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LAZER E RELIGIÃO NO SUDESTE DO BRASIL: ENTRE VIVÊNCIAS E DESEJOS

OCIO Y RELIGIÓN EN EL SURESTE DE BRASIL: ENTRE EXPERIENCIAS Y DESEOS

LEISURE AND RELIGION IN SOUTHEASTERN BRAZIL: BETWEEN EXPERIENCES AND DESIRES

Adriano Gonçalves da Silva
Universidade Federal de Minas Gerais, Brasil
Carlos Alberto Fonseca
Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais, Brasil
Edmur Antonio Stoppa
Universidade de São Paulo, Brasil
Hélder Ferreira Isayama
Universidade Federal de Minas Gerais, Brasil

LAZER E RELIGIÃO NO SUDESTE DO BRASIL: ENTRE VIVÊNCIAS E DESEJOS

Ciencias Sociales y Religión / Ciências Sociais e Religião, vol. 23, pp. 1-32, 2021

Universidade Estadual de Campinas

Recepção: 15 Setembro 2020

Aprovação: 23 Julho 2021

RESUMO: Tendo em vista as relações historicamente estabelecidas entre religião e lazer, e a partir do suporte dos dados da pesquisa “Lazer no Brasil: representações e concretizações das vivências cotidianas”, este artigo busca compreender se a religião interfere nas vivências e desejos relacionados ao lazer de residentes do sudeste brasileiro. Foi possível observar que os compromissos religiosos são encarados como obrigação principalmente nos segmentos evangélicos, sobretudo pelas mulheres. Os dados indicam que o segmento religioso influencia nas atividades realizadas no final de semana. Contudo, o imperativo do trabalho parece direcionar as atividades semanais e as férias. O imaginário das pessoas sobre o que desejam praticar em seu tempo livre ou em suas férias é habitado principalmente pelas atividades turísticas. Os dados apresentados neste estudo exploratório chamam a atenção para questões que merecem aprofundamentos sobre as relações entre a religião e o lazer.

PALAVRAS CHAVE: Lazer, religião, tempo livre.

RESUMEN: En vista de las relaciones históricamente establecidas entre religión y ocio, y con base en el soporte de datos de la investigación “El ocio en Brasil: representaciones y realizaciones de experiencias cotidianas”, este artículo trata de comprender si la religión interfiere en las experiencias y deseos relacionados con el ocio de los habitantes del sureste de Brasil. Se pudo observar que los compromisos religiosos son vistos como una obligación principalmente en los segmentos evangélicos, y en especial por las mujeres. Los datos indican que el segmento religioso influye en las actividades que se realizan durante los fines de semana. Sin embargo, el imperativo del trabajo parece orientar las actividades semanales y las vacaciones. El imaginario de las personas sobre lo que quieren practicar en su tiempo libre o de vacaciones está habitado principalmente por actividades turísticas. Los datos presentados en este estudio exploratorio llaman la atención sobre cuestiones que merecen una mayor investigación sobre la relación entre religión y ocio.

PALABRAS CLAVE: Ocio, religión, tiempo libre.

ABSTRACT: In view of the historically established relationships between religion and leisure and based on data from the study “Leisure in Brazil: representations and realizations of everyday experiences”, this article aims to understand whether religion interferes in the experiences and desires related to leisure of Southeastern Brazil residents. It is shown that religious commitments are regarded as obligations mainly in the evangelical segments and especially by women. The data indicate that religion influences activities carried out on the weekend. However, the imperative of work seems to drive both weekly activities and vacations. People’s imagery about what they want to do in their free time or during their vacations includes mainly activities related to tourism. The data presented here call attention to issues that deserve further studies on the relationship between religion and leisure.

KEYWORDS: Leisure, religion, free time.

Introdução

Com o avanço da industrialização no século XIX, vários países da Europa iniciaram um processo de investigação das condições de vida da classe operária, destacando-se as pesquisas empíricas voltadas para a compreensão de como os trabalhadores usavam o seu tempo livre. A suspeita dominante era de que o tempo livre pudesse ser fonte potencial de ociosidade e desperdício, ao mesmo tempo que era reconhecido como recurso de educação popular e organização política. Contudo, apenas depois da Segunda Guerra Mundial o lazer passou a fazer parte das preocupações de intelectuais europeus, sobretudo, ingleses e franceses. Cresceu, também, a demanda por políticas e pesquisas de mercado que produzissem dados para subsidiar investimentos privados de lazer (Mommaas, 1997).

No Brasil, a sistematização dos estudos sobre o lazer recebeu influências internacionais, destacadamente do sociólogo francês Joffre Dumazedier, a partir de sua presença em seminários organizados pelo Serviço Social do Comércio (SESC), nos anos 1970. A contribuição desse estudioso para os Estudos do Lazer no país se prolongou pelos anos seguintes por meio da repercussão de suas obras, como Lazer e Cultura (1974) e Sociologia Empírica do Lazer (1979) (Marcellino, 2012). Suas ideias e conceituações ainda estão presentes em muitos estudos sobre o tema, assim como diferentes áreas do conhecimento e perspectivas teóricas têm contribuído para a reflexão sobre o lazer no contexto brasileiro.

Visando colaborar com as reflexões do campo, a pesquisa “Lazer no Brasil: representações e concretizações das vivências cotidianas”, financiada pelo Ministério do Esporte,1 buscou compreender as representações do lazer de habitantes de todo o território brasileiro e como as vivências de lazer se concretizam em suas vidas. O propósito foi fornecer subsídios para o planejamento, a execução, o monitoramento e a avaliação de políticas públicas, “bem como outros elementos que possam contribuir com novos estudos e pesquisas da área” (Stoppa; Isayama, 2017: 4). Os dados dessa pesquisa nos permitem analisar as representações, vivências e desejos sobre o lazer, considerando suas variáveis geográficas, sociais, étnicas, de sexo, de escolaridade e de religião. Possibilitando, assim, que nos dediquemos a pensar, neste artigo, as relações estabelecidas entre as vivências de lazer e os diferentes segmentos religiosos.

Nesse sentido, Duerden, Edwards, Goates e Dyer (2018) identificaram que os/as pesquisadores/as do campo do lazer têm empreendido esforços para ampliar os diálogos dentro e fora dos tradicionais limites disciplinares, sendo possível contribuir na compreensão das relações do lazer com outras esferas da vida, entre elas, a religião. Além disso, consideramos aqui o lazer como “uma dimensão da cultura caracterizada pela vivência lúdica de manifestações culturais no tempo/espaço social” (Gomes, 2015: 125). Partimos do pressuposto de que a imersão histórica da cultura brasileira no fenômeno religioso produz interlocuções com a forma de se pensar e vivenciar o lazer. Nesse contexto, a religião pode ser compreendida como fenômeno cultural portador de um significado sagrado que viabiliza a interpretação da realidade e da experiência (Hefner, 2007). Assim, a cultura se apresenta como o âmbito das possibilidades de encontros diversos entre os preceitos religiosos e as manifestações de lazer.

