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          <journal-title>Comunicação &amp; Educação</journal-title>
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          <publisher-name>São Paulo SP: Universidade de São Paulo Escola de Comunicações e Artes Departamento de Comunicações e Artes</publisher-name>
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            <subject>ENTREVISTA</subject>
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          <article-title>Aluizio Trinta sobre Marshall McLuhan e o campo da Educação: a introdução das mídias nas escolas</article-title>
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          <institution content-type="original">Doutoranda em Comunicação no Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Juiz de Fora (PPGCOM/UFJF). Bolsista CAPES e membro do grupo de pesquisa “Narrativas Midiáticas e Dialogias” (CNPq/UFJF).</institution>
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          <institution content-type="original">Doutor em Comunicação e Cultura pela Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (ECO/UFRJ). É Pesquisador Associado Sênior do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Juiz de Fora (PPGCOM/UFJF).</institution>
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          <email>ar.trinta@terra.com.br</email>
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        <fpage>152</fpage>
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            <license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto sob uma licença (
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        <abstract>
          <title>Resumo</title>
          <p>Nesta entrevista, o professor Aluizio Trinta nos brinda com rememorações de sua experiência como aluno ouvinte de Marshall McLuhan, na década de 1960, na Universidade de Toronto, no Canadá. Com foco no pensamento socioeducacional do autor, Aluizio traça um paralelo entre os apontamentos teórico- -comunicacionais do canadense, voltados à educação, e a importância da inserção das mídias e seu estudo em sala de aula. Nesse sentido, reflete sobre as confluências desses dois campos, frequentados por McLuhan, e alude aos desafios socioeducativos apresentados pela ambiência hiperconectada, hoje prevalente no cenário tecnológico brasileiro</p>
        </abstract>
        <trans-abstract xml:lang="en">
          <title>Abstract</title>
          <p>In this interview, Professor Aluizio Trinta recalls some of his experience as an special student of Marshall McLuhan, in the 1960’s, at the University of Toronto. Focusing on the author’s educational thought, Aluizio draws a parallel between the Canadian’s theoretical-communicational notes on education, and the importance of introducing media studies in the classroom. In this regard, he reflects on the confluences of these two fields, studied by McLuhan, and points to the educational challenges presented by the prominent hyperconnected environment in the Brazilian technological landscape.</p>
        </trans-abstract>
        <kwd-group xml:lang="pt">
          <title>Palavras-chave:</title>
          <kwd>Marshall McLuhan</kwd>
          <kwd>mídias</kwd>
          <kwd>meios de comunicação de massa</kwd>
          <kwd>educação</kwd>
          <kwd>comunicação</kwd>
        </kwd-group>
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          <title>Keywords:</title>
          <kwd>Marshall McLuhan</kwd>
          <kwd>media</kwd>
          <kwd>mass communication</kwd>
          <kwd>education</kwd>
          <kwd>communication</kwd>
        </kwd-group>
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      <p>
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          <attrib>Fonte: 
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          </attrib>
        </fig>
      </p>
      <sec id="intro">
        <title>1. INTRODUÇÃO</title>
        <p>Aluizio Ramos Trinta é doutor em Comunicação e Cultura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1995) e mestre em Linguística e Filosofia da Linguagem pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1982). São de sua autoria 
          <italic>Comunicação não verbal: a gestualidade brasileira</italic> (1985)
          <sup>
            <xref ref-type="bibr" rid="ref-13">1</xref>
          </sup> e 
          <italic>Comunicação do Corpo</italic> (1990)
          <sup>
            <xref ref-type="bibr" rid="ref-14">2</xref>
          </sup>, ambos em colaboração com Monica Rector, e 
          <italic>Teorias da Comunicação: o pensamento e a prática da Comunicação Social</italic> (2003), em colaboração com Ilana Polistchuk
          <sup>
            <xref ref-type="bibr" rid="ref-12">3</xref>
          </sup>. Egresso da área de Letras, tem artigos publicados em periódicos renomados. Aposentou-se como professor associado nível IV da Universidade Federal de Juiz de Fora, atuando em campos como Filosofia da Linguagem, Comunicação, Teoria Semiótica, Estudos de Mídia e Estudos de Marshall McLuhan. É Pesquisador Associado Sênior do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Juiz de Fora.
        </p>
        <p>No final dos anos 1960, nos termos de um convênio celebrado entre o Ministério das Relações Exteriores do Brasil e a Universidade de Toronto, no Canadá, foi contratado para dar cursos de Cultura Brasileira na Universidade de Toronto. Por recomendação de seus alunos, veio a conhecer Marshall McLuhan, educador, filósofo e teórico da Comunicação. Participou, como ouvinte informal, de sessões na “Cool” Coach House, antiga cocheira reformada para sediar o Centro para Cultura e Tecnologia da Universidade de Toronto, criado e dirigido pelo pensador canadense da mídia.</p>
        <p>Nesta entrevista, o professor Aluizio relembra e relata passagens de sua experiência e de seu convívio com o teórico canadense naquele centro de estudos, ao conhecer de perto a linha reflexiva de Marshall McLuhan. Tendo os meios de comunicação por referência essencial, as percepções do professor se voltavam também para o conhecimento de impactos e influências, causados por uma ambiência tecnológica, em teorias e práticas socioeducativas. Naquela época, o pensamento e as abordagens propositivas de McLuhan descortinavam um cenário bem mais amplo e complexo do que o vislumbrado por diversos outros teóricos, como é possível verificar em diversas publicações, conferências e entrevistas a emissoras de televisão, entre outros veículos de comunicação que o procuraram. Algumas dessas falas foram transcritas e incorporadas a publicações, como o livro 
          <italic>McLuhan por McLuhan: conferências e entrevistas</italic>
          <sup>
            <xref ref-type="bibr" rid="ref-1">4</xref>
          </sup>, permitindo ao leitor seguir em simultâneo a trajetória da construção e da prosperidade de seu pensamento.
