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Covid-19: fatores associados ao uso e adesão de equipamentos de proteção individual entre residentes no Brasil
Camila Cristina Gregório de Assis; Herica Silva Dutra; Cosme Rezende Laurindo;
Camila Cristina Gregório de Assis; Herica Silva Dutra; Cosme Rezende Laurindo; Fábio da Costa Carbogim; Fernanda Moura Lanza; Angélica da Conceição Oliveira Coelho
Covid-19: fatores associados ao uso e adesão de equipamentos de proteção individual entre residentes no Brasil
Covid-19: factors associated with the use and adherence of personal protective equipment in Brazil among residents
Covid-19: factores asociados al uso y adherencia de equipos de protección personal entre los Residentes en Brasil
Revista de Pesquisa Cuidado é Fundamental Online, vol. 16, e-13058, 2024
Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro
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Resumo: Objetivo: analisar os fatores associados ao uso e a adesão aos equipamentos de proteção individual pelos profissionais pós-graduandos vinculados a programas de residência em saúde. Método: transversal com 227 residentes.Avaliadas variáveis relaciondas à adesão e uso adequado de equipamentos de proteção individual por meio de instrumento validado “E.P.I. covid-19 Brasil-versão adaptada para residentes”. Realizou-se análise bivariada, teste qui-quadrado/exato de Fisher e cálculo da razão de prevalência. Pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos. Resultados: realizaram atividades de capacitação sobre EPIs (59,9%).Associação entre uso de máscara cirúrgica(p≤0,01) e idade; área de concentração do programa e uso de gorro (p≤0,01) e máscara cirúrgica (p=0,04); realização de atividades de capacitação e uso de máscara cirúrgica (p=0,02) e N95 (p≤0,01). A adesão variou de 0% a 67%. Conclusão: fatores associados ao uso adequado, idade, área de concentração do programa e realização de atividades de capacitação.Houve fragilidades na adesão. Sugere-se o fortalecimento do tema biossegurança na residência.

Palavras-chave: COVID-19, Equipamento de proteção individual, Biossegurança, Profissionais de Saúde, Internato e residência, Residência não médica não odontológica.

Resumen: Objetivo: analizar los factores asociados al uso y la adherencia a los equipos de protección personal (EPP) por parte de profesionales graduados vinculados a programas de residencia en salud. Método: estudio transversal con 227 residentes. Se utilizó la versión adaptada para residentes del «Cuestionario sobre EPI en la atención primaria de salud (EPS-APS) en el contexto de la COVID-19 en Brasil. Se realizaron análisis bivariados, prueba chi-cuadrado de Fisher/prueba exacta y cálculo de la razón de prevalencia. La investigación fue aprobada por el Comité de Ética para la Investigación con Seres Humanos. Resultados: se realizaron actividades de capacitación sobre EPI (59,9%). Se observó asociación entre el uso de mascarilla quirúrgica (p≤0,01) y la edad; área de concentración del programa y uso de cofia (p≤0,01) y mascarilla quirúrgica (p=0,04); realización de actividades de capacitación y uso de mascarilla quirúrgica (p=0,02) y N95 (p≤0,01). La adherencia a los EPI osciló entre el 0% y el 67%. Conclusión: los factores asociados al uso correcto de los EPI fueron la edad, el área de concentración del programa y la realización de actividades de capacitación. Se observaron debilidades en la adherencia. Se sugiere fortalecer el tema de la bioseguridad en la residencia.

Palabras clave: COVID-19, Equipos de protección individual, Bioseguridad, Personal de Salud, Internado y residencia, Internado no Médico.

