<?xml version="1.0" encoding="utf-8"?>
<!DOCTYPE article
  PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Publishing DTD v1.0 20120330//EN" "http://jats.nlm.nih.gov/publishing/1.0/JATS-journalpublishing1.dtd">
<article article-type="research-article" dtd-version="1.0" specific-use="sps-1.8" xml:lang="pt" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink">
    <front>
        <journal-meta>
            <journal-id journal-id-type="publisher-id">ct</journal-id>
            <journal-title-group>
                <journal-title>Cadernos de Tradução</journal-title>
                <abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Cad. Trad.</abbrev-journal-title>
            </journal-title-group>
            <issn pub-type="ppub">1414-526X</issn>
            <issn pub-type="epub">2175-7968</issn>
            <publisher>
                <publisher-name>Universidade Federal de Santa Catarina</publisher-name>
            </publisher>
        </journal-meta>
        <article-meta>
            <article-id pub-id-type="doi">10.5007/2175-7968.2024.e102032</article-id>
            <article-id pub-id-type="publisher-id">00002</article-id>
            <article-categories>
                <subj-group subj-group-type="heading">
                    <subject>Artigo</subject>
                </subj-group>
            </article-categories>
            <title-group>
                <article-title>Joseph Benoliel e a língua de Camões: translinguismo como prá- tica literária e epistemológica</article-title>
                <trans-title-group xml:lang="en">
                    <trans-title>Joseph Benoliel and the language of Camões: translingualism as a literary and epistemological practice</trans-title>
                </trans-title-group>
            </title-group>
            <contrib-group>
                <contrib contrib-type="author">
                    <contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0002-2043-619X</contrib-id>
                    <name>
                        <surname>Pinto</surname>
                        <given-names>Marta Pacheco</given-names>
                    </name>
                    <role>Concepção e elaboração do manuscrito</role>
                    <role>Coleta de dados</role>
                    <role>Análise de dados</role>
                    <role>Discussão dos resultados</role>
                    <role>Revisão e aprovação</role>
                    <xref ref-type="aff" rid="aff01"/>
                </contrib>
            </contrib-group>
            <aff id="aff01">
                <institution content-type="normalized">Universidade de Lisboa</institution>
                <addr-line>
                    <named-content content-type="city">Lisboa</named-content>
                </addr-line>
                <country country="PT">Portugal</country>
                <email>mpinto6@edu.ulisboa.pt</email>
                <institution content-type="original">Universidade de Lisboa. Lisboa, Portugal. mpinto6@edu.ulisboa.pt</institution>
            </aff>
            <author-notes>
                <fn fn-type="conflict">
                    <label>Conflito de interesses</label>
                    <p>Não se aplica.</p>
                </fn>
                <fn fn-type="edited-by">
                    <label>Editores</label>
                    <p>Andrea Ragusa</p>
                    <p>Alice Girotto</p>
                </fn>
                <fn fn-type="edited-by">
                    <label>Editores de seção</label>
                    <p>Andréia Guerini - Ingrid Bignardi</p>
                </fn>
            </author-notes>
            <!--<pub-date publication-format="electronic" date-type="pub">
                <day>0</day>
                <month>0</month>
                <year>2024</year>
            </pub-date>
            <pub-date publication-format="electronic" date-type="collection">
                <year>2024</year>
            </pub-date>-->
            <pub-date pub-type="epub-ppub">
                <year>2024</year>
            </pub-date>
            <volume>44</volume>
            <issue>3</issue>
            <supplement>Esp.</supplement>
            <elocation-id>e102032</elocation-id>
            <history>
                <date date-type="received">
                    <day>06</day>
                    <month>07</month>
                    <year>2024</year>
                </date>
                <date date-type="accepted">
                    <day>20</day>
                    <month>08</month>
                    <year>2024</year>
                </date>
                <date date-type="rev-recd">
                    <day>10</day>
                    <month>09</month>
                    <year>2024</year>
                </date>
                <date date-type="pub">
                    <day>01</day>
                    <month>09</month>
                    <year>2024</year>
                </date>
            </history>
            <permissions>
                <license license-type="open-access" xlink:href="http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/" xml:lang="pt">
                    <license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto (<italic>Open Access</italic>) sob a licença <italic>Creative Commons Attribution</italic>, que permite uso, distribuição e reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que o trabalho original seja corretamente citado.</license-p>
                </license>
            </permissions>
            <abstract>
                <title>Resumo</title>
                <p>Joseph, ou José, Benoliel (1857–1937) foi um poeta, tradutor e orientalista natural de Tânger que se estabeleceu em Portugal por volta de 1881. Judeu de origem sefardita, distinguiu-se como hebraísta e arabista; escreveu em português, espanhol, francês e hebraico, traduziu de e para português e sociabilizou com a intelectualidade portuguesa de viragem do século, que serviu com as suas competências linguísticas. Neste ensaio, mapeiam-se as práticas de translinguismo (Kellman, 2020), tanto literário como académico-científico, deste migrante poliglota. Essas práticas incluem a criação autoral, diretamente em diferentes línguas, a tradução e também a consultoria, ou assessoria, linguística. Neste exercício de mapeamento, identificar-se-ão as redes de colaboração interpessoais e de diálogo intelectual construídas em e também a partir de Portugal, as quais potenciaram a consolidação do poliglota translingue.</p>
            </abstract>
            <trans-abstract xml:lang="en">
                <title>Abstract</title>
                <p>Joseph, or José, Benoliel (1857–1937) was a poet, translator and orientalist from Tangier who settled in Portugal around 1881. A Jew of Sephardic origin, he distinguished himself as a Hebraist and an Arabist. He wrote in Portuguese, Spanish, French and Hebrew, translated from and into Portuguese, and he socialised with the Portuguese intelligentsia at the turn of the century, assisting them with his linguistic skills. This essay intends to map the translingual practices (Kellman, 2020), both literary and academic-scientific, of this polyglot migrant. These practices include authorial creation directly in different languages, translation, and linguistic consultancy. This mapping exercise will help identify Benoliel’s networks of interpersonal collaboration and intellectual dialogue built in and also from Portugal, which have promoted the consolidation of the translingual polyglot.</p>
            </trans-abstract>
            <kwd-group xml:lang="pt">
                <title>Palavras-chave</title>
                <kwd>Translinguismo</kwd>
                <kwd>micro-história de tradutor</kwd>
                <kwd>autoria</kwd>
                <kwd>tradução</kwd>
                <kwd>consultoria</kwd>
            </kwd-group>
            <kwd-group xml:lang="en">
                <title>Keywords</title>
                <kwd>Translingualism</kwd>
                <kwd>micro-history of translator</kwd>
                <kwd>authorship</kwd>
                <kwd>translation</kwd>
                <kwd>consultancy</kwd>
            </kwd-group>
            <funding-group>
                <award-group>
                    <funding-source>Fundação para a Ciência e a Tecnologia</funding-source>
                    <award-id>PTDC/CPC-CMP/0398/2014</award-id>
                </award-group>
                <funding-statement>Parte da investigação que aqui se apresenta foi financiada pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia entre 2016 e 2019 no âmbito do Projeto 3599 – Promover a Produção Científica, o Desenvolvimento Tecnológico e a Inovação – Não Co-financiada (PTDC/CPC-CMP/0398/2014).</funding-statement>
            </funding-group>
            <counts>
                <fig-count count="0"/>
                <table-count count="0"/>
                <equation-count count="0"/>
                <ref-count count="68"/>
            </counts>
        </article-meta>
    </front>
    <body>
        <sec sec-type="intro">
            <title>1. Introdução</title>
            <p>Fenómenos literários como a escrita multilíngue ou a exofónica, a autotradução ou o translinguismo ganharam particular visibilidade como objetos de investigação desde as primeiras décadas do século XXI. É o fenómeno do translinguismo, conceito apurado por <xref ref-type="bibr" rid="B39">Steven Kellman (2000</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B40">2020</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B41">2022)</xref>, que aqui se discute com base no estudo de caso do lusófilo Joseph, ou José, Benoliel (1857-1937). Poeta, tradutor e orientalista natural de Tânger, Benoliel estabeleceu-se em Portugal por volta de 1881 e, mais tarde, naturalizou-se português.</p>
            <p>Enquanto forma distinta de multilinguismo, o translinguismo pode ser definido, de acordo com Kellman, que o discute de uma perspetiva estritamente literária, como uma prática de escrita em mais do que uma língua ou numa língua além daquela em que se é nativo: “[T]he practice of writing in more than one language or in a language other than one’s native tongue” (2020, p. viii). Esta noção pode ser estendida a outras modalidades de escrita, nomeadamente à ensaística ou ao texto académico-científico, quando produzidas em mais do que uma língua pelo mesmo autor. Deste ponto de vista, o translinguismo pode promover a pertença simultânea a sistemas epistémicos ou académicos distintos. Enquanto prática de escrita em mais do que uma língua, o translinguismo acolhe também a prática de tradução e, naturalmente, a de autotradução. Pressupõe, assim, um escritor que seja, pelo menos, bilíngue, e essa é uma condição que normalmente se associa a indivíduos oriundos de sociedades bi- ou multiculturais ou a sujeitos migrantes, como o foi Benoliel.</p>
            <p><xref ref-type="bibr" rid="B40">Kellman (2020)</xref> explora o conceito sobretudo a partir de micro-histórias de autores, tradutores e autotradutores. A micro-história, enquanto metodologia historiográfica introduzida nos anos de 1980 por Carlo Ginzburg, é entendida, no âmbito dos estudos de tradução, como uma abordagem focada, por um lado, na especificidade histórica e, por outro, na agência – individual ou coletiva – que seja considerada representativa de uma determinada prática ou fenómeno de tradução (<xref ref-type="bibr" rid="B68">Wakabayashi, 2018</xref>, p. 251). Ancora-se, portanto, em experiências e contributos individuais, ou colaborativos, que permitam endereçar questões ou temas mais abrangentes (p. 252), neste caso o translinguismo no Portugal finissecular e de viragem do século XIX para o século XX. É esta linha de investigação histórica que Jeremy <xref ref-type="bibr" rid="B45">Munday (2014)</xref> percorre quando apoia a produção de micro-histórias de tradutores no estudo dos seus arquivos, epistolário, entrevistas, testemunhos e outros materiais documentais (como, por exemplo, diários ou até contratos). É também esta a abordagem que se segue no presente estudo de tradutor (<xref ref-type="bibr" rid="B32">Chesterman, 2009</xref>).</p>
            <p>Neste ensaio, pretende-se mapear as práticas de translinguismo de Benoliel fomentadas a partir de Portugal e entrosadas com a língua portuguesa, as quais são indissociáveis do seu trajeto profissional (biografia) e lhe permitiram sociabilizar com e além da intelectualidade portuguesa, ao mesmo tempo que expõem o poliglotismo que, como se verá, marca vários projetos editoriais no Portugal de fim de século. Para isso, procedeu-se ao levantamento dos trabalhos que Benoliel deixou publicados e, num segundo momento, organizaram-se em tipologias de escrita os materiais resultantes desse levantamento bibliográfico, os quais se descrevem para validar a categorização proposta e se comentam, quando relevante, a partir de trabalho de pesquisa arquivística. Concilia-se uma macro e micro-análise desses materiais, dividindo o estudo em quatro secções: na primeira, apresenta-se uma biografia sumária de Benoliel, que dá conta das suas redes de relacionamento interpessoal; as secções seguintes correspondem, respetivamente, a cada uma das práticas de translinguismo identificadas – Benoliel autor, Benoliel tradutor e Benoliel consultor linguístico.</p>
        </sec>
        <sec>
            <title>2. Joseph Benoliel<xref ref-type="fn" rid="fn01">1</xref></title>
            <p>Judeu de origem sefardita e, portanto, descendente da diáspora judaica ibérica da primeira modernidade, Joseph Benoliel foi educado como membro da comunidade de judeus espanhóis radicados em Marrocos. O espanhol e o hebraico foram as línguas que aprendeu desde tenra idade, iniciando-se no árabe vulgar nas ruas de Marrocos. Fez a sua formação em França, na École normale israélite orientale, aprofundando os seus conhecimentos de língua francesa e estudando com afinco a Bíblia. Os seus interesses bíblicos encontraram natural respaldo na sua fluência em hebraico. Integrando, pouco depois, a rede de escolas da Aliança Israelita, Benoliel lecionou em vários pontos do Médio Oriente – Jafa (Israel) em 1876, Palestina, onde terá treinado as suas competências em árabe vulgar, regressando a Tânger e Mogador (atual Essaouira). Motivos de saúde – paludismo (<xref ref-type="bibr" rid="B28">Benoliel, 1961</xref>, p. 6) – levá-lo-iam, porém, a fixar-se em Lisboa, onde aprende a língua de Camões e consolida um percurso profissional assente na sua própria condição de <italic>émigré</italic>, ou seja, fazendo uso das suas competências linguísticas não apenas como capital linguístico-simbólico, mas como capital de facto através da sua vinculação ao ensino. É em Portugal que desenvolve a maior parte da sua atividade de escrita e constrói as suas redes de trabalho e de diálogo intelectual.</p>
            <p>Decorrentes desta experiência migrante, as suas práticas de escrita evidenciam, como se verá de seguida, através da sua genealogia intelectual, a consolidação, por um lado, de uma identidade ibérica e, por outro, da sua prática filológica – que <xref ref-type="bibr" rid="B53">Luís Prista e Cristina Albino</xref>, no seu mapa dos filólogos portugueses finisseculares de 1868 a 1943, situam no âmbito dos estudos hebraicos (1996, p. 141-142)<xref ref-type="fn" rid="fn02">2</xref>.</p>
            <p>Nos círculos intelectuais e académicos nacionais, Benoliel distinguiu-se não apenas como hebraísta, mas também como arabista. Terá começado por ensinar no Liceu Nacional de Lisboa árabe e hebraico, duas línguas semíticas que não gozavam de particular popularidade junto do governo português, pelo menos até à primeira década do século XX. Entre 1888 e 1891, Benoliel foi responsável, a título voluntário, pela criação de um curso livre de língua hebraica no então Curso Superior de Letras e, mais ou menos no mesmo período, da cadeira de Árabe Vulgar na Academia de Estudos Livres<xref ref-type="fn" rid="fn03">3</xref>. A Academia estava formalmente associada à Escola Industrial Marquês de Pombal, onde, por sua vez, Benoliel ensinava francês desde 1888. A 23 de maio de 1889, Benoliel naturaliza-se português<xref ref-type="fn" rid="fn04">4</xref>.</p>
            <p>Terá sido no Curso Superior de Letras que Benoliel trava conhecimento com o linguista Gonçalves Viana (1840-1914), o sanscritista Guilherme de Vasconcelos Abreu (1842-1907) e o filólogo Francisco Adolfo Coelho (1847-1919). Muito provavelmente data também daí a origem do contacto com Teófilo Braga (1843-1924), ora não fosse Braga membro do conselho que autorizou a realização do curso livre de Hebraico naquela instituição (<xref ref-type="bibr" rid="B59">Silva, 2022</xref>). Ter-se-ão cruzado igualmente na Academia de Estudos Livres, espaço que acolhia “diversos cursos de linguas, sciencias e artes” dinamizados por “notaveis professores”, entre os quais, além de Benoliel, se contavam Teófilo Braga, Adolfo Coelho e o também sefardita e tradutor Salomão Saragga (1842-1900), membro do afamado grupo do Cenáculo (<xref ref-type="bibr" rid="B50">Pereira e Rodrigues, 1904</xref>, p. 38).</p>
            <p>Parecem hoje inegáveis as ambições universitárias de Benoliel, que, porém, viu goradas. Na sequência da constituição da Faculdade de Letras em 1911, a qual sucedeu ao Curso Superior de Letras, e com a previsão de anexação dos cursos de Sânscrito, Hebreu e Árabe à Faculdade, solicitou Benoliel ao ministro dos Negócios Estrangeiros que este se dignasse atribuir-lhe, sem concurso, a cadeira de Hebraico na Faculdade de Letras de Lisboa (<xref ref-type="bibr" rid="B24">Benoliel, 1911</xref>). A carta data de 02 de agosto de 1911 e é seu destinatário Bernardino Machado, que desde 1890 presidia à Academia de Estudos Livres e para quem, portanto, Benoliel não era um desconhecido. Apenas a cadeira de Árabe veio a ser efetivamente criada e entretanto atribuída a David Lopes (1867-1942), que a assume em 1914. Anos antes, Benoliel teria seguido estratégia semelhante junto do bem posicionado arquiteto da Casa Real, Possidónio Narciso da Silva (1806-1896), ao tentar obter parecer favorável para o desempenho das funções de lente no Curso Superior de Letras, como se infere do conteúdo de uma missiva preservada no fundo Possidónio Narciso da Silva no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, em Lisboa. Embora a carta não esteja datada nem assinada, pelas informações que nela se explicitam terá sido escrita entre 1892 e 1896; nela diz Benoliel ser</p>
            <p><disp-quote>
                    <p>possuidor de varias linguas semiticas, arabe, hebraico, chaldaico e syriaco.</p>
                    <p>Leccionei o hebraico durante tres annos gratuitamente no Curso Superior de Lettras, y o Arabe na Academia de Estudos Livres. Publiquei a traducção em versos hebraicos do Episodio de Ines de Castro, dedicando esta obra á S. M. a Rainha D. Amelia; y a imitação em versos igualmente hebraicos das Fabulas arabes de Lokman, assim como varios outros trabalhos analogos em hebraico ou em arabe.</p>
                    <p>Em dezembro passado, foram creadas por Decreto duas cadeiras de linguas cafreas. Pedi então que uma das duas cadeiras fosse destinada áquellas linguas e a outra ás linguas semiticas, com especialidade, o Arabe que tão necessario é para os Portuguezes.</p>
                    <p>Não fui porém attendido ainda, e pelo que acabamos de falar, lembro-me que V. Ex.ª poderia muito contribuir para a realisação d’este meu favor ás Suas Magistades, cuja influencia me parece a unica para mover o João Franco a consentir na creação d’uma cadeira tão necessaria</p>
                <attrib>(<xref ref-type="bibr" rid="B04">Benoliel, s.d.</xref>).</attrib>
                </disp-quote></p>
            <p>Além de testemunhar as suas aspirações académicas, esta missiva vale igualmente como testemunho da sua fluência em língua portuguesa, com interferência muito pontual do espanhol (“y”). O dinamismo intelectual de Benoliel valeu-lhe, sim, a admissão como membro das principais instituições científicas nacionais da época, nomeadamente a Sociedade de Geografia de Lisboa (1894), o Instituto de Coimbra (1903) e a Sociedade Camoniana, esta criada em 1880 em homenagem ao poeta épico que Benoliel admirava. Também a sua colaboração próxima com a academia espanhola veio a traduzir-se na sua admissão como membro correspondente da Real Academia Española, o que acontece a 28 de fevereiro de 1907 (<xref ref-type="bibr" rid="B46">Muñoz Solla, 2021</xref>, p. 275). Notabiliza-se, a partir da primeira década do século XX, no estudo do dialeto judeu-espanhol de Marrocos, o chamado <italic>haquitia</italic> ou língua ladina, no qual é ainda hoje considerado uma autoridade.</p>
            <p>Benoliel foi membro ativo da Comunidade Israelita de Lisboa, fundada a 04 de junho de 1911, de cuja direção fez parte entre 1912 e 1916. Pouco tempo depois, em 1921, após um ciclo de 40 anos a viver em Portugal, retorna à pátria marroquina e ali permanece até à morte, em 1937. Durante este período, terá sido cônsul de Portugal em al-Qasr al-Kabir; presidiu à Comunidade Judaica de Tânger e apoiou a criação do Seminário Rabínico em Marrocos.</p>
            <p>Com base neste percurso, apura-se que, em matéria linguística, Benoliel fez uso do português, do espanhol, do francês, do hebraico e do árabe. O que a seguir se propõe é um exercício de mapeamento das suas práticas de translinguismo que podem, <italic>grosso modo</italic>, ser divididas em três categorias: a escrita autoral (original) em diversas línguas que são evidência inequívoca do seu poliglotismo; a tradução; e a consultoria ou assessoria linguística. Através destas práticas aprofundam-se as redes de colaboração interpessoais e de diálogo intelectual que Benoliel construiu e fomentou tanto em como a partir de Portugal, as quais potenciaram a consolidação do poliglota translingue. Desde logo se faz notar que as fronteiras entre estas atividades de escrita translingue são porosas, nem sempre sendo possível determinar onde começa e acaba cada uma.</p>
        </sec>
        <sec>
            <title>3. Benoliel autor</title>
            <p>Enquanto autor de obra própria, Benoliel sobressai pela sua poesia, que escreveu sobretudo em português, mas também em francês, hebraico e espanhol, sem descurar a sua prática pedagógica, ensaística e investigativa disseminada nas línguas europeias que dominava.</p>
            <p>Tanto <italic>Pretidão de amor</italic> (1893-1895) como <italic>Echos da solidão</italic> (1897) constituem florilégios de homenagem a três temas que foram centrais na obra literária e intelectual de Benoliel, a saber – a Bíblia, <italic>Os Lusíadas</italic> e a poesia árabe. Benoliel participa em <italic>Pretidão de amor</italic> como poeta e também tradutor; a obra é fruto da iniciativa de Xavier da Cunha (1840-1920), então segundo conservador da Biblioteca Nacional, com quem Benoliel cimenta profunda amizade e colabora em diversos projetos literários. O seu poema de homenagem ao bardo nacional, uma parábola a Bárbara escrava sob o título jocoso “A barba rapada”, é, neste florilégio, enriquecido com traduções de sua autoria do poema camoniano para francês, espanhol e hebraico, sobre as quais me deterei na próxima secção deste ensaio. Já a sua recolha poética <italic>Echos da solidão</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B14">Benoliel, 1897c</xref>), produzida em memória de João de Deus<xref ref-type="fn" rid="fn05">5</xref>, celebra tanto este poeta como dois heróis da epopeia nacional, de novo Camões, incluindo, na secção que lhe consagra, o poema novo e sério “A Barbara-Captiva” (<xref ref-type="bibr" rid="B14">1897c</xref>, p. 51), dedicado a Xavier da Cunha, e Vasco da Gama.</p>
