Resenhas

PESQUISA EM EDUCAÇÃO: MÉTODOS E EPISTEMOLOGIAS

INVESTIGACIÓN EN EDUCACIÓN: MÉTODOS Y EPISTEMOLOGÍAS

RESEARCH IN EDUCATION: METHODS AND EPISTEMOLOGIES

Gustavo Adolfo D’ALMEIDA LÔBO 1
Universidade Estadual do Ceará (UECE), Brasil
Kátia Regina Rodrigues LIMA 2
Universidade Regional do Cariri (URCA), Brasil

PESQUISA EM EDUCAÇÃO: MÉTODOS E EPISTEMOLOGIAS

Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, vol. 17, núm. 1, pp. 596-603, 2022

Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho

Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação 2022

Recepción: 07 Enero 2021

Recibido del documento revisado: 23 Febrero 2021

Aprobación: 07 Abril 2021

Publicación: 02 Enero 2022

Resumo: O livro Pesquisa em educação: métodos e epistemologias, de autoria do professor Sílvio Ancisar Sánchez Gamboa, se enquadra no rol das leituras essenciais para quem envereda na pesquisa educacional: a obra traz uma rica contribuição ao processo de análise das produções acadêmicas sobre educação no Brasil e aponta importantes problemas e sugestões sobre a estrutura metodológica, epistemológica e filosófica da pesquisa em educação. Estabelece uma matriz paradigmática que, na edição resenhada, foi ampliada e torna-se uma matriz epistemológica, capaz de identificar os aspectos internos que compõem a construção dos textos científicos resultantes das pesquisas, bem como os fatores externos que impactam na investigação e produção acadêmica. A obra, dividida em 10 capítulos, conduz o leitor a uma percepção do processo lógico necessário ao trabalho científico, superando o viés tecnicista dos manuais de metodologia de pesquisa e levantando discussões sobre aspectos epistemológicos, filosóficos e éticos relevantes para uma ciência libertadora.

Palavras-chave: Epistemologia da pesquisa, Pesquisa em educação, Matriz epistemológica.

Resumen: El libro Investigación en educación: métodos y epistemologías, del profesor Sílvio Ancisar Sánchez Gamboa, se inscribe en la lista de lecturas esenciales para los dedicados a la investigación educativa, el trabajo trae una rica contribución al proceso de análisis de las producciones académicas sobre educación en Brasil y presenta importantes problemas y sugerencias sobre la estructura metodológica, epistemológica y filosófica de la investigación en educación. Establece una matriz paradigmática que, en la edición reseñada, se amplió y se convierte en una matriz epistemológica, capaz de identificar los aspectos internos que conforman la construcción de textos científicos resultantes de la investigación, así como factores externos que impactan la investigación y la producción científica. El trabajo, dividido en 10 capítulos, conduce al lector a una percepción del proceso lógico necesario para la producción científica, superando el sesgo técnico de los manuales de metodología de la investigación y planteando discusiones sobre aspectos epistemológicos, filosóficos y éticos relevantes para una ciencia liberadora.

Palabras clave: Epistemología de la investigación, Investigación en educación, Matriz epistemológica.

Abstract: The book Research in education: methods and epistemologies, by Professor Sílvio Ancisar Sánchez Gamboa, fits into the list of essential readings for those dedicated to educational research, the work brings a rich contribution to the process of analysis of academic productions on education in Brazil and points out important problems and suggestions about the methodological, epistemological and philosophical structure of research in education. It establishes a paradigmatic matrix that, in the reviewed edition, was expanded and becomes an epistemological matrix, able to identify the internal aspects that make up the construction of scientific texts resulting from research, as well as external factors that impact on research and scientific production. The work, divided into 10 chapters, leads the reader to a perception of the logical process necessary for scientific production, overcoming the technical bias of the research methodology manuals and raising discussions on epistemological, philosophical and ethical aspects relevant to a liberating Science.

Keywords: Research epistemology, Education research, Epistemological matrix.

Silvio Ancisar Sánchez Gamboa é um renomado professor colombiano, radicado no Brasil há décadas, e que tem contribuído como docente na área da Filosofia e História da Educação na Unicamp e como professor visitante em várias instituições de ensino superior, no Brasil e em outros países sul-americanos.

