ATIVIDADES EM SALA DE AULA
Atividades em sala de aula
O conhecimento não se estende do que se julga sabedor até aqueles que se julga não saberem; o conhecimento se constitui nas relações homem-mundo, relações de transformação, e se aperfeiçoa na problematização crítica destas relações 1.
Um importante pré-requisito para o empoderamento dos cidadãos é o esforço concentrado para aprimorar a alfabetização midiática e informacional, habilidades que auxiliam no fortalecimento das capacidades críticas e de comunicação que permitem aos indivíduos utilizar as mídias e as comunicações tanto como ferramentas, quanto como uma maneira de articular processos de desenvolvimento e mudança social, aprimorando a rotina cotidiana e empoderando as pessoas para que influenciem suas vidas 2.
A organização das atividades nesta edição tem como centro a reflexão sobre o significado da media literacy, que, no cenário atual das redes sociais digitais e dada a rapidez da divulgação das informações, exerce um papel importante na aquisição de competências para que a participação dos sujeitos se realize de forma construtiva, democrática e ética, como é tratada no artigo “A literacia midiática como ferramenta para amplificar a participação no jornalismo: um estudo de jovens universitários do ABC Paulista”, de Matheus Cunha e Marli dos Santos
Na mesma perspectiva de reflexão sobre as mídias e seu uso em sala de aula, selecionamos o artigo “Educação para a prática publicitária libertadora: extensão universitária e formação cidadã na graduação em Publicidade”, de Pâmela Saunders Uchôa Craveiro e Thiago de Freitas Toledo, que aponta a necessidade de estimular atividades educativas comprometidas com a construção de uma pedagogia para a prática da liberdade 3 entre estudantes de Publicidade, o que os autores denominam como “educação para a prática publicitária libertadora”. O artigo apresenta a proposta de uma pedagogia que estimule posturas ativas e críticas diante da influência da publicidade no mundo social, para além dos muros da universidade.
Por outro lado, apontamos a questão do mal uso das mídias, ou seja, da desinformação, que é estudada no artigo de Ana Paula Alencar e Anna Cristina Brisola, “Abordagens pedagógicas no combate à desinformação: uma análise de planos de aulas compartilhados na internet”. O estudo parte da perspectiva da função da educação no entendimento da desordem informacional contemporânea e analisa as abordagens pedagógicas presentes nos planos de aula sobre o combate à desinformação, criados pelo Programa EducaMídia e por professores no Portal do Professor.
As atividades desta edição estão organizadas nos seguintes temas:
Literacia midiática como ferramenta para ampliar a participação no jornalismo;
Educação para uma prática publicitária libertadora;
Abordagens pedagógicas no combate à desinformação.
Esta atividade tem como referência o artigo “A literacia midiática como ferramenta para amplificar a participação no jornalismo: um estudo de jovens universitários do ABC Paulista”, de Matheus Cunha e Marli dos Santos, que investiga a relação entre participação em conteúdos noticiosos e as competências midiáticas de jovens universitários. Os autores consideram a participação a partir de sua perspectiva positiva, ou seja, ética e democrática.
A atividade é destinada aos alunos e professores dos cursos de Ciências da Comunicação, em particular de jornalismo. Organizamos a atividade na seguinte sequência didática:
4.1) O jornalismo perdeu seu posto de arauto da informação?
4.2) Mais de 96% dos brasileiros consomem notícias por dispositivos online e 64% preferem o Instagram para interagir com as notícias.
7.1) O entendimento sobre o conteúdo midiático e suas funções, expresso nas competências apontadas no texto.
7.2) O conhecimento sobre a mídia e sua regulação, apresentado por meio de duas competências descritas no texto.
7.3) O argumento em torno da manipulação midiática.
8.1) Competências nas relações sociais;
8.2) Competências na participação cidadã;
8.3) Competências na criação de conteúdo.
9.1) A evidente contribuição da literacia midiática para a amplificação das iniciativas de participação no jornalismo, principalmente considerando a disseminação/circulação de conteúdo como uma característica importante do fenômeno.
9.2) Os indivíduos mais bem sucedidos na aquisição de competências participativas e comunicacionais são os que mais e melhor participam do jornalismo.