            <p>Em vésperas de comemoração do quarto centenário da descoberta do caminho marítimo para a Índia, uma resenha pela redação da revista <italic>O Occidente</italic> acolhe favoravelmente o último livro, de que se oferece, para leitura, as três primeiras partes do poemeto “Vasco da Gama” (<xref ref-type="bibr" rid="B16">1898a</xref>, p. 30-31), que é consagrado ao conselheiro Luciano Cordeiro (1844-1900) e faz a apologia saudosa do Portugal de Quinhentos. <italic>Echos da solidão</italic> é descrito, na resenha, como uma “luxuosa edição” patrocinada pelo “benemerito e illustre camoeanista sr. Dr. Carvalho Monteiro” (1848-1920) e faz-se notar, no poemeto, “em alguns dos seus passos um estranho sabor, em ressaibo de cantiga de cancioneiro, como de melopedica xacara; de um notavel vigor epico como n’outros passos” (<xref ref-type="bibr" rid="B47">[O Ocidente], 1898</xref>, p. 32). A referência ao cancioneiro não deixa de relembrar o romance peninsular que o próprio Benoliel revisitaria no início do século XX, como adiante se verá. O poemeto (completo) tem publicação avulsa em 1898, sendo precedido de “Preludios”, em seis estrofes, por Xavier da Cunha. O português predomina como língua de composição das poesias de <italic>Echos da solidão</italic>, a que se juntam, porém, uma composição em francês e outra em espanhol. As duas secções finais, “Traducções biblicas” e “Traducções de poesias arabes”, contêm respetivamente traduções em português do hebraico e do árabe. As traduções dos provérbios de Salomão são singularizadas na resenha d’<italic>O Occidente</italic> como possuindo “inestimavel valor pelo seu conceito tão delicadamente traduzido” (p. 32).</p>
            <p>Estas escolhas tanto temáticas como de género por parte de Benoliel confirmam-no como membro da comunidade literária nacional, cultivando o português como língua de criação literária. Enquanto professor de línguas foi ao ensino da língua francesa que Benoliel dedicou mais anos da sua vida, num país já de si fortemente influenciado pelo “modelo cultural francês” (<xref ref-type="bibr" rid="B55">Ragusa, 2022</xref>, p. 147). O primeiro trabalho que publica em território luso, em edição de autor de 1886, é uma gramática monolíngue de francês. Dedica-a a S.-H. Goldschmidt, presidente da Alliance israélite universelle entre 1881<xref ref-type="bibr" rid="B47"> [O Ocidente] 1898</xref>. Uma década mais tarde, e em conformidade com a fluência entretanto adquirida em português, Benoliel produz materiais pedagógicos bilíngues direcionados especificamente para estudantes portugueses que estivessem a aprender aquela língua, em clara sintonia com o magistério que exercia na Escola Industrial Marquês de Pombal (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Benoliel, 1898b</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B18">1898c</xref><xref ref-type="fn" rid="fn06">6</xref>).</p>
            <p>Escreveu ensaios celebrativos da épica camoniana, como “Pretidão de amor” (<xref ref-type="bibr" rid="B15">1897d</xref>), em que partilha a sua leitura do poema “Endechas a Bárbara escrava”, ou <italic>Episodio do Gigante Adamastor – Estudo critico</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B19">1898d</xref>). Neste testemunho, Benoliel cruza três fontes que, a seu ver, teriam estado na origem do episódio de Adamastor, nomeadamente a fonte bíblica, a mitologia grega e um conto árabe, o “Conto do pescador”, proveniente das <italic>Mil e uma noites</italic>. A validade científica deste estudo é posta em causa por K. David <xref ref-type="bibr" rid="B38">Jackson (2018)</xref>:</p>
            <p><disp-quote>
                    <p>Para o leitor de hoje [século XXI], o valor do ensaio de Benoliel resta na tentativa de incluir o Camões num texto de <italic>world literature</italic>, atestando a uma maior circulação de temas e motivos entre as literaturas. Mas a comparação, embora original, é fraca e sem fundamentos, longe do levantamento do renascentista David Quint, no estudo “Voices of Resistance: The Epic Curse and Camoes’ Adamastor” (1989).</p>
                    <p>[...] [Vale] o desejo de fazer do Camões, celebrado “porta-voz da civilização”, um veículo do saber do Oriente e, como [Benoliel], mais um viajante e investigador orientalista.</p>
                </disp-quote></p>
            <p>O ensaio é claramente de elogio a Camões, seguindo uma série de expedientes retóricos e discursivos literarizantes e, portanto, distantes de um paradigma de escrita mais científica. O culto de Camões, que marca parte significativa da obra de Benoliel, mostra-o contagiado por uma narrativa sobre a identidade cultural portuguesa construída em torno da aventura marítima, a qual, como relembra Alexandre Valentim, foi “momento fundador da missão de Portugal no mundo” (<xref ref-type="bibr" rid="B60">2006</xref>, para. 33). Participa assim num programa comemorativo de um Portugal que, em fim de século, lida com a constatação não apenas do fim do império sonhado, mas também da sua situação de país atrasado no âmbito da modernidade europeia. O seu contágio pelo amor pátrio não pode deixar de ser equacionado à luz de um hipotético sentimento de gratidão pela comunidade que o acolheu. Além do clássico camoniano, o poeta intelectual dissertou sobre a Bíblia (<xref ref-type="bibr" rid="B12">Benoliel, 1897a</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B13">1897b</xref>) e escreveu poesia, em francês, de explícita inspiração bíblica (<xref ref-type="bibr" rid="B26">Benoliel, 1918</xref>).</p>
            <p>Desenvolveu aturado trabalho filológico no âmbito do <italic>haquitia</italic>, uma língua de base lexical espanhola, que mescla as línguas hebraica e árabe e surge em Marrocos por via dos judeus expulsos da Península Ibérica no século XV. Este seu interesse dialetal decorre da colaboração que inicia por volta de 1904 com o filólogo e historiador espanhol Ramón Menéndez Pidal (1869-1968), que tinha então em curso o seu ambicioso projeto de constituição de um romanceiro hispânico, de que a tradição judio-espanhola é componente importante. Benoliel terá intermediado o contacto de Menéndez Pidal com várias comunidades sefarditas tanto em Tânger como em Lisboa, e ambos mantiveram intensa troca epistolar entre 1904 e 1913 (<xref ref-type="bibr" rid="B03">Armistead, 1977-1978</xref>, p. 31-32). Disponível no Archivo Menéndez Pidal, em Madrid, esse romanceiro teve um período de recolha documental de aproximadamente 60 anos – entre 1896 e 1957 (p. 34) – e daí resultou a criação de um <italic>corpus</italic> de cerca de 2.150 textos, o qual é considerado a coleção “mais rica” e “mais copiosa” de poesia tradicional espanhola de origem sefardita (<xref ref-type="bibr" rid="B02">Armistead, 1977</xref>, p. 205; tradução minha). Benoliel terá contribuído com cerca de 150 textos de tradição oral<xref ref-type="fn" rid="fn07">7</xref>, uns obtidos diretamente através de trabalho de campo em Tânger, outros através da sua memória oral e de informantes que com ele se correspondiam. Remetia esses textos por carta de Lisboa para Madrid, fazendo-os acompanhar da anotação de variantes e complementando-os com traduções, observações e correções suas (<xref ref-type="bibr" rid="B31">Catalán, 2010</xref>). Benoliel viabilizou assim a publicação do <italic>Catálogo del romancero judío-español</italic> em 1906-1907<xref ref-type="fn" rid="fn08">8</xref>. Esta colaboração profícua com a academia espanhola valeu-lhe a recuperação da sua identidade espanhola, ao ser epitetado como “israelita espanhol domiciliado em Lisboa” (<xref ref-type="bibr" rid="B37">Fernández Pulido, 1905</xref>, p. 53; tradução minha).</p>
            <p>Os primeiros materiais resultantes da recolha de Benoliel estiveram na origem do artigo que preparou juntamente com Menéndez Pidal logo em 1905, “Endecha de los judíos españoles de Tánger”<xref ref-type="fn" rid="fn09">9</xref>. Neste artigo, o reputado filólogo espanhol atesta a credibilidade de Benoliel como grande conhecedor da poesia tradicional judio-tangerina, dado que a “conhece melhor do que ninguém” (1905, p. 129; tradução minha). Foi sob o impulso de Menéndez Pidal que Benoliel aprofundou o estudo do dialeto <italic>haquitia</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B36">Fernández Martín, 2020</xref>, p. 33), sendo creditado como o autor da primeira e da mais completa descrição formal desta língua (<xref ref-type="bibr" rid="B67">Vicente, 2011</xref>, p. 64). Descreveu-a do ponto de vista fonológico, morfológico, gramatical e lexical, constituindo inclusive um glossário com cerca de 4.500 entradas, com tradução ou explicação em espanhol (<xref ref-type="bibr" rid="B29">Benoliel, 1977</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B36">Fernández Martin, 2020</xref>, p. 35). A memória lexical portuguesa não está, porém, completamente ausente do seu estudo de índole comparativa, até porque, como relembra <xref ref-type="bibr" rid="B64">Telmo Verdelho</xref>, o “convívio interlinguístico do português e do hebraico, durante a Idade Média, foi certamente importante” (2008, p. 35). Benoliel argumenta, a partir de exemplos extraídos tanto de Cervantes como de Gil Vicente (nomeadamente <italic>Farsa de Inês Pereira</italic> e <italic>Diálogo sobre a ressurreição</italic>), que a língua ladina já estaria em uso pelas comunidades judaicas espanhola e portuguesa antes de terem sido expulsas da Península (1928, p. 210).</p>
            <p>Aquando da publicação destes trabalhos mais robustos em torno do <italic>haquitia</italic>, Benoliel estava de volta a Tânger e mais comprometido com o revivalismo da cultura judaica e com a dinamização da comunidade sefardita.</p>
            <p>De acordo com Gladys <xref ref-type="bibr" rid="B51">Pimienta (2008)</xref>, Benoliel terá deixado por publicar poemas, contos infantis e peças de teatro, escritos em espanhol e em francês, tais como <italic>Cuentos arabes</italic> (em verso, tanto em espanhol como em francês), <italic>Un astrologo</italic>, <italic>Las Aventuras de Joselito</italic>, <italic>Juegos florales en Casablanca</italic>, <italic>Les Touristes à Tanger</italic> ou <italic>Harimu Mighdol</italic>, uma comédia em versos hebraicos. Embora Pimienta não localize estes manuscritos, é plausível supor que constem de uma das 38 caixas, ainda por catalogar, preservadas na biblioteca da Universidade da Califórnia<xref ref-type="fn" rid="fn10">10</xref>.</p>
        </sec>
        <sec>
            <title>4. Benoliel tradutor</title>
            <p>A atividade de tradução surge como uma extensão das práticas de escrita poética e académica de Benoliel, ao cultivar o português como língua que seria também a sua e que vincula, como se viu, a uma memória literária do Portugal mitificado por Camões.</p>
            <p>Antes, porém, de se aventurar pela língua de Camões como língua de tradução, Benoliel, já estabelecido em Lisboa, terá publicado em 1887, através da Typographia Luso-Hespanhola, doze números de uma série aparentemente maior de traduções espanholas de textos religiosos judaicos sob o título de <italic>Porat Ioseph</italic>:</p>
            <p><disp-quote>
                    <p><italic>Porat Ioseph. Pequeño compendio conteniendo el tratado de las maximas de Aboth; la Agada de Pessah; seguida del Hallel y Bircat Mazon; el Cantico de los Canticos, y las Haphtaroth Bahet Hahi, Hod Hayom, y Asoph Asiphem, y en fin, Ruth, Ejah y Esther</italic></p>
                    <attrib>(<xref ref-type="bibr" rid="B42">Loeb, 1888</xref>, p. 299)<xref ref-type="fn" rid="fn11">11</xref>.</attrib>
                </disp-quote></p>
            <p>Em 1892, por conta da realização prevista para Lisboa do 10.º Congresso Internacional de Orientalistas, o qual veio a ser desconvocado de véspera, Benoliel prepara cinco trabalhos para apresentação nesse ambiente científico, dos quais se conhecem apenas dois, porque estão publicados. Do espólio de Luciano Cordeiro, secretário perpétuo da Sociedade de Geografia de Lisboa (SGL), consta uma nota não assinada, mas, pela caligrafia e pelo conteúdo, muito provavelmente escrita pelo próprio Benoliel, em que se listam os trabalhos “Hebraicos e arabes” previstos para esse congresso, a saber:</p>
            <p><disp-quote>
                    <p>1.º Fabulario de Lokmán – Vol. contendo o texto arabe, com uma traducção em portuguez, e outras em versos hebraicos, e fechado por um diccionario de perto de 1500 significados de que consta o texto hebraico. Este é todo vocalisado e accompanhado de notas e referencias aos passos biblicos aproveitados para a versão.</p>
                    <p>2.º Episodio de Ignes de Castro – 16 estrophes dos Lusiadas traduzidas em versos hebraicos.</p>
                    <p>3.º Estudo sobre a funcção semiologica do digramma נל na lingua hebraica.</p>
                    <p>4.º Projecto de translitteração por meio de caracteres tirados dos elementos graphicos do alphabeto usual para servirem de signaes convencionaes na transcripção das linguas semiticas, mormente o hebraico e o arabe.</p>
                    <p>5.º Edrisi – Traducção para portuguez de parte da Geographia de Edrisi que se refere a Portugal. Este trabalho deve ser accompanhado de notas historicas &amp; linguisticas, por alguns sabios amigos meus<xref ref-type="fn" rid="fn12">12</xref>.</p>
                    <p>—</p>
                    <p>A primeira d’estas 5 obras está pronta para entrar no prelo. As outras 4 estão egualmente concluidas; porém precisam de ser copiadas &amp; retocadas. A 2.ª &amp; 5.ª poderam ser entregues dentro em uma semana, a 3.ª &amp; 4.ª duas semanas depois</p>
                    <attrib>(<xref ref-type="bibr" rid="B07">Benoliel, 1892a</xref>)<xref ref-type="fn" rid="fn13">13</xref>.</attrib>
                </disp-quote></p>
            <p>Deste elenco, apenas os dois primeiros trabalhos foram dados à estampa, e ambas as traduções denunciam uma forte influência bíblica:</p>
            <list list-type="simple">
                <list-item>
                    <p>(a) <italic>Inês de Castro. Épisode des Lusiades. Traduction en vers hébreux revue par Mr. Le Grand-Rabbin L. Wogue</italic> (1892b), com prefácio de Luciano Cordeiro. É a primeira tradução de um qualquer fragmento do épico para hebraico e é dedicada à rainha D. Amélia, a quem Benoliel oferece o soneto “Madame”, de sua autoria, em francês. No prefácio, Cordeiro legitima a tradução em versos hebraicos das 16 estâncias do Canto III (CXX-CXXXV) que eternizam a história de Inês de Castro, ao inscrever Benoliel, então ainda pouco conhecido, na comunidade orientalista portuguesa, referindo-se-lhe como “um dos nossos compatriotas” (1892, p. V; tradução minha). A edição é bilíngue e observa simbolicamente a direção de leitura de chegada, da direita para a esquerda, ao dispor, primeiro, a estância traduzida em hebraico seguida dos respetivos versos camonianos. O paratexto está em francês, a principal língua de comunicação do congresso a que a publicação se destinava.</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>(b) <italic>Fábulas de Loqmán: vertidas em portuguez e paraphraseadas em versos hebraicos</italic> viriam a lume mais tarde, em 1898, enquanto parte das contribuições da SGL para a comemoração do quarto centenário do descobrimento do caminho marítimo para a Índia, mas sem incluir, ao contrário do que se noticia na nota atrás transcrita, qualquer espécie de dicionário. A paráfrase hebraica foi revista, tal como a tradução anterior, pelo “mestre e amigo, o Grão-Rabbino e eminente sabio Lazaro Wogue”, que Benoliel conheceu em Paris e terá sido seu professor de língua e literatura hebraicas (<xref ref-type="bibr" rid="B28">Benoliel, 1961</xref>, p. 6). Nessa paráfrase, diz Benoliel seguir o intertexto bíblico do Antigo Testamento: “[N]ão só me abstive [...] do que é costume chamar-se licenças poéticas, mas [...], sobretudo, evitei com cuidado o estylo post-biblico” (<xref ref-type="bibr" rid="B23">Benoliel, 1898h</xref>, p. XI). O leitor português desconhecedor de hebraico confirma tal intertexto através das copiosas remissões para o texto bíblico que acompanham a paráfrase. Também a tradução do episódio de Inês de Castro inclui uma secção de Notas (<xref ref-type="bibr" rid="B08">Benoliel, 1892b</xref>, p. 19-24) que a mostram refém desse intertexto bíblico<xref ref-type="fn" rid="fn14">14</xref>. Esta estratégia domesticante não corresponde, de todo, a experimentação estética, mas antes à preservação da identidade hebraica enraizada na narrativa bíblica.</p>
                    <p>A versão portuguesa das fábulas, que se diz resultar de uma abordagem literal, “o mais possivel á lettra do texto”, foi revista pelo “illustre polyglotta e meu excellente amigo, sr. Gonçalves Viana” (p. VIII). As fábulas seriam usadas no ensino da língua árabe e tal projeto tradutório pode advir da própria atividade docente de Benoliel. Não há, contudo, registo de intercâmbios que tenha mantido com arabistas encartados e o projeto teve fraca repercussão junto da crítica.</p>
                    <p>Em apêndice ao fabulário, reúnem-se vários poemas em hebraico do Benoliel poeta – um elogio a Lazare Wogue, o poema “Naufragio” ao irmão Salomão Benoliel e três composições em homenagem a dois judeus açorianos, a saber: uma memória ao ilustre desconhecido David Cohen – formado, porém, em Árabe vulgar e clássico pela École spéciale des langues orientales de Paris (<xref ref-type="bibr" rid="B59">Silva, 2022</xref>) – e dois epitáfios, de David Cohen e do escritor Arão Cohen (1850-1896). O hebraico destaca-se, nesta moldura poética, como a língua de consanguinidade e de pertença à comunidade judaica. Nesse apêndice republicam-se ainda a versão hebraica do poema “Zara” – dada originalmente à estampa em 1894 numa “antologia de versões” homónima em homenagem a Antero de Quental (<xref ref-type="bibr" rid="B11">Benoliel, 1894</xref>, p. 28 e p. 78) – e a versão hebraica de “Endechas de Luiz de Camões a Bárbara escrava”, dedicada, sem novidade, ao “dilecto amigo” e também “mestre” Dr. Xavier da Cunha.</p>
                </list-item>
            </list>
            <p>Os restantes projetos linguísticos previstos para publicação na sequência do Congresso Orientalista de 1892 não terão chegado a dar à estampa, ainda que estivessem aparentemente prontos para impressão, e o seu paradeiro é desconhecido.</p>
            <p>No âmbito das contribuições para o quarto centenário da descoberta do caminho marítimo para a Índia, a SGL fez também imprimir <italic>Lyricas de Luiz de Camões com traducções francezas e castelhanas</italic> da lavra de <xref ref-type="bibr" rid="B22">Benoliel (1898g)</xref> e prefaciadas por Xavier da Cunha. Esta obra é singular por alguns poemas estarem intercalados com as respetivas traduções, como se se tratasse de traduções página a página. Xavier da Cunha enaltece o projeto de Benoliel como homenagem “ás lettras do seu paiz adoptivo[,] um serviço relevantissimo, e tanto mais relevante quanto é certo que rarissimas vezes tem o verso francez logrado reproduzir alguma d’aquellas suaves composições” (1898, p. 8). Por um lado, acusa a carência de traduções francesas da lírica camoniana e, por outro, sublinha o serviço patriótico de Benoliel.</p>
            <p>Sob a iniciativa de Xavier da Cunha contam-se outras traduções da autoria de Benoliel, também do português para espanhol e francês, na já referida <italic>Pretidão de amor. Endechas de Camões a Barbara escrava, seguidas da respectiva traducção em varias linguas</italic> (1893-1895) e, por ocasião daquele centenário, em <italic>A epopéa das navegações portuguezas</italic> (1898f). Esta coleção é, em relação à primeira, bem mais modesta em termos de extensão, reunindo traduções de um poema em seis estrofes de Xavier da Cunha para italiano por Prospero Peragallo, espanhol por D. José Lamarque de Novoa e tanto para francês como para espanhol por Benoliel (<xref ref-type="bibr" rid="B21">1898f</xref>, p. 21-23, p. 25-27). Estes projetos antológicos demonstram exemplarmente o que Andrea Ragusa descreve como “experiências coletivas” que dão conta do poliglotismo do Portugal finissecular (2022, p. 148).</p>
            <p>A primeira coleção, orquestrada por Xavier da Cunha, é por ele descrita como “polyglottico ramalhete” (1893, p. 276). É uma obra monumental, ao incluir 117 traduções do poema de Camões à cativa Bárbara, tanto para línguas vernáculas como para dialetos e crioulos, sobretudo da Europa. As traduções assinadas por Benoliel são para castelhano (<xref ref-type="bibr" rid="B10">1893b</xref>, p. 319-322), francês (p. 423-426)<xref ref-type="fn" rid="fn15">15</xref> e hebraico (p. 731-735), e para cada uma destas línguas há mais versões de diferente autoria. No caso do hebraico, a outra versão foi solicitada a Lazarus Goldschmidt (1871-1950), que entretinha ligações com o orientalista português Francisco Maria Esteves Pereira (1854-1924). Tanto assim era que, pela correspondência conservada no Arquivo de Xavier da Cunha, se percebe ter sido Esteves Pereira a facilitar o contacto entre Xavier da Cunha e aquele tradutor<xref ref-type="fn" rid="fn16">16</xref>. Numa carta ao mentor da publicação, de 11 de novembro de 1893, Goldschmidt<xref ref-type="fn" rid="fn17">17</xref> pergunta-lhe se a língua hebraica é cultivada em Portugal. Porventura em resposta, Xavier da Cunha terá com ele partilhado a versão hebraica de Benoliel, sobre a qual Goldschmidt se pronuncia nos seguintes termos:</p>
            <p><disp-quote>
                    <p>Ácêrca da traducção do Senhor José de Bénoliel, ha muito que reparar: a sua linguagem não é corrente nem assaz clara; com isto pretendo atacar o conhecimento que elle tem da lingua; mui provavelmente procurou elle <underline>de caso</underline> pensado expressões exclusivamente biblicas, que não bastam para traducções de &lt;linguagem&gt;[↑uma lingua] moderna.</p>
                    <attrib>(carta 6, 19 dezembro 1893; sublinhado do original)</attrib>
                </disp-quote></p>
            <p>Se, por um lado, o ataque de Goldschmidt se coaduna com o perfil diaspórico de Benoliel, cuja língua materna se teria cristalizado em proximidade ao texto bíblico, por outro identifica a mesma estratégia que Benoliel assume na sua tradução do episódio de Inês de Castro, apreciando-a, todavia, como insuficiente – ou, mais precisamente, desadequada – num quadro de construção do hebraico como língua moderna. De acordo com os manuscritos preservados no Arquivo, a tradução de Goldschmidt teve três provas. A primeira foi emendada por Francisco Maria Esteves Pereira, a 14 de agosto de 1893; houve nova revisão, sem data, por Arão Cohen; e a revisão de setembro de 1894 contém “Emendas feitas pelo Prof. J. Bénoliel”, as quais constam da versão final (impressa). É, sem dúvida, evidente a confiança que Xavier da Cunha deposita em Benoliel e nas suas competências linguísticas.</p>
