Pesquisas narrativas, formação de professores(as) e cotidiano escolar

FORMAÇÃO CONTINUADA DE PROFESSORES DA EDUCAÇÃO INFANTIL: MEMORIAL AUTOBIOGRÁFICO COMO POTÊNCIA FORMATIVA E INVESTIGATIVA1

CONTINUING TRAINING OF EARLY EDUCATION TEACHERS: AUTOBIOGRAPHIC MEMORIAL AS A TRAINING AND INVESTIGATIVE POWER

FORMACIÓN CONTINUA DEL PROFESORADO DE EDUCACIÓN INFANTIL: MEMORIAL AUTOBIOGRAFICO COMO POTENCIAL FORMADOR E INVESTIGADOR

Francisco Marcos Pereira Soares
Universidade Federal do PiauíBrasil
Neide Naira Paz Lemos
Universidade Federal do PiauíBrasil
Antonia Edna Brito
Universidade Federal do PiauíBrasil

FORMAÇÃO CONTINUADA DE PROFESSORES DA EDUCAÇÃO INFANTIL: MEMORIAL AUTOBIOGRÁFICO COMO POTÊNCIA FORMATIVA E INVESTIGATIVA1

Reflexão e Ação, vol. 32, núm. 3, pp. 80-95, 2024

Universidade de Santa Cruz do Sul

Recepción: 10 Septiembre 2024

Aprobación: 27 Enero 2025

Resumo: O estudo concentra-se nas reflexões desenvolvidas com professoras da Educação Infantil durante um processo de formação continuada no município de Antônio Almeida, Piauí. Neste contexto, foi proposto o desafio de redigir um memorial autobiográfico, seguido por uma roda de conversa sobre a experiência de escrita. O objetivo geral foi analisar as potencialidades do memorial autobiográfico como ferramenta de formação para professores da Educação Infantil. A metodologia da pesquisa baseou-se na pesquisa autobiográfica, utilizando a análise de conteúdo de Bardin (2011) para a análise das narrativas. O estudo revela que os memoriais autobiográficos são instrumentos poderosos na formação de professores da Educação Infantil, promovendo a reflexividade sobre a prática educativa, possibilitando a produção de conhecimentos sobre si e sobre a profissão, e favorecendo a construção de saberes essenciais à prática educativa com crianças. Ademais, concluímos que a formação de professores da Educação Infantil, mediada pelo uso de memoriais, permite que as professoras assumam um papel ativo na ação formativa, compartilhando vivências, reflexões, histórias de vida e práticas educativas com as crianças.

Palavras-chave: Memorial autobiográfico, Formação continuada de professores, Educação Infantil.

Abstract: This study focuses on reflections developed with Early Childhood Education teachers as part of an ongoing training process for Early Childhood Education teachers in the municipality of Antônio Almeida, in the state of Piauí. The training involved the challenge of writing an autobiographical memorial, followed by a discussion about the experience of writing. The general objective was to analyze the potential of the autobiographical memorial as a tool for the training of Early Childhood Education teachers. The research methodology was based on autobiographical research. The narrative analysis method used was Bardin's content analysis (2011). The study demonstrates that autobiographical memorials are a powerful tool for the training of Early Childhood Education teachers, fostering reflexivity on educational practices, enabling the production of knowledge about oneself and the profession, and supporting the development of knowledge necessary for childhood educational practices. Furthermore, we reflect that the use of memorials in the training of Early Childhood Education teachers allows teachers to take the lead in the training process by sharing experiences, reflecting on their life stories, and integrating educational practices with children.

Keywords: Autobiographical memorial, Continuing teacher training, Early Childhood Education.

Resumen: El estudio se centra en reflexiones desarrolladas con docentes de Educación Infantil como parte de un proceso de formación continua de docentes de Educación Infantil del municipio de Antônio Almeida en el estado de Piauí, momento en el que se plantea el desafío de escribir un memorial autobiográfico seguido de la participación. de una conversación sobre la experiencia con la escritura. El objetivo general fue analizar el potencial del memorial autobiográfico como posibilidad de formación de docentes de Educación Infantil. La metodología de la investigación se basó en la investigación autobiográfica. El método de análisis narrativo fue el análisis de contenido de Bardin (2011). El estudio muestra que los memoriales autobiográficos son una poderosa herramienta para la formación de profesores de educación infantil, favoreciendo la reflexividad sobre la práctica educativa, posibilitando la producción de conocimientos sobre uno mismo y la profesión, y favoreciendo la producción de conocimientos necesarios para la práctica educativa infantil. Además, reflexionamos que la formación de docentes de educación infantil a través del uso de memoriales permite a los docentes liderar la acción formativa compartiendo experiencias, reflexiones, historias de vida y práctica educativa con los niños.

