Servicios
Descargas
Buscar
Idiomas
P. Completa
Atividades em sala de aula
Ribas Itacarambi Ruth
Ribas Itacarambi Ruth
Atividades em sala de aula
ARS (São Paulo), vol. 28, no. 1, pp. 211-216, 2023
Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo
resúmenes
secciones
referencias
imágenes
Carátula del artículo

ATIVIDADES EM SALA DE AULA

Atividades em sala de aula

Ribas Itacarambi Ruth
Universidade de São Paulo, Brasil
ARS (São Paulo), vol. 28, no. 1, pp. 211-216, 2023
Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo

O conhecimento não se estende do que se julga sabedor até aqueles que se julga não saberem; o conhecimento se constitui nas relações homem-mundo, relações de transformação, e se aperfeiçoa na problematização crítica destas relações 1.

Um importante pré-requisito para o empoderamento dos cidadãos é o esforço concentrado para aprimorar a alfabetização midiática e informacional, habilidades que auxiliam no fortalecimento das capacidades críticas e de comunicação que permitem aos indivíduos utilizar as mídias e as comunicações tanto como ferramentas, quanto como uma maneira de articular processos de desenvolvimento e mudança social, aprimorando a rotina cotidiana e empoderando as pessoas para que influenciem suas vidas 2.

A organização das atividades nesta edição tem como centro a reflexão sobre o significado da media literacy, que, no cenário atual das redes sociais digitais e dada a rapidez da divulgação das informações, exerce um papel importante na aquisição de competências para que a participação dos sujeitos se realize de forma construtiva, democrática e ética, como é tratada no artigo “A literacia midiática como ferramenta para amplificar a participação no jornalismo: um estudo de jovens universitários do ABC Paulista”, de Matheus Cunha e Marli dos Santos

Na mesma perspectiva de reflexão sobre as mídias e seu uso em sala de aula, selecionamos o artigo “Educação para a prática publicitária libertadora: extensão universitária e formação cidadã na graduação em Publicidade”, de Pâmela Saunders Uchôa Craveiro e Thiago de Freitas Toledo, que aponta a necessidade de estimular atividades educativas comprometidas com a construção de uma pedagogia para a prática da liberdade 3 entre estudantes de Publicidade, o que os autores denominam como “educação para a prática publicitária libertadora”. O artigo apresenta a proposta de uma pedagogia que estimule posturas ativas e críticas diante da influência da publicidade no mundo social, para além dos muros da universidade.

Por outro lado, apontamos a questão do mal uso das mídias, ou seja, da desinformação, que é estudada no artigo de Ana Paula Alencar e Anna Cristina Brisola, “Abordagens pedagógicas no combate à desinformação: uma análise de planos de aulas compartilhados na internet”. O estudo parte da perspectiva da função da educação no entendimento da desordem informacional contemporânea e analisa as abordagens pedagógicas presentes nos planos de aula sobre o combate à desinformação, criados pelo Programa EducaMídia e por professores no Portal do Professor.

As atividades desta edição estão organizadas nos seguintes temas:

  • Literacia midiática como ferramenta para ampliar a participação no jornalismo;

  • Educação para uma prática publicitária libertadora;

  • Abordagens pedagógicas no combate à desinformação.

1. PRIMEIRA ATIVIDADE
1.1 Literacia midiática como ferramenta para amplificar a participação no Jornalismo

Esta atividade tem como referência o artigo “A literacia midiática como ferramenta para amplificar a participação no jornalismo: um estudo de jovens universitários do ABC Paulista”, de Matheus Cunha e Marli dos Santos, que investiga a relação entre participação em conteúdos noticiosos e as competências midiáticas de jovens universitários. Os autores consideram a participação a partir de sua perspectiva positiva, ou seja, ética e democrática.

A atividade é destinada aos alunos e professores dos cursos de Ciências da Comunicação, em particular de jornalismo. Organizamos a atividade na seguinte sequência didática:

  1. 1. Pesquisar, em artigos acadêmicos publicados na internet, o significado de “literacia midiática”, registrando a fonte de sua busca. Comparem os significados encontrados, contextualizando-os.
  2. 2. Discutir em sala de aula ou grupos de estudos os resultados obtidos, registrando as ideias abordadas num arquivo próprio do grupo, que deve ser criado em uma pasta do computador ou celular;
  3. 3. No artigo, os autores ressaltam o papel fundamental da literacia midiática: “à medida que essa colaborar para a emancipação do cidadão e favorecer a sua participação positiva – no posicionamento crítico, na autonomia sobre escolhas possíveis, na manifestação de diversas vozes, no engajamento social”. Comparar essa afirmação com os resultados de suas pesquisas registrados no arquivo do grupo;
  4. 4. Realizar a leitura da fundamentação teórica do artigo e discutir os seguintes pontos levantados pelos autores sobre a mídia jornalística.
    1. 4.1) O jornalismo perdeu seu posto de arauto da informação?

