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                <journal-title>Cadernos de Tradução</journal-title>
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                <publisher-name>Universidade Federal de Santa Catarina</publisher-name>
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            <article-id pub-id-type="doi">10.5007/2175-7968.2024.e102033</article-id>
            <article-id pub-id-type="publisher-id">00010</article-id>
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                    <subject>Artigo</subject>
                </subj-group>
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                <article-title>Uso linguístico e reflexão metalinguística: o caso das frases clivadas na língua portuguesa.</article-title>
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                    <trans-title>Linguistic use and metalinguistic awareness: the case of cleaved sentences in Portuguese.</trans-title>
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            </title-group>
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                <contrib contrib-type="author">
                    <contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0001-7121-8443</contrib-id>
                    <name>
                        <surname>Morleo</surname>
                        <given-names>Francesco</given-names>
                    </name>
                    <role>Concepção e elaboração do manuscrito</role>
                    <role>Coleta de dados</role>
                    <role>Análise de dados</role>
                    <role>Discussão dos resultados</role>
                    <role>Revisão e aprovação</role>
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                <institution content-type="normalized">Università di Napoli L’Orientale</institution>
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                    <named-content content-type="city">Napoli</named-content>
                </addr-line>
                <country country="IT">Itália</country>
                <email>morleo@unior.it</email>
                <institution content-type="original">Università di Napoli L’Orientale. Napoli, Itália. morleo@unior.it</institution>
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            <author-notes>
                <fn fn-type="conflict">
                    <label>Conflito de interesses</label>
                    <p>Não se aplica.</p>
                </fn>
                <fn fn-type="edited-by">
                    <label>Editores</label>
                    <p>Andrea Ragusa</p>
                    <p>Alice Girotto</p>
                </fn>
                <fn fn-type="edited-by">
                    <label>Editores de seção</label>
                    <p>Andréia Guerini - Ingrid Bignardi</p>
                </fn>
            </author-notes>
            <!--<pub-date publication-format="electronic" date-type="pub">
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            <volume>44</volume>
            <issue>3</issue>
            <supplement>Esp.</supplement>
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                    <license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto (<italic>Open Access</italic>) sob a licença <italic>Creative Commons Attribution</italic>, que permite uso, distribuição e reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que o trabalho original seja corretamente citado.</license-p>
                </license>
            </permissions>
            <abstract>
                <title>Resumo</title>
                <p>O presente trabalho apresenta um estudo relativamente à presença de algumas formas pragmático-discursivas existentes na língua portuguesa, segundo alguns autores, desde o início do século XIX. Durante muito tempo, estas formas foram incluídas, por várias gramáticas, no grande grupo das <italic>expressões de realce</italic> sem que fossem analisadas do ponto de vista estrutural e funcional. Todavia, neste grande conjunto de expressões ligadas ao discurso, há algumas – mais especificadamente, as construções clivadas – presentes tanto no português europeu como no português brasileiro, que funcionam como operadores de foco informativo e contrastivo. Com base nas referências teóricas atuais acerca destas formas, este trabalho oferece uma análise das clivadas <italic>é que</italic> presentes num pequeno <italic>corpus</italic> de textos queirosianos para corroborar a tese de que, por volta do século XIX, estas construções pragmáticas se encontravam presentes como estratégias discursivas.</p>
            </abstract>
            <trans-abstract xml:lang="en">
                <title>Abstract</title>
                <p>The present work presents a study regarding the presence of some pragmatic-discursive forms existing in the Portuguese language, according to some authors, since the beginning of the 19th century. For a long time, these forms were included, by various grammars, in the large group of highlighting expressions without being analysed from a structural and functional point of view. However, in this large set of expressions linked to speech, there are some – more specifically, cleft constructions – present in both European and Brazilian Portuguese, which function as operators of informative and contrastive focus. Based on current theoretical references about these forms, this work offers an analysis of the clefts present in a small corpus of texts by Eça de Queirós to corroborate the thesis that, around the 19th century, these pragmatic constructions were present and used as discursive strategies.</p>
            </trans-abstract>
            <kwd-group xml:lang="pt">
                <title>Palavras-chave</title>
                <kwd>Clivagem</kwd>
                <kwd>consciência metalinguística</kwd>
                <kwd>língua falada</kwd>
            </kwd-group>
            <kwd-group xml:lang="en">
                <title>Keywords</title>
                <kwd>Cleft sentences</kwd>
                <kwd>metalinguistic awareness</kwd>
                <kwd>spoken language</kwd>
            </kwd-group>
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    <body>
        <sec sec-type="intro">
            <title>1. Introdução</title>
            <p>Na frase, ou talvez devêssemos dizer no enunciado, o destaque de um constituinte que contém a parte remática e a nova informação do enunciado ocorre através da divisão, ou clivagem, de uma frase simples em duas frases: uma frase principal, que tem por predicado uma forma do verbo ser usualmente destacada na parte esquerda, e uma segunda frase que mantém o próprio verbo e é introduzida por um complementador relativo (<xref ref-type="bibr" rid="B04">Basile <italic>et al</italic>., 2010</xref>). Estas construções sintáticas são um tipo de recurso pragmático-discursivo definido <italic>clivagem</italic>. As construções clivadas têm uma história relativamente recente, não sendo encontradas sistematicamente antes do século XVIII – período em que estas construções se estabeleceram em toda a Europa, provavelmente por influência da língua francesa.</p>
            <p>É importante notar que este tipo de construção está prototipicamente ligado à modalidade falada da língua e, durante muito tempo (precisamente por estar ligado a um registo coloquial), foi estigmatizado pela gramática normativa e, portanto, na produção escrita. Por muito tempo, a gramática tradicional (prescritiva) classificou todas as construções relacionadas com a oralidade – ou que não se encaixavam na <italic>ordem natural</italic> dos constituintes na frase – como frases enfáticas. Como escrevem <xref ref-type="bibr" rid="B08">Braga, Kato e Mioto (2009)</xref>, as gramáticas normativas do português não analisam o fenômeno da clivagem, mas apresentam exemplos de frases clivadas, referindo-se à palavra <italic>que</italic> ou à locução <italic>é que</italic> como partículas expletivas, ou de realce ou ênfase<xref ref-type="fn" rid="fn01">1</xref>.</p>
            <p>Como apresentamos neste trabalho, este tipo de construção pragmático-discursiva encontrava-se presente na literatura – como estratégia para representar as interações entre personagens – desde, pelo menos, o século XIX. Com o intuito de procurarmos estas construções em textos literários, criámos um pequeno corpus de obras do autor português Eça de Queirós. O <italic>corpus</italic> é composto pelas seguintes obras: <italic>Os Maias</italic>, <italic>O Crime do Padre Amaro</italic>, <italic>O Primo Basílio</italic>, <italic>Contos</italic>, <italic>A Capital</italic>, <italic>O Mandarim</italic>, <italic>A Correspondência de Fradique Mendes</italic> e <italic>A Cidade e as Serras</italic>. Segundo o <italic>software online</italic> Sketch Engine<italic><xref ref-type="fn" rid="fn02">2</xref></italic>, usado para esta pesquisa, o <italic>corpus</italic> é composto por 997 872 <italic>tokens</italic>, 808 326 palavras, e 40 845 frases.</p>
        </sec>
        <sec>
            <title>2. Ênfase, realce e foco</title>