Palabras clave: Memorial autobiográfico, Formación continua del profesorado, Educación Infantil.

PARA INICIAR NOSSA CONVERSA

A formação de professores de Educação Infantil vem sendo amplamente discutida no Brasil, sobretudo após a aprovação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei 9.394/96, por tratar-se de uma etapa de extrema importância para se pensar os rumos da educação da infância que intencionamos ser de qualidade e transformadora da realidade social, compreendendo os professores e sua formação como pontos cruciais para as mudanças e melhorias educativas.

Partimos da ideia de que processos formativos que concebem o professor como produtor de conhecimentos e não apenas receptor de conceitos e práticas a serem desenvolvidas assumem o desafio de pensar estratégias diferentes de formação. Nesta perspectiva, trazemos para o centro das discussões o uso dos memoriais autobiográficos como possibilidade de formação e pesquisa junto aos professores considerando que eles podem evidenciar trajetórias pessoais e profissionais docentes a partir das suas atuações nas escolas, além do que pode revelar conhecimentos e saberes das experiências oriundas dos movimentos de vida em sala de aula.

Ditas essas considerações, informamos que o presente estudo tem o cerne inicial a partir de reflexões desenvolvidas junto a professoras da Educação Infantil em âmbito de um processo de formação continuada de Educação Infantil no município de Antônio Almeida, no estado do Piauí, ano de 2024, no qual se colocou o desafio do uso de memoriais para que as professoras pudessem escrever sobre suas trajetórias de vida pessoais e profissionais relacionadas a escola, carreira, formação inicial e continuada, percursos de atuação, entre outros aspectos.

No intuito de relacionar nossas ideias, as leituras teóricas que fazemos diariamente sobre a temática, consideramos importante cruzar com as ideias de professoras em processos de formação continuada a temática do uso de memoriais autobiográficos na pesquisa e na formação, no sentido de evidenciar a importância dessa estratégia a partir de suas histórias, vozes e experiencias. Por isso, elaboramos como questão-problema de estudo: Quais as potencialidades do memorial autobiográfico como possibilidade de formação de professores da Educação Infantil?

Estabelecemos como objetivo geral analisar potencialidades do memorial autobiográfico como possibilidade de formação de professores da Educação Infantil. Os objetivos específicos que encaminharam este estudo foram: a) identificar as potencialidades do memorial autobiográfico como possibilidade de formação de professores da Educação Infantil; b) Caracterizar processos de formação de professores de educação infantil a partir da escrita de narrativas utilizando memoriais autobiográficos.

A metodologia da pesquisa fundamentou-se na pesquisa autobiográfica com o uso dos dispositivos de produção de narrativas utilizando memoriais autobiográficos com 4 professoras da Educação Infantil do município de Antonio Almeida. Selecionamos o município, fizemos contato com uma formadora de professoras e propomos a pesquisa-ação com o uso de memoriais autobiográficos. Após a escrita dos memoriais, desenvolvemos uma roda de conversa para que professoras falassem sobre sua experiência ao escreverem os memoriais.

O município piauiense de Antonio Almeida, localizado no estado do Piauí, há aproximadamente 282 km da capital Teresina. O município desenvolve alguns programas de formação continuada de professoras de Educação Infantil e então foi lançado o desafio de, em um dos encontros com professoras, fosse solicitada a escrita de um memorial autobiográfico. Para que as professoras dessem conta desse documento foi realizada inicialmente uma discussão coletiva sobre o que era memorial autobiográfico.

As professoras receberam os encaminhamentos para a escrita do memorial no dia 04 de março de 2024 e tiveram a orientação de entregar o documento em um encontro posterior, marcado para o dia 02 de abril, momento em que houve uma roda de conversa para uma discussão acerca da experiência com a escrita do documento, falar sobre reflexões empreendidas durante a escrita, aprendizagens mobilizadas, entre outros aspectos. É preciso informar que a intenção nesse artigo não é apresentar a escrita do memorial das professoras, mas tratar de como elas significam e ressignificam a experiência ao escrever sobre si. As falas das professoras foram gravadas e transcritas para que se pudesse analisar posteriormente.

Desta forma, a nossa pesquisa aconteceu com 20 professoras, mas foram selecionadas apenas quatro falas sobre a experiência com a escrita para constituir material para análise. Portanto a nossa pesquisa foi uma pesquisa-ação pensada por Thiollent (2002, p. 75) como uma metodologia importante e necessária em pesquisas do campo da educação produzindo espaços para ações e transformações na educação, na escola, nas práticas com as reflexões empreendidas.