Keywords: COVID-19, Personal protective equipment, Biosecurity, Health Personnel, Internship and residence, Internship, nonmedical

Carátula del artículo

Artigo Original

Covid-19: fatores associados ao uso e adesão de equipamentos de proteção individual entre residentes no Brasil

Covid-19: factors associated with the use and adherence of personal protective equipment in Brazil among residents

Covid-19: factores asociados al uso y adherencia de equipos de protección personal entre los Residentes en Brasil

Camila Cristina Gregório de Assis
Universidade Federal de Juiz de Fora, Minas Gerais, Juiz de Fora, Brasil, Brasil
Herica Silva Dutra
Universidade Federal de Juiz de Fora, Brasil
Cosme Rezende Laurindo
Universidade Federal de Juiz de Fora, Brasil
Fábio da Costa Carbogim
Universidade Federal de Juiz de Fora, Brasil
Fernanda Moura Lanza
Universidade Federal de São João Del- Rei, Brasil
Angélica da Conceição Oliveira Coelho
Universidade Federal de Juiz de Fora, Brasil
Revista de Pesquisa Cuidado é Fundamental Online, vol. 16, e-13058, 2024
Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro

Recepción: 15 Enero 2024

Aprobación: 16 Enero 2024

Introdução

A pandemia da covid-19 modificou o ambiente laboral dos profissionais de saúde e reiterou a importância das medidas de biossegurança para prevenção das infecções relacionadas à assistência à saúde (Iras).1-2 Evidencia-se a necessidade de proteção e segurança dos profissionais de saúde 3-4 inclusive daqueles vinculados aos programas de residência. 5 Os residentes que atuam no Sistema Único de Saúde(SUS) desenvolveram um papel crucial no enfrentamento da covid-19. 3

Assim como os demais profissionais de saúde 6-8, os residentes têm elevado risco para infecção por covid-199 por estarem expostos a vários fatores, como: contato direto com paciente contaminados, realização de procedimentos geradores de aerossóis e/ou que predisponham ao contato com fluidos corporais10. Em pesquisa realizada com residentes nos Estados Unidos, 80% dos programas de residência do estudo tiveram pelo menos um residente em quarentena e 101 casos confirmados de covid-19, o que confirma o risco de contaminação entre esses profissionais.9

Embora as precauções padrão sejam conhecidas por todos os profissionais de saúde 2,11, o não cumprimento das normas de biossegurança e a realização incorreta da paramentação e desparamentação ainda são uma realidade na assistência em saúde.7-14 Além disso, a não adesão aos equipamentos de proteção individual (EPI) e o uso inadequado destes, acontece nos serviços 12-15, seja pelo déficit no fornecimento 9 levando à reutilização de alguns dispositivos e ao uso por tempo prolongado9,12, seja pela falta de capacitação sobre uso adequado de EPIs.7,16 Tais situações geram insegurança nos profissionas não só durante o enfrentamento da pandemia de covid-19 3-4, mas também na assistência a pacientes com outras condições infectocontagiosas. A literatura indica outras variáveis que influenciam a adesão ao uso de EPIs como a idade, tempo de experência e área de atuação das atividades laborais.6

Os EPI são o principal recurso para reduzir o mecanismo de transmissão e adoecimento entres os trabalhadores da saúde, o que os torna indispensáveis para a prevenção das Iras.10,17-19 A adesão às normas de biossegurança é fundamental na redução dos riscos ocupacionais.2,7,12-14

Como os estudos que abordam os fatores associados à adesão aos EPIs e ao uso adequado destes foram realizados com profissionais de saúde no geral6-7,14, aponta-se uma lacuna no conhecimento referente aos profissionais vinculados aos programas de residência.

Diante do exposto, esta investigação tem como objetivo analisar os fatores associados ao uso e a adesão aos EPIs pelos profissionais pós-graduandos vinculados a programas de residência em saúde.

Métodos

Tipo de estudo, local e período

Trata-se de um estudo transversal, descritivo e analítico, realizado nos 26 estados brasileiros e no Distrito Federal entre agosto de 2020 e março de 2021. Este estudo está vinculado à pesquisa “Uso de equipamentos de proteção individual pelos profissionais de saúde no combate a covid19”- "E.P.I. covid-19 Brasil” e seguiu as recomendações Strengthening the Reporting of Observational studies in Epidemiology (STROBE) e Checklist for Reporting Results of Internet E-Surveys (CHERRIES).

População, critérios de seleção e amostra

A população do estudo foram os profissionais pós-graduandos vinculados a programas de residência nas áreas de Educação Física, Enfermagem, Farmácia, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Medicina, Medicina Veterinária, Nutrição, Odontologia, Psicologia, Serviço Social e Terapia Ocupacional credenciados pelo Ministério da Educação (MEC). O critério de inclusão foi ter aceitado participar voluntariamente da pesquisa durante o período de coleta de dados. O critério de exclusão foi ser preceptor dos programas de residência. Dessa forma, adotou-se a amostra por conveniência.

