Seção Temática
Textos latinos na sala de aula: propostas do projeto Vocabulário Político da Antiguidade
Latin texts in the classroom: proposals from the Political Vocabulary of Antiquity Project
Textos latinos na sala de aula: propostas do projeto Vocabulário Político da Antiguidade
Classica - Revista Brasileira de Estudos Clássicos, vol. 38, pp. 1-20, 2025
Sociedade Brasileira de Estudos Clássicos
Recepción: 08 Octubre 2025
Aprobación: 03 Diciembre 2025
Resumo: O projeto Vocabulário Político da Antiguidade: reflexões para o exercício da cidadania iniciou-se em 2016 na UFPB e continua ativo, acumulando experiências no ensino da Antiguidade e desenvolvendo materiais didáticos para a discussão de questões políticas em sala de aula. O projeto baseia-se em uma perspectiva interdisciplinar, alinhando conhecimentos de Letras Clássicas e História Antiga e da integração entre pesquisa, ensino e extensão. Neste artigo, nosso objetivo é apresentar como os textos latinos de Cícero e César foram traduzidos pela equipe do projeto e também os materiais didáticos criados a partir dessas traduções e aplicados em escolas da educação básica.
Palavras-chave: Ensino de História Antiga, Tradução, Latim, Formas de governo.
Abstract: The project Political Vocabulary of Antiquity: reflections for the exercise of citizenship began in 2016 at UFPB and continues to be active, accumulating experience in teaching Antiquity and developing teaching materials for discussing political issues in the classroom. The project is based on an interdisciplinary perspective, aligning knowledge of Classical Literature and Ancient History with the integration of research, teaching, and extension. In this paper, our goal is to present how the Latin texts of Cicero and Caesar were translated by the project team, and also the teaching materials created from these translations and applied in primary and secondary schools.
Keywords: Teaching of Ancient History, Translation, Latin, forms of Government.
O projeto Vocabulário Político da Antiguidade: reflexões para o exercício da cidadania, doravante apenas Vocabulário Político da Antiguidade, foi criado em 2016 na Universidade Federal da Paraíba (UFPB) com professores e alunos dos cursos de graduação em Letras Clássicas e História e que ainda continuam em atividade, produzindo diversos materiais didáticos baseados em autores gregos e latinos, cuja proposta de tradução é voltada para o público em idade escolar. O projeto é realizado no âmbito do Prolicen (Programa de Apoio às Licenciaturas) que tem o intuito de fortalecer a formação inicial dos licenciandos, numa perspectiva de integração entre pesquisa, ensino e extensão, priorizando o primeiro contato dos licenciandos com a sala de aula da educação básica. A qualidade do nosso projeto foi reconhecida institucionalmente por meio da premiação no ENID (Encontro de Iniciação à Docência) nos anos de 2019, 2023 e 2024.
Nesse sentido, nosso principal objetivo é a produção de materiais didáticos que auxiliem professores da educação básica nas aulas de História Antiga, ou de qualquer outra disciplina ou componente que trabalhe aspectos da Antiguidade, a partir de discussões sobre política. Por isso, o material produzido é disponibilizado gratuitamente em nosso site e divulgado amplamente nas redes sociais.1 Ademais, a equipe do projeto visita escolas da cidade de João Pessoa e arredores para aplicar os resultados da pesquisa, estabelecendo um diálogo contínuo entre universidade e escola pública,2 exercendo assim a extensão universitária. O resultado disso é um material atrativo que permite, ao mesmo tempo, estudar História Antiga numa perspectiva política e que alunos do ensino fundamental e médio tenham o primeiro contato com textos originais em grego e latim.3
Vocabulário Político da Antiguidade foi idealizado pelos professores Priscilla Gontijo Leite (História/UFPB) e Lucas Consolin Dezotti (Clássicas/UFPB), tendo como premissa a interdisciplinaridade como elemento central nos estudos a respeito do Mundo Antigo. Eles são os coordenadores do projeto, composto por alunos da Licenciatura em História ou Letras Clássicas. Já em 2024, o professor Félix Jácome Neto (Clássicas/UFPB) passou a integrar a coordenação e também passamos a contar com a participação de alunos do Mestrado. Além disso, é importante destacar que os egressos que participaram do projeto e que hoje atuam nas escolas da Paraíba utilizam nosso material em sua prática docente.4 A longevidade do projeto, de fato, demonstra a importância da continuidade de ações voltadas para pensar maneiras inovadoras de ensino da Antiguidade.
Diante da diversidade da produção realizada pelo projeto, neste artigo nos concentraremos nas pesquisas realizadas entre 2021 e 2025, com foco nos autores latinos, especialmente Cícero e César. Dessa forma, o artigo será composto por uma breve introdução do projeto, seguida da apresentação de jogos criados a partir da tradução da República, de Cícero; depois, dos desafios da tradução dos Comentários sobre a Guerra da Gália, de César; e, por fim, apresentaremos nossas conclusões ressaltando que o diálogo entre Antiguidade e Contemporaneidade é profícuo no estímulo a uma educação pautada em valores democráticos e cidadãos.
