<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><?xml-model type="application/xml-dtd" href="https://jats.nlm.nih.gov/publishing/1.3/JATS-journalpublishing1-3.dtd"?>
<!DOCTYPE article PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Publishing DTD v1.3 20210610//EN" "https://jats.nlm.nih.gov/publishing/1.3/JATS-journalpublishing1-3.dtd">
<article xmlns:ali="http://www.niso.org/schemas/ali/1.0/" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance" specific-use="Marcalyc 1.3" dtd-version="1.3" article-type="research-article" xml:lang="pt">
<front>
<journal-meta>
<journal-id journal-id-type="index">6017</journal-id>
<journal-title-group>
<journal-title specific-use="original" xml:lang="pt">Classica - Revista Brasileira de Estudos Clássicos</journal-title>
<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher" xml:lang="pt">Clássica</abbrev-journal-title>
</journal-title-group>
<issn pub-type="ppub">0103-4316</issn>
<issn pub-type="epub">2176-6436</issn>
<publisher>
<publisher-name>Sociedade Brasileira de Estudos Clássicos</publisher-name>
<publisher-loc>
<country>Brasil</country>
<email>editor@classica.org.br</email>
</publisher-loc>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id pub-id-type="art-access-id" specific-use="redalyc">601782205029</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.24277/classica.v38.2025.1157</article-id>
<article-categories>
<subj-group subj-group-type="heading">
<subject>Seção Temática</subject>
</subj-group>
</article-categories>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt">
<bold>Clube de Latim: o potencial das línguas clássicas na escola</bold>
</article-title>
<trans-title-group>
<trans-title xml:lang="en">
<bold>Latin Club: the potential of classical languages in schools</bold>
</trans-title>
</trans-title-group>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author" corresp="no">
<contrib-id contrib-id-type="orcid">https://orcid.org/0009-0009-2444-5497</contrib-id>
<name name-style="western">
<surname>Flach</surname>
<given-names>Alessandra Bittencourt</given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="aff1"/>
<email>alessandrabflach@gmail.com</email>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="aff1">
<institution content-type="original">Pós-doutoranda em Letras Clássicas, Universidade de São Paulo, São Paulo, Brasil</institution>
<country country="BR">Brasil</country>
<institution-wrap>
<institution content-type="orgname">Universidade de São Paulo, São Paulo, Brasil</institution>
</institution-wrap>
</aff>
<pub-date pub-type="epub-ppub">
<season>January-December</season>
<year>2025</year>
</pub-date>
<volume>38</volume>
<fpage>1</fpage>
<lpage>17</lpage>
<history>
<date date-type="received" publication-format="dd mes yyyy">
<day>08</day>
<month>07</month>
<year>2025</year>
</date>
<date date-type="accepted" publication-format="dd mes yyyy">
<day>24</day>
<month>11</month>
<year>2025</year>
</date>
</history>
<permissions>
<ali:free_to_read/>
</permissions>
<abstract xml:lang="pt">
<title>Resumo</title>
<p>A escassa presença de latim nas escolas brasileiras, nos níveis fundamental e médio, denota uma transformação, motivada por razões complexas – linguísticas e sociais – no papel que esse idioma exerceu na formação dos alunos ao longo dos anos. Há, de fato, uma mudança de perspectiva humanista, que cede espaço para uma perspectiva mais utilitarista da aprendizagem, limitando ainda mais o campo do latim. A despeito disso, dois pontos são evidentes: a relevância do ensino de língua latina em âmbito escolar (sob uma abordagem revisitada) e o interesse e a curiosidade dos jovens, motivados pela influência de séries, filmes e livros que envolvem a língua e a cultura latinas. Assim, cabe a discussão acerca de qual impacto o ensino de latim é capaz de exercer no ensino básico no atual cenário educacional. A partir da experiência com alunos de uma escola pública de Porto Alegre (RS) e da análise de casos em outras escolas (no Brasil e no exterior), evidencia-se um campo profícuo, na medida em que o contato com a língua latina possibilita uma reflexão sobre a historicidade da própria língua portuguesa, além de enriquecer o repertório cultural e linguístico. A máxima de Cícero “<italic>docere, delectare, movere</italic>” aplicada ao ensino de latim é um contributo para repensar as potencialidades das línguas clássicas na escola.</p>
</abstract>
<trans-abstract xml:lang="en">
<title>Abstract</title>
<p>The sparse presence of Latin in Brazilian schools, during elementary school and high school, denotes a transformation, caused by complex reasons – linguistics and social – at the role that this language exercised on students’ formation through the years. There is, in fact, a change of humanist perspective, that gives space to a more utilitarian perspective of learning, which restricts even more Latin’s field. Despite this, two points are clear: the relevance of teaching Latin language in school sphere (under a revisited approach) and the interest and curiosity of young people, encouraged by the influence of TV series, movies and books that embrace Latin language and culture. Thus, it is worth discussing what impact the teaching of Latin is capable of having on primary education in the current educational scenario. Based on the experience with students from a public school in Porto Alegre (RS) and the analysis of cases in other schools (in Brazil and abroad), this is a fruitful field, as contact with Latin language allows for reflection on the historicity of Portuguese language itself, in addition to enriching cultural and linguistic repertoire. Cicero’s maxim “<italic>docere, delectare, movere</italic>” applied to teaching of Latin is a contribution to rethinking the potential of classical languages in schools.</p>
</trans-abstract>
<kwd-group xml:lang="pt">
<title>Palavras-chave</title>
<kwd>latim</kwd>
<kwd>ensino básico</kwd>
<kwd>língua estrangeira</kwd>
<kwd>clássicos</kwd>
</kwd-group>
<kwd-group xml:lang="en">
<title>Keywords</title>
<kwd>Latin</kwd>
<kwd>primary school</kwd>
<kwd>education</kwd>
<kwd>foreign languages</kwd>
<kwd>classical languages</kwd>
</kwd-group>
<counts>
<fig-count count="0"/>
<table-count count="1"/>
<equation-count count="0"/>
<ref-count count="30"/>
</counts>
<custom-meta-group>
<custom-meta>
<meta-name>redalyc-journal-id</meta-name>
<meta-value>6017</meta-value>
</custom-meta>
</custom-meta-group>
</article-meta>
</front>
<body>
<sec>
<title/>
<p>A experiência aqui compartilhada é prova de que, dia a dia, a sabedoria de Paulo Freire encontra ecos em nossa prática pedagógica: “Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender” (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_601782205029_ref14">2001</xref>, p. 25). Tal foi a dinâmica envolvida em uma ação inicialmente despretensiosa de apresentar a língua latina a alguns alunos curiosos do Ensino Médio, a qual acabou motivando um projeto de Pós-doutorado. Daí surgiram percepções importantes, que não podem ser desprezadas pelos educadores. Entre elas, destacam-se: o interesse dos alunos do ensino básico acerca das línguas clássicas e suas culturas (muito provavelmente em decorrência de séries, filmes e jogos que se inspiram em temas gregos e romanos); um currículo escolar que pouco promove acerca da história das línguas e das humanidades; a convicção de que seja possível oferecer aos alunos uma experiência profícua e com impacto, inclusive, na constituição de sujeitos autônomos e críticos, que é o que se espera, enfim, como contributo da educação básica. A partir desses pontos, acredita-se que haja vias possíveis de serem buscadas, com resultados surpreendentes.</p>
</sec>
<sec>
<title>
<bold>Clube de latim: um caminho e uma história</bold>
</title>
<p>Como professora de literatura brasileira, sempre busquei estabelecer um paralelo entre os textos estudados e aspectos linguísticos, históricos e sociais, em especial no que remetia às referências clássicas. Dessas reflexões, surgiu, por parte de alunos da 2ª série do Ensino Médio,<sup>
<xref ref-type="fn" rid="fn2">1</xref>
</sup> a demanda de ministrar algumas aulas, no contraturno, envolvendo a língua latina e a cultura romana. A estruturação dessas aulas partiu da experiência docente prévia com o ensino da língua latina em cursos de graduação e também de questionamentos sobre como tornar o ensino de latim mais proveitoso e próximo das necessidades dos alunos.</p>
