Secção Temática/Thematic Section/Sección Temática. Artigos/Articles/Artículos

Recepción: 21 Abril 2025
Aprobación: 10 Noviembre 2025
Publicación: 28 Diciembre 2025
DOI: https://doi.org/10.58050/comunicando.v14i2.462
Resumo: A imprensa regional é comummente marcada por uma grande suscetibilidade e fragilidade económica, acentuada pela exiguidade de alguns mercados publicitários e pela escassez de recursos financeiros e humanos, que condiciona o funcionamento destas publicações e as expõe a adversidades e cenários de crise. Particularmente expostos a estas circunstâncias estão os seus corpos redatoriais, nomeadamente jornalistas, que são afetados pela vulnerabilidade profissional, precariedade, baixos salários, contratos temporários e trabalho em freelance, ao mesmo tempo que têm vindo a ser cada vez mais atingidos pela hibridização e desespecialização, que os obriga a uma duplicação ou triplicação de tarefas. Neste estudo, em que se aborda a imprensa regional no distrito de Beja, tentam-se perceber as dinâmicas dos corpos redatoriais destes jornais, em termos da sua composição e dos números de jornalistas e de colaboradores ao longo das últimas duas décadas, assim como a longevidade destas publicações. Através do recurso a uma análise de conteúdo às fichas técnicas dos jornais impressos bejenses existentes no século XXI procurou-se averiguar qual a média de jornalistas em cada jornal, a existência de categorias profissionais híbridas e o número de freelancers, e qual a evolução destes números ao longo das primeiras duas décadas deste século. Em complemento, através do recurso a fontes documentais, tentou-se perceber qual a longevidade dos jornais bejenses, desde 1900 aos nossos dias. Os resultados demonstram que a longevidade destes órgãos de comunicação social é muito reduzida e que sobrevivem com corpos redatoriais mínimos, escassamente profissionalizados, muito dependentes de colaboradores e muitas vezes híbridos.
Palavras-chave: Imprensa Regional, Jornais, Redações, Jornalistas, Beja.
Abstract: The regional press is often marked by great susceptibility and economic fragility, accentuated by the small size of some advertising markets and the scarcity of financial and human resources, which conditions the operation of these publications and exposes them to adversity and crisis scenarios. Particularly exposed to these circumstances are their editorial staff, namely journalists, who are affected by professional vulnerability, precariousness, low salaries, temporary contracts and freelance work, while at the same time they have been increasingly affected by hybridisation and de-specialisation, which forces them to duplicate or triple their tasks. This study, which looks at the regional press in the district of Beja, attempts to understand the dynamics of the editorial staff of these newspapers, in terms of their composition and the number of journalists and contributors over the last two decades, as well as the longevity of these publications. Using a content analysis centred on the technical files of the Beja newspapers in the 21st century, we sought to ascertain the average number of journalists in each newspaper, the existence of hybrid professional categories and the number of freelancers, as well as their evolution over the first two decades of this century. In addition, using documentary sources, we tried to understand the longevity of Beja's newspapers from 1900 to the present day. The results show that the longevity of these media outlets is very short and that they survive with minimal editorial staffs that are poorly professionalised, highly dependent on collaborators and often hybrid.
Keywords: Regional Press, Newspapers, Newsrooms, Journalists, Beja.
Resumen: La prensa regional suele estar marcada por una gran susceptibilidad y fragilidad económica, acentuada por el reducido tamaño de algunos mercados publicitarios y la escasez de recursos financieros y humanos, lo que condiciona el funcionamiento de estas publicaciones y las expone a adversidades y escenarios de crisis. Especialmente expuestas a estas circunstancias están sus redacciones, es decir, los periodistas, afectados por la vulnerabilidad profesional, la precariedad, los bajos salarios, los contratos temporales y el trabajo freelance, al tiempo que se ven cada vez más afectados por la hibridación y la desespecialización, que les obliga a duplicar o triplicar sus tareas. Este estudio, centrado en la prensa regional del distrito de Beja, intenta comprender la dinámica de las redacciones de estos periódicos, en cuanto a su composición y al número de periodistas y colaboradores a lo largo de las dos últimas décadas, así como la longevidad de estas publicaciones. Con un análisis de contenido centrado en las fichas técnicas de los periódicos de Beja en el siglo XXI, intentamos averiguar el número medio de periodistas en cada periódico, la existencia de categorías profesionales híbridas y el número de freelancers, y cómo evolucionaron a lo largo de las dos primeras décadas de este siglo. Además, utilizando fuentes documentales, intentamos conocer la longevidad de los periódicos de Beja desde 1900 hasta la actualidad. Los resultados muestran que la longevidad de estos medios es muy corta y que sobreviven con redacciones mínimas, poco profesionalizadas, muy dependientes de colaboradores y a menudo híbridas.
Palabras clave: Prensa Regional, Periódicos, Redacciones, Periodistas, Beja.
1. Introdução
A imprensa regional desempenha um papel fundamental nas vivências das populações e dos territórios, podendo constituir-se como um espaço público alternativo, de proximidade entre a quotidianidade dos públicos e a decisão política local, que pode anular algum do distanciamento da comunicação social nacional (Correia, 1998, 2006).
Apesar de alguma indefinição do conceito (Jerónimo, 2015) e de consistir numa realidade heterogénea que abarca publicações de diferentes géneros e temáticas, como opinativas, doutrinárias ou informativas (Sousa, 2007), esta imprensa caracteriza-se pelo foco geográfico circunscrito a um território específico (Camponez, 2002) e no compromisso com as respetivas comunidades (Jerónimo, 2015).