Novas perspectivas para o ensino da Antiguidade
A criação do Vocabulário Político da Antiguidade em 2016 foi motivada pela voz das ruas, em um momento em que se multiplicavam manifestações políticas no Brasil. O que mais nos alarmava era o tom das severas críticas à democracia,5 com a defesa de que algumas camadas da população não deveriam votar, bem como os pedidos de volta da ditadura militar ou da monarquia, com um governo sob a liderança dos herdeiros da família de Bragança.6 Em qualquer que seja a situação, o pedido pelo fim da democracia nos deixava consternados, afinal, para nós que crescemos após a constituição de 1988, até então era inconcebível um retrocesso que alterasse em definitivo a forma de regime.7 Nossa resposta a essa situação foi buscar desenvolver um ensino que valorizasse a autonomia, o raciocínio crítico, o desenvolvimento de uma cidadania ativa, seguindo, também, as premissas de Paulo Freire, que era igualmente duramente criticado por alguns segmentos da sociedade.
Diante desse quadro, passamos a indagar como palavras corriqueiras da esfera política, como “democracia”, “república”, “ditadura”, possuem diferentes sentidos nas diversas camadas da sociedade. Afinal, a concepção de democracia de uma pessoa que pede a volta da ditadura é bem diferente daquela que a defende. Portanto, quais seriam os sentidos de democracia, república e ditadura que circulavam nessas manifestações? Soma-se ainda o cenário de rápida propagação de conhecimentos distorcidos e notícias falsas, o que torna ainda mais urgente que os cidadãos tenham um raciocínio crítico. Numa tentativa de contribuir para a reversão desse quadro por meio da educação, por considerarmos que a escola é uma parte integrante da constituição da cidadania, voltamos nossos esforços para pensar em uma forma de trabalhar com esses conceitos em sala de aula, aliando problemas do passado e do presente, uma vez que uma grande parte das palavras do campo político são originárias de termos gregos e latinos. Dessa forma, a aproximação entre Antiguidade e Contemporaneidade é um eixo estruturante do projeto.
Essa aproximação não entende a Antiguidade como um “modelo” a ser seguido, mas adota a perspectiva de Castoriadis (2002, p. 280), considerando-a um gérmen. Desse modo, a Antiguidade pode servir de inspiração na construção de nossas próprias soluções para os dilemas contemporâneos. Além disso, alinhamo-nos à interpretação de Dabdab Trabulsi (2016), segundo a qual há um “reservatório de atualidade” no passado clássico que deve ser colocado à disposição da sociedade.8 Portanto, ao mesmo tempo em que se busca facilitar o acesso ao conhecimento sobre o Mundo Antigo, o material produzido pelo projeto tem por objetivo fomentar reflexões e críticas pertinentes acerca da política atual.
Outro fator motivador para o começo do Vocabulário Político da Antiguidade foram as mudanças na educação básica decorrentes da aprovação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), iniciada em 2015, e da Reforma do Ensino Médio de 2017, que amplia a carga horária total do ensino médio com a introdução de percursos formativos. Também ocorreram diversas mudanças na estrutura das licenciaturas a partir da BNC-formação e das Resoluções CNE/CP 07/2018 e CNE/CP 04/2024. Esse conjunto de mudanças igualmente nos fez refletir a respeito do ensino da Antiguidade.
A primeira versão da BNCC, divulgada em 2015, versava apenas sobre o ensino fundamental, sendo a proposta para a disciplina de História a que sofreu maiores críticas. Isso porque estava centrada na história do Brasil a partir de 1500, o que resultou na exclusão dos conteúdos de História Antiga e Medieval. Os especialistas dessas áreas rapidamente reagiram, ressaltando a relevância desses conteúdos para a formação na educação básica, tanto por sua contribuição ao desenvolvimento do raciocínio histórico quanto por sua importância na compreensão das transformações do mundo e no fortalecimento do ensino da alteridade. Entretanto, não apenas houve reação dos especialistas, e setores mais conservadores da sociedade brasileira também defenderam a manutenção da História Antiga, sobretudo por associarem Grécia e Roma ao berço da chamada “civilização ocidental”.
De fato, os conteúdos de História Antiga e Medieval retornaram para a segunda versão da BNCC do ensino fundamental e permaneceram na terceira e última versão com poucas alterações restritas ao sexto ano.9 Infelizmente, o que se observa é a manutenção de uma História Antiga tradicional, ainda desconectada das pesquisas acadêmicas brasileiras. Ademais, a restrição ao sexto ano faz com que o conteúdo de História Antiga seja discutido em um momento em que o aluno ainda não tem uma noção formada sobre o tempo, apresentando dificuldade de abstração para temporalidades recuadas. Dessa forma, o professor enfrenta diversos desafios: ensinar vários conceitos, ampliar a noção de tempo do alunado e trabalhar com os conteúdos que são espacialmente e temporalmente distantes dos alunos brasileiros.