<p>Uma das premissas acerca do ensino de latim era justamente a de que língua e cultura são indissociáveis. Entendemos que, “para os docentes de latim, os objetivos de sua prática docente são, de forma imediata, a compreensão dos textos latinos; consequentemente, o conhecimento das origens da civilização ocidental e todos os benefícios advindos de tal compreensão” (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_601782205029_ref18">Leite, 2015</xref>, p. 139). Esses propósitos já faziam parte das minhas reflexões quando professora de latim para graduandos de Letras. Contudo, como se sabe, dispõe-se de pouco tempo (no máximo, dois semestres), um programa de disciplina abrangente, com viés gramatical marcante, e muitas indagações por parte dos discentes acerca da “utilidade” dessas aulas para um professor de português. Da mesma forma, era evidente a preocupação com a execução dessa prática para atender os propósitos: “A disputa se dá, portanto, no campo do como chegar a tais objetivos de forma satisfatória” (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_601782205029_ref18">Leite, 2015</xref>, p. 139).</p>
<p>Com essas problematizações em mente, criou-se um projeto para que a atividade fosse incluída na agenda da instituição, juntamente às demais práticas desenvolvidas na escola (esportivas, científicas, agremiações, clubes), oferecidas aos alunos em caráter de extensão. Recebeu o nome de “Clube de latim”, tendo a seguinte finalidade: “Desenvolver, ao longo do ano, encontros com os alunos do Ensino Médio interessados em aprender língua latina e estudar as contribuições desta para a língua portuguesa. Ao final do ano, espera-se que o aluno seja capaz de reconhecer e traduzir frases simples da língua latina e demonstrar conhecimento acerca da língua latina, dos processos de transformação linguística da língua portuguesa, bem como identificar as contribuições da cultura romana para a atualidade”. Havia, ainda, os seguintes objetivos:</p>
<p>●	Promover o conhecimento da estrutura, da gramática e do léxico da língua latina em comparação com as demais línguas latinas, em especial a língua portuguesa.</p>
<p>●	Aprofundar o conhecimento em etimologia e formação de palavras de língua portuguesa, de modo que o aluno possa aplicar tal habilidade em suas produções textuais e no estudo sistemático da língua.</p>
<p>●	Discutir os processos linguísticos e históricos pertinentes à formação das línguas.</p>
<p>●	Analisar as contribuições culturais e as influências da cultura romana no Ocidente, por meio de leitura de textos literários.</p>
<p>●	Identificar a permanência dessas influências na contemporaneidade em áreas de conhecimento (como, por exemplo, na terminologia da biologia e nas normas da ABNT) e de cultura (em filmes e jogos, por exemplo).</p>
<p>Após aprovada a proposta, feita a divulgação, os encontros semanais (1 hora) se iniciaram. Não havia avaliação formal, apenas a necessidade de assiduidade, que resultaria em uma espécie de bônus acrescido às médias do 2º e 3º trimestres. A participação ocorria por meio de inscrição e autorização escrita dos pais, atendendo às limitações de idade, ano escolar e número de vagas. Desenvolvia-se ao longo do ano letivo (entre abril e novembro). Inicialmente, pensou-se em focar apenas em alunos do 2º ano, mas a demanda fez com que discentes da 1ª série, 9º e 8º anos também frequentassem os encontros. Em 2016, 49 alunos fizeram a inscrição. Destes, 9 permaneceram até o final. Em 2017, houve 62, e 13 concluíram o ano. Em 2018, foram 21 inscritos e 12 concluintes. A diminuição de inscritos no último ano deveu-se à sobreposição de horário com outras atividades escolares e à determinação, a partir daquele ano, de que os alunos não poderiam escolher mais de uma atividade no contraturno. Quanto às desistências que ocorreram ao longo do ano, isso pode ser explicado por vários fatores, desde desinteresse até colisão de horário com provas e aulas de recuperação, frequentes no contraturno, e mesmo custos com alimentação para se manter na escola e transporte, conforme relatado informalmente pelos alunos. Alguns, no entanto, frequentaram os encontros durante os três anos de duração. O projeto não teve seguimento por conta de demandas profissionais da professora no ano seguinte e da pandemia na sequência.</p>
<p>A partir do propósito indicado e dos objetivos traçados, o primeiro encontro iniciava com um panorama sobre a presença do latim em nosso cotidiano, sua importância e relação com a língua portuguesa. No primeiro ano do Clube, logo os encontros foram direcionados para o estudo da frase, dos casos e da morfologia latina, consequência de uma formação tradicional baseada na gramaticalização da língua. Se, ministrando aulas na graduação, já era perceptível que esse método não atendia a contento ao propósito do ensino de latim, com adolescentes muito rapidamente ficou escancarado que se encaminharia para um desastre. Ainda que a “novidade” de casos e declinações tenha atraído a atenção dos alunos, as dificuldades e o desinteresse foram um entrave ao avanço do projeto. Um planejamento elaborado a partir da sequência de declinações, verbos e adjetivos, no âmbito da frase (muitas vezes adaptada) e de textos artificiais, foi abandonado.</p>
<p>Em substituição, procurou-se fazer algo mais dinâmico, mais próximo da metodologia do ensino de línguas modernas, com maior apelo visual. O planejamento fechado foi substituído por aulas temáticas (variavam em número de encontros, com maior ou menor extensão), produzidas a partir das demandas dos alunos, das datas comemorativas (Páscoa, aniversário, Halloween, mudança de estação do ano), de acontecimentos recentes (como erupções de vulcões acontecidas nos dias próximos às aulas, rotina do Vaticano, reforma de algum prédio histórico em Roma). Ao mesmo tempo, explorando a noção de “Clube” como uma reunião para compartilhar interesses comuns, era imprescindível dar voz aos participantes, que puderam sugerir temas de preferência, indicar filmes, séries e livros que conheciam e que os levaram a querer saber mais sobre a cultura romana, exercitar o que Freire (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_601782205029_ref14">2001</xref>, p. 97) define como “curiosidade epistemológica”.</p>
<p>Apesar de os temas serem os mais diversos, sem conexão sequencial entre um e outro, havia o propósito de contemplar os objetivos relacionados à abordagem da língua e do contexto romano. Assim, por exemplo, o tema “Calendário” permitiu conhecer a divisão dos dias, das semanas e dos meses (em comparação com o sistema vigente no Brasil, por exemplo), acessar um vocabulário conhecido dos alunos (a própria palavra “calendário” e sua relação com as <italic>kalendae</italic>). Também se analisou a divisão do mês em <italic>kalendae</italic>, <italic>idus </italic>e <italic>nonae </italic>(os alunos puderam registrar datas importantes, como aniversário, usando essa terminologia). Daí foi possível explorar o <italic>idus Martii</italic> – o que levou a aprofundar a história de Júlio César e ler um trecho da obra <italic>De bello Gallico</italic> (possível a partir da noção inicial da estrutura e com orientação da professora). Os quadrinhos de Asterix em latim também fizeram parte dessa unidade. Outro tema profícuo foi a história da fundação de Roma e seus mitos, envolvendo a leitura e a análise de textos adaptados em latim, um breve estudo sobre <italic>Eneida</italic>, de Virgílio, e a comparação com a personagem Eneias no filme <italic>Troia</italic>. Isso levou ao estudo dos <italic>penates</italic>, da religiosidade e das relações familiares, bem como da organização da casa e da vida social na Roma Antiga, incluindo hábitos e rotinas (sempre explorando vocabulário e textos em português e latim que faziam referência ao tema). Um tema que perpassava todas as unidades era, obviamente, a mitologia, sempre enriquecedora em relação ao modo de pensar da Antiguidade e, ainda, muito atual.</p>
<p>Sempre que possível, o vocabulário e os conhecimentos adquiridos eram exercitados por meio de práticas envolvendo a criação e a dramatização de pequenos diálogos em latim – como cumprimentos, descrição de como estava o dia, qual era a data do encontro, comentários simples sobre os temas tratados. Dessa maneira, ainda que de forma bastante rudimentar em termos de estrutura da língua, era possível explorar como organizar as ideias em latim e mesmo ouvir o som da língua.</p>