Coleta de dados

Para divulgação da pesquisa, foi realizado contato via e-mail e telefone com hospitais e secretarias municipais de saúde que oferecem programas de residência em saúde credenciados pelo MEC, sociedades médicas, conselhos profissionais regionais e comissões de residência. Utilizaram-se mídias sociais, como Instagram (@xxxxx2), Facebook (xxxBrasil) e WhatsApp, as quais também foram recursos para o recrutamento de participantes que ajudaram na divulgação do fôlder da pesquisa em suas redes sociais.20 É importante destacar que todas as informações da pesquisa foram disponibilizadas em um site próprio (https://www.xxxxx/) e as estratégias de recrutamento, detalhadas em artigo científico.20

Instrumento de coleta de dados

Para a coleta de dados, foi utilizado o instrumento elaborado e validado para a pesquisa “E.P.I. covid-19 Brasil”, que contém 86 questões acerca de dados pessoais e profissionais, formação profissional, participação em cursos de capacitação e uso de EPIs no cotidiano de trabalho. Para avaliar a adesão e o uso adequado de EPIs foram considerados 31 itens divididos em oito domínios: gorro ou touca descartável, luvas, comportamento de segurança, uso de máscara N95, higienização das mãos, uso de avental ou capote,uso de máscara cirúrgica e uso de óculos de proteção.21

O instrumento foi disponibilizado em ambiente virtual na plataforma gratuita KoBoToolbox. O acesso às questões relacionadas ao uso de cada EPI foi vinculado à resposta prévia do participante a respeito de qual EPI utilizava no cotidiano de trabalho no serviço em que atua. As respostas a essas questões foram obtidas por meio de escala tipo Likert de quatro pontos, cujas opções de resposta foram “nunca’’, “raramente”, “quase sempre” e “sempre”.

Tratamento, análise dos dados e variáveis do estudo

Os dados armazenados no servidor KoboToolbox foram exportados para o programa Microsoft Office Excel para organização e tratamento. As respostas obtidas em escala Likert foram recodificadas em “não’’ (zero ponto) para “nunca’’, “raramente”, “quase sempre”; e “sim” (um ponto) para “sempre”. As questões referentes à reutilização de EPI tiveram pontuação invertida.

As análises estatísticas foram realizadas no Statistical Package for the Social Sciences (SPSS) versão 29.0. O teste utilizado para avaliar a normalidade da amostra foi o Kolmogorov-Smirnov. A análise descritiva foi realizada por meio de frequências absolutas e relativas, medidas de tendência central (média) e de dispersão (desvio-padrão).

As variáveis independentes foram a área de concentração da residência (APS e outras áreas de concentração – Hospital e Medicina Veterinária); idade (21 a 26 anos e 27 anos ou mais); realizaçãoounãodecursos de capacitação sobre uso de EPI;tempodeatuaçãono programa deresidência (zero a 12 meses e 13 meses ou mais).

As variáveis dependentes foram a adesão aos EPIs e o uso adequado deles.Considerou-se como o uso adequado de EPI quando o participante alcançou a totalidade de pontos em cada domínio de acordo com a escala Likert, ou seja, se o mesmo pontuasse em todos os dominios. Para avaliar a adesão, foi utilizado o seguinte cálculo individual: número de domínios que apresentou uso adequado dividido pelo número total de domínios respondidos multiplicado por 100. Considerou-se que o participantepossui adesão ao uso de EPI ao alcançar o percentual ≥ 75% conforme estudo.16

A análise de associação deu-se por meio dos testes Qui-Quadrado ou exato de Fischer, adotando-se o valor de p ≤ 0,05. As prevalências relacionadas ao uso adequado dos EPIs e a idade, área de concentração da residência, tempo de atuação no programa e a realização de atividades de capacitação sobre EPI foram estimadas com intervalo de confiança de 95% (IC 95%).