Por sua vez, a BNCC do Ensino Médio trabalha na perspectiva de áreas e não de disciplinas. A História, em conjunto com a Filosofia, a Geografia e a Sociologia, compõe a denominada área de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas, que é organizada a partir de problematizações de categorias. Na categoria “Política e Trabalho”, a Antiguidade Clássica, em particular a Grécia Antiga, é um dos principais motes para o ensino da política, que é conectada à Filosofia, e à valorização das ideias em torno da pólis, da teoria das formas de governo, da retórica, trazendo um alinhamento que claramente valoriza uma idealização da política no campo da Filosofia, mais do que propriamente experiências políticas do Mundo Antigo. Tem-se uma reafirmação de uma perspectiva monolítica e conservadora, que desconsidera os contatos entre diferentes grupos tanto na formação da filosofia quanto nas variadas experiências políticas vividas na Grécia Antiga: democracias, oligarquias, tiranias etc.
A política é entendida enquanto ação e inserção do indivíduo na pólis, na sociedade e no mundo, incluindo o viver coletivo e a cidadania. As discussões em torno do bem comum e do público, dos regimes políticos e das formas de organização em sociedade, as lógicas de poder estabelecidas em diferentes grupos, a micropolítica, as teorias em torno do Estado e suas estratégias de legitimação e a tecnologia interferindo nas formas de organização da sociedade são alguns dos temas que estimulam a produção de saberes nessa área.
A política está na origem do pensamento filosófico. Na Grécia Antiga, o exercício da argumentação e a discussão sobre os destinos das cidades e suas leis estimularam a retórica e a abstração como práticas necessárias para o debate em torno do bem comum. Esse exercício permitiu ao cidadão da pólis compreender a política como produção humana capaz de favorecer as relações entre pessoas e povos e, ao mesmo tempo, desenvolver a crítica a mecanismos políticos como a demagogia e a manipulação do interesse público. A política, em sua origem grega, foi o instrumento utilizado para combater os autoritarismos, as tiranias, os terrores, as violências e as múltiplas formas de destruição da vida pública. (Brasil, 2018, 567, grifos nossos)
De toda forma, a discussão sobre a(s) BNCC(s) impulsionou a área de História Antiga a pensar de maneira mais sistemática questões relativas ao ensino, com a proposição de materiais didáticos e a criação de experimentos, almejando dialogar de forma mais direta com a realidade brasileira.10
O Vocabulário Político da Antiguidade é uma dessas iniciativas e, mesmo com o foco na teoria das formas de governo – um assunto que para alguns pode ser considerado ultrapassado, mas que a própria BNCC sugere imprescindível – nos concentramos em maneiras de tornar a discussão sobre política mais interessante para os jovens, de modo que eles reflitam sobre a esfera política e possam participar do debate público de maneira mais qualificada.
Ao longo dos anos de 2016 a 2018, o projeto se dedicou à tradução de trechos das obras de Heródoto (484-425 AEC), Aristóteles (384-322 AEC), Políbio (203-120 AEC) que continham a definição dos principais regimes políticos. Em paralelo à tradução, fizemos pesquisas sobre os autores, suas obras e a experiência política grega. O nosso intuito era a construção de um texto equilibrado tanto para a área de História quanto para a de Letras Clássicas, e que, ao mesmo tempo, se mostrasse adequadamente aplicável em contextos de ensino da educação básica.
A tradução foi realizada em reuniões semanais, estruturadas de maneira coletiva e dialógica.11 A participação de discentes das duas licenciaturas permitiu a eles um aprofundamento no entendimento da fonte, mediado por debates, por vezes intensos, acerca das escolhas lexicais e das demais complexidades inerentes ao processo de tradução. Isso, por outro lado, também possibilitou um maior engajamento dos estudantes de História, que se sentiam estimulados a conceber novas estratégias pedagógicas para ensinar o que era debatido nas reuniões.
O material resultante foi consolidado em um e-book, publicado em 2019 (Leite; Dezotti, 2019), disponibilizado em livre acesso tanto no site da editora quanto no site do projeto. Optamos por esse formato por permitir uma maior acessibilidade, uma vez que nosso principal intuito era sua utilização por um grande número de professores. Atualmente, com base em relatos dos professores, verifica-se que nosso objetivo foi alcançado, e que ainda fomos além, atingindo um público adicional, pois constatou-se a incorporação do material em diversos planos de cursos de História Antiga. Dessa forma, o e-book pode ser utilizado em diferentes níveis e contextos formativos.