        </p>
        <p>Mídia em sala de aula – a publicidade e a TV, em primeiro plano – era um tema quase sempre evitado, se não combatido, por estudiosos à época em que McLuhan apresentava suas ideias, tantas vezes consideradas ilógicas e mesmo absurdas por parte de seus detratores. Havia grande apego a textos impressos e desprezo pelos veículos eletroeletrônicos de comunicação maciça e massiva, considerados agentes de difusão de ideologias dominantes ou indutores à alienação coletiva. Ainda hoje é possível encontrar quem aceite ou faça coro com a premissa de que a TV, por exemplo, entretenha uma relação danosa e lesiva com jovens estudantes. É necessário, como afirma McLuhan, dispor-se do que hoje se pode chamar de uma educação para a mídia, de modo que os meios de comunicação não dominem por inteiro corações e mentes, formando cidadãos “narcotizados”, como ele escreveu, isto é, apáticos e acríticos
          <sup>
            <xref ref-type="bibr" rid="ref-9">5</xref>
          </sup>. A indiferença ou a exclusão sumária desses recursos do processo didático-pedagógico não é, definitivamente, o caminho a seguir. Afeito à expressão paradoxal e à verve irônica, Marshall McLuhan, pensador generalista, afirmava: “
          <italic>The trouble with a cheap, specialized education is that you never stop paying for it</italic>”. Após sua morte, no último dia de 1980, sua personalidade intelectual e suas ideias, como ele mesmo antecipara, tornaram-se 
          <italic>ambiência</italic> (como o prova o advento da internet, em 1983); embora latentes, perderam visibilidade imediata. Neste novo século, porém, suas publicações, redescobertas e recuperadas, ganharam extraordinário relevo, servindo de base e referência para a comunidade de estudiosos de comunicação e cultura de todo o mundo.
        </p>
        <p>Ao conceder esta entrevista, o professor Aluizio pretendeu revigorar e trazer ao proscênio concepções ou, antes, percepções – “
          <italic>percepts, not concepts</italic>”, nas palavras do pensador canadense – que tanto e tão bem informam acerca da ambiência sociocultural, tecnologicamente induzida, em que estamos atualmente imersos.
        </p>
        <p>Infelizmente, no Brasil, não há uma gama ou um ramo de publicações universitárias que vinculem as ideias de McLuhan ao campo da Educação à luz e à vista de sua estreita ligação com a área da Comunicação, ainda que suas ideias tenham começado a circular, no país, já na década de 1950
          <sup>
            <xref ref-type="bibr" rid="ref-2">6</xref>
          </sup>. Essa afirmação leva em conta as duas áreas do conhecimento em questão.
        </p>
        <p>Comunicação &amp; Educação: Em seu relato intitulado “Meninos, eu vi e ouvi!” 
          <sup>
            <xref ref-type="bibr" rid="ref-15">7</xref>
          </sup>, em que se apresenta um depoimento sobre sua experiência com McLuhan, o senhor aborda os encontros na famosa Coach House. Eu não poderia deixar de iniciar essa entrevista perguntando como eram essas discussões e como o senhor foi introduzido à Universidade de Toronto.
        </p>
        <p>
          <bold>Aluizio Trinta</bold>: Foi um pouco por acaso. Eu tinha ido para o Canadá não com uma bolsa de estudos; tampouco para conhecer o professor Marshall McLuhan e me matricular em cursos que ministrava. Minha viagem se deveu a um convênio celebrado entre o Departamento de Cooperação Intelectual do Itamaraty e a Universidade de Toronto. Minha posição era a de um professor-leitor, encarregado de cursos e aulas no contexto de um Programa de Estudos Latino-Americanos, oferecendo uma introdução à cultura brasileira e à língua portuguesa do Brasil. Dava aulas em um departamento, fazia mestrado em Linguística em outro e fui aceito como ouvinte – eu não era propriamente aluno, mas ouvinte autorizado no Center for Culture and Technology, com o consentimento de Maurice McLuhan, irmão mais novo do professor.
        </p>
        <p>O prédio do Center era o de uma antiga cocheira, localizada do outro lado do Queen’s Park Crescent, a leste do campus da Universidade St. George. Reformada e adaptada, o professor McLuhan a recebeu e passou a ocupá-la, a partir de 1963, quando inaugurou o Center for Culture and Technology. No andar térreo, ficava a sala em que ele conduzia suas sessões ou, melhor dizendo, fazia suas sempre surpreendentes e algo teatrais apresentações, suas performances (
          <italic>happenings</italic>). No andar de cima, ao qual se chagava por uma estreita escada, ficava sua biblioteca profissional, recinto de privativo ao qual não se tinha acesso.
        </p>
        <p>Chamou-se “Center for Culture and Technology” (em português, Centro para Cultura e Tecnologia) porque a percepção que Marshall McLuhan tinha de cultura (da erudita à popular) era de natureza amplamente compreensiva, inclusiva e empática. A ele interessava deslindar o feixe de relações de mútua influência existentes entre cultura e mídia, fortemente marcada pela evolução tecnológica, tanto no plano sincrônico quanto diacrônico. McLuhan via a cultura como um conjunto de manifestações que, de alguma forma, preenchiam e mobiliavam simbolicamente a existência cotidiana dos seres humanos em várias épocas historicamente atestadas. Tecnologia, enfim, por causa das tecnologias, isto é, dos dispositivos, artefatos e distintos constructos humanos elaborados com base em técnicas. Naquela época, o mundo ainda era analógico.</p>
        <p>McLuhan formara algo como uma universidade paralela, 
          <italic>off campus</italic>, digamos assim, um lugar particular, à sua feição, em que podia apresentar, desenvolver e expandir as suas ideias sem maior observância ou acato às convenções da administração acadêmica.
