Artigos em fluxo contínuo
Formação em Saúde Mental Infantojuvenil: construindo saberes com professores de Sala de Recursos Multifuncionais
Training in Child and Youth Mental Health: building knowledge with Multifunctional Resource Room teachers
Formación em Salud Mental Infantil: construyendo conocimiento junto a docentes de Sala de Recursos Multifuncionales
Formação em Saúde Mental Infantojuvenil: construindo saberes com professores de Sala de Recursos Multifuncionais
Olhar de Professor, vol. 26, pp. 01-17, 2023
Universidade Estadual de Ponta Grossa

Recepción: 17 Diciembre 2022
Aprobación: 01 Marzo 2023
Resumo: A diversidade que se faz presente no contexto escolar e o preparo de professores para lidar com tais demandas têm sido tema de diversos estudos sobre o campo. Nesse sentido, este relato objetiva apresentar uma proposta de formação continuada sobre saúde mental infantojuvenil realizada com professores de salas de recursos multifuncionais vinculados à rede pública de ensino de dois municípios do Estado de São Paulo, a qual foi desenvolvida a partir de prévia identificação de demandas de professores sobre o tema. A formação foi organizada por meio de atividades presenciais e a distância, que totalizaram 30 horas, e abordou sobre: saúde mental, saúde mental infantojuvenil e sofrimento psíquico; fatores de risco e de proteção; escola como lugar de vida e aprendizado; estratégias de atuação na escola; rede de cuidados da infância e adolescência. Conclui-se que oferecer ferramentas para que os professores possam lidar com as demandas cotidianas podem contribuir para o avanço da inclusão escolar de crianças e de adolescentes em sofrimento psíquico.
Palavras-chave: Formação de professores, Saúde mental infantojuvenil, Inclusão escolar.
Abstract: The diversity that is present in the school context and the preparation of teachers to deal with such demands has been the subject of several studies on the field. In this sense, this report aims to present a proposal for continuing education on child and youth mental health carried out with teachers from multifunctional resource rooms linked to the public teaching network of two municipalities in the State of São Paulo, Brazil, which was developed from the prior identification of demands of teachers on the subject. The training was organized through in person and distance activities that totaled 30 hours, and addressed: mental health, child and youth mental health and psychological distress; risk and protective factors; school as a place of life and learning; action strategies at school; child and youth care network. It is concluded that offering tools so that teachers can deal with everyday demands can contribute to the advancement of school inclusion of children and adolescents in psychological distress.
Keywords: Teacher training, Child and Youth Mental Health, School inclusion.
Resumen: La diversidad que se hace presente en el contexto escolar y en la preparación de docentes para lidiar con tales demandas ha sido tema de diversos estudios sobre el campo. En ese sentido, este informe tiene como objetivo presentar una propuesta de educación continua sobre salud mental infanto-juvenil realizada con docentes de clases de recursos multifuncionales vinculadas a la red pública de enseñanza de dos municipios del Estado de São Paulo, que fue desarrollada a partir de previa identificación de demandas de los docentes sobre el tema. La capacitación fue organizada por medio de actividades presenciales y a distancia que totalizaron 30 horas, y abordó: salud mental, salud mental infanto-juvenil y sufrimiento psíquico; factores de riesgo y de protección; escuela como lugar de vida y aprendizaje; estrategias de actuación en la escuela; la red de cuidados de la infancia y adolescencia. Se concluye que ofrecer herramientas para que los docentes puedan lidiar con las demandas cotidianas pueden contribuir al avance de la inclusión escolar de niños y adolescentes en sufrimiento psíquico. Palabras-clave: Formación docente. Salud mental infanto-juvenil. Inclusión escolar.
Introdução4
A democratização do acesso à educação, que ocorreu por meio do reconhecimento da educação como um direito de todos e dever do Estado, motivou o surgimento de movimentos de apoio à inclusão escolar de crianças com as mais diversas condições, que resultou na elaboração de leis que passaram a exigir que a escola se organizasse para receber esses novos públicos (BRASIL, 1994, 1996, 20085; 2015).