    2. 4.2) Mais de 96% dos brasileiros consomem notícias por dispositivos online e 64% preferem o Instagram para interagir com as notícias.

  5. 5. Sobre as competências midiáticas, os autores do artigo apresentam a análise de Pérez-Tornero em coautoria com Celot. Fazer a leitura, no artigo, das duas dimensões das competências midiáticas apresentadas em prol da literacia midiática.
  6. 6. Os autores, a partir de seu referencial teórico, apresentam as mudanças no jornalismo contemporâneo. Quais as consequências dessas mudanças no modo de fazer, circular e consumir o jornalismo?
  7. 7. O objetivo do trabalho, de acordo com os autores, é investigar a relação entre participação em conteúdos noticiosos e as competências midiáticas de jovens universitários. Propomos a leitura do item “Procedimentos metodológicos” e a discussão das competências de compreensão crítica apresentadas a seguir.
    1. 7.1) O entendimento sobre o conteúdo midiático e suas funções, expresso nas competências apontadas no texto.

    2. 7.2) O conhecimento sobre a mídia e sua regulação, apresentado por meio de duas competências descritas no texto.

    3. 7.3) O argumento em torno da manipulação midiática.

  8. 8. A partir da leitura do item “Competências comunicacionais e participativas”, discutir os três aspectos apontados:
    1. 8.1) Competências nas relações sociais;

    2. 8.2) Competências na participação cidadã;

    3. 8.3) Competências na criação de conteúdo.

  9. 9. A partir do item “Algumas Considerações”, analisar os resultados da pesquisa e as considerações dos autores, em particular as afirmações a seguir.
    1. 9.1) A evidente contribuição da literacia midiática para a amplificação das iniciativas de participação no jornalismo, principalmente considerando a disseminação/circulação de conteúdo como uma característica importante do fenômeno.

    2. 9.2) Os indivíduos mais bem sucedidos na aquisição de competências participativas e comunicacionais são os que mais e melhor participam do jornalismo.

    3. 9.3) Por fim, acreditamos ser fundamental a discussão sobre as formas de participação do cidadão no jornalismo contemporâneo, portanto incorporamos a questão da disseminação/circulação de conteúdo como um possível caminho de participação positiva.

2. SEGUNDA ATIVIDADE
2.1 Educação para uma prática publicitária libertadora

A atividade tem como referência o artigo “Educação para a prática publicitária libertadora: extensão universitária e formação cidadã na graduação em Publicidade, de Pâmela Saunders Uchôa Craveiro e Thiago de Freitas Toledo, que aponta a necessidade de estimular atividades educativas comprometidas com a construção de uma pedagogia para a prática da liberdade 4 entre estudantes de Publicidade, o que os autores denominam como”educação para a prática publicitária libertadora”.

A atividade é destinada aos alunos e professores dos cursos de Ciências da Comunicação, priorizando os discentes dos cursos de publicidade. Está organizada na seguinte sequência didática:

  1. 1. Fazer a leitura da introdução do artigo e discutir os seguintes elementos apresentados pelos autores:
    1. 1.1) A construção de uma pedagogia para a prática da liberdade;

    2. 1.2) Educação para a prática publicitária libertadora;

    3. 1.3) Espaços de formação que possibilitem práticas educativas mais participativas, dialógicas e problematizadoras.

  2. 2. Segundo os autores, o artigo está estruturado em três tópicos:
    1. 2.1) Caracterização da relação entre extensão e cidadania, apresentando o conceito de educação para a prática publicitária libertadora;

    2. 2.2) Reflexão sobre a relevância de iniciativas extensionistas que fomentem a apropriação crítica da comunicação publicitária para a formação cidadã;

    3. 2.3) Análise de experiências dos estudantes em projetos de extensão de universidades brasileiras que promovem atividades de literacia publicitária.

