ARTIGO
INVESTIGANDO A EDUCAÇÃO MODERNA NA CHINA DO FINAL DO PERÍODO QING: AS LIGAÇÕES SOCIAIS DOS INTELECTUAIS DE WUXI VISANDO A UMA “NOVA EDUCAÇÃO” E SEUS IMPACTOS NA SOCIEDADE LOCAL 1902-1905
EXPLORING MODERN EDUCATION IN THE LATE QING CHINA: THE WUXI INTELLECTUALS’ NETWORK FOR "NEW EDUCATION" AND THEIR IMPACTS ON THE LOCAL SOCIETY 1902-1905
INVESTIGANDO A EDUCAÇÃO MODERNA NA CHINA DO FINAL DO PERÍODO QING: AS LIGAÇÕES SOCIAIS DOS INTELECTUAIS DE WUXI VISANDO A UMA “NOVA EDUCAÇÃO” E SEUS IMPACTOS NA SOCIEDADE LOCAL 1902-1905
Revista Tópicos Educacionais, vol. 26, núm. 2, pp. 79-104, 2020
Centro de Educação - CE - Universidade Federal de Pernambuco - UFPE
Recepção: 01 Novembro 2020
Aprovação: 01 Novembro 2020
Resumo: Em 1902, três anos antes dos Exames para o Serviço Público (o chamado sistema Keju) serem abolidos pela corte Qing, Yang Yinhang (1878-1945) e seus colegas formados no Japão fundaram a Escola Pública de Xijin, uma das primeiras experiências do novo estilo de escola pública no distrito de Wuxi. Suas atividades foram auxiliadas por membros da família Yang Yinhang, incluindo seus dois tios, os estudiosos originários da pequena nobreza Yang Fanfu e Yang Zhixun, e sua irmã Yang Yinyu (1884-1938), que mais tarde se tornaria a primeira reitora na história moderna da China. Essa esquecida rede social da família Yang em Wuxi por volta de 1902 é significativa para compreender como esses intelectuais chineses, que estavam originalmente envolvidos no sistema Keju, assumiram as reformas educacionais e implementaram uma agenda de reforma estatal. Focalizaram corajosamente suas experiências transnacionais em um campo no qual a ideia de “educação moderna” era ainda vaga. Esse artigo argumenta que, antes de que a corte Qing anunciasse o sistema escolar padrão para substituir o sistema Keju, a família Yang e suas conexões sociais formaram uma pioneira força de novos professores em Wuxi que não só mudaram profundamente a natureza do conhecimento e da educação e o papel social do professor na era Qing tardia, mas também anteciparam transformações da ética social e da ideia de gênero existentes na era republicana.
Palavras-chave: Educação na China, Circulação de ideias, Modernização educacional.
Abstract: In 1902, three years before the Civil Service Examinations, namely the Keju system, were abolished by the Qing court, Yang Yinhang (1878-1945) and his Japantrained peers opened Xijin Public School, one of China’s earliest new-style public schools, in Wuxi County. Their activities were supported by Yang Yinhang’s family members, including his two uncles, gentry scholars Yang Fanfu and Yang Zhixun, as well as his sister Yang Yinyu (1884-1938), who later became the first female university president in modern Chinese history. This neglected network of Yang family in Wuxi around 1902 is significant for us to comprehend how these Chinese intellectuals, who were originally stakeholders of the Keju system, embraced the educational reforms and implemented the state’s reforming agenda by boldly localising their transnational experiences in an era that the idea of “modern education” was still vague. This article argues that, before the Qing court announced a standard school system to replace the Keju system, the Yang family and their networks had formed a pioneering force of new teachers in Wuxi who not only profoundly changed the nature of knowledge and education and a teacher’ social role in the late Qing era, but also anticipated transformations in social ethics and gender ideas in the coming Republican era.
Keywords: Education in China, Circulation of ideas, Educational modernization.
Introdução
Em 1903 e 1904, a corte Qing anunciou o primeiro sistema escolar nacional da história chinesa, o sistema Renyin-Guimao, como procedimento para abolir o tradicional sistema Keju, os Exames para o Serviço Público. Por mais de treze séculos, esse mecanismo clássico cultivou e selecionou gerações da elite política e cultural, formando uma classe meritocrática autossustentável de intelectuais confuncianos da pequena nobreza (rushi) na sociedade chinesa. O Educador republicano e historiador Chen Dongyuan (1936, p. 3) descreveu a educação no Império chinês como “uma educação que cultivou intelectuais confucianos” (yangshi jiaoyu).2
A necessidade da China de uma “nova educação” aumentou quando o país atravessou uma série de convulsões domésticas e internacionais no meio do século XIX.3 Em 1860, os reformadores Qing inauguraram o Movimento de Auto-fortalecimento, yangwu, significando literalmente “assuntos ocidentais”, com o fim de estudar línguas estrangeiras e tecnologias ocidentais como ferrovias e equipamentos militares.4 Entretanto, a humilhante derrota da China nas mãos do Japão em 1895 levou o Movimento de Auto-fortalecimento ao seu fim.
O sistema Keju foi posto sob críticas sem precedentes. Discutia-se se esse sistema, baseado nos clássicos confucionistas, poderia produzir talentos qualificados capazes de enfrentar os desafios contemporâneos.5 Em 1898, após o fracasso do Imperador Guangxu na “Reforma dos Cem Dias” (bairi weixin) e o golpe da Imperatriz viúva Cixi (wuxu zhengbian), o vice-rei Zhang Zhidong (1837-1909) publicou um profundo trabalho, intitulado Exortação ao Estudo (quan xue pian), no qual declara que a nova educação é “a única esperança da China” (Chang Chih-tung, 1900). A partir de então, a corte Qing iniciou oficialmente suas reformas educacionais e começou sua política de envio de estudantes ao exterior. Entre todos os países estrangeiros, Zhang encorajou os alunos a irem aprender especificamente no Japão, por causa de suas conquistas recentes na área industrial e por suas vantagens geográficas e culturais.6
Yang Yinhang, assim como seus colegas Hou Hongjian (1872-1961) e Cai Wensen (1872-1948), pertenciam à primeira geração de alunos do fim da era Qing que estudaram no Japão. Juntamente com alguns estudantes locais da pequena nobreza, Yang Yinhang e seus contatos formaram o primeiro grupo de novos professores em Wuxi – núcleo crucial de pessoas que explorou a “nova educação” na virada do século XX e cujos defensores estabeleceram as bases da “moderna educação” que percebemos hoje.
