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A FORMAÇÃO INTEGRAL E O DESENVOLVIMENTO DAS HABILIDADES SOCIOEMOCIONAIS FRENTE À PREVENÇÃO DE OCORRÊNCIA DE CASOS DE BULLYING NAS ESCOLAS

FORMACIÓN INTEGRAL Y DESSARROLLO DE HABILIDADES SOCIOEMOCIONALES PARA PREVENIR LA OCURRENCIA DE CASOS DE BULLYING EM LAS ESCUELAS

COMPREHENSIVE EDUCATION AND THE DEVELOPMENT OF SOCIAL AND EMOTIONAL SKILLS TO PREVENT THE OCCURRENCE OF BULLYING IN SCHOOL ENVIRONMENTS

Alessandra Rodrigues de Freitas SANZOVO 1
Programa de Educação Continuada em Economia e Gestão de Empresas (PECEGE) Esalq/USP MBAs, Brasil
José Anderson SANTOS CRUZ 2
Programa de Educação Continuada em Economia e Gestão de Empresas (PECEGE) Esalq/USP MBAs, Brasil

A FORMAÇÃO INTEGRAL E O DESENVOLVIMENTO DAS HABILIDADES SOCIOEMOCIONAIS FRENTE À PREVENÇÃO DE OCORRÊNCIA DE CASOS DE BULLYING NAS ESCOLAS

Revista on line de Política e Gestão Educacional, vol. 25, núm. 3, pp. 2827-2842, 2021

Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho

Revista on line de Política e Gestão Educacional 2021

Recepción: 05 Agosto 2021

Recibido del documento revisado: 10 Septiembre 2021

Aprobación: 13 Octubre 2021

Publicación: 08 Diciembre 2021

Resumo: O objetivo desta pesquisa é demonstrar o quanto uma formação integral de qualidade pode possibilitar o desenvolvimento de habilidades socioemocionais. Uma formação que visa não só deixar os alunos o dia todo na escola, mas, principalmente, trazer uma educação significativa que possibilite que ele vivencie o seu dia a dia nos estudos com uma matriz curricular ampliada. Ao desenvolver habilidades socioemocionais, estes indivíduos se tornam seres mais empáticos e sensíveis às causas do outro e, também, seres passíveis de entender, aceitar e se envolver com demandas de inclusão, respeito e solidariedade. A pesquisa, ainda, traz reflexões de como a escola pode ser um complemento dos déficits familiares na formação de valores morais, valores éticos e consciência de respeito ao outro. Neste contexto, dentro de um novo modelo educacional, é possível verificar o quanto este aluno-cidadão se torna mais consciente e entendedor de práticas que podem agredir o outro. Uma escola que forma os alunos não só com conteúdo de uma matriz curricular engessada, mas num propósito de consciência da importância de conhecer e lutar por causas sociais, causas de inclusão e respeito a todos, com certeza é o modelo de escola mais contemporâneo que podemos ter. Consequentemente, diante deste cenário escolar, a pesquisa visa demonstrar o quanto este cenário é capaz de prevenir, reduzir e, quiçá, acabar com os casos de bullying nas escolas e na vida, já que a escola forma para além muros escolares.

Palavras-chave: Inclusão, Educação, Respeito, Valores morais, Empatia.

Resumen: El objetivo de esta investigación es demostrar cómo una formación integral de calidad puede posibilitar el desarrollo de habilidades socioemocionales. Una formación que tiene como objetivo no solo dejar a los alumnos todo el día en la escuela, sino, principalmente, traer una educación significativa que le permita vivir su día a día en los estudios con una matriz curricular ampliada. A la hora de desarrollar habilidades socioemocionales, estos individuos se vuelven más empáticos y sensibles a las causas del otro y, también, seres capaces de comprender, aceptar e implicarse en las demandas de inclusión, respeto y solidaridad. La investigación también trae reflexiones sobre cómo la escuela puede complementar los déficits familiares en la formación de valores morales, valores éticos y conciencia de respeto por los demás. En este contexto, dentro de un nuevo modelo educativo, es posible verificar cuánto este estudiante-ciudadano se vuelve más consciente y comprensivo de prácticas que pueden atacar al otro. Una escuela que capacita a los alumnos no solo con contenidos en un currículum enlucido, sino con el propósito de concienciar sobre la importancia de conocer y luchar por causas sociales, causas de inclusión y respeto por todos, es sin duda el modelo de escuela más contemporáneo que podemos hacer. tengo. En consecuencia, ante este escenario escolar, la investigación tiene como objetivo demostrar hasta qué punto este escenario es capaz de prevenir, reducir y, quizás, acabar con los casos de bullying en las escuelas y también en la vida, ya que la escuela se forma más allá de los muros escolares.

Palabras clave: Inclusión, Educación, Respeto, Valores morales, Empatía.

