vivido. Momentos de trocas de impressões, de questionamentos bastante enriquecedores do processo de produção de conhecimentos em curso.

A leitura conjunta de trechos selecionados de artigos de pesquisadores que trabalharam sobre a história de Campinas e de seu processo de urbanização no século XX se mostrou bastante significativa quanto a contribuir para a contextualização histórica do período abordado.

No intuito de ampliar a compreensão do que poderia ser um processo de produção de conhecimento histórico acerca de uma dada problemática, providenciamos um encontro das estudantes, no próprio CMU, com um pesquisador que também desenvolvia um trabalho relacionado ao período das transformações urbanas em Campinas: “Cidade em jogo: uma proposta para o ensino de história local da cidade de Campinas”. Realizando sua pesquisa no âmbito do Mestrado Profissional em Ensino de História (ProfHistória) sediado no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp, o pesquisador Lucas Rosa Pereira foi convidado a relatar como surgiu seu interesse de pesquisa, a seleção de suas fontes históricas, os documentos utilizados, as dificuldades encontradas. Nestes diálogos com o pesquisador, as estudantes tomaram conhecimento dos planos de reforma que afetaram a paisagem urbana de Campinas. A partir da contratação do engenheiro arquiteto Prestes Maia pela prefeitura em 1933 foi elaborado o Plano de Melhoramentos Urbanos, aprovado em 1938, o qual passou a orientar as intervenções urbanísticas na área central. Sob a perspectiva de uma concepção de modernização urbana e de eficiência, e preparando a cidade para uma circulação mais intensa dos automóveis, o Plano de Melhoramentos Urbanos foi executado com mais vigor durante as décadas de 1950 e 1960, provocando, portanto, as alterações substantivas já referidas nas áreas mais centrais da cidade.

A abordagem desta problemática urbana abrigava a necessidade de se atentar para as questões relativas à memória, ao patrimônio cultural, à preservação e de como estas questões estavam entrelaçadas com a presença e atuação de diversos sujeitos, de grupos de interesse, seja os mais especificamente políticos, seja os mais ligados a visões urbanísticas. No interior deste processo complexo e multifacetado de modernização urbana, suportes de memória estavam sendo apagados, ao lado da ausência de uma discussão pública mais consistente a respeito da importância ou não da preservação de determinados patrimônios culturais. Questões estas que, certamente, encontram ressonância em nosso presente. Tratava-se, então, de um passado com muitos traços de permanência no presente.

Diante das atividades realizadas e das discussões havidas, com autorização prévia das famílias, fomos ao chamado centro histórico de Campinas para uma visita de observação e de reconhecimento. Percorremos a pé as ruas do centro, com muitas paradas para uma observação mais detalhada, em especial, de locais com que tiveram contato por meio da pesquisa de imagens fotográficas do acervo do CMU.

Durante o percurso, muitas fotografias foram produzidas pelas meninas. Foi possível se dar conta de que a cidade carrega múltiplas temporalidades. O espaço urbano oferece indícios vários de camadas de tempo que se sobrepõem. De acordo com uma das estudantes que, às vezes, vinha ao centro com familiares para fazer compras, “uma outra cidade apareceu”. O olhar mais atento, e agora mais informado, permitia uma percepção mais sensível do espaço urbano. Um espaço povoado por memórias, histórias de vida, desejos, sonhos, frustrações, aborrecimentos e, muitas vezes, indignação.

De volta ao CMU, e retornando à pesquisa das fotografias presentes nos conjuntos documentais a que tiveram acesso, comparações e relações diversas foram estabelecidas entre a documentação pesquisada, as observações realizadas na visita ao centro, e as fotografias produzidas durante esta visita.

Ao fotografarem diversos locais e situações na área central, as estudantes produziram uma documentação de suas observações, a partir de seus pontos de vista. Deram-se conta das condições em que estavam produzindo aquelas fotos.

A partir deste processo de produção de conhecimento vivenciado, as estudantes prepararam uma espécie de catálogo seletivo de imagens fotográficas - “Ruínas do Avanço da Modernização Urbana: transformações em Campinas durante o século XX” - relacionado à temática da memória e das modificações sofridas pela paisagem urbana de Campinas, procurando trazer algumas problematizações e indagações para o presente.