Este jornalismo de proximidade e informação microscópica (Camponez, 2002), que pode ser mais pluralista e representativo das diferentes dimensões do local, pode também constituir-se como um fechamento identitário, de promoção de interesses localistas (Correia, 2023), numa interpenetração entre o público e o privado, que pode derivar para algum sentimentalismo reverencial (Camponez, 2002). Existe uma estreiteza de relações entre informantes e informados e de papéis pessoais e profissionais, que se pode traduzir em algum relaxamento e perda de rigor na procura das fontes e no questionamento da informação (Izquierdo Labella, 2010) e que pode contribuir para alguma pressão subtil sobre os jornalistas locais (Serrano, 2006).
No domínio económico-financeiro, os dados existentes revelam que as empresas proprietárias dos meios de comunicação social regional portugueses apresentam uma grande debilidade. No triénio 2006-2008, o setor mostrava-se deficitário, com fraco desempenho em termos de volume de negócios, faturação média e receitas (sobretudo provenientes da publicidade), e com dívidas com propensão para o crescimento (ERC, 2010). Acresce que o número de jornalistas por órgão de comunicação social regional era consideravelmente mais baixo do que nos congéneres de âmbito nacional (Pascoal, 1996) e os custos com pessoal eram relativamente baixos (ERC, 2010). Em estudo de 2020, realizado na região centro de Portugal, observou-se que a maioria dos jornalistas afirmava ter salários abaixo dos mil euros, sendo que cerca de um terço afirmava ter uma remuneração mensal líquida abaixo dos 700 euros (Morais et al., 2020).
Tendências que tendem a agravar-se num distrito como Beja, pobre e com poucas empresas, o que acentua o grau de dependência face às autarquias locais e ao poder político (Brito, 2013), e com uma população escassa e envelhecida. Análises anteriores ao jornalismo regional no distrito de Beja demonstraram que vários destes jornais apresentam uma reduzida longevidade, sendo frequente o desaparecimento de periódicos, muitos dos quais com muito poucos anos de vida ou uma necessidade de adaptação a dificuldades, expressa na redução do número de páginas ou na diminuição da periodicidade (Limão, 2018). Um território que parece estar a afirmar-se como um deserto de notícias (Ramos, 2021). É um dos cinco distritos (a par de Bragança, Évora, Portalegre e Vila Real) onde mais concelhos correm o risco de se encaixarem nesta definição. Cinco concelhos correspondem atualmente a desertos de notícias e seis outros, que têm apenas um meio noticioso, estão em risco de integrar esta categoria (Jerónimo, Ramos & Torre, 2022).
Perante o cenário traçado relativamente ao jornalismo local e regional em Portugal e atendendo às características socioeconómicas do distrito de Beja, esta investigação propõe-se a tentar responder a quatro questões:
Os jornais regionais impressos do distrito de Beja terão um tempo de vida tendencialmente curto?
Qual o número médio de jornalistas e de colaboradores externos, por jornal, neste distrito?
O número médio de jornalistas nas redações dos jornais regionais bejenses terá vindo a diminuir ou a aumentar?
O número médio de colaboradores externos nos jornais de Beja terá vindo a aumentar ou a diminuir?
Como hipóteses de resposta a estas questões, avançamos quatro hipóteses baseadas na literatura consultada:
Os jornais regionais do distrito de Beja terão tendencialmente uma longevidade reduzida;
As redações dos jornais regionais do distrito de Beja terão tendencialmente um reduzido número de jornalistas e uma dependência grande de colaboradores externos (jornalistas e outros criadores de conteúdos como opinião);
O número reduzido de jornalistas nas redações dos jornais regionais do distrito de Beja deverá ter tendência para se acentuar;
O número de colaboradores externos nos jornais regionais do distrito de Beja poderá ter tendência para aumentar nos últimos anos.
2. Enquadramento
A comunicação social encontra-se sob uma crise estrutural (Pickard, 2020), que se prenunciava desde há algum tempo (Neveu, 2005) e que tem obrigado as empresas de media a debaterem-se com dificuldades profundas que desafiam a sustentabilidade do modelo de negócio e o financiamento destas indústrias (Faustino, 2021).
Esta situação negativa do setor dos media, com a falta de recursos financeiros nestas organizações, tem tido impacto no trabalho dos jornalistas (Gollmitzer, 2014), contribuindo para aumentar a precariedade, assim como para acentuar os rendimentos baixos e instáveis (Rick & Hanitzsch, 2024). Além disso, existe pressão para trabalhar mais rápido, em vez de minuciosamente, e para o aumento da comercialização, trivialização dos tópicos abordados, precarização e redução dos rendimentos pessoais (Gollmitzer, 2014). Portugal não escapa a esta tendência. O jornalismo português tem estado igualmente exposto a um cenário de crise (Ramos, 2021), que tem efeitos na qualidade do jornalismo e nas condições socioprofissionais dos jornalistas (Bastos, 2014). Expostas a processos de liberalização, que implicam a acentuação de uma lógica de mercado direcionada para o rendimento e implicando uma redução da despesa, nomeadamente com os corpos profissionais, e de digitalização, com a inclusão de novas práticas e tecnologias de recolha, edição e publicação, as redações dos órgãos de comunicação social veem-se obrigadas a alterar as rotinas de produção que se refletem na composição dos seus quadros profissionais, nas condições de acesso e manutenção do emprego, e nos processos de reconhecimento de funções da profissão (Garcia et al., 2021).
