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Diferentes substratos no cultivo de microverdes de rúcula (Eruca sativa Miller)

Different substrates in the cultivation of arugula (Eruca sativa Miller) microgreens

Josué Reis do Santos 1
Universidade Federal da Fronteira Sul, Brasil
Cláudia Simone Madruga Lima 2
Universidade Federal da Fronteira Sul, Brasil
Gabriela Gerhardt da Rosa 3
Fundação para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico, Brasil

Diferentes substratos no cultivo de microverdes de rúcula (Eruca sativa Miller)

Revista Iberoamericana de Tecnología Postcosecha, vol. 23, núm. 1, pp. 66-73, 2022

Asociación Iberoamericana de Tecnología Postcosecha, S.C.

Recepción: 02 Febrero 2022

Aprobación: 06 Abril 2022

Publicación: 31 Julio 2022

Resumo: Microverdes são hortaliças jovens, muito pequenas, consumidas precocemente, saborosas, tenras e extremamente nutritivas, apresentam um ciclo de produção curto, são produtos alimentícios em emergência. Uma das etapas mais relevantes do cultivo de hortaliças é a qualidade da semente e os substratos utilizados para a germinação, enraizamento e o crescimento. O objetivo do trabalho foi avaliar a influência de diferentes substratos nas características físicas de microverdes de rúcula (Eruca sativa Miller). O experimento foi realizado nos laboratórios de Germinação e Crescimento de Plantas e de Horticultura da Universidade Federal da Fronteira Sul. Foram utilizadas sementes comerciais não tratadas de rúcula (E. sativa Miller) cultivar Donatella. O delineamento utilizado foi unifatorial inteiramente casualizados. Os tratamentos foram quatro substratos, húmus de minhoca, fibra de coco, papel mata borrão e solo. Foram avaliados comprimento, diâmetro, sólidos solúveis, massa fresca e seca de 25 plantas (g). Para o desenvolvimento de tais procedimentos, realizou-se pesquisa experimental, além disso, no presente trabalho, realizou-se também pesquisa quantitativa. Para o comprimento da parte aérea das plantas de microverdes de rúcula, observa-se que ocorreu diferença estatistica entre os substratos utilizados, onde as plantas cultivadas em húmus de minhoca (90,1304 mm) apresentaram maior comprimento. Com relação a variável diâmetro (mm) dos microverdes, às plantas cultivadas em húmus de minhoca apresentaram o maior diâmetro (1,9218 mm) em comparação com os microverdes. O substrato húmus de minhoca apresenta maiores valores para comprimento, diâmetro, massa fresca e seca. O substrato de solo proporcionou microverdes com maior valor de sólidos solúveis dentre os substratos.

Palavras-chave: papel mata borrão, solo, húmus de minhoca, fibra de coco.

Abstract: Microgreens are young vegetables, very small, consumed early, tasty, tender and extremely nutritious, have a short production cycle, are food products in emergency. One of the most relevant stages of vegetable cultivation is the quality of the seed and the substrates used for germination, rooting and growth. The objective of this work was to evaluate the influence of different substrates on the physical characteristics of arugula (Eruca sativa Miller) microgreens. The experiment was carried out in the Germination and Plant Growth and Horticulture laboratories of the Universidade Federal da Fronteira Sul. Commercial seeds of untreated arugula (E. sativa Miller) cultivar Donatella were used. The design used was a one-factor, completely randomized design. The treatments were four substrates, earthworm humus, coconut fiber, blotting paper and soil. Length, diameter, soluble solids, fresh and dry mass of 25 plants (g) were evaluated. For the development of such procedures, experimental research was carried out, in addition, in the present work, quantitative research was also carried out. For the length of the aerial part of the arugula microgreen plants, it was observed that there was a statistical difference between the substrates used, where the plants grown in earthworm humus (90.1304 mm) showed greater length. Regarding the variable diameter (mm) of the microgreens, the plants grown in earthworm humus had the largest diameter (1.9218 mm) compared to the microgreens. The earthworm humus substrate presents higher values ​​for length, diameter, fresh and dry mass. The soil substrate provided microgreens with the highest value of soluble solids among the substrates.