Os entrecruzamentos culturais entre ócio, divertimento e religião não foram produzidos apenas em nossa realidade atual, mas acompanham a humanidade desde civilizações antigas. Muitas práticas que hoje são vivenciadas no âmbito do lazer tiveram sua origem ligada à religião. As festividades ritualísticas arcaicas destinadas às divindades eram repletas de dança, música e combate. Da mesma forma, as manifestações culturais como as artes, o teatro, a dança, a música e a literatura eram, na Idade Média, inspiradas em práticas religiosas. Além disso, os feriados (holidays), têm sua origem quase que exclusivamente em dias santos (holy days), principal fonte de lazer durante o período pré-industrial (Lee, 1962).

No século XVI, a Reforma Protestante, com suas novas doutrinas, articulou as práticas religiosas ao ideal capitalista. O trabalho teve um lugar especial nessa articulação, enquanto ao lazer prevaleceu uma atitude negativa. A ideia de que o lazer abriria portas para as tentações de Satanás interferiu na abordagem protestante relacionada ao lazer (Lee, 1962). Nesse contexto, passou a imperar o entendimento de que ao servo de Deus seria no mínimo perigoso investir em qualquer propósito que não servisse à glória de Deus, mas apenas ao próprio prazer (Weber, 2016).

O pensamento de algumas vertentes religiosas, especialmente a protestante, apresenta, nesse sentido, aproximações com a concepção da recreação (Costa, 2017). O pensamento protestante, tendo o lazer como liberdade que precisaria ser controlada, foi ao encontro dos ideais da recreação, enquanto atividade orientada para ocupar o tempo das pessoas de forma “saudável”. O movimento recreacionista teve rápida expansão nos Estados Unidos, endossando as preocupações morais do protestantismo puritano presente naquele país. Na primeira metade do século XX, as ideias da recreação orientada foram propagadas no Brasil, marcadas por essas preocupações puritanas com o uso sadio do tempo e a elevação do caráter.

Na realidade brasileira, apesar da formação cultural do povo ter em seu cerne o contato da religião católica com a ancestralidade africana e indígena, o catolicismo desempenha papel fundamental na formação de valores e costumes. Contudo, os resultados do Censo de 2010 demonstraram um crescimento considerável da diversidade religiosa no país, revelando uma maior pluralidade de afiliações religiosas e um declínio do número de católicos/as (IBGE, 2012). Nesse contexto de convívio com a diversidade, mas também de disputa entre discursos, as igrejas, católicas e protestantes, têm buscado abordar as vivências de lazer, seja as agregando às suas práticas, fazendo ponderações a algumas, ou condenando a outras (Gabriel; Marcellino, 2007).

Essa crescente pluralidade religiosa do Brasil pode ser percebida quando consideramos a região Sudeste, que apresenta a maior concentração demográfica do país e, consequentemente, o maior número de afiliados/ as religiosos/as por amostra. Os dados do Censo 2010 apresentam uma população residente de maioria católica (aproximadamente 60% dos respondentes), seguida pelas religiões evangélicas, segundo maior grupo religioso, com quase 25% dos recenseados. Outras religiosidades, incluindo as de matrizes africanas e o espiritismo, compõem as minorias religiosas, correspondendo a 7% da população religiosa (IBGE, 2012).

A distribuição da religião na região Sudeste do Brasil se dá em meio às questões históricas, culturais, étnico-raciais, sociais e geográficas que caracterizam os estados do Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. Essa diversidade permite que capixabas, mineiros/as, fluminenses e paulistas relacionem com os seus corpos, as manifestações corporais, a diversão e o lazer de distintas formas. Nesse sentido, ainda que haja carência de estudos amplos que relacionem lazer e religião na região Sudeste e no Brasil, algumas investigações têm se voltado a pensar a relação entre religiosidade e práticas de lazer em contextos distintos.

Azevedo e Oliveira (2018), por exemplo, investigaram os processos que atravessam e tensionam o carnaval da região metropolitana de São Paulo. Os autores compreenderam que a diversidade devocional brasileira e suas dimensões sincréticas se apresentaram como aspectos presentes e atuantes no cotidiano das escolas de samba estudadas. Nessa perspectiva, o estudo de Costa e Mattos (2017) buscou desvendar relações entre uma manifestação popular do estado do Espírito Santo, o Congo Capixaba, e a religiosidade. Transitando entre o sagrado e o considerado profano, essa manifestação integra a religiosidade católica a instrumentos e ritmos indígenas e africanos.

Em Minas Gerais, o estudo de Costa (2017) procurou compreender práticas que surgem na intersecção entre religião e lazer de jovens evangélicos na cidade de Juiz de Fora. O autor ressalta que embora a religião possa condicionar as práticas de lazer, ela também cria alternativas, por meio de práticas culturais prazerosas vivenciadas por aqueles/as que compartilham de determinados credos e valores. Outro estudo mineiro aplicou um survey a estudantes de ensino médio da rede pública, com o objetivo de analisar as crenças e valores da juventude mineira. Nesse estudo, Camurça, Tavares e Perez (2015) concluíram que o segmento da juventude mineira pesquisado não é indiferente à religião, mas estabelece com ela relações nem sempre tradicionais. Ir à igreja, por exemplo, pode configurar-se como elemento fundamental de sociabilidade, integrando religião e lazer.

Destacamos, ainda, as discussões empreendidas por Roscoche (2016), que teve como objetivo estabelecer aproximações entre trabalho, lazer e religião. Segundo o autor, embora não haja consenso na maneira como o lazer é tratado pelas religiões, “parece existir um padrão segundo o qual o lazer é incorporado ou não segundo os interesses religiosos” (Roscoche, 2016: 411). Ademais, as organizações religiosas, não só podem incorporar práticas de lazer, como também investir na formação para atuação nesse campo, como demonstrado na investigação de Alves e Capi (2017). Nesse caso, o campo do lazer mostrou-se vinculado à ação de líderes religiosos de cunho cristão por meio do desenvolvimento de processos formativos para a atuação de educadores/as e profissionais do lazer.

Dessa forma, tendo em vista as possibilidades de interação entre religião e lazer, questionamos se os dados da pesquisa “Lazer no Brasil: representações e concretizações das vivências cotidianas” podem revelar conexões entre representações e vivências de lazer e orientação religiosa na região Sudeste do Brasil. Para tal, lançamos mão das seguintes indagações: as atividades cotidianas e de lazer vivenciadas por essas pessoas se diferenciam conforme o segmento religioso? E os desejos com relação ao lazer são diferentes? Assim, o presente estudo buscou compreender se a religião pode interferir nas vivências e desejos relacionados ao lazer de residentes no Sudeste do Brasil. Esta pesquisa se deu a partir de um recorte de um estudo quantitativo nacional, buscando ampliar o debate sobre o lazer e suas intercessões com o fenômeno religioso.

Percurso metodológico: para compreender as relações entre religião e lazer no Sudeste do Brasil

A coleta de dados da pesquisa “Lazer no Brasil” foi realizada por meio de entrevistas individuais, por levantamento amostral, utilizando um questionário estruturado com perguntas abertas e fechadas. O universo da pesquisa foi composto por indivíduos que residem no Brasil, com idade maior do que sete anos, definido a partir da consideração das variáveis de região, sexo, idade, escolaridade e renda familiar.

