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				<journal-title>Educação &amp; Sociedade</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Educ. Soc.</abbrev-journal-title>
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			<issn pub-type="ppub">0101-7330</issn>
			<issn pub-type="epub">1678-4626</issn>
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				<publisher-name>Centro de Estudos Educação e Sociedade - Cedes</publisher-name>
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			<article-id pub-id-type="doi">10.1590/ES0101-73302017177445</article-id>
			<article-id pub-id-type="publisher-id">00013</article-id>
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					<subject>DEBATES E POLÊMICAS</subject>
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				<article-title><bold>AS DEMANDAS CONSERVADORAS DO MOVIMENTO ESCOLA SEM PARTIDO E A BASE NACIONAL CURRICULAR COMUM</bold><xref ref-type="fn" rid="fn19">*</xref></article-title>
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					<trans-title>The School without Party conservative demands and the Common Core</trans-title>
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					<trans-title>Les demandes conservatrices du mouvement « École sans Parti » et la Base Commune pour l’élaboration du Curriculum National</trans-title>
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						<surname>Macedo</surname>
						<given-names>Elizabeth</given-names>
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					<label>1</label>
					<institution content-type="original">Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Programa de Pós-graduação em Educação - Rio de Janeiro (RJ), Brasil. E-mail: bethmacedo@pobox.com</institution>
					<institution content-type="normalized">Universidade do Estado do Rio de Janeiro</institution>
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						<named-content content-type="city">Rio de Janeiro</named-content>
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					<email>bethmacedo@pobox.com</email>
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			<pub-date pub-type="epub-ppub">
				<season>Apr-Jun</season>
				<year>2017</year>
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			<volume>38</volume>
			<issue>139</issue>
			<fpage>507</fpage>
			<lpage>524</lpage>
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				<date date-type="received">
					<day>22</day>
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					<year>2017</year>
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				<date date-type="accepted">
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					<year>2017</year>
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				<license license-type="open-access" xlink:href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0/" xml:lang="pt">
					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto sob uma licença Creative Commons</license-p>
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			<abstract>
				<title>RESUMO:</title>
				<p>O artigo busca entender como a emergência do movimento autodenominado Escola sem Partido (ESP) e de suas demandas conservadoras deslocam as negociações políticas na elaboração da Base Nacional Curricular Comum. O argumento central é o de que as negociações em curso seguem pondo em funcionamento uma normatividade neoliberal, entendida em matriz pós-estrutural. São analisados a segunda versão da base e os <italic>sites</italic> de divulgação do ESP, tendo por pano de fundo a assunção pós-fundacional de que a política é uma luta por significação de demandas particulares de diferentes grupos. </p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title>ABSTRACT:</title>
				<p>This article seeks to understand how the emergence of the self-nominated social movement School without Party (SWP) and its conservative demands dislocate political negotiations on the establishment of a National Common Core Curriculum. The central argument is that the ongoing negotiations put into operation a neoliberal normativity, as understood via post-structural framings. The second version of the common core as well as the SWP reporting sites are analyzed against a backdrop of this post-foundational assumption: that politics is a struggle for significance of particular demands of different groups. </p>
			</trans-abstract>
			<trans-abstract xml:lang="fr">
				<title>RÉSUMÉ:</title>
				<p>Cet article cherche à comprendre comment l’émergence du mouvement social auto-désigné « École sans Parti » (ESP) et ses demandes conservatrices disloquent les négociations politiques sur la mise en place d’une base commune pour l’élaboration du Curriculum National. L’argument central est que les négociations en cours continuent à mettre en service une normativité néolibérale, tel qu’il est compris par la matrice post-structurale. La deuxième version de la base ainsi que les sites de diffusion de l’ESP sont analysés dans un contexte de cette hypothèse post-fondationnelle : que la politique est une lutte pour la signification des exigences particulières de différents groupes.</p>
			</trans-abstract>
			<kwd-group xml:lang="pt">
				<title>Palavras-chave:</title>
				<kwd>Política curricular</kwd>
				<kwd>Diferença</kwd>
				<kwd>Base nacional curricular comum</kwd>
				<kwd>Neoliberalismo</kwd>
				<kwd>Escola sem Partido</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="en">
				<title>Keywords:</title>
				<kwd>Curriculum policy</kwd>
				<kwd>Difference</kwd>
				<kwd>Common core</kwd>
				<kwd>Neoliberalism</kwd>
				<kwd>School without Party Social Movement</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="fr">
				<title>Mots-clés:</title>
				<kwd>Politique du curriculum</kwd>
				<kwd>Différence</kwd>
				<kwd>Base commune pour l’élaboration du curriculum national</kwd>
				<kwd>Néolibéralisme</kwd>
				<kwd>Mouvement École sans Parti</kwd>
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		<sec sec-type="intro">
			<title>Introdução</title>
			<p>Meu foco neste texto é entender as negociações políticas em curso na elaboração da Base Nacional Curricular Comum (BNCC) com a entrada em cena de outro agente, qual seja, o movimento que se autodenomina Escola sem Partido (ESP). Surgido em 2004, ele se define como “uma iniciativa conjunta de estudantes e pais preocupados com o grau de contaminação político-ideológica das escolas brasileiras, em todos os níveis: do ensino básico ao superior”<xref ref-type="fn" rid="fn1"><sup>1</sup></xref>. Sua principal estratégia foi, inicialmente, a judicialização da relação entre professores e alunos, tendo, em seguida, passado a pressionar as assembleias estaduais e municipais por projetos de leis que legitimassem suas ideias, processo que vem se intensificando. Como resultado dessa pressão, tramitam na Câmara e no Senado Federal, desde 2015 e 2016, respectivamente, projetos de lei que alteram a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) de modo a nela inserir um “programa escola sem partido”<xref ref-type="fn" rid="fn2"><sup>2</sup></xref> (<xref ref-type="bibr" rid="B5">BRASIL, 2015a</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B10">2016b</xref>). Os vínculos dos projetos com o movimento são explicitados nos próprios projetos de lei e a aposta numa relação antagônica entre professores e alunos e pais segue sendo a tônica dos documentos. Em ambos os projetos, incita-se as secretarias de educação a criarem “um canal de comunicação destinado ao recebimento de reclamações relacionadas ao descumprimento desta Lei, assegurado o anonimato” (<xref ref-type="bibr" rid="B5">BRASIL, 2015a</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B10">2016b</xref>).</p>