<p>Mesmo não tendo sido seguido um livro didático propriamente, várias foram as fontes que embasaram esse direcionamento que envolve língua, cultura, história e literatura. Uma delas foi a coleção portuguesa <italic>Latim</italic> (em três volumes), Editora Almedina, dos autores Isaltina Martins e João Soares (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_601782205029_ref25">Soares, 1998</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_601782205029_ref26">Soares; Martins, 2000</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_601782205029_ref27">Soares; Martins, 2001</xref>), cuja proposta, direcionada especificamente para alunos do Ensino Secundário, envolve unidades que contemplam a história de Roma, textos adaptados, exercícios e uma seção de curiosidades. Outra referência importante foi o método de Hans Ørberg, <italic>Lingua latina per se illustrata</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_601782205029_ref22">2003</xref>), em que a leitura dos textos é facilmente intuída com o apoio de glossário e notas. Da mesma forma, seções da coleção <italic>Minimus </italic>(<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_601782205029_ref1">Bell, 2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_601782205029_ref2">Bell, 2017</xref>) foram incluídas, com diálogos curtos, ilustrações e atividades para expandir o vocabulário. Uma referência bastante relevante foi o livro <italic>Latín 4 ESO</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_601782205029_ref16">Gascó; Mor; Gallego, 2008</xref>), livro didático para o Ensino médio espanhol, que propõe uma abordagem do latim por meio de uma metodologia ativa, tal como se fosse uma língua moderna, em que explora competências diversas, como escrita, leitura e oralidade. Por fim, a coleção de revistas <italic>Adulescens</italic>,<sup>
<xref ref-type="fn" rid="fn3">2</xref>
</sup> publicação italiana em latim, destinada ao público jovem, com notícias e reportagens em latim e exercícios. Trata-se de um excelente recurso de conexão entre a cultura de massa (tão apreciada pelos adolescentes) e a cultura clássica, referida a partir de textos e situações da atualidade.</p>
<p>Com essa reorganização de trajetória metodológica – naquele momento mais intuitiva do que plenamente amparada em teorias ou metodologias testadas –, percebeu-se uma maior conexão dos alunos com o propósito do Clube de Latim, interagindo, propondo e ampliando o repertório cultural. Inicialmente, sem referências de experiências semelhantes para servir de base à construção do projeto, sem vislumbrar o alcance que poderia ter, os rumos foram se delineando. A experiência do Clube de Latim revelou-se bastante gratificante e esclarecedora sobre uma série de questões acerca da possibilidade de ensino de latim para jovens e permitiu vislumbrar uma proposta pedagógica que parece válida para esse grupo de alunos e para os fins pretendidos.</p>
<p>Passados quase dez anos dessa experiência construída em parceria com os discentes, alguns dos mais assíduos no projeto foram convidados a compartilhar sua percepção sobre o Clube de Latim, através de um formulário eletrônico. A intenção dessa inquirição não almejou constituir uma pesquisa quantitativa ou qualitativa, ancorada em uma rigorosa estrutura metodológica de verificação. Buscou somente endossar o pressuposto de que o ensino de língua latina no Ensino Básico é uma prática que, além de factível, pode trazer benefícios ao desenvolvimento do aluno. Os relatos espontâneos reforçam algo que, a princípio, não se constituía como uma meta ou mesmo uma possibilidade a ser pensada no que se refere a um provável espaço a ser ocupado (ou reocupado) pelo latim no ensino básico. Todavia, o processo de organização dos encontros, a resposta dos participantes e o posterior contato com a pesquisa (que existe!) sobre o tema tornaram evidente e necessária a iniciativa de incluir, tanto quanto possível, os estudos clássicos na dinâmica da escola.</p>
<p>O questionário continha questões abertas (Quadro 1) para que os antigos alunos pudessem compartilhar suas impressões sobre essa atividade. Um total de seis alunos respondeu (o questionário foi enviado a oito, justamente aqueles que tiveram participação nos três anos da atividade). O perfil desses alunos representa um recorte diferenciado – alunos muito interessados em novos conhecimentos, com desempenho escolar elevado, envolvidos em muitas outras atividades oferecidas na escola. Atualmente, são estudantes universitários, das mais diversas áreas – jornalismo, relações internacionais, história, medicina, letras. Todos os respondentes destacaram aspectos positivos dessa experiência.</p>
<p>
<table-wrap id="gt2">
<label>Quadro 1</label>
<caption>
<title>Questões enviadas aos alunos que frequentaram o Clube de Latim durante seus 3 anos de existência</title>
</caption>
<alt-text>Quadro 1 Questões enviadas aos alunos que frequentaram o Clube de Latim durante seus 3 anos de existência</alt-text>
<alternatives>
<graphic xlink:href="601782205029_gt3.png" position="anchor" orientation="portrait"/>
<table id="gt3-526564616c7963">
<thead style="display:none;">
<tr style="display:none;">
<th style="display:none;"/>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td>1. Você participou ativamente do “Clube de latim”. O que o/a motivou a querer saber mais sobre latim? 2. Antes de participar do “Clube de latim”, o que você já sabia sobre esse idioma? 3. Sobre os encontros do “Clube de latim”, o que mais marcou sua aprendizagem? 4. Em sua formação, acredita que o “Clube de latim” tenha tido algum impacto? Explique. 5. Este espaço é para seus comentários sobre o “Clube de latim” (o que foi importante, o que poderia ser diferente, como você percebeu a metodologia). Toda contribuição é relevante para pensarmos em estratégias de ensino que possam contribuir para a formação de futuros estudantes.</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</alternatives>
</table-wrap>
</p>
<p>Alguns alunos relataram interesse na língua motivado por sua formação católica, todos indicaram séries, filmes e jogos como referência à cultura romana. Nenhum deles sabia muito sobre a língua, a não ser que era “morta” e que foi importante no passado e na constituição da língua portuguesa. Acerca da importância do Clube de Latim, todos referiram ter sido uma experiência proveitosa e de impacto tanto na ampliação da cultura quanto da competência linguística. Um deles seguiu estudando o idioma na Graduação, outro cursou Letras.</p>
<p>A seguir, são transcritos os depoimentos de três integrantes do Clube de Latim. É satisfatório notar que as percepções que nortearam ou que foram se constituindo ao longo da experiência sob a perspectiva da docência confluíram com as visões dos discentes, acentuando a importância desse trabalho a partir dos resultados obtidos.</p>
<p>
<disp-quote>
<p>Foi uma das minhas atividades favoritas na época da escola. Quando eu entrei era apenas para o Ensino Médio ou nono ano, não me lembro ao certo, e eu tive que pedir uma autorização especial para poder participar antes. Se eu pudesse dar uma sugestão seria permitir os alunos mais novos que têm interesse. (Participante 1)</p>
<p>Acredito que, em minha formação, o latim teve um grande impacto, pois me ajudou a desenvolver um pensamento crítico no que tange o entendimento da linguagem, da comunicação e do mundo ao meu redor. A partir da análise de palavras no português e no latim, de sua relação e da evolução de seu significado, comecei a analisar de uma forma mais profunda os conhecimentos que venho adquirindo ao longo dos anos, sempre procurando suas origens e as formas como se modificaram ao longo do tempo. Acredito que isso tenha possibilitado o melhor entendimento e consolidação de novos conhecimentos durante o processo de aprendizado. (Participante 2)</p>
<p>Em geral, foi uma experiência muito enriquecedora pro aprendizado de demais línguas. Creio que ter contato com uma língua que se organiza de uma forma tão diferente daquela do português, espanhol ou inglês (que estudamos no ensino fundamental e médio) é muito importante para “abrir os olhos” dos alunos para que vejam o aprendizado de um novo idioma de maneira diferente. Com o latim, comecei a ver as outras línguas como um quebra-cabeça, o que facilitou o meu aprendizado. Ainda, o ambiente “extraoficial” e o caráter facultativo das aulas traziam uma atmosfera de aprendizagem coletiva, porque todos estavam ali para aprender. Por isso, penso que essa atividade deve ser incentivada em alunos do ensino básico, mas sem o caráter compulsório, uma vez que poderia criar um atrito ainda maior entre os alunos não interessados e o aprendizado de linguagem. (Participante 3)</p>
</disp-quote>
</p>
<p>Dentre os apontamentos, há que se destacar o reconhecimento dos benefícios do estudo de latim por parte de alunos mais jovens, do Ensino Fundamental. Além do contato com um novo idioma e da aprendizagem (ainda que bem incipiente), destacou-se a ampliação do pensamento crítico, do conhecimento, um maior entendimento do mundo antigo, mas também (e principalmente) do mundo que nos cerca e nos impacta. O caráter facultativo e dinâmico dos encontros foi um aspecto favorável à construção desse conhecimento. Por fim, a constatação de que língua e cultura são indissociáveis, o que se torna mais significativo ao se tratar de uma língua do passado.</p>