A par de um cenário de despedimentos coletivos, que agrava o desemprego entre estes profissionais, verifica-se o crescente recurso a jornalistas estagiários e a formas intermitentes de trabalho, como contratos temporários e prestações de serviços. A profissão de jornalista encontra-se exposta a uma grande vulnerabilidade profissional, com elevada precariedade e proletarização (Garcia et al., 2021). Um cenário que agrava a tendência de baixos salários (Crespo, Azevedo, Sousa, & Cardoso, 2017; Jerónimo, Ballesteros, et al., 2022).
O aumento da flexibilização do trabalho é cada vez mais visível, com os jornalistas muitas vezes a serem expostos a uma polivalência e desespecialização, que se substancializa em três vertentes: “(1) ao nível das condições laborais; (2) ao nível dos processos de trabalho; e (3) ao nível do próprio campo profissional” (Carvalheiro, 2021, p. 106), que os obriga a um acumular funções de diferentes especialidades jornalísticas (escrita / fotografia / vídeo / grafismo e paginação / produção / multimédia), mas também em alguns casos de outras áreas profissionais, como a comunicação institucional, formação, ensino ou outras (Morais et al., 2020).
Paralelamente assiste-se a uma tendência para os jornalistas se desligarem das redações, tornando-se colaboradores externos (Carvalheiro, 2021). As empresas de media sempre dependeram em parte do trabalho de freelancers, mas à medida que se reduziram contratos nestas empresas, este trabalho tornou-se cada vez mais central, assim como o trabalho não pago (Cohen, 2015) e os estágios profissionais (Gollmitzer, 2021). A profissão de jornalista é cada vez mais caracterizada pela insegurança que afeta os jornalistas e as suas vidas privadas (Rick, 2025). Em Portugal, 17% dos jornalistas afirmavam-se como freelancers, 8,8% designavam-se como colaboradores avençados e 7.6% referiam trabalhar “à peça” (Crespo, Azevedo, Sousa, & Cardoso, 2017). Se a redação continuava a ser o principal local de trabalho para mais de três terços dos jornalistas, 31,4% afirmavam trabalhar fora das redações, sendo que 20,5% assinalavam a própria casa como local de trabalho (Crespo, Azevedo, Sousa, & Cardoso, 2017).
No setor dos media regionais e comunitários, as empresas de comunicação debatem-se com dificuldades económicas, sendo as receitas sobretudo provenientes da publicidade (ERC, 2010). Têm poucos trabalhadores, remunerações escassas, baixo nível de profissionalização (devido à polivalência e flexibilidade) e precariedade laboral (Correia, 2023).
Mas a fragilidade dos órgãos de comunicação social locais tem efeitos na presença e na ação dos media nos territórios. A exiguidade dos mercados e as diminutas e circunscritas fontes de financiamento expõem os órgãos de comunicação social local a uma forte dependência económica da publicidade institucional e do poder autárquico (ERC, 2010). Esta sujeição, em quadros de maior fragilidade económica, convida ao silêncio e à não confrontação do poder (Carvalheiro, 2005).
Acresce que a debilidade socioeconómica destes jornais tem levado ao desaparecimento de algumas destas publicações, contribuindo para os designados desertos de notícias, que se caracterizam por ser municípios sem notícias locais, ou semidesertos, com menos frequente ou insatisfatória cobertura noticiosa — um fenómeno que tem vindo a afirmar-se em vários municípios portugueses (Ramos, 2021). Estes municípios sem redações recebem menos atenção e cobertura noticiosa em primeira mão aos acontecimentos que ocorrem nos seus territórios, comparativamente com municípios que têm órgãos de comunicação social com redações, sendo que os atores institucionais são citados mais vezes do que quando existe uma presença permanente de jornalistas (Karlsson & Rowe, 2019).
Se os media locais e regionais cumprem um papel de informar os cidadãos acerca dos assuntos locais, alguns territórios estão bastante limitados nesta matéria. Segundo a “Lista de Publicações Periódicas Ativas por Distrito”, da Entidade Reguladora para a Comunicação (ERC), de 1 de abril de 2025, identificavam-se 727 publicações com estas características registadas no país (ERC, 2025). Um universo heterogéneo que abarca periódicos de características e de alcance diversos, desde o regional ao local, com estruturas administrativas e redatoriais de papéis mistos ou claramente separados, redações mínimas e sem recursos ou alargadas e profissionalizadas (ERC, 2010), mas também publicações opinativas e doutrinárias (Sousa, 2007). Os distritos de Aveiro, Braga e Viseu, assim como a Região Autónoma dos Açores, revelavam-se as regiões com maior número de publicações regionais, enquanto Beja, Bragança, Évora, Portalegre e Vila Real eram os distritos com menor número destas publicações (Campos & Jerónimo, 2019). A referida base de dados da ERC identifica 13 publicações regionais no distrito de Beja. Um número que corresponde a 1,8% do total das publicações com estas características registadas no país. Neste distrito, a imprensa regional revela-se um setor repleto de dificuldades e de problemas, em parte reflexo do frágil setor empresarial, que reduz as oportunidades de sobrevivência económica destas publicações e que as obriga a uma dependência do poder autárquico (Brito, 2013). Dados de 2009, revelavam unicamente a existência de microempresas no distrito de Beja, com um número médio de trabalhadores inferior a uma dezena, com forte dependência da publicidade e com um volume de negócios que não ultrapassava os 2 milhões de euros (ERC, 2010). O que se reflete num jornalismo de secretária, muito dependente de informação oficial (Brito, 2013).
