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EXPLORAÇÕES METODOLÓGICAS NA INVESTIGAÇÃOFORMAÇÃO1 : A NARRATIVA DA FORMADORA FLÂNEUSE DE FORMADORAS
METHODOLOGICAL EXPLORATIONS IN INVESTIGATION: THE NARRATIVE OF THE FLÂNEUSE EDUCATOR OF EDUCATORS
EXPLORACIONES METODOLÓGICAS EN LA FORMACIÓN-INVESTIGACIÓN: LA NARRATIVA DE LA FORMADORA FLÂNEUSE DE FORMADORAS
EXPLORAÇÕES METODOLÓGICAS NA INVESTIGAÇÃOFORMAÇÃO1 : A NARRATIVA DA FORMADORA FLÂNEUSE DE FORMADORAS
Reflexão e Ação, vol. 32, núm. 3, pp. 270-286, 2024
Universidade de Santa Cruz do Sul
Recepción: 09 Septiembre 2024
Aprobación: 20 Enero 2025
Resumo: Este artigo apresenta um modo diferente de investigar e interpretar as experiências formativas de formadoras de formadoras, situando-se no contexto de uma investigaçãoformação narrativa de uma tese de doutorado. A metodologia adotada reflete uma construção contínua, artesanal e não linear do conhecimento, baseada na interação com interlocutores de diversos campos do conhecimento e na incorporação de outras epistemologias. Inspirada pela metáfora benjaminiana da constelação e na figura da flâneuse, a interpretação das narrativas e mônadas – fontes narrativas - destaca a importância em valorizar as experiências e práticas sensíveis das formadoras, oferecendo uma compreensão mais humanizada dos processos formativos. Ao buscar romper com os padrões tradicionais de pesquisa, esta abordagem metodológica elegeu outras maneiras de ler e interpretar a realidade, privilegiando a sensibilidade, a intuição e a diversidade epistemológica. As experimentações metodológicas realizadas revelaram um olhar mais profundo e sensível sobre o papel da formadora de formadoras no cenário educacional brasileiro, de forma a considerar a experiência humana, as relações interpessoais e os contextos culturais e sociais como parte dos processos formativos vividos reconhecendo saberes sensíveis presentes nas "zonas de penumbra" e nos aspectos menos evidentes da prática formativa.
Palavras-chave: investigaçãoformação narrativa, formadora de formadoras, formação continuada, constelação benjaminiana.
Abstract: This article presents a different way of investigating and interpreting the formative experiences of teacher educators within the context of a doctorate thesis narrative inquiry. The adopted methodology reflects a continuous, artisanal, and non-linear knowledge construction, based on interactions between interlocutors from diverse fields of knowledge and the incorporation of diverse epistemologies. Inspired by Benjamin's metaphor of constellation and the concept of flâneuse, the interpretation of narratives and monads – narrative source - emphasizes the importance of valuing the educator’s sensitive experiences and practices, offering a more humanized understanding of formative processes. Seeking to break with traditional research paradigms, this methodological approach chose alternative ways of reading and interpreting reality, prioritizing sensitivity, intuition, and epistemological diversity. The methodological experiments conducted revealed a deeper and more sensitive view on the role of teacher educators in the Brazilian educational context, considering human experience, interpersonal relationships, and cultural and social contexts as integral parts of the formative processes, recognizing sensitive knowledge present in the "gray areas" and less evident aspects of formative practice.
Keywords: narrative inquiry-based research, teacher educators, continuing education, benjaminian constellation.
Resumen: Este artículo presenta una manera diferente de investigar e interpretar las experiencias formativas de formadoras de formadoras, situándose en el contexto de una investigaciónformación narrativa de una tesis de doctorado. La metodología adoptada refleja una construcción continua, artesanal y no lineal del conocimiento, basada en la interacción con diferentes interlocutores y en la incorporación de diversas epistemologías. Inspirada por la metáfora benjaminiana de la constelación y en la figura de la flâneuse, la interpretación de las narrativas y mónadas – fuentes narrrativas - destaca la importancia de valorar las experiencias y prácticas sensibles de las formadoras, ofreciendo una comprensión más humanizada de los procesos formativos. Al buscar romper con los patrones tradicionales de investigación, este enfoque metodológico eligió otras maneras de leer e interpretar la realidad, privilegiando la sensibilidad, la intuición y la diversidad epistemológica. Las experimentaciones metodológicas realizadas revelaron una mirada más profunda y sensible sobre el papel de la formadora de formadoras en el escenario educativo brasileño, considerando la experiencia humana, las relaciones interpersonales y los contextos culturales y sociales como parte integral de los procesos formativos vividos, reconociendo saberes sensibles presentes en las "zonas de penumbra" y en los aspectos menos evidentes de la práctica formativa.