A pesquisa-ação pode ser também concebida como uma metodologia fundamentada a luz da autorreflexão com os pares de profissão que podemos chamar de grupo social com o objetivo de qualificar as próprias práticas sociais e educativas, melhorando o entendimento acerca dessas práticas. Portanto, de acordo com Kemmis e McTaggart (1988, p. 248) “[...]A abordagem é de uma pesquisa-ação apenas quando ela é colaborativa...”

Para a realização da pesquisa-ação utilizamos a abordagem autobiográfica para que as professoras escrevessem sobre si, suas práticas, sua profissão e seus processos formativos ao longo da vida. De acordo com Ferraroti (2010) a abordagem autobiográfica é relevante no sentido de favorecer a investigação da vida cotidiana e todo o seu dinamismo, uma vez que se utiliza das histórias de vida a partir de relatos orais e escritos, entrevistas narrativas, escritas de si com a possibilidade de os sujeitos acessarem aspectos antropológicas de suas experiências e os saberes delas advindas, podendo fazer interpretação-compreensão da realidade vivida.

Para que os professores vivessem a experiência de escrever sobre si, utilizaram o memorial autobiográfico. Para Brito (2010), o memorial é um documento de escrita de si, pode ser fruto de um relato escrito sobre a história de vida de alguém. Esse documento:

[...] implica descrição, análise, interpretação das memórias selecionadas, dos conhecimentos produzidos e das aprendizagens auferidas. Memorial é um texto. É um percurso. É uma trajetória. É um movimento feito de várias trajetórias, [...] (Brito, 2010 p. 58).

Para a autora, o memorial é um tipo textual que retrata percursos e as várias experienciais de quem resolve escrever memórias. A autora faz uma analogia do memorial escrito e suas narrativas a um tecido que é composto por vários trançados e traçados revelando um material denso, digno de análise profunda. Após a escrita do memorial, as professoras participaram de uma roda de conversa na perspectiva de problematizar não necessariamente o que escreveram, mas refletir sobre a experiência formativa da prática de escrever o memorial autobiográfico, o que acessaram e experienciaram.

De acordo com Moura e Lima (2015, p. 25) em seus escritos sobre a temática ressaltam que roda de conversa é “[...] uma forma de produzir dados em que o pesquisador se insere como sujeito da pesquisa pela participação na conversa e, ao mesmo tempo, produz dados para discussão.” É um movimento de diálogo e de colaboração dialógica entre pares que possibilita a fala, a participação, o diálogo das professoras quanto a um processo de produção de narrativas que se transformam em dados de uma pesquisa.

Para análise de dados utilizamos a análise de conteúdo de Bardin (2011) que divide em algumas fases como: I) Fase de pré-exploração do material; II) A seleção das unidades de análise (ou unidades de significados; III) O processo de categorização/ subcategorização e a fase IV) Análise do conteúdo por categorias a luz das teorias. As categorias que emergiram foram duas e foram delineadas da seguinte maneira: a) Memorial autobiográfico: potencialidades formativas e reflexivas e b) Formação de professores de educação infantil: narrativas e memoriais autobiográficos. A seguir analisaremos cada uma das categorias a luz de teorias que abordam as temáticas selecionadas.

MEMORIAL AUTOBIOGRÁFICO: POTENCIALIDADES FORMATIVAS E REFLEXIVAS

O movimento de produção memorialística é um exercício convidativo à reflexão sobre si. Nóvoa (2010) nos apresenta que a escrita do memorial é uma prática que vem se fortalecendo ao longo dos anos e ganhando espaço na academia nos espaços de formação continuada de professores como uma possibilidade de os professores expressarem ideias e explicitarem suas histórias de vida. Tomando o público de professores da educação infantil, um processo de escrita autobiográfica pode evidenciar saberes docentes necessários à prática educativa, referenciar conhecimentos produzidos a partir da prática da reflexão desvelando as potencialidades que a escrita de memoriais autobiográficos apresenta para o professor, como nas falas a seguir:

Eu nunca havia tido o contato com esse tipo de texto, principalmente nas formações das quais tenho participado durante todo os meus anos como professora. Mas percebi que é um texto que elaboramos e que temos que refletir muito, lembrar das coisas, das nossas vivências na escola, com as crianças. (Professora A – Roda de conversa).

Bom, o memorial é algo que me interessou muito. Nossa história parece às vezes que não é interessante e de repente vejo que me revelou tantas coisas. Sabia que me fez parar para escrever algo que nunca mais tinha feito, menino!

Olhei para mim como professora e me veio assim uma estrada da vida, pensei no passado, pensei em como faço as coisas hoje na escola e o que tenho estudado ao longo desses anos para eu ser o que sou hoje. (Professora B – Rodas de Conversa).

A escrita desse memorial me revelou tanto de mim mesmo como pessoa, como professora das crianças. Um texto longo, mas gratificante fazer. Me senti me investigando a mim mesma. (Professora C – Rodas de conversa).