			<p>A tentativa de interferência do movimento ESP na política educacional tem-se dado em diferentes frentes. Não é meu objetivo, neste texto, entender a sua atuação política nas esferas em que isso ocorre nem o processo político que levou à sua criação. Sequer tratarei explicitamente dos projetos de lei em andamento na Câmara e no Senado ou dos projetos estaduais, alguns já aprovados, que constituem as principais conquistas do movimento até agora. Isso tem sido feito por diferentes pesquisadores (<xref ref-type="bibr" rid="B28">PENNA, 2016</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B38">SOUZA et al. 2016</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B34">REIS et al., 2016</xref>). Meu foco será o currículo, mais especificamente os pronunciamentos do ESP sobre a BNCC elaborada pelo Ministério da Educação (MEC) e cuja segunda versão foi divulgada em 2016. Não se pode dizer que houve interferência do ESP nessa elaboração, mas sua presença nos debates vem se intensificando.</p>
			<p>Assumo, pela agenda que o próprio ESP criou para si - “combate a uma mentalidade progressista, favorável ao PT, que auxiliou a manutenção deles no poder”; à “desqualifica(ção) (d)a religião; e “à naturaliza(ção) (d)o comportamento homossexual” (NAGIB <italic>apud</italic><xref ref-type="bibr" rid="B35">RESENDE, 2015</xref>)<xref ref-type="fn" rid="fn3"><sup>3</sup></xref> -, que se trata de um movimento conservador que busca mobilizar princípios religiosos, a defesa da família em moldes tradicionais e a oposição a partidos políticos de esquerda e de origem popular. O que me interessa, neste texto, é como tal agenda se articula com os discursos circulantes no debate político sobre a BNCC. Em estudos anteriores (<xref ref-type="bibr" rid="B21">MACEDO, 2014</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B22">2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B23">2016</xref>), mapeei demandas em jogo na elaboração da BNCC, destacando como hegemonizam certo sentido de currículo e de educação.</p>
			<p>Com base na teoria do discurso (<xref ref-type="bibr" rid="B19">Laclau, 2011</xref>), trabalhei, em tais ocasiões, com duas cadeias de demandas, geralmente antagônicas, que nomearei, neste texto, como demandas neoliberais por <italic>accountability</italic> e demandas críticas por justiça social. Tais termos condensam sentidos múltiplos que resumirei mais adiante; funcionam como metáforas (<xref ref-type="bibr" rid="B19">Laclau, 2011</xref>), ou seja, como condensações de vários sentidos e significações. Tenho argumentado que tais demandas, apesar de manterem certo antagonismo em diferentes embates, têm, na discussão da BNCC, se articulado em oposição à imprevisibilidade da ação docente e em defesa do controle do currículo (<xref ref-type="bibr" rid="B22">MACEDO, 2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B23">2016</xref>). Há zonas de equivalência entre elas, o que não significa dizer que não há também diferenças. Como defende a teoria política do discurso (<xref ref-type="bibr" rid="B20">Laclau, 2008</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B19">2011</xref>), a hegemonia se produz pela articulação de demandas distintas que se tornam equivalentes, nunca iguais, pela oposição a um exterior que a constitui. Nesse processo, as demandas particulares são - umas mais, outras menos - ressignificadas e obrigadas a abrir mão de suas especificidades. Nesse sentido, entendo que tanto as demandas neoliberais por <italic>accountability</italic> quanto as demandas críticas por justiça social vêm tensionando uma a outra na negociação, sem deixar de destacar a maior força das demandas neoliberais nesse processo. Como a entrada em cena das demandas conservadoras do ESP vem deslocar os acordos entre essas cadeias de demandas é o que me interessa neste texto.</p>
			<p>Meu argumento é o de que a definição de uma BNCC é parte do funcionamento de uma normatividade neoliberal entendida como “uma forma peculiar de razão que configura todos os aspectos da existência em termos econômicos” (<xref ref-type="bibr" rid="B11">BROWN, 2015</xref>, p. 17). Entendo que a entrada em cena das demandas conservadoras do ESP desloca ainda mais o jogo político no sentido do controle que exclui a diferença, ao mesmo tempo em que torna explícita essa exclusão. Guia minha argumentação o compromisso com a defesa de que educação e currículo estão diretamente imbricados com a diferença como tal, assim como das conquistas - poucas ainda - dos diferentes grupos sociais que lutam por representação na esfera pública.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Revisitando as demandas: a segunda versão da Base Nacional Curricular Comum</title>
			<p>Tenho partido da compreensão de que as articulações políticas para a definição de uma base comum para o currículo são responsáveis não apenas pela proposição de um currículo nacional, mas também por criar a sua própria necessidade. Em um nível ainda mais profundo, a naturalização de tal necessidade repousa e ajuda a instaurar um sentido para currículo, restringindo a multiplicidade abarcada pelo termo na literatura nacional e internacional. Tal literatura registra que não há estudos conclusivos dos impactos de currículos nacionais seja sobre a qualidade da educação oferecida, seja sobre a redução das desigualdades e a ampliação da justiça social (<xref ref-type="bibr" rid="B33">RAVITCH, 2013</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B36">SAHLBERG, 2015</xref>).</p>
			<p>Também no Brasil o debate é antigo e retomá-lo, em suas descontinuidades, foge ao meu objetivo. Interesso-me pelas articulações recentes que produziram as duas versões do documento denominado BNCC, ciente de que elas reiteram, de forma produtiva, outras muitas articulações levadas a cabo ao longo de muitos anos, envolvendo demandas de múltiplos atores sociais. Em texto anterior (<xref ref-type="bibr" rid="B21">MACEDO, 2014</xref>), mapeei as demandas que disputaram espaço no processo político que tornou hegemônica a ideia de que uma base comum era necessária - fazendo-a parte do Plano Nacional de Educação (PNE) - e que atuaram fortemente nos primeiros movimentos de redação da BNCC. Apoiada na metodologia de etnografia das redes, utilizada por <xref ref-type="bibr" rid="B4">Ball (2012</xref>) no estudo das políticas educativas, mapeei redes de governança envolvendo agentes públicos e privados - MEC, União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (UNDIME) e Conselho Nacional de Secretários de Educação (CONSED), movimentos sociais e acadêmicos, movimentos como o Todos pela Educação, grupos educacionais privados como o Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (CENPEC), a Fundação Victor Civita, o Instituto Ayrton Senna e fundações ligadas a empresas como Natura, Gerdau, Itaú e, principalmente, a Fundação Lemann. Tal mapeamento permitiu perceber o que <xref ref-type="bibr" rid="B4">Ball (2012</xref>, p. 106) tem descrito como “acordo político do pós-estado da Providência”. Para o autor, vivemos uma reterritorialização das políticas que cria “comunidades políticas” (<xref ref-type="bibr" rid="B4">BALL, 2012</xref>, p. 5) descentradas. O núcleo estável das articulações dessas comunidades é o antagonismo e, ao mesmo tempo, a dependência entre Estado e mercado, que produz “novas narrativas sobre o que conta como boa política” (<xref ref-type="bibr" rid="B4">BALL, 2012</xref>, p. 6).</p>
