<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><?xml-model type="application/xml-dtd" href="http://jats.nlm.nih.gov/publishing/1.1d3/JATS-journalpublishing1.dtd"?>
<!DOCTYPE article PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Publishing DTD v1.1d3 20150301//EN" "http://jats.nlm.nih.gov/publishing/1.1d3/JATS-journalpublishing1.dtd">
<article xmlns:ali="http://www.niso.org/schemas/ali/1.0" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" dtd-version="1.1d3" specific-use="Marcalyc 1.2" article-type="research-article" xml:lang="pt">
<front>
<journal-meta>
<journal-id journal-id-type="redalyc">6891</journal-id>
<journal-title-group>
<journal-title specific-use="original" xml:lang="en">Cadernos de Linguística</journal-title>
</journal-title-group>
<issn pub-type="epub">2675-4916</issn>
<publisher>
<publisher-name>Associação Brasileira de Linguística</publisher-name>
<publisher-loc>
<country>Brasil</country>
<email>miguel@fale.ufal.br</email>
</publisher-loc>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id pub-id-type="art-access-id" specific-use="redalyc">689174650007</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">https://doi.org/10.25189/2675-4916.2022.v3.n1.id630</article-id>
<article-categories>
<subj-group subj-group-type="heading">
<subject>RELATO DE PESQUISA</subject>
</subj-group>
</article-categories>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt">A REELABORAÇÃO DE GÊNEROS EM TWEETS DIDÁTICOS</article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author" corresp="no">
<name name-style="western">
<surname>Azevedo</surname>
<given-names>Ana Claudia Oliveira</given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="aff1"/>
<email>98anaclaudia@gmail.com</email>
</contrib>
<contrib contrib-type="author" corresp="no">
<name name-style="western">
<surname>Pereira</surname>
<given-names>Márcia Helena de Melo</given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="aff2"/>
<email>marcia.helena@uesb.edu.br</email>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="aff1">
<institution content-type="original">Mestra em Linguística pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB). Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Linguística (PPGLin) da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB). Vitória da Conquista, Bahia.</institution>
<institution content-type="orgname">Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia</institution>
<country country="BR">Brazil</country>
</aff>
<aff id="aff2">
<institution content-type="original">Doutora em Linguística Aplicada pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Professora titular do Departamento de Estudos Linguísticos e Literários (DELL) e do Programa de Pós-Graduação em Linguística (PPGLin) da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB). Vitória da Conquista, Bahia.</institution>
<institution content-type="orgname">Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia</institution>
<country country="BR">Brazil</country>
</aff>
<pub-date pub-type="epub-ppub">
<season>March-September</season>
<year>2022</year>
</pub-date>
<volume>3</volume>
<issue>1</issue>
<elocation-id>e630</elocation-id>
<history>
<date date-type="received" publication-format="dd mes yyyy">
<day>09</day>
<month>02</month>
<year>2022</year>
</date>
<date date-type="accepted" publication-format="dd mes yyyy">
<day>11</day>
<month>04</month>
<year>2022</year>
</date>
<date date-type="pub" publication-format="dd mes yyyy">
<day>01</day>
<month>06</month>
<year>2022</year>
</date>
</history>
<permissions>
<copyright-year>2020</copyright-year>
<copyright-holder>Cadernos de Linguística</copyright-holder>
<ali:free_to_read/>
<license xlink:href="https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/">
<ali:license_ref>https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/</ali:license_ref>
<license-p>Esta obra está bajo una Licencia Creative Commons Atribución 4.0 Internacional.</license-p>
</license>
</permissions>
<abstract xml:lang="pt">
<title>Resumo</title>
<p>PARA NÃO ESPECIALISTAS: A comunicação humana, nos diversos espaços de utilização da língua(gem), sempre ocorre por meio de gêneros do discurso. Como a língua(gem) está em constante modificação, os gêneros passam, também, por um contínuo processo de reelaboração, especialmente em ambiente digital. Neste trabalho, observamos <italic>tweets </italic>(textos de até 280 caracteres publicados no <italic>Twitter</italic>) com propósitos didáticos, a fim de identificar os diferentes gêneros que são reelaborados dentro desses textos digitais. Será que os <italic>tweets</italic> didáticos contêm apenas características de gêneros escolares — como o resumo, o macete e o mapa conceitual — ou apresentam, também, aspectos de gêneros produzidos fora da esfera escolar?</p>
</abstract>
<abstract xml:lang="pt">
<title>Resumo</title>
<p>: Segundo o Círculo de Bakhtin, cada campo da atividade humana elabora seus tipos relativamente estáveis de enunciados: os gêneros do discurso, que são modificados e reelaborados à medida que os campos se desenvolvem. Pesquisas mais recentes, como a de Costa (2010), propõem que o fenômeno de reelaboração é responsável pelas transformações nos gêneros discursivos, o que pode ocasionar o surgimento de um novo gênero — reelaboração criadora — ou a modificação de um gênero já existente — reelaboração inovadora externa (incorporação de características de outros gêneros) ou interna (adequação a novas exigências comunicativas). Neste trabalho, analisa-se o fenômeno de reelaboração de gêneros em <italic>tweets </italic>— textos de até 280 caracteres publicados na rede social <italic>Twitter </italic>— com propósito didático. Para isso, adota-se uma abordagem qualitativa descritiva na observação de quatro <italic>tweets</italic> que apresentam conteúdos programáticos das áreas de Ciências Humanas, Matemática, Linguagens e Ciências da Natureza, os quais foram salvos por meio de capturas de tela. A análise dos dados mostrou uma variedade de gêneros sendo reelaborados dentro dos <italic>tweets</italic>, tais como questão de vestibular, anúncio de propaganda, anúncio publicitário, publicação de <italic>Instagram</italic>, problema matemático, resumo, entre outros. A diversidade de gêneros reelaborados no <italic>Twitter</italic> demonstra a postura ativa dos sujeitos de linguagem na transformação dos gêneros. Ressalta-se, ainda, que grande parte dessas reelaborações é potencializada pelos recursos multissemióticos oferecidos pelo <italic>Twitter</italic>, dentre os quais se destacam enquetes, imagens, <italic>links, hashtags</italic> e re<italic>tweets</italic> comentados.</p>
</abstract>
<trans-abstract xml:lang="en">
<title>Abstract</title>
<p>: According to the Bakhtin Circle, each sphere of human activity develops its relatively stable types of utterances: the speech genres. As the spheres develop, subjects modify and re-elaborate the genres. Recent research studies, such as the one developed by Costa (2010), have proposed that the phenomenon of re-elaboration transforms speech genres. This can lead to the emergence of a new genre — creative re-elaboration — or to the modification of a preexisting genre — external innovative re-elaboration (incorporation of characteristics of other genres) or internal innovative re-elaboration (adaptation to new communicative requirements). In this work, we analyze the phenomenon of genre re-elaboration in tweets — texts of up to 280 characters published on the social network Twitter — that have educational purposes. To this end, we make a qualitative descriptive analysis of four tweets that contain topics related to Humanities, Mathematics, Languages, and Natural Sciences. These tweets were saved through screenshots. The data analysis showed that various genres are re-elaborated within the tweets, such as the entrance exam question, the advertisement, the Instagram post, the math problem, the summary, among others. The diversity of genres re-elaborated on Twitter shows the active attitudes taken by the speaking subjects in transforming genres. We also emphasize that many of these re-elaborations are enhanced by the multisemiotic resources offered by Twitter, like polls, pictures, links, hashtags, and quote tweets.</p>
</trans-abstract>
<kwd-group xml:lang="pt">
<title>Palavras-chave</title>
<kwd>Reelaboração de gêneros</kwd>
<kwd>Gêneros discursivos digitais</kwd>
<kwd>Tweet</kwd>
<kwd>Twitter</kwd>
</kwd-group>
<kwd-group xml:lang="en">
<title>Keywords</title>
<kwd>Genre re-elaboration</kwd>
<kwd>Digital speech genres</kwd>
<kwd>Tweet</kwd>
<kwd>Twitter</kwd>
</kwd-group>
<counts>
<fig-count count="5"/>
<table-count count="0"/>
<equation-count count="0"/>
<ref-count count="15"/>
</counts>
</article-meta>
</front>
<body>
<sec>
<title>
<bold>Considerações iniciais</bold>
</title>
<p>O grupo de estudiosos russos conhecido como “Círculo de Bakhtin” defende que a língua é dialógica por natureza, ressaltando, assim, a função comunicativa da linguagem. Nesse sentido, para <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_689174650007_ref5">Bakhtin ([1952-1953] 2011)</xref>, a utilização da língua pelos sujeitos sempre implica a alternância entre enunciados, de modo que um enunciado ocorre sempre em resposta a enunciados precedentes e, ao mesmo tempo, abre espaço para que ocorram réplicas, também chamadas de atitudes ativamente responsivas. Dessa maneira, <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_689174650007_ref5">Bakhtin (2011)</xref> ressalta a postura ativa dos sujeitos de linguagem, que interagem nos diferentes campos da comunicação humana, sempre por meio de enunciados — considerados pelo teórico como as unidades reais da língua.</p>
<p>Mais especificamente, a comunicação, segundo <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_689174650007_ref5">Bakhtin (2011)</xref>, acontece por meio dos gêneros do discurso, definidos como enunciados relativamente estáveis. De modo geral, para <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_689174650007_ref5">Bakhtin (2011)</xref>, os gêneros do discurso são produzidos em cada campo da atividade humana conforme suas necessidades comunicativas específicas. Com isso, o teórico comenta sobre duas categorias: os gêneros primários e os gêneros secundários, sendo aqueles espontâneos e cotidianos e estes mais complexos e criados devido a determinadas demandas sociais. Assim sendo, compreendemos que os gêneros estão sempre associados a fatores sociais, históricos e culturais que caracterizam os diferentes campos de utilização da linguagem.</p>
<p>Portanto, conforme os campos e a língua se desenvolvem, os gêneros passam por transformações, as quais são rotuladas por alguns pesquisadores brasileiros, a exemplo de <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_689174650007_ref8">R. Costa (2010) </xref>e <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_689174650007_ref2">Araújo (2016)</xref>, de “reelaborações de gêneros” ou, em trabalhos anteriores, como o de Zavam (2009), de “transmutações de gêneros”. De acordo com <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_689174650007_ref8">R. Costa (2010)</xref>, as reelaborações podem dar origem a um novo gênero — reelaboração criadora — ou modificar um gênero preexistente — reelaboração inovadora externa (incorporação de aspectos de outros gêneros) ou interna (adequação a novas necessidades comunicativas). Esse fenômeno se tornou ainda mais produtivo com o advento e a popularização da internet, que proporcionaram a emergência de gêneros discursivos digitais <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_689174650007_ref2">(ARAÚJO, 2016)</xref>.</p>