        </p>
        <p>Os estudantes a chamavam “
          <italic>Cool Coach House</italic>” porque o adjetivo 
          <italic>cool</italic>, corrente na gíria dos jovens naquela época, provinha originalmente de “
          <italic>jam sessions</italic>” do 
          <italic>jazz</italic> americano. Havia uma corrente de 
          <italic>jazz</italic> nos Estados Unidos, em Nova Orleans, conhecida como 
          <italic>jazz</italic> “quente” (
          <italic>hot</italic>), por assim dizer. Era um 
          <italic>jazz</italic> forte, de linha melódica marcante e bem definida. Surgiu uma variante, o 
          <italic>cool jazz</italic>, para designar e assinalar o virtuosismo manifesto do improviso jazzístico. Quando o músico começava tocando o tema, a interpretação era 
          <italic>hot</italic>; ao completar a pauta temática, ele improvisava. Residia neste improviso, com frases musicais criativas, a sensibilidade jazzística (a sua e a dos músicos que o acompanhavam, muitas vezes em trios), porque ele mostrava sua competência como instrumentista e seu domínio da linguagem musical do 
          <italic>jazz</italic>. Resultava uma musicalidade “legal”, “maneira”. Em registro feito por biógrafos de Marshall McLuhan, anotou-se que o professor teria observado o significado e o uso expressivo deste adjetivo na fala cotidiana de seu filho caçula.
        </p>
        <p>No 
          <italic>Center</italic>, havia dois tipos de sessão: uma às segundas-feiras à noite, para os iniciados, à qual não era qualquer um que podia ter acesso; a outra era aberta ao público, ainda que relativamente selecionado, sobretudo com referência ao que Marshall McLuhan chamava de “aventureiros culturais”, isto é, intelectuais e artistas “descolados”, “sem lenço nem documento”, que animavam o “
          <italic>tout Toronto</italic>” urbano. Ele parecia gostar dessas pessoas, porque achava que elas acenavam com o novo e a inovação potencial, isto é, eram portadores do que que ainda não havia sido amplamente percebido. Conversado e hábil conversador, o professor, sem dúvida, beneficiou-se destes contatos. Nascia ali o Marshall McLuhan intelectual público.
        </p>
        <p>Eu descreveria Marshall McLuhan, que vi e ouvi presencialmente, como agora se diz, como um homem alto, esguio, bem apessoado, carismático, parecendo estar sempre seguro de si, finamente irônico e bem-humorado; voz de tom abaritonado, brilho retórico em suas falas, completo domínio de todos os registros de fala da língua inglesa, além de grande facilidade com o manejo das palavras e um modo próprio de mostrar que estava à vontade, contribuíram para seu sucesso, dele fazendo um guru, um guia de consciências. Canceriano de 21 de julho (terceiro decanato), era sensível, intuitivo, empático e dotado de grande poder de imaginação. Assertivo, dizia “
          <italic>I may be wrong, but I’m never in doubt</italic>”. Em debates e entrevistas, porém, nem sempre respondia ao que lhe perguntavam; recebida a pergunta e, em sua resposta, McLuhan a reformulava, dando então a ela contornos reflexivos mais coerentes com seu modo de pensar. Invariavelmente 
          <italic>cool</italic>, para seu contentamento e para o desconcerto de seus interlocutores.
        </p>
        <p>Para seus críticos mais acerbos, um prodigioso e refinado sofista. Educador de índole humanista, Marshall McLuhan foi um retor, orador de reconhecidos méritos e erudito professor de língua e literatura inglesa, antes mesmo de ganhar notoriedade como pensador dos meios de comunicação. Fez carreira na Universidade de Toronto, onde criou e dirigiu o Center for Culture and Technology. Suas ideias, sob a forma do que chamava de 
          <italic>explorations</italic> (“investigações especulativas”) e 
          <italic>probes</italic> (“sondagens”), resultavam em 
          <italic>insights</italic> (“percepções intuitivas”), tendo sido expostas, sobretudo, em livros publicados nas décadas de 1960 e 1970.
        </p>
        <p>“Pensador original”, “gênio da Modernidade”, “cometa intelectual canadense”, para os seguidores de suas ideias e adeptos; “teórico exorbitante”, “
          <italic>mclunatic</italic>”, “impostor”, 
          <italic>tweddy canadian weirdo</italic>” (“canadense esquisito, de gosto e hábitos informais”) para seus detratores, Marshall McLuhan colecionava epítetos. Dizia-se, por exemplo, ser ele “o mais acadêmico dos 
          <italic>hippies</italic> e o mais 
          <italic>hippie</italic> dos acadêmicos”. 
          <italic>Outsider</italic>, estranho no ninho; ponto fora da curva; pensamento desencaixado. Sua notoriedade oscilava entre a incensação pura e a execração simples. Amá-lo ou deixá-lo, renunciando a compreendê-lo em seus próprios termos. Impossível, porém, desconhecer Marshall McLuhan. 
          <italic>Cool</italic> McLuhan.