3. Metodologia
Esta investigação combina uma análise quantitativa e qualitativa, tendo-se recorrido à técnica de análise de conteúdo (Bardin, 2009; Vala, 2003) e à pesquisa de fontes documentais. Numa primeira etapa, o estudo focou-se em exclusivo na imprensa regional bejense do século XXI. A partir de uma pesquisa realizada nos arquivos da Biblioteca Nacional de Portugal e da Hemeroteca de Lisboa procedeu-se à identificação de 14 publicações impressas que correspondem a jornais de informação geral, publicados neste distrito durante o período estudado: Alentejo Popular, O Ás, O Campo, Correio Alentejo, Diário do Alentejo, Expresso do Sul, Imenso Sul, Jornal Alentejo, Jornal de Moura, Jornal Sudoeste, Mercúrio, A Planície, SportAlentejo e Jornal Voz de Mértola. Deixaram-se de fora publicações municipais, doutrinárias ou religiosas.
Estes jornais foram submetidos a uma investigação que incidiu numa análise de conteúdo às suas fichas técnicas, nas quais se procurou recolher informação acerca dos corpos redatoriais destes periódicos, nomeadamente o número de jornalistas, número de colaboradores freelancers, editores e chefes de redação. Atendendo aos diferentes tipos de periodicidade e aos diferentes dias de publicação, assim como a uma grande variabilidade dos números de corpos redatoriais, tomou-se como período de consideração para a contagem a primeira edição do mês de junho. Independentemente da periodicidade e do dia em que saíam nas bancas, selecionaram-se sempre as primeiras edições de todos os títulos identificados que eram publicados nesse mês. Quando os arquivos publicados não dispunham de exemplares relativos a essa semana, por terem uma periodicidade mais alargada ou por os arquivos não terem exemplares disponíveis, optou-se sempre pelo exemplar com data mais próxima da pretendida.
A opção por periódicos impressos, excluindo publicações em ambiente digital, resulta do objetivo de realizar uma análise longitudinal e do tipo de técnica utilizada. Nos websites de algumas das publicações estudadas nem sempre se consegue aceder às fichas técnicas ou, muitas vezes, estas encontram-se bastante incompletas, sobretudo nas versões do início do século. Nas versões impressas, salvo raras exceções, as fichas técnicas são publicadas e surgem detalhadas e atualizadas. A circunscrição da investigação a periódicos impressos garante uma maior fidedignidade dos dados.
Numa segunda fase, recorreu-se exclusivamente a fontes documentais, tendo-se procedido a uma pesquisa nas bases de dados digitais da Biblioteca Nacional de Portugal e da Hemeroteca de Lisboa. Através da utilização de uma pesquisa avançada no “Fundo Geral Jornais” e ao arquivo de “Jornais e Revistas”, e com recurso a “Palavras em local publicação” ou “Palavras no local da edição”, em que se utilizou a designação de todos os concelhos do distrito de Beja: Aljustrel, Almodôvar, Alvito, Barrancos, Beja, Castro Verde, Cuba, Ferreira do Alentejo, Mértola, Moura, Odemira, Ourique, Serpa e Vidigueira.
A utilização destas ferramentas permitiu identificar as publicações periódicas editadas no distrito, desde 1900 a 2022, que correspondem ao período a que se dedica esta pesquisa. Posteriormente, a consulta às páginas de todos os títulos identificados nos arquivos possibilitou a identificação das datas de fundação das publicações e, na maioria dos casos, o período em que se deu o fim da publicação. Esta estratégia, tornou possível o apuramento da longevidade de todas as publicações identificadas.
4. Resultados
A primeira fase desta investigação incide sobre a imprensa bejense publicada no século XXI, com o sentido de realizar uma análise à constituição dos seus corpos redatoriais, em termos de números gerais e específicos a determinadas categorias profissionais, e de tentar perceber a evolução e tendências ao longo dos anos.
Entre os 14 jornais identificados (Tabela 1) observa-se uma tendência geral para uma curta longevidade dos periódicos bejenses neste século. Metade dos jornais estudados (sete) teve um período de vida inferior a seis anos. Casos como o Jornal de Moura ou o Jornal Voz de Mértola tiveram apenas um único número. O Expresso do Sul resistiu 11 edições, enquanto o SportAlentejo teve 31 e o Mercúrio – O mensageiro de Odemira teve 36. O Campo e o Imenso Sul, dois títulos da viragem de milénio, revelam uma maior duração, mas não ultrapassam as 150 e 157 edições, respetivamente. O bejense Jornal Alentejo consegue atingir os cinco anos, enquanto as 449 edições do Alentejo Popular permitem-lhe alcançar este marco, mas sem ultrapassar a barreira da década.

Em contraponto a este tendência geral, alguns títulos revelam uma grande longevidade. São quatro os jornais que se mantêm atualmente em publicação e dois deles ultrapassam a vintena de anos. Estão nesta situação dois históricos como o Diário do Alentejo (fundado em 1932) e o mourense A Planície (1982). Existe ainda um terceiro título que registou mais de duas décadas de publicação, que é o desportivo O Ás (1981-2010), com a edição n.º 1019 como última, em abril de 2010, ao fim de quase 30 anos de vida. Também ainda em atividade encontram-se o Correio Alentejo (2006) e o Jornal Sudoeste (2014), ambos propriedade da Jota CBS – Comunicação e Imagem, estando o primeiro a aproximar-se dos 20 anos de publicação.
Entre os títulos estudados, a maioria (oito) apresenta-se como semanários. Existem ainda dois quinzenários, três mensários e um quadrissemanário. No entanto, é percetível que em vários casos se observou a alteração de periodicidade. O exemplo mais paradigmático é o Correio Alentejo. Um semanário que se transformou em mensário e, posteriormente, em quinzenário. O histórico quinzenário A Planície também se viu forçado a reduzir a sua periodicidade para uma publicação mensal. Já o semanário desportivo O Ás também viveu o último período de existência como mensário e com uma redação bastante reduzida.
