<?xml version="1.0" encoding="utf-8"?>
<!DOCTYPE article
  PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Publishing DTD v1.0 20120330//EN" "http://jats.nlm.nih.gov/publishing/1.0/JATS-journalpublishing1.dtd">
<article article-type="research-article" dtd-version="1.0" specific-use="sps-1.8" xml:lang="pt" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink">
    <front>
        <journal-meta>
            <journal-id journal-id-type="publisher-id">ct</journal-id>
            <journal-title-group>
                <journal-title>Cadernos de Tradução</journal-title>
                <abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Cad. Trad.</abbrev-journal-title>
            </journal-title-group>
            <issn pub-type="ppub">1414-526X</issn>
            <issn pub-type="epub">2175-7968</issn>
            <publisher>
                <publisher-name>Universidade Federal de Santa Catarina</publisher-name>
            </publisher>
        </journal-meta>
        <article-meta>
         <article-id pub-id-type="doi">10.5007/2175-7968.2024.e104175</article-id>
         <article-id pub-id-type="publisher-id">00016</article-id>
         <article-categories>
            <subj-group subj-group-type="heading">
               <subject>Artigo</subject>
            </subj-group>
         </article-categories>
         <title-group>
            <article-title>Os Mundurukus. Thomas Mayne Reid e as narrativas de viagem na Itália no final do século XIX</article-title>
            <trans-title-group xml:lang="en">
               <trans-title>The Mundurukus. Thomas Mayne Reid and travel narratives in Italy at the end of the 19th century</trans-title>
            </trans-title-group>
         </title-group>
         <contrib-group>
            <contrib contrib-type="author">
               <contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0003-1219-8176</contrib-id>
               <name>
                  <surname>La Regina</surname>
                  <given-names>Silvia</given-names>
               </name>
               <role>Concepção e elaboração do manuscrito</role>
               <role>Coleta de dados</role>
               <role>Análise de dados</role>
               <role>Discussão dos resultados</role>
               <role>Revisão e aprovação</role>
               <xref ref-type="aff" rid="aff01"/>
               <xref ref-type="corresp" rid="c01"/>
            </contrib>
         </contrib-group>
         <aff id="aff01">
            <institution content-type="normalized">Universidade Federal do Sul da Bahia</institution>
            <institution content-type="orgdiv1">Universidade Federal da Bahia</institution>
            <addr-line>
               <named-content content-type="city">Porto Seguro</named-content>
               <named-content content-type="state">Salvador</named-content>
            </addr-line>
            <country country="BR">Brasil</country>
            <institution content-type="original">Universidade Federal do Sul da Bahia / Universidade Federal da Bahia. Porto Seguro/ Salvador, Bahia, Brasil</institution>
              <email>silvialaregina@gmail.com</email>
         </aff>
         <author-notes>
            <corresp id="c01">
               <email>silvialaregina@gmail.com</email>
            </corresp>
            <fn fn-type="conflict">
               <label>Conflito de interesses</label>
               <p>Não se aplica.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="edited-by">
               <label>Editores</label>
               <p>Andrea Ragusa</p>
               <p>Alice Girotto</p>
            </fn>
            <fn fn-type="edited-by">
               <label>Editores de seção</label>
               <p>Andréia Guerini</p>
               <p>Ingrid Bignardi</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other">
               <label>Revisão de normas técnicas</label>
               <p>Ingrid Bignardi</p>
            </fn>
         </author-notes>
         <!--<pub-date publication-format="electronic" date-type="pub">
                <day>0</day>
                <month>0</month>
                <year>2025</year>
            </pub-date>
            <pub-date publication-format="electronic" date-type="collection">
                <year>2024</year>
            </pub-date>-->
            <pub-date pub-type="epub-ppub">
                <year>2024</year>
            </pub-date>
            <volume>44</volume>
            <issue>4</issue>
            <supplement>Esp.</supplement>
         <elocation-id>e104175</elocation-id>
         <history>
            <date date-type="received">
               <day>07</day>
               <month>10</month>
               <year>2024</year>
            </date>
            <date date-type="accepted">
               <day>15</day>
               <month>11</month>
               <year>2024</year>
            </date>
            <date date-type="rev-recd">
               <day>09</day>
               <month>12</month>
               <year>2024</year>
            </date>
            <date date-type="pub">
               <day>01</day>
               <month>12</month>
               <year>2024</year>
            </date>
         </history>
         <permissions>
            <license license-type="open-access" xlink:href="http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/" xml:lang="pt">
               <license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto (<italic>Open Access</italic>) sob a licença <italic>Creative Commons Attribution</italic>, que permite uso, distribuição e reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que o trabalho original seja corretamente citado.</license-p>
            </license>
         </permissions>
         <abstract>
            <title>Resumo</title>
            <p>Este texto é o paratexto da tradução de um artigo sobre os Mundurukus de Thomas Mayne Reid, publicado em 1881 no <italic>Giornale Illustrato dei Viaggi e delle Avventure di Terra e di Mar</italic>e, de Milão. O artigo apresenta sumariamente tradições e características dos Mundurukus, olhados com o costumeiro eucentrismo da época, e se coloca como ótimo exemplo das narrativas de viagem em publicações populares da época. A relevância do texto de Mayne Reid é devida à apresentação de vários aspectos da etnia Mundurukus da época (algumas tradições deles inclusive estão vivas até hoje), ao esforço de resumir para um publico não especialista, em geral juvenil, observações do autor ou de textos relativamente fidedignos por ele lidos, a certa influencia por ele exercida sobre outros atores do mesmo genero na Itália. Ao mesmo tempo, não pode ser negado que o olhar de Mayne Reid, que expressa a costumeira noção de etnocentrismo europeu perante a Amazônia, neste caso não dá excessiva ênfase aos aspectos econômicos e seu interesse em função da expansão colonial, mas parece mais curiosidade por algo tão distante e, para o autor, muitas vezes quase incompreensível.</p>
         </abstract>
         <trans-abstract xml:lang="en">
            <title>Abstract</title>
            <p>This text is the paratext of the translation of an article about the Mundurukus by Thomas Mayne Reid, published in 1881 in the <italic>Giornale Illustrato dei Viaggi e delle Avventure di Terra e di Mare,</italic> in Milan. Mayne Reid’s article briefly presents traditions and characteristics of the Mundurukus, looked at with the usual eucentrism of the time, and stands as a great example of travel narratives in popular publications of the time. The relevance of Mayne Reid’s text is due to the presentation of various aspects of the Mundurukus ethnic group at the time (some of their traditions are still alive today), the effort to summarize for a non-specialist public, generally young people, the author’s observations or relatively reliable texts read by him, the notable influence he exerted on other authors of the same genre in Italy. At the same time, it cannot be denied that Mayne Reid’s perspective, which expresses the usual notion of European ethnocentrism towards the Amazon, in this case does not give excessive emphasis to economic aspects and its interest in terms of colonial expansion, but seems more curious about something so distant and, for the author, often almost incomprehensible.</p>
         </trans-abstract>
         <kwd-group xml:lang="pt">
            <title>Palavras-chave</title>
            <kwd>Mayne Reid</kwd>
            <kwd>narrativas de viagem</kwd>
            <kwd>Emilio Salgari</kwd>
            <kwd>tradução</kwd>
         </kwd-group>
         <kwd-group xml:lang="en">
            <title>Keywords</title>
            <kwd>Mayne Reid</kwd>
            <kwd>travel narratives</kwd>
            <kwd>Emilio Salgari</kwd>
            <kwd>translation</kwd>
         </kwd-group>
         <counts>
            <fig-count count="0"/>
            <table-count count="0"/>
            <equation-count count="0"/>
            <ref-count count="21"/>
         </counts>
      </article-meta>
   </front>
   <body>
      <sec sec-type="intro">
         <title>1. Introdução</title>
         <p>No final do século XIX, as revistas de viagem, que, diversamente das atuais, não ofereciam estímulos diretos para potenciais turistas, mas relatavam aventuras mirabolantes em países pouco conhecidos, tiveram uma grande difusão em vários países europeus. Com base em romances e narrativas de exploradores, geralmente europeus - versão mais antiga de Indiana Jones em missões de descobertas aparentemente desinteressadas, mas muitas vezes finalizadas a novos empreendimentos comerciais, quando não especificamente coloniais - tais revistas veiculavam histórias fantásticas e fantasiosas, mas ao mesmo tempo contribuíam ao conhecimento sobre nações e povos dos quais se sabia muito pouco. Desnecessário frisar como o olhar fosse totalmente etnocêntrico, pelo qual os povos extra europeus, com raras exceções, eram invariavelmente chamados de “selvagens”. Neste sentido, o <italic>Giornale Illustrato dei Viaggi e delle Avventure di Terra e di Mare</italic>, publicado em Milão a partir de 1878, é um exemplo notável, assim como Thomas Mayne Reid (1818-1883), autor irlandês do texto Os Mundurukus cortadores de cabeças aqui traduzido, escritor à época muito famoso com seus mais de 75 romances e numerosos contos de aventuras exóticas, encarna o protótipo do explorador-aventureiro-escritor (ao qual se inspirou Emilio Salgari, como veremos em seguida), inteligente observador com um lugar de falar muito definido, mas, é bom lembrar, polêmica e firmemente contrário à escravidão.</p>
      </sec>
      <sec>
         <title>2. As revistas populares e de viagens na Itália</title>
         <p>Pensando, portanto, na situação italiana, no que diz respeito às narrativas de viagens num arco de trinta anos podemos citar as seguintes revistas, muitas vezes pouco longevas, mas, ainda assim, em número impressionante, sem esquecer todas as outras de outros gêneros:</p>
         <list list-type="bullet">
            <list-item>
               <p><italic>Giornale Illustrato dei Viaggi e delle Avventure di Terra e di Mar</italic>e (fundado em 1878);</p>
            </list-item>