			<p>Usando a teoria do discurso (<xref ref-type="bibr" rid="B19">LACLAU, 2011</xref>), propus que a estrutura significante “base curricular comum/qualidade da educação” funcionou como aglutinador de demandas de comunidades políticas distintas. Tal aglutinação tornou-se possível pela expulsão do que denominei “a imprevisibilidade do chão da escola”, que funcionou como exterior que hegemonizou a estrutura “base/qualidade”. Tal imprevisibilidade poderia também ser denominada “cotidiano da escola” ou, como argumentarei mais tarde, “as demandas de grupos minoritários por representação no currículo e na sociedade”. Como toda articulação em torno de um significante nodal, esta não apagou as diferenças entre as demandas, ainda que todas elas tenham perdido parte de suas especificidades com vistas à articulação. A leitura da primeira versão da BNCC (<xref ref-type="bibr" rid="B6">BRASIL, 2015b</xref>), assim como das versões preliminares que não chegaram a ser amplamente divulgadas (<xref ref-type="bibr" rid="B9">BRASIL, 2014b</xref>), deixa claro que, na luta por significação da base, as cadeias articuladas voltam a explicitar certo antagonismo.</p>
			<p>Em estudos posteriores (<xref ref-type="bibr" rid="B22">MACEDO, 2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B23">2016</xref>), mapeei duas cadeias de demandas articuladas, assim como as persistentes diferenças entre elas que tornam possível e dinâmica a articulação. Neste texto, estou denominando tais cadeias como “neoliberal por <italic>accountability</italic>” e “crítica por justiça social”. A opção por antepor à <italic>accountability</italic> e à justiça social - os significantes que nucleiam cada uma delas - os termos neoliberal e crítica visa tornar mais explícitos os grupos de poder que se constituem por tais demandas e, de certa forma, restringir os sentidos dos significantes. Assim, o termo <italic>accountability</italic>, que tem uma longa história e mesmo a possibilidade de reapropriações democráticas (<xref ref-type="bibr" rid="B1">AFONSO, 2012</xref>), é significado a partir do adjetivo neoliberal em sua acepção clássica, envolvendo os pilares da avaliação, da prestação de contas e da responsabilização<xref ref-type="fn" rid="fn4"><sup>4</sup></xref>. Em relação às demandas por justiça social, este tem sido um conceito caro ao pensamento crítico que “abarca uma concepção ampla de questões de equidade, oportunidade e justiça” (BALL <italic>apud</italic><xref ref-type="bibr" rid="B24">MAINARDES; MARCONDES, 2009</xref>, p. 308) e permite articular as demandas de “raça, classe, deficiência ou sexualidade” (BALL <italic>apud</italic><xref ref-type="bibr" rid="B24">MAINARDES; MARCONDES, 2009</xref>, p. 308). Ainda que ambas as cadeias de equivalências sejam recriadas ao longo dos jogos políticos de articulação - produzindo deslizamentos entre um momento e outro desses jogos -, tenho argumentado em torno de certa estabilidade dessas demandas e dos grupos que as articulam no debate recente da BNCC.</p>
			<p>Neste texto, tomo um momento específico do processo político em tela, qual seja, a elaboração da segunda versão do documento, realizada em meio a uma avaliação muito negativa, e generalizada, da versão anterior. Mesmo grupos que demandam uma definição curricular nacional tenderam a fazer críticas ao conteúdo e, por vezes, à forma da primeira versão disponibilizada. Ambas as versões estão organizadas a partir de dois significantes que se hegemonizaram durante a elaboração do PNE: direitos e objetivos de aprendizagem e ensino (<xref ref-type="bibr" rid="B8">BRASIL, 2014a</xref>). A primeira parte da segunda versão do documento explora a ideia de direitos de aprendizagem e desenvolvimento como norteadora da BNCC. A segunda, por sua vez, apresenta um conjunto de objetivos por componente curricular e ano de escolarização, em média 10 a 25, mas podendo chegar, como no caso da língua portuguesa, a 40 objetivos por ano. Embora, explicitamente, o texto da base busque uma articulação entre as partes ao informar que “as concepções de direito de aprendizagem e desenvolvimento são, portanto, balizadoras da proposição dos objetivos de aprendizagem para cada componente curricular” (<xref ref-type="bibr" rid="B8">MEC, 2014a</xref>, p. 33), não se percebe facilmente o vínculo reivindicado.</p>
			<p>Para além de buscar exemplos tópicos de desarticulação, opto por caracterizar as duas cadeias de sentidos que produzem, de um lado, o discurso dos direitos e, de outro, uma listagem de objetivos. Tomo essa dupla inscrição como expressão das lutas entre demandas críticas por justiça social e demandas neoliberais por <italic>accountability</italic> por preencher o sentido de base comum nacional. Apesar de considerar que há luta política na significação de ambos os significantes, defendo que a própria valorização de um ou de outro, nos documentos, expressa o fortalecimento de uma das cadeias de demandas nessas lutas. Lembro, em defesa dessa tese, que o termo “direitos de aprendizagem e ensino” substituiu a expressão “expectativas de aprendizagem” na formulação do PNE, com o argumento de que esta última “reforçava noções de performatividade e de competências [...] e regulação [...] por meio da fixação de metas mensuráveis [...], mecanismos de prestação de contas e incentivo a comparações e a competições” (<italic>apud</italic><xref ref-type="bibr" rid="B22">Macedo, 2015</xref>, p. 893).</p>
			<p>O termo “direitos” foi, portanto, apresentado por entidades representativas da área de educação - Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (ANPEd), Associação Nacional pela Formação dos Profissionais da Educação (Anfope), Associação Nacional de Política e Administração da Educação (Anpae), Centro de Estudos de Direito Econômico e Social (Cedes), Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e Campanha Nacional pelo Direito à Educação - como um antídoto à hegemonia das demandas por <italic>accountability</italic>. A força dessas entidades na luta pelo significante e por seu preenchimento é admitida na própria BNCC, em sua segunda versão: “Os movimentos sociais têm importante papel na definição dos direitos de aprendizagem e desenvolvimento que fundamentam a elaboração da BNCC” (<xref ref-type="bibr" rid="B7">BRASIL, 2016a</xref>, p. 27).</p>
			<p>Em linhas gerais, os direitos foram definidos como “fundamentais à aprendizagem e ao desenvolvimento, com os quais o trabalho que se realiza em todas as etapas da Educação Básica deve se comprometer” (<xref ref-type="bibr" rid="B7">BRASIL, 2016a</xref>, p. 33). Nessa acepção, os direitos se “explicitam em relação aos princípios éticos, políticos e estéticos [...] que devem orientar uma (determinada) Educação Básica” (<xref ref-type="bibr" rid="B7">BRASIL, 2016a</xref>, p. 33). Na lista de direitos que se “afirmam em relação” (<xref ref-type="bibr" rid="B7">BRASIL, 2016a</xref>, p. 34) aos diferentes princípios, no entanto, observa-se um elenco de direitos, que devem ser garantidos aos estudantes, que não se caracterizariam como “direitos [...] de aprendizagem e desenvolvimento aos quais todas as crianças, adolescentes e jovens brasileiros devem ter acesso ao longo de seu processo de escolarização” (<xref ref-type="bibr" rid="B7">BRASIL, 2016a</xref>, p. 44).</p>