O procedimento de amostragem ocorreu por seleção sistemática, realizado através de sorteio dos municípios que compuseram a amostra. Partindo de uma base de dados contendo todos os municípios do Brasil, bem como sua população, oriunda do Censo 2010 realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foi definida a unidade amostral mínima como sendo o município de menor população no país, a partir da qual foram calculadas as proporções de cada município em relação à unidade mínima. Para compor a amostra foram sorteados os municípios de forma que cada unidade sorteada representava uma entrevista e, uma vez sorteada, os municípios de pequeno porte - definidos como aqueles com até 10.000 habitantes - foram agrupados e novamente sorteados para que a amostragem mínima em cada um não fosse inferior a dez entrevistas. Assim sendo, o tamanho da amostra foi de 2.400 entrevistas no Brasil, sendo 1.011 na Região Sudeste. Para fins de parâmetro de avaliação, a pesquisa, com amostra probabilística, possui um erro amostral máximo de 2,0% para mais ou para menos em relação aos resultados. O nível de confiança da pesquisa é de 95%.

Para a realização das entrevistas foi apresentado o objetivo da pesquisa e solicitada a participação espontânea, garantindo o anonimato e informando que os dados seriam utilizados apenas para fins estatísticos. Considerando que a amostra da pesquisa incluiu a participação de crianças e adolescentes, as entrevistas com esse público foram realizadas com prévia autorização dos pais ou responsáveis, conforme artigo 8 do Código Internacional de Conduta da ICC/ESOMAR.

O sistema2 utilizado para a análise dos dados da pesquisa tornou possível não só a consulta às informações, mas também a utilização de filtros para cada questão da pesquisa. Devido a essa possibilidade, o presente estudo foi realizado a partir da consulta aos dados da pesquisa, utilizando principalmente os filtros “Região”, onde foi escolhida a região Sudeste, e “Religião”, que permitiu analisar os dados com relação aos diferentes segmentos religiosos ou não-religiosos. Além do mais, para auxiliar na compreensão dos dados, os filtros “Sexo” e “Classe social” também foram aplicados para indicar como essas variáveis poderiam interferir nos resultados.

As perguntas da pesquisa utilizadas na análise deste estudo foram: “O que faz como obrigação? O que faz no fim de semana? O que faz durante a semana? O que faz nas férias? O que gostaria de fazer no tempo livre? O que gostaria de fazer nas férias?” Para a primeira pergunta, utilizamos as respostas estimuladas, ou seja, aquelas respondidas quando o entrevistador apresentava um cartão/disco com as possíveis respostas. As respostas das demais perguntas foram agrupadas em categorias, cujo detalhamento foi consultado no sistema, no intuito de enriquecer a análise.

As vivências de lazer obtidas nas respostas da pesquisa foram distribuídas pelas categorias: Ócio, Turismo, Físico-esportivo, Artístico, Social, Manual, Intelectual, Qualificação/estudos e Outros. Essa classificação tem inspiração nos conteúdos culturais do lazer propostos por Dumazedier (1980), que apresenta em seus estudos cinco áreas fundamentais de interesses verificados no lazer: manuais, físicos, intelectuais, artísticos e sociais. Destacamos também os interesses turísticos, que de acordo com o sociólogo brasileiro Luiz Octávio de Lima Camargo, formam um sexto grupo de conteúdos culturais do lazer (Camargo, 1986).

As religiões foram organizadas em 10 grupos: 1. Evangélica Pentecostal (Congregação Cristã no Brasil, Assembleia de Deus, Cruzada Evangélica, Evangelho Quadrangular, O Brasil para Cristo, Casa da Benção, Deus é Amor, Igreja Universal do Reino de Deus, Renascer em Cristo, Internacional da Graça Divina, “Crente”); 2. Evangélica Não Pentecostal (Batista, Presbiteriana, Metodista, Luterana, Episcopal, Anglicana, Congregação, Exército da Salvação, “Protestantes”); 3. Umbanda; 4. Candomblé ou Outras Religiões Afro-brasileiras (Xangô, Batuque, Mina, Omoloco, Catimbó); 5. Espírita Kardecista, Espiritualista; 6. Católica; 7. Judaica; 8. Outras religiões (Mórmon, Adventista, Testemunha de Jeová, Seicho-No-Ie, Messiânica, Perfeita Liberdade, Budista, Santo-Daime, Muçulmano); 9. Não tem religião nenhuma; e 10. Ateu/ Não acredita em Deus.

Apesar de reconhecermos a riqueza da diversidade religiosa no Sudeste e a importância desse fenômeno para pensarmos a relação entre lazer e religião, algumas categorias religiosas foram excluídas da análise para evitar um erro amostral elevado que viesse a comprometê-la. Assim, as categorias Umbanda, Candomblé ou outras religiões afro-brasileiras, Judaica, Outras religiões e Ateus não tiveram os dados analisados. Ao se realizar o cruzamento das respostas com o grupo religioso, nessas categorias, o erro amostral foi maior que 22,5%. Assim sendo, as análises poderiam distanciarem-se das representações e vivências de lazer desses grupos. Dessa forma, em razão do tamanho da amostra, a análise se deu a partir das categorias: Evangélica Pentecostal, Evangélica não Pentecostal, Católica, Espírita Kardecista/Espiritualista e Não tem religião.

As igrejas evangélicas pentecostais são aquelas fundamentadas na ideia de que o batismo no Espírito Santo é essencial no caminho da salvação e que concede o dom de falar em línguas (glossolalia). Estão incluídas nesse grupo também as igrejas neopentecostais, criadas a partir da década de 1970. Elas representam um segmento menos sectário e mais ligado a atividades externas à igreja, como atividades empresariais, políticas e assistenciais. Segundo o IBGE (2012), esse grupo possui maior representatividade entre as classes econômicas intermediárias, principalmente C e D,3 com 48,5% de pessoas sem instrução ou com ensino fundamental incompleto e 4,1% com ensino superior.

As igrejas evangélicas não pentecostais - também conhecidas como tradicionais - estão mais voltadas à fundamentação teológica e à formação de seus oradores (Moraes, 2010). Os/as adeptos/as desse segmento, diferente dos/as pentecostais, têm grande participação nas classes econômicas AB e C, com 36,1% de pessoas sem instrução ou com ensino fundamental incompleto e 10,2% com ensino superior (IBGE, 2012).

A categoria católica representa os/as fiéis da Igreja Católica Apostólica Romana. Esse grupo manteve uma posição privilegiada durante a maior parte da história do Brasil, uma vez que o catolicismo era a religião oficial brasileira até 1891. São características do catolicismo no país: sua presença na cultura, as festividades e os feriados nacionais, assim como a diversidade dos grupos católicos brasileiros (Sofiati; Moreira, 2018). Por atravessarem todas as classes econômicas, o catolicismo não pode ser relacionado a um segmento específico. Da mesma forma, esse grupo religioso está presente em todos os níveis de escolaridade, todavia com 46,6% de pessoas sem instrução ou com ensino fundamental incompleto (Sales, 2017).

Por sua vez, a categoria espírita/espiritualista engloba tanto os/as espíritas kardecistas, aqueles/as que seguem a doutrina codificada por Allan Kardec, quanto aqueles/as que acreditam na existência do espírito como elemento primordial da realidade. Assim como os/as evangélicos/ as não-pentecostais, esse grupo tem participação importante nas classes AB e C, contudo com o maior percentual de pessoas com ensino superior, 31,5% (Sales, 2017).