Esta fragilidade, expressa nas mudanças de periodicidade, afirma-se igualmente na magreza dos corpos redatoriais. No período estudado, os desportivos O Ás e SportAlentejo encontram-se entre os jornais que registaram um maior número de jornalistas nas suas redações (oito), assim como o Imenso Sul, no seu primeiro ano de vida, quando contou com o mesmo número de profissionais. No dois anos seguintes este jornal veria reduzida a redação para metade (quatro). Entre 2000 e 2008, O Ás teve uma redação constante de sete elementos, que chegou mesmo a oito jornalistas em 2004. Mas acabaria com apenas um elemento nos dois últimos anos de publicação. O SportAlentejo variou entre sete e seis jornalistas nos seus dois anos de vida (2010 e 2011). A Planície, O Campo e o Diário do Alentejo foram dois dos títulos que conseguiram manter um corpo redatorial relativamente constante. O primeiro variou entre quatro e seis elementos, enquanto os outros dois variaram entre três e cinco.
Em contraste com estes números surgem os jornais quase sem jornalistas identificados nas suas fichas técnicas. Nos quatro anos de vida, o Mercúrio reduziu a redação de quatro jornalistas para nenhum. O Jornal de Moura assinalava dois jornalistas e o Jornal de Mértola tinha um. O Jornal Alentejo teve uma redação com uma pessoa nos quatro anos de existência. O mesmo número do Alentejo Popular, ao longo de seis anos, mas que teve três anos sem nenhum jornalista identificado na redação. Entre 2006 e 2013, o Correio Alentejo teve quase sempre três jornalistas, mas daí em diante divulga zero nomes na ficha técnica (de 2014 a 2022). Exatamente o mesmo número apresentado pelo Jornal Sudoeste em toda a sua existência (2014 a 2022). Esta prática de jornais sem uma redação de jornalistas afirmou-se nestes dois jornais, a partir de 2014, mas teve outros casos no Alentejo Popular e no Mercúrio. Exemplos de casos em que o jornalismo se faz exclusivamente ou quase exclusivamente com recurso a colaborações externas.
Apesar de evoluções diversas, e de variações ao longo dos anos, especificamente em certos jornais, mas também no conjunto de publicações, existe uma tendência dominante de redução do número de elementos do corpo redatorial (Figura 1). Em 2000, a média de jornalistas nas seis redações analisadas era de 4,8. A mais alta de todo o período analisado. Cinco anos mais tarde, era de 4,3 e correspondia já a uma fase de recuperação relativamente a anos como 2003 e 2004, em que se haviam registado médias de 3,7 e de 3,8 jornalistas, respetivamente. Em 2010, a média regredira para 3,7, mas acabaria por descer ainda mais em 2015, quando chega a 2,6 elementos por redação. Por fim, em 2020, é atingido um dos momentos com menos jornalistas por redação, com 2,3 elementos. Um valor ainda superior à média de 1,8 profissionais por jornal, que foi verificada em 2018. Observa-se que o número de jornalistas tem vindo a ser reduzido, de forma consistente, no conjunto das publicações estudadas, ao longo dos 20 anos de análise.

Contudo, a redução dos corpos redatoriais não se traduziu num aumento no número de colaboradores. Em todos os casos estudados, o número de colaborações externas suplanta largamente o corpo redatorial. Destaca-se nesse aspeto o Diário do Alentejo, que varia a lista de nomes entre 64 no ano 2000 e 15 em 2012, tendo-se fixado em 23 nos últimos anos. O Alentejo Popular também apresenta uma lista ampla, registando entre 27 e 32 nomes. O Correio Alentejo começou por revelar 12 colaboradores e aumentaria para 17, enquanto A Planície varia entre 12 e 21. Os jornais de número único foram os que apresentaram listas de colaboradores mais estritas. O Jornal Voz de Mértola referia apenas uma colaboração, enquanto o Jornal de Moura avançava com três.
O papel dos colaboradores é pouco percetível em muitos destes jornais. Em muitos casos, um número elevado destes não colabora ativamente. Algumas vezes a participação é quase inexistente. Não se consegue identificar muitos artigos, de informação ou de opinião, assinados por pessoas identificadas como colaboradoras. Contudo, conseguem observar-se situações em que parte do trabalho jornalístico recai algumas vezes neste trabalho freelancer.
Apesar de o número de colaborações identificadas ser muito variável de jornal para jornal e no quadro de cada publicação, existindo aumentos e reduções ao longo do tempo, a verdade é que se verifica uma tendência geral para um decréscimo no número de colaborações. A média de colaboradores nos 14 jornais analisados tem vindo a descer ao longo do século XXI (Figura 2). Enquanto em 2000 se observava uma média de 26 colaboradores por jornal, esse valor desceria para 15 em 2010 e posteriormente para 13,8 em 2015. Nos últimos anos tem-se voltado a verificar uma ligeira inversão, com uma subida para 16 elementos por jornal. Um número consideravelmente abaixo do que se havia registado no início do século.