Abstract: The objective of this research is to demonstrate how an integral education of quality can enable the development of social and emotional skills. An education that aims not only to keep the students in school all day, but, mainly, to provide a meaningful education that allows them to experience their daily lives in their studies with an expanded curriculum. By developing socioemotional skills, these individuals become more empathetic and sensitive to the causes of others, and also able to understand, accept, and get involved with demands for inclusion, respect, and solidarity. The research also brings reflections on how the school can be a complement to family deficits in the formation of moral values, ethical values, and awareness of respect for others. In this context, within a new educational model, it is possible to verify how much this student-citizen becomes more aware and more understanding of practices that may harm the other. A school that forms students not only with the content of a plastered curricular matrix, but with the purpose of raising awareness about the importance of knowing and fighting for social causes, causes of inclusion and respect for all, is certainly the most contemporary school model that we can have. Consequently, in this school scenario, the research aims to demonstrate how this scenario is able to prevent, reduce and, perhaps, end the cases of bullying in schools and in life, since the school educates beyond the school walls.

Keywords: Inclusion, Education, Respect, Moral values, Empathy.

Introdução

Um em cada dez estudantes no Brasil que tenha cerca de 15 anos de idade, sofre ou já sofreu bullying. Este é um dado apontado pelo levantamento do PISA (BRASIL, 2015). Segundo os estudantes que responderam à pesquisa do PISA (BRASIL, 2015), a agressão física ou verbal, já se tornou parte de seu dia a dia e às vezes passam desapercebidas.

Como tais agressões estão presentes no cotidiano dos adolescentes, eles se habituaram com esse tipo de comportamento agressivo, acarretando sentimentos de conformidade, de que agressão é algo ‘normal’ e, muito provavelmente, vivem com a possibilidade de serem vítimas em algum momento da vida. Com isto, é possível identificar uma distorção nítida de valores éticos e morais em cada um destes estudantes (TREVISOL et al., 2017). Através de uma pesquisa com estudantes brasileiros e portugueses, chegou-se à conclusão de que mediante a ocorrência de bullying, 26,17% dos estudantes brasileiros preferem se afastar da agressão, 22,43% optam por defender quem está sendo agredido e 24,30% preferem pedir ao agressor para parar (TREVISOL et al., 2017).

Entendendo que o Bullying é uma ação de um determinado sujeito com intenção de atingir um outro indivíduo de forma negativa e imoral que, consequentemente, causa sofrimento e vergonha, podemos identificar que o ato de provocar tal constrangimento não pode ser considerada uma conduta ‘normal’ (OLWEUS, 1997).

Assim, precisamos que os professores se mantenham em constante formação para que possam ministrar a convivência como um valor em suas aulas e, entendendo-a como um valor, trabalhar e desenvolvê-lo para que a convivência junto ao valor agregado, não seja só utilizada como ferramenta de socialização e civilidade, mas, principalmente, de respeito ao outro (TOGNETTA et al., 2017).

Sendo o bullying, também, um erro na formação moral e de valor, é possível dizer que quem o pratica é uma pessoa desprovida de valores, sendo, neste caso, o respeito ao próximo o principal desvio desta má formação (TOGNETTA et al., 2017).

Portanto, a formação integral aparece como uma possibilidade de atuação da escola contra as causas do bullying. Porém, é preciso entender que a formação integral não tem o mesmo significado que a formação em tempo integral. Ainda que a segunda possa proporcionar mais tempo do educando na escola e mais oportunidades para o desenvolvimento das atividades de formação integral, a primeira prepara o educando para experenciar uma vida de forma saudável, com solidariedade, com convivência humanizada, em paz e com uma grade curricular ampliada que possibilitará a ele novas vivências (ANTUNES; PADILHA, 2010). Ou seja, desenvolve o ser humano em sua integralidade.

Compreendendo a relação que o bullying tem com a ausência ética, é possível assimilar a relação que há entre o desenvolvimento socioemocional, seja nas dimensões emocionais e sociais ou na reeducação que podem ocorrer destas dimensões, frente às ocorrências de bullying (TOGNETTA et al., 2014).

A escola precisa proporcionar atividades ao aluno que tragam a sua realidade à tona. Ou seja, criar um ambiente seguro através das atividades visando a aprendizagem significativa, para que ele possa entender que é possível ter ações diferentes que acarretem resultados diferentes e, consequentemente, ser melhor a cada dia.

A Base Nacional Comum Curricular [BNCC] preconiza, quando apresenta as 10 competências gerais da Educação Básica, o desenvolvimento socioemocional, mas, especificamente nos itens 8, 9 e 10, mostra que o desenvolvimento emocional, a empatia e o agir coletivo devem estar presente nas atividades escolares (BRASIL, 2018).

Para além disso, muitas vezes carregam uma distorção dos valores éticos e morais de acordo com as atitudes vivenciadas pelos próprios pais que, indiretamente, e, às vezes até inconscientemente, passam para seus filhos. Muitos pais acreditam que o bullying faz parte da cultura e que sempre existiu, e que existe um período em que todos passam por isso, e que hoje em dia há muito exagero nas avaliações destes casos (Projeto Bullying: vamos conversar, 2019).

Desta forma, é possível entender que há um distanciamento entre o julgamento e a ação moral dos agressores. Eles precisam, além de saber o que é certo ou errado, querer agir corretamente, as atitudes corretas precisam fazer parte de seus valores e precisam fazer bem para ele. Só assim isso se tornará parte de sua rotina e integrará seu caráter naturalmente (TOGNETTA et al., 2017).