E, por último, a categoria dos/as que afirmam não ter religião, que segundo Altmann (2012), não se trata necessariamente de pessoas arreligiosas, mas que não mantêm vínculos de adesão com nenhuma religião instituída. Mesmo que em números absolutos ainda baixos, esse grupo tende a aumentar, como já registrado no Censo de 2000, e “provavelmente persistirá, tendo em vista o processo de urbanização e de secularização da vida moderna” (Altmann, 2012: 1125). Há participação expressiva de pessoas sem religião tanto nas classes AB quanto na classe E, tendo 45,9% de pessoas sem instrução ou com ensino fundamental incompleto e 8,2% de pessoas com ensino superior. De acordo com Sales (2017), há a tendência dos indivíduos de maior poder aquisitivo se considerarem agnósticos, assim como as pessoas mais pobres tenderem a manter uma religiosidade não-institucionalizada.

Diante dos dados coletados pela pesquisa “Lazer no Brasil”, importou para o presente estudo o percentual de respostas relacionadas às vivências e desejos sobre o lazer de acordo com o segmento religioso ou não-religioso. A análise considerou também o quanto esses percentuais por religião aproximaram ou distanciaram da amostra geral da região Sudeste. Assim, a compreensão dos dados quantitativos foi realizada a partir de interrogações e reflexões sobre as informações, buscando confrontálos aos resultados de outros estudos, tendo por base a bibliografia do campo do lazer, turismo, religião e alguns estudos que aproximam lazer e religião no Brasil e no mundo. A partir da consideração de que o lazer é uma dimensão da cultura (Gomes, 2015), tendo na cultura seu vínculo com a religião, propusemos a compreensão dos dados por meio das manifestações culturais vivenciadas e desejadas na vida cotidiana, nos finais de semana e nas férias.

Os compromissos e as vivências de lazer na vida cotidiana

O lazer nas sociedades industriais passou a ser identificado, sobretudo, a partir de sua oposição ao trabalho, apesar da complexa relação existente entre essas duas esferas da vida social (Parker, 1978). Nesse sentido, ainda que as fronteiras entre trabalho e lazer não sejam absolutas, como destaca Roscoche (2016), as atividades realizadas durante a semana são, principalmente, marcadas pelo trabalho e as obrigações. Entre os/as respondentes desta pesquisa, que envolveu homens e mulheres da região Sudeste de várias idades, a maioria das respostas sobre as atividades que são feitas durante a semana se agruparam na categoria “Outros” (quadro 1). O que demonstra que independente de religião, o cotidiano nos dias úteis da semana envolve prioritariamente as obrigações com o trabalho, os estudos, a casa e a família. Essas opções foram categorizadas como “Outros” por não estarem relacionadas diretamente a atividades de lazer. As demais respostas, que podem se aproximar mais de interesses do lazer, obtiveram baixo percentual e semelhança entre os dados dos segmentos e os resultados gerais da região Sudeste. Entretanto, alguns destaques se fizeram importantes.

Quadro 1
Atividades durante a semana distribuídas por segmento
Atividades durante a semana distribuídas por segmento
Fonte: Banco de dados da Pesquisa “Lazer no Brasil”.

Os interesses físico-esportivos, depois das obrigações, são a opção de maior frequência de atividades durante a semana. Nos diferentes segmentos, se mantém um percentual próximo ao da região Sudeste que é de 25,5%, exceto as respostas dos/as evangélicos/as não-pentecostais que sobressaem, atingindo 29,9%. Com relação às opções relacionadas ao descanso e ao relaxamento, que no percentual da região é de 9,9%, também são os/as evangélicos/as não-pentecostais que alcançam o maior percentual, 14,4%. Apesar do destaque, os números indicam mais aproximações entre os dados do que uma interferência efetiva do segmento religioso nas atividades realizadas em dias úteis. Nesse sentido, o estudo de Cruz, Bernal e Claro (2018), identifica que uma parcela significativa da população brasileira realiza atividades físicas cotidianas, e que as diferenças nos níveis de prática estão, principalmente, associadas ao gênero, idade, condições socioeconômicas e escolaridade.

O percentual de atividades sociais durante a semana é de apenas 14,5% nos dados da região Sudeste. Podemos compreender que a centralidade do trabalho e as novas tecnologias, em diferentes dimensões, promovem uma revisão das possibilidades e formas de se viver a coletividade (Praun, 2016). Contudo, os/as evangélicos/as pentecostais apresentam um percentual mais alto de respostas na categoria “Social”, em comparação com o percentual da região, com 20,7%. A sociabilidade promovida pela igreja ou pelo encontro com os irmãos e irmãs de fé pode levar as atividades relacionadas à prática religiosa a serem compreendidas como atividade social. Segundo Parker (1978), a possibilidade de integração é uma característica que o lazer e a religião compartilham. Esse aspecto é enfatizado no estudo de Padhy, Padiri e Chelli (2020), que compreendem a religião como uma força socializadora com potencial de canalizar as atividades de lazer em direção ao sistema de valores religiosos.

Nesse sentido, de acordo com Costa (2017), em vez de uma contraposição ao lazer, os conteúdos “modernos” animados por questões religiosas manifestam a atualidade da crença de jovens evangélicos/as. As atividades de lazer condicionadas à intervenção da igreja são, para muitos/as evangélicos/as, autênticas, “saudáveis” e superiores ao lazer do “mundo”, porque, muitas vezes, essas práticas são elaboradas ou apropriadas pela igreja e vivenciadas por quem compartilha da mesma fé. Para Parker (1978), a recreação, nesse caso, refere-se ao propósito de “recriar”, processo terapêutico de reparar o organismo e de restaurar o espírito. Ou seja, o lazer passa a ser um “mecanismo que atrai e distrai as pessoas em comunidades, aproximando e contribuindo para diferentes formas de conviver e cultuar desses grupos” (Alves; Capi, 2017).

A categoria composta por atividades relacionadas ao desenvolvimento pessoal, a escrita, a leitura e audição de palestras, teve respostas de apenas 9,5% dos/as habitantes do Sudeste, com relação às atividades realizadas durante a semana. Contudo, 24,9% dos/as adeptos/as do espiritismo relatam praticar alguma dessas atividades durante a semana. Soma-se ao nível de escolaridade dos/as praticantes, com percentual considerável de pessoas com ensino superior, o fato das atividades semanais dos/ as espíritas envolverem estudos de textos doutrinários e a participação em palestras, atividades que os/as espíritas tendem a considerar como intelectuais, mesmo tendo cunho religioso (Rezende, 2012).

Outras atividades, além dos afazeres domésticos, o trabalho, a família e os estudos, foram reconhecidas como obrigação pelos/as entrevistados/ as, ainda que em menor escala. Estão entre os compromissos entendidos como obrigação algumas formas particulares de tarefas, os compromissos religiosos, políticos/sociais e os trabalhos sociais. Dessa forma, para as pessoas que as vivenciam, as atividades religiosas apresentam um duplo aspecto: elas tanto podem ser concebidas como vivências de lazer durante a semana, como podem se configurar como compromissos junto à religião.