			<p>Entendo que, na segunda versão da BNCC, esses direitos ganham mais centralidade e sua definição explicita, na comparação com a primeira versão, uma guinada de maior comprometimento do texto com as demandas críticas por justiça social. São diversos os exemplos dessa guinada, como o uso que passa a fazer do termo “cidadania”: “A educação, compreendida como direito humano, individual e coletivo, habilita para o exercício de outros direitos, e capacita ao pleno exercício da cidadania” (<xref ref-type="bibr" rid="B7">BRASIL, 2016a</xref>, p. 26). Diversidade, inclusão, direitos humanos também se alternam na caracterização dos direitos de aprendizagem e ensino. Por fim, retorna o significante “conhecimento”, tomado na matriz crítica - como historicamente construído ou como construção social - e, de forma mais pontual, o significante “trabalho”. Entendo que tal conjunto explicita um dos campos hegemônicos na formulação do documento, o do pensamento crítico, sem dúvida importante por sua força no discurso pedagógico pós-ditadura. Tal pensamento esteve muito presente no início da discussão da BNCC - desde o programa Currículo em Movimento, em que currículo era definido como “constituído pelas experiências escolares que se desdobram em torno do conhecimento” (<xref ref-type="bibr" rid="B26">MOREIRA; CANDAU, 2009</xref>, p. 45) - e perdeu espaço ao longo do processo, até ressurgir na retórica de explicitação dos direitos de aprendizagem e desenvolvimento, nessa segunda versão. Lembro, para sustentar essa posição, da presença de Michael Young nos seminários iniciais e das muitas referências que a ele se faziam (<xref ref-type="bibr" rid="B21">MACEDO, 2014</xref>) e que foram rareando.</p>
			<p>Não me interessa aqui analisar se os direitos elencados são ou não relevantes. Em outro lugar, em relação aos da primeira versão (<xref ref-type="bibr" rid="B22">MACEDO, 2015</xref>), argumento que a própria ideia de direito mantém certo vínculo com <italic>accountability</italic>, na medida em que opera com um sujeito abstrato em contraposição àquele que se produz no agonismo (<xref ref-type="bibr" rid="B27">MOUFFE, 2003</xref>). Ademais, a própria justificativa da definição desses direitos subjetivos está marcada pela linguagem da cobrança de que os direitos sejam garantidos a todas as crianças. Aqui, desejo apenas evidenciar, na imprecisão do termo e na guinada crítica, uma disputa por sua significação. Por um lado, a importância de mantê-lo; por outro, a dificuldade de significá-lo.</p>
			<p>Na segunda parte do documento, as demandas por <italic>accountability</italic> ganham mais visibilidade. Essa parte permanece estruturada por áreas de conhecimento e disciplinas, e o diálogo preferencial se faz com a literatura dos respectivos campos temáticos ou disciplinares. Novamente, é importante caracterizar que o termo “objetivos” não remete apenas a demandas por <italic>accountability</italic>: em não poucos casos, demandas críticas por justiça social estão presentes como preocupações que norteiam a seleção e a organização dos objetivos. No entanto, do ponto de vista do currículo, está-se diante de uma tradição marcada pela racionalidade técnica, herdeira da administração científica, que congrega um conjunto de modelos de elaboração curricular cujo núcleo central é a relação entre a definição de objetivos de aprendizagem (ou ensino) e a avaliação de sua consecução (<xref ref-type="bibr" rid="B31">PINAR et al., 1995</xref>). Cito dois objetivos, ao acaso, que permitem observar, por um lado, seu descolamento dos direitos tal como descritos na primeira parte e, por outro, o quanto são instrumentais: “Reconhecer vistas ortogonais de figuras espaciais e aplicar esse conhecimento para desenhar objetos em perspectiva” (MT, 9<sup>o</sup> ano, p. 409); “Identificar e classificar alimentos e materiais de acordo com sua origem: animal, vegetal ou mineral, fazendo perguntas sobre como são produzidos” (CN, 4<sup>o</sup> ano, p. 287).</p>
			<p>Em outro lugar (<xref ref-type="bibr" rid="B23">MACEDO, 2016</xref>), defendo que esse caráter instrumental opera com uma concepção pragmática de conhecimento - conhecimento para algo - que tem sido apontada por diversos autores, dentre os quais <xref ref-type="bibr" rid="B18">Labaree (1998</xref>), como a atualização das visões técnicas de currículo. Por outro lado, o conhecimento epistemologicamente poderoso - que defino como “conhecimento em si” -, que tem sido defendido pelas demandas críticas por justiça social, não tem colidido com o instrumentalismo das demandas por <italic>accountability</italic>. Defendo (<xref ref-type="bibr" rid="B23">MACEDO, 2016</xref>) que isso ocorre porque as demandas críticas por justiça social, ao projetarem um sujeito abstrato, acabam por instrumentalizar o conhecimento. Embora o significante “objetivos” materialize demandas neoliberais por <italic>accountability</italic>, ele é reforçado, em sua luta por hegemonia, pelas demandas por justiça social.</p>
			<p>Assim, o jogo político entre demandas críticas por justiça social e demandas neoliberais por <italic>accountability</italic> explicita afastamentos e aproximações entre elas. Se nos acostumamos a vê-las como antagônicas, sugiro que a defesa da necessidade de uma base curricular em nível nacional - de um currículo com certo nível de universalidade - as tem aproximado, criando equivalências.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>A entrada do Escola sem Partido na cena da Base Nacional Curricular Comum</title>
			<p>Já com a segunda versão da BNCC divulgada, um novo conjunto de demandas, que chamarei de “demandas conservadoras”, tem se fortalecido. Não que elas não estivessem presentes em todo o processo, como ocorre em nível internacional, mas ganharam proeminência após o <italic>impeachment</italic> de Dilma Rousseff, quando o ESP passou a ser um dos interlocutores do MEC<xref ref-type="fn" rid="fn5"><sup>5</sup></xref>. Em forte associação com deputados da bancada evangélica neopentecostal - que a partir dos anos 1980 têm lutado por representação política e a ampliado (<xref ref-type="bibr" rid="B12">BURITY, 2015</xref>) -, o ESP inseriu em sua agenda o debate sobre a BNCC.</p>
			<p>O movimento apresenta duas ordens de demandas em relação à BNCC: quanto à instância competente para sua aprovação e quanto ao seu conteúdo, mais especificamente, aos objetivos de aprendizagem e ensino. Ao pôr em xeque a competência do Conselho Nacional de Educação (CNE) e do MEC para a definição da BNCC, o movimento tem sustentado que a organização do documento em torno de direitos de aprendizagem, preconizada pela lei que instituiu o PNE, é “invasão de competências”. Para ele, a BNCC tem “que tratar de currículo, não de direitos. Porque os direitos estão contidos na Constituição. O documento propõe novos direitos”<xref ref-type="fn" rid="fn6"><sup>6</sup></xref>. Com argumento semelhante, reivindica-se a alteração da instância de aprovação da BNCC do CNE para o Congresso Nacional: “Numa democracia, se alguém deve ter o poder de decidir o que é que dezenas de milhões de indivíduos serão obrigados a estudar ao longo da sua vida escolar, que seja o parlamento, e não um punhado de agentes públicos indicados pelo chefe do Executivo. Cabe, pois, ao Congresso Nacional chamar a si, o quanto antes, essa imensa e histórica responsabilidade”<xref ref-type="fn" rid="fn7"><sup>7</sup></xref>. Tal reivindicação pouco tem deslocado as relações de poder até então estabelecidas no que tange às formas de significar a base curricular comum em nível nacional. Efetivamente, a oposição do ESP à competência do MEC para legislar sobre a BNCC tem rearticulado e aproximado os grupos envolvidos na luta política até então. Agentes públicos, como a UNDIME e o CONSED, assim como agentes privados, têm defendido não só a necessidade da BNCC, como o que foi feito até o momento. A fala da representante da Fundação Lemann explicita uma posição que parece francamente hegemônica em defesa da BNCC: “A Base é uma demanda da sociedade brasileira [...] A participação do Congresso é para monitorar e não rediscutir”<xref ref-type="fn" rid="fn8"><sup>8</sup></xref>. Importante ressaltar que o questionamento da instância de deliberação sobre a BNCC feito pelo ESP se refere mais especificamente aos direitos de aprendizagem e desenvolvimento, pouco se reportando aos objetivos em si. Parece haver acordo em que a “BNCC deve tratar de currículo”, por isso entendendo-se uma listagem do que deve ser ensinado na escola: “Aquilo que, na perspectiva do constituinte de 1988, deveria ser um conjunto de conteúdos, se converteu num manual para homogeneizar cabeças e tornar hegemônica, no ambiente escolar, a ideologia que, há tempos, grassa e desgraça a educação brasileira” (<xref ref-type="bibr" rid="B32">PUGGINA, s.d.