            <list-item>
               <p><italic>La Valigia</italic>. <italic>Giornale illustrato di viaggi</italic> (fundado em 1879);</p>
            </list-item>
            <list-item>
               <p><italic>Per Terra e per Mare</italic> – <italic>Giornale di Avventure e di Viaggi diretto dal Capitano Cavaliere Emilio Salgari</italic> (fundado em 1904);</p>
            </list-item>
            <list-item>
               <p><italic>Viaggi e Avventure di Terra e di Mare</italic> – <italic>Giornale per la Gioventù e per le Famiglie</italic> (fundado em 1904 e a partir de 1905 dirigido por Luigi Motta);</p>
            </list-item>
            <list-item>
               <p><italic>Il Giornale dei Viaggi</italic>. <italic>Avventure di terra e di mare</italic> (fundado em 1905);</p>
            </list-item>
            <list-item>
               <p><italic>L’Oceano</italic> – <italic>Giornale letterario di Viaggi e Avventure</italic> (fundado em1906, sob a direção de Luigi Motta);</p>
            </list-item>
            <list-item>
               <p><italic>Il Vascello</italic> – <italic>Giornale di avventure di terra e di mare</italic> (fundado em 1906);</p>
            </list-item>
            <list-item>
               <p><italic>La Sfinge</italic> – <italic>Rivista letteraria fantastica di viaggi e avventure</italic> (fundado em 1907); (para esta relação, vide <xref ref-type="bibr" rid="B06">Foni, 2007</xref>).</p>
            </list-item>
         </list>
         <p>Na Italia, como pontua Michela <xref ref-type="bibr" rid="B21">Toppano (2017)</xref> a recente unificação carregou consigo o aparecimento da nova cultura de massa, direcionada à burguesia urbana (penso aqui, por exemplo, a todo o novo contingente de burocratas que acompanhou, na maioria dos casos se deslocando, a mudança da capital para Roma, após 1870, e que deixou marcas também na estrutura urbanística da cidade, como pode ser visto na criação do bairro de Prati) e ao proletariado a ser alfabetizado, categorias que ambas precisavam de leituras do gênero <italic>utile dulci</italic>, portanto educativas, informativas e amenas, de instrução mas também de diversão. O panorama italiano apresentava peculiaridades devidas ao tamanho do novo público, ávido por leituras que, em muitos casos, não se encontravam suficientemente numerosas em italiano, ou os autores nacionais não eram percebidos como competentes. Neste sentido, como justamente pontua Elisa Marazzi, “O século XIX após a unificação [da Itália] representa para os editores italianos o primeiro confronto real com formas de produção industrial e com um mercado moderno, notavelmente ampliado graças à aproximação à leitura de novas categorias de pessoas” (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Marazzi, 2018</xref>, p.137)<xref ref-type="fn" rid="fn01">1</xref>.</p>
         <p>Situação que levou a um natural incremento das traduções, principalmente do francês, mas também do inglês, como é o caso do texto que aqui foi escolhido e traduzido. Interessante perceber como este complexo di inferioridade dos autores italianos tenha perdurado até épocas mais recentes, como é o caso dos escritores italianos - e principalmente as escritoras - de ficção científica, que até pelo menos a década de ’50 do século passado assumiam pseudônimos anglo-saxões, sempre masculinos (cf. <xref ref-type="bibr" rid="B13">La Regina, 2022a</xref>).</p>
         <p>Voltando ao século XIX, evidentemente, à época, a legislação e a regulamentação relativa às traduções amparavam muito pouco os autores e as editoras do texto fonte: em 1862, por exemplo, foi estipulado um tratado entre França e Itália que dava aos autores o direito sobre as traduções de seus livros por um ano, depois do qual as obras cairiam no domínio público (cf. <xref ref-type="bibr" rid="B15">Marazzi, 2018</xref>), e na Itália isso gerou traduções descuidadas e sem respeito pelo texto fonte. Uma exceção, porém, foi o conhecido editor Eduardo Sonzogno, que à época era quem mais publicava séries de romances e revistas de divulgação e que em 1872 empreender uma colaboração com a <italic>Société des gens de lettres</italic>, garantido direitos mais amplos aos autores franceses que publicava (cf. <xref ref-type="bibr" rid="B15">Marazzi, 2018</xref>). Sonzogno foi “editor de inspiração democrática, perto das posições radicais e populistas de Felice Cavallotti e atento ao problema do analfabetismo e da educação das classes populares” (<xref ref-type="bibr" rid="B21">Toppano, 2017</xref>, p. 38)<xref ref-type="fn" rid="fn02">2</xref>, ativo desde 1861 e que rapidamente tornou-se um dos editores mais populares e, junto com Treves, um dos “colossos” da editoria italiana da época (cf. <xref ref-type="bibr" rid="B15">Marazzi, 2018</xref>). Uma revista de grande apelo popular, em muitas época a mais vendida do país, era a <italic>Domenica del Corriere</italic>, de periodicidade semanal, fundada em 1899 por Luigi Albertini e caracterizada por sua capa ilustrada em cores, que reproduzia o acontecimento mais importante da semana transcorrida (penso por exemplo na de 1914 sobre o atentado em Sarajevo<xref ref-type="fn" rid="fn03">3</xref>); a revista, com artigos, narrativas, matérias de autores nacionais e estrangeiros sobre acontecimentos, costumes, informação, foi ativa até 1989 e, pelo meno até as primeiras décadas do século XX, era “uma ponta de lança da editoria jornalística de amplo consumo” (<xref ref-type="bibr" rid="B06">Foni, 2007</xref>, p.186)<xref ref-type="fn" rid="fn04">4</xref>.</p>
         <p>Quase vinte anos antes, em 1878, Edoardo Sonzogno fundou em Milão o <italic>Giornale illustrato dei viaggi e delle avventure di terra e di mare</italic> (daqui em diante <italic>Giornale)</italic>, que, como diz seu titulo, oferecia artigos e narrativas sobre todo tipo de viagem, principalmente a países exóticos e então desconhecidos. Como a <italic>Domenica del Corriere</italic>, a capa do <italic>Giornale</italic> trazia uma ilustração sobre o artigo principal da revista (vide a ilustração da tradução dos Mundurukus).</p>
         <p>O <italic>Giornale,</italic> com periodicidade semanal, representava, junto com a <italic>Domenica del Corriere</italic> e com as numerosas publicações dos editores “populares” como Treves e, justamente, Sonzogno, uma importante peça da construção daquela literatura popular da qual os livros de Emilio Salgari, de Carolina Invernizio, de Julio Verne, os <italic>feuilletons</italic> franceses, os romances e contos de Conan Doyle, de Henry Rider Haggard e tantos outros autores são importantes representantes, estabelecendo as bases para a literatura de massa do século XX, com seus desdobramentos em outras artes e com outros meios, hoje essencialmente tecnológicos. A respeito da literatura popular esta época, usando estritamente a denominação usada por ele, é sempre importante a contribuição de Antonio Gramsci, especificamente com os textos reunidos em <italic>Letteratura e vita nazionale,</italic> ainda que o pensador sardo não manifeste grande apreço por estes autores: ainda assim, constatamos o esforço de analisar os movimentos e as tendencias literárias italianas e do exterior, como, por exemplo, Jules Verne e o romance “geográfico científico”, que diz muito respeito aos nosso assunto. De fato, os textos que as revistas de viagem publicavam eram deste gênero, geográfico-cientifico, de aventura, mas com um viés muitas vezes mais fantástico e improvável, no estilo de Emilio Salgari (que, aliás, além de escrever nas revistas, dirigiu, como vimos, <italic>Per terra e per mare</italic>, apesar de nunca ter saído da Itália e de ter inventado, se não os lugares, seus hábitos e suas características). Justamente o que caracterizava Verne, na opinião de Gramsci, era que nos seus romances “jamais há algo completamente impossível […]: em Verne há a aliança do intelecto humano e das forças materiais, […] e por isso, Verne foi mais popular [do que Wells e Poe], porque mais compreensível” (<xref ref-type="bibr" rid="B08">Gramsci, 1996</xref>, p.199)<xref ref-type="fn" rid="fn05">5</xref>.</p>
         <p>Umberto Eco, no clássico <italic>Il superuomo di massa</italic> (publicado em 1976), define literatura de massa assim: “Nos produtos das comunicações de massa são elaborados lugares já conhecidos pelo usuário e de forma interativa” (<xref ref-type="bibr" rid="B03">Eco, 2016</xref>, p. 12)<xref ref-type="fn" rid="fn06">6</xref>. E ainda: “O romance dito popular [...] o é não porque compreensível para o povo, mas porque [...] o construtor de enredos precisa saber o que seu público espera dele. [...] é popular porque é demagógico” (<xref ref-type="bibr" rid="B03">Eco, 2016</xref>, p. 34)<xref ref-type="fn" rid="fn07">7</xref>. Neste sentido, a literatura de viagem como a do <italic>Giornale</italic> teoricamente não se encaixa nesta definição, porque traz informações e narrativas sobre lugares, pessoas, situações no ambito do desconhecido e do fabuloso ou fantastico (ainda que caracterizadas como verificas e fidedignas, com relatos em muitos casos autópticos), mas, na verdade, fica sempre no âmbito daquilo que o publico quer e deseja ler, com os povos distantes sempre selvagens, os exploradores sempre corajosos e destemidos (a não ser quando traidores), os países longínquos férteis e ricos para além da imaginação. O <italic>Giornale</italic>, que aparentemente tinha como publico alvo os mesmos jovens que liam os romances de Emilio Salgari, portanto essencialmente meninos adolescentes, tinha seções interessantes, como a das “Illustri viaggiatrici” (Madame Godin, Ida Pfeiffer, Carla Serena e muitas outras, numa evidente tentativa de conquistar leitoras), Viaggi celebri, Drammi geografici, Relazioni geografiche, romances tipo <italic>feuilleton</italic> (p.ex. <italic>Il giro del mondo di un biricchino di Parigi,</italic> rigorosamente sem indicação do autor, mas do francês, à época famoso, Louis Boussenard, que escreveu numerosos romances de viagens e aventuras) e muitos outros. Seus artigos, narrativos e cativantes, geravam “um efeito frequentemente mais digno do romance que do relato de crônica” (<xref ref-type="bibr" rid="B06">Foni, 2007</xref>, p.220)<xref ref-type="fn" rid="fn08">8</xref> e misturavam exótico, misterioso, aventuroso, pormenores quanto mais horríveis e sangrentos, dignos do Grand Guignol (vide <xref ref-type="bibr" rid="B06">Foni, 2007</xref>), e eventuais e esquemáticas referências histórico-políticas, evidentemente sempre numa perspectiva colonialista e eurocêntrica. Como escreve justamente Toppano, era “Um discurso de modalidade totalmente positivista que expressa uma certa confiança no progresso tecnológico e comercial, nas possibilidades de expansão da civilização ocidental e na sua capacidade de dominar e domesticar a <italic>sauvagerie</italic> (do mundo natural e humano)” (<xref ref-type="bibr" rid="B21">Toppano, 2017</xref>, p.40)<xref ref-type="fn" rid="fn09">9</xref>. Deve ser lembrado o momento histórico no qual estava sendo formada a mentalidade, juntamente com a política, colonial, mentalidade de cuja construção participaram ativamente tanto a <italic>Società Geografica italiana</italic>, fundada em 1867 com objetivos inicialmente científicos e depois cada vez mais claramente colonialistas (cf. <xref ref-type="bibr" rid="B02">Battaglia 1958</xref>) como também romances e periódicos como, justamente, o <italic>Giornale</italic>. Neste sentido, como observa Angelo del Boca,</p>