Em linhas gerais, o material é composto por informações introdutórias sobre a vida e a obra do autor clássico e seu contexto histórico, detalhando os eventos considerados mais importantes para a compreensão do pensamento do autor. Em seguida, apresenta-se uma série de fichas de leitura, organizadas segundo um roteiro padrão, constituído pelas seguintes seções: fonte textual; vocabulário; comentário; e tópicos para discussão.
O e-book serviu de base para a elaboração de diversos planos de aula e jogos pedagógicos, aplicados nas escolas de João Pessoa e arredores nos anos subsequentes.12 Em paralelo, iniciou-se a concepção de um segundo volume, desta vez, voltado aos autores latinos, aproveitando a experiência bem-sucedida com os autores gregos. O projeto de tradução encontra-se em andamento desde 2020, tendo seu cronograma inicial impactado pelos efeitos da pandemia da COVID-19. Para o volume dos autores latinos, o projeto optou-se por focar em Cícero (106-43 AEC), com a obra De Republica; César (100-44 AEC), com De Bello Gallico; e Salústio (86-34 AEC), com De Coniuratione Catilinae. A escolha dessa tríade fundamentou-se na oportunidade de analisar o conturbado período do final da República Romana.
A respeito de Cícero, nossa pesquisa avançou bastante, e já temos uma tradução pronta e previamente disponibilizada no site. Contudo, ainda estamos realizando a tradução de César e esperamos, na sequência, iniciar os estudos sobre Salústio. Nas próximas seções, apresentaremos os resultados das pesquisas a respeito de Cícero e César.
Cícero, constituição mista e as formas de governo
Para o volume dedicado aos autores latinos, iniciamos com o estudo do orador Cícero e de sua obra De Republica, por vários motivos: a presença recorrente de referências ao orador na cena pública brasileira; a articulação com as formas de governo descritas por Aristóteles e Políbio, já analisados anteriormente;13 a definição de república “como coisa do povo”, frequentemente retomada no cotidiano e nos livros didáticos; e a importância de Cícero para a sistematização de categorias de análise política na tradição latina.
Sobre o primeiro ponto, a obra de Cícero ganhou ampla repercussão no noticiário nacional em dezembro de 2015, com a deflagração de um dos desdobramentos da Operação Lava Jato, denominado Operações Catilinárias. Naquele momento, a população em geral buscava entender o significado do termo “Catilinárias”, alusivo aos discursos nos quais Cícero acusa Catilina de conspiração e tentativa de subversão da república (Leite, 2018, 240-2). Tal episódio proporcionou a vários especialistas espaço na mídia, conferindo visibilidade aos Estudos Clássicos.
Mais recentemente, a figura de Cícero voltou a ser evocada durante a sustentação oral de um dos advogados de defesa do “núcleo 1” da tentativa de golpe de Estado, que culminou na invasão e depredação da sede dos poderes da República em Brasília, em 8 de janeiro de 2023. Na ocasião, o advogado de defesa do ex-ministro da Defesa Paulo Sérgio Nogueira, que durante o julgamento usou de várias referências literárias na sua retórica, logo nos primeiros 5 minutos da sustentação oral, fez uma menção ao orador romano:
E aqui é impossível não se recordar, eminente ministro Dino, eu me lembro do da graduação, da época da graduação, eminente ministra Carmen. E aí a gente empolgado e os professores falavam da defesa de Cícero e tem aquela clássica defesa de Cícero que dizia: “Uma coisa é mal dizer, outra é acusar”. A maledicência não tem outro propósito senão a contumélia. E com as mais respeitosas vênias, o general Paulo Sérgio acabou sendo enredado em uma contumélia, [...]14(grifos nossos)
É muito provável que o advogado esteja se referindo ao discurso Em defesa de Célio (Pro Caelio), no qual Cícero distingue a mera difamação de uma acusação formal, a qual exige, de fato, a apresentação de provas.
Tais calúnias, aliás, são frequentes entre todos aqueles cuja imagem e aparência na juventude foram de formosura. Mas uma coisa é maldizer, outra é acusar. Uma acusação pressupõe um crime, um processo para definir a causa, para marcar um homem, para o demonstrar através de provas, para o confirmar com testemunhas; inversamente, a calúnia não tem outro objetivo senão a injúria, a que, quando lançada com petulância, chamamos insulto, quando com humor, gracejo. (Cícero. Em defesa de Célio, III.6; tradução de Sara Maurício, grifos nossos)
Esses dois exemplos demonstram como a menção a Cícero ocorre de tempos em tempos e serve para indicar – ou, antes, para aparentar indicar – um certo grau de erudição por parte dos agentes envolvidos, mais do que propriamente um apreço genuíno pela obra do orador.