</xref>)<xref ref-type="fn" rid="fn9"><sup>9</sup></xref>.</p>
			<p>Ainda que os direitos de aprendizagem e ensino se assentem sobre uma noção abstrata de sujeito - seja na defesa de um genérico cidadão de direito (<xref ref-type="bibr" rid="B37">SCOTT, 2007</xref>), seja na leitura de uma cidadania de consumo (<xref ref-type="bibr" rid="B14">CANCLINI, 2006</xref>) -, esse significante ainda é o espaço privilegiado para as demandas críticas por justiça social. O ataque frontal e central do ESP aos direitos, no intuito de reduzir a BNCC a um conjunto de conteúdos a ser ensinado, desloca, potencialmente, o jogo político na direção do fortalecimento das demandas neoliberais por <italic>accountability</italic>.</p>
			<p>No que concerne aos objetivos de aprendizagem e ensino, as demandas conservadoras podem ser resumidas, sem prejuízo dos argumentos levantados, em alguns pontos. Na página do ESP (http://escolasempartido.org), a defesa dessas demandas é subsidiada por um conjunto de exemplos de uma suposta doutrinação produzida via currículo, com o apoio da “burocracia do MEC e das secretarias de educação”, assim como dos meios de comunicação.</p>
			<p>1. Em prol da separação entre espaço público e privado, transferindo a educação para o espaço privado da família, a quem caberia toda a formação moral e ética das crianças. O espaço público da escola é destinado ao aprendizado de conteúdos (<xref ref-type="fig" rid="f1">Figura 1</xref>).</p>
			<disp-quote>
				<p>“Educar é promover na pessoa, sentimentos hábitos que lhe permitam adaptar-se no meio que há de viver. Instruir é proporcionar conhecimentos e habilidades, que permitam à pessoa ganhar o seu sustento.” Armindo Moreira<xref ref-type="fn" rid="fn10"><sup>10</sup></xref>.</p>
			</disp-quote>
			<p>2. Contra o viés ideológico de esquerda que sustentaria o documento apresentado à consulta pública.</p>
			<disp-quote>
				<p>Não podemos ser ingênuos. Há um pensamento hegemônico da esquerda nas universidades e foram essas pessoas que majoritariamente construíram esse documento.<xref ref-type="fn" rid="fn11"><sup>11</sup></xref>
				</p>
			</disp-quote>
			<disp-quote>
				<p>É possível inferir a hegemonia da epistemologia marxista e do método crítico-cultural não somente na parte das ciências humanas, mas até mesmo nas chamadas ciências duras, até na matemática, em química, em física, em biologia. Quais as intenções políticas e as consequências para o nosso futuro democrático como resultado dessa escolha?<xref ref-type="fn" rid="fn12"><sup>12</sup></xref>
				</p>
			</disp-quote>
			<p>3. Contra a diversidade cultural nos currículos.</p>
			<disp-quote>
				<p>O último desabamento foi provocado pela proposta da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Dias atrás, o historiador Marco Antonio Villa demonstrou, em artigo publicado no jornal O Globo, que, se a proposta do MEC for aprovada, os estudantes brasileiros que quiserem aprender alguma coisa sobre o antigo Egito, a Mesopotâmia e a Grécia; o Império Romano e o nascimento do cristianismo; a Idade Média, o Renascimento, a Revolução Industrial e até mesmo a Revolução Francesa serão obrigados a se virar por conta própria. Na sala de aula, terão de estudar os mundos ameríndios, africanos e afrobrasileiros; interpretar os movimentos sociais negros e quilombolas; valorizar e promover o respeito às culturas africanas e afroamericanas. É um assombro.<xref ref-type="fn" rid="fn13"><sup>13</sup></xref>
				</p>
			</disp-quote>
			<p>4. Contra a ideologia de gênero nos currículos.</p>
			<disp-quote>
				<p>Menos comentada, mas não menos importante, é a presença da famigerada ideologia de gênero. Como já se adivinhava, a perspectiva de gênero - cuja inclusão, nos planos de educação, foi rejeitada de maneira veemente pela quase totalidade das nossas casas legislativas - atravessa toda a proposta do MEC.<xref ref-type="fn" rid="fn14"><sup>14</sup></xref>
				</p>
			</disp-quote>
			<p>
				<fig id="f1">
					<label>Figura 1:</label>
					<caption>
						<title>Esquema apresentado pelo Escola Sem Partido16.</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="1678-4626-es-38-139-00507-gf1.png"/>
				</fig>
			</p>
			<p>Escolas de SP acabam com “O Dia das Mães” e instituem o “Dia dos Cuidadores”. Viva o fim da família, prefeito Fernando Haddad!<xref ref-type="fn" rid="fn15"><sup>15</sup></xref>
			</p>
			<p>Esse conjunto de demandas conservadoras do ESP em relação ao “conteúdo” da BNCC é bastante pontual e aponta menos para o que deve fazer parte do currículo do que para o que deve ser excluído, para que a escola possa “atender a todos”. As exclusões citadas explicitamente se referem a demandas político-partidárias, raciais, de gênero e de sexualidade. O potencial dessas exclusões para deslocar as articulações sobre a BNCC é preocupante, na medida em que elas focam diretamente demandas de grupos minoritários - de raça, gênero e sexualidade - que, ainda timidamente, têm conquistado algum espaço.</p>
			<p>O próprio jogo político que levou a uma BNCC em que uma listagem de objetivos é entendida como necessária para que direitos de aprendizagem e ensino se materializem já embute uma série de exclusões, ainda que não admitidas explicitamente. Para além da promessa de inclusividade nas seleções do que deve constar na BNCC, expressa-se que, por ela não corresponder à totalidade do currículo, outros conhecimentos podem ser acolhidos. O caráter excludente de toda seleção é, no entanto, insuperável, indo da óbvia aplicação de critérios cujas definições são políticas a formas discretas. Os critérios de seleção em disputa na BNCC remetem à empregabilidade, assim como ao maior poder de determinados conhecimentos do ponto de vista epistemológico (<xref ref-type="bibr" rid="B40">YOUNG, 2013</xref>). As demandas críticas por justiça social têm também incorporado as demandas de grupos minoritários por representação, ainda que elas sigam não ocupando lugar central no currículo. A exclusão proposta pelo ESP de tais demandas vem favorecer os critérios de seleção do eixo iluminismo-mercado, já hegemônicos.</p>
