Traduções
Ser educadora
Ser educadora
Olhar de Professor, vol. 25, pp. 01-04, 2022
Universidade Estadual de Ponta Grossa
Recepción: 15 Junio 2021
Aprobación: 27 Julio 2021
Ser educadora.
Como oficineiro, trabalhei durante mais de 25 anos com educadoras4, basicamente nas escolas infantis municipais de Pamplona-Iruña.
Encontrei o prazer e desfrutei de uma profissão que só pude construir trabalhando em colaboração com educadoras e equipes diretivas comprometidas com o aprendizado diário. Ser educadora no primeiro ciclo5 da educação infantil não é fácil; é uma profissão cheia de desafios; um trabalho que não está pronto, no qual há que se reinventar a cada dia sem ter nada como certo.
Meu maior reconhecimento e agradecimento por esse extraordinário trabalho.
Ser uma educadora excelente, como tantas e tantas pessoas que escolheram esta profissão, significa, não sem dificuldades, ter a sabedoria, a cada dia, de:
Identificar e acompanhar emoções e sentimentos sem julgar.
Emprestar o corpo para que os meninos e as meninas encontrem o calor da presença.
Compartilhar sensações e investigar junto aos meninos e meninas.
Desvelar a empatia e o amor entre os meninos e as meninas.
Expressar o respeito em cada pequeno gesto.
Deixar-se tocar com sensibilidade a pele.
Esperar que um menino e uma menina toquem em uma laranja sem colhê-la.
Saber tocar para acompanhar a oportunidade do momento que se faz relevante.
Ou calçar uma meia com a delicadeza de uma porcelana.
Ou ser a mão que oferece contato quando se precisa.
Saber aceitar o não, porque se reconhece como direito.
Descobrir a estética da beleza detida em um momento insuspeito.
Possibilitar (que é diferente de permitir) manchar-se com experiência vital.
Dar e deter o tempo no redemoinho do dia a dia.
Saber esperar o inesperado.
Para que as possibilidades, capacidades e potencialidades emerjam.
Ou para que…
Um pé fique murcho em contato com a água.
Ou para que uma corda, inesperadamente… se transforme em um círculo no ar.
Ser uma educadora excelente significa:
Olhar o mundo com olhos de menino, de menina, através de um cristal.
Poder encontrar o sentido do menino ou da menina que todos levamos dentro de nós, com saudades do futuro.
Poder descobrir como a identidade na sua fase inicial se forma, conforma e transforma.
Revelar como surge a beleza de uma amizade.
Ter cumplicidade e amor para legitimar a alteridade sem querer dominá-la.
Interpretar os gestos da comunicação.
Ver as potencialidades de uma relação e se emocionar, se comover.
Saber falar com as famílias, conhecer todos os seus nomes.
Apreciar o sabor dos processos...
...mais do que dos produtos.
Ser uma educadora excelente, como vi muitas vezes, significa se arriscar pelas trilhas do desconhecido.
Preparar ótimos cenários.
Com objetos pensados.
Com materiais disponíveis.
Com texturas e sensorialidades diversas.
Um labirinto de possibilidades.
Nos territórios da infância.
Significa buscar novos materiais para oferecer mais possibilidades.
E, sobretudo, implica deixar marcas do visto, olhado e apreciado.
É um trabalho difícil, que se move entre luzes e sombras.
Que permite descobrir o inesperado.
É um berço, talvez, transformado pela cultura da infância em outra coisa inimaginada.
É uma colher que é mais que uma colher.
Uma profissão para deixar-se surpreender.
E permitir-se a curiosidade na aventura do conhecer.
Para descobrir a poesia do assombro.
Malaguzzi dizia que ser educadora é ser uma profissional do maravilhamento. Encontrei educadoras capazes de se surpreenderem depois de trinta anos de trabalho. E este é um prazer que admiro. Tem a ver com abraçar a beleza dos momentos inesperados que nos arrepiam a pele e nos comovem. Isto é o que eu vivi e o que vejo em cada dia em que passo pelas escolas.
Rachel Carson (2012, p. 18) nos propõe o desafio de acompanhar o menino e a menina a partir da empatia dessa emoção transcendental:
Se eu tivesse influência sobre a fada madrinha, aquela que se supõe presidir o nascimento de todas as crianças, pediria a ela que concedesse a cada criança deste mundo o dom do assombro tão indestrutível que lhe durasse toda a vida, como um inesgotável antídoto contra o tédio [...]. Para manter vivo em uma criança seu inato sentido do espanto, sem contar com nenhum dom concedido pelas fadas, é necessária a companhia de ao menos um adulto com quem se pode compartilhar esse sentimento, redescobrindo com ele a alegria, a expectativa e o mistério do mundo em que vivemos.
Meu reconhecimento e agradecimento a todas as profissionais que vivem a Educação Infantil todos os dias com entusiasmo e paixão.
Referências
CARSON, R. El sentido del asombro. Madrid: Encuentro, 2012.
Notas