            <p>Antes de mais, é importante ter em conta os conceitos de ênfase e de realce – como já tinha feito Melo Abreu (2001) – para percebermos o porquê de várias gramáticas fazerem referência a <italic>construções de realce</italic>. Verificando o Dicionário da Língua Portuguesa da Academia das Ciências de Lisboa<xref ref-type="fn" rid="fn03">3</xref>, consideremos a definição de ênfase: “artifício retórico que consiste em acentuar ou evidenciar alguma palavra ou expressão”; e a definição de realce<xref ref-type="fn" rid="fn04">4</xref>: “ato de fazer sobressair; facto de se salientar ou destacar em relação ao meio circundante”; “aquela em que se emprega uma ou várias palavras que, sendo desnecessárias para a compreensão do sentido de uma frase, lhe dão maior ênfase”.</p>
            <p>Nos estudos linguísticos recentes, as palavras <italic>realce</italic> e ênfase foram substituídas pelo termo <italic>foco</italic> para se referir a frases que são utilizadas para duas funções discursivas, a saber: (a) introduzir novas informações, que é conhecida como Foco de Informação (IF), e (b) introduzir um contraste em relação a uma asserção anterior, negando uma parte e propondo outra parte (<xref ref-type="bibr" rid="B23">Jiménez-Fernández, 2015</xref>).</p>
            <p>Para melhor compreendermos o que se entende por <italic>foco</italic>, consideramos que, numa interação dialógica, o orador escolhe como organizar o próprio turno dialógico, isto é, como formular a mensagem (o seu conteúdo) que pretende enviar ao seu interlocutor. De um modo geral, o orador escolhe um elemento ou tópico como ponto de partida da comunicação, e refere-se a esse elemento para a informação ser transmitida (<xref ref-type="bibr" rid="B39">Salvi e Vannelli, 2004</xref>). A estrutura comunicativa, isto é, a forma de organizar um turno conversacional, de um enunciado depende dos pressupostos, do contexto em que se desenvolve a ação dialógica, e das expectativas do falante e do ouvinte durante a interação dialógica. Esta estrutura do enunciado tem vários nomes, conforme a perspetiva de análise e a abordagem teórica.</p>
            <p>Geralmente, a estrutura comunicativa ou informacional de um enunciado pode ser dividida em dois grupos, como demonstrado na <xref ref-type="table" rid="t01">tabela 1</xref> (constituídos por conceitos fundamentais para a organização textual e a clareza da comunicação). A partir da distinção, dentro da oração, entre Sujeito e Predicado, considera-se o Tema como a parte inicial da oração e que constitui a informação dada (conhecida) ou inferida. O Tema constitui o tópico sobre o qual é produzido o Rema (ou Foco), isto é, a parte relevante da oração que contém a informação nova e pertinente para os interlocutores. Assim, o Tópico (como o Tema) é a parte inicial de uma frase que fornece o contexto ou a informação dada (geralmente, refere-se a algo já conhecido ou mencionado anteriormente na conversa), e o Foco é a parte do enunciado que contém a informação nova, relevante e em destaque.</p>
            <table-wrap id="t01">
                <label>Tabela 1</label>
                <table frame="hsides" rules="groups">
                    <tbody>
                        <tr align="center">
                            <td>Sujeito</td>
                            <td>Predicado</td>
                        </tr>
                        <tr align="center">
                            <td>Tema</td>
                            <td>Rema</td>
                        </tr>
                        <tr align="center">
                            <td>Tópico</td>
                            <td>Foco</td>
                        </tr>
                        <tr align="center">
                            <td>Dado</td>
                            <td>Novo</td>
                        </tr>
                        <tr align="center">
                            <td>Pressuposto</td>
                            <td>Asserido</td>
                        </tr>
                        <tr align="center">
                            <td>Background</td>
                            <td>Focus</td>
                        </tr>
                    </tbody>
                </table>
                <table-wrap-foot>
                    <fn>
                        <p>Fonte: Morleo (2024)</p>
                    </fn>
                    <fn>
                        <p>[A estrutura informacional da frase]</p>
                    </fn>
                </table-wrap-foot>
            </table-wrap>
            <p>Passando da oração para o discurso, entendemos por Dado as informações compartilhadas ou previsíveis pelo contexto, ou seja, o conhecimento mútuo entre os interlocutores. Por outro lado, entendemos por Novo as informações imprevisíveis e não recuperáveis a partir do discurso anterior. Da mesma forma, mas com gradientes diferentes, funcionam os conceitos mutuamente exclusivos de Pressuposto/Asserido e <italic>Background</italic>/<italic>Focus</italic><xref ref-type="fn" rid="fn05">5</xref>. A oposição entre a parte dada e a parte nova de uma frase está ligada aos conceitos de asserção e pressuposição (<xref ref-type="bibr" rid="B22">Jackendoff, 1972</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B27">Lambrecht, 2001</xref>). De qualquer forma, nem sempre o Tema e o Dado ou o Tema e o Pressuposto coincidem, podendo o contexto e a organização textual identificar partes diferentes do mesmo enunciado ou da mesma oração, conforme o tipo de interação. Cada construção segue uma ordem sintática diferente e refere-se a operações definidas de topicalização e focalização.</p>
            <p>Voltando ao conceito de foco, podemos afirmar que, na estruturação do conteúdo a ser compartilhado com o ouvinte, o falante pode utilizar diferentes construções que lhe permitem destacar o foco (em relação ao resto do enunciado), isto é, um elemento que o falante considera essencial para a troca com o seu interlocutor e sobre o qual repõe a proeminência informativa (<xref ref-type="bibr" rid="B21">Halliday, 1967</xref>).</p>
        </sec>
        <sec>
            <title>3. A frase clivada</title>
            <p>Esta construção do enunciado é definida em <xref ref-type="bibr" rid="B37">Roggia (2009)</xref> – citando <xref ref-type="bibr" rid="B27">Lambrecht (2001)</xref> – como uma frase complexa constituída por uma frase principal (cujo argumento é introduzido por uma cópula ou um elemento predicativo) e uma oração subordinada. Esta frase complexa expressa uma proposição logicamente simples, “que pode ser expressa na forma de uma única frase sem que isso provoque mudanças nas condições da verdade” (<xref ref-type="bibr" rid="B37">Roggia, 2019</xref>, p. 15). Do ponto de vista pragmático-discursivo, a construção clivada permite enfatizar, tanto a nível sintático quanto a nível prosódico, um elemento particular do enunciado com outro elemento da mensagem, isto é, o foco. A função discursiva da oração clivada é, portanto, destacar novas informações ou pô-las em contraste, explícito ou implícito, com o resto da mensagem (cfr. <xref ref-type="bibr" rid="B36">Renzi <italic>et al</italic>., 1995</xref>).</p>
            <p>Como escreve <xref ref-type="bibr" rid="B19">De Cesare (2012)</xref>, nem todas as línguas têm, no seu sistema, frases clivadas ou usam tais construções do mesmo modo<xref ref-type="fn" rid="fn06">6</xref>. O português, por exemplo, é uma língua à qual se reconhece grande liberdade na ordenação dos constituintes. Seguindo o que foi afirmado por Maia e <xref ref-type="bibr" rid="B09">Braga (2015)</xref>, podemos identificar uma série de construções para a língua portuguesa que se enquadram na categoria de frase clivada pelo facto de apresentarem uma construção marcada em relação à oração não marcada cujo valor proposicional é expresso através da construção básica SVX (sujeito-verbo-complemento). Exemplificando:</p>
            <list list-type="alpha-lower">
                <list-item>
                    <p>Foi o João que eu vi sair (clivada canónica)</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>Foi o João quem eu vi sair (clivada-Q)</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>Quem eu vi sair foi o João (pseudoclivada)</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>O João foi quem eu vi sair (pseudoclivada invertida)</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>O João é que eu vi sair (clivada SER)<xref ref-type="fn" rid="fn07">7</xref></p>
                </list-item>
            </list>
            <p>Como afirmam <xref ref-type="bibr" rid="B32">Martins e Lobo (2016)</xref>, o exemplo anterior apresenta construções clivadas de vários tipos, todas possíveis na língua portuguesa<xref ref-type="fn" rid="fn08">8</xref>, e que funcionam como expressões de realce, isto é, para focalizar diferentes constituintes. Assim, nas construções clivadas é que e nas canónicas o “constituinte focalizado mais frequentemente é o sujeito; e a clivagem de complementos é muito pouco frequente nas clivadas é que” (<xref ref-type="bibr" rid="B32">Martins e Lobo, 2016</xref>, p. 2641).</p>