Desde a dinastia Ming do século XIV, as interpretações do importante estudioso Zhu Xi (1130-1200) dos clássicos originais do confucionismo, sobretudo os Quatro Livros de Da Xue (O Grande Aprendizado), Lun Yu (Analectos de Confúcio), Meng Zi (Mêncio), Zhong Yong (A Doutrina do Meio), eram os textos básicos fundamentais para os candidatos do sistema Keju. Por 600 anos, tais escritos e ideias de Zhu Xi tiveram um papel central e dominante que estabeleceu as bases da Escola NeoConfucionista, servindo como o padrão ortodoxo da ética social e constituindo a corrente principal da “educação”, assim como do “conhecimento” na China Imperial.7
Para a família Yang e as elites pioneiras de Wuxi, entretanto, esse não era o caminho. Expressaram tal posição ao criar novas escolas e associações educacionais, assim como ao editar novas cartilhas morais e livros didáticos. Contribuíam, assim, para mudar a natureza da “educação”, dos “professores” e do “conhecimento” por meio da introdução de disciplinas modernas como a Física e a Biologia, exóticas naquele espaço. Também acreditavam que as mulheres deveriam ter a mesma escolaridade do que os homens. Ao se analisar o conteúdo da disciplina Moral, o novo sistema educacional Renyin-Guimao passava ao Estado o estabelecimento de um novo conjunto de relações humanas, baseadas em conceitos como “cidadania”, “nação” e “lei” que entre suas consequências estava a contradição das distinções sociais do papel de gênero. Yang Yinyu, irmã de Yang Yinhang, chegou a se divorciar para buscar a nova educação em uma época em que as mulheres ainda não eram autorizadas a frequentar escolas públicas.8
Esse artigo argumenta que, antes da abolição do sistema Keju, as atividades revolucionárias e as ideias inovadoras desses intelectuais minaram a natureza da “educação”. As mudanças trazidas por eles para o município de Xijin sobre ética social e entendimento de gênero anteciparam transformações que aconteceriam na era republicana.
Historiadores descobriram muitos detalhes sobre esses intelectuais chineses que voltaram do Japão durante os anos 1900 e 1910. No entanto, a maior parte dos estudos se concentraram nas atividades do movimento contrário a dinastia Qing e nas ideias políticas dessas personagens que retornaram para a China no início da Revolução Xinhai de 1911. Pouco foi investigado no que se refere a como esses intelectuais reformaram a educação nas sociedades locais e a como suas atividades inovadoras mudaram fundamentalmente a natureza da “educação” antes do colapso do sistema Keju.9
A monografia de Mary Rankin Early Chinese Revolutionaries, por exemplo, lança luz sobre a área baixa do rio Yangtzé, especialmente em Shanghai e Zhejiang, onde se formou o maior número de revolucionários políticos e intelectuais que mais tarde derrubariam com sucesso a dinastia Qing e estabeleceriam a República da China (RANKIN, 1972; HURREL, 1992). O estudo de Sanetō Keishū (1983) sobre estudantes chineses no Japão estabeleceu uma pedra angular para historiadores na compreensão da vida desses estudantes. Uma coleção de ensaios intitulada Imagining the People, editada por Peter Zarrow e Joshua Fogel (1997), analisa o surgimento do conceito de “cidadania” e “direitos civis” no princípio do século XX através de importantes figuras políticas tais como Liang Qichao e Tan Sitong. Não se foi discutido a ingerência que tais atores, influenciados por sua vivência no Japão, tiveram nas reformas educacionais.
Como um estudante regresso do Japão, há muito Yang Yinhang é entendido como um dos primeiros políticos revolucionários por causa de um artigo de memórias publicado por sua filha, a escritora e tradutora mais renomada da China Yang Jiang.10 Após pesquisar a história da família Yang Yinhang e fontes primárias de primeira mão nos arquivos municipais e nas bibliotecas de Wuxi e Shanghai, esse artigo revela redes maiores em torno da família Yang que não eram formadas apenas por participantes ativos das revoluções do fim da época Qing, mas também pela primeira gerações de novos professores locais.
A monografia pioneira de Sally Borthwick (1983) sobre a moderna educação chinesa esboçou um quadro amplo do número crescente de novas escolas nativas. Mas, seu trabalho se concentra no período após 1904 e 1905 quando a autoridade estatal e os reformadores locais tinham um plano mais claro para o desenvolvimento de uma “nova educação”. O trabalho de Thomas Curran (2005) examina principalmente a função do novo sistema de mobilidade social e a importação de novos métodos educacionais após o estabelecimento da República da China em 1911. Os estudos de Elizabeth VanderVen (2012) e Stig Thøgersen (2002) são complementares aos trabalhos de Borthwick e Curran, que apresentam como os estudiosos locais desempenharam papeis de liderança na promoção da nova educação, inclusive no período posterior a 1905. Assim, a família Yang e suas redes preencheram a lacuna deixada por muitos historiadores sobre o desenvolvimento educacional inicial e a percepção local da nova educação antes da criação de um novo sistema educacional nacional.
Esse artigo tem três seções. A primeira demonstra as atividades de Yang Yinhang e seus colegas quando estudavam no Japão e como o trauma nacional influenciou suas decisões em desenvolver uma nova educação em Wuxi. A segunda seção explora as atividades desses novos professores que voltaram do Japão e as mudanças que trouxeram para a educação local. Esse trecho revela que as ideias defendidas por Yang Yinhang e pela Associação Educacional de Wuxi de seu colega revolucionário Hou Hongjian, uma das primeiras associações locais da China que estudou e promoveu a nova educação, foram ecoadas por muitos de seus familiares e por intelectuais locais mais velhos, que construíram escolas e escreveram cartilhas morais para educar a população local. Influenciadas pela família, as duas irmãs de Yang Yinhang, Yang Yinyu e Yang Yinfen, frequentaram a nova escola do irmão. Depois do divórcio de Yang Yinyu, ela continuou a frequentar novas escolas de níveis superiores. Essas atividades redefiniram fundamentalmente o valor da “nova educação” antes que a corte de Qing emitisse uma orientação padrão para o campo em 1913 e anunciasse a educação feminina em 1907. A terceira seção analisa a recepção local desses novos professores e da nova educação antes de 1905. Também categoriza as suas reações a partir de critérios motivados por raciocínios culturais e econômicos. Esse artigo avalia os esforços feitos pelo primeiro grupo de professores que combinaram suas experiências transacionais para criar um ideal educacional para o país na virada do século XX, quando a noção de “educação moderna” era turva e incerta.
Forjando a ideia de “Nova Educação”: Yang Yinhang no Japão
Uma contextualização histórica do surgimento da necessidade de uma “Nova Educação” e do treinamento de professores, 1897-1898
Em 1897, Sheng Xuanhuai, então Ministro das Ferrovias (tielu dachen) e ajudante-chefe de Li Hongzhang (1823-1901), vice-rei de Zhili, abriu a primeira escola de treinamento de professores – Escola Pública Nanyang de Shanghai– demarcando o princípio do treinamento moderno de professores na China (SANETŌ, 1983). A ideia de Sheng Xuanhuai começou em 1895, quando abriu a primeira universidade moderna na história chinesa, Faculdade Beiyang (Beiyang daxuetang) em Tianjin (FOGEL; ZARROW, 1997). Sua estrutura abalou o papel desempenhado pelo Colégio Imperial (Guozi Jian). Divulgado por Zhang Zhidong e Li Hongzhang, Sheng Xuanhuai acreditava que, ao se construir novas escolas que ensinassem matérias modernas, se dava o primeiro passo para fortalecer a nação. Essa educação seria benéfica para as gerações de chineses por longo tempo.