No entanto, a escola não pode transformar o desenvolvimento das habilidades socioemocionais em uma disciplina quadrada, isso seria um erro. Estas atividades não cabem a uma disciplina, devem fazer parte de todas. Existem inúmeras atividades que podem ser desenvolvidas na escola que possibilitem as discussões de desenvolvimento das competências socioemocionais - CSE, como por exemplo, analisar a conduta de uma personagem de uma novela, fazer dinâmicas em grupo, leituras que tragam reflexões e discussões, análises de letras de músicas, fatos cotidianos que aparecem na mídia, projetos de pesquisa, dentre outros (NOTÍCIAS, 2019).

Vários países que já adotaram estas medidas, conseguiram se organizar de forma integrada, com muito planejamento e com engajamento de toda comunidade escolar, pensando sempre em ações concretas que construam valores e não muros. Trata-se, portanto, de um projeto que deve ser construído de forma coletiva, onde a convivência moral e a construção de valores éticos sejam sempre presentes, tanto dentro da escola, quanto no convívio da família e de toda comunidade que o educando está inserido (TOGNETTA et al., 2017).

Com todo o exposto, entendendo que o bullying é um déficit na formação de valores éticos e morais, compreendendo que a escola pode ser parceira da família na construção desta formação e sabendo que é possível fazer um ensino de formação integral para o desenvolvimento das CSE, entende-se que é plausível formar pessoas melhores, incapazes da prática de bullying por entender que aquilo não só é errado, como também não fará bem para si próprio. Assim, entendimento de suas ações, de suas consequências e o motivo pelas quais elas ocorrem são essenciais para ressignificação das condutas deste educando (TOGNETTA et al., 2017).

Se pensarmos que o ser humano sempre é passível de mudança e transformação, é aceitável entender e acreditar que também é possível devolver em ambiente escolar as CSE não aprendidas ou aprendidas de forma distorcidas.

Sendo assim, o objetivo desta pesquisa é pensar, através de consultas sobre o assunto e a vivência da autora em um projeto antibullying, sobre as formas e relações que podem existir em atividades que possibilitem a formação de valores éticos e morais, com consciência do certo e do errado, do bom e do ruim, do que eu posso e do que eu não posso, no âmbito escolar de forma a suprir eventuais déficits familiares de formação de CSE e, também, como isso pode reduzir as ações de bullying e a falta de empatia com a dor do outro no ambiente escolar.

Material e Métodos

Este artigo se fundamentará em análise de dados de pesquisas já realizadas sobre o assunto em consonância com a bibliografia atual.

A pesquisa será uma revisão sistemática a partir das bases de dados Sumários e Dialnet com estudos sobre artigos com os descritores “bullying” or “competência socioemocional” or “formação integral”, com ênfase nas pesquisas da professora Dra. Luciene Regina Paulino Tognetta, que traz brilhantes, conteúdos e reflexões em sintonia com este estudo e que abrangem as discussões pretendidas.

Com base nisso, a autora pesquisou uma bibliografia atual que discutisse o assunto, que trouxe as ponderações do ensino de formação integral, do desenvolvimento das habilidades socioemocionais e da formação com valores. Todas estas análises trouxeram à autora as provocações necessárias para a presente pesquisa.

Assim, dentro dos textos e artigos pesquisados para elaboração desta pesquisa, a autora pode verificar que há aderência ao tema entre os mais diversos espaços de discussão, seja em artigos nacionais ou estrangeiros.

Houve adesão à cronologia de tópicos de pesquisas na maioria dos textos consultados. Dos 28 textos consultados, os 4 pesquisados para falar da formação integral tratam e entendem que esse tipo de formação possibilita a formação integral de valores do ser humano e na condução de melhorias de conceitos não tidos ou conceitos distorcidos de valores.

Dos textos pesquisados para falar da formação de valores éticos e morais, trouxeram o conceito apresentado de que a família é a primeira propulsora destes ensinamentos, mas a escola pode, e deve, ajudar na conclusão e formação correta destes valores para formar cidadãos de bem.

Dos 4 textos consultados sobre o desenvolvimento de habilidades socioemocionais o discurso é o mesmo, de que o desenvolvimento de habilidades socioemocionais torna o indivíduo capaz de resolver conflitos internos, externos e evitar muitos transtornos na vida adulta. Trouxeram também a necessidade de a escola trabalhar estas habilidades como parte de sua grade de atividades, além da matriz curricular já conhecida.

Das pesquisas sobre bullying, 7 artigos trouxeram a problemática frente à necessidade de formação de cidadãos mais conscientes de si, empáticos e com respeito ao próximo. Quando há formação integral, a construção correta de valores e o desenvolvimento de habilidade socioemocionais, há compreensão do erro, a aceitação da necessidade de mudança e os números e índices de ocorrência de bullying melhoram significativamente.

Quando pesquisado sobre a formação contínua de professores para o desenvolvimento das habilidades emocionais nos alunos, dos 2 artigos pesquisados, verifica-se a necessidade de os professores entenderem como fazer o desenvolvimento destas habilidades nos alunos, de passarem por formação contínua para saber como fazer este processo na rotina da escola e como este processo transforma alunos em cidadãos mais conscientes e capazes.

Por fim, quando pesquisado sobre o bullying frente à formação integral com desenvolvimento de habilidades socioemocionais, pode ser verificado como todos estes requisitos alinhados em um ambiente escolar podem fazer a diferença na formação de alunos, professores e toda comunidade escolar.