Propomos a leitura desses tópicos no artigo, destacando suas respectivas análises e conclusões.

  1. 1. Você concorda com a seguinte conclusão dos autores? Justifique sua resposta.

“Portanto, possibilitando: autonomia, curiosidade, problematização, criticidade, consciência e transformação. Seis elementos que acreditamos serem fundamentais para uma educação para a prática publicitária libertadora que, em diálogo com Freire 5 e Peruzzo 6, pode contribuir para a formação cidadã de discentes de Publicidade.”

3. TERCEIRA ATIVIDADE
3.1 Abordagens pedagógicas no combate à desinformação

A desinformação é estudada no artigo de Ana Paula Alencar e Anna Cristina Brisola, “Abordagens pedagógicas no combate à desinformação: uma análise de planos de aulas compartilhados na internet”. Segundo as autoras, a desinformação vai além da informação falsa, comportando a informação descontextualizada, apagada, fragmentada, manipulada, tendenciosa, distorcida, que rotula, subtrai ou confunde. Brisola considera, também, que a grande mídia tem responsabilidade sobre o que concerne ao atual cenário de desinformação.

Diante do cenário exposto acima, esta atividade é destinada aos professores e aos alunos do Ensino Básico. Propomos a sequência didática a seguir.

  1. 1. Leitura da Introdução do artigo e resposta às seguintes questões.
    1. 1.1) O que é apresentado como a construção de uma sociedade plural, inclusiva e participativa?

    2. 1.2) Como é apresentado o fenômeno da desinformação?

    3. 1.3) Como é o uso dos dados e informações refinadas, como no microtargeting7?

  2. 2. Fazer a leitura do item “A Educação no Enfrentamento da Desinformação”. Situar no texto os termos “Falso contexto”, “Falsa conexão”, “Conteúdo fabricado” e “Fake News” e comentá-los.
  3. 3. No item “Por Uma Abordagem Pedagógica Multidimensional, analisar as seguintes considerações das autoras.
    1. 3.1) O fenômeno educativo não é uma realidade acabada, mas sim um fenômeno humano, histórico e multidimensional;

    2. 3.2) Foco no sujeito, foco no objeto ou foco na interação sujeito-objeto, segundo Mizukami, podem levar a diferentes práticas pedagógicas.

    3. 3.3) “Em resumo, a defesa que aqui fazemos é que, para alcançar o objetivo da leitura reflexiva, consciente e crítica das mídias, tão cara à alfabetização midiática e informacional e ao efetivo combate à desinformação, é necessária uma abordagem pedagógica que combine as dimensões técnica e sociocultural intermediadas pela dimensão cognitiva e humana; e estratégias de ensino-aprendizagem que encadeiem atividades de reconhecimento, interpretação, análise, avaliação e criação, sempre com enfoque na relação do aluno com a mídia e que instigue o pensamento crítico e a consciência crítica.”

  4. 4. Na descrição do método, as autoras escolheram os planos de aula disponíveis no Portal do Professor 8 e no EducaMídia 9, que são, respectivamente, uma iniciativa governamental e uma organização civil, para fazerem a leitura, consultarem a disponibilidade dos planos para suas aulas e apontarem os pontos positivos e dificuldades de cada um deles.

Verificar a relação desses planos com a proposta da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) para o Campo Jornalístico-Midiático 10, a qual considera fundamental para a alfabetização midiática e informacional, no contexto do combate à desinformação, os seguintes pontos: (1) compreender o processo de produção da notícia; (2) diferenciar gêneros textuais; (3) verificar as fontes das informações; e (4) avaliar os diferentes ângulos de um mesmo fato.

  1. 1. Para o fechamento da atividade, propomos que o professor apresente a necessidade de regulação das mídias, de acordo com o que é proposto pela Unesco 11.
    1. 5.1) Consultar como é feita a regulação das mídias nos Estados Unidos;

    2. 5.2) Consultar como é proposta a regulamentação das mídias na União Europeia 12;

    3. 5.3) Comparar essas propostas com aquela presente no Projeto de Lei das Fake News, nº 2.630/2020 13, apresentada na Câmara dos Deputados 14.