<p>Diante disso, o objetivo deste trabalho é analisar o fenômeno de reelaboração de gêneros em um gênero discursivo digital, o <italic>tweet</italic>, a fim de identificar características de gêneros discursivos que são reelaborados na construção de <italic>tweets</italic> com propósito didático. Para isso, observamos um <italic>corpus </italic>composto por quatro <italic>tweets</italic> que contêm assuntos das áreas de Linguagens, Ciências Humanas, Matemática e Ciências da Natureza e analisamo-nos qualitativamente.</p>
<p>O presente artigo está dividido em quatro seções. Nesta seção, correspondente à introdução, apresentamos, de maneira geral, o assunto e o objetivo de nossa investigação: a reelaboração de gêneros em <italic>tweets</italic> didáticos. Em seguida, na seção dedicada à fundamentação teórica, discutimos o conceito de “reelaboração de gêneros”, a partir da exposição da teoria bakhtiniana de gêneros do discurso e de sua ampliação por pesquisadores brasileiros, como <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_689174650007_ref14">Zavam (2009</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_689174650007_ref15">2012</xref>), <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_689174650007_ref8">R. Costa (2010)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_689174650007_ref9">S. Costa (2012)</xref> e <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_689174650007_ref2">Araújo (2016)</xref>. Na seção subsequente, voltada à análise de dados, apresentamos brevemente nosso <italic>corpus</italic> e, logo em seguida, os resultados e a discussão da análise. Por fim, na última seção, realizamos nossas considerações finais.</p>
</sec>
<sec>
<title>
<bold>1. O fenômeno de reelaboração de gêneros: a construção de um conceito</bold>
</title>
<p>O Círculo de Bakhtin foi responsável por inaugurar uma nova perspectiva acerca da linguagem, opondo-se ao objetivismo abstrato — presente em investigações estruturalistas, por exemplo — e, também, ao subjetivismo idealista — comum em análises psicologizantes. Assim, as discussões realizadas pelo grupo durante a década de 1920, que deram origem a diversos escritos ao longo do século XX, apresentam uma visão de língua como algo não neutro, dado que, conforme <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_689174650007_ref6">Bakhtin ([1930-1936] 2015, p. 69)</xref>, “todas as palavras e formas são povoadas de intenções”. Então, partindo do ponto de vista de que a língua “[…] é uma coexistência concreta de contradições socioideológicas entre o presente e o passado, entre diferentes épocas do passado, entre diferentes grupos socioideológicos do presente, entre correntes, escolas, círculos, etc.” <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_689174650007_ref6">(BAKHTIN, 2015, p. 66)</xref>, o teórico classifica a língua como heterodiscursiva<xref ref-type="fn" rid="fn4">
<sup>3</sup>
</xref>.</p>
<p>Diante disso, o sujeito, na concepção bakhtiniana, não é assujeitado nem psicológico, e sim uma cisão entre social e individual, uma vez que enuncia a partir de sua vontade discursiva, a qual é determinada por especificidades dos campos da atividade humana e dos grupos sociais dos quais faz parte. Com base nisso,<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_689174650007_ref5"> Bakhtin (2011) </xref>defende que as categorias de falante e ouvinte — que, conforme o teórico, eram abordadas de modo reducionista nos estudos linguísticos do início do século XX — estão em uma posição de alternância, de modo que o falante se torna ouvinte e vice-e-versa, pois a interação pressupõe uma posição ativamente responsiva. Ou seja, os enunciados ocorrem como uma réplica a enunciados precedentes e abrem espaço para enunciados subsequentes. Assim, <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_689174650007_ref5">Bakhtin (2011) </xref>institui o importante conceito de “dialogismo”, que pode ser compreendido, grosso modo, como o constante diálogo entre os enunciados produzidos pelos sujeitos.</p>
<p>É nesse contexto que surge outro conceito de extrema importância, o de “gêneros do discurso”, cunhado por<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_689174650007_ref5"> Bakhtin (2011)</xref> para se referir às formas relativamente estáveis de enunciados que são produzidos nos diferentes campos da atividade humana. Segundo o estudioso, essa relativa estabilidade se apresenta em três pilares que compõem os gêneros do discurso: o conteúdo (temático), o estilo de linguagem e a construção composicional, responsáveis por refletir as peculiaridades de cada campo.</p>
<p>Para compreender em que consiste cada um desses pilares, é necessário conceber, inicialmente, que, de acordo com <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_689174650007_ref5">Bakhtin (2011)</xref>, os sujeitos enunciam a partir de uma vontade discursiva, que determina a escolha do objeto de discurso, os seus limites, a apreciação valorativa acerca dele e a própria escolha do gênero. Assim, o conteúdo temático de um gênero parte da intenção discursiva do falante e de seu juízo de valor acerca do elemento semântico-objetal do enunciado, isto é, de seu assunto. Vale ressaltar que esse elemento é responsável por determinar os aspectos estilístico-composicionais dos enunciados e, consequentemente, do gênero.</p>
<p>O estilo de linguagem, por sua vez, diz respeito às escolhas linguísticas realizadas pelos sujeitos que enunciam por meio de determinado gênero do discurso. É válido assinalar que <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_689174650007_ref5">Bakhtin (2011)</xref> divide esse pilar em dois: estilo do gênero e estilo individual. O estilo do gênero, conforme o autor, representa as coerções sociais que visam a estabilizar a linguagem utilizada em determinados enunciados. Por outro lado, o estilo individual reflete aspectos subjetivos, os quais, vale ressaltar, não são livres de ingerências sociais, dado que os sujeitos participam de diferentes grupos socioideológicos e sempre enunciam de um campo da atividade humana. Para <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_689174650007_ref5">Bakhtin (2011)</xref>, alguns gêneros são mais flexíveis, dando mais espaço para a inserção de estilo individual, enquanto outros são mais fechados, de modo que prevalece o estilo do gênero. Ainda no que concerne a esse pilar, <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_689174650007_ref12">Rojo (2013)</xref> destaca que, especialmente em gêneros discursivos digitais, o estilo não se limita a questões linguísticas, mas inclui, também, outras linguagens, como a visual e a sonora. Assim, com base em <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_689174650007_ref12">Rojo (2013)</xref>, consideramos que o estilo é uma unidade não somente linguística, mas multissemiótica<xref ref-type="fn" rid="fn5">
<sup>4</sup>
</xref>.</p>
<p>O terceiro pilar que constitui os gêneros do discurso, segundo <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_689174650007_ref5">Bakhtin (2011)</xref>, é a construção composicional, que consiste na estrutura de determinado gênero, responsável por torná-lo reconhecível em determinada(s) sociedade(s). Sendo assim, há aspectos — como a ordem das informações, o uso de prosa ou verso, títulos, subtítulos, cabeçalhos, rodapés, presença ou ausência de imagens, ícones específicos etc. — que tornam possível identificar um gênero somente com base em seu formato. <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_689174650007_ref5">Bakhtin (2011)</xref> ressalta que, ao contrário do que muitos estudiosos sugeriam, esse não é o único ou o principal aspecto que caracteriza um gênero do discurso; mesmo assim, a construção composicional não deixa de ser relevante para o seu reconhecimento social.</p>
<p>Em sua reflexão filosófica acerca da linguagem, <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_689174650007_ref5">Bakhtin (2011)</xref> postula a existência de gêneros primários e gêneros secundários, os quais se distinguem pelas condições em que cada um ocorre. Para o autor, os gêneros primários correspondem aos gêneros mais simples e cotidianos, que surgem na comunicação espontânea, ao passo que os gêneros secundários “[…] surgem nas condições de um convívio cultural mais complexo e relativamente muito desenvolvido e organizado” <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_689174650007_ref5">(BAKHTIN, 2011, p. 263)</xref>. É importante destacar, portanto, que a escolha de um gênero (primário ou secundário) pelo sujeito depende das especificidades sociais, históricas e culturais do campo da atividade humana do qual ele enuncia.</p>
<p>Ainda no que diz respeito a essa reflexão, <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_689174650007_ref5">Bakhtin (2011, p. 263)</xref> afirma que os gêneros secundários, em sua formação, “[…] incorporam e reelaboram diversos gêneros primários […]”. Devido a esse processo, segundo o teórico, gêneros secundários representam formas de comunicação primária, a exemplo do gênero secundário romance, que reelabora e representa gêneros primários como a conversa cotidiana. Nesse sentido, vale salientar que, para <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_689174650007_ref7">Bakhtin ([1929] 2018, p. 121</xref>, grifo do autor), os gêneros estão em constante transformação: “o gênero vive do presente mas sempre <italic>recorda</italic> o seu passado, o seu começo”. Ou seja, os gêneros estão em um constante processo de reelaboração.</p>
<p>É importante acrescentar que as produções de Bakhtin e seu Círculo começaram a chegar ao Brasil na década de 1980 e, desde então, têm sido amplamente adotadas em pesquisas de áreas como a Linguística, a Linguística Aplicada e a Educação, que buscam atualizar sua teoria. Dentre os diversos estudos de base bakhtiniana, neste artigo, destacamos a ampliação do conceito de “reelaboração de gêneros”, realizada principalmente por pesquisadores do grupo Hiperged<xref ref-type="fn" rid="fn6">
<sup>5</sup>
</xref>, da Universidade Federal do Ceará (UFC).</p>
<p>Antes de abordar mais detalhadamente as discussões sobre a reelaboração de gêneros, vale ressaltar que esse termo passou a ser usado pelos pesquisadores do grupo Hiperged em 2010, na dissertação de Mestrado de R. Costa, que adotou a tradução mais recente da obra “Estética da Criação Verbal”, de Bakhtin. Na tradução anterior, segundo <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_689174650007_ref8">R. Costa (2010)</xref>, esse conceito aparecia como “transmutação”; portanto, em trabalhos prévios, como os de <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_689174650007_ref14">Zavam (2009</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_689174650007_ref15">2012</xref>), o fenômeno aqui analisado recebe um outro rótulo.</p>
<p>De acordo com <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_689174650007_ref8">R. Costa (2010, p. 60)</xref>, “o termo transmutação de gêneros surge como termo corrente para designar o processo pelo qual um gênero é potencialmente capaz de assimilar outro, gerando formas híbridas ou mesmo novos gêneros”. Ou seja, com base nos postulados bakhtinianos supracitados, utiliza-se o conceito de “transmutação de gêneros” para se referir à característica de constante renovação intrínseca aos gêneros. Nesse sentido, <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_689174650007_ref15">Zavam (2012, p. 257)</xref> apresenta a seguinte definição:</p>
<p>
<disp-quote>
<p>[…] a transmutação, para nós, responderia pela transformação por que passa um gênero (seja primário ou secundário), tanto na absorção de um gênero por outro (quer da mesma esfera ou de diferentes esferas), quanto na adaptação a novas contingências (históricas, sociais, entre outras).</p>
</disp-quote>
</p>