Keywords: blotting paper, soil, earthworm humus, coconut fiber.

INTRODUÇÃO

Microverdes ou microgreens são hortaliças jovens, muito pequenas, consumidas precocemente, quando ainda possuem as folhas cotiledonares, e apresentam as primeiras folhas. Saborosas, tenras e extremamente nutritivas, geralmente colhidas até vinte e um dias após a semeadura, adaptam-se aos pequenos espaços e a sistemas de cultivo orgânico com facilidade (RENNA et al., 2021).

O consumo do microverdes ou “microgreen” vem sendo apontado como um mecanismo potencial para diversificar os sistemas alimentares, principalmente urbanos, contribuindo para aumentar a resiliência da sociedade atual às mudanças climáticas (WIETH et al., 2018). Microverdes são plantas jovens consumidas na fase de muda, com alturas de 5 a 10 cm, e são produzidas a partir de diferentes espécies vegetais, aromáticas e condimentares. Apresentam um ciclo de produção curto, que pode ser de duas a três semanas dependendo da espécie, requerem pouco espaço para cultivo (KOPSELL et al., 2012), podendo ser cultivadas o ano todo e em diversos ciclos de produção (SAMUOLIENĖ et al., 2017).

Normalmente, apenas a parte aérea das mudas é consumida. Os microverdes são produtos alimentícios em emergência, que podem fornecer sabores intensos, cores vivas e texturas nítidas. Podem ser servidos como guarnição ou como novo ingrediente em saladas (WEBER, 2017). Os microverdes contêm concentrações mais altas de compostos como antioxidantes, fenóis, vitaminas e minerais do que vegetais maduros ou sementes (KYRIACOU et al., 2017).

A rúcula (Eruca sativa Miller) originou-se no sul da Europa e na parte ocidental da Ásia (ANDREANI JUNIOR et al., 2016). É uma hortaliça folhosa, muito popular nas regiões de colonização italiana no Brasil, e vem conquistando espaço no mercado brasileiro desde a década de 1990. A rúcula é uma planta herbácea (Brassicaceae) com sabor picante, nutritiva, contendo minerais como potássio, enxofre e ferro, além de vitaminas A e C (PORTO et al., 2013).

Para um bom desenvolvimento de qualquer cultura, é de vital importância a utilização de sementes de boa qualidade, bem como um sistema de semeadura eficiente (SILVA, 2009). E uma das etapas mais relevantes do cultivo de hortaliças é a qualidade da semente e os substratos utilizados para a germinação, enraizamento e o crescimento (SEDIYAMA et al., 2014). Na produção de hortaliças, em especial da rúcula, a escolha de substrato de qualidade é essencial para seu bom desenvolvimento e qualidade. Diante do exposto, o objetivo do trabalho foi avaliar a influência de diferentes substratos nas características físicas de microverdes de rúcula (Eruca sativa Miller).

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi realizado nos laboratórios de Germinação e Crescimento de Plantas e de Horticultura da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), campus de Laranjeiras do Sul-PR (latitude: 25° 24' 40'' Sul, longitude: 52° 24' 42'' Oeste).

Foram utilizadas sementes comerciais não tratadas de rúcula (E. sativa Miller) cultivar Donatella de folha larga que apresentavam como características 95% de germinação e 99,7% de pureza.

O delineamento utilizado foi unifatorial (quatro substratos) inteiramente casualizados formado por quatro repetições cada uma representada por um recipiente com 50 sementes.

Os tratamentos foram compostos por quatro substratos, sendo: (composição: esterco bovino peneirado, C org= 10%, N= 0,5% pH= 6); substrato comercial de fibra de coco (composição: casca de pinus, cinzas, vermiculita, serragem e bioestabilizadores. Corretivos de acidez e fosfato natural a 0,5% e fertilizantes N-P-K 0,6%, pH= 6); papel mata borrão (suplementados com fertilizantes N-P-K 0,6%) e solo (testemunha -classificado como LATOSSOLO VERMELHO eutroférrico coletado no próprio Campus da Universidade).