            <p>Um poeta amigo comum de ambos vem também a beneficiar dos préstimos tradutórios de Benoliel num florilégio de 1907, em que participam alguns dos tradutores que recorrentemente colaboram com Xavier da Cunha. Trata-se, desta feita, de <italic>Poesias de Ramos Coelho: vertidas em italiano, hespanhol, sueco, allemão e francês, pelos Srs. Thomas Cannizzaro, Prospero Peragallo, Solon Ambrosóli, Luis Brignòli, José Benoliel, Lamarque de Novoa, Göran Björkman, Guilherme Storck, Achilles Millien, e Henrique Faure</italic>. Estas traduções foram posteriormente reunidas na coletânea de poesias completas, de 1910, que inclui dez versões em espanhol de poemas de Ramos-Coelho pelo “sr. José Bénoliel”, a saber: “Perfume que pasa” (p. 172); “Ciego” (p. 180-181); “Sin perfume” (p. 196); “Eterna” (p. 205-207); “Uno para outro” (p. 223-224); “Las golondrinas” (p. 227-228); “Amargura” (p. 264); “Meteoro” (p. 269); “Hogar y tumulo” (p. 283-286); “Cantares” (p. 371). No poema tributo de Ramos-Coelho “Aos meus traductores” (de <italic>Vespertinas</italic>, 1904), leem-se os seguintes versos de elogio a Benoliel: “Bénoliel, ó bardo, ó polyglotta,/Que com graça profusa/Fizeste que meus hymnos perfilhasse/A castelhana musa” (<xref ref-type="bibr" rid="B57">Ramos-Coelho, 1910</xref>, p. 373). O poeta português não apenas singulariza o poliglotismo de Benoliel como também o perfila como mediador privilegiado entre Portugal e Espanha. Não será despiciendo relembrar, neste ponto, as razões avançadas para a admissão de Benoliel como membro correspondente da Real Academia Española. Na proposta submetida para apreciação<xref ref-type="fn" rid="fn18">18</xref>, de que Menéndez Pidal foi um dos proponentes, distingue-se a obra de Benoliel em português e em castelhano, mencionando-se a sua autoria de <italic>Echos da solidão</italic>, do poemeto sobre Vasco da Gama e do estudo crítico sobre o episódio de Adamastor, bem como o seu trabalho enquanto tradutor para português de fábulas árabes e para espanhol, quer da lírica quer da épica camonianas e de poemas de autores portugueses modernos. Eleva-se, portanto, o trabalho deste sefardita na aproximação entre línguas e literaturas ibéricas, em detrimento de qualquer referência à sua ligação profissional ou afetiva ao hebraico ou ao dialeto <italic>haquitia</italic>.</p>
            <p>Em geral, Benoliel explorou a língua portuguesa como língua tanto de partida como de chegada, e as suas ligações ao universo da tradução literária operam-se por meio de sociabilidades intelectuais e relações de amizade. Traduziu do português para francês, hebraico e espanhol; do hebraico e do árabe para português; e traduziu entre estas línguas semíticas, nomeadamente do árabe para hebraico. Por um lado, as suas versões hebraicas são investidas de uma memória bíblica que prestigia o hebraico como língua divina, mítica ou primordial, pela qual se engrandece, por conseguinte, o texto de partida. Por outro lado, as traduções de línguas semíticas para português, seguindo aparentemente um paradigma de maior literalidade, dotaram o sistema literário e cultural nacional de novidade oriental, enriquecendo-o. Parece ter traduzido por prazer e como estratégia de aproximação às tradições literárias associadas às línguas em que foi proficiente; mais significativo é o facto de a prática tradutória lhe ter assegurado a manutenção de uma ligação umbilical às suas línguas de origem. Privilegiou formas breves para tradução (poesia e fábulas) bem como edições bi- ou multilíngues, expondo assim o seu trabalho ao escrutínio alheio. Não menos importante, vários testemunhos<xref ref-type="fn" rid="fn19">19</xref> dão também conta da sua atividade como intérprete. Numa carta de 19 de junho de 1891, dirigida a Bernardino Machado, <xref ref-type="bibr" rid="B06">Benoliel (1891)</xref> menciona a sua presença “no 2.º Conselho de Guerra a servir de interprete d’um reu arabe”.</p>
            <p>O registo de publicações mostra que Benoliel esteve visivelmente mais ativo como tradutor entre 1887<xref ref-type="bibr" rid="B47"> [O Ocidente] 1898</xref>. A partir da viragem de século, o trabalho ensaístico parece sobrepor-se ao de tradução, sem, porém, a abandonar. Esta assume também outros moldes, nomeadamente os de consultoria.</p>
        </sec>
        <sec>
            <title>5. Benoliel consultor ou assessor linguístico</title>
            <p>No âmbito das teorias de ação tradutória, o ofício de um tradutor não se limita ao ato de traduzir – ou seja, nem sempre envolve ações diretamente ligadas a um texto de partida, podendo englobar outras atividades de mediação, tais como trabalho terminológico ou de consultoria (<xref ref-type="bibr" rid="B54">Pym, 2010</xref>, p. 51). Com efeito, as competências linguísticas de Benoliel foram sendo aproveitadas não apenas por literatos, mas também por filólogos e estudiosos ibéricos. Neste sentido, destacam-se dois papéis na qualidade de consultor ou assessor linguístico, os quais testemunhámos também aquando da sua colaboração com Menéndez Pidal: enquanto (1) lexicógrafo e enquanto (2) tradutor <italic>ad hoc</italic>, que auxiliou outros intelectuais com projetos de investigação que envolviam a língua hebraica. Nesta última categoria, a tradução não é tanto um fim em si mesmo, mas antes um instrumento de trabalho ou meio para um estudo maior.</p>
            <p>Na primeira categoria, destaco o papel desempenhado por Benoliel na investigação de 1906 de Gonçalves Viana, <italic>Apostilas aos dicionarios portuguezes</italic>. Benoliel parece retribuir a Viana os vários préstimos que este lhe votara, auxiliando-o em exercícios de determinação da origem etimológica de alguns vocábulos para estas <italic>Apostilas</italic>. Significativos são os termos em que Viana se apoia para construir a autoridade de Benoliel: é, primeiro, apresentado como arabista, depois como “conhecido prosador e poeta, português, castelhano e francês José Benoliel, natural de Tánjere” e, por fim, como “conhecido poeta e escritor” (<xref ref-type="bibr" rid="B66">Viana, 1906</xref>, p. 93 e p. 463), que lhe forneceu uma palavra inédita em português como proposta de tradução do “vocábulo inglês <italic>travet</italic>” (p. 463) – <italic>talharola</italic>, palavra hoje dicionarizada. Num testemunho anterior, <xref ref-type="bibr" rid="B65">Viana (1892, p. 152 n.1)</xref> refere-se-lhe como “erudito hebraista”, “um primoroso caligrafo, tanto na letra hebraica, cuadrada ou cursiva, como na arábica e na usual romana”, “um poeta esmerado em francês e um vigoroso prosador na lingua da sua patria adoptiva, a portuguesa”. Esta exaltação do sentimento patriótico português de Benoliel coaduna-se com os demais elogios que lhe tecem, atrás exemplificados, sobrepondo-se às outras identidades culturais, étnicas ou linguísticas que conciliava em si.</p>
            <p>Entre 1906 e 1908, o também hebraísta Joaquim Mendes dos Remédios (1867-1932), da Universidade de Coimbra, contou com a assistência de Benoliel na sua edição diplomática de <italic>Consolaçam ás tribulaçoens de Israel</italic>, de Samuel Usque, reproduzindo, nas Notas, “algumas interessantes communicações” havidas com Benoliel (<xref ref-type="bibr" rid="B58">Remédios, 1908</xref>, p. 3). Nessas Notas, dá conta da hipótese avançada por Benoliel de que a <italic>Consolaçam</italic> possa ter servido como fonte d’<italic>Os Lusíadas</italic>, obra daquele que Benoliel patrioticamente designa como “nosso divino Camões [...] nosso Epico” (<xref ref-type="bibr" rid="B58">Remédios, 1908</xref>, p. 5).</p>
            <p>O etiopista autodidata Francisco Maria Esteves Pereira destaca-o como “distincto hebraista portuguez”, simultaneamente “[e]rudito polyglotta e talentoso poeta” (1894, p. 22). Recorreu aos préstimos filológicos de Benoliel na sua “tentativa de interpretação das palavras e frases hebraicas contidas nas trovas” do poeta do <italic>Cancioneiro Geral</italic> Luís Anriques “a hua moça”, por Benoliel ser “Judeu originário de Marrocos, [que] conhece não só a língua antiga dos hebreus, mas tambêm a linguagem familiar judeu-arabico-ladina” (1913, p. 212). As notas que acompanham a transcrição das trovas incluem leituras interrogadas, a citação parentética do nome de Benoliel como fonte fidedigna de informação – “(Benoliel)” – e a identificação de hipóteses por ele avançadas sob a fórmula reiterada “Benoliel conjectura”.</p>
            <p>Na segunda categoria, a de tradutor <italic>ad hoc</italic>, faço notar a colaboração com Teófilo Braga e a romanista alemã Carolina Michäelis de Vasconcelos (1851-1925). Braga contou com a ação tradutória de Benoliel para a sua <italic>Versão hebraica do Amadis de Gaula</italic> (1915). Numa carta de 10 de março de 1914, Benoliel menciona uma versão hebraica de duas páginas daquele romance peninsular que “[diz Benoliel] já decifrei, transcrevi e traduzi segundo o desejo de V. Ex.ª”. No livro, este trabalho é descrito, com maior rigor, como “retroversão hebraica para portuguez” da cópia da tradução hebraica patente no Museu Britânico e é atribuído ao “professor Benoliel” (1915, p. 17). Já Michaëlis agradece-lhe a “rara bondade”, “o saber especial” e os “serviços gentilmente prestados” no seu estudo de 1922 sobre um pensador judeu de Setecentos, Uriel da Costa; evoca-o como “hebraìzante português” (<xref ref-type="bibr" rid="B63">Vasconcelos, 1922</xref>, p. 44), que lhe traduziu, logo em 1909, um conjunto de documentos epistolares para esse estudo (p. 101-104). Na <italic>Revista Lusitana</italic> iguala-o a David Lopes na qualidade de “arabistas mil vezes mais peritos do que eu” (1915, p. 2).</p>
            <p>A reputação hebraísta de Benoliel não se cingiu, porém, aos círculos literários e académicos; também a imprensa portuguesa dele se serviu como mediador em assuntos de natureza religiosa (judaica) para esclarecer a opinião pública. Por exemplo, na edição da noite d’<italic>O Século</italic>, de 28 de maio de 1915, Benoliel é atestado como “professor muito ilustrado e distinto e, sobretudo, judeu profundamente sincero, em quem a causa da sua religião conta um dos mais ardentes e devotados paladinos”<xref ref-type="fn" rid="fn20">20</xref>. Com efeito, em função das necessidades, Benoliel seria simultaneamente português e espanhol, português, judeu, hebraísta e arabista, um judeu espanhol estabelecido em Lisboa ou um judeu de Marrocos.</p>
            <p>Não será despiciendo completar este périplo pelo translinguismo de Benoliel reconhecendo-lhe um outro contributo mais tecnológico: a suposta criação de uma máquina de escrever para uso de invisuais – <italic>Machina Bénoliel</italic>. De acordo com a descrição dada do aparelho para fins de patenteamento, a máquina permitiria “escrever em relevo [...] simultaneamente o alphabeto vulgar, maisculas e minusculas, letras accentuadas, signaes de pontuação e de arithmetica, alphabeto grego, hebraico, etc.”<xref ref-type="fn" rid="fn21">21</xref>. Enquanto tecnologia de comunicação contendo várias linguagens e alfabetos para invisuais, não deixa de ser fruto das competências poliglotas de Benoliel. Não se conhecem, porém, resultados desta invenção.</p>
        </sec>
        <sec sec-type="conclusions">
            <title>6. Considerações Finais</title>
            <p>Joseph, ou José, Benoliel é hoje um homem das sombras, como, de resto, tendem a ser os que estão entre lugares, sejam eles migrantes, tradutores ou mediadores interculturais <italic>lato sensu</italic>. Da micro-história traçada e dos diálogos estabelecidos, podemos delinear sobretudo três fases de atividade para Benoliel que se seguem à fase de formação em Paris, ou fase francesa:</p>
            <list list-type="order">
                <list-item>
                    <p>Fase portuguesa, marcada por um pendor orientalista, no duplo sentido do estudo filológico de línguas orientais, nomeadamente o árabe e o hebraico, assim como de mitificação do oriente português através da celebração de Camões, e pela promoção de poetas nacionais modernos em tradução francesa ou espanhola (Teófilo Braga, Xavier da Cunha, Ramos-Coelho);</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>Fase espanhola, mais vincada a partir do início do século XX e concentrada na década de 1920, por conta dos seus contributos para o estudo do dialeto <italic>haquitia</italic>;</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>Fase judaico-marroquina na década de 1930, em que os interesses literários e linguísticos parecem esboroar-se em prol de uma maior dinamização da tradição judaica em Marrocos.</p>
                </list-item>
            </list>
            <p>Benoliel parece ter sido mais lusófilo, orientalista (hebraísta e arabista) e hispanófilo em Portugal, mas mais judeu (praticante) em Marrocos, na fase final da vida. O seu percurso, desde Tânger, não deixa de ser um de reaproximação, primeiro, às origens sefarditas (ibéricas) por via da herança hebraica e da memória bíblica e, depois, em espécie de fecho de ciclo, de regresso ao lar marroquino. Destaca-se pela sua abordagem filológica comparada que ganhou forma e se consolidou através das suas práticas de translinguismo. Viu-se, no seu tempo, reconhecido pelos seus pares ibéricos como um poeta, tradutor e académico poliglota; contribuiu para o aprofundamento da relação histórica entre judeus e a Península Ibérica, entre o hebraico e as línguas ibéricas; divulgou a literatura portuguesa ao traduzi-la; cultivou o hebraico como língua clássica e com potencial literário; foi hebraísta, arabista ou os dois simultaneamente em função das necessidades do ambiente científico-académico, adaptando-se com facilidade à fluidez do contexto; e o seu elogio de Camões assumiu contornos patrióticos que reforçam a sua identidade cultural híbrida.</p>
            <p>Não criou escola em Portugal, mas o seu poliglotismo – confirmado pelas suas práticas translingues –, num período finissecular de cultivo do nacionalismo linguístico e literário, foi chave para o desenvolvimento e circulação de conhecimento filológico e para o reforço de uma epistemologia filológica ibérica, em que a portuguesa teve papel importante.</p>
        </sec>
    </body>
    <back>
        <fn-group>
            <fn fn-type="other">
                <label>Conjunto de dados de pesquisa</label>
                <p>Não se aplica.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="financial-disclosure">
                <label>Financiamento</label>
                <p>Parte da investigação que aqui se apresenta foi financiada pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia entre 2016 e 2019 no âmbito do Projeto 3599 – Promover a Produção Científica, o Desenvolvimento Tecnológico e a Inovação – Não Co-financiada (PTDC/CPC-CMP/0398/2014).</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other">
                <label>Consentimento de uso de imagem</label>
                <p>Não se aplica.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other">
                <label>Aprovação de comitê de ética em pesquisa</label>
                <p>Não se aplica.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other">
                <label>Publisher</label>
                <p>Cadernos de Tradução é uma publicação do Programa de Pós-Graduação em Estudos da Tradução, da Universidade Federal de Santa Catarina. A revista Cadernos de Tradução é hospedada pelo Portal de Periódicos UFSC. As ideias expressadas neste artigo são de responsabilidade de seus autores, não representando, necessariamente, a opinião dos editores ou da universidade.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other">
                <label>Revisão de normas técnicas</label>
                <p>Ingrid Bignardi</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn01">
                <label>1</label>
                <p>O esboço biográfico aqui proposto tem por base o trabalho desenvolvido para uma biografia mais extensa no âmbito do projeto Textos e Contextos do Orientalismo Português (PTDC/CPC -CMP/0398/2014): <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://tecop.bnportugal.gov.pt/np4/file/474Joseph_M._Benoliel.pdf">https://tecop.bnportugal.gov.pt/np4/file/474Joseph_M._Benoliel.pdf</ext-link>.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn02">
                <label>2</label>
                <p>Do mapa que estes autores oferecem da moderna filologia portuguesa ressaltam os estudos que fomentaram a filologia comparada, nomeadamente os estudos árabes, indianos, orientais (ou asiáticos), africanos e hebraicos, a par da filologia clássica, helénica e latina.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn03">
                <label>3</label>
                <p>Esta instituição traduz um projeto de universidade popular fundado na capital portuguesa em 1889.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn04">
                <label>4</label>
                <p>Cf. Diário do Governo de 25 de maio de 1889 (<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://digigov.cepese.pt/pt/pesquisa/listbyyearmonthday?ano=1889&amp;mes=5&amp;tipo=a-diario&amp;filename=1889/05/25/D_0118_1889-05-25&amp;pag=1">https://digigov.cepese.pt/pt/pesquisa/listbyyearmonthday?ano=1889&amp;mes=5&amp;tipo=a-diario&amp;filename=1889/05/25/D_0118_1889-05-25&amp;pag=1</ext-link>).</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn05">
                <label>5</label>
                <p>Benoliel terá convivido “ìntimamente” com João de Deus (<xref ref-type="bibr" rid="B28">Benoliel, 1961</xref>, p. 6). No arquivo digital do Museu da Presidência da República encontra-se um poema manuscrito, em francês, que Benoliel lhe dedicou, com data de 24 de julho de 1887. Cf. <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www.arquivo.museu.presidencia.pt/details?id=12248">https://www.arquivo.museu.presidencia.pt/details?id=12248</ext-link></p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn06">
                <label>6</label>
                <p>Exercicios de phraseologia foi, aliás, aprovado, por decreto de 19 de outubro d<xref ref-type="bibr" rid="B47">[O Ocidente] 1898</xref>, para o estudo da língua francesa nos institutos nacionais de instrução secundária, conforme se anuncia no Diário do Governo de 21 de janeiro de 1899 (cf. <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://digigov.cepese.pt/pt/pesquisa/listbyyearmonthday?ano=1899&amp;mes=1&amp;tipo=a-diario&amp;filename=1899/01/21/D_0017_1899-01-21&amp;pag">https://digigov.cepese.pt/pt/pesquisa/listbyyearmonthday?ano=1899&amp;mes=1&amp;tipo=a-diario&amp;filename=1899/01/21/D_0017_1899-01-21&amp;pag</ext-link>).</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn07">
                <label>7</label>
                <p><xref ref-type="bibr" rid="B61">Carolina Michaëlis de Vasconcelos (1907-1909, p. 8 n2)</xref> refere 143 textos.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn08">
                <label>8</label>
                <p>Atribui-se a Benoliel a responsabilidade pela primeira fase de constituição da coleção judio-espanhola. O Catálogo foi posteriormente integrado em El Romancero: teorías e investigaciones, de <xref ref-type="bibr" rid="B43">Menéndez Pidal (1928)</xref>.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn09">
                <label>9</label>
                <p>Ali se referem que os primeiros materiais recolhidos datam de 28 de junho de 1904.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn10">
                <label>10</label>
                <p>Cf. UCLA Library Special Collections, José Benoliel Papers LSC.1625, <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://oac.cdlib.org/findaid/ark:/13030/c86116k6/admin/">https://oac.cdlib.org/findaid/ark:/13030/c86116k6/admin/</ext-link>.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn11">
                <label>11</label>
                <p>Ao longo da pesquisa, não se conseguiram encontrar cópias físicas destes títulos.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn12">
                <label>12</label>
                <p>As traduções então seguidas pelos intelectuais portugueses seriam as de Reinhart Dozy e Michaël J. Goeje (Description de l’Afrique et de l’Espagne, Leiden 1866) ou do arabista espanhol Eduardo Saavedra (La geografía de España del Edrisí, Impr. de Fortanet 1881).</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn13">
                <label>13</label>
                <p>Uma cópia digitalizada desta nota está disponível para consulta em <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://tecop.bnportugal.gov.pt/np4/file/1144/trabalhos_hebraicos.jpg">https://tecop.bnportugal.gov.pt/np4/file/1144/trabalhos_hebraicos.jpg</ext-link>.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn14">
                <label>14</label>
                <p>Este intertexto bíblico é discutido em maior profundidade por <xref ref-type="bibr" rid="B52">Pinto (2020)</xref>.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn15">
                <label>15</label>
                <p>As traduções espanhola e francesa foram republicadas em Lyricas de Luiz de Camões. As versões são as mesmas, registando-se apenas uma variante em cada uma. Na versão francesa, onde se lê, na quarta estrofe, “Et la teinte enivrante” (<xref ref-type="bibr" rid="B10">1893b</xref>, p. 426) torna-se “Cette teinte enivrante” (<xref ref-type="bibr" rid="B22">1898g</xref>, p. 113). Na versão espanhola, a variação reside na segunda estrofe: “Cual son mis amores” (<xref ref-type="bibr" rid="B10">1893b</xref>, p. 321) torna-se “Dó están mis amores” (1898g, p. 114).</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn16">
                <label>16</label>
                <p>Este literato de origem lituana correspondeu-se com Esteves Pereira, com quem editou a versão etiópica da Vida do Abba Daniel do Mosteiro de Scete em 1897.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn17">
                <label>17</label>
                <p>Cf. Arquivo Nacional da Torre do Tombo: Arquivo Júlio Castilho/Xavier da Cunha, caixa 10, maço 1, cap. 15, carta 2, traduzida do alemão por “Hermano D. Harberts” (possivelmente o pai ou outro familiar direto de Guilherme Herman Harberts). As cartas de Goldschmidt foram escritas em alemão e estão acompanhadas de tradução para português, sendo aquela a única com a identificação do nome do tradutor. O dossier genético de Pretidão de amor pode ser consultado no referido arquivo – caixa 10, maço 1, n.º 1-28 – e na Correspondência de Xavier da Cunha, caixa 8, maço 5, n.º 1-28 (primeira parte), e caixa 8, maço 6, n.º 1-32 (segunda parte).</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn18">
                <label>18</label>
                <p>A proposta, submetida a 31 de janeiro de 1907, está disponível para consulta em <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://archivo.rae.es/usurw">https://archivo.rae.es/usurw</ext-link>.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn19">
                <label>19</label>
                <p>Há notícia de que tenha servido como tradutor para a Secretaria de Estado dos Negócios Estrangeiros (<xref ref-type="bibr" rid="B28">Benoliel, 1961</xref>, p. 7; <xref ref-type="bibr" rid="B01">Amzalak, 1971</xref>, p. 544) e que tenha traduzido o tratado de paz do pós-Grande Guerra (1914–1918) para português.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn20">
                <label>20</label>
                <p>Cf. <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://grandeguerra.bnportugal.gov.pt/pdf/1915/maio/1915-05-28.pdf">https://grandeguerra.bnportugal.gov.pt/pdf/1915/maio/1915-05-28.pdf</ext-link>.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn21">
                <label>21</label>
                <p>Cf. pedidos de patente de invenção no Diário do Governo de 21 dezembro 1901, p. 3574: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://digigov.cepese.pt/pt/pesquisa/listbyyearmonthday?ano=1901&amp;mes=12&amp;tipo=a-diario&amp;filename=1901/12/21/D_0289_1901-12-21">https://digigov.cepese.pt/pt/pesquisa/listbyyearmonthday?ano=1901&amp;mes=12&amp;tipo=a-diario&amp;filename=1901/12/21/D_0289_1901-12-21</ext-link>.</p>
            </fn>
        </fn-group>
        <sec sec-type="other">
            <label>Declaração de disponibilidade dos dados da pesquisa</label>
            <p>Os dados desta pesquisa, que não estão expressos neste trabalho, poderão ser disponibilizados pelo(s) autor(es) mediante solicitação.</p>
        </sec>
        <ref-list>
            <title>Referências</title>
            <ref id="B01">