Atualmente, a realidade de atuação do professor envolve a educação escolar de crianças com demandas distintas, dentre elas crianças com ou sem deficiência, com ou sem diagnóstico fechado, com problemas relacionados ao comportamento, dificuldade de aprendizagem e fracasso durante a alfabetização (MILANESI; CIA, 2017), e, também, crianças que apresentam sofrimento psíquico com manifestações singulares e diversas (LINS, 2018; SEMEGHINI; TAÑO; MATSUKURA, 2018).
Tais mudanças modificaram a realidade escolar brasileira, trouxeram desafios aos professores e, ao mesmo tempo, exigiram a elaboração de ajustes e de estratégias para dirimir lacunas de formação e de atualizações sempre necessárias. Dentre essas estratégias, há a realização de propostas de formação que ampliam o conhecimento do professor sobre um tema específico e, também, contribuem para sua prática cotidiana (LEIVA et al., 2015; MEIRA; QUARESMA JÚNIOR, 2018).
Em relação à saúde mental infantojuvenil (SMIJ), estudos nacionais e internacionais apontam que há pouca informação disponível a professores e revelam a escassez de pesquisas sobre apresentações de propostas de formação sobre o tema, ainda que seja uma demanda da realidade cotidiana do professor (LEIVA et al., 2015; RODRIGUES, 2020; SOARES et al., 2014; TOMÉ et al., 2018; VIEIRA et al., 2014).
Tomé et al. (2018) apresentam uma proposta de formação para professores com o objetivo de promover a saúde mental de adolescentes, cujo formato envolve a abordagem sobre a saúde mental no contexto escolar, conceitos, formas de expressão, fatores de proteção, violência na escola, dentre outros, a ser realizado em 40 horas. A proposta envolve a aplicação de formulário antes e após a formação para identificar o impacto da formação. Os autores apontam que essas iniciativas podem contribuir para mudanças na cultura da escola e ter caráter multiplicador. Apesar disso, Tomé et al. (2018) afirmam que estudos sobre o tema são escassos em Portugal.
O estudo chileno realizado por Leiva et al. (2015) avaliou um programa de prevenção em saúde mental antes e após intervenção no contexto escolar, o qual contou com a participação de 1.336 escolares, incluindo professores de 293 escolas de Santiago, Chile. O estudo revelou que intervenções direcionadas a professores enriquecem suas práticas e favorecem a redução de riscos e problemas de saúde mental.
No Brasil, Vieira et al. (2014) realizaram um estudo que avaliou a efetividade de uma estratégia de capacitação em saúde mental para professores para a identificação de problemas relacionados à saúde mental de adolescentes e para a realização de encaminhamentos a serviços especializados da área. Trinta e dois professores do ensino público do estado de São Paulo participaram da capacitação, a qual teve duração de quatro horas distribuídas em duas semanas. O estudo apresenta como sugestões para aprimoramento da proposta: aumento da duração do curso, inclusão de tópicos sobre saúde mental geral e discussão de casos reais. Além disso, os autores sugerem que a proposta seja realizada a partir da identificação de demandas dos professores.
Mais recentemente, Gonçalves, Furtado e Ferreira (2021) apresentaram um relato de experiência que envolveu a realização de uma formação sobre saúde mental para professores e diretores de uma escola estadual do Ceará, por meio de dez oficinas, totalizando 20 horas de curso.
A formação teve o objetivo de compartilhar conhecimentos e planejar a construção de estratégias a serem aplicadas pelos professores em seu cotidiano, com foco em ações acolhedoras, de suporte social e emocional aos alunos. Os autores apontam, dentre outros elementos, que a intervenção proporcionou a melhoria das relações e o fortalecimento de vínculos.