<p>Ainda que o número de alunos entrevistados seja restrito, que tenha transcorrido um período significativo desde o início do Clube (em 2016), o que impacta no grau de amadurecimento das respostas (certamente diferente daquele que teriam ao responder ao questionário quando ainda jovens alunos do ensino básico) e que não tenha sido feito um acompanhamento do perfil específico de cada um, esses depoimentos, de certo modo despretensiosos, validam a premissa de que há um caminho possível no que se refere à construção de um espaço para o ensino da língua na escola. A experiência bastante limitada (e, até certo ponto, empírica) desse Clube de Latim possibilitou refletir sobre os espaços na legislação brasileira educacional, sobre a necessidade de docentes com habilitação em latim e sobre metodologias adequadas ao ensino de uma língua do passado, com todas as suas especificidades. Também oportunizou conhecer experiências semelhantes e evidenciar teorias que sustentam essas práticas.</p>
<p>O espaço que o Latim pode ocupar no ensino básico e o impacto que isso tem na formação do aluno foi evidenciado de forma experimental e particularizada na construção do projeto Clube de Latim e nos relatos de seus participantes. Contudo, para que isso possa ampliar-se e consolidar-se como uma estratégia pedagógica possível, é imprescindível discutir o atual cenário escolar e aprofundar os estudos a partir de um embasamento bem fundamentado.</p>
</sec>
<sec>
<title>
<bold>Substrato teórico</bold>
</title>
<p>São muitas as pesquisas que resgatam a história do ensino do latim no Brasil, sua ascensão e queda, o impacto do fim da obrigatoriedade do seu ensino, a inadequação da metodologia (a partir de estratégias e manuais ultrapassados e pouco produtivos), em especial diante de um currículo universitário em que a carga horária das disciplinas de latim vem sendo reduzida sucessivamente. A despeito de uma movimentação importante por parte dos pesquisadores (publicações, congressos, associações), vez ou outra volta ao debate a necessidade ou a utilidade dos estudos de latim e mesmo de que modo isso pode ser feito na atual conjuntura acadêmica e com vistas à formação dos futuros professores de língua portuguesa. Ainda que sejam pontos cruciais a serem aprofundados extensivamente, não é esse o foco da presente análise. O que se pretende é sublinhar alguns aspectos no que se refere ao ensino de latim na escola básica.</p>
<p>É evidente que não se acredita no retorno massivo do latim tal como ocorria até a década de 1960, nem como se dá em escolas da Europa e dos Estados Unidos, onde, em muitas instituições, compõe o currículo escolar desde os anos de alfabetização. Contudo, diante da constatação de que as Humanidades têm sido cada vez mais subestimadas e descaracterizadas nos currículos escolares e no senso comum, é válido pensar que todo contato com a cultura clássica possa contribuir para desenvolver o senso crítico e a educação cidadã. Sobretudo a partir de uma abordagem que se distancie de preconceitos elitistas e saudosistas e preconize uma aproximação com a atualidade. Os estudos clássicos, como bem destaca Pedro Funari (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_601782205029_ref15">2015</xref>, p. 13), têm o poder de “fornecer elementos para um posicionamento crítico” e “ampliar horizontes”.</p>
<p>O contato com a língua latina, sendo um dos meios pelos quais é possível acessar o mundo clássico, implica, por extensão, o contato com a cultura clássica. Os textos escritos a que temos acesso constituem esse documento vivo da existência e do comportamento da língua e de seus usuários ao longo de vários períodos:</p>
<p>
<disp-quote>
<p>O ensino de latim não deve desconsiderar o fato de que aquilo que se costuma uniformizar sob o rótulo de “Latim” é o conjunto mais ou menos homogêneo de princípios gramaticais, semânticos, estilísticos e de textos variados, aos quais temos acesso a partir do trabalho de filólogos e gramáticos que se debruçaram sobre mais de onze séculos de tradição escrita latina. A diversidade da língua não deve ser desconsiderada por ocasião de seu ensino, uma vez que que a língua de Plauto e Terêncio em muitos aspectos é diversa daquela de Cícero e Quintiliano, por sua vez diferente da de Santo Agostinho e Prisciano. (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_601782205029_ref12">Fortes; Prata, 2015a</xref>, p. 27)</p>
</disp-quote>
</p>
<p>Há que se ter o cuidado de promover um “ensino de latim dessacralizado” (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_601782205029_ref20">Lima, 1995</xref>, p.46), que contemple suas transformações e suas manifestações populares e eruditas, os vários gêneros e seus interlocutores, suas condições de produção, evitando o tratamento de “superlíngua” ou língua especial, para que o aluno não a veja como despropositada e “morta” e, em consequência, as culturas que representa. Por isso, em especial ao lidar com crianças e jovens, cujo propósito é apresentar os clássicos e fomentar o interesse por meio do idioma, vale lançar mão não só dos textos originais, mas também de adaptações e versões, que permitam um contato mais acessível.</p>
<p>O latim, mesmo deixando de ser língua de comunicação, não deixou de fazer parte da cultura ocidental e tem se transformado desde seu surgimento. Essa tendência à renovação, mesmo sem a existência de falantes nativos, algo no mínimo singular na história das línguas, pode ser vista em iniciativas como o <italic>Lexicon Recentis Latinitatis</italic>
<sup/>
<xref ref-type="fn" rid="fn4">
<sup>3</sup>
</xref> (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_601782205029_ref8">Egger; Giannangeli, 2002</xref>), criado pela editora do Vaticano e que consiste em uma lista de palavras neolatinas, que acompanha a necessidade de nominar criações modernas, em especial no âmbito da tecnologia, como computador, telefone celular e internet. Outra ferramenta interessante é a <italic>Vicipaedia</italic>,<sup>
<xref ref-type="fn" rid="fn5">4</xref>
</sup> uma versão em latim da Wikipedia, a maior enciclopédia <italic>on-line</italic> de caráter colaborativo. Notícias, assuntos do dia, datas importantes, curiosidades, todos esses temas podem ser acessados na plataforma de forma gratuita, constituindo um meio de aproximar a língua (em uma escrita bastante simplificada) com o cotidiano e os interesses dos alunos. É significativo, ainda, que um <italic>best-seller</italic> como <italic>Harry Potter</italic>, de J. K. Rowling, tenha recebido uma versão em latim, feita pelo classicista inglês Peter Needham, em 2003 (editora Bloomsbury). A grande recepção dessa iniciativa descortina um espaço editorial relevante, inclusive em termos econômicos, evidenciando a viabilidade de produção de outras obras (literárias e didáticas), o que certamente contribui para tornar mais acessíveis as produções destinadas ao ensino da língua, já que, como aponta Leni Leite (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_601782205029_ref18">2015</xref>, p. 137), “o que temos de mais acessível para o aprendizado do latim não condiz com o que os docentes do século XXI desejam desenvolver em suas salas de aula”.</p>
<p>Contudo, uma das grandes conquistas metodológicas, quase amplamente aceita como mais eficiente e atrativa para nossos dias, é, como explica Steven Hunt (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_601782205029_ref17">2023</xref>, p. 2), “ensinar línguas antigas como <italic>línguas</italic> (usando seu conhecimento crescente de técnicas comunicativas variadas) e não como códigos”.<sup>
<xref ref-type="fn" rid="fn6">5</xref>
</sup>. Além de mobilizar um conhecimento das teorias linguísticas sobre aquisição de uma língua estrangeira, mobilizam-se habilidades diversas, não apenas a “decodificação” de um sistema a partir de um texto, como é comum nos manuais de latim do início do século XX. Trata-se de “práticas ativas”, que envolvem o engajamento dos alunos em situações comunicativas que reproduzam possibilidades de interação linguística (por meio da fala, da escrita e da leitura).</p>
<p>
<disp-quote>
<p>É importante observar que quando falamos em práticas ativas no ensino de latim estamos abarcando sob uma mesma nomenclatura uma série de atividades bastante diferentes entre si e aplicadas sob diferentes formatos e em diferentes momentos do aprendizado da língua latina, tais como um diálogo sobre um tema do cotidiano, a descrição de uma figura, a narração de uma história ou a tradução da letra de uma música do português para o latim. O que une todas essas práticas é o fato de que o aprendiz é levado a produzir em língua latina. (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_601782205029_ref18">Leite, 2015</xref>, p. 144)</p>
</disp-quote>
</p>
<p>Reforçando esse aspecto da renovação metodológica (que é também um redirecionamento dos objetivos do ensino da língua latina) em um cenário editorial incipiente ou bastante restrito (principalmente no caso do Brasil), vale destacar um contexto de discrepâncias em que se desenvolveram (e ainda se desenvolvem) as aulas de latim:</p>
<p>
<disp-quote>