Os compromissos religiosos são a quinta obrigação mais frequente nas respostas, sendo indicada por 28,4% dos/as respondentes. Se consideradas apenas as respostas masculinas, esse percentual é de 24,4%. Por outro lado, quando são consideradas as respostas das mulheres, o percentual é de 32,3%, aproximando-se do percentual de mulheres que entendem os estudos como obrigação (31,1%). Estes números, distribuídos entre os segmentos religiosos mais comuns na região Sudeste, demonstram que a compreensão do compromisso religioso como uma obrigação se difere de uma religião para outra (gráfico 1). Nas religiões evangélicas, pentecostais e não-pentecostais, encontram-se os maiores percentuais de pessoas que compreendem os compromissos religiosos como obrigação.

Compromissos religiosos entendidos como obrigação de acordo
                        com a religião
Gráfico 1
Compromissos religiosos entendidos como obrigação de acordo com a religião
Fonte: Banco de dados da Pesquisa “Lazer no Brasil”.

Também observamos que, em quase todos os segmentos, a religião é um compromisso mais frequente entre as mulheres do que entre os homens, sobretudo nas igrejas não-pentecostais, ou seja, tradicionais (gráfico 2). O destacado compromisso feminino com a religião observado neste estudo vai ao encontro do entendimento de que a figura feminina esteve sempre presente na difusão da religiosidade, no aperfeiçoamento e continuidade das tradições religiosas, empenhando-se na busca pela preservação do sagrado. Entretanto, segundo Roscoche (2016), as mulheres têm reivindicado maior inserção no âmbito das religiões e suas esferas de poder.

Compromissos religiosos entendidos como obrigação de acordo
                        com a religião e sexo
Gráfico 2
Compromissos religiosos entendidos como obrigação de acordo com a religião e sexo
Fonte: Banco de dados da Pesquisa “Lazer no Brasil”.

Apesar do compromisso das mulheres com a religião, parte dos segmentos religiosos excluem a possibilidade de elas assumirem cargos superiores dentro de suas estruturas hierárquicas (Lenartovicz, 2016). A revisão feita por Oliveira e Enoque (2020) quanto à interseção entre gênero e religião, aponta que as religiões apresentam diferentes abordagens relacionadas à figura feminina e sua relação com as tarefas religiosas, a família, a liderança e a participação política. Contudo, perpetuam pensamentos e práticas que dão à mulher um lugar inferior, reafirmando o padrão estabelecido pela cultura patriarcal e androcêntrica. Além disso, corrobora ainda para a elaboração da identidade religiosa feminina o fato do discurso sobre as condutas religiosas de meninas e mulheres, presente nas religiões cristãs, ser também reforçado por suas famílias e grupos que frequentam, constituindo formas de relação com os compromissos religiosos, mas também com o lazer.

As vivências nos finais de semana e férias

Em alternância com o tempo do trabalho, os finais de semana e as férias, para boa parte da população, apresentam um caráter de compensação da rotina de trabalho e da falta regular de oportunidades de vivências de lazer (Marcellino, 2012). No contexto deste estudo, ao serem perguntados a respeito do que fazem nos finais de semana e nas férias, os/as entrevistados/as colaboram na compreensão das relações entre lazer e religião na região Sudeste. No tocante aos finais de semana, as respostas para essa questão se encaixam, principalmente, na categoria “Outros”, “Social”, “Físico-esportivo” e “Turismo”. Entretanto, quando considerados os segmentos religiosos, as categorias destacadas e o percentual de respostas apresentam uma variação (quadro 2).

Quadro 2
Atividades nos finais semana distribuídas por segmentos
Atividades nos finais semana distribuídas por segmentos
Fonte: Banco de dados da Pesquisa “Lazer no Brasil”.

Os/as evangélicos/as pentecostais demonstram dividir o tempo dos finais de semana principalmente entre atividades sociais (60,8%), outras atividades não contempladas pelas categorias (49,2%), atividades físico-esportivas (42,9%) e turismo (36,6%). Os/as evangélicos/as nãopentecostais apresentam uma frequência maior pelas atividades físicoesportivas (54,3%), seguidas pelo turismo (53,2%), outras possibilidades (49,8%) e atividades sociais (45,4%). Enquanto os/as católicos/as e pessoas sem afiliação religiosa praticam principalmente atividades classificadas como “Outros” (61,2% e 65,5%, respectivamente), atividades sociais (55,4% e 56,8%) e atividades físico-esportivas (42,2% e 45,8%).

O destaque das atividades sociais entre esses grupos, sobretudo entre os/as evangélicos/as pentecostais, pode estar relacionado à variedade de atividades que foram atribuídas a essa categoria nesta pesquisa. O lazer social representa o encontro com o outro, como em almoços com a família, festas, visitas, encontrar amigos ou sair à noite. Mas também ir à igreja, participar de eventos, projetos e grupos de orientação religiosa são atividades agrupadas na categoria “Social”. Ao discutir as possibilidades de aproximação entre as atividades sociais e as propostas religiosas, Alves e Capi (2017) e Procópio (2018) destacam a promoção de festas por parte das igrejas cristãs associadas a campanhas de arrecadação de fundos missionários, eventos festivos que marcam determinado período do ano, bem como outras atividades perpassadas pelo encontro, pela ludicidade e pelo engajamento das pessoas.

Contudo, se a igreja e os eventos que ela promove podem ser compreendidos como oportunidades de sociabilidade com os/as semelhantes, por outro lado, podem representar o tempo e o espaço das tarefas a cumprir e das condutas cerceadas. Nesse sentido, Costa (2017) encontra em seu estudo uma tensão em torno da participação de jovens em cultos. Ir ao culto em uma igreja diferente da que frequenta normalmente pode ter um aspecto de relaxamento e fruição que não pode ser encontrado onde sua presença é esperada para que cumpra sua tarefa. O que pode levar a compreender que a participação nos eventos da igreja não pode ser pensada como atividade social de lazer em todas as ocasiões, nem para todos os indivíduos. Mas é possível entender que, por meio das atividades oferecidas pelas igrejas, ligações complexas podem ser estabelecidas entre a religião, a sociabilidade, o lazer e a obrigação.

As atividades de natureza físico-esportivas, que se destacam entre as atividades realizadas durante a semana pelos/as evangélicos/as não-pentecostais, têm também maior evidência nesse grupo nos finais de semana, assim como entre os/as evangélicos/as pentecostais, os/ as católicos/as e as pessoas sem religião. Os dados dessa categoria da pesquisa - composta por brincadeiras, jogos, esportes, dança, ginásticas, videogame e salão de beleza - demonstram que, com exceção dos/as espíritas, os diferentes segmentos apresentam a opção de pelo menos 42,2% pelas atividades físicas e o cuidado com o corpo. As atividades físico-esportivas praticadas pelos/as pesquisados/as da maioria dos grupos nos finais de semana podem ter diferentes relações, entre elas a sociabilidade “sadia” promovida pelas igrejas (Parker, 1978).

Weber (2016) compreende que os puritanos, desde o século XVII, sustentavam a conduta ascética como característica marcante. Essa conduta, que visava evitar os prazeres mundanos, expôs uma certa aversão à manifestação esportiva. O esporte poderia ser aceito desde que mantivesse um propósito racional de recuperação necessária à eficiência física, ou seja, desde que atendesse à demanda do trabalho. Mas o esporte como meio de expressão de impulsos que não fossem disciplinados era condenado. A possibilidade do esporte divertir, estimular o orgulho, despertar instintos, afastando as pessoas tanto da vocação para o trabalho quanto da religião, era tão malvista quanto os salões de baile ou as tabernas.