Para alocação dos substratos nos recipientes serão utilizados o método descritos por Wieth et al. (2018) com adaptações. Os recipientes utilizados foram caixas transparentes Gerbox, confeccionadas em poliestireno com dimensões de 11x11x3,5 cm e capacidade de 250ml. Cada recipiente recebeu uma quantidade de aproximadamente 250mL de substrato. A semeadura foi realizada com 50 sementes por Gerbox, no substrato e posteriormente umedecida com 100 mL de água destilada. Já para o tratamento com papel mata borrão, foram utilizados rolos de papel umedecidos com água destilada, na proporção de 2,5 vezes a massa seca do papel, seguindo as Regras para Análise de Sementes (BRASIL. Ministério da Agricultura e da Reforma Agrária, 1992). Para todos os tratamentos a esterilização dos substratos foi realizada por autoclavagem sob temperatura de 127 °C à pressão de 1,5 Kg/cm² durante 2 horas (SIMÕES et al., 1970).

A semeadura foi realizada em 21 de Setembro de 2021. A profundidade de semeadura foi de 0,5cm (CAMARGO, 1984) Após a montagem dos recipientes com substrato, os tratamentos foram mantidos em câmara úmida á temperatura de 20±1 ºC com luz constante. O ponto de colheita foi atingido no 15º dia após a semeadura, quando os microverdes estavam com as folhas primárias aparecendo.

Sendo assim, foram avaliados na colheita comprimento (mm) individual em régua milimetrada, diâmetro (mm) individual obtido com auxílio de paquímetro (mm), sendo verificado na metade do comprimento da planta, massa fresca de 25 plantas (g) e massa seca de 25 plantas (g) em balança digital. A medição de sólidos solúveis foi realizada com refratômetro digital (ºBrix). Os dados foram submetidos à análise de variância no software Sisvar e as médias dos tratamentos foram comparadas entre si pelo teste de Tukey a 5% de significância.

Para o desenvolvimento de tais procedimentos, realizou-se pesquisa experimental a qual busca demonstrar como e por que determinado fenômeno ocorre ou ocorreu, inclusive, replicando-o em laboratório, sob condições controladas. Nesta, os experimentos são meios usuais de avaliação científica que permitem controle do ambiente e dos sujeitos ou de parte dos sujeitos da pesquisa (LONGAREZI; PUENTES, 2013). Pela pesquisa experimental o pesquisador estabelece um objeto de estudo, seleciona as variáveis que podem influenciá-lo, define mecanismos e formas de controle e de observação dos efeitos causados pelas variáveis selecionadas sobre o objeto pesquisado (MAZZOTTI, 2001).

Este método relaciona-se com experimentar, gerar inovações, testar materiais, elaborar e formular novos elementos, simular eventos, fazer estudos de laboratório, estudos com protótipos, estudos de amostras criteriosas (JUNG, 2004). Para ser pesquisa experimental, precisa apresentar as propriedades: manipulação das variáveis; amostragem aleatória; coleta de dados imparcial e controle das variáveis pelo pesquisador (GIL, 2002, p. 48). O objetivo é verificar o efeito de uma ou mais variáveis independentes sobre uma variável dependente, ou seja, testar uma relação de causa e efeito de certo fenômeno. Além disso, no presente trabalho, realizou-se também pesquisa quantitativa, através de técnicas e ferramentas estatísticas com o intuito de quantificar os dados obtidos.

RESULTADOS

Para as variáveis, comprimento, diâmetro, sólidos solúveis, massa seca e fresca, os tratamentos foram significativos ao nível 5% significância. Para a variavel comprimento da parte aérea das plantas de microverdes de rúcula, observa-se que ocorreu diferença estatistica entre os substratos utilizados, onde as plantas cultivadas em húmus de minhoca (90,1304 mm) apresentaram maior comprimento quando comparado às plantas cultivadas nos demais substratos (Tabela 1).