<p>...enquanto raramente um professor universitário de português ou língua estrangeira moderna lançaria mão, em nossos dias, de um manual produzido para o ensino ginasial na década de 50 e 60, no caso do latim, essa situação, por absurda que pareça, permanece, em decorrência da ausência de métodos e abordagens contemporâneas. (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_601782205029_ref13">Fortes; Prata, 2015b</xref>, p. 103)</p>
</disp-quote>
</p>
<p>Esse é o material “acessível” referido por Leni Leite (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_601782205029_ref18">2015</xref>, p. 137). Tal descompasso é consequência do pouco espaço destinado à discussão das didáticas em língua latina na Universidade. Isso, obviamente, não decorre do descaso dos pesquisadores, mas de uma série de motivações, entre as quais também o espaço cada vez mais exíguo que o latim tem ocupado nas instituições de ensino. No caso do ensino básico, então, é praticamente inexistente. O contexto europeu, no que se refere ao latim no ensino básico, é promissor. Entretanto, não significa que não haja desafios e questões de ordem metodológica, política e até orçamentária a serem considerados. No Reino Unido, por exemplo, todos os estudantes com idades entre 7 e 11 anos (Primary School) frequentam aulas regulares sobre Grécia e Roma antiga. Latim e Grego antigo são idiomas obrigatórios do programa Study for Foreign Languages,<sup>
<xref ref-type="fn" rid="fn7">6</xref>
</sup> em que os alunos podem escolher essas (entre outras opções, como Francês, Espanhol e Alemão) para cursar ao longo de sua formação escolar (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_601782205029_ref17">Hunt, 2023</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_601782205029_ref3">Bracke, 2016</xref>). Em Portugal, apesar de estarem previstos os estudos de Humanidades e língua latina no Ensino Secundário, há pouco interesse por parte dos alunos em optar por essas disciplinas, muito provavelmente por desconhecimento e falta de incentivo, evidenciando a necessidade de mobilizar alunos e professores para maior adesão (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_601782205029_ref10">Ferreira, 2019</xref>).</p>
<p>No Brasil, constata-se a ausência de uma obrigatoriedade ou sequer a possibilidade de incluir o Latim nos programas escolares.<xref ref-type="fn" rid="fn8">
<sup>7</sup>
</xref>
<sup/> Isso a despeito de toda a evidência científica de que traria benefícios para a formação do aluno (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_601782205029_ref17">Hunt, 2023</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_601782205029_ref29">Vereeck <italic>et al.</italic>, 2024</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_601782205029_ref23">Pinto, 2015</xref>), preparando-o melhor para o Ensino Superior (mesmo em áreas não relacionadas diretamente às Humanidades) e aprimorando seu pensamento crítico. Não obstante, alguns projetos exitosos evidenciam a real possibilidade de inserção do latim na escola básica, ainda que de forma optativa, ou mesmo através de práticas interdisciplinares e projetos de extensão (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_601782205029_ref6">Corrêa, 2024</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_601782205029_ref19">Leme; Corrêa; Anderson, 2013</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_601782205029_ref21">Moura; Garrafoni, 2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_601782205029_ref11">Fortes; Miotti, 2014</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_601782205029_ref28">Vasconcellos, 2015</xref>).</p>
<p>As experiências com os clássicos nas escolas têm sido abundantes, fruto do empenho de professores e instituições. Isso mostra a conexão entre o passado e a atualidade como algo indispensável e que precisa ter seu espaço expandido. É uma demanda atual, em especial como resistência ao esfacelamento das Humanidades nos currículos escolares e como garantia de suporte aos desafios da modernidade.</p>
<p>
<disp-quote>
<p>As habilidades multiculturais são mais essenciais do que nunca no mundo de hoje. Estamos vivendo em um mundo de fronteiras cada vez menos claras, no qual é fundamental ser capaz de entender, apreciar e se comunicar com uma variedade de outras culturas formadas por diferentes raças, linguagens e religiões. A cultura clássica é parte da herança cultural geral de toda a humanidade. Com seu conjunto de tradições culturais, religiosas e intelectuais, a Antiguidade Clássica fornece lições valiosas para o mundo moderno. Os estudiosos do Mundo Clássico devem juntar forças com os praticantes das outras disciplinas humanísticas para reconstruir e preservar o passado como parte da herança contínua da humanidade. Em um mundo multicultural, devemos contribuir para preservar um passado multicultural. (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_601782205029_ref7">Dominik, 2015</xref>, p. 81)</p>
</disp-quote>
</p>
<p>Desse modo, no que se refere ao ensino de latim nas escolas, trata-se de uma oportunidade de, além de desenvolver competências linguísticas a partir de um novo idioma, acessar aspectos da história, da política e da literatura que são as bases da cultura ocidental. Ao criar espaços para que isso se estabeleça, é preciso motivar o aluno, deixando claros os benefícios e, ao mesmo tempo, oferecendo aulas atrativas, conectadas com sua realidade:</p>
<p>
<disp-quote>
<p>As ilustrações, que muitas vezes complementam os manuais, e os textos em português, que se destinam à explicação de assuntos relativos à vida e à história romanas, à mitologia, etc. tornam-se elementos facilitadores da ação do professor. Se, pelo contrário, esses elementos não constarem do manual, o universo de materiais a que o docente poderá recorrer é infindável, quer através de livros, quer através de recursos digitais, como pequenos vídeos, animações, fotografias, entre outros. (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_601782205029_ref9">Ferreira, 2017</xref>, p. 57)</p>
</disp-quote>
</p>
<p>Essa diversidade de meios para apresentar os temas, com vistas a cativar o aluno e, assim, oportunizar desenvolver nele a necessidade de um conhecimento que talvez nem soubesse que poderia ser benéfico, foi apontada pelos participantes do Clube de Latim em seus depoimentos. Apesar de exigir bastante do empenho do professor em preparar e adaptar os tópicos conforme seguem os encontros, a dinamicidade tem boa repercussão para os propósitos das atividades.</p>
<p>O relato de Anne Wright (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_601782205029_ref30">2016</xref>) sobre um Clube de Grego em Hereford, Inglaterra, evidenciou alguns aspectos que corroboram a experiência com o Clube de Latim. Primeiramente, a “coincidência” de atividade, demonstrando que há demanda por parte dos jovens aprendizes. No Clube de Latim, como relatado, havia participantes de várias idades, anos escolares distintos e níveis de habilidade diversos (alguns, por exemplo, já dominavam com fluência outros idiomas, outros possuíam limitações na compreensão leitora da própria língua portuguesa). O mesmo cenário foi descrito por Wright. Antes de isso ser um problema ou impor limitações, tornou-se um elemento que propiciou um espaço de crescimento e interação mútua entre os membros, uns ajudando os outros. A pesquisadora relata, ainda, os benefícios de a atividade “seduzir” o aluno, com práticas diversificadas e dinâmicas, que promovam prazer e espaço acolhedor para discussões, preceito de Cícero (“<italic>docere, delectare, movere</italic>”) que buscamos ter como mote do Clube de Latim e que foi reconhecido como fundamental nos relatos dos participantes. Por fim, destaca-se a flexibilidade (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_601782205029_ref30">Wright, 2016</xref>, p. 22) como estratégia promissora, em um espaço sem avaliações formais, sem cobranças, em que a intuição e as contribuições dos alunos possam ditar os encaminhamentos. Esse caráter “extraoficial” foi destacado por um dos participantes do Clube de Latim como fator de adesão, conforme depoimento acima.</p>
<p>A liberdade para desenvolver as estratégias, tendo em mente os objetivos pretendidos, pauta-se na certeza de que os caminhos para os atingir são muitos e impulsionam novas aprendizagens. A prática docente e o suporte teórico dão conta dos muitos resultados positivos que podem surgir de práticas envolvendo o mundo clássico por meio do contato com a língua. Os alunos são atraídos (por várias razões) às aulas de latim, e essa formação só tende a acrescentar benefícios. Contudo, como destaca Bracke (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_601782205029_ref3">2016</xref>, p. 38), os desafios para que isso se consolide, de fato, como parte dos currículos está mais relacionado ao <italic>contexto </italic>do que ao <italic>conteúdo</italic>.</p>
