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In parthenos inter filias regis: o episódio de Aquiles na corte de Licomedes em Excidium Troiae
Gelbart Souza Silva
Gelbart Souza Silva
In parthenos inter filias regis: o episódio de Aquiles na corte de Licomedes em Excidium Troiae
In parthenos inter filias regis: The episode of Achilles at the court of Lycomedes in Excidium Troiae
Classica - Revista Brasileira de Estudos Clássicos, vol. 38, pp. 1-9, 2025
Sociedade Brasileira de Estudos Clássicos
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Resumo: O presente trabalho apresenta a tradução do episódio da estadia de Aquiles na corte do rei Licomedes na obra latina Excidium Troiae (c. IV-VI d.C.). O texto trata da mitológica ocultação de Aquiles por sua mãe, Tétis, que o disfarça como mulher entre as filhas de Licomedes. Embora anônima, Excidium Troiae sugere influência de fontes clássicas e pode ter sido uma compilação medieval baseada em textos anteriores. Partindo da edição fornecida por Atwood e Whitaker (1971), a tradução para o português visa a tornar acessível uma obra ainda pouco conhecida da academia brasileira.

Palavras-chave: Mitologia, Guerra de Troia, Excidium Troiae, Aquiles.

Abstract: The present article presents the translation of the episode of Achilles’ stay at the court of King Lycomedes in the Latin work Excidium Troiae (c. 4th-6th centuries AD). The text addresses the mythological concealment of Achilles by his mother, Thetis, who disguised him as a woman among Lycomedes’ daughters. Although anonymous, Excidium Troiae suggests the influence of classical sources and may have been a medieval compilation based on earlier texts. Drawing on the edition provided by Atwood and Whitaker (1971), the Portuguese translation aims to make this work, still little known in Brazilian academia, more accessible.

Keywords: Mythology, Trojan War, Excidium Troiae, Achilles.

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Traduções

In parthenos inter filias regis: o episódio de Aquiles na corte de Licomedes em Excidium Troiae

In parthenos inter filias regis: The episode of Achilles at the court of Lycomedes in Excidium Troiae

Gelbart Souza Silva
Universidade Estadual Paulista - UNESP/IBILCE - São José do Rio Preto - SP - Brasil, Brasil
Classica - Revista Brasileira de Estudos Clássicos, vol. 38, pp. 1-9, 2025
Sociedade Brasileira de Estudos Clássicos

Recepción: 08 Abril 2023

Aprobación: 22 Agosto 2025

Aquiles, o lendário guerreiro grego imortalizado por Homero na Ilíada, é conhecido por sua bravura na Guerra de Troia. No entanto, antes de sua gloriosa carreira militar, o herói viveu um episódio curioso, que não consta da obra homérica. Reza a mitologia que sua mãe, a ninfa Tétis, preocupada com o destino do filho, vestiu-o com trajes femininos e escondeu-o entre as filhas de um rei chamado Licomedes. É a esse episódio, de um Aquiles travestido de mulher, que se dedica o recorte aqui traduzido e comentado de Excidium Troiae.

A anônima Excidium Troiae é uma obra da prosa latina de teor mitológico, provavelmente composta como nos chegou entre os séculos IV e VI d.C.1 Seu conteúdo abarca desde o casamento de Peleu e Tétis até o reinado de César Augusto. Quanto ao seu gênero, Atwood e Whitaker (1971, p. xviii), considerando a possibilidade de Excidium Troiae ter retirado seu relato de um precedente grego, afirmam que sua forma em latim “foi quase certamente concebida como um manual para a instrução dos jovens”.2 Na mesma linha, Bate (1986apud Yavuz, 2014, p. 161) considera que o material encontrado nessa obra serviria de subsídios educacionais para as gerações sucessivas. Colaboram para essa opinião as regressões3 e expressões explicativas (por exemplo, Quid multa?, Redeamus ad causam e dicere habes), as quais estabelecem uma organização na obra diferente da esperada para um texto puramente de fruição, ou de teor poético.