Além disso, as plantas cultivadas em fibra de coco tambérm diferiram estatisticamente das demais, apresentando o segundo maior comprimento das plantas (80,0400 mm). Observa-se também que os dados obtidos das plantas cultivadas em papel mata borrão e em solo não apresentaram diferença estatistica entre si (Tabela 1).

Tabela 1
Comprimento e diâmetro (mm) da parte aérea e sólidos solúveis ( ºBrix) de plantas microverdes de rúcula (E. sativa Miller) cultivar Donatella de folha larga em função de quatro substratos. UFFS- LRS/PR (2021).
SubstratosComprimento (mm)Diâmetro (mm)Sólidos solúveis (ºBrix)
Húmus de minhoca90,1304 a1,9218 a3,80 b
Fibra de coco80,0400 b1,1000 b3,79 b
Papel mata borrão (+ N-P-K 0,6%)50,5970 c1,0670 b3,68 b
Solo48,0052 c1,0320 b4,10 a
C.V. (%)11,3217,6913,87
Fonte: Elaborado pelo autor, 2021. Médias seguidas pela mesma letra nas colunas, não diferem estatisticamente entre si pelo teste de Tukey ao nível de 5% de significância.

Com relação a variável diâmetro (mm) dos microverdes, observa-se que os dados referentes às plantas cultivadas em húmus de minhoca diferem estatisticamente dos demais, tendo este substrato proporcionado o desenvolvimento de rúculas com o maior diâmetro (1,9218 mm) em comparação com os microverdes cultivados nos demais substratos que não diferiram estatisticamente entre si, demonstrando valores muito semelhantes (Tabela 1).

Para a variável sólidos solúveis (º Brix) os dados relativos às plantas cultivadas em solo, apresentaram valores superiores os apresentados pelas plantas cultivadas nos demais substratos testados (4,10 º Brix), diferindo estatisticamente das demais.

Sobre os dados relativos a massa fresca de microverdes de rúcula, não observam-se diferenças estatísticas entre os dados. Entretanto, quando cultivados microverdes em substrato húmus de minhoca (2,7204 g), nota-se um pequeno incremento de massa seca quando comparado os dados obtidos das plantas cultivadas em papel mata borrão (1,9590 g) e solo (1,7005 g) (Tabela 2).

Tabela 2
Massa fresca (MF) e massa seca (MS) total de 25 (g) de microverdes de rúcula (E. sativa Miller) cultivar Donatella de folha larga em função de quatro substratos. UFFS- LRS/PR (2021).
Substratos MF25 (g)MS25 (g)
Húmus de minhoca2,7204 a0,2319 a
Fibra de coco2,4110 ab0,2040 ab
Papel mata borrão (+ N-P-K 0,6%)1,9590 b0,1678 b
Solo1,7005 b0,1340 b
C.V. (%)3,288,66
Fonte: Elaborado pelo autor, 2021. Médias seguidas pela mesma letra nas colunas, não diferem estatisticamente entre si pelo teste de Tukey ao nível de 5% de significância.

Para a variável massa seca de 25 g de microverdes de rúcula, observa-se a mesma tendência de dados da variável massa fresca, onde não ocorreu diferença estatística dos dados relativos a plantas cultivadas em diferentes substratos. Apesar dos dados apresentados se assemelharem muito, nota-se que aqueles obtidos de plantas cultivadas em húmus de minhoca apresentam um leve acréscimo (0,2319g) quando comparado aos dados obtidos de plantas oriundas do cultivo nos demais substratos (Tabela 2).