            <p>Tentando propor uma escala de frequência poderíamos afirmar que as construções mais evidentes para o português europeu são, por ordem, a clivada é que, a clivada canónica, a clivada SER e a pseudoclivada – com uma pequena diferença entre a frequência das canónicas e das clivadas SER, esta lista é confirmada também pelo <italic>corpus</italic> de <xref ref-type="bibr" rid="B40">Santos (2006)</xref> (cf. Vercautereen, 2015). Neste trabalho, e uma vez que é a construção mais frequente, iremos focar-nos apenas na clivada é que (alínea e) do exemplo anterior) que reproduzimos seguidamente:</p>
            <list list-type="order">
                <list-item>
                    <p>O João é que eu vi sair.</p>
                </list-item>
            </list>
            <p>A estrutura presente no exemplo 1 representa una estratégia de focalização de um constituinte (o João) sobre um pano de fundo (alguém saiu) pressuposto ou apresentado anteriormente na interação dialógica, conforme o contexto em que esta estratégia discursiva é usada pelo falante (Martins e Lobo, 2016; <xref ref-type="bibr" rid="B35">Prandi, 2023</xref>). Na secção seguinte apresentaremos a estrutura clivada é que do ponto de vista sintático e pragmático-discursivo, tentando perceber melhor quais são as funções que lhe são atribuídas para além da função de destaque de um determinado elemento do enunciado.</p>
            <sec>
                <title>3.1. A clivada é que</title>
                <p>Do ponto de vista sintático, na construção clivada é que temos: em primeiro lugar, o constituinte clivado (CC), seguido pela terceira pessoa do presente indicativo do verbo <italic>ser</italic>, o pronome relativo (complementador) <italic>que</italic> e, por último, a oração clivada (OC). O esquema e o exemplo 2 que se seguem ilustram a construção, onde o CC é o pronome <italic>eu</italic> e a OC é <italic>estava cansada de estar sentada</italic>. CC – É QUE – OC</p>
                <list list-type="simple">
                    <list-item>
                        <p>2. Eu <bold>é que</bold> estava cansada de estar sentada. (Amaro)</p>
                    </list-item>
                </list>
                <p>Como a literatura neste âmbito tem afirmado, os constituintes que podem ser clivados incluem o sujeito (3), complemento objeto direto (4) e o complemento objeto indireto (5), vários complementos preposicionados (6), circunstanciais (ou adjuntos adverbiais) e advérbios (7, 8), e constituintes predicativos (9)<xref ref-type="fn" rid="fn09">9</xref>. O sujeito e os adjuntos adverbiais são os constituintes mais frequentes nesta construção.</p>
                <list list-type="simple">
                    <list-item>
                        <p>3. Eu é que tenho dado para a panela. (Amaro)</p>
                    </list-item>
                    <list-item>
                        <p>4. Filha minha é que eu não lhe dava. (Amaro)</p>
                    </list-item>
                    <list-item>
                        <p>5. A ti é que eu te levava. (Capital)</p>
                    </list-item>
                    <list-item>
                        <p>6. Em Tormes é que ele está (Cidade Serras)</p>
                    </list-item>
                    <list-item>
                        <p>7. Então só hoje é que pensa nisso, Amaro? (Amaro)</p>
                    </list-item>
                    <list-item>
                        <p>8. Só ontem é que soube. (Maias)</p>
                    </list-item>
                    <list-item>
                        <p>9. Mais duro e complicado é que eu lhe dê (…) a minha opinião sobre o seu Brasil. (Fradique)</p>
                    </list-item>
                </list>
                <p>No nosso <italic>corpus</italic> encontrámos 206 ocorrências da construção é que. Seguidamente, apresentamos alguns exemplos das ocorrências encontradas. É importante frisar que foram procuradas no <italic>corpus</italic> apenas frases declarativas positivas e negativas; não contabilizámos as interrogativas.</p>
                <list list-type="simple">
                    <list-item>
                        <p>10. E <bold>você</bold>, Natário, é que <bold>deve ir</bold> ao secretário-geral. (Amaro)</p>
                    </list-item>
                    <list-item>
                        <p><bold>11. O Jorge</bold>, se soubesse, é que <bold>tinha</bold> um desgosto! (Basílio)</p>
                    </list-item>
                    <list-item>
                        <p><bold>12. A França</bold> é que <bold>é</bold> catita! (Capital)</p>
                    </list-item>
                    <list-item>
                        <p><bold>13. A mãe dele</bold> é que <bold>não tem</bold> saudades! (Maias)</p>
                    </list-item>
                    <list-item>
                        <p><bold>14. Eu</bold> é que <bold>tenho dado</bold> para a panela, Mendes! (Amaro)</p>
                    </list-item>
                    <list-item>
                        <p>15. Fazes bem, filha, <bold>tu</bold> é que <bold>fazes</bold> bem! (Basílio)</p>
                    </list-item>
                    <list-item>
                        <p><bold>16. Esse Jacinto</bold> é que <bold>me desola</bold>! (Cidade Serras)</p>
                    </list-item>
                </list>
                <p>Os exemplos 10 a 16 apresentam um padrão em que o CC é o sujeito da frase clivada. Em todos os casos, o verbo da OC concorda com o elemento clivado à esquerda do grupo é que. O exemplo 17 (apresentado seguidamente) representa um caso diferente onde encontramos à esquerda do elemento um sintagma preposicional com função de complemento de agente – é interessante o facto de os elementos da forma básica desta frase não serem afetados pela mudança da ordem dentro da frase clivada. O mesmo ocorre nos exemplos 18 e 19: quer no primeiro caso (18, “por causa da Ameliazinha”), quer no segundo (19, “no clube”) os elementos clivados têm um valor circunstancial e não foram afetados pela mudança da ordem básica dos sintagmas na frase não marcada (exs., eu não sei por causa da Ameliazinha; haviam de cantar no clube). Note-se que, também no exemplo 20, o complemento se mantém preposicionado como previsto pelo verbo pronominal <italic>aproveitar-se</italic>.</p>
                <list list-type="simple">
                    <list-item>
                        <p>17. <underline>Por vós</underline> é que <bold>eu vim chamado</bold>, senhora! (Contos)</p>
                    </list-item>
                    <list-item>
                        <p>18. <underline>Por causa da Ameliazinha</underline> é que <bold>eu não sei</bold> (Amaro)</p>
                    </list-item>
                    <list-item>
                        <p>19. <underline>No Clube</underline> é que <bold>haviam de cantar</bold>, se lá estivesse o Zé das Três. (Capital)</p>
                    </list-item>
                    <list-item>
                        <p>20. Dessas faltas de vigilância sobre a alma e a vontade é que <bold>se aproveitava o demônio</bold>! (Amaro)</p>
                    </list-item>
                </list>
                <p>No exemplo seguinte (21), o elemento clivado é o sujeito da oração clivada (<bold>Ele</bold>) com um reforço, na parte esquerda da frase, do complemento objeto. Se retirarmos o sujeito expresso do CC teremos uma construção gramaticalmente aceite e sempre marcada, isto é, clivada (20a, b).</p>
                <list list-type="simple">
                    <list-item>
                        <p>21. <bold>Ele</bold> a mim é que me pregou uma partida! (Maias)</p>
                    </list-item>
                    <list-item>
                        <p>20a. Ele é que me pregou uma partida!</p>
                    </list-item>
                    <list-item>
                        <p>20b. <bold>A mim</bold> é que me pregou uma partida!</p>
                    </list-item>
                </list>
                <p>Do ponto de vista sintático, também os exemplos seguintes apresentam uma informação circunstancial no CC que consiste em advérbios (22-24) deíticos espaciais (25, 27), demonstrativos (28-31).</p>
                <list list-type="simple">
                    <list-item>
                        <p>22. <underline>Agora</underline> é que <bold>elas começam</bold>, disse o cônego olhando para todos em redor. (Amaro)</p>
                    </list-item>
                    <list-item>
                        <p>23. <underline>Assim</underline> é que a queria sempre! (Basílio)</p>
                    </list-item>
                    <list-item>
                        <p>24. <underline>Então</underline> é que é chupá-las! (Amaro)</p>
                    </list-item>
                    <list-item>
                        <p>25. <underline>Aí</underline> é que <bold>está a dificuldade</bold>. (Fradique)</p>
                    </list-item>
                    <list-item>
                        <p>26. <underline>Lá</underline> é que <bold>são mausoléus</bold>, <underline>lá</underline> é que <bold>faz gosto</bold>... (Capital)</p>