                <mixed-citation>Amzalak, M. (1971). S.v. “Benoliel, Joseph”. In C. Roth &amp; G. Wigoder (Eds.), <italic>Encyclopaedia judaica.</italic> v. 4, (p. 544). Keter Publishing House.</mixed-citation>
                <element-citation publication-type="book">
                    <person-group person-group-type="author">
                        <name>
                            <surname>Amzalak</surname>
                            <given-names>M.</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <year>1971</year>
                    <comment>S.v. “Benoliel, Joseph”</comment>
                    <person-group person-group-type="editor">
                        <name>
                            <surname>Roth</surname>
                            <given-names>C.</given-names>
                        </name>
                        <name>
                            <surname>Wigoder</surname>
                            <given-names>G.</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <source>Encyclopaedia judaica</source>
                    <volume>4</volume>
                    <fpage>544</fpage>
                    <lpage>544</lpage>
                    <publisher-name>Keter Publishing House</publisher-name>
                </element-citation>
            </ref>
            <ref id="B02">

                <mixed-citation>Armistead, S. G. (1977). The Menéndez Pidal collection of Judeo-Spanish romances. <italic>Olifant</italic>, <italic>4</italic>(3), 205–206.</mixed-citation>
                <element-citation publication-type="journal">
                    <person-group person-group-type="author">
                        <name>
                            <surname>Armistead</surname>
                            <given-names>S. G.</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <year>1977</year>
                    <article-title>The Menéndez Pidal collection of Judeo-Spanish romances</article-title>
                    <source>Olifant</source>
                    <volume>4</volume>
                    <issue>3</issue>
                    <fpage>205</fpage>
                    <lpage>206</lpage>
                </element-citation>
            </ref>
            <ref id="B03">