A exiguidade das redações, com um número de jornalistas bastante reduzido, transparece também nas chefias editoriais. São inúmeros os casos em que as fichas técnicas não identificam chefes de redação ou editores chefes. Apenas o Jornal de Moura e o Alentejo Popular (neste caso, apenas no ano de 2005) identificam simultaneamente dois nomes como editores e chefes de redação. Outros casos de jornais com escassa longevidade, como O Campo e o Jornal Voz de Mértola, nunca indicam nenhuma chefia de redação. O mesmo acontece com o Jornal Sudoeste, que não identifica jornalistas na sua redação. No total, quatro jornais nunca identificaram qualquer chefia de redação em toda a sua existência. Mas estes exemplos expandiram-se nos últimos anos. Casos como o Correio Alentejo, A Planície, o Mercúrio e o Diário do Alentejo assumiram a mesma postura e deixaram de expressar qualquer hierarquia nas redações a partir de um determinado momento. Em contraponto, apenas quatro jornais se revelaram consistentes na identificação das suas chefias: o Jornal de Moura (publicação de número único), o Imenso Sul, o Jornal Alentejo e o SportAlentejo. Mas todos tiveram curtos períodos de existência, tendo o último deles sido encerrado em 2011. Desde esta data, apenas o jornal Mercúrio identificou a sua chefia de redação, entre 2015 e 2017. Desde esse ano, nenhum jornal efetuou essa identificação. Segundo os dados disponíveis nas fichas técnicas, o número de chefes de redação e de editores teve também uma progressiva redução, à imagem do coletivo de jornalistas, desde os quatro nomes identificados em 2000 até um caso em 2015 e zero em 2020.
A encerrar esta análise, uma nota final para assinalar que o exercício de cargos de chefia, diretivos ou editoriais não pareceu constituir uma salvaguarda em relação à flexibilização do trabalho. Três diretores destes jornais acumulam funções como jornalistas ou editores das respetivas publicações. Existem ainda dois outros exemplos em que chefias editoriais desempenham funções de design ou paginação.
Numa segunda fase, uma investigação suplementar debruça-se sobre as datas de fundação e de desaparecimento dos periódicos bejenses nos séculos XX e XXI. Num total de 105 publicações fundadas neste período de 120 anos, observa-se que o período de maior proficuidade no surgimento de novos periódicos se verificou na primeira metade do século XX. Entre 1900 e 1939 são fundados 59% (n = 62) dos periódicos identificados. Nesta fase, sobretudo na terceira e quarta décadas do século (37,1%), assiste-se a uma intensa dinâmica editorial, que contrasta fortemente com o decréscimo súbito das duas décadas seguintes (6,7%), que correspondem ao período com menor surgimento de novos títulos. Um período que coincide parcialmente com os anos da II Guerra Mundial. Na segunda metade do século XX verifica-se um progressivo aumento no surgimento de novos jornais, que atinge a maior expressão nas duas últimas décadas (15,2%), mas no novo milénio volta a observar-se um menor número de novas publicações (7,6%).
O cruzamento de dados entre as datas de nascimento e de desaparecimento das publicações identificadas permite perceber que a longevidade dos periódicos bejenses é, na generalidade, muito reduzida. Mais de três quartos dos periódicos (75,2%) tiveram uma existência inferior a seis anos, e 6,9% tiveram um tempo de vida entre seis e 10 anos. No polo oposto, 13,9% das publicações tiveram ou têm uma longevidade superior a 20 anos. Nos escalões intermédios, apenas 4% das publicações analisadas foram publicadas entre 11 e 20 anos (Figura 3).

5. Discussão
A imprensa regional está exposta a um conjunto de dificuldades financeiras e organizacionais. Em 2010, um estudo da ERC revelava que os jornais regionais portugueses apresentavam resultados líquidos negativos e baixo desempenho no volume de negócios e faturação. As receitas provinham sobretudo do setor publicitário e as despesas com pessoal eram baixas (ERC, 2010). Noutra investigação, observou-se que os números de jornalistas com carteira profissional indicavam que os jornais regionais apresentavam corpos redatoriais proporcionalmente com muito menos efetivos que as publicações nacionais (Pascoal, 1996), o que pode ter efeitos negativos no cumprimento dos princípios deontológicos da profissão, nomeadamente ao nível da verificação de informação (Jerónimo & Esparza, 2023). Esse pressuposto de escassez de recursos humanos foi algo confirmado nesta análise, tendo-se demonstrado que as redações dos jornais regionais bejenses são commumente constituídas por efetivos muito reduzidos, nunca ultrapassando um número médio de cinco jornalistas. Uma adversidade que se tem vindo a agravar nos últimos anos, com o acentuado esvaziamento das redações. Chegou-se a médias em torno dos dois jornalistas por jornal, e, em diversos casos, não se identificam quaisquer jornalistas profissionais nas fichas técnicas destes jornais. Algo que parece poder confirmar resultados de outros estudos, que identificaram a presença de jornalistas sem título profissional em órgãos de comunicação social regionais (Morais et al., 2020).
Para suplantar esta insuficiência de recursos humanos próprios, os jornais necessitam de recorrer a colaborações externas, assistindo-se a uma afirmação do trabalho fora da redação, com recurso a trabalhadores freelancers (Cohen, 2015; Crespo, Azevedo, Sousa, Cardoso, et al., 2017; Gollmitzer, 2014). Algo igualmente confirmado neste estudo, em que se apurou que quase todos os jornais estudados apresentam extensas listas de colaboradores a quem poderão recorrer. No entanto, esta investigação deparou-se com uma tendência para a redução do número de colaboradores listados nas fichas técnicas. Um resultado que parece sugerir que a debilidade financeira dos jornais regionais pode estar a agravar-se de um modo que também já não lhes permite a mesma capacidade de recurso a profissionais externos.
À imagem do que havia sido previamente percecionado, os jornais regionais do distrito de Beja parecem ter uma reduzida longevidade, subsistindo por escassos períodos antes do desaparecimento (Limão, 2018, 2022). Embora, neste caso, os resultados não permitam identificar quais as razões para a ocorrência deste fenómeno, os dados longitudinais confirmam a tendência para reduzidos períodos de existência dos jornais regionais bejenses. Esta escassa durabilidade entre os jornais estudados, pode contribuir para a agudização de um problema de “desertos de notícias”, identificado em pesquisas anteriores (Jerónimo, Ramos & Torre, 2022; Ramos, 2021), que pode reduzir a pluralidade de vozes e de discursos nos territórios locais (Karlsson & Rowe, 2019), afirmando na maioria dos casos as vozes das fontes oficiais (Limão, 2022) e apagando o discurso cidadão (Morais & Sousa, 2013). O que pode constituir-se como uma ameaça ao próprio processo democrático (Miller, 2018).