                    </list-item>
                    <list-item>
                        <p>27. <underline>Aqui</underline> é que <bold>tu vives</bold>! (Basílio)</p>
                    </list-item>
                    <list-item>
                        <p>28. <underline>Isto</underline> é que é <bold>ter gosto</bold>, <underline>isto</underline> é que é <bold>compreender as coisas</bold>! (Maias)</p>
                    </list-item>
                    <list-item>
                        <p>29. <underline>Isto agora</underline> é que <bold>é a tua casa</bold>! (Basílio)</p>
                    </list-item>
                    <list-item>
                        <p>30. <underline>Isso</underline> é que <bold>me convinha</bold> – disse ainda o tio Jacinto. (Capital)</p>
                    </list-item>
                    <list-item>
                        <p>31. <underline>Aquilo</underline> é que é terra! (Maias)</p>
                    </list-item>
                </list>
                <p>Outras ocorrências que encontramos no <italic>corpus</italic> apresentam na posição do CC um constituinte complexo composto por estruturas enunciativas (isto é, não se trata de sintagmas compostos apenas pela testa). Seguem-se alguns exemplos, onde o CC está sublinhado e o elemento principal do foco está a negrito.</p>
                <list list-type="simple">
                    <list-item>
                        <p>32. <bold>esse exército</bold> com que os senhores querem acabar por ser uma escola de vadiagem é que lhes havia de guardar as costas (Maias)</p>
                    </list-item>
                </list>
                <p>No caso do exemplo 32, o CC tem a função de sujeito e é composto por um sintagma nominal complexo. Em 33, a subordinada temporal é posta em foco na posição de CC. Nos exemplos 34 e 35 temos, na posição de CC, uma subordinada temporal precedida por um demostrativo que parece funcionar como um tema suspenso.</p>
                <list list-type="simple">
                    <list-item>
                        <p>33. <underline>Quando lhe lembrar que</underline>
                            <bold><underline>nas vésperas da morte</underline></bold> é que se deve fazer alguma boa ação (Amaro)</p>
                    </list-item>
                    <list-item>
                        <p>34. <bold>Quando não serve</bold> é que aparece. (Amaro)</p>
                    </list-item>
                    <list-item>
                        <p>35. E Luísa ouviu-a, no corredor, dizer alto: <underline>isto</underline>
                            <bold><underline>quando o senhor voltar</underline></bold> é que são os ajustes de contas! (Basílio)</p>
                    </list-item>
                </list>
                <p>No exemplo 36, o CC é a prótase de uma frase hipotética e, portanto, estamos perante uma frase complexa também na sua forma não marcada: “se não o faz a filha morreu” (uma possível paráfrase desta frase seria “se não o faz quer dizer que a filha morreu”). Também neste caso, o foco coincide com todo o CC e, portanto, com a prótase da frase hipotética.</p>
                <list list-type="simple">
                    <list-item>
                        <p>36. <bold>Se o não faz</bold> é que a filha morreu. (Maias)</p>
                    </list-item>
                </list>
                <p>Ao elenco de casos em que o CC é complexo devemos acrescentar as ocorrências em que o CC é uma subordinada adverbial com testa o advérbio focalizador <italic>só</italic><xref ref-type="fn" rid="fn10">10</xref>. Dão-se alguns exemplos dos casos em que temos no CC uma subordinada adverbial com testa o focalizador <italic>só</italic> (37-40):</p>
                <list list-type="simple">
                    <list-item>
                        <p>37. <underline>Só</underline>
                            <bold><underline>na guelra</underline></bold> é que o gancho o pode prender. (Cidade Serras)</p>
                    </list-item>
                    <list-item>
                        <p>38. <underline>Só</underline>
                            <bold><underline>quando o choro acalmou</underline></bold> é que ela pôde dizer, com voz soluçada: falaste-me tão secamente (Basílio)</p>
                    </list-item>
                    <list-item>
                        <p>39. <underline>Só</underline>
                            <bold><underline>desde que amava Amélia</underline></bold> é que ouvia missa (Amaro)</p>
                    </list-item>
                    <list-item>
                        <p>40. Eu, esta manhã, recebo um chapéu, com um bilhete de D. Joana, dizendo que tinham achado aquele <italic>claque</italic> e que, <underline>só</underline>
                            <bold><underline>depois de muitos tratos à memória</underline></bold>, é que descobrira pelas iniciais que era o seu! (Capital)</p>
                    </list-item>
                </list>
                <p>Nos exemplos 37 a 40 sublinhámos todo o CC e colocámos a negrito apenas uma porção do foco para frisar o facto de duas estratégias de focalização intervirem nestes exemplos: o focalizador <italic>só</italic> e a construção clivada é que. Quanto às construções é que aqui exemplificadas, tomamos as palavras de <xref ref-type="bibr" rid="B41">Vercaureten (2010, p. 581)</xref>: “o advérbio <italic>só</italic> implica exaustividade e exclusividade do constituinte sobre o qual tem escopo e pressupõe que haja outras entidades a que a propriedade não se aplica”. No que tem a ver com o resto das clivadas em questão, podemos ver como o foco funciona de forma exclusiva ou exaustiva conforme as necessidades discursivas contextuais.</p>
                <p>Concluindo esta secção, destacamos, mais uma vez, o que sobressai dos exemplos apresentados: em primeiro lugar, como afirmado em <xref ref-type="bibr" rid="B32">Martins e Lobo (2016, p. 2645)</xref>, “o bloco é que é invariável, isto é, não concorda em número-pessoa com o sujeito clivado nem em tempo com o verbo da oração clivada”. Em segundo lugar, não pode ser negado, “nem modificado, nem conjugado em pessoa-número, tempo e modo” (<xref ref-type="bibr" rid="B32">Martins e Lobo, 2016</xref>, p. 2645). Portanto, é possível afirmar que “o verbo ser, nestas estruturas, sofre um processo de gramaticalização, passando por consequência é que a funcionar como uma lexia indivisível marcadora de foco” (Martins e Lobo, 2016, p. 2645). O CC pode ser composto por sintagmas ou frases que funcionam como sujeito, complemento objeto direto e indireto e como circunstancial. Como mostra o exemplo 36, a construção é que pode modificar também as construções hipotéticas inserindo o bloco é que entre prótase e apódose.</p>
                <sec>
                    <title>3.1.1. A clivada é que e o valor textual do constituinte clivado</title>
                    <p>Lembrando que do ponto de vista pragmático-discursivo, dito de forma geral – isto é, sem distinguir entre plano sintático, plano pragmático e plano cognitivo –, a função desta construção clivada é que é a de realçar uma determinada informação (o foco) dentro de um contexto linguístico (explícito ou pressuposto<xref ref-type="fn" rid="fn11">11</xref>) partilhado entre falante e interlocutor<xref ref-type="fn" rid="fn12">12</xref>, parece-nos profícuo partir da análise do valor textual do CC para evidenciar a ligação discursiva entre o enunciado, o cotexto e o contexto. Analisar o valor textual do CC parece-nos uma pista para depois avaliar o tipo de foco que se encontra no nosso <italic>corpus</italic>. Em seguida, abordaremos o valor que o foco pode desempenhar dentro da interação dialógica, nomeadamente: informacional, contrastivo, corretivo ou, simplesmente, mirativo.</p>
                </sec>
            </sec>
            <sec>
                <title>3.2. O valor anafórico do constituinte clivado</title>
                <p>Considerando que uma frase clivada pode funcionar só dentro de um contexto dialógico, seja real seja ficcional, as frases clivadas – e portanto, o CC – devem necessariamente estar ligadas a uma porção de discurso que funciona como tópico e conexão da clivada; dito de outra forma, devem ter um valor referencial de tipo anafórico ou catafórico. A título exemplificativo (portanto, sem alguma pretensão de exaustividade) vamos considerar os seguintes casos:</p>
                <list list-type="simple">
                    <list-item>
                        <p>41. E daí a dias, o cônego, vendo aproximar-se o fim de agosto, falou de alugar casa na Vieira, como costumava um ano sim outro não, para ir tomar os seus banhos de mar. O ano passado não fora. Este era o ano de praia... E a mana <bold>lá</bold>, naqueles ares saudáveis da beira-mar, <bold>é que acaba de ganhar forças e carnes</bold> (Amaro)</p>
                    </list-item>
                    <list-item>