Palabras clave: investigaciónformación narrative, formadora de formadoras, formación continua, constelación benjaminiana.
PASSOS INICIAIS
Este artigo apresenta uma possibilidade outra de investigar e interpretar experiências formativas instituintes de uma formadora de formadoras, tecidas na relação com sujeitos em espaços-tempos e contextos diversos, fruto de uma investigaçãoformação narrativa (Bragança, 2009) de doutorado: De estrela a constelações: investigaçãoformação narrativa da formadora flâneuse de formadoras cuja principal temática é formação de formadoras. A narrativa da tese, que tem a metodologia narrativa de pesquisa em educação (Serodio; Prado, 2017), como abordagem fundante, é composta por quatro Movimentos: “Firmamento negro”, “Convites a narrar: inventário flânerie; comunidade virtual de práticas de formadoras de formadoras e roda de conversa”, “Constelações” e “Mosaico de Constelações”.
A narrativa das experimentações metodológicas da investigaçãoformação é desenvolvida ao longo da tese, porém tem maior concentração no Movimento Constelações; experimentações metodológicas que se inspiraram na metáfora da constelação presente na forma de pensar e nos escritos de Walter Benjamin (1987). Em Origem do drama Barroco (1984, p. 56) Benjamin diz que: “as ideias se relacionam com as coisas assim como as constelações com as estrelas” explorando a ideia de que os conceitos não se conectam diretamente com os objetos, mas se agrupam como constelações, revelando uma abordagem crítica para o conhecimento e a interpretação histórica. A imagem da constelação também é utilizada para dizer da relação de fenômenos históricos aparentemente distintos e ocorrido em tempos distantes, contrapondo-se a uma visão historicista linear e marcada pela ideologia do progresso. Para o autor a história era um conjunto de momentos ou "fragmentos" que podiam ser relacionados uns aos outros de maneiras significativas, independentemente de sua posição cronológica. Ao cotejar os fenômenos, observava relações, assim como ocorre nas constelações com as estrelas que são ligadas arbitrariamente por linhas invisíveis. Linhas desenhadas a depender da posição cultural e do sujeito que as enxerga (Buck-Morss, 2000).
A coleção de documentos (Koyama, 2013) utilizada na investigação foi composta por mônadas redigidas pela investigadora, bem como por narrativas tanto orais quanto escritas, elaboradas por diferentes formadoras de formadoras. Estas profissionais atuam no terceiro setor, especificamente em programas de formação continuada que resultam de parcerias entre a sociedade civil, fundações/instituições e redes públicas de ensino. As materialidades - incluindo registros orais e escritos - foram produzidas através de interações entre a investigadora e as formadoras, em rodas de conversa presenciais, nas cidades de Salvador, São Paulo e Campinas ao longo do ano de 2019. Além disso, algumas das narrativas escritas foram enviadas por meio de correio eletrônico para a investigadora ou publicadas em uma rede social, em um grupo privado denominado “Comunidade de Práticas de Formadora de Formadoras” (Frauendorf, Prado, 2021).
Ao analisar os textos da coleção de mônadas e as narrativas das formadoras de formadoras, a investigadora estabeleceu conexões, traçou linhas invisíveis que interligavam um registro ao outro, a partir de uma perspectiva situada. Esta perspectiva é marcada por sua identidade como mulher branca, esposa, mãe, filha, professora, formadora, investigadora, narradora, leitora e colecionadora. Partindo do princípio de que as constelações são construções imaginárias humanas, cuja interpretação e significados são atribuídos por quem as observa, variando conforme a época, a cultura e o contexto de quem as lê, a investigadora buscou inventar um mundo possível em interação com outras formadoras. Esse processo levou ao desenvolvimento de uma metodologia de investigaçãoformação narrativa, na qual o valor residia nas experiências e nas narrativas dos cotidianos dessas formadoras de formadoras, visando processos formativos mais humanizados (Freire, 1987), que promovessem o crescimento pessoal, profissional e institucional.