Assim, torna-se evidente a relevância de ampliar o ensino sobre Cícero no ambiente escolar, cuja pertinência foi confirmada pelas atividades desenvolvidas pelo Vocabulário Político da Antiguidade entre 2023 e 2025.15 Um episódio ilustrativo – e, para nós, um tanto cômico – ocorreu durante a exposição das teorias de Aristóteles, Políbio e Cícero sobre as formas de governo, quando um estudante do 6º Ano de uma escola estadual, em tom espontâneo, exclamou: “Esse Cícero é um copião!”. Para ele, Cícero teria “copiado” as ideias de Aristóteles; nós, porém, entendemos que ele estava usando a linguagem que tinha ao seu alcance, a de um jovem de 11 anos, para relacionar esses três autores da Antiguidade.
Para a preparação da tradução De Republica, foi utilizado o texto em latim estabelecido por Mueller (1890), que se encontra em domínio público. Também consultamos a tradução de Maia Junior (2016). Mantivemos nosso método da tradução coletiva, acompanhado de uma discussão aprofundada de termos-chave previamente selecionados. Nesse processo, traduzimos os trechos 1.39-42, 1.47, 1.48, 1.50, 1.51, 1.53-55, 1.69-70.
Durante a tradução, foi perceptível a proximidade com a Política de Aristóteles, aspecto destacado nos comentários, assim como a polissemia do vocábulo res publica, que, por vezes, se refere ao próprio regime político romano e, em outras ocasiões, assume um sentido mais amplo, relacionado à constituição (regime político), aproximando-se da proposta de politeia do filósofo grego.
Ademais, a tradução de determinados termos revelou-se particularmente desafiadora, exigindo um aprofundamento de nossa reflexão, tais como consilium e civitas. O primeiro apresenta uma variação de sentidos, podendo significar tanto uma decisão ou uma deliberação (dar um conselho) quanto o grupo de pessoas que decide (participar de um Conselho). Optamos, sempre que possível, traduzir por “conselho”, cuja polissemia em português guarda correspondência com o latim. Quanto à palavra civitas, a tradução variou entre “sociedade” e “cidadania”, conforme o contexto, a fim de garantir maior fluidez na leitura dos jovens. Alguns outros termos que ganharam destaque em nossa análise, e que compõem a seção vocabulário, foram: constitutio, imperium, suffrragium, magistratus, iux, lex, populus.
A análise minuciosa dos termos possibilitou a proposição de traduções alternativas em relação às já difundidas. Um exemplo encontra-se na passagem 1.39, Res publica res populi, que costuma ser traduzida como “a coisa pública é a coisa do povo”, tradução que apresenta o problema de diluir em demasia o sentido de res. Para os romanos, o termo res possuía tanto um sentido concreto, relacionado a bens materiais, patrimônio, quanto um sentido abstrato, ligado ao conjunto de interesses e assuntos de alguém. Assim, para o cidadão romano, a Res publica era algo que dizia respeito ao povo. Cícero, nessa passagem, também afirmava que o povo não era somente o ajuntamento de pessoas, mas um agrupamento sistematizado e organizado. Nesse sentido, acreditamos que uma tradução mais clara para jovens estudantes seria: “República é o interesse do povo”. Com isso, queremos destacar a ideia de que a república abarca o conjunto dos interesses da população. Para o orador, nesse regime político o que se sobressai não era o interesse de um grupo específico – seja ele numeroso, como os pobres, ou mais restrito, como os ricos –, mas sim o interesse comum de todos aqueles que constituem o povo, sua total integralidade, sejam ricos ou pobres.

No ano de 2022, lançamos uma versão prévia reunindo nossas pesquisas sobre Cícero (Leite; Dezotti, 2022). O volume é composto por uma breve introdução à obra, na qual se contextualiza o diálogo imaginado para discutir as formas de governo; uma apresentação do elenco de personagens; textos informativos sobre cidadania em Roma, magistraturas romanas, patrícios, plebeus e nobilitas; além de um texto sobre os irmãos Graco e outro sobre o uso da palavra “escravo” no contexto romano. O volume ainda inclui a tradução dos trechos selecionados, o vocabulário com palavras em latim e seu significado, e os comentários dos respectivos trechos.
Esse volume serviu de base para a elaboração do plano de aula “Sociedade Romana: patrícios, clientes, plebeus e escravos”, composto por slides, um texto informativo e uma atividade de caça-palavras com termos em latim e em português referentes à sociedade romana. Nessa aula, aproveitamos a oportunidade para destacar a palavra “escravo”, apresentando o sentido de servus e a posterior incorporação do termo de slav nas línguas europeias.

Também foi elaborado um plano de aula sobre a estrutura institucional romana, com ênfase nos comícios e nas magistraturas. Para essa aula, foi criada uma atividade de jogo de cartas baseado em um jogo de adivinhação de perfis através de pistas. Cada carta corresponde a uma magistratura ou a um comício e contém 6 perguntas. Vence aquele que conseguir responder corretamente utilizando o menor número de pistas. Também foi elaborado um plano de aula específico sobre De Republica de Cícero, que inclui a atividade de ligar o nome da forma de governo à sua correspondente definição.