<p>Vemos, assim, que o processo de transmutação (reelaboração) abrange gêneros primários e secundários de diversas esferas (campos). A fim de sistematizar as transformações que ocorrem nos gêneros discursivos, <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_689174650007_ref14">Zavam (2009</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_689174650007_ref15">2012</xref>) elenca duas categorias: a transmutação criadora, referente ao surgimento de um novo gênero, e a transmutação inovadora, que diz respeito a transformações nos gêneros sem que se crie um novo. Esta última é subdividida em externa (intergenérica) e interna (intragenérica), visto que, conforme a pesquisadora, as transmutações podem ter origem na absorção de características de outros gêneros ou na adequação a necessidades comunicativas, respectivamente.</p>
<p>Tais categorias são reanalisadas por <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_689174650007_ref8">R. Costa (2010)</xref>, que considera o termo “transmutação” inadequado às ideias bakhtinianas, visto que não pressupõe o protagonismo dos sujeitos na transformação dos gêneros. Para o autor, “reelaborar, dessa forma, deixa mais claros os esforços realizados por pessoas para renovar ativamente alguma coisa” <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_689174650007_ref8">(COSTA, R., 2010, p. 64)</xref>, de modo a explicitar que a renovação dos gêneros é um fenômeno que ocorre na interação humana. Desse modo, R. Costa (2010) atualiza as categorias propostas por <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_689174650007_ref14">Zavam (2009</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_689174650007_ref15"> 2012</xref>) e elabora o seguinte esquema de reelaboração de gêneros:</p>
<p>
<fig id="gf1">
<label>Figura 1.</label>
<caption>
<title>Modelo de reelaboração de gêneros do discurso criado por <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_689174650007_ref8">R. Costa (2010)</xref>.</title>
</caption>
<alt-text>Figura 1. Modelo de reelaboração de gêneros do discurso criado por R. Costa (2010).</alt-text>
<graphic xlink:href="689174650007_gf2.png" position="anchor" orientation="portrait"/>
<attrib>Fonte: <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_689174650007_ref8">R. Costa (2010, p. 64). </xref>
</attrib>
</fig>
</p>
<p>Como podemos ver na <xref ref-type="fig" rid="gf1">figura 1</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_689174650007_ref8">R. Costa (2010)</xref> mantém as categorias de reelaboração de gêneros do discurso propostas por <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_689174650007_ref14">Zavam (2009</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_689174650007_ref15">2012</xref>): reelaboração criadora e reelaboração inovadora. No que diz respeito à reelaboração criadora, <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_689174650007_ref8">R. Costa (2010, p. 74)</xref> aponta que</p>
<p>
<disp-quote>
<p>a reelaboração de gêneros é, primariamente, um processo criador de gêneros outros que não o reelaborante. Os gêneros transmutados, porém, nem sempre são necessariamente “novos”, estando na verdade sujeitos a uma gradação entre o pólo emergente e o pólo estandardizado.</p>
</disp-quote>
</p>
<p>Assim, o autor apresenta uma nova perspectiva acerca dessa categoria específica, ao destacar que a criação de gêneros está em um contínuo entre emergência e estandardização. Ou seja, os gêneros produzidos por meio da reelaboração criadora podem ser gêneros realmente novos (+ emergentes) ou gêneros mais próximos de outros já existentes (+ estandardizados). Essa consideração também se aproxima mais dos postulados bakhtinianos, uma vez que, para o teórico russo, a estabilidade dos gêneros é algo relativo, e não fixo e imutável.</p>
<p>A reelaboração inovadora, por sua vez, que diz respeito ao processo de transformação de gêneros sem que haja a criação de um gênero diferente, também é dividida por <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_689174650007_ref8">R. Costa (2010)</xref> em duas subcategorias: externa e interna. A reelaboração inovadora externa consiste na absorção de características (temáticas, estilísticas e composicionais) de outros gêneros, ao passo que a reelaboração inovadora interna resulta de modificações que visam à adequação a novas exigências comunicativas, relacionadas a fatores históricos, culturais, sociais ou ao suporte, por exemplo.</p>
<p>Com isso, entendemos que um gênero, ao surgir, pode passar pelo processo de reelaboração criadora com inclinação emergente até chegar à reelaboração criadora com inclinação estandardizada. O gênero <italic>tweet</italic>, por exemplo, no qual focamos neste trabalho, passou pelo processo de reelaboração criadora a partir do ano de 2006, quando a rede social <italic>Twitter</italic> foi ao ar. Segundo <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_689174650007_ref10">Freitas e Barth (2015)</xref>, esse gênero é baseado no SMS (<italic>Short Message Service </italic>— serviço de mensagens curtas para celular) e no <italic>blog</italic>, os quais, segundo nossa concepção, teriam sido reelaborados criativamente para dar origem ao <italic>tweet </italic>(<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_689174650007_ref3">AZEVEDO, 2022</xref>). Assim, o limite de 140 caracteres (ampliado, em 2017, para 280), que caracterizava a estrutura desse gênero na época de seu surgimento, é um aspecto herdado do SMS, tendo em vista que as atualizações no <italic>Twitter</italic> ocorriam por meio desse serviço. O <italic>blog</italic>, por sua vez, teria influência nos propósitos comunicativos dos usuários do <italic>Twitter</italic>, que, nos primeiros anos da rede social, tendiam a usar os <italic>tweets </italic>como uma espécie de mini diário pessoal.</p>
<p>Diante disso, <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_689174650007_ref4">Azevedo, Pereira e Ayres (2021)</xref> e <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_689174650007_ref3">Azevedo (2022)</xref> definem o <italic>tweet </italic>como um gênero do discurso, considerando que ele apresenta particularidades em sua construção composicional — marcada, por exemplo, pela foto e nome de usuário acima do corpo do texto, pelo limite de 280 caracteres, pela possibilidade de adicionar até 4 imagens, 1 vídeo ou 1 <italic>GIF</italic>, entre outras características —, estilo e conteúdo temático. Vale ressaltar que, em relação a esses dois últimos pilares, o <italic>tweet</italic>se apresenta como um gênero bastante flexível, dado que seu conteúdo temático e estilo dependem da intenção discursiva de cada usuário.</p>
<p>Devido a isso, há, nesse gênero, bastante espaço para a inserção do estilo individual dos sujeitos e, consequentemente, para a ocorrência de reelaborações, como foi observado por <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_689174650007_ref9">S. Costa (2012)</xref> em sua pesquisa de mestrado<xref ref-type="fn" rid="fn7">
<sup>6</sup>
</xref>. <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_689174650007_ref2">Araújo (2016, p. 58) </xref>justifica que</p>
<p>
<disp-quote>
<p>esse processo de reelaboração criadora e inovadora de gêneros discursivos nas redes sociais está associado à relativa liberdade de criação proporcionada por esses espaços virtuais, que permitem aos usuários experimentarem diferentes técnicas de produção de textos híbridos […].</p>
</disp-quote>
</p>
<p>Compreendemos, portanto, que a internet amplia as possibilidades de manipulação e reelaboração dos gêneros discursivos. Nesse sentido, é importante destacar que, conforme <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_689174650007_ref2">Araújo (2016, p. 52)</xref>, “a <italic>Web</italic>não é uma esfera digital […], mas um ambiente plural de profundo poder de absorção que transmuta para si diversas esferas de atividade humana e, com elas, seus gêneros discursivos”. Ou seja, a internet não é um campo da atividade humana, e sim um ambiente no qual diversos campos e seus respectivos gêneros são reelaborados, passando por “[…] alterações decorrentes de apropriações sociais da tecnologia pelo indivíduo” (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_689174650007_ref2">ARAÚJO, 2016, p. 53</xref>). Diante disso, defendemos que o <italic>tweet</italic>, assim como outros gêneros discursivos digitais, não pertence a um único campo da atividade humana, visto que passou a ser usado para diferentes propósitos, dentre os quais destacamos, neste trabalho, o propósito didático, comum principalmente nos campos escolar e acadêmico.</p>
<p>
<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_689174650007_ref2">Araújo (2016, p. 60)</xref> ressalta, ainda, que o limite de caracteres imposto pelo <italic>Twitter </italic>faz com que os usuários encontrem “[…] formas de se destacarem dentro desta rede social, mobilizando, para tanto, diferentes padrões genéricos, que culminam em níveis distintos de intervenção nos padrões de gêneros”. O pesquisador afirma que os usuários efetuam tais intervenções nos <italic>tweets</italic> a fim de obter capital social, conceito que diz respeito ao “[…] valor simbólico que permeia as interações dentro de um grupo social” (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_689174650007_ref2">ARAÚJO, 2016, p. 59</xref>) e, nas redes sociais da internet, se manifesta por meio de elementos como curtidas e compartilhamentos, que quantificam a audiência e o índice de propagação das publicações. Segundo o autor, a vontade de obter popularidade na rede motivaria a reelaboração de gêneros.</p>
<p>Com base nessa discussão, observamos, na seção a seguir, quatro <italic>tweets </italic>que partem da vontade discursiva de abordar algum assunto relacionado às quatro áreas do conhecimento mencionadas na Base Nacional Comum Curricular (BRASIL, 2018) — Ciências Humanas, Linguagens, Matemática e Ciências da Natureza —, a fim de analisar o fenômeno de reelaboração de gêneros nesse <italic>corpus</italic>.</p>
</sec>
<sec>
<title>
<bold>2. Resultados e discussão: a reelaboração em <italic>tweets </italic>didáticos</bold>
</title>
<p>Nesta seção, apresentamos os resultados e a discussão da análise de quatro <italic>tweets</italic>
<xref ref-type="fn" rid="fn8">
<sup>7</sup>
</xref> com propósito didático, retirados de perfis de professores e plataformas de ensino e salvos por meio de capturas de tela. O critério para a seleção dos <italic>tweets </italic>foi o fato de conterem assuntos didáticos relacionados às quatro áreas do conhecimento<xref ref-type="fn" rid="fn9">
<sup>8</sup>
</xref> estipuladas na Base Nacional Comum Curricular (BRASIL, 2018): Ciências Humanas, Linguagens, Matemática e Ciências da Natureza.</p>
<p>Para a análise, adotamos uma metodologia de cunho qualitativo descritivo, visto que observamos o fenômeno de reelaboração de gêneros nos <italic>tweets </italic>com base em indícios temáticos, estilísticos e composicionais de diferentes gêneros do discurso. Destacamos que, como dito na seção anterior, a reelaboração criadora do gênero <italic>tweet </italic>se deu de 2006 em diante, após seu surgimento. Dessa maneira, nesta análise, considerando o <italic>tweet</italic> como um tipo relativamente estável de enunciado, focamos no fenômeno de reelaboração inovadora, que, conforme R. Costa (2010), pode ser identificado por meio de características de outros gêneros que estão presentes nos <italic>tweets</italic>e de estratégias de readequação do gênero a necessidades comunicativas.</p>
<p>Para dar início a nossa análise, apresentamos, na <xref ref-type="fig" rid="gf2">figura 2</xref>, um <italic>tweet</italic> correspondente à área de Ciências Humanas, publicado pelo perfil de plataforma de ensino @ProEnemOficial, em 22 de julho de 2020.</p>
<p>
<fig id="gf2">
<label>Figura 2.</label>