                        <p>42. Eu, palavra, gosto do Ega! Lá essas coisas de realismo e romantismo, histórias... Um lírio é tão natural como um percevejo... Uns preferem fedor de sarjeta; perfeitamente, destape-se o cano público... Eu prefiro pós de marechala num seio branco; a mim o seio, e, lá vai à vossa. <underline>O que se quer, é coração. E o Ega tem-no. E tem faísca, tem rasgo, tem estilo</underline>... Pois, <bold>assim é que eles se querem</bold>, e, lá vai à saúde do Ega! (Maias)</p>
                    </list-item>
                    <list-item>
                        <p>43. A Gertrudes, a velha e possante ama do abade, entrou então com a vasta terrina do caldo de galinha: e o Libaninho, saltitando em redor dela, começou os seus gracejos:</p>
                        <p>— Ai, Gertrudinhas, quem tu fazias feliz, bem eu sei!</p>
                        <p>A velha aldeã ria, com o seu espesso riso bondoso, que lhe sacudia a massa do seio.</p>
                        <p>— Olha que arranjo me aparece agora pela tarde!...</p>
                        <p>— Ai, filha! <underline>as mulheres querem-se como as peras, maduras e de sete cotovelos</underline>. <bold>Então é que é chupá-las!</bold></p>
                        <p>Os padres gargalharam; e, alegremente, acomodaram-se à mesa. (Amaro)</p>
                    </list-item>
                </list>
                <p>No exemplo 41 é evidente como o deítico <italic>lá</italic> (advérbio de lugar), posto em posição de foco, tem um valor anafórico, tendo como antecedente a localidade balnear de Vieira e a praia – como também se infere pelo circunstancial (naqueles ares saudáveis da beira-mar) encaixado com valor parentético entre o CC e o bloco <italic>é que</italic><xref ref-type="fn" rid="fn13">13</xref>. No caso do exemplo 42 o advérbio <italic>assim</italic> refere-se (anaforicamente) a uma série de informações presentes no texto na porção que precede a frase clivada (sublinhado no exemplo). A mesma consideração pode feita no exemplo 43 que começa por outro advérbio (temporal, neste caso).</p>
                <list list-type="simple">
                    <list-item>
                        <p>44. Sebastião que tinha estado na quinta de Almada quase duas semanas, ficou aterrado quando, ao voltar, a Joana lhe deu as grandes “novidades”: <underline>que a Luisinha agora saía todos os dias às duas horas</underline>, <underline>que o primo não voltara</underline>; <bold>a Gertrudes é que lho dissera</bold>; não se falava na rua noutra coisa... (Basílio)</p>
                    </list-item>
                    <list-item>
                        <p>45. Melchior deixava-lhe cair sobre as costas um olhar rancoroso, cheio de um desprezo imenso.</p>
                        <p>Não podia, por vezes, disfarçar ataques súbitos de ódio pelo emigrado. De repente, sem razão, embezerrava. A Concha percebia, vinha gracejar com ele, perguntar-lhe o que tinha su abuelito, se estava zangado com su netita, retorcia-lhe o bigode, sentava-se-lhe mesmo nos joelhos, rindo, pulando, enquanto Manolo, muito sério, harpejava os bordões da guitarra ou jogava com Artur o écarté a dois tostões.</p>
                        <p>Melchior, ordinariamente, acalmava-se, mas, só com Artur, desabafava: não podia tragar o Manolo! Não podia! Um dia quebrava a cara ao Manolo...</p>
                        <p>— Mas por quê, Melchior?</p>
                        <p>Melchior calava-se e daí a pouco rosnava:</p>
                        <p>— <bold>O Governo é que tem a culpa</bold>; consentir nesta súcia de foragidos! (Capital)</p>
                    </list-item>
                </list>
                <p>No caso do exemplo 44, assim como no exemplo 45, o CC não está diretamente ligado à porção textual à sua esquerda (isto é, o cotexto antes da clivada). Em 44 o CC é o sujeito da frase clivada; a presença do complemento objeto (o) na oração clivada demostra como, neste caso, é o clítico a ter o valor anafórico e não o CC. Em 45 o CC (o governo) não retoma diretamente um elemento textual anterior; embora esta consideração não seja provada por um teste linguístico, o governo estaria implicitamente ligado ao pressuposto: a culpa da súcia de foragidos que deixa zangado Melchior é do governo. De qualquer modo, quer no exemplo 44 quer no exemplo 45, é indiscutível o valor anafórico que toda a frase clivada tem em relação ao estado das coisas anteriormente expresso ou ao pressuposto compartilhado entre as duas personagens.</p>
                <p>Portanto, parecendo-nos impossível um valor catafórico das frases clivadas <italic>é que</italic> com base nos exemplos apresentados, podemos afirmar que as construções <italic>é que</italic> têm sempre um valor anafórico, tendo como antecedente um estado de coisas expresso textualmente ou pressuposto. Isto deve-se ao facto de as clivadas funcionarem sempre como estratégias de foco dentro de uma interação (real ou verossímil). Na secção seguinte vamos aprofundar o valor e os tipos de foco com base na literatura mais recente.</p>
            </sec>
            <sec>
                <title>3.3. As clivadas <bold><italic>é que</italic></bold> e os tipos de foco</title>
                <p>Tradicionalmente, distinguem-me dois tipos de foco: informacional e contrastivo. A diferença pragmática entre os dois géneros consiste no tipo de informação contida na frase. De forma muito resumida, é possível afirmar que, na interação dialógica, o foco informacional introduz uma informação nova para o ouvinte e pode ser largo ou estreito, conforme a quantidade lexical em relação à informação dada (ou pressuposta)<xref ref-type="fn" rid="fn14">14</xref>. Já o foco contrastivo destaca um elemento (uma informação) contrastando-o dentro de um conjunto de alternativas.</p>
                <sec>
                    <title>3.3.1. O foco das construções é que</title>
                    <p>Neste âmbito, a literatura afirma que as estruturas clivadas é que ativam um foco de tipo contrastivo (isto é, para marcar um contraste<xref ref-type="fn" rid="fn15">15</xref>) que aparece na parte esquerda da frase. Assim sendo, excluindo de todo o foco informacional, falta somente analisar o tipo de foco contrastivo, pois, conforme <xref ref-type="bibr" rid="B18">Dal Farra (2018)</xref><xref ref-type="fn" rid="fn16">16</xref> e <xref ref-type="bibr" rid="B17">Cruschina (2019)</xref><xref ref-type="fn" rid="fn17">17</xref>, podemos distinguir mais três formas de foco que nos podem ajudar a compreender melhor as clivadas objeto do nosso estudo. A seguir apresentamos o elenco dos vários tipos de foco em questão:</p>
                    <list list-type="bullet">
                        <list-item>
                            <p><bold>Foco contrastivo <italic>tout court</italic></bold>: a focalização puramente contrastiva exprime um contraste entre um elemento focalizado e um elemento paralelo, envolvendo a referência a, pelo menos, duas alternativas. Ao contrário do foco informacional, refere-se a um conjunto fechado de alternativas. A parte não-focal não é previamente dada (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Dal Farra, 2018</xref>);</p>
                        </list-item>
                        <list-item>
                            <p><bold>Foco corretivo</bold>: a proposição afirmada implica uma correção em relação a uma ou mais alternativas já explicitamente presentes no contexto. O foco corretivo é utilizado para negar ou corrigir uma afirmação ou pressuposição anterior que o falante não partilha. Tal como no caso do foco contrastivo, refere-se a um conjunto fechado de alternativas, mas aqui é necessário um antecedente semântico: a parte não-focal deve ser dada (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Dal Farra, 2018</xref>);</p>
                        </list-item>
                        <list-item>
                            <p><bold>Foco mirativo</bold>: a proposição afirmada é considerada menos provável e, portanto, mais inesperada do que outras alternativas, com base nas expectativas e conhecimentos compartilhados pelos oradores.</p>
                        </list-item>
                    </list>
                    <p>Parece-nos pertinente perceber se esta distinção entre tipos de foco contrastivo pode diferenciar as clivadas é que presentes no nosso <italic>corpus</italic>. Com este objetivo, vamos apresentar as nossas considerações com um intuito apenas qualitativo e não quantitativo, tentando compreender o tipo de foco contrastivo presente nos exemplos que se seguem.</p>
                </sec>
                <sec>
                    <title>3.3.2. Foco contrastivo tout court</title>
                    <p>Como afirmam <xref ref-type="bibr" rid="B32">Martins e Lobo (2016)</xref>, as construções <italic>é que</italic> em que o CC é o sujeito podem ser usadas para contrastar o sujeito ou toda a preposição. Os exemplos 46 a 48 apresentam este tipo de foco contrastivo, ou seja, o sujeito da construção clivada contrasta uma proposição anterior, isto é, da parte de cotexto que precede a clivada.</p>
                    <list list-type="simple">
                        <list-item>
                            <p>46. O cônego continuou:</p>