O memorial autobiográfico, como vocês chamam né, é um texto bem comprido, ne? Mas assim, acho que é sempre necessário escrever para relembrar de quem éramos, do que somos e do que podemos ser como pessoa e profissional. Podemos dizer que é a memória da vida. (Professora D – Rodas de Conversa).

As falas das professoras durante as rodas envolvem algumas unidades de análise como quando dizem que é um texto longo a ser escrito, mas é gratificante a escrita de si para os processos de compreensão da sua história. É um exercício de compreensão de si, mas consideram ainda um texto distante dos modelos de formação continuada das quais participam. Outros aspectos importantes percebidos nas falas das professoras é a reflexão que precisaram desenvolver no exercício memorialístico: elas abordam os termos “reflexão”, “lembras das coisas”, “Pensei em como faço as coisas”, “Olhei para mim”, “investigando a mim mesma”. “relembrar de quem éramos, do que somos e do que podemos ser”, “é a memória da vida”. Essas expressões denotam as potencialidades formativas e reflexivas que a rememoração e a escrita trazem ao serem desenvolvidas individualmente e depois compartilhado coletivamente em processo de colaboração docente.

Os programas de formação continuada de professores precisam olhar mais para estratégias colaborativas. Sobre isso, Brito (2021, pág. 284)) ressalta que “As referências à formação continuada indicam sua relevância nos percursos profissionais dos professores, notadamente em relação à ampliação de seus conhecimentos e de suas aprendizagens sobre a profissão docente”, pois produzir um memorial desvela a construção de uma narrativa que expressa saberes experienciais vividos em uma trajetória de vida e de formação.

As falas das professoras corroboram aquilo que Nóvoa (2010) expressa quando diz que a escrita do memorial traz como potencialidade a reflexão, pois além de trazer memórias da vida, possibilita a escrita docente fazendo com que o professor olhe para sua vida ao mesmo tempo que olha para uma produção sobre si, uma avaliação de seu próprio fenômeno educativo, o que pode trazer uma ressignificação de si e de suas práticas, reelaborando seu olhar sobre si, sobre a profissão, sobre a educação e a escola, sobre sua prática educativa. Como estratégia de formação, a escrita de um memorial autobiográfico apresenta-se como nova didática e metodologia na formação de professores uma vez que seu uso representa uma ruptura com a perspectiva reprodutivista e passiva de falante-ouvinte, reelaborando e redefinindo as formas como se interage e dialoga no ambiente e no processo de formação de professores.

A necessidade de se repensar acerca de outros modelos didáticos de formação continuada de professores está de acordo com as ideias de Candau (1983) quando ela já falava de uma nova didática na formação inicial que superasse a didática instrumental e se apresentasse novos entendimentos que fosse possível mudar a formação inicial por exemplo. Estes mesmos direcionamentos podem iluminar as práticas de formação continuada de professores.

Souza (2007) destaca que o final dos anos 90, sobretudo, foi um período importante para a abordagem das histórias de vida em que os aspectos que tratavam sobre memória, representações sobre a profissão, os ciclos de vida, o trabalho com a autobiografia ou as narrativas de professores e em exercício, em final de carreira ou em transformação emergiram de forma grandiosa como uma perspectiva nova para a pesquisa e para a formação de professores no Brasil. A partir da abordagem experiencial, toma-se a experiência docente como um campo de investigação, de revelação e de produção de saberes.

As pesquisas de Candau (1983) foram ressignificadas, pois a nova didática pensada por ela que ultrapassava o campo instrumental dá lugar a uma perspectiva didática capaz de ampliar conhecimentos sobre os professores e sobre os processos de ensino nas instituições educativas. As professoras, na roda de conversa, abordam que a formação continuada desenvolvida a partir de suas experiências pode ser mais significativa no sentido de que poderão conversar sobre temas ligados diretamente à escola, às crianças, às suas experiências para que entendam aquilo que fazem a partir de uma teoria do conhecimento e não apenas algo que prescreve o que elas têm que fazer.

Vejo que quando vocês formadoras lerem nossos memoriais poderão perceber angústias vividas. Peço até desculpas pela sinceridade em alguns momentos, mas é o que sinto e acho que muitas aqui sentem. Às vezes, nós estamos aqui na formação com tantas coisas a serem ditas e que está atrapalhando nossa vida na escola ou até mesmo pessoal, mas silenciamos para dar ouvidos aos slides, a oficina que vocês trouxeram. (professora A – Roda de conversa).