Aos 17 anos de idade, Yang Yinhang passou no exame e matriculou-se na Faculdade Beiyang. Durante o primeiro ciclo, Redação em Inglês e Tradução do Inglês foram duas disciplinas obrigatórias durante quatro anos. Seu irmão mais velho Yang Yinhuan foi admitido pela Academia Militar Preparatória de Hubei (Hubei wubei xuetang), que era também uma nova escola militar de treinamento para soldados modernos, fundada por Zhang Zhidong em 1897. Yang Yinhang ficou muito orgulhoso dessa experiência. Rememorado por sua filha Yang Jiang, Yang Yinhang geralmente se considerava um “homem de Beiyang” (lao beiyang).
Em 1897, Sheng Xuanhuai abriu a Escola Pública Nanyang de Shanghai com o fim de transformar a primeira geração de estudantes chineses em novos professores. Naquela época, poucos chineses possuíam tais conhecimentos, sendo os professores chineses extremamente escassos. Por quase meio século, a corte Qing só podia empregar professores estrangeiros (yang jiaoxi) para ensinar no Tongwen Guan e nas primeiras novas escolas.11 Mesmo na Faculdade Beiyang de Sheng, o diretor acadêmico era Charles Daniel Tenney (1857-1930), um cônsul americano servindo em Tianjin. O diretor geral era Wu Tingfang (1842-1922), primeiro advogado da China e um talento raro que obtivera seu doutorado em Londres.
Todavia, Yang Yinhang não ficou na Faculdade Beiyang por muito tempo. Por volta de 1896, foi demitido pelo diretor acadêmico por causa de sua participação em um protesto estudantil na escola. De acordo com Yang Jiang, seu desacordo iniciou-se devido uma pequena questão na cantina. Questionou quando o tutor estrangeiro veio acalmar as exigências e decidiu expulsar um estudante de Guangdong. Yang Yinhang estava com raiva porque “ninguém se levantou para lutar” e por isso protestou (YANG, 1986, p. 5-6).
Em seguida, foi para a Escola Pública Nanyang de Shanghai. Esse foi um dos primeiros casos de confronto xenófobo e protesto estudantil dentro das primeiras escolas que foram estabelecidas pela corte Qing. Na tradição acadêmica confuciana, os professores eram autoridade invioláveis. As penalidades eram frequentemente consideradas como medidas adequadas para fazer os alunos se comportarem. Entretanto, a existência sem precedentes de professores estrangeiros na China naquele momento tinha o potencial de provocar insubordinação entre estudantes ou de fortalecer um sentimento de humilhação entre os alunos chineses. De acordo com Mary Rankin (1972, p. 64), incidentes semelhantes ocorreram extensivamente nessas primeiras escolas. Embora individualmente não fossem relevantes, tomados no conjunto mostram uma rebelião generalizada que incitou ou talvez até contribuiu para o desenvolvimento de revoluções posteriores.
Desde 1898, as novas escolas de Sheng Xuanhuai tornaram-se o principal espaço experimental para as políticas de Zhang Zhidong de envio de estudantes chineses ao exterior. Yang Yinhang foi enviado ao Japão em 1899 e estava entre a primeira geração de estudantes chineses que lá estudaram. No mesmo momento, o Japão era a sede dos revolucionários chineses que estavam no exterior. Após a primeira Guerra Sino-Japonesa, Sun Yat-sen (1866-1925), que fundaria a República da China em 1912, tentou seu primeiro levante armado contra os governantes manchus em Guangzhou, intento que falhou. Sun e seus diversos seguidores encontraram abrigo no Japão e fundaram uma filial de sua Sociedade para Ressuscitar a China (xingzhong hui) em Yokohama, que mais tarde se tornaria o Partido Nacionalista Chinês em 1912.12 Durante o golpe de 1898, muitos dos seus aliados foram executados no acampamento do imperador Guangxu. Seus conselheiros Kang Youwei (1868-1927) e Liang Qichao (1873-1929) escaparam fugindo para o Japão (KANG, 1992, p. 28). Ambas as forças de Sun Yat-sen e Kang-Liang defendiam reformas radicais e eram inimigas da imperatriz viúva. Entretanto, seus pontos de vista eram incompatíveis. Enquanto Sun objetivava derrubar toda a corte Qing de nobres manchu, o propósito das reformas radicais de Kang-Liang era manter a corte Qing, embora eles jurassem lealdade ao Imperador e não à imperatriz viúva.
Yang Yinhang e os estudantes chineses no Japão durante a Humilhação Nacional em 1900
Quando Yang Yinhang e outros seis estudantes da Escola Pública Nanyang chegaram ao Japão, foram instalados pelo Ministério da Educação japonês em uma instituição de línguas, perto da Universidade Waseda em Tóquio (então chamada Faculdade de Tóquio), para aprender a língua japonesa (YANG, 1992, p. 936). Os jovens, estranhos à corte imperial, eram no princípio neutros em relação a qualquer uma das facções de Sun ou Kang-Liang. No começo dos anos 1900, esses alunos, que foram os primeiros a irem estudar no Japão e não eram mais do que cem indivíduos, incluindo Yang Yinahng, fundaram uma sociedade estudantil chinesa chamada Sociedade do Encorajamento (lizhi hui). Seu objetivo original era manter os estudantes chineses em contato e encorajá-los a concluir sua formação no Japão. Entretanto, depois do estouro da Revolta dos Boxers em 1900, esses estudantes se dividiram em dois grupos: os moderados (wenjian pai), que apoiavam reformas institucionais graduais, e os radicais (jijin pai), que defendiam medidas revolucionários para derrubar os governantes manchus (FENG, 1939, p. 146-147).
Depois de 1898, uma sociedade secreta do norte da China, os “Boxers” (yihe quan, literalmente punhos justos e harmoniosos), deu origem a um movimento generalizado. Sua consigna era “reviver Qing e destruir os estrangeiros” (fuqing mieyang) (CHAN, 1976, 55-84). No começo dos anos 1890, essa sociedade secreta assumiu uma postura contrária aos estrangeiros, prometendo matar todos que viviam na China e seus colaboradores chineses. Juraram eliminar “um dragão, dois tigres e trezentos cordeiros: o “dragão” era o imperador Guangxu que impulsionou o movimento de reforma de 1898; os “dois tigres” eram o príncipe Gong e Li Hongzhang que liderou o movimento yangwu; e os “trezentos cordeiros” eram os funcionários metropolitanos que tinham relações com o estrangeiro (PURCEL, 1963, p. 168-234; HSU, 2000, 465-473; BACKMANN, 1962, p. 189-193).