De um modo geral, principalmente nos textos da professora Tognetta, a autora percebeu a pesquisa alinhada à sua intenção de cronologia, desenvolvimento de raciocínio e desejo de desfecho para este artigo.

Resultados e Discussão

Bullying

O que é Bullying?

Bullying é uma expressão que vem do Inglês e na sua etimologia léxica significa ter ou praticar um ato de agressão, de ameaça ou de intimidação, contra uma pessoa ou contra um grupo de pessoas, podendo ser físico ou verbal. Geralmente a ocorrência é mais comum nas escolas, mas pode ocorrer em qualquer lugar. (Michaelis, 2021).

Ou seja, o bullying pode ocorrer não só com através da agressão física, mas, como na maioria das vezes, se apresenta de forma verbal. Os atos de agressão, apesar de estarem sempre mais ligados e direcionados ao ambiente escolar, nem sempre acontecem dentro dos muros das instituições de ensino. Podem ocorrer no bairro onde vivem, no ambiente de trabalho, no ambiente familiar e até mesmo virtualmente, hoje mais conhecido como cyberbullying (TOGNETTA et al., 2014).

Como ocorre o e por quê?

Quando a violência passa a ser um valor, o bullying passa ser ‘normal’ e a fazer parte da rotina diária deste cidadão, e quando chegamos neste ponto, o bullying não deve ser tratado, em sua essência, como crime, mas como falta de moral, falta de valores e conceitos distorcidos do que é correto, do que eu posso ou não fazer (TOGNETTA et al., 2014).

Como elencado no tópico acima, o bullying pode ocorrer de várias formas e em diversos ambientes, apesar de estar sempre intimamente ligado ao ambiente escolar. Partindo do pressuposto que o bullying é consequência de uma visão distorcida de valores ou a ausência de valores morais e éticos corretos, é possível conceber que para correção destas práticas é preciso formar com valores corretos e corrigir valores distorcidos (TOGNETTA et al., 2014).

Quando tratado no item 2 a formação de valores morais e éticos, foi elencado a parceria que deve haver entre escola e família e a intervenção que a escola precisa fazer quando identifica a distorção ou ausência de valores. É comum encontrar e presenciar cenas diárias em ambiente escolar com frases repetidamente ditas que passam desapercebidas pelos professores e alunos, totalmente enraizadas em suas rotinas e em suas falas, como se fossem normais. Frases como: “não ligo, fizeram isso comigo no ano passado também”, “essa tarefa eu quero bem-feita” ou “pare de pensar nisso e ignore ele”, identificam claramente como tudo é dito de forma direta e sem pensar na agressão que pode estar contida (TOGNETTA et al., 2014).

Os personagens envolvidos em bullying normalmente se conhecem, agem em cenários comuns para eles e atacam aquilo de mais sensível presente no outro, já prevendo as reações que podem causar, ou seja, agem sabendo o resultado que será atingido (SILVA, 2018). Assim, é possível localizar vários agressores que se sentem amparados por seus pares e pelo ambiente familiar, bem como a fragilidade da vítima.

Os casos mais comuns de bullying versam sobre a aparência física das vítimas, opção sexual, raça e religião. São clássicas as descrições de pessoas que foram agredidas por serem gordas, muito magras, usar óculos ou aparelho dentário, por ser negro ou oriental, por ser gay, ter tatuagem ou religião que seja identifica por vestimentas ou estilos de vida mais regrados. Estes são os casos mais clássicos e mais encontrados de casos de bullying, mas deixaram de ser únicos com o surgimento do cyberbullying, sendo este uma modalidade virtual, as agressões passaram a acontecer também de forma anônima (Silva, 2018).

O bullying, apesar de ser um termo novo, existe há muitos anos. Antigamente era conhecido como “tirar sarro”, “brincadeira”, “zoar o amigo”, “tirar onda” e desde sempre os fenótipos usados para estas práticas são os mesmos. Porém, com o passar do tempo, com o conhecimento das possibilidades que isso acarreta, com o surgimento da identificação de doenças emocionais que podem causar, com a tecnologia cada vez mais acirrada, e com a mudança nas relações pessoais, estes casos trouxeram conotação mais pejorativa e muito mais gravosa, podendo chegar até a casos mais graves de suicídio ou assassinato (SILVA, 2018).

Formação Integral

Há uma discussão em torno do ensino em tempo integral, principalmente nas escolas públicas. No entanto, a diferença na vida e na formação dos estudantes não necessariamente é o ensino em tempo integral. O mesmo não se resume em ficar o dia todo na escola, mas ao ensino com formação integral, formação humana que agregue projetos, ações culturais e integradores que possibilitam a vivência dos alunos no âmbito escolar, fazendo que a educação tenha sentido e seja sentida (ANTUNES; PADILHA, 2010).

A formação integral, portanto, não é aquela onde o aluno passa o dia todo na escola, mas sim aquela que forma o aluno integralmente, ou seja, sua integralidade como ser humano. Educação integral não é a mesma coisa que educação em tempo integral. A primeira é aquela que forma e desenvolve o aluno em várias áreas diretamente relacionadas ao ‘ser’ e ao convívio em sociedade (emocional, corporal, intelectual, sociocultural), já a segunda, é aquela que mantém o aluno 7 horas ou mais na escola, mas não necessariamente é uma educação integral. É preciso distinguir essas duas noções de educação, principalmente nos dias de hoje, onde há muito protesto quanto a educação em tempo integral (AGUIAR; COLARES, 2017).