         <p><disp-quote>
               <p>Das tentativas deste ou daquele viajante passa-se às atividades de grupos e sociedades. Do objetivo modesto das colônias comerciais chega-se àquele, mais trabalhoso, das colônias de povoamento. Das viagens de descoberta, sem outras finalidades, passa-se […] às explorações programadas, com objetivos econômico-políticos […]</p>
               <attrib>(Del Boca, <italic>como citado em</italic>
                  <xref ref-type="bibr" rid="B21">Toppano, 2017</xref>, p. 40)<xref ref-type="fn" rid="fn10">10</xref></attrib>
            </disp-quote></p>
         <p>O que nos faz lembrar, por exemplo, das viagens e dos relatórios, em aparência meramente científicos, como os de Vincenzo Grossi (cf. <xref ref-type="bibr" rid="B12">La Regina, 2023</xref>) mas que na verdade obedeciam à vontade colonial italiana - nas duas vertentes de conquista militar e de conquista comercial através de seus emigrantes - e aliás construíam justificativas intelectuais para a politica de expansão italiana na Africa e na América do Sul.</p>
         <p>As Américas, de fato, exercem especial fascínio nos leitores, e, pelas razoes citadas acima, a América do Sul, onde as possibilidades de expansão, pelo menos comercial, eram maiores, torna-se frequentemente assunto dos artigos e relatos. Remeto à ótima, já citada, tese de Foni para uma análise dos artigos publicados nas revistas de viagem, hoje muitas vezes um pouco esquecidas; extremamente interessante como várias das revistas aos poucos, por volta de 1910-1920, tenham adquirido um viés cada vez mais fantástico, sendo por vezes precursoras de publicações de ficção cientifica em língua inglesa como <italic>Weird Tales</italic> (1923) e <italic>Amazing Stories</italic> (1926) (cf <xref ref-type="bibr" rid="B06">Foni, 2007</xref>). Talvez, mas é uma mera hipótese, ao passo em que o conhecimento dos países do mundo, mesmo os mais distantes, crescia e se aprofundava (e, ao mesmo tempo, as campanhas coloniais italianas tinham alcançado seu truculento objetivo de conquista), relatos “verdadeiros”, mesmo que na realidade ficcionais, tenham se tornado menos interessantes para os leitores, que buscavam aventuras cada vez mais fantásticas e sem pretensões de realidade. Aliás, a ficção cientifica italiana, relativamente pouco conhecida, menos ainda quando em seus inícios, apresenta uma produção notável e vivaz, muitas vezes através de contos publicados justamente em numerosas das revistas citadas; o precioso volume de Gianfranco <xref ref-type="bibr" rid="B04">De Turris (2001)</xref> situa no <italic>Giornale</italic> e nas revistas que a ele se inspiraram a origem daquelas narrativas de incipiente ficção cientifica de autores em alguns casos hoje esquecidos, mas também de Emilio Salgari, Luigi Capuana, Massimo Bontempelli, Rosso di San Secondo, Fillia, Guido Gozzano, Luigi Motta, Yambo.</p>
      </sec>
      <sec>
         <title>3. Os Mundrurukus e Mayne Reid</title>
         <p>Chegando finalmente ao artigo aqui traduzido, o curto relato, que apresenta um viés mais descritivo-divulgativo que propriamente aventuroso - mas sem abrir mão de alguns detalhes impressionantes e assustadores - foi publicado em 1881 no <italic>Giornale</italic>, com o destaque de ter dedicada a ilustração da capa e ser o primeiro artigo da revista. Não sabemos quem foi o tradutor nem se o artigo foi escrito para o <italic>Giornale</italic> ou se, como parece mais provável, foi traduzido de alguma outra revista ou, ainda, se era um trecho de um dos muitos livros de Thomas Mayne Reid, que à época gozava de grande fama. Hoje até encontrar informações sobre o escritor do norte da Irlanda parece tarefa quase mais difícil do que explorar territórios desconhecidos: Faz sentido, portanto, encontrar referência a este autor num artigo sobre Salgari, geografia e as explorações: Emilio Salgari, em absoluto o mais lido entre os escritores italianos de aventura (e hoje possivelmente o mais esquecido) lia os volumes da série de livros <italic>La Biblioteca dei viaggi</italic> (porque evidentemente, além das revistas, havia os volumes populares, por edições, preço e alcance) da editora Muggiani: livros nos quais encontramos, além de Verne, Fenimore Cooper e Daniel Defoe, também Mayne Reid (cf. livros nos quais encontramos, além de Verne, Fenimore Cooper e Daniel Defoe, também Mayne Reid (cf. <xref ref-type="bibr" rid="B07">Gonzato, 1995</xref>), cuja vida, diferentemente da de Salgari, foi bastante aventurosa e de que “tanto gostou Dickens e que foi definido “o Fenimore Cooper da Inglaterra” (cf. <xref ref-type="bibr" rid="B19">Pozzo, 2000</xref>, p.225)<xref ref-type="fn" rid="fn11">11</xref>. Ainda Pozzo cita o prefácio que Ezio Colombo escreveu em 1878 para um romance de Mayne Reid, e é interessante porque especifica o método do autor:</p>
         <p><disp-quote>
               <p>O capitão Mayne-Reid pinta segundo a natureza; descreve o que viu. Quando na narrativa tem animais, é porque ele os estudou […] no meio da vastidão das florestas.[…] O nosso autor, longe de copiar os escritores anteriores, corrige suas imprecisões e revela particularidades curiosas o suficiente para merecer ser consultado com vantagem também pelos eruditos”</p>
               <attrib>(Colombo, <italic>como citado em</italic>
                  <xref ref-type="bibr" rid="B19">Pozzo, 2000</xref>, p. 226-227)<xref ref-type="fn" rid="fn12">12</xref>:</attrib>
            </disp-quote></p>
         <p>O oposto, portanto, de Salgari.</p>
         <p>O romance de Mayne Reid <italic>Afloat in The Forest</italic>; o<italic>r A Voyage Among the Tree-Tops</italic>, de 1867, é parcialmente ambientado no territorio dos Mundurukus, que recorrem com frequência na historia, como neste trecho, que confirma o conhecimento que o autor tinha da tradição de cortadores de cabeças dos Mundurukus: “O Mundurucú, se estivesse acordado, poderia ter demonstrado certo desconforto com a situação. Mas o índio estava dormindo - talvez sonhando com algum inimigo Mura - cuja cabeça ele teria prazer em embalsamar” (<xref ref-type="bibr" rid="B16">Mayne Reid, 2011</xref>, s/p)<xref ref-type="fn" rid="fn13">13</xref>.</p>
         <p>No romance, as terríveis formigas do ritual de passagem descrito minuciosamente por Mayne Reid no artigo são corretamente chamadas de <italic>tocandeiras</italic>, o que demonstra que a grafia equivocada que aparece no artigo foi erro de impressão ou de tradução. No mais, muitas das informações que constam no artigo não estão em <italic>Afloat</italic>; já elas aparecem, misturadas com elementos fantásticos e de aventura e muitas outras informações geográfico-históricas, no primeiro romance de Luigi Motta (1881-1955), à época famoso escritor à la Salgari, <italic>I flagellatori dell’oceano</italic> (publicado em 1901 com o prefácio de Emilio Salgari e aqui citado da edição de 1923). Um dos capítulos se chama justamente de <italic>I Mundurucus decapitatori</italic> e alguns trechos, como o que se refere aos Cabanos, têm enormes semelhanças, quase literais, com os do artigo de Mayne Reid. Assim, Motta chama o ritual de passagem dos jovens Mundurukus de “Tocanderra” (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Motta, 1923</xref>, p.136), com o mesmo erro presente no artigo do <italic>Giornale</italic>. O que importa aqui não é apontar “dividas” de Motta para com Mayne Reid, ou dos dois com outro autor: o que interessa é mostrar uma circulação e circularidade de informações e textos que compuseram um enorme <italic>corpus</italic> extremamente popular e plenamente disponível à época - e hoje quase que completamente esquecido.</p>
         <p>Motta nasceu no ano em que o <italic>Giornale</italic> publicou o artigo de Mayne Reid, mas certamente consultou este e outros periódicos nas bibliotecas, e em sua longa e prolifica carreira, além de dirigir, como vimos no começo, revistas de narrativas de viagens, fundou alguns periódicos; interessante lembrar que Motta foi um dos primeiros autores italianos de ficção cientifica (como, aliás Salgari: cf. <xref ref-type="bibr" rid="B14">La Regina, 2022b</xref>); sobre o autor, ver <xref ref-type="bibr" rid="B04">De Turris, 2001</xref>.</p>
         <p>Voltando ao artigo, aqui o autor abusa de termos depreciativos como “selvagens”, “primitivos”, “povo estranho”, “cerimonias absurdas”. Ainda assim, deve-se constatar que, junto com este olhar de eurocêntrica (pretensa) superioridade, Mayne Reid demonstra frequentemente respeito, se não exatamente admiração, pelos Mundurukus, sua índole belicosa e suas tradições de grande coragem. Curiosamente, Mayne Reid não aborda a questão da borracha, que os Mundurukus comerciavam em grandes quantidades (cf. <xref ref-type="bibr" rid="B11">Henrique, 2021</xref>); e, talvez por ser um texto publicado num periódico possivelmente destinado a jovens, não relata que os Mundurukus “Todos indistintamente andam nus” (Castrovalva, <italic>como citado em</italic>
            <xref ref-type="bibr" rid="B10">Henrique, 2021</xref>, p. 308), segundo o relato de um capuchinho italiano, Frei Pelino de Castrovalva, que em 1871, portanto possivelmente na mesma época à qual se refere Mayne Reid, fundou uma aldeia, a missão do Babacal, para os Mundurukus, organizados de uma forma “bélico-alcoólico” (<xref ref-type="bibr" rid="B11">Henrique, 2021</xref>, p. 314) e dominou por vários anos o comércio da borracha e de outros insumos. Observe-se, porém, que Henrique considera que a nudez dos Mundurukus talvez tenha sido um detalhe à época já inverídico, acrescentado para impressionar os leitores europeus do relato de Frei Pelino (<xref ref-type="bibr" rid="B10">Henrique, 2021</xref>, p.308).</p>
         <p>Quanto à fama de “cortadores de cabeças”, é atestada não unicamente pelos relatos aventurosos-geográficos como os de Mayne Reid, de Luigi Motta e outros narradores: em artigo recente, <xref ref-type="bibr" rid="B10">Henrique &amp; Couto (2021)</xref> citam Loures que relata:</p>
         <p><disp-quote>
               <p>O MMIA [Movimento Munduruku <bold><italic>Ipere</italic></bold>ğ<bold><italic>ay</italic></bold>ũ (MMIA), criado pelos indígenas em 2012] tem a memória do ritual das decapitações e do tratamento das cabeças como uma importante referência. A bandeira do Movimento retrata Karodaybi segurando uma cabeça cortada, e suas lideranças comumente remetem o feito e se autoafirmam como cortadores de cabeças. E vale lembrar que as primeiras cartas escritas em oposição às barragens hidrelétricas já vinham ilustradas com a imagem de cabeças cortadas</p>
               <attrib>(Loures, <italic>como citado em</italic>
                  <xref ref-type="bibr" rid="B10">Henrique &amp; Couto, 2021</xref>, p. 8).</attrib>
            </disp-quote></p>