DISCUSSÃO

Plantas com maior comprimento foram obtidas no substrato húmus de minhoca, (Tabela 1). Os resultados obtidos podem estar relacionados com a composição desses substratos, principalmente devido a presença de nitrogênio, oriundo de materia orgânica decomposta, presente em grande quantidade normalmente no húmus. O nitrogenio está diretamente envolvido no crescimento vegetativo e que atua também na constituição de moléculas de clorofila e proteínas que pode ter favorecido o crescimento em comprimento das plantas (ARAÚJO et al., 2013).

Favarin et al. (2015) destaca que os principais efeitos dos substratos são expressados sobre as raízes, o que por sua vez, estimula principalmente o crescimento da parte aérea. Ensinas et al. (2011), avaliando mudas de rúcula em substratos com diferentes proporções de húmus e substrato comercial, observaram um incremento em altura das plântulas quando comparado com os tratamentos que utilizaram outras composições.

Microverdes com maior diâmetro foram obtidas quando utilizado substrato húmus de minhoca (Tabela 1). Os resultados verificados podem estar relacionados com a composição desse material que possui materiais orgânicos. Segundo Paulus et al. (2011), substratos elaborados à base de material orgânico possuem macro e micronutrientes necessários ao desenvolvimento inicial das plantas, promovendo dessa forma uma melhor arquitetura nesse estágio. Assim, Vieira Batista (2011) destaca que esses nutrientes cujo atuação está relacionada em vários processos metabólicos, apresenta função estrutural como resistência e aumento de talo e caule. Sendo estes componentes estruturais de macromoléculas, como ácidos nucleicos e fosfolipídios, elementos-chave de várias vias metabólicas e reações bioquímicas, tais como inúmeras etapas das vias fotossintéticas C3 e C4 e da glicólise (SANTOS et al., 2020).

Além disso, de acordo com Silva et al. (2017), os adubos de origem orgânica, de maneira geral, têm a capacidade de melhorar as propriedades físicas, químicas e biológicas do solo. Freitas et al. (2013), também encontraram resultados semelhantes para crescimento e desenvolvimento de mudas de alface produzidas em substratos orgânicos. Estes dados corroboram com obtidos por Sousa et al. (2020), que ao analisarem a influência de substratos orgânicos à base de caule de babaçu decomposto, observaram que os tratamentos com este material apresentaram desempenho semelhantes para o crescimento de mudas de margarida (Chrysanthemum leucanthemum).

A concentração de solidos soluveis medida pelos teores de °Brix, em hortaliças, atuam de forma positiva no sabor, de modo geral, eles indicam a concentração de açucares e carboidratos, compostos que podem ser palatibilizados no consumo dos vegetais.

Para a indústria, o teor de sólidos soluveis é importante, pois quanto maior, melhor será a consistência do produto processado e maior será o rendimento industrial relata Carvalho (1980). Para a produção destinada à mesa, o teor de solidos soluveis é importante, já que em sua composição predominam os açúcares e ácidos e o balanço entre esses compostos é que irá determinar o sabor (DAVIES; HOBSON, 1981).

No presente estudo, para sólidos solúveis, os microverdes cultivados em substrato solo apresentaram os maiores teores de ºBrix (Tabela 1). Entretanto, os valores médio obtidos neste experimento são inferiores aos obtidos em trabalhos realizados por outros autores como Ferreira Neto et al. (2015) que obtiveram 9,23 a 10,21 (°Brix). Entretanto, a maioria dos estudos presentes na literatura que medem o teor de soludos soluveis de hortaliças, são realizados com as do tipo fruto e não folhosas como é o caso deste experimento com microverdes.

De acordo com Amorim et al., (2017) as informações referentes ao teor de ºBrix em frutos de hotaliças são necessários para classifica-los. O ºBrix apesar de ser um fator qualitativo de difícil mensuração pelos consumidores é muito importante, uma vez que reflete a atividade metabólica, ou seja, variações no teor de sólidos solúveis, indicando maior ou menor síntese e degradação de polissacarídeos e carboidratos, desse modo, quanto maior o ºBrix, maior a presença de açúcares redutores, e assim mais nutritiva e “doce” é a hortaliça (AMORIM et al., 2017; FARNEZI et al., 2020).