                            <p>— É um belo negócio para a S. Joaneira: dando os quartos, roupas, comida, criada, pode muito bem pedir os seus seis tostões por dia. E depois sempre tem o pároco de casa.</p>
                            <p>— <bold>Por causa da Ameliazinha é que eu não sei</bold> — considerou timidamente o coadjutor. — Sim, pode ser reparado. Uma rapariga nova... Diz que o senhor pároco é ainda novo... Vossa senhoria sabe o que são línguas do mundo.</p>
                        </list-item>
                        <list-item>
                            <p>47. O cônego tinha parado:</p>
                            <p>— Ora histórias! Então o padre Joaquim não vive debaixo das mesmas telhas com a afilhada da mãe? E o cônego Pedroso não vive com a cunhada, e uma irmã da cunhada, que é uma rapariga de dezenove anos? Ora essa!</p>
                            <p>— Eu dizia... atenuou o coadjutor.</p>
                            <p>— Não, não vejo mal nenhum. A S. Joaneira aluga os seus quartos, é como se fosse uma hospedaria. Então o secretário-geral não esteve lá uns poucos de meses?</p>
                            <p>— Mas um eclesiástico... insinuou o coadjutor.</p>
                            <p>— Mais garantias, Sr. Mendes, mais garantias! exclamou o cônego. E parando, com uma atitude confidencial: — <bold>E depois a mim é que me convinha</bold>, Mendes! A mim é que me convinha, meu amigo! (Amaro)</p>
                        </list-item>
                        <list-item>
                            <p>48. — A S. Joaneira é uma pessoa de bem! olhe que é uma pessoa de bem, Mendes! exclamava o cônego batendo no chão fortemente com a ponteira do guarda-sol.</p>
                            <p>— As línguas do mundo são venenosas, senhor cônego, disse o coadjutor com uma voz chorosa. E depois dum silêncio, acrescentou baixo: — Mas aquilo a vossa senhoria deve-lhe sair caro!</p>
                            <p>— Pois aí está, meu amigo! Imagine você que desde que o secretário-geral se foi embora a pobre da mulher tem tido a casa vazia: <bold>eu é que tenho dado para a panela</bold>, Mendes! (Amaro)</p>
                        </list-item>
                    </list>
                    <p>A análise aqui parece possível apenas no plano discursivo<xref ref-type="fn" rid="fn18">18</xref> e menos no plano estritamente sintático. De facto, os exemplos 46 a 48 mostram duas clivadas que contrastam em tudo com o resto do cotexto, mas apresentam um OC (isto é, o Tema ou Tópico) não diretamente reconduzível a um elemento do cotexto anterior. Tanto o CC como o OC respondem coerentemente ao contexto, no nível discursivo. Nos exemplos 46 a 48 há um contraste entre o OC e o cotexto e um destaque do CC dentro do contraste marcado pelo OC.</p>
                    <list list-type="simple">
                        <list-item>
                            <p>49. E então, censurou verbosamente a debilidade de Artur. Se fosse com ele! Oh, se fosse com ele! Tinha-lhe quebrado já uma bengala nas costas! E expôs a teoria «que as espanholas só à pancada». De resto gostavam de levar! Até se apaixonavam! Citou exemplos, anedotas. Um amigo dele, desde que dera uma coça na Lola, trazia-a como um cordeiro e babada por ele. — Raparigas desta vida, é à bordoada! <bold>Eu é que sei lidar com elas</bold> — acrescentou, furioso. (Capital)</p>
                        </list-item>
                    </list>
                    <p>No exemplo 49, o contraste é o sujeito da clivada (o CC) e outros agentes subentendidos. Portanto, temos um contraste entre uma opção (Eu) e um conjunto fechado de alternativas. Neste caso não há dúvidas sobre o valor contrastivo da clivada <italic>é que</italic>. De forma geral, estes exemplos evidenciam o que já foi afirmado sobre o uso das clivadas <italic>é que</italic> como dispositivo linguístico para realçar uma determinada informação dentro numa interação dialógica (espontânea ou ficcional).</p>
                </sec>
                <sec>
                    <title>3.3.3 Foco corretivo</title>
                    <p>Como escreve <xref ref-type="bibr" rid="B18">Dal Farra (2018, p. 43)</xref>, o foco corretivo “can actually be considered a subtype of merely contrastive focalization”, consistindo numa estratégia para negar ou corrigir uma asserção precedente ou uma pressuposição. Neste caso, como já descrito anteriormente, o CC apresenta-se dentro de um conjunto fechado de alternativas, mas o antecedente é necessário. Por outras palavras, a OC deve corresponder ao Dado. Seguem-se alguns exemplos que, na nossa opinião, configuram este tipo de foco:</p>
                    <list list-type="simple">
                        <list-item>
                            <p>50. Fazia-o no seu solar Santa de Olavia! Vira até nos papéis públicos...</p>
                            <p>— Não, disse Carlos, <bold>o avô é que foi ontem</bold>... Eu não me sinto ainda em disposição do ir comunicar com a natureza... (Maias)</p>
                        </list-item>
                        <list-item>
                            <p>51. — E tu, perguntou então Carlos, voltando-se para o Eusebiozinho. Tens estado em Sintra, hein? Que se faz lá?... O Ega?</p>
                            <p>O outro ergueu-se guardando o canivete, ajeitando as lunetas.</p>
                            <p>— Lá está no Victor, muito engraçado, comprou um burro... Lá está o Dâmaso também... Mas esse pouco se vê, não larga os Cohens.... Enfim tem-se passado menos mal, com bastante calor...</p>
                            <p>— Tu estavas outra vez com a mesma prostituta, a Lola?</p>
                            <p>Eusebiozinho fez-se escarlate. Credo! estava no Victor, muito sério! <bold>O Palma é que lá tinha aparecido com uma rapariga portuguesa</bold>... (Maias)</p>
                        </list-item>
                        <list-item>
                            <p>52. Eu trago aqui uma declaração dela a seu respeito... <bold>Esse Guimarães é que tinha este documento</bold>, com outros papéis que ela lhe entregou em 71, nas vésperas da guerra... Ele conservou-os até agora, e queria restituir-lhos, mas não sabia onde V. Exc.a vivia. (Maias)</p>
                        </list-item>
                        <list-item>
                            <p>53. O Conselheiro acudiu logo:</p>
                            <p>— Se estavam fazendo música, por quem são... Sou um velho assinante de São Carlos, há dezoito anos...</p>
                            <p>Basílio interrompeu-o:</p>
                            <p>— Toca?</p>
                            <p>— Toquei. Não o oculto. Em rapaz fui dado à flauta. E acrescentou, com um gesto benévolo: — Rapaziadas!... Alguma novidade, o que estava tocando, D. Luísa?</p>
                            <p>— Não! Uma música muito conhecida, já antiga; a Filha do pescador, de Meyerbeer. Tenho a letra traduzida.</p>
                            <p>Tinha cerrado as vidraças, sentara-se ao piano.</p>
                            <p><bold>O Sebastião é que toca isto bem</bold>, não é verdade, Conselheiro?</p>
                            <p>— O nosso Sebastião — disse o Conselheiro com autoridade — é um rival dos Thalbergs e dos Liszts. Conhece o nosso Sebastião? — perguntou a Basílio. (Basílio)</p>
                        </list-item>
                    </list>
                    <p>Nos casos aqui apresentados, podemos ver como o foco contrastivo destaca o CC em relação a um estado de coisas que é, de qualquer forma, retomado na oração clivada. Os exemplos 52 e 53, aqui propostos, mostram uma estrutura Rema/Tema na clivada <italic>é que</italic> relacionada com o cotexto e o contexto discursivo, já que o Tema é retomado (portanto a OC) não necessariamente da mesma forma, mas sim parafraseando-o. Este padrão de construção contrastiva é típico dos pares pergunta/resposta.</p>
                </sec>
                <sec>
                    <title>3.3.4. Foco mirativo</title>
                    <p>O foco pode estar ligado ao efeito surpresa e ao imprevisto resultando do facto de a informação ser recentemente descoberta – ainda não está integrada na provisão de conhecimento do falante (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Cruschina, 2019</xref>). A esta afirmação gostaríamos de acrescentar outro aspeto que pode ser incluído no valor mirativo: quando a frase clivada introduz uma proposição totalmente enfática do ponto de vista discursivo que não contrata ou corrige um estado de coisas previamente expresso ou pressuposto, mas acrescenta um comentário.</p>
                    <list list-type="simple">
                        <list-item>
                            <p>54. — Olhe, também lho digo, exclamou a Sra. D. Josefa Dias, o senhor é um homem sem religião e sem respeito pelas coisas santas. — E voltando-se para o lado de Amélia, muito azeda: — Olhe, <bold>filha minha é que eu lhe não dava</bold>! (Amaro)</p>
                        </list-item>
                        <list-item>