As figuras alegóricas de Walter Benjamin, da colecionadora (colecionador) e da flâneuse (flâneur) (Benjamin, 2015, 2018), foram inspirações significativas para o percurso investigativo empreendido. Compreendemos a figura da colecionadora como aquela que aprecia objetos aparentemente triviais ou desvalorizados, resgatando, da dispersão neste caso, histórias de formadoras de formadoras para colocá-las em diálogo, gerando conhecimento sobre os saberes e fazeres sensíveis dessas profissionais. Já a flâneuse é vista como aquela que se desloca em descompasso com o ritmo acelerado da sociedade contemporânea; uma sociedade consumida pelo fetichismo da mercadoria e pela obsessão com a produtividade como critérios de qualidade. Os movimentos de colecionar e de flânerie levaram a investigadoraformadora a articular as ideias de Walter Benjamin com as reflexões de algumas de suas interlocutoras, como Gagnebin, Galzerani, Koyama e Matos, além de dialogar com autores de diversos campos do conhecimento, tais como Beillerot, Bragança, Ferry, Ginzburg, Imbernon, Kearney, Krenak, Larrosa, Mbembe, Nóvoa, Ribeiro, Sanches, Sampaio, Souza, Sennett, e os documentos inventariados (Frauendorf, Prado, 2022). A força da temática impulsionou a investigação, transcendendo a formulação de uma questão de pesquisa, o que se revelou como um aspecto fundamental da metodologia investigativa adotada.
PERCURSO
[79]4 Entardecer
As estrelas começam a brilhar no firmamento. Por mais que não queira, já vou compondo algumas constelações, fruto de leituras anteriores das narrativas e mônadas. Ao imprimi-las e organizá-las para transportá-las para o espaço que se constituiria em céu noturno, já fui me dando conta da enormidade de relações possíveis entre minhas mônadas, as das formadoras e a literatura acadêmica e literária que fiz nesse processo. Ao desenhar o céu imaginário essas composições iniciais foram ganhando formas. Talvez óbvias demais.
Memórias; livros, leituras e leitoras; Ideias benjaminianas; pretas – branca; cidades, flâneuse; formadora de formadoras: enganos, lições; parcerias; técnica e sensibilidades.
Escura Noite
O sol se pôs! As estrelas brilham e riem. Seguindo o conselho da minha colega de grupo de pesquisa Patricia, preciso deixá-las conversarem, brincarem e eu devo escutá-las. “Preciso entender o que as estrelas tinham a me dizer...”
O que estão a me dizer e que não é tão óbvio assim?
(Renata - 1.ª abr.2021)
Embora desde o início a investigadora tivesse o desejo – fruto de uma intuição – de criar uma coleção de mônadas e narrativas das formadoras de formadoras, com o objetivo de traçar constelações de sentidos e memórias sobre os saberes e práticas sensíveis dessas profissionais da formação continuada, ela não sabia ao certo como materializaria esse desejo ou quais desdobramentos poderiam surgir. Em uma manhã de abril de 2021, aproveitando um momento de sua rotina, ela decidiu espalhar as mônadas e narrativas pelas paredes de uma sala, criando um “céu estrelado” de possibilidades. Inicialmente, ela fez apenas uma disposição preliminar, seguindo a linha imaginária que já havia traçado em seu pensamento. Fotografou o arranjo e se afastou do espaço para prolongar o prazer daquele instante; estava consciente de que, se permanecesse ali, correria o risco de reorganizar as narrativas de forma mais sistemática, possivelmente sucumbindo a uma lógica cartesiana de datas, espaços e temas que poderiam emergir dos textos.