        </p>
        <p>O modo de pensar de McLuhan e as ideias, que expôs – parodiando o cômico americano Groucho Marx, ele dizia “[if] 
          <italic>You don’t like my ideas, I’ve got others</italic>” (“Se você não gosta destas minhas ideias, eu tenho outras”) – nos permite crer que, ao menos para ele, o método filosófico da abdução e a imaginação literária eram complementares ou tendiam a se confundir. Em suas 
          <italic>explorations &amp; probes</italic>, encontram-se os fundamentos da prospecção heurística à qual procedia. O meio era a mensagem; Marshall McLuhan, o mensageiro.
        </p>
        <p>C&amp;E: Como McLuhan pensa os meios de Comunicação? O que o diferencia de outros estudiosos da área?</p>
        <p>
          <bold>AT</bold>: Marshall McLuhan não foi “apocalíptico” nem “integrado”, para usar a célebre dicotomia estabelecida por Umberto Eco
          <sup>
            <xref ref-type="bibr" rid="ref-3">8</xref>
          </sup>. Talvez tenha sido um pouco dos dois.
        </p>
        <p>McLuhan refletiu acerca de mudanças operadas em nossos hábitos, costumes e comportamentos alcançadas com o advento da era eletroeletrônica. Seu pensamento e sua obra equivalem, em forma e conteúdo, a um dispositivo de alerta que nos permite conhecer e fazer uso proveitoso de uma nova tecnologia por meio de percepções bem treinadas e uma compreensão em sintonia com a ambiência. Se entendermos as transformações evolucionárias dos meios de comunicação, poderemos antecipá-las e ter algum controle sobre elas.</p>
        <p>Mídia, para McLuhan, não significava somente meios de comunicação; dizia também artefato, dispositivo, instrumento mediador, intermediário tecnologicamente eficiente. De par com 
          <italic>The Gutenberg Galaxy</italic>, 
          <italic>Understanding Media</italic> é obra-chave para o entendimento de suas proposições. Assim, quando pensa nos meios de comunicação, não cogita de conteúdo, porque os meios de comunicação renovam (ou mesmo inovam), a sensibilidade humana em sua forma, o seu modo peculiar de aparecer, de existir e de prover comunicação.
        </p>
        <p>À diferença de outros teóricos, McLuhan procedia, em seu 
          <italic>understanding</italic>, avançando ousadas hipóteses, porque ia, em termos da 
          <italic>Gestalt</italic>, de uma concepção do fundo a uma percepção da figura.
        </p>
        <p>Enquanto os funcionalistas queriam apenas ver funções e os teóricos críticos queriam somente ver difusão ideológica, Marshall McLuhan buscava significações. Os meios não eram coisas neutras do ponto de vista dos valores; eram instrumentos de poder e sua natureza era uma extensão da natureza humana. Deveriam significar alguma coisa para o homem. A seu modo, Marshall McLuhan era, filosoficamente, um fenomenólogo, dublê de um semioticista da mídia.</p>
        <p>
          <italic>The Gutenberg Galaxy</italic>, seu segundo livro publicado, propôs não o fim do livro – primeiro produto destinado às massas – mas o do ciclo da cultura livresca, do impresso em geral; a televisão e os novos sistemas eletrônicos de comunicação haviam concorrido para instalar o homem em uma “aldeia mundial”, isto é, uma sociedade áudio-tátil (neo)tribalizada existente em escala planetária
          <sup>
            <xref ref-type="bibr" rid="ref-7">9</xref>
          </sup>.
        </p>
        <p>Informalmente, chamou-se “McLuhanismo” a orientação crítico-filosófica, sociológica, antropológica e, sobretudo, literária emanada do pensamento e das ideias de Marshall McLuhan. Sua obra, a bem dizer, não é sistemática nem organicamente estruturada; mas, acumula uma grande quantidade de informação. Com relação a bases teóricas e epistemológicas, sobre as quais se assenta o “McLuhanismo”, há, além do 
          <italic>New Criticism</italic> inglês, aportes consideráveis vindos do estruturalismo linguístico, que afirmava a autonomia da linguagem, em contraste à tese materialista-dialética da linguagem como infraestrutura; da psicologia da forma (
          <italic>Gestalt</italic>), que supõe suspensão de julgamento, compreensão empática e se apoia em uma visão perceptual dita holística, que se aplica a totalidades constituídas. Enfim, a estudos acerca da reprodutibilidade mecânica de criações artísticas.
        </p>
        <p>C&amp;E: McLuhan é bastante conhecido no campo da Comunicação, porém, é possível perceber um viés mais pedagógico em alguns de seus textos. Podemos afirmar que existem ligações de seus estudos com o campo da Educação?</p>
        <p>
          <bold>AT</bold>: Sim. Eu diria que bem mais do que uma simples interseção, havia um vínculo orgânico. O meio de veiculação impacta e influencia os sentidos elementares humanos e, por esta via, passa a atuar sobre a atividade mental. Em 
          <italic>Understanding Media</italic>, McLuhan classificou e dispôs os meios de comunicação em duas categorias, que se distinguem pelo que podemos chamar de “temperatura informacional”. De um lado, os meios ditos “quentes”, bem definidos, exigem a participação de um só sentido. A informação recebida por este sentido é rica e completa, exigindo pouco empenho para sua compreensão assimilada. De outro, alinham-se meios “frios”, que, pobres em informação expressa e manifesta, requerem, para compensar esta pobreza, a participação de mais de um sentido; em outras palavras, são multissensoriais, envolventes, “legais”. Entre os primeiros, estavam o jornal, o livro e o cinema; compondo o rol dos meios “frios”, figuravam televisão, histórias em quadrinhos.