Além disso, desenvolvemos um plano de aula dedicado à participação feminina na sociedade romana, mesmo não sendo a temática diretamente abordada na obra do orador. Nessa aula, apresentamos o mapa de Roma e convidamos os alunos a refletirem sobre os espaços ocupados pelas mulheres, para que percebam que sua atuação ia além do ambiente doméstico. Mesmo que a questão das mulheres não esteja nos trechos traduzidos, consideramos importante desenvolver esse tipo de material, pois promove uma reflexão sobre a desigualdade de gênero (no passado e no presente) e sobre as ações necessárias para mudar esse cenário.
Por fim, desenvolvemos o plano de aula “Formas de governo e o jogo Super Trunfo”, que traz o jogo SuperTrunfo: Formas de Governo, no qual exploramos as formas de governo da Antiguidade de acordo com as perspectivas de Aristóteles, Políbio e Cícero. Até o momento, esse plano de aula tem se mostrado a maneira mais eficiente de trabalhar os conceitos relativos às formas de governo com as turmas do 6º Ano, por promover um grande engajamento dos alunos e uma efetiva aprendizagem dos principais conceitos a respeito dos regimes políticos, incluindo a quantidade de pessoas no governo, a qualidade do governo (bom ou ruim) e sua organização.
O jogo consiste em 24 cartas para ser jogado por 2 a 6 pessoas.16 Foi pensando especialmente para o público de 10 a 12 anos, a fim de incentivar o interesse por questões políticas, considerando que a maioria dos materiais para essa faixa etária aborda mais aspectos culturais e religiosos da Antiguidade. Mesmo desenhado para um público mais próximo do infantil, claramente, o jogo pode ser utilizado por todas as faixas etárias e também teve uma boa receptividade nas turmas do Ensino Médio.
O jogo segue a mecânica tradicional do Super Trunfo,17 que consiste na comparação de atributos das cartas. O objetivo do jogador é tomar todas as cartas dos participantes, escolhendo um atributo das cartas a cada rodada; vence a rodada quem tiver o atributo mais alto, e o jogo se encerra somente quando um dos jogadores obtém todas as cartas. A mecânica simples do jogo permite desenvolver habilidades de análise e comparação, reconhecendo diferenças e similaridades, o que é importante para entender a teoria das formas de governo proposta por autores da Antiguidade.
Para esse fim, nosso primeiro passo foi definir quais atributos deveriam constar nas cartas, optando por “Participação”, “Liberdade”, “Leis” e “Estabilidade”. Cada um desses atributos busca refletir um conjunto de aspectos: a possibilidade de participação na esfera pública, em que a pontuação corresponde ao nível de engajamento e à proximidade do regime com os valores democráticos atuais; o livre exercício da participação política e do sujeito em exercer suas escolhas pessoais; o respeito às leis, ao ordenamento jurídico e à isonomia; e a longevidade de um sistema político, a robustez de suas instituições e sua capacidade de responder a tentativas de golpes de Estado.
Definidos os atributos, o próximo passo foi escolher os autores a serem trabalhados, e decidimos nos restringir a três: Aristóteles, Políbio e Cícero. O primeiro, por trazer a divisão entre seis formas de governo – três positivas e três negativas –, que foi basilar para a filosofia política; o segundo, por permitir elucidar com os alunos o conceito de anaciclose e, com isso, debater sobre as transformações dos regimes políticos; e, por fim, o terceiro, por debater o conceito de Constituição Mista, demonstrando como é comum que os regimes políticos apresentem mais de um elemento das diferentes formas de governo.
Para cada autor foram criadas 6 cartas, totalizando 18 cartas, que permitem comparar pensadores gregos e romanos. Para completar 24 cartas, número ideal para tornar o jogo mais dinâmico, elaboramos mais 6 cartas baseadas em experiências políticas reais: Democracia Ateniense, Oligarquia Espartana, República Romana, Monarquia Macedônica, Tirania da Sicília e República Brasileira pós-1988. Com isso, nosso objetivo foi de comparar experiências históricas com as idealizações dos autores clássicos e incentivar a reflexão sobre o cenário político atual, razão pela qual incorporamos no jogo a carta sobre o regime republicano brasileiro.
Depois de definidos os atributos e autores, a próxima etapa foi a criação do design das cartas, que deveria ser ao mesmo tempo atrativo e didático. Para isso, escolhemos ilustrar as cartas que se referiam às formas de governo dos autores clássicos com pinturas de cenas da Antiguidade, principalmente do século XIX, pois essas imagens podem servir de instrumento para o professor trabalhar a recepção da Antiguidade ao longo do tempo. As referências de cada uma das pinturas foram incluídas no jogo, junto com o manual de instruções. Por sua vez, para as experiências políticas reais, optamos pelo uso de fotografia, seja de esculturas, espaços arquitetônicos ou registro de momentos importantes, como a icônica cena da promulgação da Constituição brasileira de 1988. Além disso, em cada carta foi destacado o trecho da obra utilizado para pensar o valor dos atributos da forma de governo, de modo que o professor possa recorrer ao nosso livro e trabalhar com os alunos a tradução elaborada pelo projeto.