Após escrever a mônada "Do entardecer à escura noite", a investigadora a compartilhou no grupo de pesquisa Nozsoutres/GEPEC/UNICAMP XXX, através do WhatsApp, em busca de interlocutores. Entre os comentários recebidos, a investigadora percebeu que a palavra "óbvio", usada duas vezes na mônada, como em "talvez óbvias demais" e "o que não é tão óbvio assim", havia gerado múltiplas interpretações. Sobre a questão do óbvio, Darcy Ribeiro5 (2019, p. 33) argumenta que
Nosso tema é o óbvio. Acho mesmo que os cientistas trabalham é com o óbvio. O negócio deles –nosso negócio – é lidar com o óbvio. Aparentemente, Deus é muito treteiro, faz as coisas de forma tão recôndita e disfarçada que se precisa desta categoria de gente –os cientistas –para ir tirando os véus, desvendando, a fim de revelar aobviedade do óbvio. O ruim deste procedimento é que parece um jogo sem fim. De fato, só conseguimos desmascarar uma obviedade para descobrir outras, mais óbvias ainda. Para começar, antes de entrar na obviedade educacional – que é nosso tema – vejamos algumas outras obviedades. É óbvio, por exemplo, que todo santo dia o sol nasce, se levanta, dá sua volta pelo céu, e se põe. Sabemos hoje muito bem que isto não é verdade. Mas foi preciso muita astúcia e gana para mostrar que a aurora e o crepúsculo são tretas de Deus. Não é assim? Gerações de sábios passaram por sacrifícios, recordados por todos, porque disseram que Deus estava nos enganando com aquele espetáculo diário. Demonstrar que a coisa não era como parecia, além de muito difícil, foi penoso, todossabemos (grifo nosso).
Durante o encontro de orientação coletiva do grupo de pesquisa, a narrativa foi lida a pedido do coordenador do grupo. Mover a narrativa-imagem "Entardecer - Noite Estrelada" do grupo de WhatsApp para este novo espaço de circulação foi crucial para estimular trocas de ideias e diálogos, além de provocar memórias das experiências pessoais dos participantes com suas próprias imagens do céu noturno. A experimentação com o texto da investigação, as narrativas e as mônadas, dentro de um continuum, se mostrou valiosa para o processo formativo da pesquisa, pois entendemos que é através das perguntas e comentários dos interlocutores, que os pesquisadores têm a oportunidade de aperfeiçoar a maneira de expressar o que desejam comunicar. Este jeito de fazer pesquisa, que contrasta com a noção de um pesquisador isolado, que guarda seus “dados” e descobertas em segredo, permite que, no durante da investigação, nos aproximemos das narrativas de diferentes pesquisadores, ampliando a compreensão dos sujeitos da pesquisa de uma maneira relacional e responsiva ao outro segundo as ideias de Bakhtin, em Estética da Criação Verbal (2003). Esse processo expande as possibilidades de interpretação e produção de sentidos, tecendo-se em uma rede que preserva a singularidade de cada sujeito e contribuição.
Outro ponto a ser destacado na metodologia está na resistência da investigadora em distribuir as narrativas seguindo uma lógica cartesiana referente a datas, espaços, temas, que provavelmente emergiriam dos escritos. Não que essas não pudessem orientar a organização, mas para uma experimentação metodológica de uma investigadora flâneuse o mais coerente seria atentar-se a resíduos, detalhes, que acabam muitas vezes por serem desprezados. Concordamos com Rosa et al. (2011, p. 201) que problematizam que,
A organização linear traz a impressão de ser “natural” por denotar uma ordem aparente. No entanto, tal arranjo exclui outras possibilidades de articulação entre os elementos do vivido, elementos que, embora não estejam contíguos numa visão linear, podem ter outros pontos de contato.
Para tanto para a interpretação dos documentos, ou para desvendar o óbvio (Ribeiro, 2019), a investigadora necessitou aprimorar a capacidade de recuperar, retraçar uma realidade não experimentável diretamente, a partir de informações que aparentemente pouco significavam para alguns estudiosos, como afirma Ginzburg (1989).
[80] Lugar certo
13 de abril recebo uma mensagem do meu irmão dizendo: Rê tinha uma folha sua no chão, eu colei na parede, João disse que tem lugar certo!
Depois de alguns dias eu respondi para meu irmão: passo aí à tarde para ver meus papéis no chão, ok? Ok, ele respondeu, João me falou que caiu tudo ..., mas não pode mexer!
(Renata 1.ª abr.2021)
O despregar de mônadas e narrativas da parede gerou um desvio inesperado no percurso investigativo, pois a investigadora decidiu por redistribuir os documentos, baseando-se na ideia de que as estrelas se moviam. Essa decisão reafirmou sua escolha por experimentar uma forma alternativa de organização das mônadas e narrativas, contrastando com a manutenção de padrões tradicionais, vestígios de uma visão de pesquisa científica positivista e hegemônica.