                <mixed-citation>Armistead, S. G. (1977-1978). A unique collection of Sephardic traditional poetry: The Menendez Pidal archive in Madrid. In R. Dalven (Ed.), <italic>The Sephardic scholar</italic> (pp. 31–36). The American Society of Sephardic Studies.</mixed-citation>
                <element-citation publication-type="book">
                    <person-group person-group-type="author">
                        <name>
                            <surname>Armistead</surname>
                            <given-names>S. G.</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <year>1977-1978</year>
                    <chapter-title>A unique collection of Sephardic traditional poetry: The Menendez Pidal archive in Madrid</chapter-title>
                    <person-group person-group-type="editor">
                        <name>
                            <surname>Dalven</surname>
                            <given-names>R.</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <source>The Sephardic scholar</source>
                    <fpage>31</fpage>
                    <lpage>36</lpage>
                    <publisher-name>The American Society of Sephardic Studies</publisher-name>
                </element-citation>
            </ref>
            <ref id="B04">

                <mixed-citation>Benoliel, J. (s.d.). Carta manuscrita. <italic>Correspondência artistica e scientifica nacional e estrangeira com J. Possidónio da Silva. 1890-1891</italic> (vol. XXII), doc. 2081, 4569 bis.</mixed-citation>
                <element-citation publication-type="book">
                    <person-group person-group-type="author">
                        <name>
                            <surname>Benoliel</surname>
                            <given-names>J.</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <comment>Carta manuscrita</comment>
                    <source>Correspondência artistica e scientifica nacional e estrangeira com J. Possidónio da Silva. 1890-1891</source>
                    <year>1891</year>
                    <volume>XXII</volume>
                    <comment>doc. 2081, 4569 bis</comment>
                </element-citation>
            </ref>
            <ref id="B05">

                <mixed-citation>Bénoliel, J. M. (1886). <italic>Grammaire synoptique de la langue française, suivie d’un précis de versification française</italic>. J.M. Bénoliel.</mixed-citation>
                <element-citation publication-type="book">
                    <person-group person-group-type="author">
                        <name>
                            <surname>Bénoliel</surname>
                            <given-names>J. M.</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <year>1886</year>
                    <source>Grammaire synoptique de la langue française, suivie d’un précis de versification française</source>
                    <publisher-name>J.M. Bénoliel</publisher-name>
                </element-citation>
            </ref>
            <ref id="B06">

                <mixed-citation>Benoliel, J. (1891, 19 jun.). [Carta a Bernardino Machado. (Lisboa)]. <italic>Casa Comum – Fundação Mário Soares</italic>. http://casacomum.org/cc/visualizador?pasta=08136.171</mixed-citation>
                <element-citation publication-type="webpage">
                    <person-group person-group-type="author">
                        <name>
                            <surname>Benoliel</surname>
                            <given-names>J.</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <year>1891</year>
                    <day>19</day>
                    <month>06</month>
                    <comment>Carta a Bernardino Machado. (Lisboa)</comment>
                    <source>Casa Comum – Fundação Mário Soares</source>
                    <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://casacomum.org/cc/visualizador?pasta=08136.171">http://casacomum.org/cc/visualizador?pasta=08136.171</ext-link>
                </element-citation>
            </ref>
            <ref id="B07">

                <mixed-citation>Benoliel, J. (1892a). [Nota]. <italic>Correspondência 1892</italic>, cx. 2. Espólio de Luciano Cordeiro – Arquivo do Museu da Sociedade de Geografia de Lisboa.</mixed-citation>
                <element-citation publication-type="book">
                    <person-group person-group-type="author">
                        <name>
                            <surname>Benoliel</surname>
                            <given-names>J.</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <year>1892a</year>
                    <chapter-title>Nota</chapter-title>
                    <source>Correspondência 1892</source>
                    <comment>cx. 2</comment>
                    <publisher-name>Espólio de Luciano Cordeiro – Arquivo do Museu da Sociedade de Geografia de Lisboa</publisher-name>
                </element-citation>
            </ref>
            <ref id="B08">

                <mixed-citation>Benoliel, J. (1892b). <italic>Inês de Castro. Épisode des Lusiades. Traduction en vers hébreux revue par Mr. Le Grand-Rabbin L. Wogue</italic> (L. Cordeiro, Pref.). Imprensa Nacional/Sociedade de Geografia de Lisboa.</mixed-citation>
                <element-citation publication-type="book">
                    <person-group person-group-type="author">
                        <name>
                            <surname>Benoliel</surname>
                            <given-names>J.</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <year>1892b</year>
                    <source>Inês de Castro. Épisode des Lusiades. Traduction en vers hébreux revue par Mr. Le Grand-Rabbin L. Wogue</source>
                    <person-group person-group-type="author">
                        <name>
                            <surname>Cordeiro</surname>
                            <given-names>L.</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <publisher-name>Imprensa Nacional/Sociedade de Geografia de Lisboa</publisher-name>
                </element-citation>
            </ref>
            <ref id="B09">

                <mixed-citation>Benoliel, J. (1893a[-1895]). A barba rapada (parodia). In X. da Cunha. <italic>Pretidão de amor. Endechas de Camões a Barbara escrava, seguidas da respectiva traducção em varias linguas e antecedidas de um preambulo</italic> (pp. 263–264). Imprensa Nacional. Internet Archive. https://archive.org/details/pretidodeamorbe00cunhgoog</mixed-citation>
                <element-citation publication-type="book">
                    <person-group person-group-type="author">
                        <name>
                            <surname>Benoliel</surname>
                            <given-names>J.</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <year>1893a[-1895]</year>
                    <chapter-title>A barba rapada (parodia)</chapter-title>
                    <person-group person-group-type="author">
                        <name>
                            <surname>da Cunha</surname>
                            <given-names>X.</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <source>Pretidão de amor. Endechas de Camões a Barbara escrava, seguidas da respectiva traducção em varias linguas e antecedidas de um preambulo</source>
                    <fpage>263</fpage>
                    <lpage>264</lpage>
                    <publisher-name>Imprensa Nacional</publisher-name>
                    <comment>Internet Archive</comment>
                    <comment><ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://archive.org/details/pretidodeamorbe00cunhgoog">https://archive.org/details/pretidodeamorbe00cunhgoog</ext-link></comment>
                </element-citation>
            </ref>
            <ref id="B10">

                <mixed-citation>Benoliel, J. (1893b[-1895]). [Traduções castelhana, francesa e hebraica]. In X. da Cunha. <italic>Pretidão de amor. Endechas de Camões a Barbara escrava, seguidas da respectiva traducção em varias linguas e antecedidas de um preambulo</italic> (pp. 319–322; pp. 423–426; pp. 731–735). Imprensa Nacional. Internet Archive. https://archive.org/details/pretidodeamorbe00cunhgoog</mixed-citation>
                <element-citation publication-type="book">
                    <person-group person-group-type="author">
                        <name>
                            <surname>Benoliel</surname>
                            <given-names>J.</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <year>1893b[-1895]</year>
                    <chapter-title>Traduções castelhana, francesa e hebraica</chapter-title>
                    <person-group person-group-type="author">
                        <name>
                            <surname>da Cunha</surname>
                            <given-names>X.</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <source>Pretidão de amor. Endechas de Camões a Barbara escrava, seguidas da respectiva traducção em varias linguas e antecedidas de um preambulo</source>
                    <page-range>pp. 319–322; pp. 423–426; pp. 731–735</page-range>
                    <publisher-name>Imprensa Nacional</publisher-name>
                    <comment>Internet Archive</comment>
                    <comment><ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://archive.org/details/pretidodeamorbe00cunhgoog">https://archive.org/details/pretidodeamorbe00cunhgoog</ext-link></comment>
                </element-citation>
            </ref>
            <ref id="B11">

                <mixed-citation>Bénoliel, J. (1894). Zara [versões em francês e hebraico]. In A. Quental, <italic>Zara: edição polyglotta</italic> (pp. 28 e 78). Imprensa Nacional. Internet Archive. https://archive.org/details/zaraedpolyglott00quengoog</mixed-citation>
                <element-citation publication-type="book">
                    <person-group person-group-type="author">
                        <name>
                            <surname>Bénoliel</surname>
                            <given-names>J.</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <year>1894</year>
                    <chapter-title>Zara [versões em francês e hebraico]</chapter-title>
                    <person-group person-group-type="author">
                        <name>
                            <surname>Quental</surname>
                            <given-names>A.</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <source>Zara: edição polyglotta</source>
                    <fpage>28</fpage>
                    <lpage>78</lpage>
                    <publisher-name>Imprensa Nacional</publisher-name>
                    <comment>Internet Archive</comment>
                    <comment><ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://archive.org/details/zaraedpolyglott00quengoog">https://archive.org/details/zaraedpolyglott00quengoog</ext-link></comment>
                </element-citation>
            </ref>
            <ref id="B12">