			<p>Na linha de mecanismos mais sutis de exclusão, a ideia de que uma listagem de objetivos de ensino e aprendizagem definida em nível nacional é fundamental para garantir a qualidade da escola acaba reforçada pela defesa do ESP de que a função da escola é ensinar. Os direitos de cidadania ficam na dependência do domínio de algo externo ao sujeito, qual seja, conteúdos básicos que devem ser ensinados a (e aprendidos por) todos os alunos. Na medida em que tal domínio é uma operação individual, o fracasso que ele venha a produzir também o será: participar do <italic>todos</italic> é um direito que, uma vez garantido pela BNCC, só precisa ser aproveitado por cada um. Ou seja, a BNCC é apresentada como uma política para todos, e a exclusão que ela potencialmente promove é decorrência da ação individual daqueles que são excluídos.</p>
			<p>Nesse sentido, avalio que as possíveis articulações entre a BNCC aí proposta e as demandas do ESP são preocupantes no momento, e me permito uma digressão sobre o fato de que o conservadorismo que o movimento traz parece ganhar espaço no mundo. Quando as demandas do ESP ampliam a exclusão - seja de direitos, de objetivos ou de pessoas - e, mais do que isso, quebram a cordialidade com a qual ela vem sendo praticada na BNCC, o pesquisador de currículo não pode deixar de lembrar que, já na década de 1970, a vertente crítica da reconceptualização do campo<xref ref-type="fn" rid="fn17"><sup>17</sup></xref> perguntava a quem interessava que dado conhecimento fosse selecionado como mais válido (<xref ref-type="bibr" rid="B2">APPLE, 1982</xref>). Em estudo sobre a constituição do campo do currículo americano, <xref ref-type="bibr" rid="B29">Pinar (2001</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B30">2004</xref>) defende a tese de que há traumas constantemente revividos pela história americana que produzem um campo em que preconceitos de raça, gênero e sexualidade florescem. Minha questão é o quanto o ESP ajuda a reviver, em nossa história, traumas de uma nação assentada no mito da inclusividade total erigido sobre a exclusão silenciosa do outro. A descortesia do ESP para tratar o diferente de si nos lembra a importância de retomar a (velha) questão de Apple, o que farei nas bases pós-estruturais e pós-fundacionais em que venho construindo este texto.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>A normatividade neoliberal e a resposta sobre “a quem interessa”</title>
			<p>Retomo, pois, a questão nos termos em que julgo relevante e possível formulá-la: como funciona a normatividade a partir da qual se torna possível naturalizar que há um conhecimento mais válido para todos e que é possível defini-lo e torná-lo a base nacional para os currículos? Indo um pouco mais além, quais os efeitos dessa normatividade sobre a educação e a escola?</p>
			<p>Em um termo que tenho evitado usar, pela forma reificada (<xref ref-type="bibr" rid="B15">COLLIER, 2011</xref>) com que vem sendo apropriado, vou nomear essa normatividade como neoliberal. De forma pouco pretensiosa, em diálogo com <xref ref-type="bibr" rid="B11">Brown (2015</xref>) e <xref ref-type="bibr" rid="B16">Dardot e Laval (2015</xref>), quero retomar uma leitura pós-estrutural da normatividade de forma a dar sentido ao meu argumento de que demandas tipicamente neoliberais por <italic>accountability</italic> podem se articular com demandas críticas por justiça social e, possivelmente, também com demandas conservadoras, fazendo funcionar a normatividade neoliberal. Seguindo Foucault, esse conjunto de autores defende que o neoliberalismo não pode ser tomado como um universal, sendo constituído por um conjunto diferenciado de práticas.</p>
			<p>O que caracteriza a normatividade neoliberal, para <xref ref-type="bibr" rid="B11">Brown (2015</xref>), assim como para <xref ref-type="bibr" rid="B16">Dardot e Laval (2015</xref>), é a economização da vida com a expulsão do político. Numa leitura bem livre, tanto da posição desses autores quanto da teoria do discurso (<xref ref-type="bibr" rid="B19">LACLAU, 2011</xref>) que venho utilizando neste texto, o político funciona como exterior constitutivo que estabiliza a fabulosa hegemonia do discurso neoliberal. A persistência dessa hegemonia ou o caráter normativo do discurso neoliberal, nos termos de <xref ref-type="bibr" rid="B11">Brown (2015</xref>), tem a ver com sua natureza performativa. A racionalidade neoliberal é posta em ação por sua própria repetição (ou citação).</p>
			<p>A performatividade só é possível porque a citação é sempre distinta, ou seja, porque a reiteração está marcada, nos termos de Derrida, pela <italic>différance</italic>. Com isso, estou defendendo que o conjunto de estratégias que economizam a vida não é uma “motivação ideológica e intelectual” (<xref ref-type="bibr" rid="B16">DARDOT; LAVAL, 2015</xref>, p. 284). Embora global, não há um discurso neoliberal que preexiste às formas como ele se manifesta. A racionalidade neoliberal é “inconstante, diferenciada, assistemática, impura” (<xref ref-type="bibr" rid="B11">BROWN, 2015</xref>, p. 20), reconfigurada a cada iteração, e é exatamente tal reconfiguração que a põe em marcha. Dessa forma, os seus efeitos (deletérios ou não) não se relacionam diretamente ou apenas a uma ordem política e social (<xref ref-type="bibr" rid="B11">BROWN, 2015</xref>). Como norma, ela “toma forma como uma racionalidade de governo, estendendo uma formulação específica de valores, práticas e métricas para todas as dimensões da vida humana” (<xref ref-type="bibr" rid="B11">BROWN, 2015</xref>, p. 30). Seus efeitos nunca são determináveis ou mesmo previsíveis, posto que sua força está em seu caráter performativo, que requer iteração e <italic>différance</italic>.</p>
			<p>A economização da vida que marca a normatividade neoliberal não está, para <xref ref-type="bibr" rid="B11">Brown (2015</xref>), atrelada à monetarização ou mesmo à marquetização, mas apenas indica que a “ordem semântica está mudando da política para a economia” (<xref ref-type="bibr" rid="B11">BROWN, 2015</xref>, p. 41). Nesse sentido, ela guarda aproximações com o liberalismo, mas não pode ser confundida com ele. Como aproximações, apresenta os temas sociais “em termos de sua contribuição para o crescimento econômico e a [...] competitividade” (<xref ref-type="bibr" rid="B11">BROWN, 2015</xref>, p. 25); e subordina os compromissos do Estado “ao projeto de crescimento econômico, ao posicionamento competitivo e ao aumento do capital” (<xref ref-type="bibr" rid="B11">BROWN, 2015</xref>, p. 26). Mas o liberalismo clássico não propunha o fim do político, ainda que já “economizasse a política, a sociedade e o homem” (<xref ref-type="bibr" rid="B11">BROWN, 2015</xref>, p. 26). Assim como ocorria com o marxismo, tal liberalismo mantinha economia e política como campos em tensão. Para <xref ref-type="bibr" rid="B11">Brown (2015</xref>), a especificidade do neoliberalismo é que o <italic>homo economicus</italic>, definido como capital humano num modelo “de capital financeiro e de investimento” (<xref ref-type="bibr" rid="B11">BROWN, 2015</xref>, p. 33), “é tudo. Ele substitui [completamente] o <italic>homo politicus</italic>” (<xref ref-type="bibr" rid="B11">BROWN, 2015</xref>, p. 33).</p>