Essa reorganização favoreceu o movimento da investigadora de flanar pela sala para reencontrar-se com a coleção. A disposição não linear das mônadas e narrativas, aliada à movimentação pelo espaço, envolvendo mente e corpo, permitiu que ela capturasse novos pontos de contato, frutos de pequenos indícios, adotando uma perspectiva decolonial de produção de conhecimento, que reconhece outros sinais na relação humana como constituintes da produção de sentido. Ao integrar razão e emoção com o movimento corporal de deslocar-se fisicamente por um espaço, ou em outras palavras fazer a flânerie, a investigadora pôde encontrar pontos inicialmente não vistos das narrativas, muitas vezes situados nas entrelinhas e nos não ditos (Ginzburg, 1989; Krenak, 2020). Em sua segunda chance, a investigadora flâneuse teve a oportunidade de contemplar, no tempo presente, as novas configurações constelares que surgiram no “céu” de sua investigação. Enquanto vagava pela sala com uma caneta amarela tipo marca- texto e um lápis em mãos, destacava nos textos cada pequeno indício, palavra ou ideia que chamava sua atenção. Com o lápis, anotava nas margens dos documentos fragmentos de pensamentos, comentários preliminares e relações iniciais, ainda inacabadas, que construiu com base em seus conhecimentos, percepções e sensibilidades naquele momento específico. Em seguida, transcreveu esses fragmentos para seu caderno de pesquisa, digitando-os posteriormente em um documento de Word, que foi arquivado em seu inventário, para que, em outra ocasião, pudesse reunir os pontos e desenhar as constelações. Ao observar os destaques feitos nesse primeiro movimento, reconhecemos, principalmente, ações, fazeres, saberes sensíveis da formadora como: “[...] lidar com enfrentamentos; [trazer à tona os desconhecimentos], porque a história dita oficial não fala dos vencidos (Benjamin, 1987); desenvolver um feeling para antecipar problemas; não perder o vínculo [...]” (Frauendorf, 2023, p. 161).
Houve mais dois encontros com a coleção de mônadas e narrativas, impulsionados pela escrita da narrativa da tese e pela necessidade de desenhar novas constelações. Tanto no segundo quanto no terceiro encontro, o "flanar" pelos textos se deu de maneira distinta, pois, embora a investigadora tivesse uma noção prévia do que buscar em termos de conteúdo, ela não sabia de que forma as informações se apresentariam nas mônadas e narrativas. Essa incerteza fez com que ela começasse sua flânerie, em ambos os casos, supondo que haveria pouco a se ver naquela multidão de enunciados.
Abrir-se a trabalhar desse modo com as mônadas e as narrativas em uma investigaçãoformação, fazendo uso de uma racionalidade estética, colaborou muito para a produção de conhecimento sobre os fazeres, os saberes da formadora de formadoras e suas singularidades; também contribuiu para dar a ver possibilidades outras de “tratar” as narrativas, que não fossem seguindo um único padrão de interpretá-las.
Ainda sobre a metodologia narrativa da investigaçãoformação, é fundamental contar sobre o nascimento das narrativasestrelas, que compõem as constelações. Inicialmente a investigadora pensou em se apoiar na explicação ocidental do surgimento de estrelas: assim como as estrelas se formam pela condensação de gases que se aglutinam pela atração gravitacional, também as mônadas e as narrativas se aglutinaram, formando então as narrativasestrelas. No entanto, em busca de coerência com o exercício de integrar outras epistemologias e visões de mundo, a investigadora encontrou diferentes formas de narrar a origem das estrelas.
Na mitologia dos Bororos, um povo indígena do Mato Grosso, as estrelas representam os olhos dos curumins, que brilham no céu enquanto observam seu povo na Terra. Por outro lado, para um povo moçambicano, as estrelas são luzes formadas pelas fagulhas dos panos que uma jovem, consumida pela saudade, queimou para iluminar seu caminho na busca por seu amado.
Inspirada nesse jeito outro de narrar o surgimento das estrelas, apresentamos a seguir como se deu o nascimento das narrativasestrelas desta investigação.
[81] Como surgiram as narrativasestrelas
Em tempos atrás, mônadas e narrativas faziam parte de um certo universo e seguiam lado a lado, de forma distinta. As mônadas contavam das experiências de uma formadora flâneuse de formadoras – autora e investigadora desta tese. As narrativas eram de diferentes formadoras de formadoras, que contribuíram para essa investigação narrando suas experiências em diferentes contextos de trabalho. Essa distinção existia como uma forma de apresentação e organização do pensamento da criadora desse universo e que parecia fazer muito sentido para ela. Um certo dia uma grande nebulosa se formou depois que a criadora do universo distribuiu as mônadas e as narrativas pela parede de uma sala, como se fosse o firmamento. Ao flanar entre mônadas e narrativas impressas em folhas grudadas na parede, começou a ver pontos brilhantes que antes não percebia, e linhas imaginárias foram se formando no seu pensamento sinuoso, difuso e desviante da rota padronizada, pelo qual ela às vezes deixava se levar. Foi assim que surgiram as narrativasestrelas.