Imagem 4:
Página inicial do catálogo seletivo elaborado pelas estudantes
Fonte: Dados da pesquisa (2020).

O projeto foi finalizado com a elaboração de um pôster sobre os encaminhamentos realizados e apresentado durante a tarde de encerramento do programa “Ciência & Arte nas Férias”. Neste momento, todos os projetos desenvolvidos na Universidade com estudantes do Ensino Médio foram apresentados a um numeroso público de familiares e interessados em geral.

Algumas considerações

Um percurso de diálogos foi aberto entre momentos do passado, indiciados por aquelas imagens fotográficas, e as inquietações, interrogações, dúvidas das jovens pesquisadoras. Diálogos entre tempos, entre passado e presente.

Trago, aqui, a oportuna reflexão de Adriana Koyama sobre o trabalho educacional em arquivos:

Alargar os tempos das experiências de produção de conhecimento histórico educacional, ampliar e distender as expectativas relativas a essas experiências, sonhar com outras possibilidades de relação com o passado, entrecruzando memórias e experiências de diferentes sujeitos sociais enraizados no tempo e no espaço: a pesquisa em arquivos pode estimular todas essas possibilidades (Koyama, 2017, p. 187-188).

No diálogo com os documentos, nestes encontros entre passado e presente, houve deslocamentos da percepção das alunas quanto às dinâmicas das relações sociais, das relações de poder que permeiam diferentes espaços e lugares da cidade. Um alargamento de suas experiências no espaço urbano e em seu presente.

Talvez seja interessante compartilhar alguns fragmentos do que as estudantes (Silva et al., 2020, s./p.) escreveram em momentos finais do trabalho desenvolvido:

a pesquisa de imagens para o catálogo “Ruínas do Avanço da Modernização Urbana: transformações em Campinas durante o século XX” permitiu uma visão mais ampla dos processos de modificações do centro urbano e das consequências que trouxeram para moradores e frequentadores destes locais. [...] Ademais, o contato com documentos históricos da cidade de Campinas e a observação realizada no centro permitiram maior compreensão sobre a memória e a importância da preservação de um patrimônio cultural. [...] Pudemos perceber melhor como as demolições e as novas construções, apesar de modernizarem a cidade, também apagaram diversas memórias que fizeram parte de sua história, abrindo espaço para discussões sobre os problemas sociais gerados, uma vez que estas reformas também implicaram na demolição de habitações e necessidade de famílias serem deslocadas para outros lugares da cidade. [...] A participação neste projeto foi uma experiência incrível que muito nos acrescentou. Entramos em contato com memórias e acontecimentos da história de Campinas, tema este que não é discutido nas escolas. Adquirimos uma visão ampla e diferenciada da história da cidade em que nascemos e vivemos.

Problematizações levantadas em torno de decisões tomadas no contexto dos processos de intervenções e reformas urbanas em Campinas conduziram a questionamentos do presente vivenciado pelas estudantes. Considerações sobre a forte presença da especulação imobiliária na cidade foram levantadas, assim como a percepção da ausência de um debate público mais próximo da população acerca de edificações e mesmo de áreas ambientais que deveriam ser objeto de uma política de preservação. A cidade tomada como eixo organizador de atividades associadas ao ensino da história se mostrou em sua potencialidade de ativar uma compreensão mais consistente da dinâmica das relações sociais no espaço urbano; trabalhar com a cidade pode propiciar a emergência de processos de educação das sensibilidades em relação ao reconhecimento da presença de uma diversidade de sujeitos, de interesses, de propostas, de modos de pensar no espaço urbano. Um espaço que se mostra complexo, multifacetado: “Espaços e lugares das cidades são habitados por experiências urbanas diversas atravessadas por um entrelaçamento de tempos. Momentos do passado pulsam no presente. Uma multiplicidade de memórias, das mais valorizadas e reconhecidas às mais recalcadas e sufocadas fazem parte das configurações do espaço urbano” (Hadler, 2020, p. 149).

Podemos afirmar que vivenciamos uma trajetória de educação de nossas sensibilidades na relação com as alteridades. Momentos do (re)conhecimento da existência de processos educativos que se constituem na cidade e a partir da cidade. Momentos em que o presente se apresentou atravessado por diferentes camadas temporais, desfazendo-se uma suposta linearidade de tempos.