Depois de meio século de presença estrangeira na China, tanto na guerra quanto na paz, a Revolta dos Boxers conseguiu o apoio de muitos chineses, incluindo de altos funcionários como Li Pingheng, o governador de Shandong, e da imperatriz viúva, que os patrocinou (HSU, 2000, p. 467-468). Esses fatores levaram a tomada de uma decisão mortal por parte da corte: a de declarar outra guerra em junho de 1900 contra os Aliados, os quais consistiam em oito nações que tinham assentamentos em Tianjin e eram alvos dos Boxers. A batalha atingiu mais da metade do território chinês, cobrindo o norte da China, a Mongólia e a Manchúria (Idem., p. 481). Depois de uma mês da declaração de guerra, as tropas aliadas tomaram Tauking e ameaçaram conquistar Pequim.13 A Guerra e a catástrofe dos Boxers foram finalmente encerradas com a fuga apressada da Imperatriz e do Imperador em agosto, sendo o vice-rei geral Li Hongzhang designado para consertar a situação. Em setembro de 1901, o Protocolo Boxer (xinchou tiaoyue) foi acordado entre as partes. O tratado estabeleceu a ocupação da Manchúria pela Rússia e estipulou muitas restrições à autodefesa da China, limitando a importação de armas e a construção de fortes. De acordo com o Protocolo, o governo Qing concordava em pagar uma indenização de 150 milhões de taéis de prata ao longo de 39 anos para as oito nações vitoriosas.
O Protocolo foi um ponto de virada para a China.14 Naquela época, um sentimento de derrota e humilhação assim como de ódio pela corte manchu atravessou os chineses. O trauma teve um efeito importante, especialmente nas elites da pequena nobreza, assim como nos alunos que estudavam no Japão. Liang Qichao criou um periódico Qing Discussion (Qing yi bao), no qual publicou o famoso ensaio Uma nota de advertência sobre a partilha da China (guafen weiyan).15 Nesse texto, Liang argumentou que a China em pouco tempo seria dividida pelos imperialistas ocidentais e exortou o nacionalismo chinês para seus compatriotas: “Acordem! Agir rapidamente para desenvolver o nacionalismo chinês, porque esse é o único meio pelo qual a China pode combater o imperialismo europeu”. O que defendia Liang Qichao foi extremamente influente. Suas teorias sobre “renovar o povo” foram usadas repetidamente nos periódicos da época (RANKIN, 1972, p. 36). Muitos dos amigos da Escola de Yang Yinhang ou membros da Sociedade do Encorajamento responderam ao chamado de Liang Qichao e atribuíram a queda da nação aos fracos governantes Qing e Manchu, lançando-se na maré do nacionalismo contrários aos Qing.
Em julho de 1900, sete estudantes chineses da Sociedade do Encorajamento, muitos dos quais sendo também da Escola Preparatória Militar de Hubei, juntaram-se a um levante armado contra a corte Qing em Wuhan. No final, quatro deles foram presos e executados (FENG, 1939, p. 146). Notícias publicadas na revista Estudantes de Hubei (Hubei Xuesheng Jie) em 1903, mostraram que esses primeiros alunos no Japão compartilhavam um sentimento mais forte de humilhação nacional do que seus compatriotas domésticos.
Em 1903, a Quinta Exposição Industrial Nacional foi realizada em Osaka, Japão. Os amigos de Yang Yinhang – Hou Hongjian, Cai Wensen e Qin Yuliu –, sendo todos nativos de Wuxi e alunos do Colégio Preparatório Kōbun de Tóquio, foram para a Exposição.16 Lá descobriram que as exposições da província de Fujian foram exibidas no pavilhão de Taiwan, o que indicava que Fujian estava sob controle japonês. Naquele momento, embora Taiwan (Formosa) estivesse sob controle japonês após a Primeira Guerra Sino-Japonesa, Fujian ainda estava sob o poder da corte Qing. Esses alunos protestaram contra o anfitrião da exposição e forçaram o lado japonês a mover as exibições de Fujian para o pavilhão de Sichuan. Entre os ex-alunos de Hou Hongjian e Cai Hesen na Faculdade Kōbun existiam muitos ativistas renomados e revolucionários anti Qing da época: Chen Tianhua (1875-1905), que cometeu suicídio no Japão em 1905 para alertar seus compatriotas para serem pacientes e resistirem à humilhação nacional; o ex-aliado de Sun Yat-sen Huang Xing (1874-1916); e o famoso escritor de esquerda Lu Xun (1881-1936).
Ideias de Yang Yinhang em tradução e nova educação
Diferentemente dos ativistas que participaram diretamente das revoluções anti-Qing em Hubei, Yang Yinhang e seus colegas da Escola Pública Nanyang passaram a adotar uma abordagem reformista e defenderam a educação como caminho fundamental para mudar a sociedade e salvar a nação. Desejavam reeducar o povo chinês e introduzir novas ideias e novas obras sobre constitucionalismo na China, sendo a nova educação o primeiro passo. Naquela época, constitucionalismo era uma espécie de nova ideia política que atraiu a atenção de muitos políticos e intelectuais, entre eles Liang Qichao, que insistiu nessa direção e mais tarde criaria a facção yanjiu (yanjiu xi) em Pequim depois de 1913.
Yang Yinhang e muitos dos seus colegas no Japão também acreditavam que o constitucionalismo ajudaria a garantir uma “saída” (chulu) mais próxima do ideal para a China (YANG, 1986, p. 12-14). Em um ensaio na obra Miscelânea Oriental (Dongfang Zazhi) de 1905, afirmou “Constitucionalismo está agora se tornando uma frase comum entre os estudiosos da pequena nobreza chinesa”. Na sua perspectiva, o triunfo inesperado do Japão na Guerra Russo-Japonesa demonstrou a vantagem da política constitucional, que foi aplicada no Japão depois da Restauração Meiji, diante dos regimes autoritários existentes no Império Russo e na China Qing. Seu apelo fez a corte Qing acelerar a “institucionalização ocidental”.
Em 1905 e 1906, uma delegação liderada por cinco estadistas proeminentes (wudachen chuyang kaochatuan) foi nomeada pelo governo Qing para visitar o Japão, os Estados Unidos da América (EUA) e alguns países da Europa com o fim de investigar as instituições do mundo ocidental com especial atenção para o constitucionalismo, a educação e a defesa militar (CHEN, 1982, p. 7-11). Depois da viagem, os cinco estadistas, assim como a maioria dos membros da delegação, passaram a apoiar os constitucionalistas e reconheceram a importância de aprender com a educação ocidental e japonesa.17
Naquele momento, Yang Yinhang pensou que “traduzir algumas obras estrangeiras valiosas era mais importante do que escrever as suas próprias” (YANG, 1992, p. 936). No final de 1901, Yang Yinhang e seus colegas Yang Tingdong (18791950) de Suzhou e Lei Fen (1871-1919) de Songjiang (cidade da província de Shanghai) fundaram um periódico chamado Coleção de Ensaios Traduzidos (Yishu Huibian). Foi o primeiro periódico publicado por estudantes estrangeiros com o objetivo de traduzir monografias do inglês e do japonês para o chinês. Sua ênfase estava nos clássicos constitucionais, por exemplo, O Contrato Social de Jean Jacques Rousseau, O Espírito das Leis do Barão de Montesquieu e Sobre a Liberdade de John Stuart Mill (LI, 1981, p. 131-132; YANG, 1986, p. 5-6; FENG, 1939, p. 147). Muitas das primeiras monografais estrangeiras introduzidas na China foram traduzidas por membros dessa coleção durante 1902 e 1903. Os assuntos eram principalmente sobre independência nacional (duli) e direitos humanos (renquan); por exemplo, História da Independência dos Estados Unidos (Meiguo duli shi), Biografias dos Revolucionários independentes nas Filipinas (Feilübing zhishi duli zhuan) e Novas Teorias dos Direitos Humanos (Renquan xinshuo). Esses trabalhos foram traduzidos de cópias originais americanas ou japonesas por estudantes chineses da Universidade de Waseda, como Cao Rulin (1877-1966) e Zhang Zongxiang (1879-1962), que mais tarde tornaria a primeira geração de diplomatas ou funcionários do sistema judiciário na China Republicana. O próprio Yang Yinhang, após seu esforço em constituir escolas em Wuxi durante os anos 1900, tornar-se-ia um dos primeiros promotores e advogados em Shanghai nos anos 1910 e 1920.