(Renata jan. 2023)
Na ciência moderna ou astronomia ocidental, as constelações geralmente recebem um nome em latim e um nome na língua local da região onde são visíveis. Por outro lado, nas culturas indígenas, os nomes das constelações não apenas refletem histórias e ensinamentos, mas também representam elementos do cotidiano desses povos. “O céu indígena mostra a fauna e a flora brasileiras, com desenhos que nos parecem bem mais óbvios do que os leões e centauros das constelações da astronomia ocidental.”6
Para nomear e construir as metáforas das quatro constelações delineadas — Zeferina, Palimpsesto ou Arco e flecha; Tucunaré; Experta e Fortuna — foram adotadas duas formas distintas de produção de conhecimento. Zeferina combina uma figura histórica de relevância negra com um termo grego e um objeto simbólico; Tucunaré evoca elementos do cotidiano da formadora em suas viagens em 2022; Experta utiliza um termo em latim; e Fortuna inspirou-se em narrativas sobre uma deusa da Roma antiga.
Cada constelação é acompanhada por uma imagem alegórica, uma indicação das narrativasestrelas que a compõem, e a identificação da narrativaestrela de brilho mais intenso, além da seção preciosidades. O critério que justificou a qualidade de brilho mais intenso para determinada narrativa foi definido pela investigadora durante o ato de constelar quando o conteúdo ou fragmentos do conteúdo de certa forma “cintilaram” com mais intensidade e indicaram o caminho a seguir na flânerie. Importante dizer que a narrativaestrela não ocupa o lugar de centralidade única de sentido na constelação, até porque uma mesma narrativaestrela se apresenta em diferentes constelações, reafirmando o princípio de que assim como nas constelações é possível reorganizar, redefinir, ressignificar as estrelas.
As narrativasestrelas são apresentadas com um número entre colchetes, relacionado à coleção, ao título e ao nome (fictício ou real) do autor. As mônadas da investigadora são indicadas por seu nome e o número de versões criadas, entre parênteses; as narrativas das formadoras resultam da comunidade virtual ou rodas de conversa. Além disso, cada constelação é introduzida com informações sobre sua visibilidade ideal, oferecendo aos leitores pistas sobre os sentidos que a investigadora atribuiu a cada conjunto de mônadas e narrativas, e suas interconexões. A seção "Preciosidades" destacou descobertas e riquezas que sustentaram a interpretação dos documentos, frequentemente relacionadas ao significado de palavras ou à história das personalidades que nomeiam as constelações. Esses elementos, portanto, compuseram a linha interpretativa do conjunto de mônadas e narrativas exploradas.
Ao todo foram trabalhadas 19 narrativasestrelas, sendo 8 escritas pela investigadora em diferentes espaçostempos, 9 escritas por formadoras de formadoras, que atuaram em programas de formação continuada no contexto de parcerias entre terceiro setor e redes públicas de educação e 2 escritas por formadoras de formadoras que, embora atuassem em contextos semelhantes, optaram por narrar experiências vividas em programas de formação continuada oferecidos pelas redes de ensino que atuavam na época conforme apresentado na tabela 1.