                <mixed-citation>Benoliel, J. (1897a). Ditos de Jesus. <italic>Revista de Educação e Ensino</italic>, <italic>XII</italic>(10), 469–470.</mixed-citation>
                <element-citation publication-type="journal">
                    <person-group person-group-type="author">
                        <name>
                            <surname>Benoliel</surname>
                            <given-names>J.</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <year>1897a</year>
                    <article-title>Ditos de Jesus</article-title>
                    <source>Revista de Educação e Ensino</source>
                    <volume>XII</volume>
                    <issue>10</issue>
                    <fpage>469</fpage>
                    <lpage>470</lpage>
                </element-citation>
            </ref>
            <ref id="B13">

                <mixed-citation>Benoliel, J. (1897b). Alegoria biblica. <italic>Revista de Educação e Ensino</italic>, <italic>XII</italic>(11), 518–522.</mixed-citation>
                <element-citation publication-type="journal">
                    <person-group person-group-type="author">
                        <name>
                            <surname>Benoliel</surname>
                            <given-names>J.</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <year>1897b</year>
                    <article-title>Alegoria biblica</article-title>
                    <source>Revista de Educação e Ensino</source>
                    <volume>XII</volume>
                    <issue>11</issue>
                    <fpage>518</fpage>
                    <lpage>522</lpage>
                </element-citation>
            </ref>
            <ref id="B14">

                <mixed-citation>Bénoliel, J. (1897c). <italic>Echos da solidão</italic>. Manuel Gomes. Internet Archive. https://archive.org/details/echosdasolido00bn</mixed-citation>
                <element-citation publication-type="webpage">
                    <person-group person-group-type="author">
                        <name>
                            <surname>Bénoliel</surname>
                            <given-names>J.</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <year>1897c</year>
                    <source>Echos da solidão</source>
                    <publisher-name>Manuel Gomes</publisher-name>
                    <publisher-name>Internet Archive</publisher-name>
                    <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://archive.org/details/echosdasolido00bn">https://archive.org/details/echosdasolido00bn</ext-link>
                </element-citation>
            </ref>
            <ref id="B15">

                <mixed-citation>Bénoliel, J. (1897d, 20 fev.). Pretidão de amor [11 fevereiro 1897]. <italic>O Occidente</italic>, <italic>XX</italic>(653), 35–38. Hemeroteca Digital. https://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/OBRAS/Ocidente/1897/N653/N653_master/N653.pdf</mixed-citation>
                <element-citation publication-type="webpage">
                    <person-group person-group-type="author">
                        <name>
                            <surname>Bénoliel</surname>
                            <given-names>J.</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <year>1897d</year>
                    <day>20</day>
                    <month>02</month>
                    <comment>Pretidão de amor [11 fevereiro 1897]</comment>
                    <source>O Occidente</source>
                    <volume>XX</volume>
                    <issue>653</issue>
                    <fpage>35</fpage>
                    <lpage>38</lpage>
                    <publisher-name>Hemeroteca Digital</publisher-name>
                    <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/OBRAS/Ocidente/1897/N653/N653_master/N653.pdf">https://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/OBRAS/Ocidente/1897/N653/N653_master/N653.pdf</ext-link>
                </element-citation>
            </ref>
            <ref id="B16">

                <mixed-citation>Benoliel, J. (1898a, 10 fev.). Vasco da Gama. <italic>O Occidente</italic>, <italic>XXI</italic>(688), 30–31. Hemeroteca Digital. https://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/OBRAS/Ocidente/1898/N688/N688_master/N688.pdf</mixed-citation>
                <element-citation publication-type="webpage">
                    <person-group person-group-type="author">
                        <name>
                            <surname>Benoliel</surname>
                            <given-names>J.</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <year>1898a</year>
                    <day>10</day>
                    <month>02</month>
                    <comment>Vasco da Gama</comment>
                    <source>O Occidente</source>
                    <volume>XXI</volume>
                    <issue>688</issue>
                    <fpage>30</fpage>
                    <lpage>31</lpage>
                    <publisher-name>Hemeroteca Digital</publisher-name>
                    <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/OBRAS/Ocidente/1898/N688/N688_master/N688.pdf">https://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/OBRAS/Ocidente/1898/N688/N688_master/N688.pdf</ext-link>
                </element-citation>
            </ref>
            <ref id="B17">

                <mixed-citation>Bénoliel, J. (1898b). <italic>Elementos de grammatica franceza</italic>. Guillard, Aillaud, &amp; Cia. (2.ª edição pela Typographia de Francisco Luiz Gonçalves, 1902).</mixed-citation>
                <element-citation publication-type="book">
                    <person-group person-group-type="author">
                        <name>
                            <surname>Bénoliel</surname>
                            <given-names>J.</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <year>1898b</year>
                    <source>Elementos de grammatica franceza</source>
                    <person-group person-group-type="author">
                        <collab>Guillard, Aillaud, &amp; Cia</collab>
                    </person-group>
                    <edition>2.ª edição pela Typographia de Francisco Luiz Gonçalves</edition>
                </element-citation>
            </ref>
            <ref id="B18">

                <mixed-citation>Bénoliel, J. (1898c). <italic>Exercicios de phraseologia baseados na selecta de auctores francezes de J. Chèse e A. R. Gonçalves Vianna. IVª e Vª classe do curso dos lyceus</italic>. Guillard, Aillaud, &amp; Cia.</mixed-citation>
                <element-citation publication-type="book">
                    <person-group person-group-type="author">
                        <name>
                            <surname>Bénoliel</surname>
                            <given-names>J.</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <year>1898c</year>
                    <source>Exercicios de phraseologia baseados na selecta de auctores francezes de J. Chèse e A. R. Gonçalves Vianna. IVª e Vª classe do curso dos lyceus</source>
                    <publisher-name>Guillard, Aillaud, &amp; Cia</publisher-name>
                </element-citation>
            </ref>
            <ref id="B19">

                <mixed-citation>Benoliel, J. (1898d). <italic>Episodio do Gigante Adamastor – Estudo critico</italic>. Quarto Centenário do Descobrimento da Índia. Imprensa Nacional/Sociedade de Geografia de Lisboa.</mixed-citation>
                <element-citation publication-type="book">
                    <person-group person-group-type="author">
                        <name>
                            <surname>Benoliel</surname>
                            <given-names>J.</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <year>1898d</year>
                    <source>Episodio do Gigante Adamastor – Estudo critico</source>
                    <publisher-name>Quarto Centenário do Descobrimento da Índia. Imprensa Nacional/Sociedade de Geografia de Lisboa</publisher-name>
                </element-citation>
            </ref>
            <ref id="B20">

                <mixed-citation>Bénoliel, J. (1898e). <italic>Vasco da Gama: poemeto</italic> (X. da Cunha, Pref.). Quarto Centenário do Descobrimento da Índia. Imprensa Nacional.</mixed-citation>
                <element-citation publication-type="book">
                    <person-group person-group-type="author">
                        <name>
                            <surname>Bénoliel</surname>
                            <given-names>J.</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <year>1898e</year>
                    <source>Vasco da Gama: poemeto</source>
                    <person-group person-group-type="author">
                        <name>
                            <surname>da Cunha</surname>
                            <given-names>X.</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <publisher-name>Quarto Centenário do Descobrimento da Índia</publisher-name>
                    <publisher-name>Imprensa Nacional</publisher-name>
                </element-citation>
            </ref>
            <ref id="B21">

                <mixed-citation>Bénoliel, J. (1898f). “L’epopée des navigations portugaises”; “La epopeya de las navegaciones portuguesas”. In X. da Cunha, <italic>A epopéa das navegações portuguezas: estrophes. Com traducções em italiano, hespanhol e francez por Prospero Peragallo, D. José Lamarque de Novoa e Jose Bénoliel</italic> (pp. 21–23, 25–27). Imprensa Nacional.</mixed-citation>
                <element-citation publication-type="book">
                    <person-group person-group-type="author">
                        <name>
                            <surname>Bénoliel</surname>
                            <given-names>J.</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <year>1898f</year>
                    <chapter-title>“L’epopée des navigations portugaises”; “La epopeya de las navegaciones portuguesas”</chapter-title>
                    <person-group person-group-type="author">
                        <name>
                            <surname>da Cunha</surname>
                            <given-names>X.</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <source>A epopéa das navegações portuguezas: estrophes. Com traducções em italiano, hespanhol e francez por Prospero Peragallo, D. José Lamarque de Novoa e Jose Bénoliel</source>
                    <page-range>21–23, 25–27</page-range>
                    <publisher-name>Imprensa Nacional</publisher-name>
                </element-citation>
            </ref>
            <ref id="B22">

                <mixed-citation>Bénoliel, J. (1898g). <italic>Lyricas de Luiz de Camões com traducções francezas e castelhanas</italic>. Imprensa Nacional.</mixed-citation>
                <element-citation publication-type="book">
                    <person-group person-group-type="author">
                        <name>
                            <surname>Bénoliel</surname>
                            <given-names>J.</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <year>1898g</year>
                    <source>Lyricas de Luiz de Camões com traducções francezas e castelhanas</source>
                    <publisher-name>Imprensa Nacional</publisher-name>
                </element-citation>
            </ref>
            <ref id="B23">

                <mixed-citation>Benoliel, J. (1898h). <italic>Fábulas de Loqmán: vertidas em Portuguez e paraphraseadas em versos hebraicos</italic>. Imprensa Nacional. Internet Archive. https://archive.org/details/fabulasdeloqmn00luqm</mixed-citation>
                <element-citation publication-type="book">
                    <person-group person-group-type="author">
                        <name>
                            <surname>Benoliel</surname>
                            <given-names>J.</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <year>1898h</year>
                    <source>Fábulas de Loqmán: vertidas em Portuguez e paraphraseadas em versos hebraicos</source>
                    <publisher-name>Imprensa Nacional</publisher-name>
                    <comment>Internet Archive</comment>
                    <comment><ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://archive.org/details/fabulasdeloqmn00luqm">https://archive.org/details/fabulasdeloqmn00luqm</ext-link></comment>
                </element-citation>
            </ref>
            <ref id="B24">

                <mixed-citation>Benoliel, J. (1911, 02 ago.). [Carta manuscrita a Bernardino Machado]. <italic>Casa Comum – Fundação Mário Soares</italic>. http://casacomum.org/cc/visualizador?pasta=06705.036</mixed-citation>
                <element-citation publication-type="webpage">
                    <person-group person-group-type="author">
                        <name>
                            <surname>Benoliel</surname>
                            <given-names>J.</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <year>1911</year>
                    <day>02</day>
                    <month>08</month>
                    <comment>Carta manuscrita a Bernardino Machado</comment>
                    <source>Casa Comum – Fundação Mário Soares</source>
                    <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://casacomum.org/cc/visualizador?pasta=06705.036">http://casacomum.org/cc/visualizador?pasta=06705.036</ext-link>
                </element-citation>
            </ref>
            <ref id="B25">

                <mixed-citation>Benoliel, J. (1914, 10 mar.). Carta de Joseph Benoliel para Teófilo Braga. <italic>Museu da Presidência da República</italic>. https://www.arquivo.museu.presidencia.pt/details?id=15200</mixed-citation>
                <element-citation publication-type="webpage">
                    <person-group person-group-type="author">
                        <name>
                            <surname>Benoliel</surname>
                            <given-names>J.</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <year>1914</year>
                    <day>10</day>
                    <month>03</month>
                    <comment>Carta de Joseph Benoliel para Teófilo Braga</comment>
                    <source>Museu da Presidência da República</source>
                    <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www.arquivo.museu.presidencia.pt/details?id=15200">https://www.arquivo.museu.presidencia.pt/details?id=15200</ext-link>
                </element-citation>
            </ref>
            <ref id="B26">

                <mixed-citation>Benoliel, J. (1918). <italic>Les surhommes au Carcan. 2ème partie. Mané, Thécel, Pharès</italic>. Typographia do Annuario Commercial.</mixed-citation>
                <element-citation publication-type="book">
                    <person-group person-group-type="author">
                        <name>
                            <surname>Benoliel</surname>
                            <given-names>J.</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <year>1918</year>
                    <source>Les surhommes au Carcan. 2ème partie. Mané, Thécel, Pharès</source>
                    <publisher-name>Typographia do Annuario Commercial</publisher-name>
                </element-citation>
            </ref>
            <ref id="B27">

                <mixed-citation>Benoliel, J. (1928). Dialecto judeo-hispano-marroquí o hakitía. <italic>Boletín de la Real Academia Española</italic>, <italic>XV</italic>, 47–61, 183–223.</mixed-citation>
                <element-citation publication-type="journal">
                    <person-group person-group-type="author">
                        <name>
                            <surname>Benoliel</surname>
                            <given-names>J.</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <year>1928</year>
                    <article-title>Dialecto judeo-hispano-marroquí o hakitía</article-title>
                    <source>Boletín de la Real Academia Española</source>
                    <volume>XV</volume>
                    <page-range>47–61, 183–223</page-range>
                </element-citation>
            </ref>
            <ref id="B28">

                <mixed-citation>Benoliel, J. (1961). <italic>O grande jejum. Sermão proferido em 1923 na Sinagoga Hes Haim</italic>. Editorial Império.</mixed-citation>
                <element-citation publication-type="book">
                    <person-group person-group-type="author">
                        <name>
                            <surname>Benoliel</surname>
                            <given-names>J.</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <year>1961</year>
                    <source>O grande jejum. Sermão proferido em 1923 na Sinagoga Hes Haim</source>
                    <publisher-name>Editorial Império</publisher-name>
                </element-citation>
            </ref>
            <ref id="B29">

                <mixed-citation>Benoliel, J. (1977). <italic>Dialecto judeo-hispano-marroquí o Hakitía</italic>. R. Benazeraf/CSIC.</mixed-citation>
                <element-citation publication-type="book">
                    <person-group person-group-type="author">
                        <name>
                            <surname>Benoliel</surname>
                            <given-names>J.</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <year>1977</year>
                    <source>Dialecto judeo-hispano-marroquí o Hakitía</source>
                    <publisher-name>R. Benazeraf/CSIC</publisher-name>
                </element-citation>
            </ref>
            <ref id="B30">

                <mixed-citation>Braga, T. (1915). <italic>Versão hebraica do Amadis de Gaula</italic>. Imprensa da Universidade.</mixed-citation>
                <element-citation publication-type="book">
                    <person-group person-group-type="author">
                        <name>
                            <surname>Braga</surname>
                            <given-names>T.</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <year>1915</year>
                    <source>Versão hebraica do Amadis de Gaula</source>
                    <publisher-name>Imprensa da Universidade</publisher-name>
                </element-citation>
            </ref>
            <ref id="B31">

                <mixed-citation>Catalán, D. (2010, 14 jul.). En busca de romances fuera de la península: en Canarias y en las comunidades sefardíes, 1904. II. Creación y orígenes del archivo Menéndez Pidal del Romancero. <italic>El archivo del Romancero, patrimonio de la humanidad</italic> [2001]. https://cuestadelzarzal.blogia.com/2010/071301-4.-em-busca-de-romances-fuera-de-la-peninsula-ver-canarias-y-ver-las-comunidades-.php</mixed-citation>
                <element-citation publication-type="webpage">
                    <person-group person-group-type="author">
                        <name>
                            <surname>Catalán</surname>
                            <given-names>D.</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <year>2010</year>
                    <day>14</day>
                    <month>07</month>
                    <comment>En busca de romances fuera de la península: en Canarias y en las comunidades sefardíes, 1904. II. Creación y orígenes del archivo Menéndez Pidal del Romancero</comment>
                    <source>El archivo del Romancero, patrimonio de la humanidad</source>
                    <comment>2001</comment>
                    <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://cuestadelzarzal.blogia.com/2010/071301-4.-em-busca-de-romances-fuera-de-la-peninsula-ver-canarias-y-ver-las-comunidades-.php">https://cuestadelzarzal.blogia.com/2010/071301-4.-em-busca-de-romances-fuera-de-la-peninsula-ver-canarias-y-ver-las-comunidades-.php</ext-link>
                </element-citation>
            </ref>
            <ref id="B32">