			<p>É essa substituição total do <italic>homo politicus</italic> que quero retomar para pensar as articulações em torno da defesa de uma base nacional comum para o currículo. Para além das diferenças entre as demandas neoliberais por <italic>accountability</italic>, as demandas críticas por justiça social e as demandas conservadoras, quero voltar às equivalências entre elas. Com base na teoria do discurso, vim definindo, aqui e em outros textos (<xref ref-type="bibr" rid="B21">MACEDO, 2014</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B22">2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B23">2016</xref>), o exterior constitutivo dessas equivalências como o imprevisível, o imponderável - o próprio antagonismo inerradicável, na linguagem dessa teoria, ou o <italic>homo politicus</italic>, nos termos de <xref ref-type="bibr" rid="B11">Brown (2015</xref>). O que se estabiliza ao expulsar o político - o lugar da diferença - é a normatividade neoliberal em seu movimento contínuo de valorização do <italic>homo economicus</italic>. Aqui, também, não é sem estranhamento que defendo que as demandas críticas por justiça social podem promover a normatividade neoliberal. <xref ref-type="bibr" rid="B16">Dardort e Laval (2015</xref>), no entanto, têm demonstrado como, no caso francês, justiça social e igualdade têm sido recalibradas para um lugar exclusivamente econômico. O inimigo do neoliberalismo não é uma ideologia política específica, mas o próprio “político, configurado como uma interferência indesejada” (<xref ref-type="bibr" rid="B11">BROWN, 2015</xref>, p. 42).</p>
			<p>Na zona de equivalências entre as demandas que hegemonizam o discurso da BNCC, a própria ideia de que pode haver regras técnicas ou epistemológicas para responder ao que deve ser ensinado opera para a eliminação do político com seus antagonismos. O ESP veio explicitar, pelo viés da intolerância ao outro, a inadequação do político na escola, o que leva a crer que ele encontra aí um amplo espaço possível de articulação. As demandas neoliberais por <italic>accountability</italic> e as demandas críticas por justiça social já vinham produzindo um consenso sobre conhecimentos necessários ao sujeito escolarizado, assim como um sentido para a escolarização ligado ao aprendizado de conhecimentos por seu valor intrínseco ou por sua utilidade para a participação na vida social e econômica. Mesmo que de forma cordial, o universalismo, que precisa ser pressuposto para sustentar uma base nacional comum para os currículos, já escondia, sob a aparência de “neutralidade formal de contexto e conteúdo” (<xref ref-type="bibr" rid="B11">BROWN, 2015</xref>, p. 205), o seu caráter particular, sexista e racializado.</p>
			<p>A eliminação do político é secundada, na BNCC, pela ideia de posse, outro pilar da normatividade neoliberal. A educação de qualidade envolve a aquisição, pelo sujeito, de algo que lhe é externo, um conhecimento/comportamento capaz de torná-lo um “capital humano” ou, como diz Foucault (<italic>apud</italic><xref ref-type="bibr" rid="B11">Brown, 2015</xref>), um “pequeno capital”. Não é possível evitar que todo um histórico de despossessão de tal normatividade ecoe. Releio, aqui, a pergunta formulada por <xref ref-type="bibr" rid="B13">Butler e Anastasiou (2013</xref>) ao tratar das formas agressivas de privação para pensar a necessidade de uma normatividade para a educação na forma do currículo. É possível pensar em formas éticas e políticas para que a educação e os currículos atuem na luta por justiça social sem depender da valorização do individualismo possessivo? Com essa questão, quero defender que o engajamento efetivo contra a privação forçada e coercitiva é também uma preocupação de uma teoria política pós-estrutural e pós-fundacional<xref ref-type="fn" rid="fn17"><sup>17</sup></xref>. Ela apenas busca operar com um quadro complexo em que a normatividade que priva não deixa imune um sujeito externo que a ela pode se contrapor. Se assim fosse, talvez já tivéssemos sido bem-sucedidos em nossas tentativas (políticas e críticas) de derrotá-la.</p>
			<p>A luta possível, a meu ver, é o trabalho incessante para retomar o político ou a diferença constitutiva que se tem tentado erradicar. Como têm demonstrado inúmeros autores, dentre os quais os que mobilizamos neste texto, o caráter produtivo do poder faz com que pipoquem potencialidades subversivas aqui e ali quando qualquer norma é posta em funcionamento. Como não se trata de um poder que está fora, produzido e posto em funcionamento por alguém, sua eterna ameaça é o fantasma que ele mesmo gesta. A imprevisibilidade que ele se movimenta para controlar, mas que está sempre lá, como o expulso que o constitui. Essa impossibilidade de saturação, no entanto, não torna a ação política desnecessária; ao contrário, torna-a incessante. A mesma ação performativa da norma que produz diferença produz também o controle das significações - aliás, essa é a sua função primeira, se assim se pode falar. A luta política diuturna é por esburacar esse controle, deixando emergir os sentidos que ele quer excluir.</p>
			<p>É o compromisso político com formas éticas e políticas de lutar pela justiça social que me leva a explicitar mais uma vez, neste texto, minha posição contrária à formulação de bases comuns para o currículo em escala nacional. Entendo que os instrumentos normativos são uma tentativa de controle da imprevisibilidade em suas múltiplas formas de existir e devem se restringir àqueles que não podemos evitar. Mesmo que tenha certeza de que, como toda norma, esta não será capaz de controlar todos os seus efeitos, julgo que é preciso perturbar a certeza que se quer instaurar de que se pode economizar a vida e os corpos dos sujeitos, como se fossem “pequenos capitais”. Ao buscar entender as dinâmicas constitutivas da hegemonia da ideia de que uma BNCC é necessária, tenho a esperança de colaborar para o desenvolvimento de alternativas que apostem numa escola em que, valorizadas, as relações intersubjetivas de corpos possam esgarçar a normatividade que aqui chamei de neoliberal.</p>
		</sec>
	</body>
	<back>
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							<surname>AFONSO</surname>
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					<lpage>659</lpage>
					<season>out-dez</season>
					<year>2015</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B40">
				<mixed-citation>YOUNG, M.F. Overcoming the crisis in curriculum theory: a knowledge-based approach, <italic>Journal of Curriculum Studies</italic>, v. 45, n. 2, p. 101-118, abr. 2013.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>YOUNG</surname>
							<given-names>M.F.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>Overcoming the crisis in curriculum theory: a knowledge-based approach</article-title>
					<source>Journal of Curriculum Studies</source>
					<volume>45</volume>
					<issue>2</issue>
					<fpage>101</fpage>
					<lpage>118</lpage>
					<month>04</month>
					<year>2013</year>
				</element-citation>
			</ref>
		</ref-list>
		<fn-group>
			<fn fn-type="supported-by" id="fn19">
				<label>*</label>
				<p>Texto vinculado ao projeto de pesquisa “Currículo, subjetividade e diferença”, financiado pelo CNPq e pela FAPERJ.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="supplementary-material" id="fn1">
				<label>1.</label>
				<p>Disponível em: &lt;<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.escolasempartido.org/quem-somos">http://www.escolasempartido.org/quem-somos</ext-link>&gt;. Acesso em: 24 jul. 2016.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="supplementary-material" id="fn2">
				<label>2.</label>
				<p>O número de projetos em andamento na Câmara e no Senado Federal com teor semelhante é elevado. Destaco aqui apenas os projetos apresentados, na página do movimento, como diretamente a ele vinculados (<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.programaescolasempartido.org">http://www.programaescolasempartido.org</ext-link>).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn3">
				<label>3.</label>
				<p>Miguel Nagib foi o criador do movimento e tem sido uma figura-chave na formulação de seus princípios.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="supplementary-material" id="fn4">