As atividades das redes para a Nova Educação em Wuxi, 1902-1905
As Novas Escolas e a Associação Educacional Wuxi
Em 1901 e 1902, Yang Yinhang e seus amigos Gu Shupin, Hua Hong e Cai Wensen retornaram para Wuxi e abriram uma nova escola chamada Escola Pública de Xijin. Eles também constituíram uma sociedade de estudos chamada Associação Química e Física (lihua hui), que tinha sede no endereço da Rua das Conchas (beixiang) em Wuxi. Os fundadores convidaram tutores japoneses para ensinar Física, Química, Biologia e até História Chinesa.18 A escola atraiu ao todo vinte pessoas de Wuxi interessadas no novo conhecimento. Entre os estudantes, havia duas alunas, as duas irmãs de Yang Yinhang – Yang Yinyu e Yang Yinfen. O que era muito raro no período e foi lembrado por Hou Hongjian como “marcante para a época”.
No mesmo momento, Hou Hongjian retornou para Wuxi e criou a Associação Educacional de Wuxi (Wuxi jiaoyu hui) com o objetivo de construir uma rede de novos professores na comunidade local. Mary Rankin e Barry Keenan debateram sobre a Associação Educacional de Shanghai, que foi estabelecida por Cai Yuanpei em 1902, mas não mencionaram uma ação ativa dos novos professores em Wuxi (RANKIN, 1972; KEENAN, 1994). De acordo com seu relatório escrito em 1913, os esforços dos estudantes que retornavam foram apoiados por alguns velhos intelectuais locais, embora o progresso fosse demorado. Em 1899, um ano após o chamado de Zhang Zhidong para promover o novo sistema educacional, Yang Fanfu (1852-1915), um prestigiado intelectual juren do clã Yang, já tinha aberto a primeira nova escola de Wuxi, chamada Escola Sishi (sishi xuetang). Tivera 30 alunos no primeiro ano e, no ano seguinte após a Revolta dos Boxers, o número de alunos aumentou para aproximadamente 100.
O intelectual originário da pequena nobreza Tao Duanyi converteu a tradicional Academia Donglin local (donglin shuyuan) na Escola Donglin (donglin xuetang) visando ensinar disciplinas modernas. Tinha no total 60 alunos matriculados. Em 1902, Yang Fanfu foi para o Japão estudar a educação japonesa. Depois voltou para Wuxi e introduziu a estrutura japonesa nas Escolas Sishi e Donglin. No final de 1903, as três escolas locais, Sishi, Donglin e Xijin, eram frequentadas por aproximadamente 300 alunos. Devido ao aumento de matrículas, os campis escolares também estavam sendo expandidos. Os novos professores planejavam melhorar a estrutura de acordo com o estilo japonês – um nível primário de quatro anos, seguido por um nível primário superior de mais quatro anos. Também tinham como objetivo recrutar mais professores para as escolas. Yang Fanfu até mesmo doou sua própria casa para ser feito um prédio escolar (Ibid., p. 307-308).
Esses novos estudantes, retornando do Japão ou frequentando as três novas escolas, contribuíram ainda mais para a promoção da nova educação na sociedade local. Em 1903, formaram uma nova associação estudantil chamada Nova Associação de Wuxi (Xin Wuxi hui), que tinha Tao Duanyi como seu Presidente. Os Regulamentos da Associação deixaram claros os direitos e as responsabilidades de um membro, também definiram o propósito da associação como “promotora da educação, da pesquisa e das publicações”. Todos os membros eram “iguais” e compartilhavam “os direitos de votar e ser votados como presidente, vice-presidente, comentaristas e inspetores”. Essas atividades nos forneceram um caso inicial do papel assumido pelas “associações de educação” e da implementação de procedimentos “democráticos” nas sociedades chinesas no final da era Qing.
Novos Manuais e Cartilhas Morais
O número de professores estava crescendo, mas faltavam livros didáticos. Yang Zhixun, um tio de Yang Yinhang, contribuiu na escrita das primeiras novas cartilhas morais. Suas obras foram publicadas pela Livros Culturais (Wenming Shuju) de Shanghai, que foi uma importante desse tipo de material financiada localmente.19 Entre 1903 e 1906, fabricou uma série dos primeiros livros escolares, escritos e editados por acadêmicos da pequena nobreza local e estudantes que retornavam do exterior. Liang Qichao publicou seu profundo ensaio O Novo Povo (Xinmin Shuo) em 1902. Nesse texto, Liang cunhou a expressão “novo povo”, que mais tarde evoluiu para “cidadãos” (guomin), e enfatizou que a sobrevivência de uma nação e o desenvolvimento prospero dependiam do seu povo, que teria autonomia moral (ZARROW, 2015, p. 17). A opinião de Liang Qichao foi amplamente pesquisada por historiadores como a expressão do início da exploração dos intelectuais chineses do conceito moderno de cidadania. Entretanto, a cartilha moral de Yang Xuexin, junto das outras cartilhas morais da época, demonstra como os intelectuais locais e os estudiosos da pequena nobreza responderam à noção de Liang e como ela foi aplicada localmente. Comparados com Liang Qichao, ou a intelectuais renomados como Cai Yuanpei e Liu Shipei, nos quais a literatura atual se concentra, esses estudiosos da pequena nobreza eram mais influentes nos negócios locais por causa de suas posições sociais na comunidade.
Esses primeiros livros didáticos e cartilhas morais forneceram horizontes cruciais para os novos alunos, incluindo Yang Yinyu na época, na formação de uma visão de mundo que era diferente das dos materiais tradicionais. Por exemplo, nas academias privadas tradicionais, as cartilhas de nível primário eram geralmente Cartilha de Três Caracteres (Sanzi Jing) e 100 nomes de família (Baijia Xing), nas quais o conceito de nação era ambíguo e a China era apresentada como o centro do mundo (CHEN, 1936, p. 428-435). No Livro Introdutório (Mengxue Keben) da Escola Pública Nanyang, propôsse pela primeira vez a importância de se reexaminar o guo, “nação”: “Desde os tempos antigos, chamamos essas áreas sem educação e civilização de bárbaros [manyi rongdi]. Ainda agora chamamos de bárbaros todas as outras nações e parece que todas as nações, exceto a China, são bárbaros, isso não está erado?”.