         <p>Mayne Reid observa que “Alguns colocam esses restos imundos, mal embalsamados, no meio da sua plantação de mandioca, como é costume na Europa de colocar um espantalho feito de qualquer jeito para afastar os pássaros da terra cultivada” (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Mayne Reid, 1881</xref>, p.330)<xref ref-type="fn" rid="fn14">14</xref>; na verdade sabemos que, como os Jivaros (dos quais eu mesma, quando criança, li em quadrinhos e livros que “encolhiam” as cabeças, um daqueles fatos que impressionavam fortemente os jovens leitores, ainda na segunda metade do século XX), mas de forma diferente, os Mundurukus embalsamavam as cabeças cortadas como trofeus de guerra, segundo precisos rituais que não as deixavam “mal embalsamadas”. Copio aqui um longo trecho de 1944, citado por Santos, Salles, Souza &amp; Nascimento</p>
         <p><disp-quote>
               <p>deixa-se ficar a cabeça cortada com os cabelos e a pele; depois de retiradas não só as partes moles, mas também o encéfalo, através do forame magno, a cabeça era imersa, repetidas vezes, numa mistura de óleo vegetal e urucú (Bixa orellana) e era deixada secar, em seguida, durante alguns dias, no fumeiro ou ao sol. Aos dois lados da cabeça se entreteciam, nos cabelos, cordões de algodão adornados com uma espessa guarnição de penas vermelhas e negras. As órbitas vazias eram recheadas com uma massa gomosa, incrustando-se nesta, em cada lado, o dente retorcido de um roedor. Da boca pendiam cordões trançados, dos quais os mais longos serviam como alça e todos os demais como adorno</p>
               <attrib>(Gusinde, <italic>como citado em</italic>
                  <xref ref-type="bibr" rid="B20">Santos, Salles, Souza &amp; Nascimento, 2007</xref>, p. 369)</attrib>
            </disp-quote></p>
         <p>Mayne Reid, talvez pelo horror inspirado pelo ato de cortarem as cabeças, não se detém sobre o importante aspecto ritual da mumificação das tabelas cortadas, nem sobre a complexa e elaborada cerimonia em si. Limita-se a considerar o ato como “selvagem”. Os altivos, antigamente ditos “belicosos”, Mundurukus, que ainda há poucos anos, em 2013, se empenharam nos Tapajós contra a instalação de hidrelétricas que colocariam em perigo as mais de 15.000 pessoas da etnia e todo o meio ambiente (cf. <xref ref-type="bibr" rid="B05">Fiocruz, s/d</xref>), e que têm entre seus representantes um escritor como Daniel Munduruku, quase 150 anos depois do artigo de Mayne Reid ainda seguem lutando.</p>
      </sec>
      <sec sec-type="conclusions">
         <title>4. Considerações sobre a tradução do texto</title>
         <p>Finalmente, traduzir o artigo de Mayne Reid não apresentou especiais dificuldades, a não ser pela incerteza do autor, ou da revista, quanto a nomes de etnias, plantas e animais. De alguns consegui individuar a grafia correta, mas outros, assinalados nas notas, ficaram desconhecidos. A linguagem é simples e plana, como era de se esperar num texto pensado para jovens, ainda que interessados no assunto e com alguns conhecimentos na área. Obviamente, o fato de o texto fonte ser tradução de outro, ao que tudo indica em inglês, e, portanto, minha tradução ser indireta (“um dos calcanhares de Aquiles dos Estudos da Tradução no Brasil e no mundo”, <xref ref-type="bibr" rid="B09">Hanes, 2019</xref>, p.18) põe as conhecidas dificuldades deste tipo de traduções: nas traduções indiretas</p>
         <p><disp-quote>
               <p>o distanciamento frente ao texto-fonte aumenta, seja em aspectos linguísticos, tipográficos e/ou culturais, o que a torna um processo/produto com grandes chances de ser relegado à falta de crédito […] Tradução indireta, tradução intermediada, tradução de segunda mão, tradução de desvio, inúmeras denominações que reportam a uma atividade preferencialmente evitada, devido à norma regente, de que o texto-fonte detém a supremacia</p>
               <attrib>(<xref ref-type="bibr" rid="B01">Acácio, 2010</xref>, p.98-100).</attrib>
            </disp-quote></p>
         <p>Acrescente-se o fato de que, como nas caixinhas chinesas, o texto de Mayne Reid - que, ao que se sabe, não veio ao Brasil, portanto não seguindo aqui o método comentado por Ezio Colombo - deve ser adaptação de outro(s), talvez, quem sabe, brasileiros, numa circularidade que seria fascinante, ou de viajantes franceses ou espanhóis - sem esquecer o capuchinho Frei Pelino, que, se fosse a fonte de Mayne Reid, também estabeleceria uma circularidade. O que importa, porém, é que este breve artigo é um excelente exemplo da grande tradição de divulgação e narrativa sobre viagens em territórios “exóticos” que povoou o imaginário europeu, e, infelizmente, deu estimulo - algumas vezes indireto - às conquistas coloniais do final do século XIX e começo do século XX.</p>
      </sec>
   </body>
   <back>
      <fn-group>
         <fn fn-type="other" id="fn01">
            <label>1</label>
            <p>“L’Ottocento postunitario rappresenta per gli editori italiani il primo vero confronto con forme di produzione industriali e con un mercato moderno, notevolmente ampliato grazie all’avvicinarsi alla lettura di nuove categorie di persone” (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Marazzi, 2018</xref>, p.137). Todas as traduções são minhas.</p>
         </fn>
         <fn fn-type="other" id="fn02">
            <label>2</label>
            <p>“editore d’ispirazione democratica, vicino alle posizioni radicali e populiste di Felice Cavallotti e attento al problema dell’analfabetismo e dell’istruzione delle classi popolari” (<xref ref-type="bibr" rid="B21">Toppano, 2017</xref>, p.38)</p>
         </fn>
         <fn fn-type="other" id="fn03">
            <label>3</label>
            <p><ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://bit.ly/3ISK4vq">https://bit.ly/3ISK4vq</ext-link></p>
         </fn>
         <fn fn-type="other" id="fn04">
            <label>4</label>
            <p>“una punta di diamante dell’editoria giornalistica di largo consumo” (<xref ref-type="bibr" rid="B06">Foni, 2007</xref>, p.186).</p>
         </fn>
         <fn fn-type="other" id="fn05">
            <label>5</label>
            <p>“non c’è mai nulla di completamente impossibile: […] nel Verne c’è l’alleanza dell’intelletto umano e delle forze materiali […] e perciò Verne è stato più popolare [di Wells e Poe], perché più comprensibile” (<xref ref-type="bibr" rid="B08">Gramsci, 1996</xref>, p.199).</p>
         </fn>
         <fn fn-type="other" id="fn06">
            <label>6</label>
            <p>“Nei prodotti delle comunicazioni di massa vengono elaborati luoghi già noti all’utente e in forma iterativa” (<xref ref-type="bibr" rid="B03">Eco, 2016</xref>, p. 12).</p>
         </fn>
         <fn fn-type="other" id="fn07">
            <label>7</label>
            <p>Il romanzo detto popolare [...] è tale non perché sia comprensibile dal popolo, ma perché [...] il costruttore d’intrecci deve sapere ciò che il suo pubblico si attende. [...] è popolare perché è demagogico” (<xref ref-type="bibr" rid="B03">Eco, 2016</xref>, p. 34).</p>
         </fn>
         <fn fn-type="other" id="fn08">
            <label>8</label>
            <p>“un effetto spesso più romanzesco che cronachistico “ (<xref ref-type="bibr" rid="B06">Foni, 2007</xref>, p.220)</p>
         </fn>
         <fn fn-type="other" id="fn09">
            <label>9</label>
            <p>“un discorso di stampo squisitamente positivistico che esprime una certa fiducia nel progresso tecnologico e commerciale, nelle possibilità di espansione della civiltà occidentale e nella sua capacità di dominare e addomesticare la <italic>sauvagerie</italic> (del mondo naturale e di quello umano)” (<xref ref-type="bibr" rid="B21">Toppano, 2017</xref>, p.40)</p>
         </fn>
         <fn fn-type="other" id="fn10">
            <label>10</label>
            <p>Dai tentativi di questo o quel viaggiatore si passa alle attività di gruppi e società. Dall’obiettivo modesto delle colonie commerciali si approda a quello più impegnativo delle colonie di popolamento. Dai viaggi di scoperta, fini a se stessi […] si passa alle esplorazioni programmate, con obiettivi economico-politici […] (Del Boca, <italic>como citado em</italic>
               <xref ref-type="bibr" rid="B21">Toppano, 2017</xref>, p.40).</p>
         </fn>
         <fn fn-type="other" id="fn11">
            <label>11</label>
            <p>“tanto piacque a Dickens e che fu definito «il Fenimore Cooper d’Inghilterra” (cf. <xref ref-type="bibr" rid="B19">Pozzo, 2000</xref>, p.225)</p>
         </fn>
         <fn fn-type="other" id="fn12">
            <label>12</label>
            <p>“II capitano Mayne-Reid dipinge a seconda della natura; descrive ciò che ha veduto. Quando mette in azione degli animali, é perche li ha studiati […] nel mezzo delle vaste foreste[…] 1l nostro autore, lungi dal copiare gli scrittori anteriori, rettifica Ie loro inesattezze e rivela delle particolarità abbastanza curiose per meritare di essere consultato con vantaggio anche dai dotti” (Colombo, <italic>como citado em</italic>
               <xref ref-type="bibr" rid="B19">Pozzo, 2000</xref>, p. 226-227)</p>
         </fn>
         <fn fn-type="other" id="fn13">
            <label>13</label>
            <p>“The Mundurucú, had he been awake, might have shown some uneasiness at the situation. But the Indian was asleep,—perhaps dreaming of some Mura enemy,—whose head he would have been happy to embalm” (<xref ref-type="bibr" rid="B16">Mayne Reid, 2011</xref>, s/p)</p>
         </fn>
         <fn fn-type="other" id="fn14">
            <label>14</label>
            <p>“Ve ne sono certi che collocano questa lurida spoglia, imbalsamata in malo modo, in mezzo al lor campo di manioc, come s’usa in Europa d’un fantoccio qualunque per tener lungi gli uccelli dalla terra coltivata.”</p>
         </fn>
         <fn fn-type="other">
            <label>Conjunto de dados de pesquisa</label>
            <p>Não se aplica.</p>
         </fn>
         <fn fn-type="other">
            <label>Financiamento</label>
            <p>Não se aplica.</p>
         </fn>
         <fn fn-type="other">
            <label>Consentimento de uso de imagem</label>
            <p>Não se aplica.</p>
         </fn>
         <fn fn-type="other">
            <label>Aprovação de comitê de ética em pesquisa</label>
            <p>Não se aplica.</p>
         </fn>
         <fn fn-type="other">
            <label>Publisher</label>
            <p>Cadernos de Tradução é uma publicação do Programa de Pós-Graduação em Estudos da Tradução, da Universidade Federal de Santa Catarina. A revista Cadernos de Tradução é hospedada pelo <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://periodicos.bu.ufsc.br/">Portal de Periódicos UFSC</ext-link>. As ideias expressadas neste artigo são de responsabilidade de seus autores, não representando, necessariamente, a opinião dos editores ou da universidade.</p>
         </fn>
      </fn-group>
      <sec sec-type="other">
         <label>Declaração de disponibilidade dos dados da pesquisa</label>
         <p>Os dados desta pesquisa, que não estão expressos neste trabalho, poderão ser disponibilizados pelo(s) autor(es) mediante solicitação.</p>
      </sec>
      <ref-list>
         <title>Referências</title>
         <ref id="B01">