Durante os anos de 2023 e 2024, o jogo Super Trunfo: Formas de Governo foi utilizado 9 vezes em escolas da região metropolitana de João Pessoa, em turmas com faixa etária entre 11 anos e 15 anos. Ao final das aulas, os alunos responderam a um questionário avaliativo, e 95% dos estudantes afirmaram que gostariam de jogar Super Trunfo: Formas de Governo novamente, inclusive fora do ambiente escolar, com amigos e familiares.18 Um resultado especialmente significativo foi que aproximadamente 90% dos alunos declararam ter aprendido com o jogo e passaram a perceber a política de forma mais positiva.
Entretanto, como toda experiência dentro da sala de aula, a aplicação do jogo apresentou seus desafios. Após a terceira aplicação, constatamos um problema: alunos que perdiam nas primeiras rodadas ficavam passivos e dispersos, perdendo o engajamento inicial. Como as próximas rodadas poderiam demorar um pouco, tivemos que pensar em soluções para contornar essa situação. Para tanto, foi elaborada uma atividade complementar, para ser aplicada com os alunos que estavam fora da partida. Essa atividade foi um jogo da memória com cartas com as mesmas imagens utilizadas no Super Trunfo: Formas de Governo, acrescidas de frases das obras dos autores clássicos. O objetivo dessas pequenas frases foi incentivar a leitura dos alunos, já que é comum ouvir dos professores do 6º Ano queixas a respeito de dificuldades de leitura. Portanto, enquanto os alunos esperavam uma nova rodada, poderiam fazer outra atividade lúdica. De fato, nas turmas em que foram aplicados os dois jogos, percebemos maior engajamento e interesse por parte dos alunos.
Figura 4: Cartas do jogo da memória

Os dois jogos utilizam elementos lúdicos e já familiares aos jovens para uma aprendizagem sobre política, estimulando uma reflexão sobre as formas de governo e os regimes políticos antigos e atuais, além de servirem como ponte para um primeiro contato direto com os textos clássicos. A partir desses jogos, esperamos oferecer um material atraente ao professor e, ao mesmo tempo, demonstrar como a Antiguidade Clássica continua sendo um objeto interessantíssimo no processo de construção de valores relacionados à cidadania.
Dessa forma, consideramos que a experiência de tradução de Cícero e a elaboração dos materiais didáticos foi bem-sucedida, em razão da resposta positiva observada nas salas de aula. Isso reforçou a intenção do projeto de concluir o volume dedicado aos autores latinos e também revisitar o material referente aos autores gregos, ampliando assim os horizontes de nossas atividades.
César, identidades, império e migrações
A partir do ano de 2024, e em paralelo às aplicações de Cícero nas escolas, a equipe do Vocabulário Político da Antiguidade iniciou pesquisas sobre César, pois, além de ser um personagem do Mundo Antigo muito conhecido, sua obra permite discutir aspectos relacionados aos conceitos de Império e Imperialismo, ao contato entre os povos no contexto romano e aos efeitos devastadores da guerra. O estudo foi iniciado com a leitura das biografias do general romano por Suetônio e Plutarco, debatendo a representação que cada um fez dele.19
Na fase inicial da pesquisa, em que nos concentramos em leituras e debates, priorizamos a criação de posts para nossas redes sociais. Por isso, em 2024, também focamos na temática da República Romana a partir de expressões populares do cotidiano, como “Dai a César o que é de César”, “O dado está lançado”, Vi, vim e venci”, além do parto cesáreo e do calendário juliano. Ademais, criamos posts sobre boatos acerca da vida de Júlio César, a cerimônia do Triunfo, as biografias das Júlias pertencentes ao círculo da família de César, as biografias de Lúcio Cornélio Sula e Caio Mário, e as interpretações de Suetônio e Plutarco a respeito de César.
A atuação nas redes sociais se soma ao nosso esforço de promover materiais de qualidade sobre a Antiguidade, e neste caso são alicerçados nos preceitos da História Pública, para divulgar o conhecimento científico para além dos muros universitários. Na legenda de cada post, constam as referências utilizadas na elaboração do conteúdo. Durante a criação desses materiais, os licenciandos aprendem a transformar o resultado da pesquisa em uma linguagem atrativa, sem perder a objetividade científica, aspecto crucial hoje, devido à abundância de desinformação e ao uso indiscriminado de Inteligências Artificiais generativas.