Eu vejo como outra maneira interessante de fazer nossa formação. O que geralmente nos acontece é que sempre tem a acolhida, brincam se divertem, depois temos o slide explicativo pela formadora e um ou outro professor fala algo. O pessoal vem até porque tem a frequência, o certificado. As vezes oficinas, mas assim uma formação que é toda sobre nossa experiência assim nunca tivemos. (Professora B – Rosa de conversa)

A formadora é muito boa e cumpre com os objetivos dela, até porque ela também já recebe o material para ela nos passar porque a formação faz parte do programa do estado e tem outro do governo federal. Então vem já tudo para ela nos passar. Às vezes é bom, mas penso que verificar as nossas necessidades era bom. (Professora C – Roda de conversa)

Quando escrevi o memorial me senti tão importante, sabe? Tipo, o pessoal da formação vai ler sobre mim e sobre meu trabalho, o que eu acho sobre as coisas e como elas funcionam, achei incrível! Porque geralmente as formadoras trazem ali tudo no slide, por conta das formações que elas também já assistiram em Floriano ou em Teresina. (Professora D – Roda de conversa).

As falas das outras professoras esclarecem que elas perceberam a mudança de paradigma ou modelo de formação. Existe então duas didáticas presentes e as professoras apresentam os contrapontos: primeiro elas falam como os processos formativos acontecem rotineiramente a partir dos slides, das atividades prontas que as formadoras passam para elas com materiais produzidos em programas de formação da secretaria de educação do estado do Piauí, por exemplo, e resta fazer a transposição para as professoras do município e é isso que ocorre. O segundo modelo que elas percebem e que participaram foi a partir das escritas do memorial em que elas puderam refletir, falar de si, de suas necessidades, de suas fragilidades, dos seus silenciamentos, de suas trajetórias de vida pessoal e profissional, momentos em que puderam colaborar entre entre si e falar sobre sua atuação.

Souza (2007) e Candau (1983) colocam que, ao assumir essa outra didática que valoriza a experiência de vida dos professores como estratégia formativa, o memorial autobiográfico, por exemplo, passa a ser visto como oportunidade para uma interpretação-compreensão do sentido e dos significados dados ao fazer dos professores e a imensidão universal de suas experiências na prática educativa.

As professoras abordam inúmeras situações, a partir de diferentes expressões, a vontade de participar mais dos processos formativos e não apenas de momentos que intentam regular a prática educativa com prescrições oficineiras que revela exatamente o que elas precisam fazer em um direcionamento de formadores que parecem ser professores de professores, reafirmando uma relação literalmente vertical de transmissão de saberes e práticas.

O artigo publicado na revista de educação da Universidade Federal de Alagoas por Soares e Brito (2024) evidencia essa constatação quando abordam sobre narrativas autobiográficas na pesquisa e na formação de professores: descortinando múltiplas experiências. Os resultados da referida pesquisa evidenciam que as narrativas autobiográficas têm sido utilizadas das mais diferentes formas para explicitar múltiplas experiências de professores.

Esta pesquisa esclarece ainda que a forma como os professores apresentam e representam os seus modos de atuação na profissional tem sido objeto de análise nas pesquisas de abordagem autobiográfica e tem ganhado destaque nas pesquisas nas áreas das ciências humanas, inaugurando um movimento de superação da racionalidade instrumental da didática na formação de professores e nas pesquisas ampliando o espaço para que a experiência docente seja visualizadas como rica possibilidade de construção de conhecimentos e saberes, reflexão e novos diálogos sobre a profissão docente.

FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE EDUCAÇÃO INFANTIL: NARRATIVAS E MEMORIAIS AUTOBIOGRÁFICOS

As reflexões produzidas por Kramer (1994) em seus postulados apresentam uma notória preocupação em relacionar a formação dos profissionais da educação infantil com as finalidades legais dessa etapa. A autora assume que o compromisso da educação infantil e de seus profissionais seja o de defender as concepções de criança como sujeito de direito, como produtora de conhecimento, arte e cultura. Além disso, a formação continuada dos professores precisa reafirmar o trabalho nesta etapa de educação como um trabalho humano e uma prática social relevante desenvolvidos em um campo de pluralidade teórica e prática acerca dos contextos da criança.

As professoras que participaram da pesquisa foram enfáticas ao abordar que a formação continuada ainda é um território a ser repensado sobretudo em como o trabalho é desenvolvido. Nos contextos de formação, as professoras sentem-se muitas vezes silenciadas, não pelas formadoras, mas pela própria estrutura da formação. Revelam ainda que a didática utilizada ainda é burocrática e cheia de afazeres, movidos por slides e oficinas a serem reproduzidas com as crianças, desconsiderando estrutura das escolas, os tempos e os espaços disponíveis por exemplo.

Escrever esse memorial e abordar sobre a formação continuada das quais temos participado foi muito importante para mim. Me senti livre para dizer coisas que há muto gostaria de expressar, mas o formato da qual nós participamos é fechado até para as formadoras. (Professora A – Roda de Conversa).