<caption>
<title>Tweet do perfil @ProEnemOficial.</title>
</caption>
<alt-text>Figura 2.  Tweet do perfil @ProEnemOficial.</alt-text>
<graphic xlink:href="689174650007_gf3.png" position="anchor" orientation="portrait"/>
<attrib>Fonte: Twitter. Disponível em: https://twitter.com/ProEnemOficial/status/1286000791237558276. Acesso em: 10 set. 2020.</attrib>
</fig>
</p>
<p>No <italic>tweet </italic>exibido na <xref ref-type="fig" rid="gf2">figura 2</xref>, o perfil @ProEnemOficial aborda um assunto relacionado ao componente curricular Geografia, pertencente à área de Ciências Humanas: os biomas. O <italic>tweet </italic>é composto por duas partes: um trecho escrito e uma enquete. A parte escrita é constituída, inicialmente, por uma sigla entre parênteses “(CFTMG)”, seguida de uma apresentação de características típicas de um bioma brasileiro específico: “baixa pluviosidade anual; • elevadas temperaturas anuais; • pequena umidade relativa do ar; • espécies vegetais e animais bem adaptadas.”. No fim do trecho escrito questiona-se a qual bioma tais características correspondem e, em seguida, são apresentadas quatro alternativas, por meio do recurso da enquete oferecido pelo <italic>Twitter</italic>, que torna os resultados da votação automaticamente visíveis. Assim, na segunda parte do <italic>tweet </italic>— a enquete, que teve um total de 663 votos —, observamos as alternativas e o percentual de respostas de cada uma: “Floresta Atlântica 5.4%; Cerrado 28.1%; Pantanal 6%; Caatinga 60.5%”.</p>
<p>No que diz respeito ao conteúdo temático do <italic>tweet </italic>em análise, podemos inferir que a vontade discursiva do usuário @ProEnemOficial está baseada na identidade que ele busca construir na rede. Ou seja, por se tratar de um perfil de plataforma de ensino, espera-se que seus <italic>tweets</italic>contenham assuntos didáticos, como ocorre no <italic>tweet </italic>da <xref ref-type="fig" rid="gf2">figura 2.</xref> Assim, o conteúdo temático do <italic>tweet </italic>de @ProEnemOficial é caracterizado por um elemento semântico-objetal específico — os biomas, em especial um bioma brasileiro (a caatinga) — e pela apreciação valorativa acerca dele, que se baseia no fato de esse assunto fazer parte do currículo de uma disciplina das Ciências Humanas.</p>
<p>O estilo do <italic>tweet</italic>, por sua vez, é caracterizado pelo uso de elementos verbais acompanhados de elementos tipográficos, como os parênteses para indicar uma instituição de ensino — nesse caso, o CEFET-MG — e os <italic>bullet points </italic>para marcar uma lista de características. Além disso, as alternativas da questão são apresentadas por meio do recurso de enquete do <italic>Twitter</italic>, que calcula automaticamente a porcentagem de respostas dadas a cada opção e marca, com um gráfico de barras horizontal na cor azul e com a fonte em negrito, a opção mais votada, ao passo que as opções menos votadas ficam na cor cinza. Tais constatações comprovam que, assim como postulado por <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_689174650007_ref12">Rojo (2013)</xref>, o pilar bakhtiniano do estilo pode englobar não somente aspectos linguísticos, mas também de outras linguagens — nesse caso, os elementos tipográficos e as cores na enquete.</p>
<p>Vale ressaltar que, na construção do <italic>tweet</italic>, as escolhas lexicais e gramaticais, bem como o uso da pontuação, demonstram que há uma busca pela adequação à variedade padrão da língua portuguesa, ou seja, as escolhas linguísticas são voltadas a uma linguagem mais formal, comum no ambiente escolar e em materiais didáticos. Isso ocorre devido ao fato de o <italic>tweet </italic>reproduzir uma questão de vestibular presente em uma prova de 2014 do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (CEFET-MG), de modo a reelaborar esse gênero específico no <italic>Twitter</italic>.</p>
<p>Tal fenômeno pode ser notado tanto por aspectos estilísticos quanto pela construção composicional do <italic>tweet</italic>, que muito lembra uma questão de vestibular, visto que se apresenta o nome da instituição entre parênteses, seguido de uma contextualização, uma pergunta/solicitação de resposta e de suas alternativas, dispostas em forma de enquete. Diante disso, classificamos o <italic>tweet </italic>da figura 2 como um caso de reelaboração inovadora externa, visto que as características de um outro gênero discursivo — a questão de vestibular — aparecem em um exemplar do gênero <italic>tweet</italic>.</p>
<p>Vale salientar que, embora o <italic>tweet </italic>se assemelhe bastante a uma questão de vestibular, não se trata de uma mera migração desse gênero para o ambiente do <italic>Twitter</italic>, uma vez que o perfil @ProEnemOficial realiza uma adaptação do enunciado a esse ambiente digital específico, como pode ser notado pelo uso do recurso de enquete, por exemplo. Fundamentamos essa constatação em <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_689174650007_ref2">Araújo (2016, p. 60)</xref>, que defende que “[…] mesmo as intervenções em menor grau também são reelaborações”. Além disso, o gênero em questão continua sendo o <italic>tweet</italic>, tendo em vista o ambiente em que ocorre, os aspectos da construção composicional que o caracterizam — foto de perfil, apelido e nome de usuário introduzido por @, acima do corpo de texto, e informações de publicação como hora, data e dispositivo, na parte inferior, além dos botões de interação — e a sua alta flexibilidade (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_689174650007_ref4">AZEVEDO; PEREIRA; AYRES, 2021</xref>).</p>
<p>Dando continuidade à nossa análise, a seguir, apresentamos o <italic>tweet</italic> da área de Linguagens, publicado pelo perfil do professor de Língua Portuguesa e <italic>YouTuber</italic> @ProfessorNoslen, em 10 de abril de 2020.</p>
<p>
<fig id="gf3">
<label>Figura 3.</label>
<caption>
<title>Tweet do perfil @ProfessorNoslen.</title>
</caption>
<alt-text>Figura 3. Tweet do perfil @ProfessorNoslen.</alt-text>
<graphic xlink:href="689174650007_gf5.png" position="anchor" orientation="portrait"/>
<attrib>Fonte: Twitter. Disponível em: https://twitter.com/ProfessorNoslen/status/1248596683266633728. Acesso em: 15 jul. 2020.</attrib>
</fig>
</p>
<p>No <italic>tweet </italic>da <xref ref-type="fig" rid="gf3">figura 3</xref>, @ProfessorNoslen apresenta o trecho escrito “Utilidade pública! Agora ninguém mais erra. 😉”, seguido por uma imagem que contém um papel, cercado de canetas, com o título “uso dos porquês” e cada uso representado em uma linha, por uma cor diferente: “porque – resposta [na cor rosa]; por que – pergunta [na cor azul]; porquê – motivo [na cor vermelha]; por quê – fim de frase [na cor roxa]”. Com base nisso, consideramos que a construção composicional do <italic>tweet</italic>, no que ele tem de <italic>relativo</italic>, é caracterizada pelo trecho escrito e pela imagem.</p>
<p>O assunto do enunciado, resumido no título que aparece na imagem, está relacionado à disciplina ensinada por Professor Noslen em suas redes sociais, especialmente no <italic>YouTube</italic>, canal no qual o professor tem mais de 3.3 milhões de inscritos. Assim, observamos uma relação entre o elemento semântico-objetal desse enunciado e o papel social do usuário responsável por sua publicação. Nesse sentido, vale salientar que, conforme <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_689174650007_ref5">Bakhtin (2011)</xref>, o pilar conhecido como conteúdo temático engloba a apreciação valorativa do falante acerca do assunto tratado, o que, mais uma vez, pode ser relacionado ao fato de o usuário que publicou o <italic>tweet</italic>da <xref ref-type="fig" rid="gf3">figura 3</xref> ser um professor de Português. Desse modo, considerando que o uso dos “porquês” é um aspecto ortográfico-gramatical relevante nos estudos de Língua Portuguesa, o perfil @ProfessorNoslen apresenta, resumidamente, cada emprego, considerado por ele como algo de “utilidade pública”. Com base nisso, inferimos que o <italic>tweet </italic>da <xref ref-type="fig" rid="gf3">figura 3</xref> representa um propósito didático, uma vez que busca ensinar um conteúdo programático de Língua Portuguesa por meio da imagem que o integra.</p>
<p>No que diz respeito ao estilo do <italic>tweet </italic>de @ProfessorNoslen, é válido salientar a sua composição por múltiplas linguagens. Então, ressaltamos que o trecho escrito do <italic>tweet</italic> é caracterizado pelo uso de uma expressão exclamativa (“Utilidade pública!”) — que cumpre a função de chamar a atenção dos leitores para o que será apresentado na imagem —, acompanhada da afirmação “Agora ninguém mais erra” e, por fim, de um <italic>emoji</italic> que representa uma carinha piscando, o qual demonstra uma tentativa de estabelecer uma relação mais próxima com os seus leitores, por meio de uma espécie de combinado, marcado visualmente. Nesses dois períodos que compõem o <italic>tweet</italic>, observamos um uso de pontuação e acentuação adequadas à norma culta da língua, aspecto que, a depender do usuário do <italic>Twitter </italic>e de seus propósitos, não aparece. Com isso, compreendemos que essas escolhas estão relacionadas ao estilo individual do usuário e à construção de sua identidade na <italic>web</italic>, dado que há uma expectativa social de que professores de Português utilizem a modalidade padrão da língua. Além disso, podemos destacar, nesse trecho do <italic>tweet</italic>, que o perfil busca atrair a atenção de seus leitores para a segunda parte do enunciado, a imagem.</p>
<p>A imagem que compõe o <italic>tweet</italic>, por sua vez, também é caracterizada pela multissemiose, uma vez que os sentidos são produzidos tanto pelas palavras escritas quanto pelas cores em que cada expressão aparece. Assim, a síntese do “uso do porquês” — termo que aparece na parte de cima do papel, lugar em que o título dos textos é convencionalmente localizado — se baseia em uma breve descrição de cada emprego e na disposição de um uso em cada linha, representado em cores diferentes. Desse modo, o leitor pode realizar a associação dos quatro “porquês” e seus respectivos empregos tanto por meio da disposição de cada um deles na imagem — dado que o uso é apresentado logo à frente da expressão — quanto por meio das cores (rosa, azul, vermelho e roxo). Observamos, também, que as canetas presentes em volta do papel, na imagem, ajudam a construir o sentido de um resumo feito à mão. Assim como os elementos do trecho escrito, isso pode constituir uma estratégia de aproximação de um possível público, formado por estudantes, que estão inseridos em práticas sociais nas quais é comum fazer um resumo dos assuntos estudados.</p>
<p>Fundamentadas nessas considerações, inferimos que o <italic>tweet</italic>de @ProfessorNoslen reelabora dois gêneros discursivos: o anúncio de propaganda e o resumo, pertencentes, respectivamente, aos campos publicitário e escolar. Os aspectos semelhantes ao anúncio de propaganda estão presentes no trecho escrito que compõe a parte superior do <italic>tweet</italic>, visto que seu objetivo principal é divulgar alguma ideia, sem a finalidade — ao menos, a princípio — de obter lucro. Tal função, de acordo com Silva (2015), caracteriza o gênero anúncio de propaganda, que apresenta elementos como título, subtítulo e logomarca, os quais, segundo nossa análise, são reelaborados nesse novo ambiente. Assim, a foto de perfil, o apelido e o nome de usuário funcionam como uma espécie de logomarca do perfil, e os dois períodos escritos podem ser considerados como título e subtítulo, respectivamente. O gênero resumo, por sua vez, é reelaborado na imagem adicionada por @ProfessorNoslen ao seu <italic>tweet</italic>, a qual cumpre a função de sumarizar informações didáticas sem que seja necessário recorrer a um suposto texto-base — nesse caso, alguma gramática normativa —, o que, conforme<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_689174650007_ref11"> Machado (2010) </xref>caracteriza esse gênero discursivo.</p>