            <mixed-citation>Acácio, M.A. (2010). Tradução indireta: uma prática de divulgação e enriquecimento cultural. <italic>TradTerm</italic> 16, pp. 97-117. https://doi.org/10.11606/issn.2317-9511.tradterm.2010.46313</mixed-citation>
            <element-citation publication-type="journal">
               <person-group person-group-type="author">
                  <name>
                     <surname>Acácio</surname>
                     <given-names>M.A.</given-names>
                  </name>
               </person-group>
               <year>2010</year>
               <article-title>Tradução indireta: uma prática de divulgação e enriquecimento cultural</article-title>
               <source>TradTerm</source>
               <volume>16</volume>
               <fpage>97</fpage>
               <lpage>117</lpage>
               <pub-id pub-id-type="doi">10.11606/issn.2317-9511.tradterm.2010.46313</pub-id>
            </element-citation>
         </ref>
         <ref id="B02">

            <mixed-citation>Battaglia, R. (1958). <italic>La prima guerra d’Africa</italic>. Einaudi.</mixed-citation>
            <element-citation publication-type="book">
               <person-group person-group-type="author">
                  <name>
                     <surname>Battaglia</surname>
                     <given-names>R.</given-names>
                  </name>
               </person-group>
               <year>1958</year>
               <source>La prima guerra d’Africa</source>
               <publisher-name>Einaudi</publisher-name>
            </element-citation>
         </ref>
         <ref id="B03">

