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Apresentação do v. 16, n. 3 da Travessias
Travessias, vol. 16, núm. 3, e30306, 2022
Universidade Estadual do Oeste do Paraná

APRESENTAÇÂO

Autores mantêm os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob CC-BY-NC-SA 4.0, que permite o compartilhamento do trabalho com indicação da autoria e publicação inicial nesta revista.

DOI: https://doi.org/10.48075/rt.v16i3.30306

A discussão de Artes, performances e interartes na cena latino-americana contemporânea, tanto pelo caráter experimental, como estudada a partir de alguns conceitos como o da oralidade e escrita; o de arquivo e repertório (TAYLOR, 2013[1]); ou pela perspectiva decolonial, permitiu que a Travessias acolhesse em seu dossiê “Artes, performances e interartes na cena do contemporâneo latino-americano” produções de diversas universidades, com um artigo internacional, sinal de que o alcance do tema rendeu frutos e que a revista vem aprimorando intercâmbios sul-americanos.

Neste sentido, a revista cumpre uma finalidade de que é a de possibilitar a circulação de ideias, de reflexões nas relações da literatura com as outras artes. Caso da discussão entre a poesia em sua vertente performática, a partir da arte musical em um artigo que aprofunda a inclusão na lírica da leitura de um RAP dos Racionais. Em primeiro lugar por mostrar como a oralidade pode ser uma categoria epistêmica em um nicho que carece de aprofundamento na academia, mesmo que, tanto na obra de Manuel Bandeira Noções de História das Literaturas (1954) como na de Octavio Paz, El Arco y la lira (1956) surjam reflexões sobre as relações entre a oralidade e a poesia. O estudo da letra, da performance e da canção “Jesus Chorou” elabora muito bem os argumentos para sua conclusão. Além do fato de apresentar um agitador cultural periférico como Mano Brown na repercussão que o movimento lhe outorga, ao recriar o lugar da cultura na periferia a partir dos territórios.

Outro artigo apresenta como a leitura de uma prática advinda de um curso de Pós-Graduação pode conter a criação artística, com vistas a alcançar outros patamares da educação formal. Com a performance do Coletivo Digressão Cênica, criada sobre a obra dramatúrgica contemporânea Makunaimã (2019) atingiu o público jovem e, em certa medida, teve êxito nesse encontro com os estudantes de uma escola de ensino médio. Era a avaliação da proposta prática do curso de Tópicos em Literatura e Dramaturgia. O que poderia ser apenas mais uma disciplina estreitamente vinculada ao mestrado ou Doutorado, abriu-se para outro objetivo, a formação de público, ao ser apresentada a estudantes do Ensino Médio, caso da performance antropofágica criada a partir do estudo de uma peça Makunaimã (2019) na interpelação da obra vanguardista de Mário de Andrade Macunaíma (1928).

As intersecções entre literatura e outras artes se apresentam nos artigos que trazem à tona a discussão do ensino da estética no âmbito da música e aprofundam a aproximação em análises pontuais da estrutura da teoria musical e dos corpos que a performam. Com o cinema, a relação é estabelecida a partir do olhar que narra para fazer o acercamento com uma prosa lírica. As artes se manifestam em linguagens distintas e o escopo da performance da cabida ao ato de performar em outra língua na qual o corpo é centro de expressão máxima.

Um grupo de três artigos pautou de forma muito diversa questões de gênero numa perspectiva decolonial. Um deles é uma leitura sobre a construção dos corpos femininos na narrativa, de Sheyla Smanioto. Outro é um estudo sobre os tipos de tradução na série da web Mulher-Poema (2020), do grupo de teatro La Broma. E um terceiro sobre a performance poética Quizá (2015) realizada na Guatemala.

A perspectiva decolonial também é ponto de partida para um artigo que tem como proposta o ensino de desenho performativo e do artigo sobre teatro e acessibilidade da cultura. Ambos os textos potencializam tanto as discussões teóricas quanto as iniciativas práticas de trabalho com cultura.

Além desses artigos, o artigo sobre a virtualidade no teatro em tempos pandêmicos nos parece um trabalho especial por ser um assunto da atualidade podendo projetar uma preocupação a ser encampada em uma dimensão mais ampla a fim de que outros focos fundamentais da teatralidade, caso do espectador, por exemplo, seja revisto à luz dessas transformações.

Concluindo, como se pode observar os artigos que este dossiê oferece tem a potência de projetar temáticas que possam imbricar transversalidades nas artes, reflexões sobre a decolonialidade e sugerir outros dossiês para que pesquisas gerem novas categorias; fortaleçam referências e procedimentos nas artes; no campo da performance e entre as artes.

Desejamos excelente leitura dos textos que compõem o dossiê e dos artigos que compõem as demais seções do v. 16, n. 3 da Travessias.

Notas

[1] TAYLOR, Diana. O arquivo e o repertório: performance e memória cultural nas Américas. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2013.


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