Neste sentido, é possível conceber que a formação integral não é somente aquela que forma o sujeito com as disciplinas curriculares, mas aquela que olha para este sujeito na sua integralidade e o contempla com a formação completa que ele precisa, a formação do corpo e da mente (DOGLIOTTI et al., 2019). É preciso sair das tradicionais práticas escolares já realizadas e iniciar um novo modelo de práticas mais livres que possibilitem a formação integral de forma prazerosa e espontânea. O ser humano não é só uma grade curricular engessada, é preciso se atualizar neste sentido e a escola carrega a responsabilidade ser parceira nesta tratativa.

Para que a formação integral seja efetiva e aconteça, é preciso criar uma consciência em toda comunidade escolar de uma formação que faça sentido para todos, uma educação que faça parte do dia a dia de todos, não só dos alunos. Portanto, a formação integral precisa de espaços que sejam acolhedores, que possibilitem o respeito ao outro e às diferenças, dando espaço para trabalhar os valores éticos, de respeito e de desenvolvimento da autonomia para que sejam formados seres capazes de pensar e criar soluções para seu entorno. Entendendo que a formação integral é muito mais do que agregar mais horas à rotina escolar, será possível criar consciência de reflexões sociais e coletivas de forma que todos possam resolver seus conflitos de forma mais efetiva e consciente, inibindo, assim, práticas de violência, discriminação e bullying (CAPUTI; SILVA, 2020).

Há uma proposição para o ensino integral trazer as artes e a cultura para a formação integral dos indivíduos, este seria um eixo integrador de ética e construção de valores em atividades interdisciplinares que propiciem interações entre a estética (artes) e as ciências (VERÁSTEGUI, 2013). Este eixo deixa o contexto escolar mais atrativo, provocando a possibilidade dos alunos trazerem suas habilidades para a linha de frente das atividades escolares, fazendo com que aptidões e áreas de desenvolvimento comecem a aparecer nesses educandos.

A escola e todos os agentes que nela trabalham, são formadores de sujeitos na sua integralidade, todos são educadores, devem trabalhar e se responsabilizar por este processo complexo e muito necessário para a formação do cidadão (CAPUTI; SILVA, 2020).

Por meio de quais ferramentas a comunidade escolar pode sensibilizar o aluno a ter empatia com situações ocorridas próximas a ele? Através de quais formas é possível formar um conteúdo com pedagógico em conteúdo humano?

Através de prática de projetos de pesquisas, atividades que tragam a realidade do dia a dia do educando para a sala de aula e possibilitem que ele entenda os bons valores que podem fazer parte de sua vida, é possível formar para o bem, é possível formar seres humanos conscientes de seu espaço e com respeito ao espaço do outro, um ser humano que saiba respeitar as diferenças e não se sinta bem com a dor do outro.

Formação de valores morais e éticos

Antigamente era comum ouvir de algumas que a família educava e a escola formava. Hoje não há mais espaço para essa divisão de valores ou de tarefas, é preciso que haja uma parceria constante entre as duas instituições. O papel da família no ambiente escolar continua sendo muito importante, mas devido as constantes mudanças nas relações sociais e todas as transições de composição das famílias, essa distinção de papéis fica cada vez mais difícil de ser diferenciada. Mas uma coisa é certa: sendo a discussão sensível e difícil, a parceria e comprometimento de ambos os lados faz-se ainda mais necessária (CLASSAPP, 2021).

A formação de valores e princípios sempre foi diretamente consignada à responsabilidade familiar, no entanto, atualmente podemos verificar o quão importante é a participação da escola neste processo. Estudantes que confiam em seus professores e se sentem acolhidos por eles, tem até 1,9% mais chances de se sentirem parte da escola e acolhidos em suas necessidades. Por outro lado, aqueles que se sentem excluídos ou injustiçados pelos professores, têm 1,8% mais chances de se sentirem excluídos do contexto escolar e, muitas vezes, um caso perdido (AGÊNCIA BRASIL, 2017).

A família deveria, e deve, ser a fonte de recebimento e amadurecimento de todos os princípios morais e éticos de formação dos alunos, já a escola deveria somente consolidar o que já foi ensinado, aprendido e enraizado pela família, o que é certo ou errado, o que é bom ou ruim, o que eu posso ou não posso fazer (CLASSAPP, 2021). Isso, pois, a família é a primeira referência de convívio social que a criança tem, já a escola virá num segundo momento, quando, na maioria das vezes, a criança já constituiu em si algumas regras de convívio e socialização. Porém, a escola trará para a criança o sentido do coletivo, da socialização e, muitas vezes, as regras de convivência para ela não fará muito sentido, e é neste momento que a escola trará para ela a noção de amplitude para que ela coloque em prática o que foi aprendido em casa no contexto escolar e da coletividade.

Além disso, diante do programa de combate à intimidação sistêmica, bullying), as escolas precisam se organizar neste sentido, de forma a garantir medidas de conscientização e prevenção às agressões físicas e psicológicas a escola precisa (BRASIL, 2015).