            <mixed-citation>Eco, U. (2015). <italic>Il superuomo di massa. Retorica e ideologia nel romanzo popolare</italic>. Bompiani.</mixed-citation>
            <element-citation publication-type="book">
               <person-group person-group-type="author">
                  <name>
                     <surname>Eco</surname>
                     <given-names>U.</given-names>
                  </name>
               </person-group>
               <year>2015</year>
               <source>Il superuomo di massa. Retorica e ideologia nel romanzo popolare</source>
               <publisher-name>Bompiani</publisher-name>
            </element-citation>
         </ref>
         <ref id="B04">

            <mixed-citation>De Turris, G (ed). (2001). <italic>Le Aeronavi dei Savoia</italic>. <italic>Protofantascienza italiana 1891- 952, con la collaborazione di Claudio Gallo</italic>. Editrice Nord.</mixed-citation>
            <element-citation publication-type="book">
               <person-group person-group-type="editor">
                  <name>
                     <surname>De Turris</surname>
                     <given-names>G</given-names>
                  </name>
               </person-group>
               <year>2001</year>
               <source>Le Aeronavi dei Savoia</source>
               <chapter-title>Protofantascienza italiana 1891- 952, con la collaborazione di Claudio Gallo</chapter-title>
               <publisher-name>Editrice Nord</publisher-name>
            </element-citation>
         </ref>
         <ref id="B05">