No contexto atual, as manifestações esportivas têm ganhado espaço no âmbito religioso. Muitas igrejas incluíram o esporte nas programações dos seus eventos e projetos, buscando na aproximação com essas práticas uma forma de renovarem-se. A partir dessa conexão, tanto a instituição esportiva quanto a religiosa passaram a lançar mão de estratégias de “cuidados de si” capazes de produzir formas de lazer (Rigoni; Daolio, 2016). Além disso, o esporte, associado às práticas religiosas, pode configurar-se como território de (re)conquista cristã e de renegociação de fiéis (Petrognani, 2019).

Os cultos religiosos também incorporaram a dança, a música e o teatro como formas de acessar as emoções e relacioná-las ao sagrado. Segundo Roscoche (2016), a forma como essas atividades são propostas manifesta a perspectiva da ludicidade. Assim, a diversão dentro da igreja busca evitar os “espaços de perdição” fora dela (Roscoche, 2016; Padhy; Padiri; Chelli, 2020), potencializando vivências emocionais que as práticas corporais podem proporcionar, relacionadas à integração e a socialização, assim como ao desenvolvimento de princípios éticos e morais (Camilo; Schwartz, 2016).

Outra atividade destacada como opção nos finais de semana de 36,6% das pessoas na região Sudeste é o turismo. Contudo, os/ as evangélicos/as não-pentecostais excedem a média regional com 53,2% de respostas relacionadas a essa atividade. Nessa categoria, são consideradas atividades turísticas alguns pequenos deslocamentos, como passeios de carro pela cidade, ir à casa de parentes e amigos, parques e praças, ou deslocamentos maiores como ir à praia, sítios ou cidades próximas. Dessa forma, o fato dos/as evangélicos/as nãopentecostais terem uma participação importante na classe AB pode sugerir maior acesso ao turismo. Além disso, as igrejas não-pentecostais têm investido numa programação que inclui passeios familiares a sítios, passeios ciclísticos, visitas a igrejas de mesma denominação e outros deslocamentos que podem ter relacionados a atividade turística ao lazer desse grupo (Frossard, 2018).

Além do turismo, a categoria “Outros” se destaca entre as opções de atividades de finais de semana. A maioria dos/as espíritas (69,3%), das pessoas que declaram não ter nenhuma religião (65,5%) e dos/as católicos/as (61,2%) alegam que fazem no final de semana atividades diferentes das categorias: ócio, turismo, físico-esportivo, artístico, social, manual, intelectual e qualificação/estudos. Também se encaixam nessa categoria, as respostas de grande parte dos/as evangélicos/as pentecostais (49,2%) e dos não-pentecostais (49,8%). A categoria “Outros” agrupa atividades distintas como as tarefas domésticas, os compromissos religiosos, o trabalho formal e informal, redes sociais e internet, tomar cerveja e assistir televisão.

O trabalho como atividade de final de semana é compreensível se considerarmos as condições econômicas de parte da população. Com o objetivo de complementar a renda ou evitar o pagamento de um serviço terceirizado, muitos/as trabalhadores/as ocupam uma parcela do seu tempo fora do trabalho oficial em outras atividades laborais. Com relação às tarefas domésticas, ainda são as mulheres as principais responsáveis por elas e, muitas vezes, cumprem suas jornadas de trabalho fora do lar, além do trabalho não pago que é associado à reprodução, às tarefas domésticas e à prestação de cuidados (Bonalume; Isayama, 2020). Ainda na categoria “Outros” estão os compromissos religiosos como a evangelização de crianças, as ações de caridade, os cultos ou missas que, de acordo com os dados desta pesquisa, também estão direcionados, sobretudo, às mulheres.

Essa categoria também expressa a relação do lazer com a mídia, já que algumas pessoas responderam que nos finais de semana assistem programas de entretenimento na TV, ouvem rádio, assistem vídeos e conversam por meio da internet. Essas atividades são formas de entretenimento e de informação, mas também formam condutas com seus mais variados conteúdos, inclusive religioso. Buscando garantir a presença de temáticas religiosas nos lares, uma série de produtos foi criada para o entretenimento litúrgico. A oferta de produtos religiosos, músicas, programas exclusivos de rádio e TV evidenciam a relação das igrejas com a indústria cultural. Por meio de estratégias midiáticas, as religiões se mostram mais tolerantes em relação a determinadas práticas de lazer, ao mesmo tempo que buscam controlar tais atividades (Roscoche, 2016).

Assim, perante a dificuldade de negar os modernos meios de diversão, as igrejas passaram a integrá-los (Parker, 1978). Apesar de ser notável a disseminação desses produtos entre os/as evangélicos/ as, eles também se fazem presentes entre os/as católicos/as, mediante os padres cantores e a transmissão de missas e outros programas em estações de rádio e canais de televisão. Os segmentos religiosos adotam as novas tecnologias e criam, de acordo com Jenkins (2008), produtos que se assemelham aos distintos gêneros culturais, mas expressam um conjunto alternativo de valores.

Além disso, beber cerveja ou outras bebidas alcoólicas também é uma opção dentro da categoria “Outros”. De forma distinta das igrejas evangélicas, o catolicismo, apesar de oficialmente condenar a embriaguez, demonstra ser mais permissivo com relação ao uso de bebidas alcoólicas. Mesmo porque, em muitos eventos católicos, as bebidas são comercializadas como forma de arrecadar fundos para as igrejas. Em um estudo sobre o uso de bebidas alcoólicas relacionado à religião em Juiz de Fora (MG), Amato et al. (2008) observam que as pessoas católicas e as que não declaram uma religião fazem uso mais frequente de bebidas alcoólicas. Tendo, assim, os preceitos religiosos uma tendência a interferir na prática ou não da ingestão de bebidas alcoólicas nos finais de semana.

Apesar da maioria das respostas de católicos/as sobre as práticas de final de semana estarem na categoria “Outros”, uma parte considerável opta também pelas atividades sociais (55,4%) e físico-esportivas (42,2%). Nesse sentido, o catolicismo brasileiro, em seu encontro conflituoso com as crenças e tradições indígenas e africanas, as perseguiu e aboliu, mas também fez concessões. As irmandades, por exemplo, criadas para popularizar a igreja, conseguindo a maior quantidade possível de pagãos, passaram a ser mais permissivas aos costumes, às festas, aos corpos e suas danças, músicas e folguedos. Promovendo assim o diálogo entre práticas compreendidas como profanas e sagradas no interior das igrejas (Soares, 2017).

As opções por escutar música, ir a shows, ir ao cinema, cantar, tocar instrumentos, desenhar e pintar foram agrupadas na categoria “Artística”. As igrejas evangélicas pentecostais, que têm investido nessas atividades, apresentam percentual de respostas levemente superior ao do segmento católico. No entanto, os maiores percentuais estão com os/as espíritas (27,6%) e pessoas sem religião (27,5%). Ainda que as facilidades econômicas possam explicar o maior acesso aos conteúdos artísticos, a distribuição de classes sociais pelas religiões não se apresenta diretamente relacionada à vivência de atividades artísticas. Entre os grupos com maior participação na classe AB, estão tanto os que apresentaram maior resultado com relação às atividades artísticas, como os/as espíritas e não-religiosos/as, quanto os/as evangélicos/as não-pentecostais, dos/ as quais apenas 12,1% responderam ter vivências artísticas nos finais de semana (Sales, 2017). Dessa forma, diferentes fatores podem estar entrecruzados na opção por atividades artísticas, além da escolaridade e classe social, a forma como cada grupo ou indivíduo concebe a relação com tais conteúdos culturais.