<p>Portanto, compreendemos que os gêneros anúncio de propaganda e resumo passam por um processo de reelaboração inovadora externa no <italic>tweet </italic>de @ProfessorNoslen, de modo que o propósito de ambos os gêneros é mantido, visto que o usuário busca, ao mesmo tempo, divulgar uma informação que considera importante e apresentar a sumarização de um assunto relacionado à área de Linguagens.</p>
<p>Nossa próxima análise é de um <italic>tweet</italic> publicado, em 20 de maio de 2020, pelo perfil de professor de Matemática Procopio, @MatematicaRio.</p>
<p>
<fig id="gf4">
<label>Figura 4.</label>
<caption>
<title>Tweet do perfil @MatematicaRio.</title>
</caption>
<alt-text>Figura 4. Tweet do perfil @MatematicaRio.</alt-text>
<graphic xlink:href="689174650007_gf6.png" position="anchor" orientation="portrait"/>
<attrib>Fonte: Twitter. Disponível em: https://twitter.com/MatematicaRio/status/1264684392716406785. Acesso em: 15 jul. 2020.</attrib>
</fig>
</p>
<p>O <italic>tweet </italic>da <xref ref-type="fig" rid="gf4">figura 4</xref>, assim como o da <xref ref-type="fig" rid="gf3">figura 3</xref>, é estruturado em duas partes: o trecho escrito e a imagem, que são, por sua vez, constituídos de uma quantidade maior de elementos em comparação com o <italic>tweet</italic> analisado anteriormente. A seguir, destrinchamos, separadamente, os componentes de cada um desses elementos que formam a construção composicional do <italic>tweet</italic>, para, em seguida, comentar sobre o fenômeno de reelaboração de gêneros no enunciado como um todo.</p>
<p>O primeiro trecho do <italic>tweet </italic>de @MatematicaRio é iniciado por um emoji de cachorro (🐶), seguido pela pergunta “Você consegue desbugar o Einstein, o cachorrinho do @Procopio83?”. Após uma linha em branco, o usuário acrescenta: “Veja  a solução em <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://youtu.be/-CbB8iBkxRw">https://youtu.be/-CbB8iBkxRw</ext-link>”; deixa, novamente, mais um espaço em branco e conclui seu <italic>tweet </italic>com “A maioria das pessoas BUGOU nesse #DesafioDoProcopio”. Desse modo, observamos que o trecho escrito do <italic>tweet</italic> é composto por três orações e que cada uma delas contém um elemento <italic>linkado</italic>, sendo o primeiro referente à conta pessoal do professor responsável pelo perfil @MatematicaRio; o segundo, um <italic>link </italic>para a plataforma de vídeos <italic>YouTube</italic>; e o terceiro correspondente a uma <italic>hashtag</italic> que indica se tratar de um desafio proposto pelo professor Procopio.</p>
<p>No que diz respeito ao estilo do trecho escrito do <italic>tweet</italic>, notamos, inicialmente, o uso do <italic>emoji</italic>, elemento visual que faz alusão a algo presente na imagem — sobre a qual comentamos a seguir —: um cachorro. Assim como no <italic>tweet </italic>de @ProfessorNoslen, o <italic>emoji</italic> representa uma estratégia de aproximação do público, a qual é acompanhada por uma oração interrogativa direta, marcada pelo ponto de interrogação e pelo uso do pronome “você”, em referência ao leitor. Nessa oração, encontramos, também, termos informais como “cachorrinho” e “desbugar”, que consiste em um neologismo do substantivo <italic>bug</italic> em inglês — cujo significado é “erro” — e pode ser entendido como “desfazer o erro” ou, em outros termos, “solucionar o problema”.</p>
<p>Em seguida, após questionar se os leitores conseguem solucionar esse desafio, o perfil apresenta um verbo no imperativo (“veja”), indicando-lhes um <italic>link</italic> com a solução do problema, em forma de vídeo na plataforma <italic>YouTube</italic>. Essa oração, assim como a anterior, apresenta um direcionamento direto ao leitor, por meio da conjugação do verbo em terceira pessoa, a qual alude ao pronome “você”, usado para se referir ao interlocutor.</p>
<p>Por fim, o usuário comenta que “a maioria das pessoas BUGOU nesse #DesafioDoProcopio”, usando, novamente, o neologismo “bugar”, dessa vez, em caixa alta, o que o destaca em relação aos outros elementos da oração. Nesse caso, @MatematicaRio apresenta uma declaração de que a maioria das pessoas teve problemas para resolver esse desafio, sinalizado por meio da hashtag formada pela palavra “desafio” e pelo adjunto adnominal “do Procopio”, mencionando, pela segunda vez, o nome do professor responsável pelo perfil.</p>
<p>De modo geral, constatamos que, além do <italic>emoji</italic> e dos termos coloquiais e comumente usados na internet, o trecho escrito desse <italic>tweet</italic>apresenta três <italic>links</italic>, elementos típicos do ambiente digital, que promovem uma ligação entre enunciados de forma mais explícita, dado que basta um clique ou um toque para acessar o conteúdo <italic>linkado</italic>. Com isso, observamos que o fato de esse enunciado — o <italic>tweet </italic>— ser produzido em ambiente digital proporciona algumas possibilidades estilísticas e composicionais, dentre as quais podemos destacar, ainda, o uso da imagem.</p>
<p>A imagem que compõe o <italic>tweet </italic>de @MatematicaRio, por sua vez, apresenta elementos que a caracterizam como uma captura de tela de publicação de <italic>Instagram</italic>. Segundo<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_689174650007_ref1"> Amorim (2020)</xref>, o gênero publicação de <italic>Instagram</italic>, que exige a presença de pelo menos uma imagem ou vídeo, é caracterizado por uma alta flexibilidade temática e por dar espaço para a inserção do estilo individual de seu produtor tanto na(s) foto(s) ou vídeo(s) quanto na legenda. Apesar de compreendermos que esses dois pilares se manifestam na imagem do <italic>tweet </italic>de @MatematicaRio, destacamos que a identificação do gênero publicação de <italic>Instagram</italic> se deu, principalmente, devido a sua construção composicional, que, conforme Bakhtin (2011), é responsável pelo reconhecimento formal dos gêneros.</p>
<p>Assim, é possível observar, na imagem do <italic>tweet</italic>, elementos que, conforme <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_689174650007_ref1">Amorim (2020)</xref>, integram a estrutura desse gênero: o <italic>layout</italic>do site/aplicativo <italic>Instagram</italic>; o nome de usuário — @matematicario, que acompanha a foto de perfil, na qual o professor aparece, em tons de preto e branco, usando uma máscara —; e a foto que compõe a publicação — composta pela imagem de um cachorro (nomeado pelo usuário do <italic>Twitter </italic>de Einstein), cercada por duas barras vermelhas (uma em cima e outra em baixo), que apresentam, em fonte branca, a seguinte proposição: “Pense muito rápido: 230-220x0,5” “Acredite, o resultado é igual a 5”. Além disso, vale acrescentar que a foto presente na publicação contém, na parte inferior direita, acima da barra, uma espécie de logotipo do usuário @matematicario, formada pela letra “M”, em caixa alta, na cor azul, sobreposta da palavra “Rio”, em uma fonte semelhante à de letras cursivas, que aparece em um tom de azul mais escuro.</p>
<p>O fato de a imagem que integra o <italic>tweet </italic>apresentar uma publicação de <italic>Instagram</italic> mostra que esse é um dos gêneros reelaborados pelo perfil @MatematicaRio, que o utiliza em função de sua vontade discursiva, sobre a qual comentamos com mais detalhes posteriormente. Vale ressaltar que, dentro dessa publicação, podemos identificar, nas barras vermelhas da imagem, o gênero problema matemático, caracterizado pelo enunciado verbal “Pense muito rápido”, que apresenta um comando para os leitores, seguido de um cálculo (“230-220x0,5”) e, abaixo, da conclusão “Acredite, o resultado é igual a 5!”. Essa constatação comprova o pressuposto de <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_689174650007_ref7">Bakhtin (2018)</xref> de que os gêneros discursivos estão em um constante processo de renovação, de modo que um gênero pode incorporar outro, que, por sua vez, incorpora outro(s).</p>
<p>É importante observar, no entanto, que a análise do fenômeno de reelaboração nesse <italic>tweet </italic>deve ser feita em conjunto com a outra parte de sua construção composicional: o trecho escrito. Na primeira e na terceira oração que integram o <italic>tweet</italic>, observamos uma reelaboração do gênero desafio, que é lançado por @MatematicaRio ao perguntar se seu leitor consegue resolver o problema matemático presente na imagem, complementando que muitas pessoas “bugaram” ao tentar solucioná-lo. O uso desse gênero, associado ao problema matemático da imagem, tem o objetivo de atrair a atenção dos usuários do <italic>Twitter</italic>, para que eles tentem resolver o desafio. Diante da possível dificuldade de solução, o próprio usuário @MatematicaRio apresenta, na segunda oração, um caminho a seus leitores: um <italic>link</italic>para um vídeo do <italic>YouTube </italic>no qual, conforme inferimos, ele explica como chegar àquele resultado.</p>
<p>Com base nisso, constatamos que todos esses gêneros passam pelo processo de reelaboração inovadora externa, a serviço da vontade discursiva de @MatematicaRio, qual seja, despertar em seus leitores a curiosidade para acessar o vídeo no <italic>YouTube</italic> no qual o professor soluciona o desafio. Esse fato faz com que consideremos que o <italic>tweet</italic>, como um todo, cumpre a função do gênero anúncio publicitário, que, conforme <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_689174650007_ref13">Silva (2015)</xref>, tem o propósito de divulgar determinado produto ou serviço com a finalidade de obter lucro — nesse caso, o lucro consiste em aspectos valorizados na rede, como o número de visualizações, curtidas e seguidores. Dentre os aspectos que caracterizam esse gênero, identificamos, no <italic>tweet </italic>de @MatematicaRio, um título, composto pela primeira oração, e um subtítulo, composto pela última oração, além da logomarca presente no nome de usuário, do logotipo presente na imagem e de uma espécie de <italic>slogan</italic> na <italic>hashtag </italic>#DesafioDoProcopio. Vale salientar, ainda, que “ao mesmo tempo em que se utiliza de uma linguagem homogeneizante, a publicidade/a propaganda também aborda o seu leitor de maneira individual para que este se sinta especial” (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_689174650007_ref13">SILVA, 2015, p. 47</xref>), e é exatamente isso que observamos no <italic>tweet </italic>analisado, visto que o perfil utiliza formas de segunda pessoa do singular e faz perguntas diretas ao leitor.</p>
<p>Desse modo, o <italic>tweet </italic>da figura 4 é, ao mesmo tempo, didático e publicitário, pois a vontade discursiva do usuário @MatematicaRio, responsável por determinar seu conteúdo temático, se baseia na autopromoção por meio da solução de um desafio matemático, o qual está apresentado tanto no trecho escrito quanto na imagem, que se complementam. Mais uma vez, o propósito do usuário vai ao encontro da identidade que ele constrói na rede, dado que se trata de um perfil de professor de Matemática, que busca, além de ensinar assuntos desse componente curricular a outros internautas, obter visibilidade na <italic>web</italic>, tanto em seu <italic>Twitter</italic> quanto no <italic>Instagram</italic> e no <italic>YouTube</italic>.</p>
<p>Para concluir nossa análise, apresentamos o <italic>tweet </italic>da área de Ciências da Natureza, publicado, em 27 de abril de 2020, pelo perfil de curso pré-vestibular @descomplica.</p>
<p>
<fig id="gf5">
<label>Figura 5.</label>
<caption>
<title>Tweet do perfil @descomplica.</title>