            <mixed-citation>Fiocruz (s/d). <italic>PA – Munduruku e ribeirinhos lutam pela vida e contra complexo de hidroelétricas em seu território</italic>. https://mapadeconflitos.ensp.fiocruz.br/conflito/pa-munduruku-e-ribeirinhos-lutam-pela-vida-e-contra-complexo-de-hidreletricas-em-seu-territorio/</mixed-citation>
            <element-citation publication-type="webpage">
               <person-group person-group-type="author">
                  <collab>Fiocruz</collab>
               </person-group>
               <source>PA – Munduruku e ribeirinhos lutam pela vida e contra complexo de hidroelétricas em seu território</source>
               <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://mapadeconflitos.ensp.fiocruz.br/conflito/pa-munduruku-e-ribeirinhos-lutam-pela-vida-e-contra-complexo-de-hidreletricas-em-seu-territorio/">https://mapadeconflitos.ensp.fiocruz.br/conflito/pa-munduruku-e-ribeirinhos-lutam-pela-vida-e-contra-complexo-de-hidreletricas-em-seu-territorio/</ext-link>
            </element-citation>
         </ref>
         <ref id="B06">

            <mixed-citation>Foni, F. (2007). “<italic>I lettori hanno bisogno di sale, di droghe, di eccitanti”</italic>. <italic>Nero, fantastico e bizzarrie varie nella Domenica del Corriere</italic> (1899-1909). [Tesi di dottorato] Università degli studi di Trieste. https://www.openstarts.units.it/entities/publication/9f725998-bcd9-454e-b357-915623fe6499/details.</mixed-citation>
            <element-citation publication-type="thesis">
               <person-group person-group-type="author">
                  <name>
                     <surname>Foni</surname>
                     <given-names>F.</given-names>
                  </name>
               </person-group>
               <year>2007</year>
               <source>I lettori hanno bisogno di sale, di droghe, di eccitanti</source>
               <comment>Nero, fantastico e bizzarrie varie nella Domenica del Corriere</comment>
               <comment>1899-1909</comment>
               <comment>Tesi di dottorato</comment>
               <publisher-name>Università degli studi di Trieste</publisher-name>
               <comment><ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www.openstarts.units.it/entities/publication/9f725998-bcd9-454e-b357-915623fe6499/details">https://www.openstarts.units.it/entities/publication/9f725998-bcd9-454e-b357-915623fe6499/details</ext-link></comment>
            </element-citation>
         </ref>
         <ref id="B07">

            <mixed-citation>Gonzato, S. (1995). <italic>Emilio Salgari. Demoni, amori e tragedie di un “capitano” che navigò solo con la fantasia</italic>. Neri Pozza.</mixed-citation>
            <element-citation publication-type="book">
               <person-group person-group-type="author">
                  <name>
                     <surname>Gonzato</surname>
                     <given-names>S.</given-names>
                  </name>
               </person-group>
               <year>1995</year>
               <source>Emilio Salgari. Demoni, amori e tragedie di un “capitano” che navigò solo con la fantasia</source>
               <publisher-name>Neri Pozza</publisher-name>
            </element-citation>
         </ref>
         <ref id="B08">

            <mixed-citation>Gramsci, A. (1996). <italic>Letteratura e vita nazionale</italic>. 3. ed. Editori Riuniti. https://liberliber.it/opere/download/?op=2345992&amp;type=opera_url_pdf.</mixed-citation>
            <element-citation publication-type="book">
               <person-group person-group-type="author">
                  <name>
                     <surname>Gramsci</surname>
                     <given-names>A</given-names>
                  </name>
               </person-group>
               <year>1996</year>
               <source>Letteratura e vita nazionale</source>
               <edition>3. ed</edition>
               <publisher-name>Editori Riuniti</publisher-name>
               <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://liberliber.it/opere/download/?op=2345992&amp;type=opera_url_pdf">https://liberliber.it/opere/download/?op=2345992&amp;type=opera_url_pdf</ext-link>
            </element-citation>
         </ref>
         <ref id="B09">

            <mixed-citation>Hanes, V.L.L. (2019). (Re)pensando o conceito de tradução indireta em textos literários. <italic>Ilha do Desterro</italic> 72 (2), pp. 17-24, DOI: http://dx.doi.org/10.5007/2175-8026.2019v72n2p17</mixed-citation>
            <element-citation publication-type="journal">
               <person-group person-group-type="author">
                  <name>
                     <surname>Hanes</surname>
                     <given-names>V.L.L</given-names>
                  </name>
               </person-group>
               <year>2019</year>
               <article-title>(Re)pensando o conceito de tradução indireta em textos literários</article-title>
               <source>Ilha do Desterro</source>
               <volume>72</volume>
               <issue>2</issue>
               <fpage>17</fpage>
               <lpage>24</lpage>
               <pub-id pub-id-type="doi">10.5007/2175-8026.2019v72n2p17</pub-id>
            </element-citation>
         </ref>
         <ref id="B10">

            <mixed-citation>Henrique, M.C. (2021). Entre fuzis, cachaça e crucifixos: a catequese dos Munduruku no aldeamento do Bacabal (1872-1882). <italic>Revista Brasileira de História</italic>, 41 (88), pp. 307-329. http://dx.doi.org/10.1590/1806-93472021v41n88-15.</mixed-citation>
            <element-citation publication-type="journal">
               <person-group person-group-type="author">
                  <name>
                     <surname>Henrique</surname>
                     <given-names>M.C.</given-names>
                  </name>
               </person-group>
               <year>2021</year>
               <article-title>Entre fuzis, cachaça e crucifixos: a catequese dos Munduruku no aldeamento do Bacabal (1872-1882)</article-title>
               <source>Revista Brasileira de História</source>
               <volume>41</volume>
               <issue>88</issue>
               <fpage>307</fpage>
               <lpage>329</lpage>
               <pub-id pub-id-type="doi">10.1590/1806-93472021v41n88-15</pub-id>
            </element-citation>
         </ref>
         <ref id="B11">

            <mixed-citation>Henrique, MC, Oliveira, RM (2021). Os ‘cortadores de cabeças’: a memória como patrimônio dos Munduruku. <italic>Bol. Mus. Para. Emilio Goeldi. Cienc. Hum</italic>., 16 (2). DOI: 10.1590/2178-2547-BGOELDI-2020-0049</mixed-citation>
            <element-citation publication-type="journal">
               <person-group person-group-type="author">
                  <name>
                     <surname>Henrique</surname>
                     <given-names>MC</given-names>
                  </name>
                  <name>
                     <surname>Oliveira</surname>
                     <given-names>RM</given-names>
                  </name>
               </person-group>
               <year>2021</year>
               <article-title>Os ‘cortadores de cabeças’: a memória como patrimônio dos Munduruku</article-title>
               <source>Bol. Mus. Para. Emilio Goeldi. Cienc. Hum</source>
               <volume>16</volume>
               <issue>2</issue>
               <pub-id pub-id-type="doi">10.1590/2178-2547-BGOELDI-2020-0049</pub-id>
            </element-citation>
         </ref>
         <ref id="B12">

            <mixed-citation>La Regina, S. (2023). Vincenzo Grossi: traduzindo o olhar colonial. <italic>Cadernos de Tradução</italic>, <italic>43</italic>(esp. 2), pp. 369–386. https://doi.org/10.5007/2175-7968.2023.e96015</mixed-citation>
            <element-citation publication-type="journal">
               <person-group person-group-type="author">
                  <name>
                     <surname>La Regina</surname>
                     <given-names>S.</given-names>
                  </name>
               </person-group>
               <year>2023</year>
               <article-title>Vincenzo Grossi: traduzindo o olhar colonial</article-title>
               <source>Cadernos de Tradução</source>
               <volume>43</volume>
               <issue>esp. 2</issue>
               <fpage>369</fpage>
               <lpage>386</lpage>
               <pub-id pub-id-type="doi">10.5007/2175-7968.2023.e96015</pub-id>
            </element-citation>
         </ref>
         <ref id="B13">

            <mixed-citation>La Regina, S. (2022a) Sotto altri nomi. L’invisibilità di Roberta Rambelli. <italic>Mosaico Italiano</italic>, XIII, 211, pp.14-18.</mixed-citation>
            <element-citation publication-type="journal">
               <person-group person-group-type="author">
                  <name>
                     <surname>La Regina</surname>
                     <given-names>S.</given-names>
                  </name>
               </person-group>
               <year>2022a</year>
               <article-title>Sotto altri nomi. L’invisibilità di Roberta Rambelli</article-title>
               <source>Mosaico Italiano</source>
               <volume>XIII</volume>
               <issue>211</issue>
               <fpage>14</fpage>
               <lpage>18</lpage>
            </element-citation>
         </ref>
         <ref id="B14">

            <mixed-citation>La Regina, S. (2022b). Os horrores do ano 2000. In Salgari, E. <italic>As maravilhas do ano 2000</italic>. (Trad. S S.La Regina). (pp. 221-225). Diario Macabro.</mixed-citation>
            <element-citation publication-type="book">
               <person-group person-group-type="author">
                  <name>
                     <surname>La Regina</surname>
                     <given-names>S.</given-names>
                  </name>
               </person-group>
               <year>2022b</year>
               <chapter-title>Os horrores do ano 2000</chapter-title>
               <person-group person-group-type="author">
                  <name>
                     <surname>Salgari</surname>
                     <given-names>E.</given-names>
                  </name>
               </person-group>
               <source>As maravilhas do ano 2000</source>
               <person-group person-group-type="translator">
                  <name>
                     <surname>La Regina</surname>
                     <given-names>S S.</given-names>
                  </name>
               </person-group>
               <fpage>221</fpage>
               <lpage>225</lpage>
               <publisher-name>Diario Macabro</publisher-name>
            </element-citation>
         </ref>
         <ref id="B15">