A maior parte de Excidium Troiae encontra paralelos nas fontes clássicas (Atwood; Whitaker, 1971, p. xi-xii), mas quase nenhuma conexão com obras tardias, como as crônicas troianas de Díctis e Dares. Acresce a notícia de Abrantes (2015, p. 37-8) a respeito de Excidium Troiae apresentar cenas não encontráveis em outras fontes, como o certame entre Marte e um dos touros de Páris, passagem que justifica a idoneidade do pastor e sua capacidade de desempenhar o papel de juiz na disputa entre as deusas.4

Para Atwood e Whitaker (1971, p. xiii), forçosamente se deve considerar que essa obra anônima teria sido uma redação posterior de uma mais antiga crônica latina de tema troiano, em tempos clássicos, cujo autor latino “original” teria se baseado diretamente em fontes gregas. Corrobora para essa afirmação o suposto “sabor grego” na linguagem da obra (Atwood; Whitaker, 1971, p. xvi).

Abrantes (2017, p. 77) entende ainda que nem de uma mesma lavra seria essa redação, mas de pelo menos duas fontes diferentes derivaria essa compilação, haja vista, por exemplo, “um mesmo herói ser chamado Odisseus na primeira parte mas Ulixes na segunda”. Atwood e Whitaker (1971, p. xiv) acrescentam que o conhecimento demonstrado concernente à literatura antiga dificulta a afirmação de que seja, de fato, um texto medieval. Não obstante, pode ter sofrido alterações ou sido compilado então já na Idade Média com base em fontes anteriores (Abrantes, 2017, p. 77), conservando uma temática já há muito de interesse e gosto do público. Quanto à sua transmissão e recepção, é curioso observar com Yavuz (2014, p. 163-4) que Excidium Troiae se situava ao lado de obras consideradas “históricas”, e isso se deve à noção de “herança troiana”, iniciada no uso poético-político-cultural virgiliano do mito de fundação romano.

Quanto ao episódio selecionado para a tradução, os editores Atwood e Whitaker (1971) são da opinião de que essa parcela, em linhas gerais, aponta para Estácio como fonte. No entanto, não parece, afirmam ainda, ter sido diretamente baseado na Aquileida. Outras fontes latinas que contam o episódio são Ovídio, nas Metamorfoses (XIII, 161-70), e Higino, nas Fábulas (96). Quanto aos textos gregos, vale mencionar Apolodoro e Filóstrato.5 Os tragediógrafos Sófocles e Eurípides teriam escrito duas obras cujo tema seria a estadia de Aquiles em Ciro.6 Há outras menções do episódio na literatura antiga, bem como atestação de certa predileção por esse episódio da juventude de Aquiles na arte imagética, a exemplo de representações em sarcófagos romanos (cf. Giraud, 2006; Lexicon Iconographicum Mythologiae Classicae, I, p. 37-65).

Por fim, a tradução que segue, inédita em nossa língua, é anotada e comentada, focalizando aspectos textuais e intertextuais, com o fito de construir um mínimo de erudição para o leitor. Assume-se como base a edição fornecida por Atwood e Whitaker (1971, p. 9-10). A versão em português procura manter uma leitura sem um grande afastamento da língua latina, embora essa decisão pese na fluidez.7 O objetivo é, pois, fornecer um primeiro texto em português para que se possa cotejar e estudar a obra original. Com isso, busca-se fornecer mais subsídios para o estudo da transmissão do mito troiano e da tradição e recepção clássicas em linha histórica.