        </p>
        <p>Aulas expositivas são “quentes”; seminários, em que os alunos participam em grupos, são “frios”. Informacionalmente falando, uma entrevista como esta pode ser considerada como (por bem ou por mal) temperada: se exigir reflexão, treino específico e conhecimento da matéria por parte do leitor, será “quente”; se lhe despertar sensações, avivar impressões ou provocar sentimentos, será “fria”. Se e quando parecer “quente”, suscitará simpatia ou, ao contrário, antipatia; se e quando se afigurar sugestiva ou imaginativa, irá gerar empatia.</p>
        <p>Seus aforismos podem ser interpretados não somente como soluções estilísticas, senão também como dispositivos de cognição, servindo a atividades de ensino. Isto ocorre por uma específica virtude do aforismo, que é a de estimular habilidades mnemônicas, neste caso, tanto por parte dos alunos quanto dos professores, e na medida em que promova a capacidade intelectual de lembrar temas tratados em sala de aula.</p>
        <p>Somos o que apre(e)ndemos. Criamos nossos instrumentos e estes, reversivamente, nos recriam. Uma tecnologia representa um prolongamento de nosso corpo, uma extensão de nossa mente, um acréscimo a nossas habilidades. Toda tecnologia tende a instaurar um novo 
          <italic>environment</italic> (“ambiência”). Não obstante, os entornos tecnológicos jamais se configuram como meros recipientes de pessoas; são processos ativos que reestruturam pessoas, exercendo influência e causando impacto até mesmo em outras tecnologias.
        </p>
        <p>Nas décadas de 1950 e 1960, McLuhan se mantinha ocupado com a crescente voga da mecanização, do maquinismo, que parecia estar a pouco e pouco se estendendo à inteligência humana. Às máquinas faltavam, porém, duas características da atividade mental do homem, que são a curiosidade intelectual e a incansável busca por sentido. O professor pensava sobretudo na profusa informação difundida pela televisão – à qual chamava de “tímido gigante” – que, em seu tempo, era autoritária e unidirecional. Esta tecnologia representaria potencial ameaça à escola, na medida em que, pela sua própria natureza, viesse a pôr em risco a tarefa que, desde sempre, a ela cabe: despertar o interesse dos jovens pelo conhecimento, estimular uma visão dialética das questões postas, incentivar seu espírito crítico e formá-los para o exercício da cidadania. Para atingir tal meta, seria necessário educar também para o convívio diário com os meios de comunicação, agindo por meio de cooptação esclarecida e inteligente, isto é, ensinando a discernir os diversos componentes presentes na massa de informações dirigidas e se aperceber dos estímulos que trazem embutidos.</p>
        <p>Em dois trabalhos seus, Marshall McLuhan tratou diretamente desta vinculação íntima da escola à mídia. Datados das décadas de 1960 e 1970, respectivamente, abordam criativamente o novo papel que a escola desempenharia na vida do mundo moderno, trespassada pelos meios de comunicação.</p>
        <p>
          <italic>Classroom without walls</italic> (“sala de aula sem paredes”), também título de um ensaio, é uma antologia de textos escritos por diversos autores; de um total de 24 ensaios exploratórios, cinco são originais de McLuhan e um foi escrito em colaboração com o antropólogo Edmund Carpenter
          <sup>
            <xref ref-type="bibr" rid="ref-1">10</xref>
          </sup>. Propõe e advoga a tese de que a educação escolar não pode ignorar e renunciar à popularidade dos meios de comunicação, apregoando e pregando uma renovação da educação tradicional. Era preciso emoldurar o mundo como uma extensão da sala de aula. Mundo, tecnologia, sala de aula reunidos formariam uma totalidade. Não haveria paredes a separar experiências. A sala de aula seria convertida em ponto de partida, moldura e enquadramento, lugar de observação do mundo circundante.
        </p>
        <p>Sabe-se que a informação que mais facilmente se retém é aquela que emociona. Basta ler Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC). O que um aluno ou uma aluna escreve em seu trabalho de TCC? Aquilo que mais o(a) sensibiliza, desperta sua curiosidade ou que mais chama e prende a sua atenção. Ele ou ela não estão preocupados em dar uma demonstração cabal da posse de conhecimentos sólidos sobre uma determinada matéria, desenvolvendo um tema ou tratando de um assunto. Sendo assim, normalmente capturam, arrolam e associam informações, em sequências descritivas bem ilustradas, mas às vezes pouco analíticas e superficialmente críticas.</p>
        <p>Marshall McLuhan havia observado que, onde o interesse do estudante encontra intenso foco, lá também se acha um ponto nodal, do qual se pode partir para o tratamento e a elucidação de outras questões. O que agrada, efetivamente instrui.</p>
        <p>Marshall McLuhan negava haver qualquer diferença entre educação e entretenimento; para ele, distingui-los seria comparável ao estabelecimento de uma distinção entre formas de uma poesia culta ou didática e uma poesia lírica, com base e referência no fato de que uma informa e educa; a outra contenta e dá prazer.</p>
        <p>Resumindo, “sala de aula sem paredes” quer dizer, ao menos, duas coisas: (1) a cidade inteira é uma escola e por isso Marshall McLuhan também se associava a urbanistas (e urbanistas revolucionários), que viam a cidade como um organismo vivo; e um organismo vivo é necessariamente um organismo docente; (2) a ideia de que os professores não deveriam banir o livro, não significava, figuradamente ou não, queimar o livro como em um ato ditatorial ou uma ação obscurantista. Era, sim, preciso alinhar o livro a uma outra posição na formação do educando, vindo, em primeiro lugar, um delineamento consequente da relação dele com os meios de comunicação. E, nos meios de comunicação a TV; na TV comercial, a publicidade — tema pelo qual McLuhan tinha grande estima e gosto crítico, como se vê em 
          <italic>The Mechanical Bride</italic>
          <sup>
            <xref ref-type="bibr" rid="ref-6">11</xref>
          </sup>, seu primeiro livro publicado — porque, naquela época, a TV comercial americana não tinha uma estação emissora educativa como, por exemplo, havia na Inglaterra e na França. Era a TV comercial, em grandes cadeias nacionais. A TV brasileira, criada em 1950, teve como modelo a TV comercial (leia-se publicitária) americana.