O livro Pesquisa em Educação: métodos e epistemologias, origina-se de relatos das experiências de “pesquisa da pesquisa”, realizadas no período entre o início da década de 1970 e o ano de 1984, nas quais Gamboa analisa a existência e o desenvolvimento das relações lógicas entre os aspectos técnico-metodológicos e epistemológico-filosóficos presentes nas pesquisas educacionais desenvolvidas nos programas de pós-graduação por ele investigados.

A forma como o livro é estruturado, dividido em 10 capítulos, demonstra a preocupação do autor com o processo lógico que destaca ao longo do texto. Os capítulos iniciais tratam de uma fundamentação teórica necessária à compreensão da análise realizada sobre a produção da pós-graduação, apresentada nos capítulos seguintes. O autor, além de basear o leitor com conceitos essenciais, aponta a necessidade de ruptura com o paradigma clássico do estatuto estabelecido da ciência positiva, critica as publicações sobre investigação educativa por serem tecnicistas, pela falta de fundamentos lógicos e epistemológicos, por serem pouco acessíveis aos estudantes e iniciantes na investigação, e por não articular os aspectos técnico-metodológicos com os aspectos epistemológico-filosóficos da pesquisa.

No primeiro capítulo desenvolve uma explanação sobre a contribuição de pensadores contemporâneos à epistemologia da pesquisa científica e mostra que a mesma preocupação também se desenvolveu no campo da educação, a partir dos anos de 1970. O autor conduz o leitor à percepção do como e porque se construiu o instrumento matriz paradigmática para a realização de seu trabalho de “pesquisa da pesquisa”. Expõe uma série de paradoxos implícitos nos métodos das produções pesquisadas e passa a apresentá-los a partir dos conflitos perceptíveis em polos ou pares. No que se refere à relação entre o sujeito e o objeto da pesquisa, aponta para a quebra da dicotomia investigador-sujeito/objeto. Salienta que nas Ciências Sociais todos são sujeitos e o único objeto plausível de ser conhecido e transformado é a realidade.

Ao longo do segundo capítulo, Gamboa denuncia a invasão de uma redução tecnicista da prática da pesquisa em educação e exalta a investigação científica como criadora de uma teoria do conhecimento e de uma filosofia, e não apenas de um saber do campo específico de cada área. Critica os manuais de pesquisa que apenas ensinam técnicas e fazem parecer a pesquisa com o domínio de receitas prontas e gerais, sem atentar para as especificidades do trabalho científico, como a produção de uma filosofia implícita no processo de construção das respostas organizadas às questões e ao estabelecimento de uma cosmovisão.

O autor explica que uma abordagem epistemológica poderá esclarecer as relações entre técnicas, métodos, paradigmas, pressupostos gnosiológicos e ontológicos, presentes de forma mais ou menos explícita em cada pesquisa. Afirma que a pesquisa epistemológica sobre a pesquisa educacional agrega o método lógico ao método histórico e pode dar conta de explicar as transformações paradigmáticas da produção científica. Diz que não se deve ver a abordagem epistemológica como modelo para elaboração de projetos, pois é uma análise a posteriori, sobre trabalhos já realizados, nos quais se busca ver os percursos e como as etapas se relacionam. Expõe, também, que não deve ser objetivo do projeto de pesquisa fixar a priori um modelo paradigmático, pois além de criar falsas expectativas, essa escolha limita a criatividade e a liberdade do pesquisador no contato com a realidade a ser pesquisada.

No terceiro capítulo, Gamboa apresenta a matriz paradigmática, instrumento que elaborou e utilizou para a reconstrução da lógica interna que conduz a pesquisa e, a partir daí, ver as bases do enfoque teórico e metodológico utilizado. Afirma que a concretização é produzida pelo movimento recíproco em que fatos e conceitos se correlacionam. Estabelece diferentes níveis ou grupos de pressupostos em que se organizam os elementos da correlação: o nível básico se refere à lógica na relação entre Pergunta e Resposta, e a elaboração da Resposta integra diversos níveis de complexidade (técnico, metodológico, teórico, pressupostos epistemológicos, pressupostos gnosiológicos e pressupostos ontológicos).

Ao desconstruir os conceitos de pureza e neutralidade científica, o autor elucida os interesses por trás de cada paradigma. Expõe os pressupostos gnosiológicos como uma maneira de generalizar, aspecto que permite reconhecer caracteres comuns entre objetos também comuns. Cada enfoque metodológico possui uma forma de conceber os processos lógico-gnosiológicos a partir de como se relacionam o real, o abstrato e o concreto, tomando como pressupostos ontológicos as concepções de homem, história e realidade.