Supplementary material
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Batocchio, Amália; Cantarini, Paola; Oliveira, Samuel Rodrigues de. Regulação de redes sociais: uma perspectiva internacional. Consultor Jurídico, [S.l.], 15 jun. 2021. Disponível em: https://www.conjur.com.br/2021-jun-15/direito-digital-regulacao-redes-sociais-perspectiva-internacional. Acesso em: 31 maio 2023.
BRASIL. Projeto de Lei nº 2630/2020. Institui a Lei Brasileira de Liberdade, Responsabilidade e Transparência na Internet. Disponível em: https://www.camara.leg.br/propostas-legislativas/2256735. Acesso em: 31 maio 2023.
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC. 2018. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/. Acesso em: 29 nov. 2020.
FREIRE, Paulo. Educação como prática da liberdade. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2002.
FREIRE, Paulo. Extensão ou comunicação? Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1983.
FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.
PERUZZO, Cicilia. Comunicação Comunitária e Educação para a Cidadania. Comunicação & Informação, v. 2, n. V, p. 205-228, 1999.
PL das Fake News: como outros países lidam com crimes nas redes sociais. G1, [s.l.], 2 maio 2023. Disponível em: https://g1.globo.com/tecnologia/noticia/2023/05/02/pl-das-fake-news-como-outros-paises-lidam-com-crimes-nas-redes-sociais.ghtml. Acesso em: 31 maio 2023.
WILSON, Carolyn; GRIZZLE, Alton; TUAZON, Ramon; AKYEMPONG, Kwame; CHEUNG, Chi-Kim. Alfabetização midiática e informacional: currículo para formação de professores. Brasília: UNESCO, UFTM, 2013. Disponível em: https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000220418. Acesso em: 31 maio 2023.
Notes
Notes
1 FREIRE, Paulo. Extensão ou comunicação? Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1983, p. 22.
2 WILSON, Carolyn; GRIZZLE, Alton; TUAZON, Ramon; AKYEMPONG, Kwame; CHEUNG, Chi-Kim. Alfabetização midiática e informacional: currículo para formação de professores. Brasília: UNESCO, UFTM, 2013, p. 38.
3 FREIRE, Paulo. Educação como prática da liberdade. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2002, p. 67.
4 FREIRE, Paulo. Educação… Op. cit., p. 67.
5 FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.
6 PERUZZO, Cicilia. Comunicação Comunitária e Educação para a Cidadania. Comunicação & Informação, v. 2, n. V, p. 205-228, 1999.
7 Microtargeting é uma adequação, refinada por dados, de produtos ao público-alvo, garantindo melhores resultados. Utilizam algoritmos que revelam as características mais íntimas e perfil psicológico dos usuários, e têm uma aplicação poderosa: bombardear os indivíduos, de maneira personalizada, com mensagens publicitárias e não publicitárias, tornando-as par ticularmente mais atrativas.
8 Portal do Professor. Disponível em: http://portaldoprofessor.mec.gov.br/buscarAulas.html
9 EducaMídia. Disponível em: https://educamidia.org.br/planos-de-aula
10 BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC. 2018. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/. Acesso em: 29 nov. 2020.
11 Wilson, Carolyn; GRIZZLE, Alton; Tuazon, Ramon; Ak yempong, Kwame; Cheung, Chi-Kim. Alfabetização midiática e informacional: currículo para formação de professores. Brasília: UNESCO, UFTM, 2013. Disponível em: https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000220418. Acesso em: 31 maio 2023.
12 Batocchio, Amália; Cantarini, Paola; Oliveira, Samuel Rodrigues de. Regulação de redes sociais: uma perspectiva internacional. Consultor Jurídico, [S.l.], 15 jun. 2021. Disponível em: https://www.conjur.com.br/2021-jun-15/direito-digital-regulacaoredes-sociais-perspectivainternacional. Acesso em: 31 maio 2023.
13 PL das Fake News: como outros países lidam com crimes nas redes sociais. G1, [S.l.], 2 maio 2023. Disponível em: https://g1.globo.com/tecnologia/noticia/2023/05/02/pl-dasfake-news-como-outrospaises-lidam-com-crimesnas-redes-sociais.ghtml. Acesso em: 31 maio 2023.
14 BRASIL. Projeto de Lei nº 2630/2020. Institui a Lei Brasileira de Liberdade, Responsabilidade e Transparência na Internet. Disponível em: https://www.camara.leg.br/propostaslegislativas/2256735. Acesso em: 31 maio 2023.
Author notes

acarambi@alumni.usp.br

Buscar:
Contexto
Descargar
Todas
Imágenes
Scientific article viewer generated from XML JATS by Redalyc