Os valores cívicos também chamados de valores que todos deveriam ter para que as boas relações sociais pudessem acontecer, deveriam ser formados na família, independente da formação religiosa desta família, da escolha de vida, das atividades profissionais que exercem etc. Independente destas questões, esses valores devem ser comuns a todos. Essa educação em valores não é uma cartilha que mostra como devem ou não agir, mas é a possibilidade de trazer para o ambiente escolar a discussão destes valores e possibilitar a reflexão do aluno, fazendo com que ele comece a questionar suas atitudes e tudo o que acontece em seu entorno (KRAWCZUN, 2013).

Desta forma, grande parte das escolas tem adotado a discussão de valores e virtudes aproveitando todas as situações vivenciadas na escola, nas atividades e na rotina escolar. Uma das propostas é, por exemplo, propor situações em que os alunos precisem discutir, refletir e elaborar seu pensamento crítico sobre o ocorrido (CLASSAPP, 2021). Com estas estratégias, a construção de valores morais e éticos acaba sendo genuína, nasce de dentro para fora e os alunos não se sentem cumpridores de regras, apenas, mas se sentem fazendo o que é certo exatamente porque entendem que é o certo a fazer e não por que alguém está dizendo que deve agir daquela forma.

Por outro lado, a escola tem papel fundamental na socialização de seres humanos desde sua idade mais tenra e ajudar no desenvolvimento da habilidade emocional mais difícil de ser desenvolvida, que é a convivência democrática. A escola, neste momento, pode ser facilitadora da construção desta habilidade emocional de forma saudável e liberta de egocentrismos trazidos da convivência familiar. O aprender a dividir coisas, espaços, amizades, aprender a respeitar o espaço do outro e a opinião alheia (TOGNETTA et al., 2016).

Desenvolvimento de habilidades socioemocionais

As habilidades socioemocionais nada mais são que a capacidade do indivíduo de lidar com suas próprias emoções frente às situações vividas (DIÁRIO ESCOLA, 2021). O desenvolvimento destas habilidades serve para que o indivíduo coloque as melhores atitudes em cada situação em prática, par que ele consiga tomar a decisão de sua conduta sempre pesando nos prós e contras de todos os envolvidos e as possíveis consequências de seus atos. Estas habilidades, uma vez desenvolvidas, servirão para a vida toda.

Educar para o desenvolvimento socioemocional é educar para entender como agir com as emoções, como ter empatia e como tomar decisões conscientes e assertivas, segundo a “Collaborative for Academic, Social, and Emotional Learning [CASEL]” - referência no avanço no desenvolvimento das habilidades socioemocionais - é preciso que estes desenvolvimentos aconteçam nas mais diversas situações, de forma que o aluno sinta a mudança acontecendo e as ações passam a ser naturais e parte de seu dia a dia (LÍDER EM MIM, 2020).

Normalmente, os agressores são aqueles que julgam o próximo por ter errado ou por suas diferenças, mas conseguem não enxergar seus próprios erros e falhas, são incapazes de ter compaixão, são insensíveis, não possuem empatia, nem tão pouco culpa ou vergonha pelas ações e ódios disseminados (MENESINI; NOCENTINI; CAMODECA, 2011).

O desenvolvimento de habilidades socioemocionais é um processo que deveria ser iniciado desde a infância de cada indivíduo e ir aprimorando, gradativamente, na medida em que ele vai crescendo e as circunstâncias vividas exijam este amadurecimento e entendimento de como agir. Quanto mais cedo este desenvolvimento das habilidades socioemocionais acontecer, mais seguro será este indivíduo e mais capaz emocionalmente ele será. Através de ações educativas dirigidas e bem estruturadas, é possível desenvolver habilidades socioemocionais consolidadas e chegar num resultado incrível de um comportamento social muito positivo, redução de problemas comportamentais bem como redução das crescentes angústias emocionais vividas por jovens e adolescentes (MARTÍNEZ; PÉREZ, 2019), além de possibilitar que cheguem à vida adulta muito mais seguros e fortalecidos para os enfrentamentos da vida.

Percebe-se cidadão, na sua mais pura tradução da palavra, aquele que se integra na sociedade às normas de convivência e às normas culturais que pautam a vida de todos. Aquele que não sabe discernir entre seus deveres e seus direitos em um Estado democrático, certamente é um cidadão fadado à marginalização social de convivência e, infelizmente, pode, no pior dos casos, pagar com a privação de sua liberdade ou morte em decorrência de seus atos. Quando este cidadão, consciente do que é e como deve ser na sociedade, consegue agir emocionalmente adequado em suas relações sociais, percebe-se não um desenvolvimento concluído, acabado, mas um processo em constante evolução, transformação e autoconhecimento que todo ser humano deve ter. Este processo não acaba nunca (MARQUÉZ, 2007).

E quais habilidades podemos desenvolver, de forma prática e clara, no ambiente escolar? A empatia, a felicidade, a autoestima, a ética, a paciência, o autoconhecimento, a confiança, a responsabilidade, a autonomia e a criatividade são alguns exemplos. De forma direcionada e colocadas de forma prática em situações vividas nas atividades do dia a dia, em projetos de pesquisa e em projetos de vida, é possível trabalhar estas habilidades. Por exemplo, quando um aluno perde algo no ambiente escolar, o professor e demais colegas podem ajudá-lo a encontrar o objeto perdido, e neste cenário o professor pode trabalhar a responsabilidade com suas coisas, o cuidado, o zelo em guardar no lugar certo para não perder novamente. Por outro lado, com os demais alunos, ele pode trabalhar a não apropriação de coisas que não são suas e a cumplicidade com a situação difícil que alguém pode estar vivendo, nesse caso, ajudar a procurar o item perdido. São construções que, vivenciadas em contexto, de forma bem estruturada, se tornam significativas, fazem sentido e passarão a fazer parte de sua rotina, não só no ambiente escolar, mas em toda sua vida (DIÁRIO ESCOLA, 2021).