O quarto capítulo, que tem colaboração do professor Régis Henrique Reis da Silva e foi acrescido nesta edição publicada em 2018, traz uma requalificação do instrumento desenvolvido por Gamboa, a matriz paradigmática, que avançou, após absorvidas as críticas supervenientes, para uma matriz epistemológica que contempla as condições sociopolíticas e econômicas do entorno no qual o pesquisador está inserido. A associação de aspectos externos, histórico-sociais, aos aspectos internos, lógicos, na análise da pesquisa das ciências da ação, dá matizes novas ao processo de produção científica, mostrando-o mais politizado e exigindo dele mais criticidade. Colocam o mundo da necessidade na relação de composição do problema, apresentando os elementos de contexto que influem na atividade do pesquisador.

O quinto capítulo relata os estudos de caráter epistemológico que fez sobre as pós-graduações em educação no estado de São Paulo, no período de 1971 a 1984. A pesquisa buscou a relação entre o lógico e o histórico, reconstituindo os modelos epistemológicos das pesquisas, caracterizando-as quanto ao nível de articulação explícito e pressupostos implícitos, elucidando as tendências e paradigmas e as condições históricas que explicam a trajetória dessas tendências. Identificou três vertentes epistemológicas: empírico-analítica, fenomenológico-hermenêutica e crítico-dialética. A partir dos resultados foi possível confrontar as lógicas das três tendências em vários níveis: técnico, metodológico, teórico, epistemológico, concepção de ciência, gnosiológico e ontológico; em cada um o autor elenca as características que os diferenciam e discorre sobre elas.

Sílvio Gamboa expõe a necessidade de uma melhor formação filosófica para os pesquisadores ao longo do seu processo formativo, a fim de que possam compreender aspectos como a teoria do conhecimento, processos científicos e fundamentos epistemológicos da pesquisa, para fugir da reprodução de fórmulas ou receitas como as existentes nos tradicionais manuais de pesquisa e escapar das opções epistemológicas como modismos teórico-metodológicos.

No sexto capítulo o autor identifica, a partir das abordagens teórico-metodológicas, as dificuldades encontradas nos projetos de pesquisa para relacionar os resultados da pesquisa com a prática educativa e discutir o estatuto científico da educação. Aponta que uma certa tendência ‘utilitarista’ faz com que se inverta o sentido da pesquisa, colocando o uso de seus resultados como objetivo, quando o conhecimento do evento/fenômeno deveria ser priorizado. Este aspecto, aliás, causa um problema de ordem ética que o autor irá abordar. Adverte que se investigam problemas. Os projetos que não apresentam problemas/indagações e sim afirmações são equivocados e fogem da lógica da pesquisa. Compreende que, na aplicabilidade dos resultados, há uma relação entre o tipo de abordagem e o tipo de mudança propostas em uma pesquisa, do menor nível de mudança (homeostase e incrementalismo) ao maior nível de mudança (neomovilismo e metamorfose). Trata do ‘colonialismo epistemológico’ ou da invasão das teorias ou categorias de outras áreas do conhecimento na pesquisa educacional devido à falta de um estatuto epistemológico próprio da educação.

Aponta um novo circuito de conhecimento no qual se parte da educação, trafega-se por outras áreas e retorna-se para a educação como ponto final. A dialética da práxis estabelece a máxima de que a teoria é válida à medida que transforma a prática e esta também é verdadeira à medida que transforma a teoria. Constrói-se o novo campo epistemológico da educação, tendo a prática educativa como ponto de partida e de caráter multidisciplinar. Há um reforço na defesa da teoria da práxis como elemento essencial para a transformação da pesquisa em instrumento eficaz para a transformação da educação.

No sétimo capítulo, Gamboa parte da matriz epistemológica que organiza por complexidade os elementos que compõem a pesquisa, dos mais concretos aos mais abstratos, para definir os aspectos gnosiológicos das abordagens epistemológicas e das teorias educativas usadas na pesquisa educacional. O autor trata da análise do problema da relação cognitiva entre o sujeito e o objeto, campo da filosofia que é essencial na pesquisa, no qual se dá a articulação lógica entre conceitos de objeto, sujeito (gnosiológico) e as teorias da educação como indicador da qualidade da produção da pesquisa. Cita Tedesco e Saviani para conceituar as tendências e as concepções sobre educação prevalentes na América Latina, e dentro destes quadros explicita a diversidade entre as teorias críticas, no que se refere à relação sociedade-educação: sendo marcante e reprodutivista (teorias crítico-reprodutivistas) e vendo uma relação dialética de determinação e transformação da sociedade e da educação (crítico-dialéticas).