6. Conclusões
O presente trabalho revela um cenário de grandes dificuldades e fragilidade dos jornais regionais do distrito de Beja. As redações destes periódicos são, na sua maioria, exíguas, com muito poucos jornalistas profissionais. Uma situação que se tem agravado nos últimos anos, observando-se um número cada vez menor de jornalistas nas redações. Os jornais locais e regionais recorrem sobretudo a colaboradores externos para colmatar a escassez de profissionais nas suas redações, mas não se tem vindo a verificar um aumento de colaboradores freelancers, o que mostra que existe um estreitamento de recursos, que poderá implicar um provável aumento do volume de trabalho entre estes profissionais. Estes dados, relativos a essa redução no número de efetivos dos corpos redatoriais, sugerem ainda que existe também um aumento de precariedade entre os jornalistas, obrigados que estão a trabalho externo.
Algo que merece reflexão é a existência de inúmeros casos de jornais que não identificam jornalistas e hierarquias de redação nas suas fichas técnicas. Uma tendência que se tem afirmado sobretudo nos últimos anos. Assumindo que as fichas técnicas não contêm erros, estamos a assistir a uma afirmação de um jornalismo local sem jornalistas profissionais nas suas redações. O que merece uma reflexão acerca do tipo de jornalismo que estes jornais estarão a desenvolver, ao recorrerem em exclusivo a colaborações externas e, em alguns casos, a publicações da agência, mas sem um efetivo profissional definidor de uma identidade própria.
Outro fator demonstrativo das dificuldades é a reduzida longevidade e as mudanças de periodicidade de alguns regionais. Se a mudança de periodicidade parece ser uma forma de tentar contornar problemas económicos que ameaçam a sobrevivência de algumas destas publicações, o encerramento corresponde a uma desistência. Um fenómeno que, mostram os nossos dados, não é novo e que tem acompanhado estas publicações no distrito de Beja desde pelo menos o último século.
Apesar de este trabalho mostrar algumas dificuldades e características das redações de publicações regionais na sua subsistência e na relação que têm com os corpos redatoriais, os dados têm algumas limitações que derivam do contexto específico da circunscrição do território estudado. Este estudo pode constituir-se como um indicador interessante das dificuldades e funcionamento das publicações regionais, mas será importante procurar apurar se as condições de funcionamento dos jornais regionais são muito distintas noutros pontos do território nacional. Também a metodologia utilizada, com recuso exclusivo a uma análise de conteúdo às fichas técnicas dos jornais, apresenta limitações que não permitem um aprofundamento da pesquisa e que poderiam ser complementadas com outras técnicas como a entrevista ou o inquérito por questionário.
Referências
Bardin, L. (2009). Análise de conteúdo. Edições 70.
Bastos, H. (2014). Da crise nos media ao desemprego no jornalismo em Portugal. Revista Parágrafo, 2(2), 38–46. https://revistaseletronicas.fiamfaam.br/index.php/recicofi/article/view/232
Brito, A. J. (2013). 30 Anos de jornais no Baixo Alentejo. Jota CBS.
Camponez, C. (2002). Jornalismo de proximidade. Rituais de comunicação na imprensa regional. Minerva.
Campos, B. G., & Jerónimo, P. (2019). La transición digital de la prensa de proximidad: Estudio comparado de los diarios de España y Portugal. Estudos em Comunicação, 1(28), 55–79. https://doi.org/10.25768/fal.ec.n28.a03
Carvalheiro, J. R. (2005). O triângulo bloqueado: Media, política e cidadãos na democracia local. In J. C. Correia (Ed.), Comunicação e política (pp. 181–202). Estudos em Comunicação – Universidade da Beira Interior.
Carvalheiro, J. R. (2021). Jornalismo em tempos de flexibilização do trabalho. In J. C. Correia & I. Amaral (Eds.), De que falamos quando dizemos “jornalismo”? Temas emergentes de pesquisa (pp. 105–128). LabCom.
Cohen, N. S. (2015). From pink slips to pink slime: Transforming media labor in a digital age. Communication Review, 18(2), 98–122. https://doi.org/10.1080/10714421.2015.1031996
Correia, J. C. (1998). Jornalismo e espaço público. Universidade da Beira Interior.
Correia, J. C. (2006). A imprensa regional e comunicação política. As eleições autárquicas de 2005. BOCC: Biblioteca On-Line de Ciências de Comunicação. http://bocc.ufp.pt/pag/correia-joao-imprensa-regional-comunicacao-politica.pdf
Correia, J. C. (2023). As duas proximidades: Algumas notas sobre os riscos dos media em contextos comunitários. In P. V. Melo & P. Jerónimo (Eds.), Comunicação comunitária e jornalismo de proximidade: Diálogos e desafios em cenários de crises (pp. 33–55). LabCom Books.