| ID | Narrativaestrela | Autora/Autor | Constelação | Local onde se deu a experiência | Ano de produção |
| 50 | Pretas | Bibiana | Zeferina | SP | 2019 |
| 56 | Zeferina | Renata | Zeferina | BA | 2015 |
| 45 | Branquela | Renata | Zeferina/Fortuna | BA | 2015 |
| 57 | Asa Branca | Renata | Zeferina/ Fortuna | SE | 2019 |
| 53 | Investigadora Flâneuse digital | Renata | Zeferina | SP | 2020 |
| 14 | Saia justa | Wania | Zeferina | SP | 2019 |
| 22 | Presente de corpo e alma | Iluminada | Fortuna | SP | 2020 |
| 08 | Ledo Engano | Renata | Tucunaré/Fortun a | SP | 2014 |
| 39 | Sem título I | Ifemelu | Tucunaré/Fortun a | BA | 2019 |
| 42 | Sem Título II | Akin | Tucunaré | BA | 2019 |
| 02 | Aplicar | Renata | Experta | SP | 2019 |
| 70 | Interrupções | Renata | Experta | SP | 2016 |
| 12 | Leitura pela formadora | Renata | Experta | SP | 2019 |
| 06 | Caminhos e descobertas | Rute | Experta | SP | 2019 |
| 15 | Calma pedagógica | Ilde | Experta | BA | 2019 |
| 24 | Boi na linha | Nelida | Fortuna | BA | 2019 |
| 41 | Sem Título III | Yejide | Fortuna | BA | 2019 |
| 47 | Pingente | Ceu | Fortuna | SP | 2019 |
| 34 | Eu como aprendiz | Clara | Fortuna | SP | 2019 |
DESLOCAMENTOS
Ao revisitar o processo percorrido, percebemos que a metodologia desenvolvida nesta investigaçãoformação incorporou muitas experiências e conhecimentos de outras pesquisadoras, mas não foi preestabelecida nem definida por terceiros para ser seguida. Essa metodologia foi sendo construída a partir de leituras acadêmicas e literárias, da ampliação do entendimento sobre o pensamento de Walter Benjamin e das contribuições de diversos interlocutores, que influenciaram profundamente a maneira de interpretar textos e compreender a vida. Também foi movimentada pelo desejo da investigadora em dialogar com outras epistemologias, especialmente impulsionada pelo "despertar dos sonhos" de branquitude e pela crítica à predominância de um discurso hegemônico como única referência de conhecimento validado e socialmente reconhecido. Essa metodologia buscou transgredir um pensamento dominante na pesquisa que entende o conhecimento como algo universal, pois a investigadora optou por caminhos incertos e desvios, valorizando a exploração do território investigativo sem receio. Apresentando-se, assim, como um registro em constante movimento, vivo e inacabado.
O percurso metodológico foi se construindo ao longo da investigação pela investigadora flâneuse, que se permitiu devanear em seus pensamentos, abordando temas que inicialmente não estavam previstos. Quando algo chamava sua atenção, ela não hesitava em desviar do caminho traçado, seguindo sua intuição em vez do curso esperado. Durante o processo investigativo, a pesquisadora formou-se como investigadora e como formadora de formadoras, pois muitos conhecimentos genuínos foram produzidos. Em "Sombras Curtas (ii) – Imagem do Pensamento" (1987, p. 264), Benjamin afirma que “todo conhecimento deve conter um desvio insignificante de seu curso normal”, indicando que esse conhecimento não se desenvolve de maneira linear, mas sim através de “[...] um salto que se dá em cada um deles. É a marca imperceptível da autenticidade que os distingue de todos os objetivos em série fabricados segundo um padrão.”
Esse agir mais artesanal de modo intencional foi fundamentado pelos sinais reconhecidos pela investigadora na interação com diversos outros e com a materialidade das narrativas, baseando-se em uma epistemologia do diálogo (Bragança, 2009) e na conversa como metodologia de pesquisa (Ribeiro; Souza; Sampaio, 2018). Essas abordagens provocaram mudanças em sua percepção do entorno e do cotidiano profissional das formadoras, reafirmando a importância de validar e reiterar a racionalidade estética na produção de sentidos e conhecimentos (Ginzburg, 1989; Krenak, 2020), especialmente na academia, que muitas vezes se distancia — e até se fecha — para epistemologias que não seguem os padrões de uma cultura hegemônica e até então considerada a única concebível para a produção de conhecimento. Ao flanar por imagens, registros de formação e rodas de conversa — parte do inventário de documentos (Prado, Morais, 2011; Prado et al., 2018; Frauendorf, Prado, 2022) — para desenhar as constelações, a investigadora se deixou guiar por perguntas e provocações que surgiram a partir dos deslocamentos realizados, configurando um outro tipo de insubordinação:
· Para onde pode me(nos) levar o desenho, a observação e a leitura de constelações de mônadas pessoais e narrativas de formadoras de formadoras que atuam no terceiro setor, em programas de formação continuada, fruto de parcerias entre sociedade civil, fundações/instituições e redes públicas de ensino?
· O que constelações de mônadas pessoais e narrativas de formadoras de formadoras, que atuam no terceiro setor, em programas de formação continuada, fruto de parcerias entre sociedade civil, fundações/instituições em redes públicas de ensino, me (nos)conta(m) sobre a profissional da formação continuada?