				<label>4.</label>
				<p>Embora os sentidos da cadeia de demandas sejam dados, de forma contingente, pelas articulações que as vão constituindo, uma definição inicial de demandas neoliberais por <italic>accountability</italic> poderia ser aquela formulada por <xref ref-type="bibr" rid="B1">Afonso (2012</xref>, p. 472): “Uma forma hierárquico-burocrática ou tecnocrática e gerencialista de prestação de contas que, pelo menos implicitamente, contém e dá ênfase a consequências e imputações negativas e estigmatizantes, as quais, não raras vezes, consubstanciam formas autoritárias de responsabilização de instituições, organizações e indivíduos”.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="supplementary-material" id="fn5">
				<label>5.</label>
				<p>Um conjunto de exemplos tópicos sustenta essa afirmativa. (i) em Seminário na Câmara dos Deputados em junho de 2016, com a presença de instâncias públicas e parceiros privados responsáveis pela elaboração da BNCC, a mesa que debateu as Ciências Humanas na base foi formada em sua totalidade por partidários do ESP (disponível em: &lt;<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://movimentopelabase.org.br/acontece/comissao-educacao-camara-deputados-bncc/">http://movimentopelabase.org.br/acontece/comissao-educacao-camara-deputados-bncc/</ext-link>&gt;. Acesso em: 15 jul. 2016); (ii) em julho de 2016, Adolfo Sachsida foi nomeado assessor especial do MEC, posição revista em seguida. O economista é um dos principais defensores do ESP (disponível em: &lt;<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://g1.globo.com/educacao/noticia/mec-desiste-de-nomeacao-de-apoiador-do-escola-sem-partido.ghtml">http://g1.globo.com/educacao/noticia/mec-desiste-de-nomeacao-de-apoiador-do-escola-sem-partido.ghtml</ext-link>&gt;. Acesso em: 18 mar. 2017); e (iii) em março de 2017, representantes da bancada evangélica ligados ao ESP divulgaram a notícia de que a secretária-executiva do MEC “garante que ideologia de gênero não entrará na (terceira versão da) BNCC” (disponível em: &lt;<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://sostenescavalcante.com.br/mec-garante-que-ideologia-de-genero-nao-entrara-na-base-nacional-comum-curricular/">http://sostenescavalcante.com.br/mec-garante-que-ideologia-de-genero-nao-entrara-na-base-nacional-comum-curricular/</ext-link>&gt;. Acesso em: 18 mar. 2017).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="supplementary-material" id="fn6">
				<label>6.</label>
				<p>Deputado Rogério Marinho, autor do Projeto de Lei 1.411/15, na referida sessão da Câmara (disponível em: &lt;<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.epsjv.fiocruz.br/noticias/reportagem/escola-sem-partido-mira-na-base">http://www.epsjv.fiocruz.br/noticias/reportagem/escola-sem-partido-mira-na-base</ext-link>&gt;. Acesso em: 15 jul. 2016).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="supplementary-material" id="fn7">
				<label>7.</label>
				<p>Opinião de Miguel Nagib, na mesma sessão (disponível em: &lt;<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.escolasempartido.org/artigos-top/576-quem-deve-aprovar-a-bncc">http://www.escolasempartido.org/artigos-top/576-quem-deve-aprovar-a-bncc</ext-link>&gt;. Acesso em: 24 jul. 2016).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="supplementary-material" id="fn8">
				<label>8.</label>
				<p>Fala de Denis Mizne, representante da Fundação Lemann, na mesma sessão (disponível em: &lt;<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.epsjv.fiocruz.br/noticias/reportagem/escola-sem-partido-mira-na-base">http://www.epsjv.fiocruz.br/noticias/reportagem/escola-sem-partido-mira-na-base</ext-link>&gt;. Acesso em: 24 jul. 2016).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn9">
				<label>9.</label>
				<p>Texto reproduzido na página do ESP.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="supplementary-material" id="fn10">
				<label>10.</label>
				<p>Redação como no original. Disponível em: &lt;<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://escolasempartido.org/educacao-moral/415-professor-nao-e-educador">http://escolasempartido.org/educacao-moral/415-professor-nao-e-educador</ext-link>&gt;. Acesso em: 17 mar. 2017.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="supplementary-material" id="fn11">
				<label>11.</label>
				<p>Deputado Rogério Marinho, em sessão já referida da Câmara dos Deputados (disponível em: &lt;<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.epsjv.fiocruz.br/noticias/reportagem/escola-sem-partido-mira-na-base">http://www.epsjv.fiocruz.br/noticias/reportagem/escola-sem-partido-mira-na-base</ext-link>&gt;. Acesso em: 15 jul. 2016).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="supplementary-material" id="fn12">
				<label>12.</label>
				<p>Professor Orley Silva, na mesma sessão (disponível em: &lt;<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.epsjv.fiocruz.br/noticias/reportagem/escola-sem-partido-mira-na-base">http://www.epsjv.fiocruz.br/noticias/reportagem/escola-sem-partido-mira-na-base</ext-link>&gt;. Acesso em: 15 jul. 2016).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="supplementary-material" id="fn13">
				<label>13.</label>
				<p>Texto de Miguel Nagib na página do movimento. Disponível em: &lt;<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.escolasempartido.org/artigos-top/576-quem-deve-aprovar-a-bncc">http://www.escolasempartido.org/artigos-top/576-quem-deve-aprovar-a-bncc</ext-link>&gt;. Acesso em: 24 jul. 2016.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn14">
				<label>14.</label>
				<p>Idem.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="supplementary-material" id="fn15">
				<label>15.</label>
				<p>Disponível em: &lt;<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://escolasempartido.org/educacao-moral?start=6">http://escolasempartido.org/educacao-moral?start=6</ext-link>&gt;. Acesso em: 18 mar. 2017.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="supplementary-material" id="fn16">
				<label>16.</label>
				<p>Página “Professor não é educador”, direcionada a partir da página do movimento. Disponível em: &lt;<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www.facebook.com/Professornaoeeducador">https://www.facebook.com/Professornaoeeducador</ext-link>&gt;. Acesso em: 24 jul. 2016.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="supplementary-material" id="fn17">
				<label>17.</label>
				<p>Ao retomar aqui a reconceptualização crítica, quero explicitar que as demandas que venho tratando como demandas críticas por justiça social, surgidas no jogo político que hegemoniza a ideia de base comum nacional para o currículo, não representam a totalidade do pensamento crítico. Em diferentes ocasiões, <xref ref-type="bibr" rid="B3">Apple (1993</xref>) tem se posicionado contra a definição de currículos nacionais. O mesmo ocorre com outras tradições críticas, como a pedagogia freireana, que sempre apostou na ação local.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="supplementary-material" id="fn18">
				<label>18.</label>
				<p>Essa asserção expressa uma discordância entre autores como <xref ref-type="bibr" rid="B39">Thiesen (2015</xref>) e <xref ref-type="bibr" rid="B17">Fonte (2010</xref>) quando criticam as análises políticas pós-estruturais, acusando-as de desmobilizadoras.</p>
			</fn>
		</fn-group>
	</back>
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