</caption>
<alt-text>Figura 5. Tweet do perfil @descomplica.</alt-text>
<graphic xlink:href="689174650007_gf8.png" position="anchor" orientation="portrait"/>
<attrib>Fonte: Twitter. Disponível em: https://twitter.com/descomplica/status/1254804855606128641. Acesso em: 15 jul. 2020.</attrib>
</fig>
</p>
<p>O <italic>tweet </italic>da <xref ref-type="fig" rid="gf5">figura 5</xref> consiste em um <italic>retweet</italic> comentado, isto é, o perfil @descomplica realiza o compartilhamento de um <italic>tweet </italic>feito por @D4nimayara, acompanhado de um comentário acerca dele. No <italic>tweet </italic>de origem, @D4nimayara, em resposta ao usuário @luquinha — que havia publicado um <italic>tweet</italic>com o Diagrama de Linus Pauling, o qual reaparece no <italic>tweet </italic>escrito por @descomplica —, apresenta enunciados verbais organizados em versos: “Sem / Sem pão / Sem pão dá / Sem pão dá fome / Sem pão dá fome / Sem pão dá / Sem pão”. O usuário @descomplica, por sua vez, ao <italic>retweetar</italic> o texto de @D4nimayara, menciona “E esse macetinho maroto da @D4nimayara pra decorar o Diagrama de Linus Pauling:” e, em seguida, (re)apresenta o diagrama.</p>
<p>Com base na menção e na exposição do Diagrama de Pauling, inferimos que o <italic>tweet </italic>aborda um assunto do componente curricular Química, que integra a área de Ciências da Natureza. Tal elemento semântico-objetal se relaciona com o perfil responsável por sua publicação, dado que se trata de um usuário que representa um curso pré-vestibular e tem, portanto, o papel de preparar estudantes para processos seletivos de ingresso ao ensino superior, o que inclui o estudo da distribuição de elétrons proposta por Pauling. Devido a isso, é importante que o usuário apresente a seus (potenciais) seguidores uma didatização dos conteúdos que precisam ser apre(e)ndidos. É exatamente isso que ocorre no <italic>tweet </italic>da <xref ref-type="fig" rid="gf5">figura 5.</xref>
</p>
<p>No <italic>tweet retweetado </italic>por @descomplica, podemos observar que @D4nimayara publica uma espécie de poema, cujas letras iniciais das palavras (“s”, “p”, “d” e “f”) aludem aos componentes do Diagrama de Linus Pauling, de modo que cada verso corresponde a uma camada da distribuição eletrônica. A inferência de que se trata do gênero poema é feita com base na construção composicional e no estilo do <italic>tweet</italic>, que apresenta uma organização estrutural em versos, formados pelas mesmas palavras, com uma variação em quais delas aparecem em cada linha, além da repetição da primeira palavra (“sem”), o que caracteriza a figura de linguagem conhecida como anáfora, muito comum nesse gênero literário.</p>
<p>O conteúdo temático do <italic>tweet </italic>de @D4nimayara, por sua vez — considerando todo o contexto de publicação, dado que ele ocorre em resposta a outro <italic>tweet</italic>, que apresenta o Diagrama de Pauling —, nos leva a identificar indícios de outro gênero, bastante comum em ambiente escolar: o macete, que consiste em uma simplificação de determinado assunto ou ação, levando o sujeito a realizar algo mais facilmente. Nesse caso, trata-se de um macete para decorar os componentes de cada camada da distribuição eletrônica.</p>
<p>Observamos, então, que o <italic>tweet </italic>de origem apresenta reelaboração inovadora externa dos gêneros poema e macete, usados para facilitar a memorização de um elemento semântico-objetal específico: o Diagrama de Linus Pauling.</p>
<p>Diante disso, o perfil @descomplica realiza um <italic>retweet</italic>, isto é, um compartilhamento do <italic>tweet </italic>de @D4nimayara, fazendo um comentário acerca dele. Nesse comentário, o usuário menciona palavras como “macetinho” e “maroto”, escolhas lexicais informais que apresentam o substantivo diminutivo do rótulo de um dos gêneros reelaborados (o macete) e um adjetivo referente ao macete, que pode significar “esperto”. Com isso, @descomplica apresenta uma apreciação valorativa positiva em relação ao <italic>tweet</italic>de @D4nimayara, considerando que ele pode ajudar o seu público de pré-vestibulandos a decorar o Diagrama de Pauling, disposto logo abaixo no <italic>tweet</italic>do perfil de cursos pré-vestibular.</p>
<p>Por meio desse <italic>tweet</italic>, @descomplica cumpre a função de divulgar uma ideia específica, qual seja, a de que o <italic>tweet </italic>de @D4nimayara pode ajudar os seus leitores a memorizarem o Diagrama de Pauling. Isso nos leva a analisar que o <italic>tweet </italic>efetivamente escrito por @descomplica reelabora o gênero anúncio de propaganda, que, como já comentamos na análise da <xref ref-type="fig" rid="gf3">figura 3</xref>, busca “[…] essencialmente, promover uma ideia, convencendo as pessoas a concordarem ou discordarem de algo, induzindo-as a alguma ação que não seja de uma compra” (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_689174650007_ref13">SILVA, 2015, p. 53-54</xref>). Nesse caso, a ação à qual o <italic>tweet </italic>busca induzir é a leitura do texto <italic>retweetado</italic>, seguida por sua memorização.</p>
<p>Diante disso, compreendemos que @descomplica realiza uma reelaboração inovadora externa do gênero anúncio de propaganda, que tem seu conteúdo temático incorporado ao <italic>tweet</italic>do perfil de curso pré-vestibular e apresenta outros indícios composicionais desse gênero, como título — posto na primeira frase do <italic>tweet</italic> —, logomarca — o nome de usuário @descomplica — e logotipo — a foto de perfil. Identificamos que há, portanto, três gêneros sendo reelaborados dentro desse <italic>tweet</italic> — poema e macete, no <italic>tweet </italic>de origem, e anúncio de propaganda, no <italic>tweet</italic>efetivamente escrito por @descomplica —, de modo que o propósito que prevalece é o deste último. Assim, o perfil @descomplica reelabora o <italic>tweet </italic>de @D4nimayara dentro do seu próprio <italic>tweet </italic>e dá a ele um novo conteúdo temático, com base em sua apreciação valorativa.</p>
<p>Posto isso, em uma breve comparação entre os <italic>tweets</italic>, constatamos que tanto o <italic>tweet</italic> de Ciências Humanas quanto o de Linguagens conservam os propósitos comunicativos de todos os gêneros reelaborados por eles — questão de vestibular, no caso do primeiro, e anúncio publicitário e resumo, no segundo. Nos <italic>tweets </italic>de Matemática e Ciências da Natureza, por sua vez, verificamos que outros gêneros passam pelo processo de reelaboração inovadora externa, visando ao cumprimento do propósito de um terceiro gênero: o anúncio publicitário e o anúncio de propaganda, respectivamente. Assim, averiguamos que o fenômeno de reelaboração de gêneros ocorre em todos os <italic>tweets</italic>, embora as estratégias utilizadas para isso variem em cada enunciado analisado.</p>
<p>Vale acrescentar que, ao mesmo tempo em que abarca a reelaboração de outros gêneros de maneira inovadora, o próprio gênero <italic>tweet </italic>também passa por um processo de reelaboração — a reelaboração inovadora interna —, visto que se adequa às necessidades comunicativas de usuários que buscam utilizá-lo com propósitos didáticos. Destacamos, então, a postura ativa dos sujeitos na transformação dos gêneros  e na adequação de sua vontade discursiva às especificidades da rede social <italic>Twitter</italic>, que estabelece limites e possibilidades para os enunciados nela produzidos. Nesse sentido, é importante assinalar que a disponibilização de recursos como enquetes, <italic>emojis</italic>, imagens, <italic>hashtags, links</italic>, entre outros, contribui para a ocorrência do fenômeno de reelaboração de gêneros e comprova que a <italic>web </italic>é um espaço produtivo para a ação dos sujeitos sobre os gêneros discursivos. Asseveramos, ainda, que as respostas à enquete, bem como as respostas, <italic>retweets</italic> e curtidas nos <italic>tweets</italic>demonstram uma postura ativamente responsiva por parte de outros usuários do <italic>Twitter</italic> em relação aos <italic>tweets</italic> analisados.</p>
<p>Além disso, ressaltamos que a reelaboração de gêneros do campo publicitário em três dos quatro <italic>tweets </italic>analisados pode ser explicada pela busca por visibilidade na rede, o que é chamado por Araújo (2016) de capital social. Desse modo, é importante salientar que até os anúncios de propaganda, que, inicialmente, não têm o objetivo direto de obter lucro, acabam divulgando o perfil do usuário responsável por sua publicação ou até mesmo de outros usuários, o que pode aumentar sua quantidade de seguidores, curtidas e <italic>retweets</italic>, ou seja, seu capital social.</p>
</sec>
<sec>
<title>
<bold>3. Considerações finais</bold>
</title>
<p>Este artigo teve como objetivo analisar o fenômeno de reelaboração de gêneros em <italic>tweets</italic> com propósitos didáticos relacionados às áreas de Ciências Humanas, Linguagens, Matemática e Ciências na Natureza, retirados de perfis de professores e plataformas de ensino. Para isso, embasamo-nos teoricamente nas discussões de <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_689174650007_ref5">Bakhtin (2011</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_689174650007_ref6">2015</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_689174650007_ref7">2018</xref>) e em sua ampliação por pesquisadores brasileiros, dentre os quais destacamos <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_689174650007_ref8">R. Costa (2010) </xref>e <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_689174650007_ref2">Araújo (2016)</xref>, que comentam mais detalhadamente sobre o processo de reelaboração de gêneros, categorizado por <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_689174650007_ref8">R. Costa (2010) </xref>em reelaboração criadora (com inclinação emergente ou estandardizada) e reelaboração inovadora (interna ou externa).</p>
<p>Nossa observação do conteúdo temático, estilo e construção composicional dos <italic>tweets</italic>do <italic>corpus </italic>mostrou que vários gêneros, advindos de diversos campos, são reelaborados no <italic>Twitter</italic> para tratar de elementos semântico-objetais relacionados às quatro áreas do conhecimento. Dentre esses gêneros, podemos destacar a questão de vestibular, o anúncio de propaganda, o resumo, a publicação de <italic>Instagram</italic>, o problema matemático, o anúncio publicitário, o poema e o macete. O fato de os <italic>tweets</italic>, embora didáticos, não se limitarem a reelaborar gêneros do campo escolar demonstra uma interrelação entre diferentes campos da comunicação humana e evidencia a ampliação de possibilidades comunicativas propiciada pelo ambiente digital. Comprovamos, assim, o postulado de <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_689174650007_ref2">Araújo (2016)</xref> de que a <italic>web</italic> — e, destacamos, a rede social <italic>Twitter</italic> — é um ambiente produtivo para a reelaboração e renovação de gêneros discursivos.</p>
<p>A variedade dos gêneros reelaborados evidencia, também, uma postura ativa dos sujeitos de linguagem na transformação dos gêneros, o que vai ao encontro dos postulados bakhtinianos de relativa estabilidade dos tipos de enunciados que integram os diferentes campos da comunicação humana. Por fim, é válido salientar que os recursos oferecidos pelo <italic>Twitter</italic> — a exemplo de enquete, imagem, <italic>link . retweet</italic> comentado — contribuem para a ocorrência desse fenômeno, oferecendo aos sujeitos diversas possibilidades comunicativas e, ao mesmo tempo, exigindo deles uma adequação às especificidades desse ambiente.</p>
</sec>
<sec>
<title>
<bold>Informações Complementares</bold>
</title>
<sec>
<title>
<bold>Conflito de Interesse</bold>
</title>