        </p>
        <p>Vale lembrar que educar quer dizer conduzir moral, intelectual, axiológica (plano dos valores) e institucionalmente jovens educandos. É uma responsabilidade muito grande à qual, em princípio, pesquisadores parecem estar desobrigados. O pesquisador cuida da formulação e formatação da pesquisa dele; o professor se ocupa, em tempo integral, em instruir e formar futuro cidadãos.</p>
        <p>Nos dias de hoje, nas grandes cidades, parte substancial do ensino tem lugar fora da escola. A informação chega pelos jornais, revistas, programas de TV, rádio e, claro está, pela internet, onde reina soberano o Google. Assiste-se à ruína do monopólio do livro como instrumento privilegiado de instrução e a derrubada virtual, em duplo sentido, das paredes que circunscreviam a sala de aula tradicional. Este poderá ser um dos motivos pelos quais se possa considerar os meios de comunicação, tecnologicamente potencializados, como entretenimento educativo em maior ou menor grau.</p>
        <p>Com a colaboração de Katryn Hutcheon e de Eric McLuhan, filho primogênito, Marshall McLuhan publicou, em 1977, 
          <italic>City as Classroom</italic>
          <sup>
            <xref ref-type="bibr" rid="ref-10">12</xref>
          </sup>. Terá sido este o último livro que escreveu como coautor. Logo no início, McLuhan faz referência a Ivan Illich (1926-2002), teólogo pensador austríaco que se dedicou a refletir acerca das potencialidades de inovação inerentes às instituições educacionais. Perguntava-se McLuhan se, tal como Illich sugeria, vivíamos em uma nova ambiência, por que os educadores pareciam não fazer muito caso desta realidade, apercebendo-se de que os grandes debates do tempo tinham lugar lá fora, no extramuros escolar? Por que não os trazer para a escola, fazendo-a dialogar com o mundo exterior ou, metaforicamente falando, remover teto e derrubar paredes da construção didático-pedagógica? Era preciso levar os alunos a referir experiências diárias a descobertas, para que aprendessem como tais situações se configuram e afetam sua experiência. Há sempre mais ensinamentos fora da escola do que no interior de suas salas de aula. Neste sentido, erudito que era, McLuhan lembrava que 
          <italic>schole</italic>, termo grego antigo, dizia, além de “lugar de instrução”, “lugar de lazer” ou “descanso”; também “ócio inteligente”. Como ele mesmo já havia pontificado: quem acha que a escola não é entretenimento, pouco ou nada sabe de escola ou de lazer.
        </p>
        <p>Marshall McLuhan desaconselhava que a escola utilizasse o livro como alguns professores ainda o fazem. Uma noção relacionada ao que estamos aqui tratando é a de “
          <italic>lector</italic>”, abordada por Umberto Eco
          <sup>
            <xref ref-type="bibr" rid="ref-4">13</xref>
          </sup>, em referência àquele professor medieval que, por assim dizer, não elaborava muitas ideias, limitando-se a reproduzi-las ou as repetir com maior ou menor ênfase a depender de sua formação profissional, seu gosto intelectual e suas preferências individuais.
        </p>
        <p>Uma vez mais, Marshall McLuhan sustentava a tese, a despeito de uma eventual instrução escolar, a maior parte das pessoas adquiria informação e conhecimentos fora da escola. Não seriam poucos os ensinamentos obtidos em situações casuais, assim como há muitos ensinamentos que não resultaram de uma instrução programada. 
          <italic>City as classroom</italic> mostra que estudantes em todos os níveis aprenderam suas melhores lições, que lhes servem para a vida, em lugares comuns, como se lá sempre estivessem estado à sua espera.
        </p>
        <p>Para um conhecimento mais aprofundado das lições de Marshall McLuhan, vinculando comunicação ao ensino e aprendizagem, menciono aqui um livro do educador carioca de formação piagetiana Lauro de Oliveira Lima, publicado em 1971, intitulado 
          <italic>Mutações em Educação segundo McLuhan</italic>
          <sup>
            <xref ref-type="bibr" rid="ref-5">14</xref>
          </sup>. Com citações e ilustrações, texto e imagem em diálogo, à moda do pensador de Toronto, fornece uma boa síntese do pensamento educacional do mestre de Toronto.
        </p>
        <p>Segundo o professor Marshall McLuhan, o 
          <italic>trivium</italic> medieval eram as três grandes vias a seguir para a formação do homem de saber. Ele dizia que é preciso que os alunos de todos os níveis estudem gramática para conhecer as normas, os padrões característicos da estrutura da língua. Seguiam-se a lógica, pensamento da palavra, e a retórica, que é diferente da oratória: esta, a arte de falar; aquela, a arte de dizer. Essa tríade deveria constituir a base da educação. Marshall McLuhan conhecia profundamente literatura e os mecanismos de imaginação literária, propondo-se então a transpô-los de maneira original para os estudos de comunicação. E daí para a escola.