            <mixed-citation>Marazzi, E. (2018). Pubblicare traduzioni nel secondo Ottocento. Le strategie degli editori italiani nell’archivio Hachette. In Brigatti V., Cavazzuti A.L., Marazzi E., Sullam S. <italic>Archivi editoriali: tra storia del testo e storia del libro</italic>. (pp. 137-154). Unicopli. https://eprints.ncl.ac.uk/261038.</mixed-citation>
            <element-citation publication-type="book">
               <person-group person-group-type="author">
                  <name>
                     <surname>Marazzi</surname>
                     <given-names>E.</given-names>
                  </name>
               </person-group>
               <year>2018</year>
               <chapter-title>Pubblicare traduzioni nel secondo Ottocento. Le strategie degli editori italiani nell’archivio Hachette</chapter-title>
               <person-group person-group-type="author">
                  <name>
                     <surname>Brigatti</surname>
                     <given-names>V.</given-names>
                  </name>
                  <name>
                     <surname>Cavazzuti</surname>
                     <given-names>A.L.</given-names>
                  </name>
                  <name>
                     <surname>Marazzi</surname>
                     <given-names>E.</given-names>
                  </name>
                  <name>
                     <surname>Sullam</surname>
                     <given-names>S.</given-names>
                  </name>
               </person-group>
               <source>Archivi editoriali: tra storia del testo e storia del libro</source>
               <fpage>137</fpage>
               <lpage>154</lpage>
               <publisher-name>Unicopli</publisher-name>
               <comment><ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://eprints.ncl.ac.uk/261038">https://eprints.ncl.ac.uk/261038</ext-link></comment>
            </element-citation>
         </ref>
         <ref id="B16">

            <mixed-citation>Mayne Reid, T. (2011) <italic>Afloat in the Fores</italic>t. Projeto Gutenberg. https://www.gutenberg.org/files/35213/35213-h/35213-h.htm</mixed-citation>
            <element-citation publication-type="webpage">
               <person-group person-group-type="author">
                  <name>
                     <surname>Mayne Reid</surname>
                     <given-names>T.</given-names>
                  </name>
               </person-group>
               <year>2011</year>
               <source>Afloat in the Fores</source>
               <publisher-name>t. Projeto Gutenberg</publisher-name>
               <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www.gutenberg.org/files/35213/35213-h/35213-h.htm">https://www.gutenberg.org/files/35213/35213-h/35213-h.htm</ext-link>
            </element-citation>
         </ref>
         <ref id="B17">

            <mixed-citation>Mayne-Reid, T. (1881). I popoli selvaggi. I Mundurukus decapitatori. <italic>Giornale illustrato dei viaggi e delle avventure di terra e di mare.</italic> Milano, anno III, n.146, 16 giugno 1881. pp.330-331. https://bit.ly/3Twbjkq.</mixed-citation>
            <element-citation publication-type="webpage">
               <person-group person-group-type="author">
                  <name>
                     <surname>Mayne-Reid</surname>
                     <given-names>T.</given-names>
                  </name>
               </person-group>
               <year>1881</year>
               <comment>I popoli selvaggi. I Mundurukus decapitatori</comment>
               <source>Giornale illustrato dei viaggi e delle avventure di terra e di mare</source>
               <publisher-loc>Milano</publisher-loc>
               <volume>III</volume>
               <issue>146</issue>
               <day>16</day>
               <month>06</month>
               <fpage>330</fpage>
               <lpage>331</lpage>
               <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://bit.ly/3Twbjkq">https://bit.ly/3Twbjkq</ext-link>
            </element-citation>
         </ref>
         <ref id="B18">

            <mixed-citation>Motta, L. (1923). <italic>I flagellatori dell’oceano</italic>. L’Italica. https://digit.biblio.polito.it/secure/4339/1/I_Flaggellatori_DellOceano_Compresso.pdf</mixed-citation>
            <element-citation publication-type="webpage">
               <person-group person-group-type="author">
                  <name>
                     <surname>Motta</surname>
                     <given-names>L.</given-names>
                  </name>
               </person-group>
               <year>1923</year>
               <source>I flagellatori dell’oceano</source>
               <publisher-name>L’Italica</publisher-name>
               <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://digit.biblio.polito.it/secure/4339/1/I_Flaggellatori_DellOceano_Compresso.pdf">https://digit.biblio.polito.it/secure/4339/1/I_Flaggellatori_DellOceano_Compresso.pdf</ext-link>
            </element-citation>
         </ref>
         <ref id="B19">

            <mixed-citation>Pozzo, F. (2000). Emilio Salgari, geografia e esplorazioni. <italic>Bollettino della Società Geografica Italiana</italic>, ROMA - Serie XI, vol. XI, pp. 225-236. https://www.bsgi.it/index.php/bsgi/article/view/2647/1965.</mixed-citation>
            <element-citation publication-type="journal">
               <person-group person-group-type="author">
                  <name>
                     <surname>Pozzo</surname>
                     <given-names>F.</given-names>
                  </name>
               </person-group>
               <year>2000</year>
               <article-title>Emilio Salgari, geografia e esplorazioni</article-title>
               <source>Bollettino della Società Geografica Italiana</source>
               <publisher-loc>ROMA</publisher-loc>
               <comment>Serie XI</comment>
               <volume>X</volume>
               <fpage>225</fpage>
               <lpage>236</lpage>
               <comment><ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www.bsgi.it/index.php/bsgi/article/view/2647/1965">https://www.bsgi.it/index.php/bsgi/article/view/2647/1965</ext-link></comment>
            </element-citation>
         </ref>
         <ref id="B20">

            <mixed-citation>Santos, S.F.dos, Salles, A.D, Souza,S.M.F.M &amp; Nascimento, F.R. (2007). Os Munduruku e as “cabeças-troféu”. <italic>Revista do Museu de Arqueologia e Etnologia</italic>,17, pp. 365-380. https://www.revistas.usp.br/revmae/article/view/89804/92604.</mixed-citation>
            <element-citation publication-type="journal">
               <person-group person-group-type="author">
                  <name>
                     <surname>Santos</surname>
                     <given-names>S.F.dos</given-names>
                  </name>
                  <name>
                     <surname>Salles</surname>
                     <given-names>A.D</given-names>
                  </name>
                  <name>
                     <surname>Souza</surname>
                     <given-names>S.M.F.M</given-names>
                  </name>
                  <name>
                     <surname>Nascimento</surname>
                     <given-names>F.R</given-names>
                  </name>
               </person-group>
               <year>2007</year>
               <article-title>Os Munduruku e as “cabeças-troféu”</article-title>
               <source>Revista do Museu de Arqueologia e Etnologia</source>
               <volume>17</volume>
               <fpage>365</fpage>
               <lpage>380</lpage>
               <comment><ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www.revistas.usp.br/revmae/article/view/89804/92604">https://www.revistas.usp.br/revmae/article/view/89804/92604</ext-link></comment>
            </element-citation>
         </ref>
         <ref id="B21">

            <mixed-citation>Toppano, M. (2017). Federico De Roberto e il <italic>Giornale illustrato dei viaggi e delle avventure di terra e di mare. Studi sul Settecento e l’Ottocento: rivista internazionale di italianistica</italic>, XII, pp.37-61.</mixed-citation>
            <element-citation publication-type="journal">
               <person-group person-group-type="author">
                  <name>
                     <surname>Toppano</surname>
                     <given-names>M.</given-names>
                  </name>
               </person-group>
               <year>2017</year>
               <article-title>Federico De Roberto e il <italic>Giornale illustrato dei viaggi e delle avventure di terra e di mare</italic></article-title>
               <source>Studi sul Settecento e l’Ottocento: rivista internazionale di italianistica</source>
               <volume>XII</volume>
               <fpage>37</fpage>
               <lpage>61</lpage>
            </element-citation>
         </ref>
      </ref-list>
   </back>
</article>