Partilhamos das expectativas explicitadas pela historiadora Sonia Miranda (2021, p. 185) que nos assinala que “precisamos, acima de tudo, imaginar futuros a partir de nossa capacidade de olhar de modo complexo o presente vivido e, a partir daí, revisitar recortes significantes do passado à luz de cada tempo presente. Sempre de novo, de novo e de novo”.

Material suplementario
Referências
ALMEIDA, Juniele Rabêlo; MENESES, Sônia (Orgs.). História pública em debate: patrimônio, educação e mediações do passado. São Paulo: Letra e Voz, 2018.
CÔRTE, Andréa Telo da; et al. Como fazer a história local se tornar pública, e para quem? In: ALMEIDA, Juniele Rabêlo de; RODRIGUES, Rogério Rosa (Orgs.). História pública em movimento. São Paulo: Letra e Voz, 2021, p. 89-101.
GAGNEBIN, Jeanne Marie. Lembrar escrever esquecer. São Paulo: Editora 34, 2006.
GONÇALVES, José Reginaldo. Monumentalidade e cotidiano: os patrimônios culturais como gêneros de discurso. In: OLIVEIRA, Lucia Lippi (Org.). Cidade: história e desafios. Rio de Janeiro: Editora FGV/CNPq, 2002, p. 108-123.
GONÇALVES, José Reginaldo. Ressonância, materialidade e subjetividade: as culturas como patrimônios. Horizontes Antropológicos, v. 11, n. 23, p. 15-36, jan./jun. 2005.
HADLER, Maria Sílvia Duarte. Pensando outros caminhos de continuação do presente. In: PAULILO, André Luiz; HADLER, Maria Sílvia Duarte (Orgs.). História local & memória: política, cultura, identidades. Campinas: Unicamp; Centro de Memória, 2020, p. 141-163.
KOYAMA, Adriana de Carvalho. De fantasmagorias a alegorias: desafios da educação e(m) arquivos. In: MIRANDA, Sonia Regina; SIMAN, Lana Mara de Castro (Orgs.). Patrimônio no plural: educação, cidades e mediações. Belo Horizonte: Fino Traço Editora, 2017, p. 173-193.
MAUAD, Ana Maria; ALMEIDA, Juniele Rabêlo; SANTHIAGO, Ricardo (Orgs.). História pública no Brasil: sentidos e itinerários. São Paulo: Letra e Voz, 2016.
MAUAD, Ana Maria; SANTHIAGO, Ricardo; BORGES, Viviane Trindade (Orgs.). Que história pública queremos? São Paulo: Letra e Voz, 2018.
MIRANDA, Sonia Regina. A cidade desvelada num jogo de cartas: apontamentos sobre sensibilidades urbanas, fontes históricas e sua potência educadora no espaço escolar. In: KOYAMA, Adriana Carvalho; et al. (Orgs.). Memórias, narrativas e suas linguagens: arquivos, mídias e educação para outros devires. Campinas: FE/Unicamp, 2021, p. 180-200.
PACIEVITCH, Caroline. Experiências de ensino de história em diálogo com acervos documentais: criações na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. In: KOYAMA, Adriana Carvalho; et al. (Orgs.). Memórias, narrativas e suas linguagens: arquivos, mídias e educação para outros devires. Campinas: FE/Unicamp, 2021, p. 137-155.
SILVA, Bruna Amorim. Memória, patrimônio documental, preservação e difusão no Centro de Memória (Pôster). Campinas: Unicamp, 2020.
Notas

Imagem 1:
Estudantes trabalhando com encadernação no Laboratório de Conservação do CMU, em 2020
Fonte: Dados da pesquisa (2020).

Imagem 2:
Documento sob procedimentos de conservação
Fonte: Dados da pesquisa (2020).

Imagem 3:
Documento em processo de higienização
Fonte: Dados da pesquisa (2020).

Imagem 4:
Página inicial do catálogo seletivo elaborado pelas estudantes
Fonte: Dados da pesquisa (2020).
Buscar:
Contexto
Descargar
Todas
Imágenes
Visor de artículos científicos generados a partir de XML-JATS por Redalyc