Vieira, Ramos e Rosário (2016) apresentam sugestões que podem contribuir para o sucesso de propostas de formação em saúde mental, dentre elas: abordar conteúdos relacionados à prática cotidiana, contar com ajuda de especialistas, adotar métodos ativos de ensino, flexibilizar horários e utilizar recursos de ensino a distância. Ainda, aponta-se que, para que o professor possa compreender as demandas de seus alunos, bem como realizar ações inclusivas na escola, é necessário que suas necessidades sejam compreendidas. Além disso, ações intersetoriais, compartilhadas, que considerem as particularidades dos alunos e as demandas dos professores sobre o assunto podem ser estratégias potentes para a promoção da saúde mental na escola (LINS et al., 2021; SILVA, 2019).
Assim, apesar da evidente demanda e das vantagens implicadas na elaboração de programas de formação em saúde mental voltados a professores, ainda são recentes e poucas as experiências dessa natureza relatadas na literatura (FATORI et al., 2018; TOMÉ et al., 2018; VIEIRA; RAMOS; ROSÁRIO, 2016). Com isso, é fundamental que programas de formação considerem as experiências de propostas já realizadas, seus pontos positivos e seus limites, bem como as sugestões apontadas em relação ao processo, ao tempo, à duração, aos temas, dentre outros, para melhor ajuste e implementação de novos formatos.
Compreende-se que a pouca disponibilidade de conteúdos sobre SMIJ disponíveis aos professores e os desafios implicados na realidade diversa que se faz presente no contexto escolar revelam a importância da elaboração de propostas de formação profissional como uma estratégia que pode auxiliar no cotidiano dos professores e, portanto, na inclusão escolar de alunos em sofrimento psíquico. Nesse sentido, pretende-se relatar, neste texto, a experiência da realização de uma proposta de formação continuada realizada com professores de salas de recursos multifuncionais, que está atrelada a uma pesquisa mais ampla, realizada a partir da tese de Doutorado intitulada Saúde Mental Infantojuvenil e inclusão escolar: desafios, demandas e proposição de formação continuada para professores (LINS, 2018), realizada no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Educação Especial da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa em Seres Humanos. Dessa forma, aqui serão destacados apenas os elementos necessários para a compreensão dos balizadores utilizados para a construção e a aplicação da proposta de formação.
Contextualização da experiência
Como ponto fundamental para a elaboração da proposta, efetivou-se a identificação das principais demandas dos próprios professores sobre o tema “Saúde Mental Infantojuvenil”. Para tanto, participaram 164 professores do ensino público municipal, vinculados a dois municípios de médio porte do interior do estado de São Paulo, com mais de seis meses de experiência em sala, os quais assinaram um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido e responderam, no primeiro encontro, ao Questionário de identificação de demandas e do cotidiano escolar relativos à SMIJ (Q1), o qual identificou a compreensão dos professores sobre a SMIJ e obteve sugestões para a elaboração da formação continuada. No último encontro, foi realizada a coleta de dados com 51 professores (todos de salas de recursos multifuncionais)6, que responderam ao Questionário de avaliação piloto da proposta de formação continuada (Q2), que avaliou a proposta em relação: ao formato, ao conteúdo, à duração, à participação dos professores e ao envolvimento (frequência e atividades a distância), às contribuições para a formação e atuação profissional, o que levantou novas demandas, visando um futuro aprimoramento da proposta.
Registra-se que a proposta de formação foi efetivada junto a 51 dos 164 professores que responderam ao Q1. O estudo foi realizado nos respectivos municípios, em reuniões de Horário de Trabalho Pedagógico Coletivo (HTPC) realizadas nas Secretarias de Educação do Município e nas escolas em que os professores atuavam. Ao final dos encontros, os 51 professores que participaram da formação receberam um certificado de conclusão de participação na formação com a carga horária de 30 horas, a partir dos critérios de participação e de acompanhamento.
Princípios norteadores para a construção da proposta de formação continuada
Antes de apresentar o formato final da proposta de formação continuada, cabe ressaltar que foram adotados alguns princípios norteadores para a sua elaboração, embasados na literatura da área que apoia que o professor é o profissional chave para identificar, reconhecer e manejar problemas de saúde mental em seus alunos e para orientações e encaminhamentos (LEIVA et al., 2015; PEREIRA, 2013).