                            <p>55. — Esse desavergonhado! gritou o Dâmaso, levado noutra rajada de indignação que o fez redemoinhar, estonteado, tropeçando nos móveis. Esse descarado do Palma! <bold>Com esse é que eu me quero ver</bold>!... Lá a questão com o Carlos não vale nada, arranja-se, somos todos rapazes finos... <bold>Com o Palma é que é</bold>! <bold>Esse traidor é que eu quero rachar</bold>! Um homem a quem eu tenho dado às meias libras, aos sete mil reis! E ceias, e tipoias! Um ladrão que pediu o relógio ao Zeferino para figurar num baptizado, e pô-lo no prego!... E faz-me uma destas!... Mas hei de escavacá-lo! Onde é que você o viu, Ega? Diga lá, homem! (Maias)</p>
                        </list-item>
                        <list-item>
                            <p>56. O rapaz esteve um momento raspando o chão com a bengalinha — e foi andando devagar ao longo da plataforma. Reparava agora no moço do campo: decerto ia a Lisboa, embarcar para o Brasil; e sensibilizado pela face tão desolada da velha, pensava que o Emigrante daria um motivo tocante de poesia social, quadras de cor rica — os vastos azuis do mar contemplados de uma amurada de paquete, as noites saudosas, longe, numa fazenda do Brasil, quando a Lua é muito clara e os engenhos estão calados... E aqui, no casebre da aldeia, os pais chorando à lareira e esperando o correio... Entrevia mesmo os primeiros versos:</p>
                            <p>Ei-lo que deixa o lar, a mãe chorosa, Os verdes campos, o casal risonho...</p>
                            <p>Procurava a rima, já interessado, quando um sujeito baixote e bochechudo, de boné escocês, apareceu na grade da estação, com uma chapeleira de papelão azul, a galhofar com duas raparigas que o seguiam, oferecendo ovos moles ou mexilhões para ele levar para Lisboa.</p>
                            <p>— <bold>A ti é que eu te levava</bold>, Mariquinhas; queres tu vir? (Capital)</p>
                        </list-item>
                    </list>
                    <p>Concluindo esta secção, a partir da tradicional perspetiva em que o foco é definido a nível informativo (como informação nova), assinalado sintaticamente pelos movimentos dentro da frase não marcada (cf. <xref ref-type="bibr" rid="B28">Lobo, 2006</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B20">Duarte, 2000</xref>), frisámos o valor anafórico da frase clivada (sendo sempre ligada a uma parte do cotexto precedente expresso ou a um pressuposto) – portanto relevando o valor responsivo da construção <italic>é que</italic>; comprovámos o valor principalmente contrastivo deste dispositivo discursivo, e propomos uma pormenorização do uso contrastivo por meio de casos prefiguráveis como foco corretivo e foco mirativo. Os casos aqui apresentados, demostraram como esta construção que, repetimos, pode ser considerada como um dispositivo pragmático-discursivo que coloca a interação dialógica e a importância de se considerar neste tipo de pesquisa também cotexto, contexto, e eventuais pressupostos, funciona como estratégia de resposta a um determinado estado de coisas, ou, de forma mais geral, na negociação do significado entre falantes.</p>
                </sec>
            </sec>
        </sec>
        <sec>
            <title>4. Queirós e o retrato da interação dialógica</title>
            <p>Como mostraram os exemplos propostos, o nosso <italic>corpus</italic> respondeu de forma afirmativa a todos os tipos de pesquisa que estavam no nosso intuito. Isto leva-nos às seguintes considerações estilísticas:</p>
            <list list-type="bullet">
                <list-item>
                    <p>Entre as várias estratégias para criar diálogos verossímeis, um grande autor português como Eça de Queirós usava as frases clivadas para retratar as interações dialógicas entre a suas personagens;</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>Se as construções clivadas eram usadas como forma para recriar interações dialógicas entre personagens, com certeza eram algo que pertencia à fala dos indivíduos da sua época. Portanto, as frases clivadas eram comumente utilizadas durante o século XIX.</p>
                </list-item>
            </list>
            <p>Estamos, com certeza, perante um conhecimento tanto intuitivo da própria língua como consciente das estruturas da língua portuguesa e dos seus recursos. Podemos também definir o uso linguístico do autor como um conhecimento explícito que encontra o conhecimento implícito do leitor.</p>
            <p>É importante acrescentar que, de todos os textos que compõem o nosso <italic>corpus</italic>, a maioria das ocorrências foi encontrada sempre nas mesmas obras. Escusado será dizer que os textos em que há mais diálogos terão sempre mais exemplos desta construção. Aliás, textos como <italic>O Crime do Padre Amaro</italic> ou <italic>Os Maias</italic> apresentam um maior interesse do autor para retratar vários tipos de interações sociais e, portanto, vários registos linguísticos.</p>
        </sec>
        <sec sec-type="conclusions">
            <title>5. Conclusões</title>
            <p>As frases clivadas e, nomeadamente, as clivadas <italic>é que</italic> configuram-se como um dispositivo linguístico utilizado pelos falantes durante uma interação dialógica. Como foi possível verificar nas secções anteriores, a estrutura informacional é um dos alicerces da interação dialógica em que há uma troca de mensagens ou, melhor dizendo, uma negociação de significado entre os indivíduos que interagem entre si. Esta negociação de significado baseia-se num plano de confronto que podemos chamar Tópico ou Tema ou mesmo <italic>Background</italic> – quando estamos a considerar não o que os interlocutores estão a dizer, mas os pressupostos que partilham (ou que não partilham) – e sobre o qual irão acrescentar a própria opinião ou apresentar um estado das coisas alternativo. Nestas dinâmicas dialógicas a construção <italic>é que</italic> funciona como estratégia para destacar uma informação em relação a uma série de alternativas expressas ou pressupostas.</p>
            <p>Como demostrámos, através dos exemplos presentes no nosso <italic>corpus</italic>, a literatura do século XIX – especificamente, no nosso caso, os textos de Eça de Queirós – já comprovava o uso deste dispositivo pragmático-discursivo nas interações dialógicas. O registo coloquial e o facto de pertencer à língua falada fizeram com que esta construção fosse apenas mencionada nas gramáticas sem ser digna de ulteriores estudos. Foi necessário aguardar os desenvolvimentos da sintaxe e da pragmática para que existissem estudos sobre construções linguísticas que já eram parte do repertório implícito de escritores e leitores desde há muito tempo.</p>
        </sec>
    </body>
    <back>
        <fn-group>
            <fn fn-type="other">
                <label>Conjunto de dados de pesquisa</label>
                <p>Não se aplica.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other">
                <label>Financiamento</label>
                <p>Não se aplica.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other">
                <label>Consentimento de uso de imagem</label>
                <p>Não se aplica.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other">
                <label>Aprovação de comitê de ética em pesquisa</label>
                <p>Não se aplica.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other">
                <label>Publisher</label>
                <p>Cadernos de Tradução é uma publicação do Programa de Pós-Graduação em Estudos da Tradução, da Universidade Federal de Santa Catarina. A revista Cadernos de Tradução é hospedada pelo Portal de Periódicos UFSC. As ideias expressadas neste artigo são de responsabilidade de seus autores, não representando, necessariamente, a opinião dos editores ou da universidade.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other">
                <label>Revisão de normas técnicas</label>
                <p>Ingrid Bignardi</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn01">
                <label>1</label>
                <p>Para não cairmos em conclusões erradas, devemos lembrar que o estudo da sintaxe é relativamente recente e que, durante muito tempo, o estudo linguístico centrou-se na língua escrita. Para além disso, é preciso distinguir a produção de gramáticas normativas do estudo descritivo que nas últimas décadas foi desenvolvido: basta pensar quantas análises foram publicadas (às vezes, com diferentes abordagens teóricas) tanto para o português europeu (PE) como para o português brasileiro (PB). Só para mencionar algumas, seja para o PE seja para o PB, vejam-se <xref ref-type="bibr" rid="B11">Casteleiro (1979)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B02">Ambar (2005)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B06">Braga (1991)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B10">Brito et al. (2003)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B13">Costa e Lobo (2009)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B20">Duarte e Costa (2001)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B20">Duarte (2000)</xref>, Duarte e Costa (2005), <xref ref-type="bibr" rid="B34">Modesto (1995)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B07">Braga e Barbosa (2009)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B24">Kato e Ribeiro (2005)</xref>.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn02">