Formação contínua de professores para desenvolver em seus alunos das habilidades socioemocionais e identificar casos de bullying

Os professores precisam estar envolvidos no processo de desenvolvimento de habilidades socioemocionais de tal forma que isso passe a fazer parte de todas as atividades que ele está presente no ambiente escolar. Enquanto isso não acontecer, enquanto o professor for só um ditador de regras de “isso pode” ou “isso não pode”, a solução para os casos de bullying no ambiente escolar virá tardiamente. É preciso que os professores passem por processos de formação contínua para que facilmente identifiquem estes casos e consigam mudar os comportamentos apresentados com atividades que sejam significativas, façam sentido e envolvam todos os alunos (TOGNETTA et al., 2014).

Quanto mais competências emocionais o professor tiver, mais facilmente ele identificará e resolverá os conflitos, desenvolvendo as relações da melhor maneira possível em seu contexto escolar. Estas situações podem ser não só os casos de bullying, mas também de isolamento, dispersão, problemas familiares e desinteresse com os estudos (ESCOLA DA INTELIGÊNCIA, 2021).

Estas habilidades podem ser trabalhadas e desenvolvidas com os professores de diversas maneiras. Este tema pode ser incluído na capacitação profissional, já que os professores precisam falar sobre o que sentem e veem com o propósito de criar um processo de conscientização através de informativos de relacionamento pessoal, que pode ser, inclusive, nas redes sociais (ESCOLA DA INTELIGÊNCIA, 2021).

Quando o professor tem este conhecimento, ele consegue reconhecer e utilizar de técnicas para desenvolver o mesmo em seus alunos. Dito isso, a aplicação deste desenvolvimento torna-se facilitada e de forma natural em sua rotina diária trabalhando em exemplos corriqueiros. Assim, o desenvolvimento não estará limitado aos alunos, mas a toda a comunidade escolar.

Bullying em ambientes com formação integral e desenvolvimento de habilidades socioemocionais

Quando temos em um ambiente a formação integral e o desenvolvimento de habilidades socioemocionais com todos os envolvidos, facilmente os casos de bullying, quando identificados, podem ser trabalhados em evidências cotidianas, trazendo o ocorrido para a narrativa da sala de aula, de forma a fazer mais sentido para os alunos o entendimento do que houve. Por outro lado, em ambientes como estes, onde a empatia é trabalhada diariamente e a construção de valores e respeitos fazem parte do contexto escolar, os casos de bullying cada vez menos ocorrem e, quando ocorrem, são facilmente detectados e resolvidos sem grandes traumas ou discussões (LOBATO; CARVALHO, 2013).

Pode parecer óbvio, mas é genuíno, e assim deve ser, que não se pode combater o bullying sem que sejam trabalhados valores morais e éticos. Não se pode conscientizar do ato falho sem que haja consciência de que aquilo não foi correto. Não se pode chegar à compreensão da dor do outro nas agressões de bullying se o agressor não é capaz de identificar que houve agressão e o que realmente o outro sentiu quando foi atingido (TOGNETTA et al., 2017).

Quando há a mudança da comunidade escolar interna (alunos, professores e demais agentes escolares), é cediço que a mudança da comunidade externa (família), também acontece. Assim, este trabalho em conjunto, concatenado com todos estes itens, processos e pessoas envolvidas, transformará não só o objetivo principal, alunos, mas todo o entorno dele.

A escola é um organismo vivo, mas mais que ser ela precisa parecer viva. Desta forma, é preciso o envolvimento físico e emocional de toda comunidade escolar para que esta escola faça sentido para todos, para que ela seja viva e envolvente para todos que nela circulam. A escola precisa fazer sentido para o aluno, ela precisa refletir o seu dia a dia e nela ele precisa encontrar soluções para suas causas e suas necessidades.

Estratégias

Para que tudo isso seja colocado em prática, esta pesquisa apresenta algumas estratégias que podem ser colocadas em prática de forma a viabilizá-la.

Projetos de pesquisa, trazer a prática do dia a dia do educando para dentro da escola, educação que faz sentido, escola viva. Estudo para além sala de aula. Explorar outros espaços da escola.

Através de rodas de conversas e discussões com os professores tutores, de forma a identificar possíveis distorções ou falta de valores morais e éticos. Nestes momentos os educandos se abrem, conversam e mostram a leitura que fazem das situações vividas.

Com atividades de vivências em Artes ou Atividades Físicas, proporcionar situações que coloquem o educando em atividades de autoconhecimento para promover o desenvolvimento de habilidades socioemocionais. Estes momentos trazem à prática da empatia e do olhar atento ao próximo.

Programas de formação contínua para professores para que também desenvolvam habilidades socioemocionais, que desenvolvam empatia com os educandos que mais necessitam e consigam desenvolver em seus alunos as habilidades socioemocionais e identificarem casos de bullying. É fundamental que os professores estejam em total sintonia com as medidas da mudança da escola.