        </p>
        <p>C&amp;E: Nessa perspectiva, é possível pensar em uma nova sala de aula, levando em conta o contexto da covid-19 e o cenário atual da educação pública brasileira?</p>
        <p>
          <bold>AT</bold>: Marshall McLuhan era um educador. Podemos pensar que o vírus covid-19, tem responsabilidades quanto à abertura ou ao alargamento de novas perspectivas de inovação no processo educacional, que merecem acolhida.
        </p>
        <p>Podemos conceber uma educação sem a escola e uma escola, literal e figuradamente, sem muros. A palavra “aula” vem do grego 
          <italic>aulé</italic>, que significava “palácio” ou “recinto da corte”, local de funcionamento das primeiras escolas De lugar em que era dada uma aula passou, por metonímia, a designar a atividade que aí se realizava. Da edificação concreta à edificação moral, pela instrução escolar. Acreditava-se que somente o professor podia prover a aprendizagem do aluno. Em inglês, dizemos 
          <italic>classroom</italic>; em francês, 
          <italic>salle de classe</italic>; em alemão 
          <italic>Klassenzimmer</italic>. Quartos ou salas são apartados, isto é, têm divisórias, paredes. A aula tradicional se dá, portanto, em um espaço em que professor e alunos falam de coisas, concretas ou abstratas, mas que não estão imediatamente presentes. E um professor que sabe tudo, domina todos os temas e trata de todos os assuntos não existe e talvez jamais tenha existido, até porque o conhecimento da humanidade não pode ser abarcado por um só e mesmo indivíduo, por mais disposto e preparado que que esteja para tal finalidade.
        </p>
        <p>O que agora incumbe ao professor é fazer o que podemos chamar de um 
          <italic>design</italic> do processo de aprendizagem, reunindo neste projeto comunicação e arte.
        </p>
        <p>Temos hoje uma experiência análoga, transitando do impresso ao digital. Se o livro de texto é inteiramente controlável, não se pode dizer o mesmo da forma/conteúdo internet. E esta é a tecnologia preferida dos alunos de nosso tempo e, certamente, dos que ainda virão. Eles não vão se limitar à frequentação de redes sociais, a mensagens rápidas e ao consumo de vídeos, porque a forma/conteúdo é largamente acessível. Antes, lição na ponta da língua; agora, na ponta dos dedos. Ao capital sociocultural, obtido com a escolarização regular, virá somar-se um capital digital.</p>
        <p>O que era difícil fazer sem a internet, é hoje impossível realizar sem ela. Na esteira das proposições de Marshall McLuhan, chegaremos à conclusão, que nos parece óbvia, que é urgente alinhar a escola, sem subvertê-la ou deturpar suas funções, a tecnologias da comunicação de natureza digital.</p>
        <p>Vemos que a universidade brasileira utiliza amplamente a tecnologia digital em suas pesquisas; na hora do ensino, porém, faz muitas vezes uso imoderado do Power Point. Este programa é um quadro negro ou uma lousa branca elevados ao cubo, mas com uma diferença substancial: o suporte material provido pelos dois primeiros permite a construção de um esquema, cabendo ao aluno acompanhar a argumentação raciocinada do professor. Com o Power Point, expõe-se resultados. E aqui nos situamos diante de um paradoxo, porque recorremos a uma tecnologia contemporânea para reforçar a eficácia de um antigo modelo de exposição didático-pedagógica.</p>
        <p>A pandemia contribuiu para derrubar de vez as paredes da sala de aula e os muros da escola. Educadores se viram obrigados a inovar, tendo ou não se apercebido que quanto mais aberta a tecnologia, maiores riscos seu uso eficiente e eficaz acarreta.</p>
        <p>O quadro-negro foi recentemente substituído pela lousa branca, que é algo bem parecido a uma tela analógica. Giz e apagador ficaram no passado. Em segundo lugar, é bom lembrar que simplesmente dotar uma escola, sobretudo no nível básico, de 
          <italic>laptops</italic> ou 
          <italic>tablets</italic>, não basta torná-la tecnologicamente capacitada para o novo tipo de ensino que tem que ser realizado.
        </p>
        <p>Nós estamos na nossa casa, como que ocultados por nosso casulo. A nova sala de aula não tem muros; talvez nem tenha professores.</p>
        <p>Antes do cenário de aulas 
          <italic>on-line</italic> emergir, os professores tinham muitas vezes que pedir aos alunos bom comportamento em sala de aula. Com o ensino remoto, eles são livres para entrar e sair, isto é, para estar 
          <italic>on</italic> ou 
          <italic>off</italic>; participar ou não participar. A pandemia antecipou uma situação que ainda não havia sido pressentida, mas acentuou a urgência de uma já sentida necessidade. Ao professor compete tirar o melhor proveitos destas circunstâncias anômalas, em benefício do processo socioeducativo, adaptando-se ao novo mundo digital, revendo e aperfeiçoando suas técnicas pedagógicas. Em uma palavra, reciclando-se.
        </p>
        <p>C&amp;E: Há uma premissa de que toda tecnologia obsoleta tem a tendência de virar obra de arte. Com a internet e as redes sociais digitais, os jovens estão cada vez mais afastados dos livros e partindo para sua versão virtual com ebooks (quando o fazem), como já abordado pelo senhor. Sendo assim, o senhor enxerga uma possível extinção do livro em papel ou uma possível obsolescência?</p>
        <p>
          <bold>AT</bold>: Eu não tenho prognóstico a respeito. O que se vê no Kindle e em outros leitores digitais, já é uma forma artística. O livro terá de reinventar-se, e este processo já está em curso.