9.3) Por fim, acreditamos ser fundamental a discussão sobre as formas de participação do cidadão no jornalismo contemporâneo, portanto incorporamos a questão da disseminação/circulação de conteúdo como um possível caminho de participação positiva.
A atividade tem como referência o artigo “Educação para a prática publicitária libertadora: extensão universitária e formação cidadã na graduação em Publicidade, de Pâmela Saunders Uchôa Craveiro e Thiago de Freitas Toledo, que aponta a necessidade de estimular atividades educativas comprometidas com a construção de uma pedagogia para a prática da liberdade 4 entre estudantes de Publicidade, o que os autores denominam como”educação para a prática publicitária libertadora”.
A atividade é destinada aos alunos e professores dos cursos de Ciências da Comunicação, priorizando os discentes dos cursos de publicidade. Está organizada na seguinte sequência didática:
1.1) A construção de uma pedagogia para a prática da liberdade;
1.2) Educação para a prática publicitária libertadora;
1.3) Espaços de formação que possibilitem práticas educativas mais participativas, dialógicas e problematizadoras.
2.1) Caracterização da relação entre extensão e cidadania, apresentando o conceito de educação para a prática publicitária libertadora;
2.2) Reflexão sobre a relevância de iniciativas extensionistas que fomentem a apropriação crítica da comunicação publicitária para a formação cidadã;
2.3) Análise de experiências dos estudantes em projetos de extensão de universidades brasileiras que promovem atividades de literacia publicitária.
Propomos a leitura desses tópicos no artigo, destacando suas respectivas análises e conclusões.
“Portanto, possibilitando: autonomia, curiosidade, problematização, criticidade, consciência e transformação. Seis elementos que acreditamos serem fundamentais para uma educação para a prática publicitária libertadora que, em diálogo com Freire 5 e Peruzzo 6, pode contribuir para a formação cidadã de discentes de Publicidade.”
A desinformação é estudada no artigo de Ana Paula Alencar e Anna Cristina Brisola, “Abordagens pedagógicas no combate à desinformação: uma análise de planos de aulas compartilhados na internet”. Segundo as autoras, a desinformação vai além da informação falsa, comportando a informação descontextualizada, apagada, fragmentada, manipulada, tendenciosa, distorcida, que rotula, subtrai ou confunde. Brisola considera, também, que a grande mídia tem responsabilidade sobre o que concerne ao atual cenário de desinformação.
Diante do cenário exposto acima, esta atividade é destinada aos professores e aos alunos do Ensino Básico. Propomos a sequência didática a seguir.
1.1) O que é apresentado como a construção de uma sociedade plural, inclusiva e participativa?
1.2) Como é apresentado o fenômeno da desinformação?
1.3) Como é o uso dos dados e informações refinadas, como no microtargeting7?
3.1) O fenômeno educativo não é uma realidade acabada, mas sim um fenômeno humano, histórico e multidimensional;
3.2) Foco no sujeito, foco no objeto ou foco na interação sujeito-objeto, segundo Mizukami, podem levar a diferentes práticas pedagógicas.
3.3) “Em resumo, a defesa que aqui fazemos é que, para alcançar o objetivo da leitura reflexiva, consciente e crítica das mídias, tão cara à alfabetização midiática e informacional e ao efetivo combate à desinformação, é necessária uma abordagem pedagógica que combine as dimensões técnica e sociocultural intermediadas pela dimensão cognitiva e humana; e estratégias de ensino-aprendizagem que encadeiem atividades de reconhecimento, interpretação, análise, avaliação e criação, sempre com enfoque na relação do aluno com a mídia e que instigue o pensamento crítico e a consciência crítica.”
Verificar a relação desses planos com a proposta da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) para o Campo Jornalístico-Midiático 10, a qual considera fundamental para a alfabetização midiática e informacional, no contexto do combate à desinformação, os seguintes pontos: (1) compreender o processo de produção da notícia; (2) diferenciar gêneros textuais; (3) verificar as fontes das informações; e (4) avaliar os diferentes ângulos de um mesmo fato.
acarambi@alumni.usp.br