Assim, foram consideradas as demandas apontadas pelos professores a partir dos resultados obtidos com o questionário inicial, bem como estudos que apresentaram reflexões e relatos de iniciativas de formação em saúde mental voltadas a professores (PEREIRA, 2013; VIEIRA et al., 2014; VIEIRA; RAMOS; ROSÁRIO, 2016), e pesquisas realizadas por membros do Grupo de Pesquisa (GP) em Terapia Ocupacional e Saúde Mental, cadastrado no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) desde o ano 2000. O GP tem como linhas de pesquisa: “Formação e capacitação de recursos humanos em saúde mental” e “Serviços, modelos e métodos de intervenção de terapia ocupacional em saúde mental: da promoção em saúde à reabilitação psicossocial”.
Os princípios norteadores da proposta envolveram: a abordagem da saúde mental de forma ampla: relacional, ambiental e social; a não abordagem a partir da perspectiva diagnóstica, distanciando modelos ultrapassados; a identificação de fatores de mediação da SMIJ, considerando a complexidade dos seus problemas; a reflexão e a problematização da importância da escola para a participação social, aprendizado e exercício da cidadania; o professor como agente de suporte social no crescimento e na aprendizagem dos alunos; e a intersetorialidade e o papel da escola no acolhimento, no cuidado e no comprometimento com a rede de cuidados e de proteção.
A partir dessas considerações, aponta-se que os encontros presenciais envolviam discussões, trocas de experiências, compartilhamentos e busca de estratégias em conjunto para construção coletiva do conhecimento. A proposta teve como objetivo abordar, ampliar e discutir questões relacionadas à SMIJ e o contexto escolar, considerando a realidade escolar, as situações do cotidiano e a opinião dos professores, a fim de alcançar uma abordagem mais ampla e qualificada sobre a temática.
Saúde mental infantojuvenil: construindo saberes com os professores da sala de recursos
A proposta de formação foi intitulada “Saúde mental infantojuvenil: construindo saberes com os professores da sala de recursos”, que teve como objetivo atender as demandas apontadas pelos professores, a saber: possibilitar que os professores possam identificar possíveis sinais de dificuldade e/ou problemas de saúde mental em seus alunos; identificar e ativar a rede de cuidados e de proteção da infância e da adolescência; reconhecer a escola dentro da rede de cuidados; reconhecer a escola como um lugar de pertencimento e proteção para crianças e adolescentes, inclusive para os alunos com problemas de saúde mental; compreender a necessidade e o direito dos alunos com problemas de saúde mental à inclusão escolar e social. Tais objetivos reforçam o fato de que se tratou de uma construção coletiva que considerou as demandas cotidianas apontadas pelos professores.
Com relação à carga horária, foi definido o total de 30 horas distribuídas em 16 horas de encontros presenciais e 14 horas de atividades a distância. Foram realizados o total de oito encontros presenciais de duas horas e exigia-se o mínimo de 75% de presença. Em relação às atividades a distância, os participantes realizaram leitura de textos, visualização de vídeos e elaboração de diário reflexivo. O diário reflexivo era a única atividade obrigatória exigida a cada encontro. O participante deveria enviar 50% dessa atividade para garantir um melhor aproveitamento em relação às discussões realizadas. Era uma oportunidade para uma reflexão individual a partir de uma única pergunta: “É possível relacionar o que foi abordado no encontro com as experiências e as vivências em seu cotidiano escolar?”.
Como os participantes recebiam um feedback individual de cada diário enviado, havia a possibilidade de tirar dúvidas, obter esclarecimentos, solicitar auxílios em relação a situações específicas do cotidiano, dentre outros. Foi uma boa oportunidade que contribuiu, inclusive, para contemplar aqueles que não se sentiam tão à vontade para apresentar suas reflexões nos encontros presenciais.
Com relação aos temas que foram abordados nos encontros presenciais, ressalta-se que foram consideradas as demandas identificadas pelos professores, a literatura da área, e as sugestões apresentadas pelos participantes. Nesse sentido, a proposta foi organizada e aplicada em um total de oito encontros presenciais, cada um deles com uma temática diferente.