Com relação às atividades intelectuais, o percentual de respostas apresentado é menor do que 6,1% na maioria dos segmentos, chegando a 19,3% entre os/as espíritas. Assim como para as atividades realizadas durante a semana, essa categoria envolveu atividades de desenvolvimento pessoal, a escrita, a leitura e assistência a palestras. Sua relação com o espiritismo pode ser estabelecida por meio da importância dada na doutrina espírita à leitura e à interpretação de uma bibliografia religiosa própria que funciona como fonte de autoridade religiosa e constituição de identidades. Por outro lado, os/as espíritas apresentaram o menor percentual de respostas com relação aos conteúdos físico-esportivos nos finais de semana. Apesar de o espiritismo não condenar tais práticas, a ênfase na visão do corpo como veste do espírito, separando uma natureza animal efêmera de uma natureza espiritual eterna, pode suscitar, entre os/as adeptos/as, diferentes relações com práticas corporais (Rezende, 2012).

As demais categorias tiverem um percentual baixo de respostas com relação às práticas de final de semana. As atividades manuais (artesanato, bordado, costura, jardinagem, cuidar de animais, entre outras), independentemente de religião, apresentaram um percentual ínfimo de respostas, atingindo no máximo 3,3% entre os/as evangélicos/ as pentecostais. Assim como as atividades de qualificação/estudos (cursos, escola, universidade e autoescola), que obtiveram seu maior índice (2,7%) entre os/as espíritas. A categoria “Ócio”, que agrupou respostas como descansar, dormir, ficar em casa e ficar sozinho/a, é a opção de apenas 4,4% das pessoas no Sudeste brasileiro, com um percentual apenas um pouco mais elevado entre os/as católicos/as, que foi de 6,2%. A maioria dos/as religiosos/as e não-religiosos/as não optam por atitudes de descanso nos finais de semana, ou pelo menos não relatam, possivelmente em função do descanso estar historicamente relacionado à preguiça e ao ócio, visto como atitude moralmente indigna, diferentemente do trabalho e das obrigações (Baptista, 2016).

A respeito das vivências durante as férias, as respostas apresentam uma pequena variação. Independente do segmento religioso ou nãoreligioso, parte das pessoas (28%) não sabem ou não quiseram responder o que fazem durante as férias. As pessoas que responderam indicam que o ócio, para 31,9%, e as atividades turísticas, para 29,7%, são as atividades mais comuns no período (quadro 3). Esses dados levam ao entendimento de que o período das férias não é o tempo da socialização, nem mesmo a promovida pela igreja, nem das práticas esportivas, mas é o tempo em que o ócio pode ser vivenciado, assim como os passeios.

Quadro 3
Atividades durante as férias distribuídas por segmento
Atividades durante as férias distribuídas por
                        segmento
Fonte: Banco de dados da Pesquisa “Lazer no Brasil”.

Primeiramente, as férias não são uma realidade para todos/ as. A venda das férias ou parte dela é uma atitude frequente entre os/ as trabalhadores/as. Ou ainda, a busca por serviços temporários e o aumento das obrigações familiares são fatores que podem contribuir para a não existência das férias. Além disso, as férias apresentam um caráter de compensação marcante, pois a falta de tempo de lazer e o trabalho exaustivo fazem com que parte da população almeje as férias para descansar, dormir e não fazer nada (Marcellino, 2012).

Por outro lado, apesar das dificuldades, do alto preço dos combustíveis, passagens e hospedagem, as pessoas também buscam driblar essas barreiras, improvisando soluções para que possam se deslocar nas férias (Marcellino, 2012). Nesse período, geralmente as pessoas procuram aventuras, quebra da rotina, conhecer outros lugares, pessoas, costumes, mas também relacionam o turismo com a religião, por meio do turismo religioso.

Diante das transformações que vêm ocorrendo no âmbito religioso no Brasil, as relações que são estabelecidas com as esferas do consumo, turismo e lazer tendem a produzir ambiguidades e hibridismos, tensões e contradições entre a tradição e a modernização, entre os aspectos religiosos e os turísticos (Steil; Carneiro, 2008). No âmbito do catolicismo, Brandão (2017) observa que os festejos religiosos têm buscado se conectar a elementos considerados extrarreligiosos, como o turismo, o entretenimento e o consumo. Da mesma forma, Frossard (2018), com relação ao turismo evangélico, compreende que os espaços, símbolos, mitos, ritos e imaginários religiosos são utilizados na venda de produtos, assim como o consumo desses espaços se configuram como uma maneira de oferecer uma experiência religiosa aos/às fiéis. Assim, ainda que a opção seja por um turismo que possa ser entendido como religioso, ele envolve a experiência de cada sujeito e as relações estabelecidas com suas motivações, os aspectos religiosos, os sujeitos e o consumo.

Para além das religiões: os desejos para o tempo livre

Sendo o lazer uma dimensão da cultura, e esta uma prática de significação em que diferentes grupos produzem e são produzidos, é no âmbito da cultura e seus atravessamentos econômicos, políticos e sociais que as vivências e os desejos relacionados ao tempo livre são constituídos e ganham significados (Paraíso, 2010). Nesse sentido, quando as pessoas foram perguntadas sobre o que gostariam de fazer em seu tempo livre, todos os segmentos responderam majoritariamente pela categoria “turismo”, seguido de “físico-esportivo” e “sociais”. Em termos gerais, 40,8% das pessoas gostariam de fazer alguma atividade relacionada à categoria “Turística”, 22,7% atividades físico-esportivas e 10,4% atividades sociais. Os segmentos religiosos e o não-religioso apresentam percentuais próximos aos dados gerais, com exceção dos/ as evangélicos/as não-pentecostais em que 28,8% gostariam de fazer atividades turísticas (quadro 4).

Quadro 4
Desejos com relação ao tempo livre distribuídos por segmento.
Desejos com relação ao tempo livre distribuídos por
                        segmento.
Fonte: Banco de dados da Pesquisa “Lazer no Brasil”.

As aspirações sobre o que fazer no tempo livre parecem seguir, principalmente, uma tendência que vai além das questões religiosas particulares. A população do Sudeste que deseja vivenciar o turismo enfrenta, como os/as brasileiros/as de uma forma geral, a barreira econômica como fator determinante, o que implica desde a distribuição do tempo disponível entre as classes sociais, até os recursos necessários para desfrutar dos passeios (Marcellino, 2012). Nesse sentido, as políticas públicas de visão estritamente economicista deixam de fomentar o acesso de vários grupos, intensificando questões relacionadas às classes sociais, mas também ao gênero, etnia, idade e segurança.