Gamboa expõe que a maior diferença encontrada nas abordagens dos pressupostos gnosiológicos no tocante aos desdobramentos metodológicos não está nas técnicas de coleta e tratamento de dados, mas na concepção do objeto, como ele é entendido e compreendido pelo sujeito. Há uma relação intrínseca entre o método e os pressupostos gnosiológicos. O método não se explica por si só, ele depende do ponto de saída e chegada da pesquisa, depende dos sentidos atribuídos aos dados empíricos coletados e de como o objeto é compreendido como algo pronto e dado ou como fenômeno em construção e transformação permanente.

O oitavo capítulo é dedicado à concepção de homem na pesquisa educativa. Nele, o autor resgata o papel da pesquisa filosófica como fundamental para construção crítica dos modelos científicos. Destaca que o desenvolvimento de pesquisas de caráter epistemológico e filosófico dá consistência lógica a essas tendências. Fazendo uso da sua “matriz paradigmática” foi possível recuperar as ligações entre registro e análise de dados, abordagens metodológicas, teorias, concepções epistemológicas e pressupostos filosóficos. Cada abordagem se identifica com pressupostos filosóficos, e foram divididas em duas dimensões: gnosiológica (relação sujeito-objeto) e ontológica (concepção de homem, história e realidade). Apresenta as diferentes concepções de homem a partir de cada modelo: homem funcional e quantificável, típico do racionalismo cartesiano da matriz empírico-analítica; ser de múltiplos papéis, inserido no sistema que o conforma, um ser transitório e inacabado como apresenta a matriz fenomenológico-hermenêutica ou um ser incluído no conjunto das relações sociais e capaz de libertar-se da determinação social através de uma prática revolucionária, como propõe a matriz crítico-dialética.

Gamboa aponta o interesse crescente dos pesquisadores por compreender e explicar a ação educativa, as relações da escola com o todo social e as contradições sociais que se manifestam nas lutas por erradicar a marginalidade, a exclusão e as estruturas de exploração, para tanto, o marxismo e a dialética se afirmam como teoria e método com significativa capacidade heurística, dada sua proximidade com o interesse transformador.

O nono capítulo afirma que os fenômenos educativos, por sua natureza social, são também históricos. Diz que, dependendo da abordagem teórico-metodológica, nem sempre a pesquisa em educação leva em conta a historicidade do fenômeno educativo. A reflexão sobre temporalidade e historicidade do fenômeno educacional é dividida em três etapas: como justificativa de um novo campo para a historiografia; como apresentação da forma como as pesquisas educacionais abordam a temporalidade e a historicidade do objeto, e como questões que venham a mover o debate e novos estudos. Indagar sobre as formas de abordar a temporalidade e a historicidade na investigação educativa é uma forma de desenvolver a crítica epistemológica e ideológica como uma função da historiografia da educação. Ao identificar as abordagens teórico-metodológicas utilizadas na pesquisa educacional e elucidar os pressupostos epistemológicos e gnosiológicos que as sustentam e que definem a categoria tempo e a abordagem da historicidade dos fenômenos estudados, encontrou duas concepções sobre a concepção ontológica de realidade: uma sincrônica (empírico-analíticas e fenomenológicas/estruturalistas) e outra diacrônica (fenomenológicas/existencialista-hermenêuticas e dialéticas). Na concepção sincrônica há uma ideia de tempo que tende à apreensão estática do momento tomado como pano de fundo ou como reedição do contexto histórico. Na concepção diacrônica o tempo aparece dinâmico, quer como existência viva, quer como movimento, evolução e dinâmica dos fenômenos.

O décimo capítulo responde à questão: os interesses cognitivos, presentes nos enfoques epistemológicos que embasam a pesquisa na educação, podem ser abordados como questão ética? Com o contributo de Habermas, levanta questões relacionadas à postura ética de pesquisadores na construção do saber sobre educação; indagam sobre a separação entre a ciência e os valores; a pretensa objetividade do método e a neutralidade axiológica do pesquisador. Critica a percepção de ética na ciência, limitada aos cuidados metodológicos da pesquisa e a aplicação e utilização dos resultados da pesquisa.