Crespo, M., Azevedo, J., Sousa, J., & Cardoso, G. (2017). Profissão jornalista: Condições laborais, formação e constrangimentos. Obercom. https://jornalistas.eu/quem-somos/jornalistas/
Crespo, M., Azevedo, J., Sousa, J., Cardoso, G., & Paisana, M. (2017). Jornalistas e condições laborais: Retrato de uma profissão em transformação. Obercom. https://www.obercom.pt/jornalistas-e-condicoes-laborais-retrato-de-uma-profissao-em-transformacao/
ERC. (2010). Imprensa local e regional em Portugal. https://www.erc.pt/pt/estudos/media-locais/estudo-sobre-a-imprensa-local-e-regional-em-portugal-/
ERC. (2025, 1 de abril). Listagem de registos.https://www.erc.pt/pt/registo-de-ocs/listagem-de-registos-
Faustino, P. (2021). Sustentabilidade do negócio dos jornais e desafios de gestão: A perspetiva dos executivos europeus e norte americanos. In J. C. Correia & I. Amaral (Eds.), De que falamos quando dizemos “jornalismo”? Temas emergentes de pesquisa (pp. 237–271). LabCom.
Garcia, J. L., Matos, J. N., & Alcântara da Silva, P. (2021). Jornalismo em estado de emergência: Uma análise dos efeitos da pandemia Covid-19 nas relações de emprego dos jornalistas. Comunicação e Sociedade, 39, 269–285. https://doi.org/10.17231/comsoc.39(2021).3177
Gollmitzer, M. (2014). Precariously employed watchdogs? Journalism Practice, 8(6), 826–841. https://doi.org/10.1080/17512786.2014.882061
Gollmitzer, M. (2021). Laboring in journalism’s crowded, precarious entryway: Perceptions of journalism interns. Journalism Studies, 22(16), 2155–2173. https://doi.org/10.1080/1461670X.2021.1989616
Izquierdo Labella, L. (2010). Manual de periodismo local. Fragua.
Jerónimo, P. (2015). Ciberjornalismo de proximidade. Redações, jornalistas e notícias online. Editora LabCom.
Jerónimo, P., Ballesteros, C., Sá, S., & Morais, R. (2022). Local journalists and working conditions from a gender perspective. Ex Aequo, 45, 157–175. https://doi.org/10.22355/exaequo.2022.45.11
Jerónimo, P., & Esparza, M. S. (2023). Local journalists and fact-checking: An exploratory study in Portugal and Spain. Comunicação e Sociedade, 44, Artigo e023016. https://doi.org/10.17231/COMSOC.44(2023).4553
Jerónimo, P., Ramos, G., & Torre, L. (2022). News deserts Europe 2022: Portugal report. Labcom. https://doi.org/10.25768/654-875-9
Karlsson, M., & Rowe, E. H. (2019). Local journalism when the journalists leave town: Probing the news gap that hyperlocal media are supposed to fill. Nordicom Review, 40(S2), 15–29. https://doi.org/10.2478/nor-2019-0025
Limão, J. P. (2018). Os orçamentos participativos na imprensa regional: Um estudo de caso. Estudos em Comunicação, 2(26), 93–104. https://doi.org/10.20287/ec.n26.v2.a07
Limão, J. P. (2022). Comunicação e deliberação democrática: O acesso à informação na esfera pública fragmentada. UBI – Universidade da Beira Interior.
Miller, J. (2018). News deserts: No news is bad news. In W. Bratton, S. Eide, S. Goldsmith, M. Hendrix, H. Husock, J. Miller, J. Murad, A. Renn, & P. Salins (Eds.), Urban policy 2018 (pp. 59–74). Manhattan Institute.
Morais, R., Jerónimo, P., & Correia, J. C. (2020). Jornalismo na região Centro. Livros LabCom.
Morais, R., & Sousa, J. C. (2013). As práticas jornalísticas na imprensa regional: A selecção das fontes e a promoção de desigualdades sociais. Observatorio (OBS*), 7(1), 187–204. https://obs.obercom.pt/index.php/obs/article/view/518
Neveu, É. (2005). Sociologia do jornalismo. Porto Editora.
Pascoal, I. (1996, 7–9 de fevereiro). Os jornalistas da imprensa regional e os condicionalismos ao exercício da profissão [Apresentação em congresso]. III Congresso Português de Sociologia, Lisboa, Portugal. https://aps.pt/wp-content/uploads/2017/08/DPR4926a435d94a4_1.pdf
Pickard, V. (2020). Restructuring democratic infrastructures: A policy approach to the journalism crisis. Digital Journalism, 8(6), 704–719. https://doi.org/10.1080/21670811.2020.1733433
Ramos, G. (2021). Deserto de notícias: Panorama da crise do jornalismo regional em Portugal. Estudos de Jornalismo, 13, 30–51.
Rick, J. (2025). Acutely precarious? Detecting objective precarity in journalism. Digital Journalism, 13(3), 542–561. https://doi.org/10.1080/21670811.2023.2294995
Rick, J., & Hanitzsch, T. (2024). Journalists’ perceptions of precarity: Toward a theoretical model. Journalism Studies, 25(2), 199–217. https://doi.org/10.1080/1461670X.2023.2293827
Serrano, E. (2006). Jornalismo político em Portugal. A cobertura de eleições presidenciais na imprensa e na televisão (1976–2001). Edições Colibri.
Sousa, J. P. (2007). Comunicação regional e local na Europa Ocidental. Situação geral e os casos português e galego. BOCC: Biblioteca On-Line de Ciências de Comunicação. https://arquivo.bocc.ubi.pt/pag/sousa-jorge-pedro-comunicacao-regional-na-europa-ocidental.pdf
Vala, J. (2003). A análise de conteúdo. In A. S. Silva & J. M. Pinto (Eds.), Metodologia das ciências sociais (pp. 101–128). Edições Afrontamento.
Notas
O autor agradece o contributo dos revisores, cujo sentido crítico e recomendações contribuíram para a melhoria do presente artigo.
Notas de autor
Información adicional
redalyc-journal-id: 7747