No ano de 2025, começamos a tradução dos livros 1 e 4 da obra De Bello Gallico, a partir do texto latino de Hering (1987). Selecionamos o início de cada livro: parágrafos do 1 ao 12 do livro 1, e do 1 ao 15 do livro 4. À medida que a tradução avançava, debatíamos a interação entre romanos e não-romanos e analisávamos como César caracterizava as populações da região da Gália.
Com base em uma historiografia recente sobre a interação entre romanos e não-romanos, discutimos a tradução mais adequada para civitas quando César se refere aos helvécios, optando pelo termo “nação” para marcar a diferença em relação ao uso de civitas quando o general se refere aos romanos. Usualmente, quando se refere a povos não-romanos, civitas é traduzido por “tribo”, o que carrega, para nós, uma conotação de hierarquia entre romanos e helvécios, na qual os primeiros seriam “civilizados”, morando em cidades estruturadas; enquanto os segundos, “primitivos”, organizados em estruturas urbanas pouco desenvolvidas. Entretanto, observamos, na obra de César, uma valorização dos gauleses com o intuito de engrandecer a conquista da região (Almeida, 2018). Ademais, há um esforço do general em enquadrar o modo de vida dessas populações aos padrões romanos. Dessa forma, ao traduzir civitas por “nação”, buscamos questionar o uso da palavra “tribo” e, simultaneamente, reconhecer a luta das populações autóctones, que se referem a si mesmos como pertencentes a uma nação, como forma de valorizar sua identidade política, riqueza cultura e historicidade.
Ainda no mesmo ano, continuamos com as pesquisas que serviram de base para a criação de posts nas redes sociais. Abordamos temas como os gauleses, a divisão da Gália, os helvécios, o conceito de humanitas, a percepção e a organização do território para os romanos (colonia, pagus, oppidum, municipium, civitas, urbs). Também apresentamos discussões historiográficas em torno dos conceitos de romanização, Império e imperialismo, destacando as diferentes abordagens interpretativas no campo da historiografia contemporânea.
Paralelamente, desenvolvemos planos de aula e materiais didáticos acerca de imperium, Império e Imperialismo, do conceito de bárbaro e de barbárie, dos gauleses, da relevância da noção de humanitas para a sociedade romana, da colonia no Império Romano e dos conceitos modernos para explicar o processo de expansão romana (imperialismo e romanização). Considerando os resultados positivos obtidos da aplicação do jogo Super Trunfo: formas de governos, estamos desenvolvendo uma proposta didática que represente as Guerras da Gália por meio de um jogo de tabuleiro, cujas mecânicas são similares a dinâmica do jogo WAR20 Nosso propósito é problematizar o contato dos romanos com os não-romanos durante a expansão na República, buscando ensinar as diversas nomenclaturas de organização do território empregadas pelos romanos e discutir as diferentes interpretações historiográficas relativas ao conceito de Romanização.
Considerações finais
O projeto Vocabulário Político da Antiguidade é pautado na integração entre pesquisa, ensino e extensão, bem como na aproximação entre universidade e escola. Esta última é compreendida como um espaço privilegiado no processo de construção da cidadania, sendo imprescindível para a socialização e a ampliação do conhecimento político. O estudo da teoria das formas de governo e dos vocábulos ligados à esfera política da Antiguidade são uma das maneiras de aproximar essa temporalidade do presente. A partir dessa ponte entre passado e presente, o aluno passará a entender a historicidade dos regimes políticos e, assim, abre-se espaço para a construção de projetos de futuro, em que se reivindiquem governos alicerçados em valores ligados à participação política, liberdade e justiça social.
Portanto, compreender o vocabulário político desenvolvido na Antiguidade – e que influenciou profundamente nosso idioma – é também uma forma de exercitar uma escuta mais atenta e crítica dos discursos políticos contemporâneos. Espera-se, assim, que os materiais criados pelo projeto contribuam para o reconhecimento do indivíduo como ser político, se colocando como participante ativo da vida em sociedade.
A reflexão sobre as formas de governo não é um tópico ultrapassado, ao contrário, estimula o raciocínio crítico e uma postura mais engajada, orientando soluções que priorizem o bem coletivo. Em um contexto de esfacelamento dos valores democráticos, repercussão de discursos autoritários e de extrema individualização, promover debates que reforcem princípios de cidadania são fundamentais. Os autores clássicos, por sua vez, continuam a se apresentar como fontes valiosas para inspirar tais reflexões.A longevidade do projeto e sua contínua inovação no desenvolvimento de propostas de tradução e de materiais didáticos comprovam que o ensino da Antiguidade é importante no processo educativo e que esse conhecimento deve ultrapassar os limites do público especializado (Silva; Frizzo; Gontijo Leite, 2023). Além disso, sua proposta interdisciplinar contribuiu para o fortalecimento dos cursos de graduação de História e Letras Clássicas, oferecendo recursos concretos aplicáveis tanto por especialistas quanto por não especialistas de forma a desenvolver habilidades importantes para os desafios do século XXI (Hall, 2015).
Referencias
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Notas
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