<p>No Brasil, desde a segunda metade do século XX, quando o latim deixa de ser disciplina obrigatória nas escolas, há também uma significativa mudança nos estudos linguísticos, a partir da consolidação das ideias de Saussure, o qual defendia que, para o estudo da língua enquanto sistema, prevalecia a perspectiva sincrônica da língua. O alargamento da linguística como área da ciência estabeleceu método e rigor científico para uma série de estudos. Isso contrastou com o grande número de “impressões” e falsas ilações a que os estudos de etimologia, por exemplo, estavam submetidos. Contudo, essa adesão à sincronia criou uma resistência e uma rejeição aos estudos de diacronia que nem o próprio Saussure aventou.</p>
<p>Como consequência disso e de outras transformações (de cunho pedagógico e político), nossas atuais referências regulamentares de ensino no Brasil não só omitem a perspectiva histórica dos estudos da língua como promovem um ensino desarticulado, baseado em competências que, em vez de integrarem os conhecimentos dos alunos, compartimentalizam os saberes. É o caso, por exemplo, do tratamento dado às linguagens. Enquanto os conteúdos previstos na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) atendem a uma formação imediatista, com tópicos desarticulados entre si e compartimentalizados, sempre voltados para um “uso” no mercado de trabalho, alguns pontos do texto dão margem para que os professores (e a escola), no uso da liberdade de que dispõem, implementem ações compatíveis com aquilo que julgam mais pertinente.</p>
<p>Daí que, ao sustentar que a língua deve ser entendida “como fenômeno cultural, histórico, social, variável, heterogêneo e sensível aos contextos de uso, reconhecendo-a como meio de construção de identidades de seus usuários e da comunidade a que pertencem” (Brasil, 2017b, p. 87), abre-se espaço para que se legitime uma abordagem histórica da língua e, desse modo, garanta-se a existência de trabalhos com a história da língua portuguesa e, até mesmo, com o latim, na medida em que esse processo cultural, histórico e social se dá a partir do contato com o mundo clássico.</p>
<p>No mesmo documento, sustenta-se:</p>
<p>
<disp-quote>
<p>Assim, é relevante no espaço escolar conhecer e valorizar as realidades nacionais e internacionais da diversidade linguística e analisar diferentes situações e atitudes humanas implicadas nos usos linguísticos, como o preconceito linguístico. Por outro lado, existem muitas línguas ameaçadas de extinção no país e no mundo, o que nos chama a atenção para a correlação entre repertórios culturais e linguísticos, pois o desaparecimento de uma língua impacta significativamente a cultura. (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_601782205029_ref5">Brasil, 2017b</xref>, p. 70)</p>
</disp-quote>
</p>
<p>Apesar de não haver pontualmente uma indicação de trabalho com a história da língua da mesma forma como há com recursos digitais, por exemplo, vários pontos do texto permitem entender que se trata de uma abordagem possível. É por esse caminho que talvez seja necessário sustentar legalmente um trabalho envolvendo o ensino de latim.</p>
</sec>
<sec>
<title>
<bold>Considerações finais – horizontes possíveis</bold>
</title>
<p>Para que se possa aprofundar os estudos sobre a didática do latim no ensino básico, o ideal seria que professores e pesquisadores pudessem focar sua atenção na prática e na construção do conhecimento, no compartilhamento de experiências e na produção de suporte teórico. Todavia, a realidade está bem distante do ideal. A vontade e o interesse de professores e pesquisadores esbarram, muitas vezes, na necessidade de justificar e defender (para pais, gestores, fomentadores e sociedade em geral) o estudo dos clássicos, ocupando um tempo importante que poderia estar sendo empregado em propostas concretas e realmente frutuosas.</p>
<p>O contexto requer mobilização, inclusive política, para recolocar a importância das Humanidades nos currículos, evidenciar a perspectiva histórica da língua portuguesa e oportunizar o contato com as línguas clássicas na escola. Uma formação fragmentada e descontextualizada, que não estabelece relações entre passado e presente, terá quais consequências na formação dos cidadãos?</p>
<p>Experiências como a do Clube de Latim em uma escola pública de ensino básico permitem concluir que os benefícios podem ir muito além de conhecer uma outra língua e sua cultura, o que, por si só, já valeria o esforço. O desenvolvimento do pensamento crítico, a criação de hipóteses, a pesquisa, a comparação, o viés multicultural, o trato com a alteridade, são apenas alguns dos benefícios que podemos depreender de atividades como a aqui relatada.</p>
<p>O Clube de Latim, em suas limitações de tempo e duração e conforme os objetivos estipulados, não pretendia transformar os alunos em proficientes, mas promover uma atitude positiva em relação à aprendizagem da língua e oferecer uma compreensão de como funciona. Os resultados foram muito mais satisfatórios do que o pretendido inicialmente, e isso é atribuído, em boa parte, ao ambiente favorável a uma prática livre e flexível, que considerou o papel dos alunos como coautores do projeto, criando demandas e interagindo com entusiasmo.</p>
<p>Apesar de os participantes declararem sua satisfação com a participação no Clube de Latim, as maiores conquistas foram minhas, como professora, que pude “aprender ao ensinar” e transformar convicções na certeza de que há um espaço para o latim na escola. Entre o ideal e o real, há que se buscar o possível: criar situações e momentos na sala de aula, em cursos de extensão, em projetos interdisciplinares, para oportunizar o contato com o mundo clássico. Ao mesmo tempo, há que se mirar na utopia: tornar essa prática regulamentada, como ocorre em boa parte dos países na Europa, mobilizando professores, gestores, pesquisadores e instituições para uma revisão curricular séria e profunda. Quanto mais ampla e diversificada for a experiência que pudermos oferecer ao aluno, mais próximos de uma formação autônoma e cidadã estaremos.</p>
</sec>
</body>
<back>
<ref-list>
<ref id="redalyc_601782205029_ref1">
<mixed-citation publication-type="book">BELL, Barbara. Minimus. Conhecendo o Latim. Trad. Fábia Leite. São Paulo: Filocalia, 2015.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname>BELL</surname>
<given-names>Barbara</given-names>
</name>
</person-group>
<source>Minimus. Conhecendo o Latim</source>
<year>2015</year>
</element-citation>
</ref>
<ref id="redalyc_601782205029_ref2">
<mixed-citation publication-type="book">BELL, Barbara. Minimus. Desenvolvendo o Latim. Trad. Fábia Leite. São Paulo: Filocalia, 2017.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname>BELL</surname>
<given-names>Barbara</given-names>
</name>
</person-group>
<source>Minimus. Desenvolvendo o Latim</source>
<year>2017</year>
</element-citation>
</ref>
<ref id="redalyc_601782205029_ref3">
<mixed-citation publication-type="journal">BRACKE, Evelien. Bringing ancient languages into a modern classroom. Some reflections. The Journal of Classics Teaching, Cambridge, UK, v. 32, n. 16, p. 35-9, 2016.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname>BRACKE</surname>
<given-names>Evelien</given-names>
</name>
</person-group>
<article-title>Bringing ancient languages into a modern classroom. Some reflections</article-title>
<source>The Journal of Classics Teaching</source>
<year>2016</year>
</element-citation>
</ref>
<ref id="redalyc_601782205029_ref4">
<mixed-citation publication-type="legal-doc">BRASIL. Lei 13.415, de 16 de fevereiro de 2017. Altera a Lei 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional e dá outras providências. Brasília, Presidência da República, 2017a. Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2017/lei/l13415.htm">https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2017/lei/l13415.htm</ext-link>. Acesso em: 07 abr. 2025.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="legal-doc">
<person-group person-group-type="author">
<collab>BRASIL.</collab>
</person-group>
<source>BRASIL. Lei 13.415, de 16 de fevereiro de 2017. Altera a Lei 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional e dá outras providências</source>
<year>2025</year>
<comment>
<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2017/lei/l13415.htm">https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2017/lei/l13415.htm</ext-link>
</comment>
</element-citation>
</ref>
<ref id="redalyc_601782205029_ref5">
<mixed-citation publication-type="legal-doc">BRASIL. Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Brasília: Ministério da Educação, 2017b. Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&amp;view=download&amp;alias=79611-anexo-texto-bncc-aprovado-em-15-12-17-pdf&amp;category_slug=dezembro-2017-pdf&amp;Itemid=30192">http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&amp;view=download&amp;alias=79611-anexo-texto-bncc-aprovado-em-15-12-17-pdf&amp;category_slug=dezembro-2017-pdf&amp;Itemid=30192</ext-link>. Acesso em: 10 abr. 2024.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="legal-doc">