Texto latino e tradução




Material suplementario
Información adicional

redalyc-journal-id: 6017

ABRANTES, Miguel Rúben Faria de Carvalho. Porque foi Páris escolhido para julgar as deusas? A resposta do Excidium Troiae. Boletim de Estudos Clássicos, n. 62, p. 75-82, 2017. DOI: https://doi.org/10.14195/2183-7260_62_4.
ABRANTES, Miguel Rúben Faria de Carvalho. Temas do Ciclo Troiano. Contributo para o estudo da tradição mitológica grega. 2015. Dissertação (Mestrado em Estudos Clássicos) – Programa de Pós-Graduação em Culturas e Literaturas Clássicas, Universidade de Coimbra (Portugal), Coimbra, 2015. Disponível em: https://estudogeral.uc.pt/bitstream/10316/30118/1/Temas%20do%20Ciclo%20Troiano.pdf. Acesso em: 18 jul. 2024.
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YAVUZ, N. Kıvılcım. Late Antique Accounts of the Trojan War: A Comparative Look at the Manuscript Evidence. Pecia, v. 17, p. 149-170, 2014.
Notas
Notas
1 Para discussão sobre autoria, datação e evidências de manuscritos, cf. Yavuz (2014).
2 Texto original: “was almost certainly intended as a handbook for the instruction of the young”.
3 É o caso, por exemplo, do fim do episódio aqui traduzido. Depois de narrar que Aquiles partira para Troia e fora recebido honrosamente por Menelau e Agamêmnon, o texto latino promove uma regressão com uma expressão organizacional: Et dicere habes: quare Achilles inter virgines inventus est? (“E te deves questionar: por que Aquiles se encontrava entre as virgens?”), depois começa a relatar a infância do herói.
4 A tradução do episódio do julgamento de Páris se encontra em Silva (2023).
5 No texto sobre os heróis, mas há uma descrição também de Calístrato.
6 Também grafada como Esquiro.
7 Por exemplo, busca-se usar o paradigma distintivo de segunda pessoa “tu” e “vós”, embora a tendência brasileira pareça ser o uso das formas de terceira.
8 A saber, Helena.
9 A saber, Páris.
10 Esse episódio, o pomo da discórdia, é narrado em trecho precedente em Excidium Troiae e constitui sequência do casamento de Peleu e Tétis, cena que abre a obra.
11 Também narrado anteriormente. Segue o trecho em latim: iste Paris filius fuit Priami regis Troianorum, de Hecuba regina natus; quem dum regina adhuc pregnans in utero haberet - per somnium vidit se peperisse flammam, que totam Troiam circuit et eam incendit. O sonho de Hécuba é muito conhecido e remontaria a Píndaro, em um de seus fragmentos (Peã VIIIa), provavelmente expressando a voz de Cassandra no momento da partida de Páris do palácio troiano rumo à Grécia: “Cronida de ampla visão, cumprirás(?)... / os sofrimentos aporcionados ... / quando a vitória Hécuba ... Dardanida / ... certa vez a visão em suas entranhas, / quando carregava este varão; pois parecia / dar à luz o portador do fogo,...” (ρ[ύ]οπα Κρονίων τέλεῖς σ̣ / πεπρωμέναν πάθαν ἁ[ / νίκα Δαρδανίδαις Ἑκάβ[ /..] ποτ’ εἶδεν ὑπὸ σπλάγχ[νοις / φέροισα τόνδ’ ἀνέρ’. ἔδοξ̣[ε γὰρ / τεκεῖν πυρφόρον ἐρι[ /; Delfito, 2020, p. 36; grifo nosso). A Ilíada, porém, não menciona essa visão (Werner, 2021, p. 583). Em Higino, do fogo que Hécuba via, em sonhos, parir, saíam muitas serpentes. Para outras variantes, veja-se Ruiz de Elvira (1982, p. 399-400).
12 Essa expressão e outras, como “Quid multa?” e “dicere habes”, indicam certo cariz didático da obra, o que leva os críticos a entenderem Excidium Troiae como um manual sobre a mitologia romana. Qualifico “romana” porque a última parte, síntese da fundação de Roma, manifesta sua vertente mais virgiliana ao ligar a grande urbe a Troia. Contudo, vale recordar que o texto latino que apresentam Atwood e Whitaker (1971) provavelmente, como eles apontam passim, seria uma reelaboração medieval de um texto latino anterior. Explica De Marco (1956, p. 47) que, uma vez considerado útil para formação cultural, o copista que remanejou o texto inseriu de sua lavra perguntas que chamam a atenção do leitor para o conteúdo seguinte. Esse expediente de formulação não aparece em R, em que a narração corre livre, a qual também apresenta outras discrepâncias em relação ao que apresentam Atwood e Whitaker.