No primeiro encontro, foi realizada a apresentação dos participantes e de seus percursos, para melhor conhecimento do público. Além disso, também foi realizada a apresentação das coordenadoras dos encontros, as quais atuaram como mediadoras, os objetivos e a dinâmica da proposta de formação. Ao final do encontro, os participantes preencheram um formulário de identificação de demandas em SMIJ7, que foi utilizado para organizar os temas e direcionar discussões a fim de contemplar as necessidades do grupo.
O segundo encontro teve como tema a Saúde Mental Geral e a Saúde Mental Infantojuvenil, cujo objetivo foi sensibilizar os participantes para a compreensão das particularidades da SMIJ e apresentar as principais definições dos termos bem como sobre os problemas da SMIJ. Nesse encontro, foram indicados a leitura de um texto que aborda sobre o desenvolvimento socioemocional8 e o filme Divertidamente, que é uma animação que trata dos sentimentos e como eles se manifestam no dia a dia. O terceiro encontro teve como tema Aprofundando a compreensão sobre SMIJ a partir da realidade. Nesse encontro, os participantes compartilharam situações vivenciadas na prática, suas percepções sobre a situação, discutiram sobre os alunos com problemas relacionados à saúde mental e sobre a atuação do professor. Essa oportunidade evidenciou a necessidade e a importância da escola para esses alunos e a complexidade da saúde mental. Ao final do encontro, foram indicadas a leitura de um texto que aborda sobre risco, proteção e adaptação familiar9, já preparando para as discussões do encontro seguinte, e a visualização de um vídeo que versa sobre os transtornos do comportamento na infância e na adolescência10.
O quarto encontro teve como tema Risco e proteção ao desenvolvimento infantojuvenil, cujo objetivo foi compreender as situações de diferentes contextos que podem interferir no desenvolvimento, pela abordagem dos fatores de risco e de proteção. Para isso, foi apresentado um caso real como disparador para as discussões; em seguida, foi realizada a abordagem teórica sobre eventos de vida, fatores de risco e fatores de proteção. Ao final do encontro, foram indicadas a leitura de um texto11 que traz o relato de uma mãe autista sobre pontos importantes do cotidiano vivenciado por ela e a visualização de um vídeo12 que aborda a saúde mental na infância e na adolescência e os transtornos de ansiedade generalizada.
O quinto encontro teve como tema O papel da escola, com o objetivo de reconhecer a escola como um lugar de pertencimento e de proteção para crianças e adolescentes, em especial para os alunos com problemas de saúde mental. Ademais, discutiu-se sobre os recursos e as possibilidades para a efetivação da educação inclusiva. Também foram indicados a leitura de um texto13 que versa sobre a aprendizagem socioemocional na escola e um vídeo14 que focaliza o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, para complemento ao conhecimento.
O sexto encontro teve como tema Estratégias de atuação na escola, com o objetivo de refletir sobre estratégias de atuação com alunos com problemas de saúde mental. Na ocasião, os professores apresentaram estratégias que utilizaram ou utilizariam junto a crianças com dificuldades socioemocionais e discutiu-se sobre as estratégias enfatizando o vínculo afetivo, o significado do professor para o aluno, o conhecimento das vivências e expressões do aluno, o investimento no ambiente e no aluno, e os limites das estratégias. Tal oportunidade viabilizou uma rica troca de experiências e de estratégias para a lida cotidiana entre professores de escolas diferentes. Ao final do encontro, foram indicadas a leitura de um texto15 sobre as práticas educativas do professor, comportamento e habilidades sociais infantis, e a visualização de um vídeo16 sobre a importância do professor para a vida das crianças.