Para mim, foi uma oportunidade única de expressar sobre qual a formação que eu participo e sobre qual eu gostaria de participar. Eu sei que as meninas aqui, as formadoras, se esforçam muito, mas ainda é algo que as vezes não se liga ao que precisamos. Perdão, meninas! Eu sei que vocês cumprem o que vem de lá! (Professora B – Roda de conversa).

Que legal, gente! Vocês sabem que sou brincalhona e participativa. Gosto muito de falar nas formações. Mas às vezes eu vejo as meninas tão ocupadas tentando concluir o trabalho delas, os slides, as atividades do programa que as vezes não sobre tempo para falarmos sobre nossa atuação. (Professora C – Roda de conversa)

A formação é bem técnica. Eu acho, são boas. Aproveito muito o que as formadoras dizem e colocam pra gente aqui. Mas muitas vezes não temos oportunidade de fazer mudanças naquilo que gostaríamos. Dizer isso no memorial e aqui nessa roda é libertador para mim, sabe. (Professora D – Roda de Conversa)

As falas das professoras são incisivas sobre o modelo didático adotado na formação e, por isto, tecem críticas. Os enunciados delas nas falas revelam, de uma certa forma, uma insatisfação com o que assistem nas formações que muitas vezes acontecem sem o viés colaborativo por parte das professoras, mas recheado de prescrições. Um ponto interessante de avaliar nas falas é o fato delas sentirem um certo receio de falarem na roda de conversa sobre essas percepções, mas falam pedindo desculpas às formadoras.

É nossa intenção que o trabalho em educação desenvolvido nessa primeira etapa da educação assente-se em uma concepção de política educacional como prática discursiva para que professores assumam a autoria de suas práticas, revelem nos processos formativos os saberes advindos de suas experiências assumindo uma relação de apropriação de saberes plurais. Tardif (2002) nos diz que a docência é um campo que diariamente é aprendido, mas que precisa ser uma aprendizagem sociointeracionista, dialógica e epistemológica. As revelações das professoras informam uma outra perspectiva vigente nas formações, marcada pela racionalidade técnica, instrumental, behaviorista.

Essa relação dialógica e discursiva dos processos formativos é referenciada por Kramer (2013) com base nas ideias de Bakhtin (2003), ao dizer que toda formação deve ser articulada e desenvolvida pensando-se em provocar mudanças e deslocamentos de visão dos sujeitos sobre as mais variadas situações e conceitos, para isto é essencial que o processo formativo assuma o diálogo colaborativo com o outro, autoria e autonomia dos partícipes. Para Smolka (2000), o outro é sempre necessário quando se trata de apropriação de funções sociais. A mudança é sentida individualmente em cada um ao seu modo, mas é mediada na relação com os outros a partir da significação-produção de sentidos próprios acerca das experiências sociais vividas em interação.

Para as professoras, a formação tem sido um espaço de implementação de programas de formação pensados foram do contexto escolar e das realidades de atuação dos professores. Esse modelo prescritivo não dialoga com a reflexão e a colaboração entre pares, não possibilita a argumentação dos professores em torno de suas necessidades, realidade escolar.

Ainda tratando desse contexto de formação como um processo discursivo de saberes plurais, Nóvoa (1995) defende a necessidade de que a formação continuada de professores seja um ambiente, um espaço e mesmo uma oportunidade de articulação profissional e formativa. São ideias gerais e que naturalmente acolhemos para o campo da educação infantil por nos iluminar o caminho para pensarmos em formação continuada mais colaborativa, intencional de aprendizagem entre pares e demarcada pela reflexividade.

Sobre essas estratégias didáticas, metodologias ou perspectivas de formação Kramer (2013) entende, desde muito tempo, a necessidade de articulação entre as propostas de formação e o conhecimento necessário para transformação das concepções e perspectivas sobre a própria prática, além do que entende a necessidade de reconhecer o professor da educação infantil como um profissional que precisa desenvolver uma prática educativa que relacione ação-reflexão-ação, assim como autoria e autonomia dos processos dos quais participa e desenvolve.

Nesse sentido, Contreras (2012) ressalta a ideia de que a profissionalidade docente está relacionada aos valores, crenças e as finalidades que regem a atuação docente. Essas ideias relacionadas a importância do professor como profissão e sua profissionalidade, como aponta o autor, só veio a ocorrer a partir dos anos 1990, quando os estudos passam a expressar a relevância do professor e sua formação para a melhoria dos processos de ensino e aprendizagem nas instituições educativas. Passa então a haver uma compreensão de que um processo de formação de professores passa necessariamente por uma construção de práticas mais colaborativas e crítico-reflexivas, encaminhando-se para um processo também de autoformação em que o profissional professor constrói a sua profissionalidade.