Conclusão

A presente pesquisa trouxe algumas reflexões do quão saudável pode ser um ambiente escolar com formação integral, que trabalhe em seus alunos a correta construção de valores, o entendimento pleno da necessidade de empatia, respeito e reconhecimento de seu espaço e que traga para o dia a dia da escola um ensino que seja significativo, que tenha valor agregado para os alunos, com atividades que podem ser facilmente empregadas em sua vida.

Pelas mais diversas pluralidades de constituição ou de vida que uma família pode ter, talvez ela não consiga construir com clareza em seus filhos toda a integralidade que a educação e formação precisa. É neste momento que a escola pode ser uma aliada. Este é o entendimento de que hoje família e escola devem compartilhar a formação de valores dos alunos. Quando fazemos esta reflexão podemos pensar em famílias de classes sociais menos favorecidas, mas não é esta a ideia desta reflexão. É preciso contextualizar para as famílias que não conseguem formar valores, e isso não tem ligação com classe social ou renda.

Vimos que os professores, estando capacitados, podem desenvolver nos alunos as habilidades socioemocionais necessárias para que consigam entender suas emoções, resolver os seus conflitos internos e facilmente também resolver os conflitos externos. Estas habilidades socioemocionais, se bem trabalhadas, aliadas a construção de valores, construirá cidadãos mais seguros de suas condutas, responsáveis no trato com o outro e ciente de suas responsabilidades como cidadão.

Todos estes processos, lincados entre as atividades do cotidiano escolar podem estar presentes em várias disciplinas, várias atividades, fazendo com que o aluno traga estas vivências para o seu dia a dia e que naturalmente a mudança aconteça. A escola precisa mudar, precisa acompanhar as transformações do ser humano e das relações sociais. O aluno não é só intelectual. Na escola o aluno não precisa, e não deve aprender somente disciplinas das ciências existentes, ele também é emocional, espiritual, corporal, sociocultural.

É preciso criar possibilidades de desenvolvimento em várias dimensões, atrelando o ensino diário, integral, que trabalha várias dimensões, que desenvolve várias habilidades emocionais e que traga para a realidade dos alunos tudo aquilo que ele aprende na escola. Chegando ao desenvolvimento concomitante de várias dimensões, é possível atingir objetivos de desenvolvimento mais profundos que serão levados para toda vida.

A conclusão que chegamos com estas pesquisas é que há uma distorção de valores, muitas vezes inconsciente, e que a escola pode ser parceira das famílias e dos alunos na construção clara de valores éticos e morais e na construção do desenvolvimento de habilidades socioemocionais. Porém, este processo só acarretará resultados positivos se as escolas estiverem dispostas a se despir de sua construção atual e pensar que é preciso mudar para dar conta dos indivíduos que mudaram e hoje frequentam seus espaços. A escola pode ajudar na formação de cidadãos de valores, empáticos e passíveis de respeitar o outro em sua individualidade e dar conta de concluir o tradicional “BA bá” da BNCC. Não é mais possível termos a escola do século XIX para crianças, jovens e adolescentes do século XXI. Seres da geração Y que já “nascem” sabendo muito de tecnologia estão cada vez mais desprovidos de um olhar atento e paciente para ensinar e conduzir.

Neste contexto, é perceptível o quanto a Gestão Escolar pode auxiliar em todos este processo de combate ao bullying, seja melhorando os espaços físicos da escola deixando que sejam ambientes mais acessíveis às práticas do dia a dia, seja na organização de formação constantes de professores e demais membros da comunidade escolar ou nas atividades que aproximem cada vez mais a escola à família dos alunos, fazendo com que a escola seja o ambiente vivo que já foi mencionado nesta pesquisa.

Agradecimentos

Acima de tudo à Deus; ao Colégio Chaminade, que me trouxe a curiosidade por conhecer a educação básica; ao Dr. José Anderson, pelo zelo nesta pesquisa; aos colegas de turma, ao meu marido e aos meus filhos; aos meus pais e irmãos. Gratidão!

REFERÊNCIAS

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Notas de autor

1 Programa de Educação Continuada em Economia e Gestão de Empresas (PECEGE) Esalq/USP MBAs – Piracicaba – SP – Brasil. Especialista em MBA em Gestão Empresarial.
2 Programa de Educação Continuada em Economia e Gestão de Empresas (PECEGE) Esalq/USP MBAs – Piracicaba – SP – Brasil. Professor Associado. Doutor em Educação Escolar, Universidade Estadual Paulista - Faculdade de Ciências e Letra FCLAr/Unesp. Editor Adjunto e Executivo da RIAEE. Editor da Editora Ibero-Americana de Educação. Editor e Assessoria Técnica para periódicos.

Información adicional

Como referenciar este artigo: SANZOVO, A. R. F.; SANTOS CRUZ, J. A. A formação integral e o desenvolvimento das habilidades socioemocionais frente à prevenção de ocorrência de casos de bullying nas escolas. Revista on line de Política e Gestão Educacional, Araraquara, v. 25, n. 3, p. 2827-2842, set./dez. 2021. e-ISSN:1519-9029. DOI: https://doi.org/10.22633/rpge.v25i3.16090

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