<p>As autoras não têm conflitos de interesse a declarar.</p>
</sec>
<sec>
<title>
<bold>Declaração de Disponibilidade de Dados</bold>
</title>
<p>Os dados que suportam os resultados deste estudo estão disponíveis como “arquivos suplementares” no site da revista Cadernos de Linguística.</p>
</sec>
<sec>
<title>
<bold>Fonte de financiamento </bold>
</title>
<p>Este trabalho foi financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb), por meio de bolsa de fomento à primeira autora deste artigo. O conteúdo deste artigo é produto do amparo dessa instituição.</p>
</sec>
</sec>
<sec>
<title>
<bold>AVALIAÇÃO </bold>
</title>
<p>DOI: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://doi.org/0.25189/2675-4916.2022.V3.N1.ID634.R">https://doi.org/0.25189/2675-4916.2022.V3.N1.ID634.R</ext-link>
</p>
<p>
<bold>Rodadas de Avaliação </bold>
</p>
<p>AVALIADOR 1: Ernani Cesar Freitas</p>
<p>ORCID: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://orcid.org/0000-0002-8920-9446">https://orcid.org/0000-0002-8920-9446</ext-link>
</p>
<p>FILIAÇÃO: Universidade de Passo Fundo, Rio Grande do Sul, Brasil.</p>
<p>AVALIADOR 2: Mônica Magalhães</p>
<p>ORCID: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://orcid.org/0000-0002-5561-3993">https://orcid.org/0000-0002-5561-3993</ext-link>
</p>
<p>FILIAÇÃO: Universidade Federal do Ceará, Ceará, Brasil.</p>
<p>
<bold>RODADA 1 </bold>
</p>
<p>
<bold>AVALIADOR 1</bold>
</p>
<p>
<bold>2022-02-28 | 02:51</bold>
</p>
<p>O relato de pesquisa “A reelaboração de gêneros em tweets didáticos” possui boa redação e fundamentação teórica sólida. O tema, a reformulação de gêneros de discurso para se adequarem ao estilo de comunicação do Twitter, é atual e tem relevância para os estudos das redes sociais, sobretudo para fins didáticos. Faço apenas algumas ponderações: evitar enunciados muito coloquiais, como, por exemplo, "É nesse contexto que surge um outro conceito bastante popular [...]”, na página 4, penúltimo parágrafo. Recomendo também evitar o uso de citações diretas ou indiretas no resumo e na introdução (há algumas ocorrências). Em vista da qualidade da pesquisa, o parecer é aceitar para publicação.</p>
<p>
<bold>AVALIADOR 2</bold>
</p>
<p>
<bold>2022-04-08 | 06:48</bold>
</p>
<p>Em resposta à solicitação da revista Cadernos de Linguística, para avaliar o artigo <bold>A REELABORAÇÃO DE GÊNEROS EM TWEETS DIDÁTICOS</bold>, coassinado por Ana Cláudia Oliveira Azevedo e Márcia Helena de Melo Pereira, tenho a emitir o seguinte parecer.</p>
<p>O trabalho se propõe apresentar um <bold>relato de pesquisa</bold>, que se define como um “relato final de trabalho originado a partir de investigação baseada em dados empíricos, utilizando metodologia científica”.</p>
<p>O resumo principia situando teoricamente o estudo em pressupostos bakhtinianos de gêneros do discurso e na tese de Costa (2010), que, na verdade, já retoma a tese de Aurea Zavam sobre transmutação de gêneros. Duas categorias de transformação genérica orientam a análise: a de reelaboração criadora e a de reelaboração inovadora (externa e interna). Em seguida, as autoras avisam ter usado uma metodologia qualitativo-descritiva para a análise de 4 gêneros em tuítes de propósito didático, sintetizam o resultado e elaboram um comentário conclusivo. Quatro palavras-chave (que destacam, de fato, os termos nucleares) se apresentam logo abaixo, seguidas do abstract e das key-words, conforme os padrões de publicação assim o exigem. O resumo contém, pois, as unidades sociorretóricas esperadas e o título expressa bem o tema que será abordado.</p>
<p>Por coerência, as considerações iniciais parafraseiam o objetivo do seguinte modo: “Diante disso, o objetivo deste trabalho é analisar o fenômeno de reelaboração de gêneros em um gênero discursivo digital, o <italic>tweet</italic>, a fim de identificar características de gêneros discursivos que são reelaborados na construção de <italic>tweets</italic> com propósito didático”. Falta, porém, nessa introdução a menção a pesquisas anteriores aos estudos mencionados como básicos para a reflexão, como a tese de Aurea Zavam sobre transmutação (que será citada no desenvolvimento) e a de Vicente de Lima-Neto sobre gêneros emergentes. Carece também essa seção de um pouco mais de especificidade quanto às partes que compõem o relato.</p>
<p>A discussão teórica retoma os conhecidos traços de tema, composição e estilo discriminados por Bakhtin para refletir sobre os padrões genéricos e, após isso, justifica as razões pelas quais o termo técnico escolhido por Zavam para o fenômeno – <italic>transmutação</italic> – foi substituído por R. Costa (2010) por <italic>reelaboração</italic>, ainda que preserve as principais categorizações da referida autora. A estas, R. Costa acrescenta a subdivisão em gêneros digitais <italic>emergentes</italic> e <italic>estandardizados</italic>, que acontecem ao longo do tempo, numa espécie de <italic>continuum</italic>.</p>
<p>O traço inovador deste relato de pesquisa é a aplicação desse suporte teórico, sobretudo de R. Costa (2010), aos gêneros que reelaboram nas mídias que envolvem os tuítes. O desenho metodológico se constrói, dessa forma, pela testagem dos parâmetros de gênero aos textos que os quatro tuítes em exame comportam. Ressalte-se a pertinência empírica dos recursos digitais descritos nessa análise e que ajudam a comprovar a emergência e a estandardização. O parágrafo a seguir concentra o principal resultado da pesquisa: “Posto isso, em uma breve comparação entre os <italic>tweets</italic>, constatamos que tanto o <italic>tweet</italic> de Ciências Humanas quanto o de Linguagens conservam os propósitos comunicativos de todos os gêneros reelaborados por eles — questão de vestibular, no caso do primeiro, e anúncio publicitário e resumo, no segundo. Nos <italic>tweets </italic>de Matemática e Ciências da Natureza, por sua vez, verificamos que outros gêneros passam pelo processo de reelaboração inovadora externa visando ao cumprimento do propósito de um terceiro gênero: o anúncio publicitário e o anúncio de propaganda, respectivamente. Assim, averiguamos que o fenômeno de reelaboração de gêneros ocorre em todos os <italic>tweets</italic>, embora as estratégias utilizadas para isso variem em cada enunciado analisado”.</p>
<p>Não houve necessidade de aplicar técnicas estatísticas, já que não se tratava de uma análise quantitativa, e a mostra era bastante reduzida. As discussões empreendidas pelas autoras, possivelmente, serão aprofundadas em trabalhos ulteriores, a fim de que outros estudos básicos possam ser considerados e uma amostra maior possa ser investigada.</p>
<p>O presente estudo traz constatações interessantes para a Análise de Gêneros, que pode se beneficiar dos resultados alcançados, estabelecendo, posteriormente, generalidades que permitam estabelecer relações com aspectos das interações nas mídias digitais. Este parecer é, em vista disso, favorável à sua publicação.</p>
</sec>
</body>
<back>
<ref-list>
<title>
<bold>Referências:</bold>
</title>
<ref id="redalyc_689174650007_ref1">
<mixed-citation>AMORIM, Marina Martins Pinchemel. <bold>O hipertexto no ensino-(app)rendizagem</bold>: a retextualização no meio digital. 2021. Dissertação (Mestrado em Linguística) – Programa de Pós-Graduação em Linguística, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Vitória da Conquista, 2021.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="thesis">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname>AMORIM</surname>
<given-names>Marina Martins Pinch</given-names>
</name>
<collab>AMORIM, Marina Martins Pinchemel.</collab>
<collab>AMORIM, Marina Martins Pinchemel.</collab>
<collab>AMORIM, Marina Martins Pinchemel.</collab>
<collab>AMORIM, Marina Martins Pinchemel.</collab>
</person-group>
<source>O hipertexto no ensino-(app)rendizagem: a retextualização no meio digital</source>
<year>2021</year>
</element-citation>
</ref>
<ref id="redalyc_689174650007_ref2">
<mixed-citation>ARAÚJO, Júlio. Reelaboração de gêneros em redes sociais. <italic>In</italic>: ARAÚJO, Júlio; LEFFA, Vilson. <bold>Redes sociais e ensino de línguas</bold>: o que temos de aprender? São Paulo: Parábola Editorial, 2016. p. 49-64.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname>ARAÚJO</surname>
<given-names>Júlio</given-names>
</name>
</person-group>
<source>Redes sociais e ensino de línguas: o que temos de aprender?</source>
<year>2016</year>
</element-citation>
</ref>
<ref id="redalyc_689174650007_ref3">
<mixed-citation>AZEVEDO, Ana Claudia Oliveira. <bold>O gênero <italic>tweet </italic>e a (hiper)textualização de objetos de ensino-aprendizagem</bold>. 2022. Dissertação (Mestrado em Linguística) – Programa de Pós-Graduação em Linguística, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Vitória da Conquista, 2022.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="thesis">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname>AZEVEDO</surname>
<given-names>Ana Claudia Oliv</given-names>
</name>
<collab>AZEVEDO, Ana Claudia Oliveira.</collab>
<collab>AZEVEDO, Ana Claudia Oliveira.</collab>
</person-group>
<source>O gênero tweet e a (hiper)textualização de objetos de ensino-aprendizagem</source>
<year>2022</year>
</element-citation>
</ref>
<ref id="redalyc_689174650007_ref4">
<mixed-citation>AZEVEDO, Ana Claudia Oliveira; PEREIRA, Márcia Helena de Melo; AYRES, Dayana Junqueira. O <italic>tweet</italic> como um gênero discursivo digital materializado no suporte <italic>Twitter</italic>. <bold>Revista Philologus</bold>, Rio de Janeiro, ano 27, n. 79, supl., jan./abr. 2021. Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.filologia.org.br/xiii_SINEFIL/resumos/o_tweet_ANA.pdf">http://www.filologia.org.br/xiii_SINEFIL/resumos/o_tweet_ANA.pdf</ext-link>. Acesso em: 28 jun. 2021.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname>AZEVEDO</surname>
<given-names>Ana Claudia Oliv</given-names>
</name>
<name>
<surname>PEREIRA</surname>
<given-names>Márcia H</given-names>
</name>
<name>
<surname>AYRES</surname>
<given-names>Da</given-names>
</name>
<collab>AZEVEDO, Ana Claudia Oliveira; PEREIRA, Márcia Helena de Melo; AYRES, Dayana Junqueira.</collab>
<collab>AZEVEDO, Ana Claudia Oliveira; PEREIRA, Márcia Helena de Melo; AYRES, Dayana Junqueira.</collab>
<collab>AZEVEDO, Ana Claudia Oliveira; PEREIRA, Márcia Helena de Melo; AYRES, Dayana Junqueira.</collab>
<collab>AZEVEDO, Ana Claudia Oliveira; PEREIRA, Márcia Helena de Melo; AYRES, Dayana Junqueira.</collab>
<collab>AZEVEDO, Ana Claudia Oliveira; PEREIRA, Márcia Helena de Melo; AYRES, Dayana Junqueira.</collab>
<collab>AZEVEDO, Ana Claudia Oliveira; PEREIRA, Márcia Helena de Melo; AYRES, Dayana Junqueira.</collab>
<collab>AZEVEDO, Ana Claudia Oliveira; PEREIRA, Márcia Helena de Melo; AYRES, Dayana Junqueira.</collab>
<collab>AZEVEDO, Ana Claudia Oliveira; PEREIRA, Márcia Helena de Melo; AYRES, Dayana Junqueira.</collab>
<collab>AZEVEDO, Ana Claudia Oliveira; PEREIRA, Márcia Helena de Melo; AYRES, Dayana Junqueira.</collab>
<collab>AZEVEDO, Ana Claudia Oliveira; PEREIRA, Márcia Helena de Melo; AYRES, Dayana Junqueira.</collab>
<collab>AZEVEDO, Ana Claudia Oliveira; PEREIRA, Márcia Helena de Melo; AYRES, Dayana Junqueira.</collab>
<collab>AZEVEDO, Ana Claudia Oliveira; PEREIRA, Márcia Helena de Melo; AYRES, Dayana Junqueira.</collab>
<collab>AZEVEDO, Ana Claudia Oliveira; PEREIRA, Márcia Helena de Melo; AYRES, Dayana Junqueira.</collab>
<collab>AZEVEDO, Ana Claudia Oliveira; PEREIRA, Márcia Helena de Melo; AYRES, Dayana Junqueira.</collab>
</person-group>
<article-title>O tweet como um gênero discursivo digital materializado no suporte Twitter</article-title>
<source>Revista Philologus</source>
<year>2021</year>
<comment>
<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.filologia.org.br/xiii_SINEFIL/resumos/o_tweet_ANA.pdf">http://www.filologia.org.br/xiii_SINEFIL/resumos/o_tweet_ANA.pdf</ext-link>