                <label>2</label>
                <p><ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://app.sketchengine.eu">https://app.sketchengine.eu</ext-link>/</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn03">
                <label>3</label>
                <p>Pesquisa - Dicionário da Língua Portuguesa (acad-ciencias.pt) (acesso 16/05/23)</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn04">
                <label>4</label>
                <p>Pesquisa - Dicionário da Língua Portuguesa (acad-ciencias.pt) (acesso 16/05/23)</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn05">
                <label>5</label>
                <p>Para os conceitos de background/focus, ler <xref ref-type="bibr" rid="B03">Andorno (2000)</xref>, e <xref ref-type="bibr" rid="B15">Cresti (2002)</xref>.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn06">
                <label>6</label>
                <p>Acredita-se que as línguas que têm uma ordem livre ou relativamente livre dos constituintes, como as línguas alemã e eslava, não precisam dessas construções para obter efeitos semântico-pragmáticos e, portanto, não usam ou não costumam usar essas construções. Do mesmo modo, acredita-se também que as línguas que têm uma ordem (relativamente) rígida dos constituintes, como o francês e o inglês, devem, em vez disso, recorrer a essas construções para se concentrar na informação (<xref ref-type="bibr" rid="B19">De Cesare, 2012</xref>, p. 19).</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn07">
                <label>7</label>
                <p><xref ref-type="bibr" rid="B32">Martins e Lobo (2016)</xref>.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn08">
                <label>8</label>
                <p>No exemplo de <xref ref-type="bibr" rid="B32">Martins e Lobo (2016)</xref> são mencionadas sete construções. Optámos por não mencionar a clivada reduzida por ser considerada apenas uma forma de resposta elíptica a uma pergunta parcial prévia.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn09">
                <label>9</label>
                <p>Este tipo de construção não prevê a clivagem de sintagmas verbais e adjuntos adverbiais em posição periférica. Todavia, como afirmam <xref ref-type="bibr" rid="B32">Martins e Lobo (2016)</xref>, é possível a clivagem de um sintagma verbal quando o verbo do sintagma verbal clivado é retomado como verbo da oração clivada o que é facilitado pela presença de negação.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn10">
                <label>10</label>
                <p>Como escreve <xref ref-type="bibr" rid="B03">Adorno (2000)</xref> o focalizador depende do focus para a interpretação do próprio contributo semântico: faz parte da estrutura focal da frase; é um instrumento para realçar o focus; é um meio de seleção do focus.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn11">
                <label>11</label>
                <p>Sobre o conceito de pressuposto, veja-se <xref ref-type="bibr" rid="B29">Lombardi Vallauri (2009)</xref>.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn12">
                <label>12</label>
                <p>O contexto linguístico funciona como pano de fundo, isto é, como tópico do ato declarativo à base da clivada é que (cf. <xref ref-type="bibr" rid="B26">Lambrecht, 1994</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B12">Chafe, 1976</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B38">Rooth, 1992</xref>).</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn13">
                <label>13</label>
                <p>Cf. <xref ref-type="bibr" rid="B41">Vercauteren (2010)</xref> sobre o encaixamento (a conexão) de circunstanciais no CC (numa perspetiva transformacional).</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn14">
                <label>14</label>
                <p>O foco informacional estreito incide sobre um constituinte da frase, ao passo que o foco informacional largo incide sobre toda a frase. Dito de outra forma, o foco informacional largo introduz para o ouvinte uma informação totalmente nova e coincidente com toda a frase produzida pelo falante, enquanto o foco informacional estreito introduz uma informação nova que só em parte constitui a frase produzida pelo falante. Com efeito, o foco informacional largo responde às perguntas Qu- ou interrogativas parciais, já que a resposta a essas perguntas requer uma frase globalmente nova. O foco informacional estreito responde a perguntas mais específicas (que contêm já parte do contexto discursivo) e encontra-se apenas na parte final da frase/resposta.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn15">
                <label>15</label>
                <p>“[S]ão, em geral, pragmaticamente desadequadas como respostas a interrogativas parciais, ou como respostas a orações interrogativas que incidem sobre toda a proposição” (<xref ref-type="bibr" rid="B32">Martins e Lobo, 2016</xref>, p. 2658). As estruturas é que “são naturais como respostas a orações interrogativas parciais quando existe um contraste implícito” (<xref ref-type="bibr" rid="B32">Martins e Lobo, 2016</xref>, p. 2658); cf. também <xref ref-type="bibr" rid="B11">Casteleiro (1979)</xref> e <xref ref-type="bibr" rid="B42">Vercauteren (2015)</xref>.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn16">
                <label>16</label>
                <p>Tirando o foco informacional, Dal Farra distingue quatro tipos de foco a esta alternativa: contrastive, corrective, mirative and exhaustive focus.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn17">
                <label>17</label>
                <p><xref ref-type="bibr" rid="B17">Cruschina (2019)</xref> fala em três tipos de foco: informativo, mirativo e corretivo. Aqui foi retirado o primeiro ponto porque a definição parece sobrepor-se à definição de foco informacional.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn18">
                <label>18</label>
                <p>Isto é, com base em pressupostos e não com base no material textual.</p>
            </fn>
        </fn-group>
         <sec sec-type="other">
            <label>Declaração de disponibilidade dos dados da pesquisa</label>
            <p>Os dados desta pesquisa, que não estão expressos neste trabalho, poderão ser disponibilizados pelo(s) autor(es) mediante solicitação.</p>
        </sec>
        <ref-list>
            <title>Referências</title>
            <ref id="B01">

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                            <surname>Ali</surname>
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                    </person-group>
                    <year>1931</year>
                    <source>Grammatica Historica da língua portugueza</source>
                    <publisher-name>Melhoramentos</publisher-name>
                </element-citation>
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            <ref id="B02">

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                        <name>
                            <surname>Ambar</surname>
                            <given-names>M.</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <year>2005</year>
                    <chapter-title>Clefts and tense asymmetries</chapter-title>
                    <person-group person-group-type="editor">
                        <name>
                            <surname>Di Sciullo</surname>
                            <given-names>Anna Maria</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <source>UG and external systems. Language, brain and computation</source>
                    <fpage>95</fpage>
                    <lpage>127</lpage>
                    <publisher-name>John Benjamins</publisher-name>
                </element-citation>
            </ref>
            <ref id="B03">

                <mixed-citation>Andorno, C. M. (2000<italic>). Focalizzatori tra connessione e messa a fuoco. Il punto di vista delle varietà di apprendimento</italic>. Franco Angeli.</mixed-citation>
                <element-citation publication-type="book">
                    <person-group person-group-type="author">
                        <name>
                            <surname>Andorno</surname>
                            <given-names>C. M.</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <year>2000</year>
                    <source>Focalizzatori tra connessione e messa a fuoco. Il punto di vista delle varietà di apprendimento</source>
                    <publisher-name>Franco Angeli</publisher-name>
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            </ref>
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                    <comment>Tese de Doutoramento</comment>
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