O sétimo encontro teve como tema Rede de cuidados e de proteção da infância e adolescência, com o objetivo de identificar a rede de cuidados e de proteção da infância e adolescência e reconhecer a escola como parte dela. Discutiu-se sobre os direitos da criança e do adolescente e os diferentes equipamentos de políticas públicas: educação, saúde, assistência social, justiça e família (parceira e objeto de atenção da rede de cuidados), enfatizando-se a importância do diálogo entre os setores. Ao final, foi indicada a leitura de um texto17 que aborda a escola e a família e foi recomendada a visualização de um vídeo18 sobre o mesmo tema, que enfatiza a importância dessa articulação.
No oitavo e último encontro, foram retomados os temas abordados a fim de fazer um fechamento sobre as discussões e foi solicitado o preenchimento de um questionário de avaliação da proposta de formação aos participantes, esclarecendo-se que o objetivo era verificar os alcances e os limites da proposta, identificar a compreensão sobre os assuntos abordados e discutidos e obter sugestões e demandas para novos projetos.
Na ocasião, os participantes apresentaram avaliações positivas da experiência e sugeriram que outros atores que compõem os serviços de educação também possam participar de ações dessa natureza. Além disso, alguns participantes relataram mudança de atitudes em relação à lida com os alunos que apresentam problemas relacionados à saúde mental, e que tais mudanças resultaram em ganhos significativos na relação social e no aprendizado dos alunos. Por fim, foi destacada a relevância do trabalho dos professores para o processo e a efetivação da inclusão escolar dos alunos e apontados os limites de se desenvolver uma temática ampla e complexa como é a SMIJ.
Reflexões sobre a experiência
A ideia de elaborar uma proposta de formação continuada para professores sobre a SMIJ é apresentada como uma oportunidade para aprendizado e compartilhamento de conhecimentos para sua prática cotidiana, uma vez que estudos da área apontam para a escassez de conteúdos disponíveis aos professores e, também, de oportunidades de cursos de formação sobre o tema (ALBUQUERQUE et al., 2020; SOARES et al., 2014; TOMÉ et al., 2018; VIEIRA et al., 2014; VIEIRA; RAMOS; ROSÁRIO, 2016).
A elaboração da presente proposta de formação continuada vem acompanhada de implicações para a formação de professores em se tratando do campo da SMIJ, uma vez que apresenta contribuições que ampliam o conhecimento do professor sobre o tema bem como auxiliam em sua prática cotidiana, superando as limitações que existem na realidade atual em se tratando de iniciativas de propostas que se direcionem às demandas da área.
Além disso, a realização do presente estudo busca evidenciar a importância de investir-se em ações e programas de formação focados na realização de práticas inclusivas voltadas à saúde mental da população infantojuvenil na escola, considerando os princípios da intersetorialidade, das políticas de educação e de saúde mental (MATOS; GOES, 2018; SQUASSONI; LINS; MATSUKURA, 2021; TOMÉ et al., 2018). O formato da proposta considerou resultados apresentados por estudos que abordam essas estratégias, bem como sugestões apresentadas pelos professores, especialmente no que se refere ao formato organizado por meio de atividades presenciais e atividades a distância.
Compreende-se que os avanços tecnológicos exigem mudanças nos modos e nas estratégias utilizadas para a formação, e que a utilização de tais estratégias contribuem para a promoção de um ensino inovador, participativo, crítico, flexível, permitindo maior adequação/ ajustes do participante em relação às suas demandas gerais de vida e possibilitando maior alcance de participantes (CALDAS; HARTMANN; GHISLENE, 2018; PEREIRA, 2013). Em contrapartida, o presente formato exige maior comprometimento e organização do participante para conciliar as atividades familiares, profissionais e sociais e as demandas do curso.
Também se optou por utilizar recursos e estratégias variadas para compor a presente proposta de formação, como, por exemplo, a realização de apresentações e discussões, indicação de textos e de vídeos. Tais sugestões são apontadas por Soares et al. (2014) como estratégias positivas e de interesse de professores para composição de formações.