No ato de constelar, a investigadora aprendeu a ler pistas e desenvolveu um saber de tipo venatório, isto é uma forma de conhecimento intuitivo e interpretativo, baseado na capacidade de perceber e interpretar pequenos indícios que, juntos, constroem uma compreensão mais profunda e detalhada de um fenômeno ou situação (Ginzburg, 1989). Encontrou também novos jeitos para interpretar as experiências vividas por formadoras de formadoras em seus cotidianos, compreendendo ser possível organizá-las de forma arbitrária, ao observar uma diversidade de significados. As constelações foram nomeadas a partir de princípios tanto da astronomia ocidental quanto da etnoastronomia e foram compostas por uma imagem alegórica e por narrativasestrelas, que pudessem deslocar as percepções e sensibilidades dos leitores. As narrativas revelaram muito sobre a atuação das profissionais de formação continuada, seus contextos de trabalho marcados por uma filantropia do tipo capitalista (Adrião, 2018) e as interpretações da investigadora flâneuse. As escolhas feitas por ela refletem não apenas sua capacidade de estabelecer conexões e generalizações, mas também sua habilidade em priorizar singularidades, criando uma marca distintiva em seu modo de pensar e elaborar constatações conforme representado na figura 1.
Para definir o nome da constelação e a imagem alegórica correspondente, a investigadora precisou adotar um exercício de distanciamento crítico em relação ao texto, de modo a capturar a essência da narrativa. Esse processo visou sintetizar e extrair o "cristal do acontecimento" (Galzerani, 2009), comunicando os saberes sensíveis da formadora de formadoras.
A constelação "Zeferina, Palimpsesto ou Arco e Flecha" problematizou o papel da formadora de formadoras, denunciando tanto a escassez de formadoras negras e pardas no contexto da formação continuada quanto a lógica mercadológica que prioriza retornos rápidos sobre investimentos, tendência observada em muitos programas de formação continuada atuais. "Tucunaré" fez uma ironia à imagem da formadora de formadoras, que é entendida como a detentora de todo o conhecimento, sempre no controle e imune ao erro. Já "Experta" explorou criticamente o uso de termos como "aplicar", "parceria" e "expertise" no contexto da filantropia capitalista, examinando a relação entre fundações, organizações da sociedade civil e o sistema público de ensino. Essa constelação também problematizou a naturalização de um modelo tecnicista e aplicacionista de formação continuada, visto como um sinal de modernidade e produtividade. Por fim, "Fortuna" abordou os (de)efeitos dessas propostas formativas através da leitura e interpretação de manifestações corporais e dos indícios presentes nos enunciados dos participantes.
A leitura sensível dos documentos inventariados e o processo de desenhar as quatro constelações revelaram que o que persiste dos processos formativos são cacos e fragmentos, e não uma totalidade. Isso indica a necessidade de ir além do que é aparente ou diretamente observável, para reconhecer contribuições outras do que se viu e estudou na formação continuada. Observamos também a importância de valorizar o olhar e a escuta atenta para identificar, capturar e interpretar os silêncios, os enunciados orais e escritos, e os modos de agir, de forma a reconhecer, em camadas mais profundas, "conquistas" que nem sempre são quantificáveis ou mensuráveis matematicamente, tanto no trabalho da formadora quanto no da investigadora.
As experimentações metodológicas desenvolvidas na investigaçãoformação nos levaram a reconhecer que o conhecimento não reside apenas nas zonas iluminadas e evidentes e nem tem um centro único de significado. Estar atenta a outras configurações da realidade, como as zonas escuras ou de penumbra, também pode proporcionar grandes aprendizados. Para isso, foi necessário como investigadora flâneuse desenvolver a capacidade de ler e interpretar o que não é visível ou audível.
Em suma, toda a experimentação e interpretação realizadas na investigaçãoformação narrativa produziram conhecimentos singulares e potentes, socialmente referenciados e historicamente situados sobre a experiência de ser formadora de formadoras no Brasil contemporâneo, especialmente a partir de Campinas - SP, em meio ao entrecruzamento das redes públicas e instituições privadas de formação. A metodologia de investigação mostrou-se coerente com a proposta de refletir e realizar pesquisa em diálogo com outras culturas e modos de produzir conhecimento, mais próximos de uma racionalidade estética que une razão e emoção.
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