Esses novos livros didáticos e cartilhas feitos pelos primeiros novos professores foram também significativos na formação das ideias das pessoas sobre os novos conceitos como: “nação” (guo), “cidadão” (gongmin), “direito” (quanli) ou “obrigações” (yiwu). Por exemplo, o Livro Didático de Política (Zhengzhixue Jiaokeshu) criado por Yang Tingdong, um dos fundadores da Escola Pública de Xijin de Yang Yinhang em 1903, apresentou pela primeira vez a teoria política moderna do Ocidente e afirmou que “uma nação era composta de pessoas, terras, governadores e aqueles que são governados”. Seu argumento foi posteriormente adotado pelo Livro Didático dos Chineses (Guowen Jiaokeshu), publicado pelo Ministério da Educação em 1910, expresso na frase: “de acordo com o Ocidente, as três necessidades de uma nação são povo, terra e soberania”.
Yang Zhixun, um prestigioso estudioso da pequena nobreza de Wuxi com o título de juren em 1855, foi considerado por Yang Yinhang como “o maior professor da família Yang”. Na cartilha moral de Yang Zhixun publicada em 1906, o autor escolheu muitas qualidades dos confucianos clássicos como a moralidade máxima – sinceridade (cheng), lealdade (zhong), conhecimento (zhi), benevolência (ren) e coragem (yong). Aparentemente essas qualidades selecionadas por Yang Zhixun mostram uma influência significativa da educação neoconfuciana tradicional na interpretação de Zhu Xi. Como está exposto no Livro Quatro e no Livro Cinco de Zhu Xi, mostra-se que a ortodoxia confucianista visava o Caminho do Céu (tiandao), definindo as relações básicas como os Cinco Relacionamentos Cardeais (wuchang) – pai–filho, governante–ministro, marido– esposa, irmão mais velho–irmão mais novo e amigo–amigo. No Zhong Yong, um dos Quatro Livros, está exposto que “O que o Céu concede ao homem é chamado de natureza humana. Seguir nossa natureza é chamado de Caminho. Cultivar o Caminho é chamado de educação” (KELLEHER, 1992, p. 226). No novo sistema escolar nacional de RenyinGuimao, havia aprendizagem Chinesa e Ocidental. O Xiao Xue de Zhu Xi permaneceu como principal manual didático na matéria de Moral na qual “estabelecer o Caminho para a educação” (li jiao) era o principal objetivo. O imperador, como o “filho do céu” (tianzi), sempre foi colocado em primeiro lugar.
No entanto, na cartilha moral de Yang Zhixun, não se colocou a “lealdade ao imperador” (zunjun) como a primeira prioridade da moralidade de uma pessoa nas suas relações humanas. Em vez disso, propôs-se a ordem como: primeiro a nação; segundo a família; terceiro as outras pessoas; e quarto a sociedade (duiguo diyi, duijia di’er, duiren disan, dui shehui disi) (YANG, 1906). Ao mesmo tempo, colocou a noção “cumprir a lei” (shoufa) acima de “lealdade ao imperador” disposta na categoria “primeiro a nação”. Na Cartilha, embora Yang Zhixun ainda adotasse o quadro dos Cinco Relacionamentos Cardeais de Zhu Xi, enfatizou-se a necessidade de se introduzir a relação entre cidadão moderno e sua nação, por exemplo, apresentando os “direitos” (quanli) e os deveres (yiwu) tanto para a nação quanto para o bem público.
As moralidades que Yang Zhixun selecionou foram principalmente pessoais. Era uma mistura de ideias constitucionais do Japão com as ideias do estudioso neoconfuciano Wang Yangming (1472-1529) da dinastia Ming. As interpretações de Wang Yangming dos clássicos confucianos formaram mais tarde a “Escola da Mente” (xinxue) no século XVI e XVII. Tradição que enfatizava o espírito da auto-cultura. Ao se comparar com a ênfase de Zhu Xi no inviolável Caminho para o Céu, Wang Yangming focava o desenvolvimento pessoal da moralidade por meio da mente. Sua escola de filosofia influenciou fortemente o Japão durante a Restauração Meiji, onde uma escola de Aprendizagem Yangming foi constituída (pinyin: yangming xue, japonês: yōmei gaku) (STEBAN, 1998, p. 233-263). No início do século XX, à medida que mais estudantes chineses e estudiosos da pequena nobreza se voltavam para o ensino do Japão, muitos entre eles estavam inclinados a aceitar o conteúdo neo-confuciano, oposto ao que tinham sido educados.20 A cartilha moral de Yang Zhixun também ecoou na Cartilha Moral para o Primeiro nível (Mengxue Xiushen Jiaokeshu) de outro estudioso de Wuxi, Li Jiagu, que também propunha a ideia de lei e constituição, como uma expressão nação moderna, em primeiro plano diante do imperador. Após 1905 e 1906, haveria novas cartilhas e materiais didáticos ensinando Moral, Matemática, Física etc. No entanto, como um dos primeiros materiais desse formato escrito por estudioso chinês, as cartilhas de Yang Zhixun se colocaram como um ponto de virada significativo para o uso de um conjunto de noções que serviriam para uma nova ética social conjugada com inspirações locais e transnacionais.
O divórcio de Yang Yinyu
A nova educação que Yang Yinhang e os intelectuais Wuxi defendia via as alunas como iguais ao do sexo masculino. O que acarretou a mudança dos papéis habituais das mulheres na educação, violando os conceitos tradicionais de casamento. Nenhum estatuto proibia explicitamente as mulheres de fazer os exames Keju; na verdade nunca houve uma associação (BORTHWICK, 1983, p. 114). As mulheres de famílias da baixa nobreza eram há muito ensinadas por seus pais ou irmãos e às vezes por professoras até que atingissem a puberdade (BENJAMIN; WOODSIDE, 1994). Na China Imperial, as atividades das mulheres eram em grande parte realizadas dentro do “ambiente interno” ou da residência familiar (nei), enquanto que a principal parte das atividades dos homens se davam fora da casa (wai). As responsabilidades naturais da mulher (tianzhi) dentro da casa eram produzir descendentes, assim como ajudar seus maridos a criar seus filhos (xiangfu jiaozi).
Por volta de 1903, com aproximadamente 18 anos, a avó de Yang Yinyu arranjou para Yang Yinyu um casamento com o filho da família Jiang em Wuxi. De acordo com Yang Jiang, o casamento foi feito de acordo com as regras tradicionais, sendo a posição social das famílias considerada como o fator mais importante (YANG, 1986, 71-73). Era comum uma menina se casar com um homem de acordo com as negociações dos seus pais e ter filhos antes dos 20 anos. Entretanto, Yang Yinyu desejava buscar formação escolar em vez de ficar em casa como a maioria das outras mulheres da época.