        </p>
        <p>C&amp;E: Para finalizar, gostaria de saber se o senhor acredita que McLuhan ainda hoje não é compreendido e se todas as suas teorias ainda são válidas nos tempos atuais
          <italic>.</italic>
        </p>
        <p>
          <bold>AT</bold>: Não é verdade que McLuhan não esteja sendo compreendido nos tempos atuais.
        </p>
        <p>Espécie de 
          <italic>summa theologica</italic> de Marshall McLuhan, 
          <italic>Laws of Media</italic>
          <sup>
            <xref ref-type="bibr" rid="ref-8">15</xref>
          </sup>, livro de publicação póstuma, a meu conhecimento, ainda não foi traduzido para o Português. Para conhecer bem Marshall McLuhan e suas ideias, é indispensável sua leitura.
        </p>
        <p>O professor McLuhan não era um teórico de ideias “muito loucas”, um “maluco beleza” da comunicação; antes, era um homem de ideias férteis e que deixava sua imaginação fluir livremente, formulando hipóteses que, segundo ele próprio, jamais deveriam ser tomadas como verdades. “
          <italic>I don’t always agree with everything I say</italic>”, dizia. Compreender McLuhan é chegar ao entendimento de que sua estrutura discursiva não é simplesmente uma base, um suporte para a expressão de suas ideias; é constitutiva destas mesmas ideias. Gramática, lógica e retórica. Trivial.
        </p>
      </sec>
    </body>
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        <title>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</title>
        <ref id="ref-1">      
          <mixed-citation>CARPENTER, Edmund; MCLUHAN, Marshall (org.). Explorations in communication. Boston: Beacon Press, 1960.</mixed-citation>
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                <surname>CARPENTER</surname>
                <given-names>Edmund</given-names>
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            <source>Explorations in communication</source>
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            <source>A educação para além da sala de aula no pensamento do intelectual Herbert Marshall McLuhan</source>
            <publisher-name>CRV</publisher-name>
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        <fn fn-type="other">
          <label>
            <sup>1</sup>
          </label>
          <p>RECTOR, Monica; TRINTA, Aluizio. Comunicação não verbal: a gestualidade brasileira. Rio de Janeiro: 1985.</p>
        </fn>
        <fn fn-type="other">
          <label>
            <sup>2</sup>
          </label>
          <p>RECTOR, Monica; TRINTA, Aluizio. Comunicação do Corpo. São Paulo: Ática, 1990.</p>
        </fn>
        <fn fn-type="other">
          <label>
            <sup>3</sup>
          </label>
          <p>POLISTCHUK, Ilana; TRINTA, Aluizio. Teorias da Comunicação: o pensamento e a prática da Comunicação Social. Rio de Janeiro: Campus, 2003.</p>
        </fn>
        <fn fn-type="other">
          <label>
            <sup>4</sup>
          </label>
          <p>MCLUHAN, Stephanie; STAINES, David (org.). McLuhan por McLuhan: conferências e entrevistas. Rio de Janeiro: Ediouro, 2005.</p>
        </fn>
        <fn fn-type="other">
          <label>
            <sup>5</sup>
          </label>
          <p>MCLUHAN, Marshall. Understanding Media: extensions of man. New York: McGraw-Hill, 1964.</p>
        </fn>
        <fn fn-type="other">
          <label>
            <sup>6</sup>
          </label>
          <p>CAZAVECHIA, William Robson. A educação para além da sala de aula no pensamento do intelectual Herbert Marshall McLuhan. Curitiba: CRV, 2017.</p>
        </fn>
        <fn fn-type="other">
          <label>
            <sup>7</sup>
          </label>
          <p>TRINTA, Aluizio. Meninos, eu vi e ouvi! (Um depoimento). Contracampo, Niterói, n. 10/11, p. 21-30, 2015.</p>
        </fn>
        <fn fn-type="other">
          <label>
            <sup>8</sup>
          </label>
          <p>ECO, Umberto. Apocalípticos e integrados. 6. ed. São Paulo: Perspectiva, 2008.</p>
        </fn>
        <fn fn-type="other">
          <label>
            <sup>9</sup>
          </label>
          <p>MCLUHAN, Marshall. The Gutenberg galaxy. Toronto: University of Toronto Press, 1962.</p>
        </fn>
        <fn fn-type="other">
          <label>
            <sup>10</sup>
          </label>
          <p>CARPENTER, Edmund; MCLUHAN, Marshall (org.). Explorations in communication. Boston: Beacon Press, 1960.</p>
        </fn>
        <fn fn-type="other">
          <label>
            <sup>11</sup>
          </label>
          <p>MCLUHAN, Marshall. The mechanical bride: folklore of the industrial man. New York: Vanguard Press, 1951.</p>
        </fn>
        <fn fn-type="other">
          <label>
            <sup>12</sup>
          </label>
          <p>MCLUHAN, Marshall; HUTCHEON, Kathryn; MCLUHAN, Eric. City as classroom: understanding language and media. Agincourt: The Book Society of Canada, 1977.</p>
        </fn>
        <fn fn-type="other">
          <label>
            <sup>13</sup>
          </label>
          <p>ECO, Umberto. Lector in fabula. São Paulo: Perspectiva, 2008.</p>
        </fn>
        <fn fn-type="other">
          <label>
            <sup>14</sup>
          </label>
          <p>LIMA, Lauro de Oliveira. Mutações em Educação segundo McLuhan. Rio de Janeiro: Vozes, 1971.</p>
        </fn>
        <fn fn-type="other">
          <label>
            <sup>15</sup>
          </label>
          <p>MCLUHAN, Marshall. Laws of Media: the New Science. Canada: University of Toronto Press, 1992.</p>
        </fn>
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