</comment>
</element-citation>
</ref>
<ref id="redalyc_689174650007_ref5">
<mixed-citation>BAKHTIN, Mikhail. Os gêneros do discurso. <italic>In</italic>: BAKHTIN, Mikhail. <bold>Estética da Criação Verbal</bold>. Tradução de Paulo Bezerra. 6. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2011. p. 261-306.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname>BAKHTIN</surname>
<given-names>Mikhail</given-names>
</name>
</person-group>
<source>Estética da Criação Verbal</source>
<year>2011</year>
</element-citation>
</ref>
<ref id="redalyc_689174650007_ref6">
<mixed-citation>BAKHTIN, Mikhail. <bold>Teoria do romance I</bold>: A estilística. Tradução, prefácio, notas e glossário de Paulo Bezerra. São Paulo: Editora 34, 2015.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname>BAKHTIN</surname>
<given-names>Mikhail</given-names>
</name>
</person-group>
<source>Teoria do romance I: A estilística</source>
<year>2015</year>
</element-citation>
</ref>
<ref id="redalyc_689174650007_ref7">
<mixed-citation>BAKHTIN, Mikhail. <bold>Problemas da poética de Dostoiévski</bold>. Tradução de Paulo Bezerra. 5. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária. 2018.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname>BAKHTIN</surname>
<given-names>Mikhail</given-names>
</name>
</person-group>
<source>Problemas da poética de Dostoiévski</source>
<year>2018</year>
</element-citation>
</ref>
<ref id="redalyc_689174650007_ref8">
<mixed-citation>COSTA, Rafael Rodrigues. <bold>A TV na Web</bold>: percurso da reelaboração de gêneros audiovisuais na era da transmídia. 2010. Dissertação (Mestrado em Linguística) – Programa de Pós-Graduação em Linguística, Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 2010. Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.repositorio.ufc.br/handle/riufc/8852">http://www.repositorio.ufc.br/handle/riufc/8852</ext-link>. Acesso em: 3 abr. 2020.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="thesis">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname>COSTA</surname>
<given-names>Rafa</given-names>
</name>
<collab>COSTA, Rafael Rodrigues.</collab>
<collab>COSTA, Rafael Rodrigues.</collab>
<collab>COSTA, Rafael Rodrigues.</collab>
<collab>COSTA, Rafael Rodrigues.</collab>
</person-group>
<source>A TV na Web: percurso da reelaboração de gêneros audiovisuais na era da transmídia</source>
<year>2020</year>
<comment>
<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.repositorio.ufc.br/handle/riufc/8852">http://www.repositorio.ufc.br/handle/riufc/8852</ext-link>
</comment>
</element-citation>
</ref>
<ref id="redalyc_689174650007_ref9">
<mixed-citation>COSTA, Sayonara Melo. <bold>Tweet</bold>: reelaboração de gêneros em 140 caracteres. 2012. Dissertação (Mestrado em Linguística) – Centro de Humanidades, Departamento de Letras Vernáculas, Programa de Pós-Graduação em Linguística, Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 2012. Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.repositorio.ufc.br/handle/riufc/8258">http://www.repositorio.ufc.br/handle/riufc/8258</ext-link>. Acesso em: 12 fev. 2019.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="thesis">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname>COSTA</surname>
<given-names>Sa</given-names>
</name>
<collab>COSTA, Sayonara Melo.</collab>
<collab>COSTA, Sayonara Melo.</collab>
<collab>COSTA, Sayonara Melo.</collab>
<collab>COSTA, Sayonara Melo.</collab>
</person-group>
<source>Tweet: reelaboração de gêneros em 140 caracteres</source>
<year>2019</year>
<comment>
<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.repositorio.ufc.br/handle/riufc/8258">http://www.repositorio.ufc.br/handle/riufc/8258</ext-link>
</comment>
</element-citation>
</ref>
<ref id="redalyc_689174650007_ref10">
<mixed-citation>FREITAS, Ernani César; BARTH, Pedro Afonso. Gênero ou suporte? O entrelaçamento de gêneros no <italic>Twitter</italic>. <bold>Revista (Con)Textos Linguísticos</bold>, Vitória, v. 9, n. 12, p. 8-26, 2015. Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://periodicos.ufes.br/index.php/contextoslinguisticos/article/view/8888">https://periodicos.ufes.br/index.php/contextoslinguisticos/article/view/8888</ext-link>. Acesso em: 10 jul. 2019.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname>FREITAS</surname>
<given-names>Ernani César</given-names>
</name>
<name>
<surname>BARTH</surname>
<given-names>P</given-names>
</name>
<collab>FREITAS, Ernani César; BARTH, Pedro Afonso.</collab>
<collab>FREITAS, Ernani César; BARTH, Pedro Afonso.</collab>
</person-group>
<article-title>Gênero ou suporte? O entrelaçamento de gêneros no Twitter</article-title>
<source>Revista (Con)Textos Linguísticos</source>
<year>2019</year>
<comment>
<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://periodicos.ufes.br/index.php/contextoslinguisticos/article/view/8888">https://periodicos.ufes.br/index.php/contextoslinguisticos/article/view/8888</ext-link>
</comment>
</element-citation>
</ref>
<ref id="redalyc_689174650007_ref11">
<mixed-citation>MACHADO, Anna Rachel. Revisitando o conceito de resumos. <italic>In</italic>: DIONISIO, Angela Paiva; BEZERRA, Maria Auxiliadora; MACHADO, Anna Rachel (org.). <bold>Gêneros Textuais &amp; Ensino</bold>. São Paulo: Parábola Editorial, 2010. p. 149-162.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname>MACHADO</surname>
<given-names>Anna Rach</given-names>
</name>
<collab>MACHADO, Anna Rachel.</collab>
<collab>MACHADO, Anna Rachel.</collab>
</person-group>
<source>Gêneros Textuais &amp; Ensino</source>
<year>2010</year>
</element-citation>
</ref>
<ref id="redalyc_689174650007_ref12">
<mixed-citation>ROJO, Roxane. Gêneros discursivos do Círculo de Bakhtin e multiletramentos. <italic>In</italic>: ROJO, Roxane (org.). <bold>Escol@ Conectada</bold>: os multiletramentos e as TICs. São Paulo: Parábola, 2013. p. 13-36.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname>ROJO</surname>
<given-names>Roxan</given-names>
</name>
<collab>ROJO, Roxane.</collab>
<collab>ROJO, Roxane.</collab>
</person-group>
<source>Escol@ Conectada: os multiletramentos e as TICs</source>
<year>2013</year>
</element-citation>
</ref>
<ref id="redalyc_689174650007_ref13">
<mixed-citation>SILVA, Caroline Costa. <bold>Os gêneros anúncio publicitário e anúncio de propaganda</bold>: uma proposta de ensino ancorada na análise de discurso crítica. 2015. Dissertação (Mestrado Profissional em Letras) – Programa de Pós-Graduação em Letras, Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2015. Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://repositorio.ufu.br/bitstream/123456789/16753/1/GenerosAnuncioPublicitariio.pdf">https://repositorio.ufu.br/bitstream/123456789/16753/1/GenerosAnuncioPublicitariio.pdf</ext-link>. Acesso em: 4 ago. 2020.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="thesis">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname>SILVA</surname>
<given-names>Carolin</given-names>
</name>
<collab>SILVA, Caroline Costa.</collab>
<collab>SILVA, Caroline Costa.</collab>
</person-group>
<source>Os gêneros anúncio publicitário e anúncio de propaganda: uma proposta de ensino ancorada na análise de discurso crítica</source>
<year>2020</year>
<comment>
<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://repositorio.ufu.br/bitstream/123456789/16753/1/GenerosAnuncioPublicitariio.pdf">https://repositorio.ufu.br/bitstream/123456789/16753/1/GenerosAnuncioPublicitariio.pdf</ext-link>
</comment>
</element-citation>
</ref>
<ref id="redalyc_689174650007_ref14">
<mixed-citation>ZAVAM, Aurea. <bold>Por uma abordagem diacrônica dos gêneros do discurso à luz da concepção de tradição discursiva</bold>: um estudo com editoriais de jornais. 2009. Tese (Doutorado em Linguística) – Programa de Pós-Graduação em Linguística, Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 2009. Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.repositorio.ufc.br/handle/riufc/3602">http://www.repositorio.ufc.br/handle/riufc/3602</ext-link>. Acesso em: 3 abr. 2020.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="thesis">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname>ZAVAM</surname>
<given-names>Aur</given-names>
</name>
<collab>ZAVAM, Aurea.</collab>
<collab>ZAVAM, Aurea.</collab>
</person-group>
<source>Por uma abordagem diacrônica dos gêneros do discurso à luz da concepção de tradição discursiva: um estudo com editoriais de jornais</source>
<year>2020</year>
<comment>
<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.repositorio.ufc.br/handle/riufc/3602">http://www.repositorio.ufc.br/handle/riufc/3602</ext-link>
</comment>
</element-citation>
</ref>
<ref id="redalyc_689174650007_ref15">
<mixed-citation>ZAVAM, Aurea. Transmutação: criação e inovação nos gêneros do discurso. <bold>Linguagem em (Dis)curso</bold>, Tubarão, v. 12, n. 1, p. 251-271, jan./abr. 2012. Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.portaldeperiodicos.unisul.br/index.php/Linguagem_Discurso/article/view/869/797">http://www.portaldeperiodicos.unisul.br/index.php/Linguagem_Discurso/article/view/869/797</ext-link>. Acesso em: 3 abr. 2020.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname>ZAVAM</surname>
<given-names>Aur</given-names>
</name>
<collab>ZAVAM, Aurea.</collab>
<collab>ZAVAM, Aurea.</collab>
</person-group>
<article-title>Transmutação: criação e inovação nos gêneros do discurso</article-title>
<source>Linguagem em (Dis)curso</source>
<year>2020</year>
<comment>
<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.portaldeperiodicos.unisul.br/index.php/Linguagem_Discurso/article/view/869/797">http://www.portaldeperiodicos.unisul.br/index.php/Linguagem_Discurso/article/view/869/797</ext-link>
</comment>
</element-citation>
</ref>
</ref-list>
<fn-group>
<title>Notas</title>
<fn id="fn4" fn-type="other">
<label>3</label>
<p>Esse conceito se refere ao fato de a língua ser estratificada em camadas, refletindo “[…] linguagens de grupos sociais, profissionais, de gêneros, linguagens de gerações, etc. […]” (BAKHTIN, 2015, p. 41).</p>
</fn>
<fn id="fn5" fn-type="other">
<label>4</label>
<p>Conforme Rojo (2013), o conceito de multissemiose se refere à coocorrência de mais de uma semiose, isto é, mais de uma linguagem (verbal oral, verbal escrita, gestual, imagética e/ou sonora) em um mesmo texto.</p>
</fn>
<fn id="fn6" fn-type="other">
<label>5</label>
<p>Atualmente, o grupo, coordenado pelo Professor Doutor Júlio Araújo, adota outro nome: DIGITAL (Grupo de Pesquisa em Discursos e Digitalidades).</p>
</fn>
<fn id="fn7" fn-type="other">
<label>6</label>
<p>Para a observação de seu corpus, S. Costa (2012) adotou duas categorias: migração e intervenção, sendo aquela correspondente à mera transferência de ambiente de um gênero (de outro ambiente para o Twitter) e esta referente à ação dos sujeitos para a transformação de um gênero nessa rede social. Neste artigo, não nos aprofundamos na discussão realizada pela pesquisadora, visto que baseamos nossa análise na discussão e nas categorias propostas anteriormente por R. Costa (2010).</p>
</fn>
<fn id="fn8" fn-type="other">
<label>7</label>
<p>O corpus deste artigo foi retirado do banco de dados da pesquisa de Mestrado intitulada de “O gênero tweet e a (hiper)textualização de objetos de ensino-aprendizagem”, desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Linguística (PPGLin) da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) e financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb).</p>
</fn>
<fn id="fn9" fn-type="other">
<label>8</label>
<p>A classificação dos tweets foi baseada em aspectos temáticos relacionados aos componentes curriculares que integram cada área do conhecimento.</p>
</fn>
</fn-group>
</back>
</article>