                <mixed-citation>Chesterman, Andrew. 2009. The name and nature of Translator Studies. <italic>Hermes. Journal of Language and Communication Studies</italic>, <italic>42</italic>, 13–22.</mixed-citation>
                <element-citation publication-type="journal">
                    <person-group person-group-type="author">
                        <name>
                            <surname>Chesterman</surname>
                            <given-names>Andrew</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <year>2009</year>
                    <article-title>The name and nature of Translator Studies</article-title>
                    <source>Hermes. Journal of Language and Communication Studies</source>
                    <volume>42</volume>
                    <fpage>13</fpage>
                    <lpage>22</lpage>
                </element-citation>
            </ref>
            <ref id="B33">

                <mixed-citation>Cordeiro, L. (1892). [Préface]. In J. Benoliel. <italic>Inês de Castro. Épisode des Lusiades. Traduction en vers hébreux revue par Mr. Le Grand-Rabbin L. Wogue</italic> (pp. I–VIII). Imprensa Nacional/Sociedade de Geografia de Lisboa.</mixed-citation>
                <element-citation publication-type="book">
                    <person-group person-group-type="author">
                        <name>
                            <surname>Cordeiro</surname>
                            <given-names>L</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <year>1892</year>
                    <comment>Préface</comment>
                    <person-group person-group-type="author">
                        <name>
                            <surname>Benoliel</surname>
                            <given-names>J</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <source>Inês de Castro. Épisode des Lusiades. Traduction en vers hébreux revue par Mr. Le Grand-Rabbin L. Wogue</source>
                    <fpage>I</fpage>
                    <lpage>VIII</lpage>
                    <publisher-name>Imprensa Nacional/Sociedade de Geografia de Lisboa</publisher-name>
                </element-citation>
            </ref>
            <ref id="B34">

                <mixed-citation>Cunha, X. (1893[-1895]). Suum cuique tuetur. In <italic>Pretidão de amor. Endechas de Camões a Barbara escrava, seguidas da respectiva traducção em varias linguas e antecedidas de um preambulo</italic> (pp. 275–285). Imprensa Nacional. Internet Archive. https://archive.org/details/pretidodeamorbe00cunhgoog</mixed-citation>
                <element-citation publication-type="webpage">
                    <person-group person-group-type="author">
                        <name>
                            <surname>Cunha</surname>
                            <given-names>X</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <year>1893[-1895]</year>
                    <source>Suum cuique tuetur</source>
                    <comment>Pretidão de amor. Endechas de Camões a Barbara escrava, seguidas da respectiva traducção em varias linguas e antecedidas de um preambulo</comment>
                    <fpage>275</fpage>
                    <lpage>285</lpage>
                    <publisher-name>Imprensa Nacional</publisher-name>
                    <publisher-name>Internet Archive</publisher-name>
                    <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://archive.org/details/pretidodeamorbe00cunhgoog">https://archive.org/details/pretidodeamorbe00cunhgoog</ext-link>
                </element-citation>
            </ref>
            <ref id="B35">

                <mixed-citation>Cunha, X. (1898). Profissão-de-fé. In Benoliel, J., <italic>Lyricas de Luiz de Camões com traducc</italic>̧<italic>ões francezas e castelhanas</italic> (pp. 7–17). Imprensa Nacional.</mixed-citation>
                <element-citation publication-type="book">
                    <person-group person-group-type="author">
                        <name>
                            <surname>Cunha</surname>
                            <given-names>X</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <year>1898</year>
                    <chapter-title>Profissão-de-fé</chapter-title>
                    <person-group person-group-type="author">
                        <name>
                            <surname>Benoliel</surname>
                            <given-names>J</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <source>Lyricas de Luiz de Camões com traducc</source>
                    <comment>̧<italic>ões francezas e castelhanas</italic></comment>
                    <fpage>7</fpage>
                    <lpage>17</lpage>
                    <publisher-name>Imprensa Nacional</publisher-name>
                </element-citation>
            </ref>
            <ref id="B36">

                <mixed-citation>Fernández Martín, E. (2020). Criterio lexicográfico e información enciclopédica en el glosario léxico del dialecto judeo-hispano-marroquí o hakitía de José Benoliel. <italic>Miscelánea de Estudios Árabes y Hebraicos. Sección Hebreo</italic>, <italic>69</italic>, 31–61. https://doi.org/10.30827/meahhebreo.v69i0.1050</mixed-citation>
                <element-citation publication-type="journal">
                    <person-group person-group-type="author">
                        <name>
                            <surname>Fernández Martín</surname>
                            <given-names>E.</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <year>2020</year>
                    <article-title>Criterio lexicográfico e información enciclopédica en el glosario léxico del dialecto judeo-hispano-marroquí o hakitía de José Benoliel</article-title>
                    <source>Miscelánea de Estudios Árabes y Hebraicos. Sección Hebreo</source>
                    <volume>69</volume>
                    <fpage>31</fpage>
                    <lpage>61</lpage>
                    <pub-id pub-id-type="doi">10.30827/meahhebreo.v69i0.1050</pub-id>
                </element-citation>
            </ref>
            <ref id="B37">

                <mixed-citation>Fernández Pulido, A. (1905). <italic>Españoles sin patria y la raza sefardi</italic>. E. Teodoro. Internet Archive. https://archive.org/details/espanolessinpat00puli</mixed-citation>
                <element-citation publication-type="webpage">
                    <person-group person-group-type="author">
                        <name>
                            <surname>Fernández Pulido</surname>
                            <given-names>A</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <year>1905</year>
                    <source>Españoles sin patria y la raza sefardi</source>
                    <person-group person-group-type="author">
                        <name>
                            <surname>Teodoro</surname>
                            <given-names>E</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <publisher-name>Internet Archive</publisher-name>
                    <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://archive.org/details/espanolessinpat00puli">https://archive.org/details/espanolessinpat00puli</ext-link>
                </element-citation>
            </ref>
            <ref id="B38">

                <mixed-citation>Jackson, K. D. (2018). O Camões dos orientalistas. <italic>TECOP. Textos e Contextos do Orientalismo Português</italic>. https://tecop.bnportugal.gov.pt/np4/Camões.html</mixed-citation>
                <element-citation publication-type="webpage">
                    <person-group person-group-type="author">
                        <name>
                            <surname>Jackson</surname>
                            <given-names>K. D.</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <year>2018</year>
                    <source>O Camões dos orientalistas</source>
                    <publisher-name>TECOP. Textos e Contextos do Orientalismo Português</publisher-name>
                    <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://tecop.bnportugal.gov.pt/np4/Camões.html">https://tecop.bnportugal.gov.pt/np4/Camões.html</ext-link>
                </element-citation>
            </ref>
            <ref id="B39">

                <mixed-citation>Kellman, S. G. (2000). <italic>The translingual imagination</italic>. University of Nebraska Press.</mixed-citation>
                <element-citation publication-type="book">
                    <person-group person-group-type="author">
                        <name>
                            <surname>Kellman</surname>
                            <given-names>S. G.</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <year>2000</year>
                    <source>The translingual imagination</source>
                    <publisher-name>University of Nebraska Press</publisher-name>
                </element-citation>
            </ref>
            <ref id="B40">

                <mixed-citation>Kellman, S. G. (2020). <italic>Nimble tongues</italic>. Studies in Literary Translingualism. Purdue University Press.</mixed-citation>
                <element-citation publication-type="book">
                    <person-group person-group-type="author">
                        <name>
                            <surname>Kellman</surname>
                            <given-names>S. G.</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <year>2020</year>
                    <source>Nimble tongues</source>
                    <chapter-title>Studies in Literary Translingualism</chapter-title>
                    <publisher-name>Purdue University Press</publisher-name>
                </element-citation>
            </ref>
            <ref id="B41">

                <mixed-citation>Kellman, S. G., &amp; Lvovich, N. (Eds.). (2022). <italic>The Routledge handbook of literary translingualism</italic>. Routledge.</mixed-citation>
                <element-citation publication-type="book">
                    <person-group person-group-type="editor">
                        <name>
                            <surname>Kellman</surname>
                            <given-names>S. G</given-names>
                        </name>
                        <name>
                            <surname>Lvovich</surname>
                            <given-names>N</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <year>2022</year>
                    <source>The Routledge handbook of literary translingualism</source>
                    <publisher-name>Routledge</publisher-name>
                </element-citation>
            </ref>
            <ref id="B42">

                <mixed-citation>Loeb, I. (1888). Bibliographie: Benoliel (Joseph). Porat Ioseph. <italic>Revue des études juives</italic>, <italic>16</italic>, 299. Internet Archive. https://archive.org/stream/revuedestudesjui16soci#page/n311/mode/2up</mixed-citation>
                <element-citation publication-type="webpage">
                    <person-group person-group-type="author">
                        <name>
                            <surname>Loeb</surname>
                            <given-names>I.</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <year>1888</year>
                    <comment>Bibliographie: Benoliel (Joseph). Porat Ioseph</comment>
                    <source>Revue des études juives</source>
                    <volume>16</volume>
                    <fpage>299</fpage>
                    <lpage>299</lpage>
                    <publisher-name>Internet Archive</publisher-name>
                    <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://archive.org/stream/revuedestudesjui16soci#page/n311/mode/2up">https://archive.org/stream/revuedestudesjui16soci#page/n311/mode/2up</ext-link>
                </element-citation>
            </ref>
            <ref id="B43">

                <mixed-citation>Menéndez Pidal, R. (1928). <italic>El Romancero: teorías e investigaciones</italic>. Editorial Paez.</mixed-citation>
                <element-citation publication-type="book">
                    <person-group person-group-type="author">
                        <name>
                            <surname>Menéndez Pidal</surname>
                            <given-names>R.</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <year>1928</year>
                    <source>El Romancero: teorías e investigaciones</source>
                    <publisher-name>Editorial Paez</publisher-name>
                </element-citation>
            </ref>
            <ref id="B44">

                <mixed-citation>Menéndez Pidal, R., &amp; Benoliel, J. (1905). Endencha de los judíos españoles de Tánger. <italic>Revista de Archivos, Bibliotecas y Museos</italic>, <italic>12</italic>, 128–133.</mixed-citation>
                <element-citation publication-type="journal">
                    <person-group person-group-type="author">
                        <name>
                            <surname>Menéndez Pidal</surname>
                            <given-names>R</given-names>
                        </name>
                        <name>
                            <surname>Benoliel</surname>
                            <given-names>J.</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <year>1905</year>
                    <article-title>Endencha de los judíos españoles de Tánger</article-title>
                    <source>Revista de Archivos, Bibliotecas y Museos</source>
                    <volume>12</volume>
                    <fpage>128</fpage>
                    <lpage>133</lpage>
                </element-citation>
            </ref>
            <ref id="B45">

                <mixed-citation>Munday, J. (2014). Using primary sources to produce a microhistory of translation and translators: theoretical and methodological concerns. <italic>The Translator</italic>, <italic>20</italic>(1), 64–80. https://doi.org/10.1080/13556509.2014.899094</mixed-citation>
                <element-citation publication-type="journal">
                    <person-group person-group-type="author">
                        <name>
                            <surname>Munday</surname>
                            <given-names>J.</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <year>2014</year>
                    <article-title>Using primary sources to produce a microhistory of translation and translators: theoretical and methodological concerns</article-title>
                    <source>The Translator</source>
                    <volume>20</volume>
                    <issue>1</issue>
                    <fpage>64</fpage>
                    <lpage>80</lpage>
                    <pub-id pub-id-type="doi">10.1080/13556509.2014.899094</pub-id>
                </element-citation>
            </ref>
            <ref id="B46">

                <mixed-citation>Muñoz Solla, R. (2021). <italic>Menéndez Pidal, Abraham Yahuda y la política de la Real Academia Española hacia el hispanismo judío y la lengua sefardi</italic>. Ediciones de la Universidad de Salamanca.</mixed-citation>
                <element-citation publication-type="book">
                    <person-group person-group-type="author">
                        <name>
                            <surname>Muñoz Solla</surname>
                            <given-names>R.</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <year>2021</year>
                    <source>Menéndez Pidal, Abraham Yahuda y la política de la Real Academia Española hacia el hispanismo judío y la lengua sefardi</source>
                    <publisher-name>Ediciones de la Universidad de Salamanca</publisher-name>
                </element-citation>
            </ref>
            <ref id="B47">

                <mixed-citation>[O Ocidente] (1898, 10 fev.). Echos da solidão – por José Benoliel – Lisboa – 1897. <italic>O Occidente</italic>, <italic>XXI</italic>(688), 32. Hemeroteca Digital. https://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/OBRAS/Ocidente/1898/N688/N688_master/N688.pdf</mixed-citation>
                <element-citation publication-type="webpage">
                    <person-group person-group-type="author">
                        <collab>[O Ocidente]</collab>
                    </person-group>
                    <year>1898</year>
                    <day>10</day>
                    <month>02</month>
                    <comment>Echos da solidão – por José Benoliel – Lisboa – 1897</comment>
                    <source>O Occidente</source>
                    <volume>XXI</volume>
                    <issue>688</issue>
                    <fpage>32</fpage>
                    <lpage>32</lpage>
                    <publisher-name>Hemeroteca Digital</publisher-name>
                    <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/OBRAS/Ocidente/1898/N688/N688_master/N688.pdf">https://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/OBRAS/Ocidente/1898/N688/N688_master/N688.pdf</ext-link>
                </element-citation>
            </ref>
            <ref id="B48">

                <mixed-citation>Pereira, F. M. E. (1894, 21 jan.). José Benoliel. <italic>O Occidente</italic>, <italic>XVII</italic>(543), 22. Hemeroteca Digital. https://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/OBRAS/Ocidente/1894/N543/N543_master/N543.pdf</mixed-citation>
                <element-citation publication-type="webpage">
                    <person-group person-group-type="author">
                        <name>
                            <surname>Pereira</surname>
                            <given-names>F. M. E</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <year>1894</year>
                    <day>21</day>
                    <month>01</month>
                    <comment>José Benoliel</comment>
                    <source>O Occidente</source>
                    <volume>XVII</volume>
                    <issue>543</issue>
                    <fpage>22</fpage>
                    <lpage>22</lpage>
                    <publisher-name>Hemeroteca Digital</publisher-name>
                    <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/OBRAS/Ocidente/1894/N543/N543_master/N543.pdf">https://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/OBRAS/Ocidente/1894/N543/N543_master/N543.pdf</ext-link>
                </element-citation>
            </ref>
            <ref id="B49">

                <mixed-citation>Pereira, F. M. E. (1913). Trovas de Luis Anrriquez a hũa moça. <italic>Boletim da Segunda Classe</italic>, <italic>VII</italic>(2), 208–221.</mixed-citation>
                <element-citation publication-type="journal">
                    <person-group person-group-type="author">
                        <name>
                            <surname>Pereira</surname>
                            <given-names>F. M. E</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <year>1913</year>
                    <article-title>Trovas de Luis Anrriquez a hũa moça</article-title>
                    <source>Boletim da Segunda Classe</source>
                    <volume>VII</volume>
                    <issue>2</issue>
                    <fpage>208</fpage>
                    <lpage>221</lpage>
                </element-citation>
            </ref>
            <ref id="B50">