O divórcio de Yang Yinyu, não é de admirar, criou uma grande polêmica em sua cidade natal. Depois que deixou a família Jiang foi amplamente condenada pela população local (Idem., p. 73). Esse caso incomum de rebelião matrimonial foi registrado pela Mundo da Mulher (Nüzi Shijie), uma influente revista do final da era Qing que defendia a educação feminina: “A senhorita Yang Yinyu é de Wuxi... Depois que se casou com seu marido Jiang, foi informada que não poderia estudar em escolas. A senhorita Yang conhecia o seu despotismo e ela prontamente decidiu se divorciar do seu marido para que pudesse ir para a escola”. Os repórteres descreveram Yang como um exemplo para as outras mulheres, dizendo que “se as mulheres pudessem viver independentemente dos homens, o casamento tradicional seria naturalmente melhorado e o chauvinismo masculino seria reduzido...”. Embora esse periódico progressista tenha elogiado a coragem de Yang Yinyue e a promovido como um caso positivo, a reação local em relação ao seu divórcio, obviamente, foi negativa, porque ter filhos era um dever natural (tianzhi) de uma mulher. De acordo com Yang Jiang, Yang Yinyu foi condenada pela comunidade local como uma “mulher sem filhos” (YANG, 1986, p. 90).
Hu Binxia (1888-1931), uma das primeiras meninas que foi estudar no Japão em 1902, voltou para Wuxi e abriu um clube chamado Amor Comum (gongai hui) com o fim de propagar os direitos e a educação feminina. Ao mesmo tempo, Yang Yinfenm a irmã mais velha de Yang Yinyu, também deixou seu marido Qiu Cenjian, que também era membro da Associação Educacional de Wuxi (YANG, 1986, p. 71). Depois de seu divórcio, Yang Yinyu foi para Suzhou frequentar uma escola missionária, Escola feminina Laura Haygood com o apoio de Yang Yinhang. Em seguida, foi para Shanghai e frequentou a Escola feminina Wuben, uma das primeiras escolas para mulheres fundadas em 1902 por Wu Xin (1873-1919), graduado na Escola Pública Nanyang. Em 1907, quando as mulheres foram oficialmente permitidas de frequentar escolas públicas, Yang Yinyu obteve uma bolsa de estudos do governo e foi receber treinamento professoral no Japão. A história de suas experiências como uma nova professora nos lembra que a modernização educacional na China foi uma história de gênero. As mulheres no início do século XX não se restringiram apenas a ser alunas, muitas delas se tornaram também professoras.
Resistência local em Wuxi
Resistência Cultural nos Termos da Natureza da “Educação”
Esse artigo se volta agora a discussão da recepção local da nova educação quando essa surgiu anteriormente a 1905. Em 1904, uma forte resistência a tais ideias surgiu na Associação dos Comerciantes de Arroz de Wuxi. Seus protestos acarretaram grandes danos as estruturas dos campos escolares de Sishi, Donglin e Xijin. A escola de Yang Yinhang e as casas de Yang Fanfu foram destruídas e queimadas por membros da Associação dos Comerciantes de Arroz de Wuxi. Esse caso de resistência local acabou após o apoio da corte Qing à nova educação. Foi um dos casos que incentivou a corte Qing a acelerar a abolição do sistema Keju e a estimular a cooperação local na promoção de uma nova educação. O estudo de Thomas Curran percebeu que a diferença cultural foi a principal fonte de resistência local às escolas modernas no início do século XX. Curran (2005, p. 235) analisou o currículo e argumentou que as escolas tradicionais eram preferidas pelas sociedades rurais porque eram “simplesmente mais adequadas às condições e costumes rurais do que as escolas modernas”. O estudo dessas novas escolas frequentadas por novos professores de Wuxi aprofunda ainda mais a investigação de Curran sobre a resistência local.
Quando as novas escolas foram introduzidas pela primeira vez em Wuxi, os conflitos culturais surgiram devido à mudança na aparência desses novos professores e por causa de suas reivindicações incompatíveis com suas responsabilidades tradicionais. O novo conhecimento propagado por Yang Yinhang e Yang Zhixun com base na teoria política ocidental violava o Caminho para o céu, sendo visto como heterodoxia (waimen xieshuo). De acordo com o Dicionário de Educação Chinesa, publicado em 1928, as ideias de “educação” (jiao or jiaoyu) e o papel dos “professores” (shi) estavam intimamente relacionados ao conceito de “moralidade” (daode ou de) no sistema Keju. A ortodoxia dao correspondia principalmente a moral confucionista. A educação jiao era estudar e desenvolver o dao. Os professores eram as pessoas que eram capazes de expressar o dao e deviam ser modelos do dao. No Dicionário Shuowen (shuowen jiezi, literalmente Explicando Gráficos e Analisando Caracteres), um antigo dicionário chinês do século II da dinastia Han 221-206 a. C.), a educação, jiaoyu, era dividida em dois caracteres: jiao e yu. O primeiro significava que “uma pessoa mais velha ou de classe superior mostra ou dá disciplinas e a pessoa mais jovem ou de classe inferior aprende ou imita seu comportamento”. O segundo significa “cultivar uma criança para torná-la bemcomportada”. Han Yu (768-824), político e importante divulgador do confucionismo na dinastia Tang (618-906), definiu o papel dos professores como “transmitir as doutrinas confucionistas, transmitir o conhecimento e elucidar as dúvidas das pessoas” (chuandao,shouye, jiehuo). Nesse caso, a moralidade de um professor era crucial uma vez que era obrigado a ter a função de “modelo” (weiren shibiao) para os outros (CONG, 2007).
No entanto, as novas escolas e as novas cartilhas que Yang Yinhang e Yang Zhixun elaboraram transmitiram ideias que violavam a natureza tradicional da “educação” e do papel dos “professores”. Quando Yang Yinhang fez discursos em sua escola e defendeu que as pessoas derrubassem a corte Qing, foi logo procurado pelo governo (YANG, 1986, p. 12). Os professores nas novas escolas eram jovens estudantes que tinham obtido diplomas no Japão, mas não eram estudiosos da pequena nobreza com títulos Keju. Falavam sobre revoluções ultrajantes e novas ideias de constitucionalismo e independência que eram exóticas para a sociedade chinesa da época. O conteúdo da educação e o estilo da nova escola tinham uma diferença significativa da “educação” no sistema Keju.
Yang Yinhang e esses novos professores se recusaram a seguir os ritos tradicionais no templo local, o Palácio de Estudos, que teria sido uma responsabilidade usual dos estudiosos da pequena nobreza. Muitos habitantes locais os criticavam por “se desviarem dos clássicos e violarem a forma ortodoxa” (lijing pandao). Alguns membros da família de Yang Yinhang chegaram a defender sua expulsão da linhagem Yang. Xu Jue, um estudioso da pequena nobreza local que foi ministro da China na Itália, amaldiçoou-lhe dizendo que “este homem deveria ser executado!” (YANG, 1992, p. 939).
No âmbito de gênero também houve impacto. Os alunos eram homens e mulheres e estas em geral não eram incentivadas a frequentar escolas ou academias públicas pelas regras tradicionais. O divórcio de Yang Yinyu os fez lembrar de que as novas escolas interrompiam o comprimento da responsabilidade tradicional da mulher. Portanto, a família Yang, assim como os novos professores e os novos alunos que buscavam a nova educação, causaram mudanças dramáticas quando analisados em seu contexto local particular.