Gamboa ressalta o papel do investigador/pesquisador na elaboração do conhecimento científico, que é uma produção social e histórica, afastando a visão de uma produção mecânica, com aplicação de elementos prontos. Esse processo articula diversos elementos, inclusive pressupostos epistemológicos e filosóficos, os mais basilares, pois elucidam e explicam os demais, técnico-metodológicos. Expõe que os três enfoques básicos da pesquisa: o empírico-analítico; o histórico-hermenêutico e o crítico-dialético, correspondem, respectivamente, aos três tipos de interesse humano quanto à produção de conhecimento: o técnico de controle; o dialógico de consenso e o crítico emancipador. O pensar não pode dissociar-se das três dimensões fundamentais da vida humana: o trabalho, a linguagem e o poder. O autor coloca que os três enfoques correspondem a três conjuntos lógicos: o conjunto trabalho-técnica-informação, subjacente ao enfoque empírico-analítico; o conjunto linguagem-consenso-interpretação, contido no enfoque histórico-hermenêutico; e o conjunto poder-emancipação-crítica, implícito ao enfoque dialético.

Tratando da ética na pesquisa científica, o filósofo analisa como os interesses cognitivos de cada opção epistemológica se expressam na pesquisa por meio de técnicas, métodos e aspectos epistemológicos e filosóficos. Por ser consciente, o ato moral se dá por convicção íntima e não de forma mecânica, externa ou impessoal. Entretanto, há uma mecanicidade nas ações dos pesquisadores que não buscam as razões implícitas originadas de suas convicções filosóficas, de onde concluímos que o agir ético pode ser prejudicado.

Gamboa finaliza apresentando a obra como um ensaio que contribui para o aprofundamento dos aspectos relativos aos fundamentos epistemológicos e filosóficos da pesquisa educacional e não como um manual de pesquisa. Refere-se à importância do ponto de partida: a prática da investigação científica, cuja análise se dá na procura pela lógica que articula os elementos que compõem a produção científica já pronta, sendo, pois, uma análise a posteriori. Reafirma que a pesquisa educacional deve ser percebida pela complexidade, que vai da adoção de instrumentos, técnicas e procedimentos, passando por um método que é uma teoria de ciência em ação afirmada em uma teoria do conhecimento. Aponta o fato de não existir teoria do conhecimento sem uma ontologia, uma concepção de mundo, uma cosmovisão, sendo, portanto, o conhecimento também afetado ideologicamente.

A obra não é, de fato, um manual de pesquisa, ao contrário, trata-se de um manifesto pela utilização dos pressupostos filosóficos, epistemológicos e gnosiológicos na construção da ciência, seja em educação ou em quaisquer outras áreas do conhecimento. A obra é um chamado à valorização filosófica, destinado a estudantes, professores(as) e pesquisadores(as) que buscam um pensamento aprofundado sobre os assuntos referentes à pesquisa, que ultrapassa os limites teórico-metodológicos, indo nas raízes que sustentam nossa forma de compreender o mundo e de nele intervir. Gamboa busca dotar o pesquisador de consciência sobre as formas implícitas que condicionam a construção do conhecimento, desde a natureza ontológica até os meandros das etapas técnicas da pesquisa.

Referências

GAMBOA, Silvio Sánchez. Pesquisa em educação: métodos e epistemologias. 3. ed. rev., atual. e ampl. Chapecó: Argos, 2018. e-PUB. ISBN: 978-85-7897-253-0.

Notas de autor

1 Universidade Estadual do Ceará (UECE), Limoeiro do Norte – CE – Brasil. Professor Assistente do Curso de Licenciatura em História da Faculdade de Filosofia Dom Aureliano Matos - FAFIDAM/UECE. Mestrado em História (UFPE), Doutorando em Educação pelo PPGE/UECE.
2 Universidade Regional do Cariri (URCA), Crato – CE – Brasil. Professora Associada do Departamento de Ciências Biológicas. Professora do PPGE/UECE. Pós-Doutorado em Educação (UFC); Doutorado em Educação (UFSCar), Mestrado em Educação (UFC).

Información adicional

Como referenciar este artigo: D’ALMEIDA LÔBO, G. A.; LIMA, K. R. R. Pesquisa em educação: Métodos e epistemologias. Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 1, p. 0596-0603, jan./mar. 2022. e-ISSN: 1982-5587. DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v17i1.14618

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