<person-group person-group-type="author">
<collab>BRASIL</collab>
</person-group>
<source>BRASIL. Base Nacional Comum Curricular (BNCC)</source>
<year>2024</year>
<comment>
<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&amp;view=download&amp;alias=79611-anexo-texto-bncc-aprovado-em-15-12-17-pdf&amp;category_slug=dezembro-2017-pdf&amp;Itemid=30192">http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&amp;view=download&amp;alias=79611-anexo-texto-bncc-aprovado-em-15-12-17-pdf&amp;category_slug=dezembro-2017-pdf&amp;Itemid=30192</ext-link>
</comment>
</element-citation>
</ref>
<ref id="redalyc_601782205029_ref6">
<mixed-citation publication-type="book">CORRÊA, Paula da Cunha. Interdisciplinary Minimus Project (Greek, Latin, Archaeology and Philosophy) and Classics in Brazilian schools. In: HUNT, Steven; BULWER, John. (ed.). Teaching Classics worldwide. Successes, challenges and developments. London, UK; New York, NY: Bloomsbury Academic, 2024, p. 317-29.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname>CORRÊA</surname>
<given-names>Paula da Cunha</given-names>
</name>
</person-group>
<article-title>Interdisciplinary Minimus Project (Greek, Latin, Archaeology and Philosophy) and Classics in Brazilian schools</article-title>
<source>eaching Classics worldwide. Successes, challenges and developments</source>
<year>2024</year>
</element-citation>
</ref>
<ref id="redalyc_601782205029_ref7">
<mixed-citation publication-type="book">DOMINIK, William J. Ensinando e pesquisando o mundo clássico. In: PRATA, Patricia; FORTES, Fábio (orgs.). O Latim hoje. Reflexões sobre cultura clássica e ensino. Campinas, SP: Mercado de Letras, 2015, p. 69-88.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname>DOMINIK</surname>
<given-names>William J.</given-names>
</name>
</person-group>
<article-title>Ensinando e pesquisando o mundo clássico</article-title>
<source>O Latim hoje. Reflexões sobre cultura clássica e ensino</source>
<year>2015</year>
</element-citation>
</ref>
<ref id="redalyc_601782205029_ref8">
<mixed-citation publication-type="book">EGGER, Karl; GIANNANGELI, Adelaide M. Lexicon Recentis Latinitatis. Vaticano: Libreria Editrice Vaticana, 2002.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname>EGGER</surname>
<given-names>Karl</given-names>
</name>
<name>
<surname>GIANNANGELI</surname>
<given-names>Adelaide M.</given-names>
</name>
</person-group>
<source>Lexicon Recentis Latinitatis</source>
<year>2002</year>
</element-citation>
</ref>
<ref id="redalyc_601782205029_ref9">
<mixed-citation publication-type="book">FERREIRA, Fátima M. M. R. de Sá. Didática do latim – reflexões e tendências. In: CRAVO, Cláudia; MARQUES, Susana (coord.). O ensino das línguas clássicas. Reflexões e experiências didáticas. Coimbra: Imprensa da Universidade de Coimbra, 2017, p. 49-60.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname>FERREIRA</surname>
<given-names>Fátima M. M. R. de Sá</given-names>
</name>
</person-group>
<article-title>Didática do latim – reflexões e tendências</article-title>
<source>O ensino das línguas clássicas. Reflexões e experiências didáticas</source>
<year>2017</year>
</element-citation>
</ref>
<ref id="redalyc_601782205029_ref10">
<mixed-citation publication-type="journal">FERREIRA, Fátima M. M. R. de Sá. Perspetivas sobre o ensino do Latim em Portugal (Ensino Secundário), eClassica, Lisboa, n. 5, p. 82-9, 2019.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname>FERREIRA</surname>
<given-names>Fátima M. M. R. de Sá</given-names>
</name>
</person-group>
<article-title>Perspetivas sobre o ensino do Latim em Portugal (Ensino Secundário)</article-title>
<source>eClassica</source>
<year>2019</year>
</element-citation>
</ref>
<ref id="redalyc_601782205029_ref11">
<mixed-citation publication-type="journal">FORTES, Fábio S.; MIOTTI, Charlene. M. Cultura clássica e ensino. Uma reflexão sobre a presença dos gregos e latinos na escola. Organon, Porto Alegre, v. 29, n. 56, p. 153-73, 2014.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname>FORTES</surname>
<given-names>Fábio S.</given-names>
</name>
<name>
<surname>MIOTTI</surname>
<given-names>Charlene. M.</given-names>
</name>
</person-group>
<article-title>Cultura clássica e ensino. Uma reflexão sobre a presença dos gregos e latinos na escola</article-title>
<source>Organon</source>
<year>2014</year>
</element-citation>
</ref>
<ref id="redalyc_601782205029_ref12">
<mixed-citation publication-type="book">FORTES, Fábio; PRATA, Patricia. A sobrevivência do Latim. In: PRATA, Patricia; FORTES, Fábio (org.). O Latim hoje. Reflexões sobre cultura clássica e ensino. Campinas, SP: Mercado de Letras, 2015a, p. 23-39.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname>FORTES</surname>
<given-names>Fábio</given-names>
</name>
<name>
<surname>PRATA</surname>
<given-names>Patricia</given-names>
</name>
</person-group>
<article-title>A sobrevivência do Latim</article-title>
<source>O Latim hoje. Reflexões sobre cultura clássica e ensin</source>
</element-citation>
</ref>
<ref id="redalyc_601782205029_ref13">
<mixed-citation publication-type="book">FORTES, Fábio; PRATA, Patricia. Ensino de Latim. Abordagens metodológicas e leitura. In: PRATA, Patricia; FORTES, Fábio (org.). O Latim hoje. Reflexões sobre cultura clássica e ensino. Campinas, SP: Mercado de Letras, 2015b, p. 89-117.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname>FORTES</surname>
<given-names>Fábio</given-names>
</name>
<name>
<surname>PRATA</surname>
<given-names>Patricia</given-names>
</name>
</person-group>
<article-title>Ensino de Latim. Abordagens metodológicas e leitura</article-title>
<source>O Latim hoje. Reflexões sobre cultura clássica e ensino</source>
</element-citation>
</ref>
<ref id="redalyc_601782205029_ref14">
<mixed-citation publication-type="book">FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia. Saberes necessários à prática educativa. 20 ed. São Paulo: Paz e Terra, 2001.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname>FREIRE</surname>
<given-names>Paulo</given-names>
</name>
</person-group>
<source>Pedagogia da autonomia. Saberes necessários à prática educativa</source>
<year>2001</year>
</element-citation>
</ref>
<ref id="redalyc_601782205029_ref15">
<mixed-citation publication-type="book">FUNARI, Pedro Paulo A. A atualidade do latim no Brasil. In: PRATA, Patricia; FORTES, Fábio (org.). O Latim hoje. Reflexões sobre cultura clássica e ensino. Campinas, SP: Mercado de Letras, 2015, p. 7-16.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname>FUNARI</surname>
<given-names>Pedro Paulo A.</given-names>
</name>
</person-group>
<article-title>A atualidade do latim no Brasil</article-title>
<source>O Latim hoje. Reflexões sobre cultura clássica e ensino</source>
<year>2015</year>
</element-citation>
</ref>
<ref id="redalyc_601782205029_ref16">
<mixed-citation publication-type="book">GASCÓ, Rosario M.; MOR, José Luis P.; GALLEGO, Conxa P. Latín 4 ESO. Madri: Santillana, 2008.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname>GASCÓ</surname>
<given-names>Rosario M.</given-names>
</name>
<name>
<surname>MOR</surname>
<given-names>José Luis P.</given-names>
</name>
<name>
<surname>GALLEGO</surname>
<given-names>Conxa P.</given-names>
</name>
</person-group>
<source>Latín 4 ESO</source>
<year>2008</year>
</element-citation>
</ref>
<ref id="redalyc_601782205029_ref17">
<mixed-citation publication-type="journal">HUNT, Steven. Latin and Greek in English Primary Schools – seedlings of a classical education. The Journal of Classics Teaching, Cambridge, UK, p. 1-5, 2023.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname>HUNT</surname>
<given-names>Steven</given-names>
</name>
</person-group>
<article-title>Latin and Greek in English Primary Schools – seedlings of a classical education</article-title>
<source>Journal of Classics Teaching</source>
<year>2023</year>
</element-citation>
</ref>
<ref id="redalyc_601782205029_ref18">
<mixed-citation publication-type="book">LEITE, Leni Ribeiro. Aprendendo a ler – e a falar – em latim. In: PRATA, Patricia; FORTES, Fábio (org.). O Latim hoje. Reflexões sobre cultura clássica e ensino. Campinas, SP: Mercado de Letras, 2015, p. 131-51.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname>LEITE</surname>
<given-names>Leni Ribeiro</given-names>
</name>
</person-group>
<article-title>Aprendendo a ler – e a falar – em latim</article-title>
<source>O Latim hoje. Reflexões sobre cultura clássica e ensino</source>
<year>2015</year>
</element-citation>
</ref>
<ref id="redalyc_601782205029_ref19">