Os baixos valores de sólidos solúveis obtidos podem ser uma consequência do excesso de água presentes no ambiente de câmara úmida, aumento dos teores de água nos vegetais levam a diluição dos sólidos solúveis, de ácidos, bem como a diminuição da fotossíntese nas plantas (BEBER, 2018). O autor verificou a redução dos teores de sólidos solúveis em cultivo de laranja-doce sobre condições de ambiente chuvoso. Além disso, de acordo com Farnezi et al., (2020) a disponibilidade de certos minerais para as hortaliças, como potassio e fosforo, juntamente com uma alta disponoblidade de matéria orgânica, auxilia a formação de açucares e aumenta a sua concentração, elevando desta forma o teor de ºBrix. Considerando o exposto, podemos considerar que o substrato solo poderia ter em sua composição teores de minerias e materia organica em sua composição de acabaram por faorecer a produção de açucares e carboidratos nas plantas ali cultivadas.

Para massa fresca e seca não foram observadas diferenças estatiticas nos valores obtidos para as plantas cultivadas nos diferentes substratos (Tabela 2). Santos et al., (2020) obtiveram os maiores valores de massa fresca para microverdes de beterraba quando utilizado substratos de fibra de coco e húmus de minhoca. Corroborando com o ligeiro incremento de massa fresca observado no presente estudo para microverdes cultivados nos mesmos substratos.

De acordo com Mello (2006), isso ocorreu devido a ambos os substratos reunirem características físicas e químicas que aumentam a disponibilidade de nutrientes, de modo que atendam às necessidades da planta em seu desenvolvimento. O efeito positivo do uso de substratos contendo fibra vegetal e ou materiais em decomposição na produção de mudas, está possivelmente associado a uma maior capacidade de disponibilidade de nutrientes e água, que também foi observado por Sampaio et al. (2008).

Ainda, de acordo com Martins et al., (2020) a maior disponibilidade de matéria orgânica nos substratos, como no caso do húmus de minhoca, comprovadamente tem efeito benéfico no crescimento das plantas. De acordo com Silva et al. (2017), os adubos de origem orgânica, de maneira geral, têm a capacidade de melhorar as propriedades físicas, químicas e biológicas do solo. Freitas et al. (2013), também encontraram resultados semelhantes para crescimento e desenvolvimento de mudas de alface produzidas em substratos orgânicos com adição a partir de 50% de casca de arroz carbonizada.

Sampaio et al. (2008) ressalta que para ser eficiente, o substrato deverá ser empregado em mistura com outros materiais mais ricos em nutrientes, desse modo, o incremento destas características se dá pela composição do substrato com material orgânico, pois desta forma a planta em desenvolvimento terá mais acesso a nutrientes e minerais podenso acumular mais massa.

Além disso, a utilização de materiais orgânicos, biofertilizantes e outros resíduos em hortaliças são benéficos porque, dentre outros motivos principais, fornecem moléculas que promovem o crescimento vegetal (ZANDONADI et al., 2014). Os dados do presente estudo estão de acordo com Castoldi et al., (2014), que constataram que substratos contendo maiores teores de matéria orgânica proporcionam mehores resultados para parâmetros como massa fresca e seca da parte aérea das mudas de alface.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O substrato húmus de minhoca apresenta maiores valores para comprimento, diâmetro, massa fresca e seca. O substrato de solo proporcionou microverdes com maior valor de sólidos solúveis dentre os substratos.

REFERÊNCIAS

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Notas de autor

1 Universidade Federal da Fronteira Sul -Rodovia BR 158, Km 405, s/n - Zona Rural, Laranjeiras do Sul - PR, 85301-970.
2 Universidade Federal da Fronteira Sul -Rodovia BR 158, Km 405, s/n - Zona Rural, Laranjeiras do Sul - PR, 85301-970.
3 Fundetec - Fundação para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico - BR 277 Km 573, s/n - Trevo São João, Cascavel - PR, 85818-560.
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