A partir destas possibilidades outras que se coloca para o desenvolvimento da formação continuada é que os memoriais autobiográficos passam por um movimento de valorização como possibilidade de pesquisa e de formação de professores. Para Nóvoa (1995), a valorização da escrita memorialística é essencial para a produção de conhecimentos sobre o professor em formação, além de ser possível captar nestas escritas como se dá e como se deram as mais diferentes relações no território da escola e da profissão docente.

Outras ideias que também podemos nos remeter quando abordamos a memória escrita da vida de professores é de Delory-Momberger (2008, p. 37) quando realça que só temos história porque podemos narrá-la. Essa possibilidade faz e traz todo um sentido para a nossa existência, pois são narrativas constituem um resgate memorialístico que assenta o sujeito em posição de ressignificar e de se formar como alguém crítico que reflete, pensa, fortalece sua história, seu cotidiano e poderá intervir na sua realidade porque constrói uma consciência escrita do vivido. Defendemos então que o uso dos memoriais autobiográficos na formação de professores da educação infantil constitui, pois, uma inovação didática para a área uma vez que possibilita que os professores, a partir de suas narrativas de vida e das suas próprias histórias possam participar ativamente do processo formativo.

Em relação a estas subjetividades docentes em que os professores passam a ser sujeitos do conhecimento e da reflexão na formação continuada, Tardif (2002) apresenta uma defesa sobre a importância disso para a pesquisa sobre o ensino, o cotidiano da escola e das práticas uma vez que abordará temáticas que afetam diretamente o professor e sua vida em atuação profissional. Essa defesa além de valorizar uma nova didática na formação dos professores envolve-se com a concepção de que a natureza pessoal deve articular-se à natureza axiológica5 da profissionalização docente em detrimento da natureza meramente técnica ou instrumental.

Por isso, na formação continuada, os professores constroem significações, a partir de seus escritos e vozes, que podem estimular tomadas de decisões e convocar os pares para uma ação mais plausível e concreta que poderão resultar em atitudes mais qualitativas para o ensino. As ideias que emergem do cotidiano da docência podem transformar-se em aprendizagens e conhecimentos que favoreçam a reflexão e a intervenções de modo dinâmico e coletivo.

Em se tratando da etapa da educação infantil, estas outras possibilidades de realizar formação dos professores faz-se necessárias, sobretudo se pensarmos na natureza axiológica que deve estar presente nos processos formativos, pois formar o professor para uma atuação mais completa requer partir do pressuposto que atuar com as crianças desta etapa envolve multiplicidade de saberes teóricos, filosóficos, metodológicos relacionados à valorização da experiência.

Pensamos que as falas das professoras se direcionam para este pensamento mais plural da formação em que elas têm tanto a oportunidade de dizer sobre si quando tem a possibilidade de ouvir os demais em colaboração. O momento da roda de conversa foi essencial para que as professoras expressassem suas ideias e narrassem como se deu a experiência de escrever o memorial autobiográfico, falar de si e como gostariam de participar de um momento formativo. As professoras falam não apenas da importância dos conteúdos didáticos, pedagógicos, mas também expressam nos memoriais sobre o que esperam encontrar na formação.

Quando escrevi no memorial sobre o que eu espero da formação eu coloquei muito sobre os aspectos emocionais dos professores, dos valores da profissão, dos saberes e conhecimentos necessários para uma boa atuação, por exemplo (Professora A – Roda de conversa).

É preciso abordar os valores pessoais e profissionais, as crenças, as concepções que nós temos sobre as coisas antes de chegar com todos os materiais pronto pra que a gente se sinta confortável em fazer as coisas na escola (Professora B – Roda de Conversa).

As formadoras trazem muitas coisas prontas na maioria das vezes. Isso é bom? Pode ser que sim, talvez! Mas e o que nós pensamos? E o que nós somos e já sabemos, experienciamos nesta vida e na escola? Que valores trazemos, qual a nossa filosofia de vida porque nós somos profissionais formados já. Mas eu penso que as formações não olham pra isso (Professora C – Roda de conversa).

Eu amo as minhas formadoras. São maravilhosas e sábias! Mas assim... o que escrevi no memorial sobre como as formações acontecem não é para desmerecer o trabalho delas, porque elas também cumprem o que dizem nas formações delas. Mas eu considero importante, como coloquei no memorial, considerar nossas ideias, nossas vivências, nossos valores, o que achamos das coisas (Professora D – Roda de conversa).