                <mixed-citation>Pereira, E., &amp; Rodrigues, G. (1904). S.v. “Academia de Estudos Livres”. In <italic>Portugal: diccionario historico, chorographico, heraldico, biographico, bibliographico, numismatico e artistico</italic> (vol. 1, pp. 37–38). Romano Torres. Internet Archive. https://archive.org/details/portugaldicciona01pere/page/n5/mode/2up</mixed-citation>
                <element-citation publication-type="webpage">
                    <person-group person-group-type="author">
                        <name>
                            <surname>Pereira</surname>
                            <given-names>E</given-names>
                        </name>
                        <name>
                            <surname>Rodrigues</surname>
                            <given-names>G.</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <year>1904</year>
                    <comment>S.v. “Academia de Estudos Livres”</comment>
                    <source>Portugal: diccionario historico, chorographico, heraldico, biographico, bibliographico, numismatico e artistico</source>
                    <volume>1</volume>
                    <fpage>37</fpage>
                    <lpage>38</lpage>
                    <publisher-name>Romano Torres</publisher-name>
                    <publisher-name>Internet Archive</publisher-name>
                    <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://archive.org/details/portugaldicciona01pere/page/n5/mode/2up">https://archive.org/details/portugaldicciona01pere/page/n5/mode/2up</ext-link>
                </element-citation>
            </ref>
            <ref id="B51">

                <mixed-citation>Pimienta, G. (2008). Don Jose Benoliel, entre la realidad i la leyenda. <italic>Aki Yerushalayim</italic>, <italic>84</italic>, 47–51. Internet Archive. https://web.archive.org/web/20151122232454/http://aki-yerushalayim.co.il/ay/084/084_10_donjose.htm</mixed-citation>
                <element-citation publication-type="webpage">
                    <person-group person-group-type="author">
                        <name>
                            <surname>Pimienta</surname>
                            <given-names>G.</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <year>2008</year>
                    <source>Don Jose Benoliel, entre la realidad i la leyenda</source>
                    <comment>Aki Yerushalayim</comment>
                    <volume>84</volume>
                    <fpage>47</fpage>
                    <lpage>51</lpage>
                    <publisher-name>Internet Archive</publisher-name>
                    <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://web.archive.org/web/20151122232454/http://aki-yerushalayim.co.il/ay/084/084_10_donjose.htm">https://web.archive.org/web/20151122232454/http://aki-yerushalayim.co.il/ay/084/084_10_donjose.htm</ext-link>
                </element-citation>
            </ref>
            <ref id="B52">

                <mixed-citation>Pinto, M. P. (2020). Polyglot orientalist-translator Joseph Benoliel: A study of his Hebrew translations for the Lisbon 1892 International Congress of Orientalists. <italic>Perspectives</italic>, <italic>28</italic>(2), 185–201. https://doi.org/10.1080/0907676X.2019.1665076</mixed-citation>
                <element-citation publication-type="journal">
                    <person-group person-group-type="author">
                        <name>
                            <surname>Pinto</surname>
                            <given-names>M. P.</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <year>2020</year>
                    <article-title>Polyglot orientalist-translator Joseph Benoliel: A study of his Hebrew translations for the Lisbon 1892 International Congress of Orientalists</article-title>
                    <source>Perspectives</source>
                    <volume>28</volume>
                    <issue>2</issue>
                    <fpage>185</fpage>
                    <lpage>201</lpage>
                    <pub-id pub-id-type="doi">10.1080/0907676X.2019.1665076</pub-id>
                </element-citation>
            </ref>
            <ref id="B53">

                <mixed-citation>Prista, L., &amp; Albino, C. (Orgs.). (1996). <italic>Filólogos portugueses entre 1868 e 1943: catálogo da exposição organizada para o XI Encontro Nacional da Associação Portuguesa de Linguística</italic>. Cosmos.</mixed-citation>
                <element-citation publication-type="book">
                    <person-group person-group-type="compiler">
                        <name>
                            <surname>Prista</surname>
                            <given-names>L</given-names>
                        </name>
                        <name>
                            <surname>Albino</surname>
                            <given-names>C</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <year>1996</year>
                    <source>Filólogos portugueses entre 1868 e 1943: catálogo da exposição organizada para o XI Encontro Nacional da Associação Portuguesa de Linguística</source>
                    <publisher-name>Cosmos</publisher-name>
                </element-citation>
            </ref>
            <ref id="B54">

                <mixed-citation>Pym, A. (2010). <italic>Exploring translation theories</italic>. Routledge.</mixed-citation>
                <element-citation publication-type="book">
                    <person-group person-group-type="author">
                        <name>
                            <surname>Pym</surname>
                            <given-names>A</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <year>2010</year>
                    <source>Exploring translation theories</source>
                    <publisher-name>Routledge</publisher-name>
                </element-citation>
            </ref>
            <ref id="B55">

                <mixed-citation>Ragusa, A. (2022). Poliglotismo finissecular. In A. Quental, <italic>Zara</italic> (pp. 145–153). Edições do Saguão.</mixed-citation>
                <element-citation publication-type="book">
                    <person-group person-group-type="author">
                        <name>
                            <surname>Ragusa</surname>
                            <given-names>A</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <year>2022</year>
                    <chapter-title>Poliglotismo finissecular</chapter-title>
                    <person-group person-group-type="author">
                        <name>
                            <surname>Quental</surname>
                            <given-names>A</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <source>Zara</source>
                    <fpage>145</fpage>
                    <lpage>153</lpage>
                    <publisher-name>Edições do Saguão</publisher-name>
                </element-citation>
            </ref>
            <ref id="B56">

                <mixed-citation>Ramos-Coelho, J. (1907). <italic>Poesias de Ramos Coelho: Vertidas em italiano, hespanhol, sueco, allemão e francês, pelos Srs. Thomas Cannizzaro, Prospero Peragallo, Solon Ambrosóli, Luis Brignòli, José Benoliel, Lamarque de Novoa, Göran Björk-man, Guilherme Storck, Achilles Millien, e Henrique Faure</italic>. Typographia de Francisco Luis Gonçalves/ Editor, Ramos Coelho.</mixed-citation>
                <element-citation publication-type="book">
                    <person-group person-group-type="author">
                        <name>
                            <surname>Ramos-Coelho</surname>
                            <given-names>J.</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <year>1907</year>
                    <source>Poesias de Ramos Coelho: Vertidas em italiano, hespanhol, sueco, allemão e francês, pelos Srs. Thomas Cannizzaro, Prospero Peragallo, Solon Ambrosóli, Luis Brignòli, José Benoliel, Lamarque de Novoa, Göran Björk-man, Guilherme Storck, Achilles Millien, e Henrique Faure</source>
                    <publisher-name>Typographia de Francisco Luis Gonçalves/ Editor, Ramos Coelho</publisher-name>
                </element-citation>
            </ref>
            <ref id="B57">

                <mixed-citation>Ramos-Coelho, J. (1910). <italic>Obras poeticas de Ramos-Coelho: contendo as poesias originaes publicadas e ineditas</italic>. Typographia Castro Irmão. Internet Archive. https://archive.org/details/obraspoeticasder00coeluoft/mode/2up</mixed-citation>
                <element-citation publication-type="webpage">
                    <person-group person-group-type="author">
                        <name>
                            <surname>Ramos-Coelho</surname>
                            <given-names>J.</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <year>1910</year>
                    <source>Obras poeticas de Ramos-Coelho: contendo as poesias originaes publicadas e ineditas</source>
                    <publisher-name>Typographia Castro Irmão</publisher-name>
                    <publisher-name>Internet Archive</publisher-name>
                    <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://archive.org/details/obraspoeticasder00coeluoft/mode/2up">https://archive.org/details/obraspoeticasder00coeluoft/mode/2up</ext-link>
                </element-citation>
            </ref>
            <ref id="B58">

                <mixed-citation>Remédios, M. (Rev.). (1908). <italic>Consolaçam ás tribulaçoens de Israel</italic>, de Samuel Usque (vol. III). Subsídios para o Estudo da História da Literatura Portuguesa, X. França Amado.</mixed-citation>
                <element-citation publication-type="book">
                    <person-group person-group-type="author">
                        <name>
                            <surname>Remédios</surname>
                            <given-names>M.</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <year>1908</year>
                    <source>Consolaçam ás tribulaçoens de Israel</source>
                    <person-group person-group-type="author">
                        <name>
                            <surname>Usque</surname>
                            <given-names>Samuel</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <volume>III</volume>
                    <publisher-name>Subsídios para o Estudo da História da Literatura Portuguesa, X</publisher-name>
                    <publisher-name>França Amado</publisher-name>
                </element-citation>
            </ref>
            <ref id="B59">

                <mixed-citation>Silva, A. (2022). Vias alternativas para o estudo dos arabistas e hebraístas portugueses – o exemplo da correspondência de Teófilo Braga. <italic>Hamsa</italic>, <italic>8</italic>. https://journals.openedition.org/hamsa/2678.</mixed-citation>
                <element-citation publication-type="journal">
                    <person-group person-group-type="author">
                        <name>
                            <surname>Silva</surname>
                            <given-names>A</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <year>2022</year>
                    <article-title>Vias alternativas para o estudo dos arabistas e hebraístas portugueses – o exemplo da correspondência de Teófilo Braga</article-title>
                    <source>Hamsa</source>
                    <volume>8</volume>
                    <comment><ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://journals.openedition.org/hamsa/2678">https://journals.openedition.org/hamsa/2678</ext-link></comment>
                </element-citation>
            </ref>
            <ref id="B60">

                <mixed-citation>Valentim, A. (2006). Traumas do império. História, memória e identidade nacional. <italic>Cadernos de Estudos Africanos</italic>, <italic>9-10</italic>. https://doi.org/10.4000/cea.1201</mixed-citation>
                <element-citation publication-type="journal">
                    <person-group person-group-type="author">
                        <name>
                            <surname>Valentim</surname>
                            <given-names>A</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <year>2006</year>
                    <article-title>Traumas do império. História, memória e identidade nacional</article-title>
                    <source>Cadernos de Estudos Africanos</source>
                    <volume>9-10</volume>
                    <pub-id pub-id-type="doi">10.4000/cea.1201</pub-id>
                </element-citation>
            </ref>
            <ref id="B61">

                <mixed-citation>Vasconcelos, C. M. (1907-1909). <italic>Estudos sobre o romanceiro peninsular, romances velhos em Portugal</italic>. Revista “Cultura Española”. Internet Archive. https://archive.org/details/estudossobreorom00vascuoft/page/8/mode/2up</mixed-citation>
                <element-citation publication-type="webpage">
                    <person-group person-group-type="author">
                        <name>
                            <surname>Vasconcelos</surname>
                            <given-names>C. M.</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <year>1907-1909</year>
                    <source>Estudos sobre o romanceiro peninsular, romances velhos em Portugal</source>
                    <publisher-name>Revista “Cultura Española”</publisher-name>
                    <publisher-name>Internet Archive</publisher-name>
                    <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://archive.org/details/estudossobreorom00vascuoft/page/8/mode/2up">https://archive.org/details/estudossobreorom00vascuoft/page/8/mode/2up</ext-link>
                </element-citation>
            </ref>
            <ref id="B62">

                <mixed-citation>Vasconcelos, C. M. (1915). Este es el Calbi orabi. <italic>Revista Lusitana</italic>, <italic>XVIII</italic>(1-2), 1–15.</mixed-citation>
                <element-citation publication-type="journal">
                    <person-group person-group-type="author">
                        <name>
                            <surname>Vasconcelos</surname>
                            <given-names>C. M</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <year>1915</year>
                    <article-title>Este es el Calbi orabi</article-title>
                    <source>Revista Lusitana</source>
                    <volume>XVIII</volume>
                    <issue>1-2</issue>
                    <fpage>1</fpage>
                    <lpage>15</lpage>
                </element-citation>
            </ref>
            <ref id="B63">

                <mixed-citation>Vasconcelos, C. M. (Ed.) (1922). <italic>Uriel da Costa: notas relativas à sua vida e às suas obras</italic>. Imprensa da Universidade. Biblioteca Nacional Digital. https://purl.pt/39074</mixed-citation>
                <element-citation publication-type="webpage">
                    <person-group person-group-type="editor">
                        <name>
                            <surname>Vasconcelos</surname>
                            <given-names>C. M.</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <year>1922</year>
                    <source>Uriel da Costa: notas relativas à sua vida e às suas obras</source>
                    <publisher-name>Imprensa da Universidade. Biblioteca Nacional Digital</publisher-name>
                    <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://purl.pt/39074">https://purl.pt/39074</ext-link>
                </element-citation>
            </ref>
            <ref id="B64">

                <mixed-citation>Verdelho, T. (2008). <italic>O encontro do português com as línguas não europeias</italic>. Biblioteca Nacional.</mixed-citation>
                <element-citation publication-type="book">
                    <person-group person-group-type="author">
                        <name>
                            <surname>Verdelho</surname>
                            <given-names>T.</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <year>2008</year>
                    <source>O encontro do português com as línguas não europeias</source>
                    <publisher-name>Biblioteca Nacional</publisher-name>
                </element-citation>
            </ref>
            <ref id="B65">

                <mixed-citation>Viana, A. R. G. (1892). Transcrição portuguesa de nomes próprios e comuns: pertencentes a idiomas falados nas colónias portuguesas. <italic>Revista Lusitana</italic>, <italic>II</italic>, 143–155.</mixed-citation>
                <element-citation publication-type="journal">
                    <person-group person-group-type="author">
                        <name>
                            <surname>Viana</surname>
                            <given-names>A. R. G</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <year>1892</year>
                    <article-title>Transcrição portuguesa de nomes próprios e comuns: pertencentes a idiomas falados nas colónias portuguesas</article-title>
                    <source>Revista Lusitana</source>
                    <volume>II</volume>
                    <fpage>143</fpage>
                    <lpage>155</lpage>
                </element-citation>
            </ref>
            <ref id="B66">

                <mixed-citation>Viana, A. R. G. (1906). <italic>Apostilas aos dicionarios portuguezes</italic> (vol. 2). Livraria Clássica Editora de A. M. Teixeira &amp; C.ª.</mixed-citation>
                <element-citation publication-type="book">
                    <person-group person-group-type="author">
                        <name>
                            <surname>Viana</surname>
                            <given-names>A. R. G</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <year>1906</year>
                    <source>Apostilas aos dicionarios portuguezes</source>
                    <volume>2</volume>
                    <publisher-name>Livraria Clássica Editora de A. M. Teixeira &amp; C.ª</publisher-name>
                </element-citation>
            </ref>
            <ref id="B67">

                <mixed-citation>Vicente, A. (2011). La presencia de la lengua española en el Norte de África y su interacción con el árabe marroquí. <italic>Revista Internacional de Lingüística Iberoamericana</italic>, <italic>IX</italic>(2/18), 59–84.</mixed-citation>
                <element-citation publication-type="journal">
                    <person-group person-group-type="author">
                        <name>
                            <surname>Vicente</surname>
                            <given-names>A</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <year>2011</year>
                    <article-title>La presencia de la lengua española en el Norte de África y su interacción con el árabe marroquí</article-title>
                    <source>Revista Internacional de Lingüística Iberoamericana</source>
                    <volume>IX</volume>
                    <issue>2/18</issue>
                    <fpage>59</fpage>
                    <lpage>84</lpage>
                </element-citation>
            </ref>
            <ref id="B68">

                <mixed-citation>Wakabayashi, J. (2018). Microhistory. In L. d’Hulst &amp; Y. Gambier (Eds.), <italic>A history of modern translation knowledge</italic> (pp. 251–254). John Benjamins.</mixed-citation>
                <element-citation publication-type="book">
                    <person-group person-group-type="author">
                        <name>
                            <surname>Wakabayashi</surname>
                            <given-names>J.</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <year>2018</year>
                    <chapter-title>Microhistory</chapter-title>
                    <person-group person-group-type="editor">
                        <name>
                            <surname>d’Hulst</surname>
                            <given-names>L.</given-names>
                        </name>
                        <name>
                            <surname>Gambier</surname>
                            <given-names>Y.</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <source>A history of modern translation knowledge</source>
                    <fpage>251</fpage>
                    <lpage>254</lpage>
                    <publisher-name>John Benjamins</publisher-name>
                </element-citation>
            </ref>
        </ref-list>
    </back>
</article>