Resistência Econômica
O outro grande conflito na expansão da nova educação veio das restrições econômicas, que também seriam problemas duradouros para os educadores posteriores na era republicana. A pesquisa de Marianne Bastid e Sally Borthwick reconheceu que houve muitos casos de resistência local por causa dos aumentos de impostos e a escolas de Wuxi não ficaram fora dessa situação. O caso de Wuxi demonstra ainda que a resistência local por razões econômicas intensificou ainda mais o descontentamento local em relação à nova educação e resultou em protestos de grande escala. No início de 1904, Yang Fanfu e dois estudiosos solicitaram que o governo Xijin (a administração que cobria as áreas de Wuxi e Jingui) aumentasse as verbas para promover a construção de novas escolas. O alto governo não tinha fundos sobressalentes para pagar esse pedido porque o tesouro nacional estava sendo usado para pagar as enormes dívidas da Indenização Boxer. Dessa maneira, o ônus de arrecadar os fundos para apoiar o novo sistema educacional foi repassado para os comerciantes locais. Os magistrados de Wuxi e Jingui logo convocaram os chefes do mercado de arroz, Zhao Zixin e Zhang Shaohe, e pediram-lhes que aumentasse a tributação do arroz para conseguir fundos extras para a construção das novas instituições de ensino. Os comerciantes de todo a associação se opuseram veementemente. Os dois líderes processaram o governo de Xijin, alegando que Yang Fanfu estava “roubando dinheiro com a desculpa de promover a educação”. Nessas circunstâncias, Yang Fanfu apresentou um apelo a Tang Jingchong (1844-1914), o administrador dos exames civis na província de Jiangsu, para explicar a situação das novas escolas e solicitar os fundos.21 Em seguida, Tang Jingchong emitiu a aprovação para o governo de Xijin e Zhao Zixin e Zhang Shaohe foram presos por não cooperarem com o novo sistema educacional.
Entretanto, as prisões de Zhao e Zhang catalisaram o descontentamento acumulado das pessoas em relação ao novo sistema educacional. Membros da associação dos comerciantes de arroz destruíram panfletos nas ruas e exigiram a libertação de seus líderes. No primeiro dia de julho, o mercado de arroz de Xijin entrou em greve e todas as lojas de arroz da cidade foram fechadas. No segundo dia, todos os membros, bem como vários cidadãos, em um total de duas mil pessoas, reuniram-se para protestar e incendiar a casa de Yang Fanfu. Um dia depois, dirigiram-se as instalações de Sishi, Donglin e Yang Yinhang em Xijin e a Associação de Física e os destruíram completamente. Após as manifestações, os estudiosos da pequena nobreza que apoiavam o novo sistema educacional, como Xue Nanmin, Qiu Tingliang (1857-1943), Yu Fu (1856-1943) e Lian Quan, escreveram em conjunto um apelo ao governador de Jiangsu, enquanto que Yang Fanfu ia diretamente ao gabinete do governador da província para entrar com um processo. O incidente chamou a atenção de Duan Fang (1861-1911), o vice-rei de Jiangsu, Jiangxi e Anhui em 1904. Em seguida, ordenou a demissão dos magistrados das províncias de Wuxi e Jingui, designando novos. Zhao Zixin fugiu sozinho para Guangdong, enquanto que os membros da associação de arroz foram cobrados em 20 mil taéis de prata para compensar a perda das casas de Yang Fanfu e as instalações das escolas destruídas. Além disso, seus membros concordaram em se submeter a tributação de arroz no mês seguinte (setembro de 1904) para patrocinar as novas escolas.
Conclusão
Esse artigo explorou as redes sociais dos novos professores que surgiram em Wuxi no início dos anos 1900 e demonstrou as mudanças inovadoras que trouxeram ao transformar a natureza da “educação”, “conhecimento”, “professores” nessa localidade. Na literatura atual, os historiadores frequentemente enfocam a influência política dos primeiros alunos treinados no Japão e estudam amplamente as novas escolas e o papéis do Estado e das elites sociais após 1905. Entretanto, o presente artigo preencheu o vazio por meio dessa empreitada pioneira que desempenhou um papel significativo na promoção da nova educação quando não havia um plano claro para a educação moderna. Conforme apresentado nesse artigo, os estudantes treinados no Japão, como Yang Yinhang, Hou Hongjian, Cai Wensen e acadêmicos da pequena nobreza local, incluindo Yang Fanfu, Yang Zhixun e Tao Duanyi, formaram uma força tarefa de novos professores já em 1902.
Ao estudar as experiências de Yang Yinhang e duas conexões no Japão, esse artigo revelou que muitos desses primeiros alunos no exterior tinham um forte senso de humilhação nacional e consideravam a educação como uma forma fundamental de salvar a nação do colapso. No entanto, a “educação” que Yang Yinhang e esses primeiros intelectuais pretendiam promover era distinta da educação tradicional da China Imperial. A educação sob o sistema Keju funcionou amplamente de acordo com os clássicos confucionistas, especialmente as interpretações neo-confucionistas de Zhu Xi, que enfatizavam uma forma ortodoxa de aprendizagem. Dessa maneira, a educação significava um motivo para o estudo e a prática dos ritos confucionistas, cabendo aos professores a transmissão dessa tradição. Nas escolas e nos livros didáticos criados pela família Yang, um ideal educacional tinha o equilíbrio entre a educação moral confucionista e as disciplinas modernas. Nesse processo, o significado de ser professor estava sendo transformado. Sua dupla ênfase em assuntos modernos e reeducação moral seria mais tarde ecoada no novo sistema Renyin-Guimao, mas enquanto o Estado continuava com as interpretações de Zhu Xi sobre a ortodoxia natural, os novos professores pretendiam enfatizar o auto-cultivo e priorizar a importância da lei diante do imperador.
O divórcio de Yang Yinyu até certo ponto fez parte do processo de modernização cultural. Como uma aluna que deixou o marido voluntariamente, Yang sacrificou seu casamento para buscar educação escolar em uma época em que as mulheres ainda não tinham permissão para frequentar as escolas. Sua rara existência como uma das poucas alunas no final da era Qing e seu desenvolvimento posterior como professora na era republicana tornaram a modernização da educação chinesa também uma história de gênero. Além disso, suas ideias emergentes de gênero miraram a ética social tradicional dos papeis tradicionais de homens e mulheres que foram definidos nos textos neoconfucianos de Zhu Xi.
A resistência local em Wuxi foi um caso entre muitos contra as novas escolas e o novo sistema educacional que contribuíram para a determinação final da corte Qing de abolir o sistema Keju. Em agosto de 1905, o imperador Guangxu baixou um édito estabelecendo o fim dos exames clássicos, pois “os exames clássicos impediam o desenvolvimento de novas escolas, de modo que novos homens talentosos não podiam ser cultivados... [O fim deste sistema tradicional] foi a estratégia mais significativa para gerar mais novos talentos”. Dois anos depois, o tribunal Qing anunciou outro édito, sancionando e incentivando as alunas a se integrarem a nova educação. A partir desse momento, estabelece-se o que Borthwick (1983, p. 98) chamou de “tempo de cooperação entre o estado e as autoridades locais” na promoção da nova educação. Os esforços feitos pela família Yang e as redes de intelectuais de Wuxi foram cruciais para esse desenvolvimento e suas experiências foram inspiradoras para compreendermos o estágio inicial da popularização da nova educação na China do século XX.
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Notas