As falas das professoras dialogam com a concepção de valorizar as experiências ao longo da vida formativa, considerando que tudo aquilo que acontece em seus modos de atuação são importantes ao se pensar em uma formação continuada de professores. Larrosa (2002) nos diz que a experiência é aquilo que nos acontece. O que elaboramos de sentido a partir destas experiências é que são os saberes. O autor ainda pontua que os saberes elaborados a partir da experiência tem sua qualidade existencial e que, por isto, precisa ser dito ao mundo para produzir aprendizagem. É um saber singular de cada sujeito que experiencia, portanto “a experiencia e o saber que dele deriva são o que nos permite apropriar-nos de nossa própria vida” (Larrosa, 2002, p. 27).

As professoras defendem uma formação com características mais abrangentes, ou seja, de natureza axiológica como refere Pedro (2014) em detrimento de um ato de formatação ou de regulação da prática do professor. Assumimos, pois, uma perspectiva epistemológica diferente da racionalidade prescritiva e instrumental da formação, para dar lugar a uma visão hermenêutica baseada na interpretação-compreensão de narrativas de vida presentes nos escritos memorialísticos de professores da educação infantil como processo fundante da ação formadora. Esse trabalho requer compreender os percursos da vida e experiencial dos professores como adultos aprendizes que aprendem e se formam a partir da escrita de si. Nesta dinâmica, os formadores de professores também têm a oportunidade de aprender em colaboração com os professores em formação. (Dominicé, 2012)

Essa natureza axiológica da formação em que se pensa nos sujeitos e em suas histórias no lugar exclusivamente da técnica-instrumental enriquece-se a partir da prática da escrita autobiográfica quando pensamos tanto nas inúmeras histórias narradas e que são materializadas como também tem sua importância por constituir uma manifestação criadora de um ser humano que apresenta e objetiva suas experiências subjetivas de vida de forma intencional e reflexiva com a possibilidade de construir novos olhares e intepretações acerca da profissão docente.

IMPLICAÇÕES FINAIS OU CONCLUSIVAS

A pesquisa-ação que desenvolvemos foi relevante para compreendermos as potencialidades desse gênero de texto como pesquisa e como formação de professores. O momento inicial de discussão sobre o que era um memorial autobiográfico gerou aprendizagens sobre esse gênero entre os professores que afirmaram não conhecer antes da pesquisa. As falas das professoras e a relação com os teóricos que tratam sobre a temática nos levam a compreender que os memoriais autobiográficos:

a) constituem potente instrumento de formação de professores da educação infantil:

b) Favorece a reflexividade sobre a prática educativa

c) Possibilita a produção de conhecimentos sobre si e sobre a profissão,

d) Favorece a produção de conhecimentos necessários a prática educativa de infância.

e) Além disso, refletimos que a formação de professores da educação infantil a partir do uso de memoriais possibilita que as professoras protagonizem a ação formadora uma vez que podem partilhar vivências a partir da escrita, além do que é uma potente oportunidade de reflexão sobre as vivências formativas, suas histórias de vida e de prática educativa com as crianças.

Tanto as falas das professoras quanto dos teóricos que usamos para fundamentar a escrita do texto ressaltam a necessidade de pensar em formas cada vez mais participativas e colaborativas para se desenvolver a formação continuada de professores da educação infantil. O uso de memoriais mostrou-se potente oportunidade de as professoras refletirem sobre si, sobre a profissão, sobre as crianças, sobre a trajetória formativa, sobre a complexidade da etapa em que atuam.

A discussão encaminha olhares dialógicos e reflexivos para pensarmos outras formas de compreender os professores, a ação docente e a formação continuada partindo sobretudo da compreensão-interpretação da sua trajetória vida pessoa e profissional, respeitando a existencialidade humana do professor. Se pensamos em uma formação de natureza axiológica acabamos por nos comprometer com uma formação mais abrangente que pensa para além de processos técnicos, conteudistas e prescritivos nas formação para pensarmos no professor como pessoa e como profissional que se relacionam continuamente ao longo da vida e na escrita de memoriais autobiográficos, assim como no momento de interação e diálogo das rodas de conversa que constituem uma atividade complexa privilegiada de conhecimento de si, do outro, da vida e da profissão docente.

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Notas

1 Trabalho financiado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal do Ensino Superior – CAPES.
2 Universidade Federal do Piauí – UFPI – Teresina – Piauí – Brasil – https://orcid.org/0000-0003-0107-2279marcosluhan@gmail.com.
3 Universidade Federal do Piauí – UFPI – Teresina – Piauí – Brasil – https://orcid.org/0009-0001-1640-3651
4 Universidade Federal do Piauí – UFPI – Teresina – Piauí – Brasil – https://orcid.org/0000-0002-0064-6501antonedna@hotmail.com.
5 Axiologia: é a área do saber que se pauta em discutir a multiplicidade de valores envolvidos em uma coisa, questão, espaço, situação, isto é, valores éticos, morais, políticos, estéticos, ecológicos, vitais, espirituais, religiosos, econômicos etc. (Pedro, 2014).

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