<mixed-citation publication-type="journal">LEME, Fernando Gorab; CORRÊA, Paula da Cunha; ANDERSON, Sílvia M. G.; OLIVEIRA, Leonardo T. O Projeto Minimus. Latim e Grego no Ensino Fundamental, Phaos, Revista de Estudos Clássicos, Unicamp, Campinas, SP, n. 13, p. 93-117, 2013. Disponível em: file:///C:/Users/evand/Downloads/esmeraldo,+Gerente+da+revista,+05+-+GORAB+LEME,+CORREA,+ANDERSON,+OLIVEIRA%20(1).pdf. Acesso em: 10 abr. 2024.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname>LEME</surname>
<given-names>Fernando Gorab</given-names>
</name>
<name>
<surname>CORRÊA</surname>
<given-names>Paula da Cunha</given-names>
</name>
<name>
<surname>ANDERSON</surname>
<given-names>Sílvia M. G.</given-names>
</name>
<name>
<surname>OLIVEIRA</surname>
<given-names>Leonardo T.</given-names>
</name>
</person-group>
<article-title>O Projeto Minimus. Latim e Grego no Ensino Fundamental</article-title>
<source>Phaos, Revista de Estudos Clássicos</source>
<year>2024</year>
</element-citation>
</ref>
<ref id="redalyc_601782205029_ref20">
<mixed-citation publication-type="book">LIMA, Alceu Dias. Uma estranha língua? Questões de linguagem e de método. São Paulo: EDUNESP, 1995.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname>LIMA</surname>
<given-names>Alceu Dias</given-names>
</name>
</person-group>
<source>Uma estranha língua? Questões de linguagem e de método</source>
<year>1995</year>
</element-citation>
</ref>
<ref id="redalyc_601782205029_ref21">
<mixed-citation publication-type="book">MOURA, Alessandro Rolim de; GARRAFFONI, Renata Senna. As línguas clássicas no Ensino Fundamental. Considerações a partir de uma experiência recente. In: PRATA, Patricia; FORTES, Fábio (org.). O Latim hoje. Reflexões sobre cultura clássica e ensino. Campinas, SP: Mercado de Letras, 2015, p. 167-204.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname>MOURA</surname>
<given-names>Alessandro Rolim de</given-names>
</name>
<name>
<surname>GARRAFFONI</surname>
<given-names>Renata Senna</given-names>
</name>
</person-group>
<article-title>As línguas clássicas no Ensino Fundamental. Considerações a partir de uma experiência recente</article-title>
<source>O Latim hoje. Reflexões sobre cultura clássica e ensino</source>
<year>2015</year>
</element-citation>
</ref>
<ref id="redalyc_601782205029_ref22">
<mixed-citation publication-type="book">ØRBERG, Hans. Língua latina pers se illustrata. Pars I. Familia romana. Grenaa: Focus Publishing, 2003.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname>ØRBERG</surname>
<given-names>Hans</given-names>
</name>
</person-group>
<source>Língua latina pers se illustrata. Pars I. Familia romana</source>
<year>2003</year>
</element-citation>
</ref>
<ref id="redalyc_601782205029_ref23">
<mixed-citation publication-type="book">PINTO, Neiva Ferreira. Nossa herança. Nosso trabalho. In: PRATA, Patricia; FORTES, Fábio (org.). O Latim hoje. Reflexões sobre cultura clássica e ensino. Campinas, SP: Mercado de Letras, 2015, p. 41-51.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname>PINTO</surname>
<given-names>Neiva Ferreira</given-names>
</name>
</person-group>
<article-title>Nossa herança. Nosso trabalho</article-title>
<source>O Latim hoje. Reflexões sobre cultura clássica e ensino</source>
<year>2015</year>
</element-citation>
</ref>
<ref id="redalyc_601782205029_ref24">
<mixed-citation publication-type="book">ROWLING, Joanne K. Harrius Potter et philosophi lapis. Trad. Peter Needham. London: Bloonsbury, 2003.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname>ROWLING</surname>
<given-names>Joanne K.</given-names>
</name>
</person-group>
<source>Harrius Potter et philosophi lapis</source>
<year>2003</year>
</element-citation>
</ref>
<ref id="redalyc_601782205029_ref25">
<mixed-citation publication-type="book">SOARES, João S. Latim 1. Iniciação ao latim e à civilização romana. 3 ed. Coimbra: Almedina, 1998.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname>SOARES</surname>
<given-names>João S.</given-names>
</name>
</person-group>
<source>Latim 1. Iniciação ao latim e à civilização romana</source>
<year>1998</year>
</element-citation>
</ref>
<ref id="redalyc_601782205029_ref26">
<mixed-citation publication-type="book">SOARES, João S.; MARTINS, Isaltina F. Latim 2. Língua e civilização. Coimbra: Almedina, 2000.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname>SOARES</surname>
<given-names>João S.</given-names>
</name>
<name>
<surname>MARTINS</surname>
<given-names>Isaltina F.</given-names>
</name>
</person-group>
<source>Latim 2. Língua e civilização</source>
<year>2000</year>
</element-citation>
</ref>
<ref id="redalyc_601782205029_ref27">
<mixed-citation publication-type="book">SOARES, João S.; MARTINS, Isaltina F. Latim 3. Língua – história literária – cultura. Coimbra: Almedina, 2001.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname>SOARES</surname>
<given-names>João S.</given-names>
</name>
<name>
<surname>MARTINS</surname>
<given-names>Isaltina F.</given-names>
</name>
</person-group>
<source>Latim 3. Língua – história literária – cultura</source>
<year>2001</year>
</element-citation>
</ref>
<ref id="redalyc_601782205029_ref28">
<mixed-citation publication-type="book">VASCONCELLOS, Paulo Sérgio de. Ensino e pesquisa de língua e literatura latina no Brasil de hoje. In: PRATA, Patricia; FORTES, Fábio (org.). O Latim hoje. Reflexões sobre cultura clássica e ensino. Campinas, SP: Mercado de Letras, 2015, p. 53-68.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname>VASCONCELLOS</surname>
<given-names>Paulo Sérgio de</given-names>
</name>
</person-group>
<article-title>Ensino e pesquisa de língua e literatura latina no Brasil de hoje</article-title>
<source>O Latim hoje. Reflexões sobre cultura clássica e ensino</source>
<year>2015</year>
</element-citation>
</ref>
<ref id="redalyc_601782205029_ref29">
<mixed-citation publication-type="journal">VEREECK, Alexandra, BRACKE, Evelien; De HERDT, Katja; JANSE, Mark. Revered and reviled. An outline of the public debate regarding, The Journal of Classics Teaching, Cambridge, UK, n. 25, p. 101-15, 2024.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname>VEREECK</surname>
<given-names>Alexandra</given-names>
</name>
<name>
<surname>BRACKE</surname>
<given-names>Evelien</given-names>
</name>
<name>
<surname>De HERDT</surname>
<given-names>Katja</given-names>
</name>
<name>
<surname>JANSE</surname>
<given-names>Mark</given-names>
</name>
</person-group>
<article-title>Revered and reviled. An outline of the public debate regarding</article-title>
<source>The Journal of Classics Teaching</source>
<year>2024</year>
</element-citation>
</ref>
<ref id="redalyc_601782205029_ref30">
<mixed-citation publication-type="journal">WRIGHT, Anne. Running a Greek Club – The Hereford Cathedral School Experience, The Journal of Classics Teaching, Cambridge, UK, v. 32, n. 16, p. 21-4, 2016.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname>WRIGHT</surname>
<given-names>Anne</given-names>
</name>
</person-group>
<article-title>Running a Greek Club – The Hereford Cathedral School Experience</article-title>
<source>The Journal of Classics Teaching</source>
<year>2016</year>
</element-citation>
</ref>
</ref-list>
<fn-group>
<title>Notas</title>
<fn id="fn2" fn-type="other">
<label>1</label>
<p>De uma escola pública federal que atende alunos do 6º ano do Ensino Fundamental à 3ª série do Ensino Médio, na cidade de Porto Alegre (RS).</p>
</fn>
<fn id="fn3" fn-type="other">
<label>2</label>
<p>Edições disponíveis on-line, em https://www.chinese-russian-latin.elionline.com/p/adulescens.</p>
</fn>
<fn id="fn4" fn-type="other">
<label>3</label>
<p>Uma amostra está disponível em: https://www.vatican.va/roman_curia/institutions_connected/latinitas/documents/rc_latinitas_20040601_lexicon_it.html#1. Acesso em: 16 maio 2025.</p>
</fn>
<fn id="fn5" fn-type="other">
<label>4</label>
<p>https://la.wikipedia.org/wiki/Vicipaedia:Pagina_prima. Acesso em: 16 maio 2025.</p>
</fn>
<fn id="fn6" fn-type="other">
<label>5</label>
<p>“teach ancient languages as languages (using their increased knowledge of broadly communicative techniques) rather than codes”.</p>
</fn>
<fn id="fn7" fn-type="other">
<label>6</label>
<p>Interessante aqui como essas línguas antigas recebem o mesmo tratamento das línguas modernas. Daí haver um número significativo de manuais que abordam a metodologia do ensino de Latim e Grego à semelhança do que é feito com as línguas modernas.</p>
</fn>
<fn id="fn8" fn-type="other">
<label>7</label>
<p>A revogação da obrigatoriedade do Espanhol no Ensino Médio (Brasil, 2017a) ilustra bem o cenário de desafios que precisam ser superados. Enquanto as línguas clássicas são reinseridas nos currículos europeus, no Brasil, o ensino de línguas modernas perde espaço e cria lacunas importantes na formação escolar.</p>
</fn>
</fn-group>
</back>
</article>