Conforme os detalhamentos de cada encontro apresentado, observa-se que a proposta de formação foi construída para ser aplicada a partir das demandas e da realidade da prática do professor, especialmente por meio da oferta de espaços para apresentação de casos reais das suas práticas e para a troca de experiências entre profissionais para a elaboração de estratégias de atuação de forma conjunta. Nesse sentido, estudos nacionais e internacionais que versam sobre intervenções em saúde mental com professores apontam que aproximar as demandas e a realidade da prática do professor por meio de discussões de estudos de casos realmente contribui para uma melhor compreensão sobre saúde mental (BRESSAN et al., 2014; FERNANDES et al., 2019; SILVA, 2019; TOMÉ et al., 2018; VIEIRA; RAMOS; ROSÁRIO, 2016).
Acrescenta-se que a descrição da proposta, sua estrutura, os conteúdos que a compõem e a indicação dos recursos complementares têm relevante contribuição para a área e favorece a realização de novas propostas. Além disso, compreende-se que o presente artigo responde a uma lacuna apontada por estudos nacionais e internacionais recentes da área sobre a importância da capacitação de profissionais para a promoção da saúde mental (CID et al., 2019; FATORI et al., 2018; SILVA, 2019; TOMÉ et al., 2018). No entanto, ressalta-se que a presente proposta não se trata de uma receita, uma vez que o desenrolar de sua aplicação deve considerar as demandas do grupo a que se destina, assim como o conhecimento do(s) coordenador(es). Assim sendo, cabe a avaliação das reais necessidades de cada grupo para melhor considerar os conteúdos a serem trabalhados.
No caso da proposta apresentada neste estudo, convém reiterar que ela foi elaborada por terapeutas ocupacionais, profissionais reconhecidamente do campo da saúde que também atuam no contexto escolar como agentes promotores de inclusão (BRASIL, 2018; FERNANDES et al., 2019; FONSECA et al., 2018; LINS et al., 2021). Sobre esse aspecto, considera-se a possibilidade de que a proposta tenha outro enfoque se elaborada e/ou aplicada por outros profissionais e/ou com outras abordagens. Assim, entende-se que a presente proposta contribui como um referencial para a elaboração/aplicação/aprimoramento de futuras propostas de formação continuada que abordem a temática da SMIJ.
Aponta-se, ainda, que a proposta apresentada neste estudo teve como princípio a abordagem dos conteúdos, considerando a diversidade presente no contexto escolar e, inclusive, no campo da SMIJ, a partir da realidade vivenciada pelos professores, por meio de uma participação ativa, como forma de incentivar a realização de ações mais transformadoras e de promoção de inclusão escolar (CID et al., 2019; LINS et al., 2021).
Ademais, compreende-se que a realidade cotidiana do professor envolve a atuação junto a crianças e adolescentes em sofrimento psíquico, e que estudos dessa natureza, os quais apresentam propostas de inclusão e a permanência escolar desses alunos, podem trazer contribuições aos professores sobre como lidar com as demandas da prática, como foi apontado por meio deste relato. Da mesma forma, há algumas experiências de propostas e programas de formação para professores que abordaram sobre saúde mental e que trouxeram como principais resultados a melhoria na atuação prática com esse público, a maior efetividade nos encaminhamentos aos serviços de saúde mental e a mudança de atitudes em relação ao aluno em sofrimento psíquico (LEIVA et al., 2015; PEREIRA, 2013; SILVA, 2019).
Refletir sobre estratégias e formação continuada em SMIJ pode favorecer o conhecimento dos professores e a adoção de práticas mais sensíveis e que, de fato, possam contribuir para a promoção da inclusão escolar. Entretanto, é importante destacar que não há um repertório único ou ótimo de ações, inclusive devido à complexidade presente nas relações escolares e, também, do sofrimento psíquico. Assim sendo, a realização de estudos futuros que abordem sobre os alcances, os limites e os desafios implicados na eficácia dessas ações podem contribuir para qualificá-las.
Considerações finais
A realização da proposta de formação relatada envolveu a utilização de um conjunto de estratégias que considerou a literatura da área em relação à SMIJ, as demandas apontadas pelos professores e as configurações de propostas de formação profissional. Dentre as estratégias adotadas para este estudo, houve a realização de encontros presenciais, para apresentações, discussões e compartilhamentos, e encontros a distância, destinados à leitura de textos, à visualização de vídeos, à escrita de diário reflexivo e a esclarecimentos.