13 O status de Helena parece ser legitimado neste ponto. Para mais, veja Roisman (2006). Na crônica troiana de Dares, por exemplo, Príamo concede Helena como “cônjuge” a Páris Alexandre (Helenam maestam consolatus est, et eam Alexandro coniugem dedit, De excidio Troiae historia, XI).
14 Apolodoro (III, 13.8) atribui a Calcas a profecia sobre Aquiles, que fora direcionada a Tétis.
15 In parthenos significa “na forma/semelhança de virgem”. Segundo as notas críticas dos editores, a construção se repete em outros momentos na obra e há usos análogos dessa colocação em Virgílio (Eneida, XI, 771: in plumam) e em Tácito (Anais, VI, 42: in barbarum). Na tradução, opta-se por “donzela”, para se contrapor aos usos de virgo.
16 Em latim, vel, termo que, no período clássico, é advérbio e conjunção com caráter prioritariamente alternativo e disjuntivo. Contudo, no Latim Medieval (cf. Strecker, 1680, p. 65; Sidwell, 1995, p. 397; Harrington; Pucci, 1997, p. 36; Norberg, 2007, p. 25), funcionava como conjunção aditiva. No texto de Excidium Troiae, no trecho acima, é esta última a interpretação adequada.
17 Sobre o travestimento de Aquiles, veja-se especialmente Heslin (2005).
18 Veja-se o texto de Aquileida (I,318-337) e a explicação de Moreira (2014).
19 Em Apolodoro (III, 13,8), toca-se especificamente a salpinx (σάλπιγγι χρησάμενος εὗρε); em Higino (XCVI), é também a tuba (et subito tubicinem iussit canere), mas nem em um ou em outro indica que fora Diomedes o tocador. Em Estácio, refere-se, de início, apenas Ulisses: Dulichia proferre tuba; mas depois nomeia o trombeteiro a comando do itacense, cujo nome era Agirte: (...) [Achilles] Iam pectus amictu /laxabat, cum grande tuba sic iussus Agyrtes / insonuit (I, 874-876; “[Aquiles] já sobre o peito a veste soltava, quanto (como ordenado) fez soar a grande tuba”).
20 Interessante notar que o calçado aqui descrito é tipicamente romano. Segundo o dicionário Faria (versão online), é um sapato com atacadores (usados principalmente pelos soldados rasos romanos), do qual depois deriva caligatus, “soldado raso”, o que seria relativo anacronismo. Ademais, concernente ao tópico do monosandalo, veja-se Chrétien (2018).
21 Pirro, chamado também Neoptólemo (Cf. Apolodoro, Biblioteca, III, 13,8). Seu primeiro nome derivaria da alcunha assumida por Aquiles quando travestido de mulher, Pirra. Higino assim explica que “chamaram [Aquiles] Pirra, já que era de cabelos dourados e, em grego, ruivo se diz pyrrhon” (Pyrrham nominarunt, quoniam capillis flavis fuit et Graece rufum “pyrrhon” dicitur). Seu segundo nome, a considerar o Heroico de Filóstrato, deriva da impetuosidade demonstrada por Aquiles, de seu o espírito jovem: Νεοπτόλεμος ὀνομασθεὶς τοῦτο διὰ νεότητα τοῦ Ἀχιλλέως.; como explica Brandão (2014), o nome seria a junção de formas néos e pólemos cujo conjunto se entenderia “jovem guerreiro”. Sói aos textos míticos não precisar a passagem temporal, mas Ruiz de Elvira (1982, p. 344), baseando-se no dado de Apolodoro, afirma que a estadia de Aquiles em Ciros deve ter durado, no mínimo, seis ou sete anos, visto que, quando Calcas fez o anúncio profético a Tétis, o Pelida contava nove anos (ὡς δὲ ἐγένετο ἐνναετὴς Ἀχιλλεύς; Apolodoro, Biblioteca, III, 13,8).
22 Cf. Estácio, Aquileida, I, 907 e sequência.



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