A prática de atividades físicas e esportivas, que também estão entre as aspirações da população do Sudeste para o tempo livre, enfrenta barreiras - assim como o acesso ao turismo. Apesar da grande divulgação das atividades físicas na atualidade, inclusive pelas instituições religiosas, elas ainda não são acessíveis às pessoas de todas as classes sociais, gêneros, etnias, nem de todas as idades. Além disso, embora haja um percentual significativo de prática de atividades físico-esportivas nos finais de semana, as pessoas podem aspirar por fazer atividades diferentes das que fazem, para além do tempo que têm disponível e em espaços e equipamentos mais apropriados e diversificados (Cruz; Bernal; Claro, 2018).

Quadro 5
Desejos com relação às férias distribuídos por segmento
Desejos com relação às férias
                        distribuídos por segmento
Fonte: Banco de dados da Pesquisa “Lazer no Brasil”.

Com relação às férias, as respostas confirmam que quando se trata de aspirações sobre o lazer, a religião não é fator determinante. 74,6% da amostra no Sudeste deseja usufruir de atividades relacionadas ao turismo nas férias, com pequenas variações entre as religiões. O turismo seria uma opção de 76,6% dos/as evangélicos/as pentecostais, 77,7% dos/as evangélicos não-pentecostais, 63,8% dos/as espíritas, 74% dos/ as católicos/as e 75,3% das pessoas que não têm religião (quadro 5). Esses percentuais representam mais do que o dobro de pessoas que responderam que praticam alguma atividade turística durante as férias, que no geral foi de 29,7%.

Um dos motivos para o turismo configurar-se no imaginário de grande parte da população pode estar relacionado à presença de anúncios de passeios e locais que prometem as férias dos sonhos em vários meios de comunicação. Além da cultura digital ampliar as possibilidades de atrações turísticas desejáveis, ela pode proporcionar às pessoas a sensação de serem produtoras de suas próprias experiências turísticas, escolhendo lugares e experiências que gostariam de vivenciar (Richards, 2017). Isto pode nos levar a entender que seja qual for a religião, o desejo sobre as férias não contempla, pelo menos para a maioria, aquelas atividades cotidianas realizadas durante a semana ou nos finais de semana. O desejo sobre as férias parece contemplar a evasão do cotidiano, a liberação da imaginação, o repouso e as oportunidades de desenvolvimento pessoal e social que as vivências turísticas poderiam proporcionar (Marcellino, 2012).

Assim, as manifestações culturais de lazer, vivenciadas ou desejadas, apresentam-se como práticas sociais, sendo, portanto, passíveis de conflitos, contradições e relações de poder. São os diversos atravessamentos envolvidos nas manifestações culturais que dão sentidos e significados às práticas, que perpassam as escolhas das pessoas e dos grupos (Gomes, 2015). A partir dessa compreensão, a religião pode influenciar de alguma maneira as vivências de lazer. Entretanto, essa influência se dá no campo das negociações e conflitos com outros aspectos culturais, sociais, econômicos e políticos que perpassam a sociedade e a construção das subjetividades.

Considerações

A doutrina religiosa exerce papel fundamental na divulgação de “verdades” e na resistência a certos saberes, mas também se adapta e se reformula diante de determinadas práticas que com ela disputam espaço. Assim, a religião reelabora constantemente sua relação com a política, a educação, a cultura, o consumo e a mídia. Na sua função de religar o indivíduo à divindade, o discurso religioso, por meio de diferentes artefatos, orienta os/as fiéis sobre formas de se vestir, alimentar, consumir e divertir que possam agradar a Deus. Nesse sentido, o lazer, como dimensão da nossa cultura, é fator determinante na relação dos indivíduos com a religião, seja porque a prática religiosa investe no lazer como forma de fomentar atos lícitos, ou porque é justamente no lazer que o profano e sagrado têm a possibilidade de se encontrarem. Quanto mais as pessoas estão envolvidas com as práticas e ritos religiosos, maior a possibilidade de a religião exercer influência sobre suas formas de lidar consigo e com o mundo.

Contudo, observamos neste estudo que os compromissos com a religião não são encarados como obrigação da mesma forma em todos os segmentos. A Igreja Católica, apesar de representar uma maioria numérica e cultural na região Sudeste, tem apenas ¼ dos/as adeptos/ as que representam os compromissos religiosos como obrigação. As igrejas evangélicas, por sua vez, parecem convencer mais nesse sentido, sobretudo o segmento mais tradicional do protestantismo representado por igrejas como a Batista, Presbiteriana e Metodista. Esse compromisso com a igreja se dá, nesse segmento, majoritariamente por mulheres, o que demonstra que a influência da religião sobre as pessoas é também um reforço das desigualdades de gênero.

Enquanto as atividades realizadas nas férias não apresentam variação importante, a atividades dos finais de semana demonstram maior diversidade quando comparados os segmentos. Não houve diferença nas atividades praticadas, mas sim na forma com essas atividades são priorizadas nos finais de semana pelos grupos religiosos e grupo de nãoreligiosos. Sendo assim, as religiões conseguem diferenciar de alguma forma as atividades realizadas nos finais de semana pelos/as adeptos/as. No entanto, possivelmente outras variáveis interferem nessas escolhas, como as obrigações, o trabalho, as desigualdades de gênero, as relações com o consumo, a mídia e as condições socioeconômicas.

Com relação ao que as pessoas desejam praticar em seu tempo livre ou em suas férias, a vontade de realizar principalmente atividades turísticas demonstra que as aspirações dos/as habitantes do Sudeste do Brasil estão relacionadas a fazer aquilo que as barreiras socioeconômicas não têm permitido. Dessa forma, apesar de apontarmos aqui questões que suscitam o debate sobre lazer e religião, as inter-relações entre manifestações culturais de lazer e a prática religiosa podem ser mais bem compreendidas se levados em consideração outros atravessamentos sociais que influenciam os processos culturais e que seriam capazes de contribuir para o aprofundamento do debate.

A influência da religiosidade sobre o lazer feminino ou as estratégias católicas frente as manifestações culturais da atualidade são temas que requerem estudos. Dado o crescimento de segmentos como o evangélico, é importante também refletirmos sobre as formas que os conteúdos culturais do lazer assumem nas práticas direcionadas pelas igrejas. Ou ainda sobre como a doutrina de Allan Kardec pode influenciar o lazer de espíritas. Assim como é necessário conhecer outras formas de relação com o lazer, como as estabelecidas pelas religiões de matriz africana e a umbanda. Portanto, a ampliação quanti e qualitativa de pesquisa nesse campo do comportamento social é fundamental, pois compreender as diferenças é algo fundamental para o respeito pela diversidade encontrada na religião e na crença.

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Notas

1 O Ministério do Esporte foi extinto em 2019 na reorganização ministerial do governo de Jair Messias Bolsonaro.
2 O sistema de apuração dos dados da pesquisa foi elaborado usando tecnologia Java com banco de dados Postgre em plataforma web. Posteriormente o sistema foi desenhado para uso em modo de leitura com aplicativo criado em linguagem Delphi, com banco de dados Firebird.
3 De acordo com os dados do IBGE, em 2010, as classes econômicas se configuravam da seguinte forma, considerando a renda familiar total: E, R$0,00 a R$ 768,00; D, R$ 768,00 a R$ 1064,00; C, R$ 1064,00 a R$ 4591,00; AB acima de R$ 4591,00.
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