Acredita-se que a soma dessas estratégias resultou em um aproveitamento satisfatório pelos participantes que demonstraram interesse e envolvimento, traduzidos por meio da presencialidade, da participação ativa nas discussões e nos questionamentos bem como na busca compartilhada por soluções para as demandas cotidianas vivenciadas na prática durante a realização da formação.
Compreende-se que organizar espaços para discussões sobre as demandas cotidianas do professor em relação à SMIJ, especialmente por meio da realização de propostas de formação que viabilizem espaços para reflexões e discussões de situações cotidianas, pode contribuir para a construção de ferramentas que auxiliem a adoção de ações e atitudes mais acolhedoras e inclusivas na prática escolar bem como para a superação de desafios. Além disso, considera-se que esses espaços podem ser potentes para reduzir os sentimentos de insegurança do professor em relação à lida cotidiana frente a situações relacionadas à saúde mental de seus alunos, que também pode reverberar em maior empatia com relação ao tema, inclusive junto aos seus pares.
Considerando que a presente ação envolveu a abordagem de temas de interesse dos professores participantes em relação à temática da SMIJ, questiona-se se haveria demandas para a abordagem de novos temas diferentes dos que foram apresentados neste relato, caso a ação fosse realizada em outros lugares, com outros professores. Nesse sentido, sugere-se que novas ações sejam realizadas a fim de ampliar o conhecimento acerca do tema SMIJ e da inclusão escolar, assim como das possíveis e diferentes realidades da educação brasileira.
Vale ressaltar que os temas sobre as psicopatologias e o diagnóstico a partir de sinais e de sintomas não foram alvo da proposta realizada – tal aspecto foi sinalizado e esclarecido aos professores participantes. Assim, a formação distanciou-se do modelo que toma como matriz teórica a compreensão biológica de saúde-doença, e que se concretiza em práticas de intervenção focalizadas na sintomatologia. Os estudos, as discussões e as reflexões focalizaram, portanto, uma óptica ampliada ao considerar e identificar alguns dos determinantes e condicionantes do processo de saúde mental. Nessa direção, buscou-se o entendimento da singularidade de cada indivíduo (aluno) e de sua construção dentro de um processo biopsicossocial, ressaltando as complexidades das dimensões envolvidas.
Como limitação do estudo, tem-se que a elaboração da proposta envolveu apenas a participação de professores de salas de recursos multifuncionais. Nessa acepção, compreende-se a importância de que outros profissionais que se relacionam com o contexto escolar também possam compor tais oportunidades. Ainda assim, espera-se que o presente estudo incentive a realização de novas propostas dessa natureza e/ou aprimoramento da proposta apresentada e, também, a construção de espaços para compartilhamentos de práticas, de ideias, de dúvidas e de elaboração de novas estratégias que apoiem iniciativas inclusivas.
Entende-se que o ambiente escolar se configura para além do aprendizado formal, sendo um espaço de convívio, de relações sociais, desenvolvimento de habilidades socioemocionais, construção de saberes e também de cuidado. Assim sendo, a não reprodução social dos estigmas, dos receios e dos preconceitos frente aos indivíduos com problemas de saúde mental, cujo resultado é a exclusão social, estão entre os desafios que se apresentam para a escola. Para tal, são necessários investimentos em políticas públicas, ações e parcerias entre diversos setores e equipamentos visando o apoio e a atenção à escola, aos professores e aos alunos, com recursos e estratégias que culminem na formulação de práticas mais efetivas na inclusão escolar e social do aluno em sofrimento psíquico.
Referências
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BOLSONI-SILVA, A. T. et al. Contexto escolar: práticas educativas do professor, comportamento e habilidades sociais infantis. Psicologia Escolar e Educacional, São Paulo, v. 17, n. 2, p. 259-269, jul./dez. 2013. DOI: https://doi.org/10.1590/S1413-85572013000200008
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Notas