Aspectos éticos

A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da Universidade Federal xxxxxxxx, sob o parecer xxxxxxxx. Esta pesquisa recebeu financiamento do CNPq (Processo n. 401457/2020-6) chamada MCTIC/CNPq/FNDCT/MS/SCTIE/Decit no 07/2020 – Pesquisa para enfrentamento da covid- 19, suas consequências e outras síndromes respiratórias agudas graves.

Resultados

Participaram do estudo 227 residentes, com predominância de enfermeiros (37,0%), do gênero mulher cis (82,9%), com companheiro (78,4%), atuando na região Sudeste (58,1%). A média de idade foi de 27,9 (±5,9) anos e a média de tempo de atuação na residência foi de 14,5 (±9,2) meses (dados não mostrados em tabela). Entre os participantes, 56 (24,7%) haviam sido diagnosticados com covid-19. A maioria (59,9%) dos participantes informaram ter realizado capacitação sobre uso de EPI em algum momento durante a pandemia (cf. Tabela 1).

Tabela 1- Caracterização dos residentes participantes da pesquisa "E.P.I. covid-19Brasil” (n = 227). Brasil, 2021




Fonte: elaborada pela autora (2022). †Nota: outras;(Medicina Veterinária)

Ao avaliar o uso adequado de EPI pelos profissionais residentes (Tabela 2), destaca-se que o gorro e o avental/capote foram os EPIs com melhor percentual de uso adequado e que a maioria dos participantes teve comportamento de segurança (90,6%) e higienização das mãos (98,7%) inadequado.

Tabela 2 – Uso adequado de EPI, comportamento de segurança, e higiene das mãos por profissionais vinculados a Programas de Residência em Saúde (n = 227). Brasil, 2021




]Fonte elaborada pela autora (2022).

‡Nota: os dados faltantes se devem a referida não utilização do EPI pelo participante.

Ao avaliar os fatores associados ao uso adequado de EPI pelos profissionais residentes (Tabela 3), foi observado associação entre a idade e o domínio máscara cirúrgica (p=≤0,001). A prevalência do uso adequado de máscara cirúrgica entre os profissionais com idade de 21 a 26 anos foi 1,47 vezes maior do que entre os de 27 anos ou mais.

Quando avaliado o uso adequado por área de concentração do programa de residência (Tabela 3), observou-se associação ao uso do gorro (p=0,01). A prevalência de uso adequado do gorro foi 3,2 vezes maior na APS do que nas outras áreas do programa. O uso adequado de máscara cirúrgica (p=0,02) teve a prevalência de 1,3 vez maior na APS quando comparado a outras áreas do programa. O tempo de atuação no programa não teve significância para nenhum domínio.

A realização de atividades de capacitação sobre autilização de EPI pelos profissionais residentes foi estatisticamente associada ao uso adequado de máscara N95(p=≤0,01)e de máscara cirúrgica(p=0,02).Os profissionais da residência que fizeram curso sobre EPI têm 1,3 vez maior prevalência de uso adequado de N95 e 1,7 vez maior prevalência de uso adequado de máscara cirúrgica do que aqueles que não fizeram curso. Tais dados se encontram descritos na Tabela 3.

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Tabela 3 - Associação entre idade, área de concentração, realização de atividades de capacitação e uso adequado de EPIs, comportamento de segurança durante o uso de EPI e higiene das mãos por profissionais vinculados a Programas de Residência em Saúde (n=227). Brasil, 2021




Fonte:elaborada pela autora (2021).

§Nota: outras áreas*; Área Hospitalar e Medicina Veterinária. Fonte: Elaborado pelos autores (2021). (Teste qui-quadrado, †Teste exato de Fisher)

Na avaliação da adesão ao EPI, o resultado variou entre 0% a 67% (média 29,1%; desvio-padrão 20,0%), sendo que 48 (21,1%) participantes não relataram adesão e oito(3,5%) participantes atingirama maior adesão identificada no estudo, que foi de 67%. A distribuição dos participantes em relação à adesão foi 1º quartil 14,0% ;mediana 29,0% e 3º quartil 43,0%.Na análise da relação da adesão e os fatores associados, a realização de atividades de capacitação sobre o uso de EPIs teve relação com a adesão de EPI (p=0,03), os demais fatores não tiveram relação sobre a adesão.

Discussão

Este é o primeiro estudo brasileiro que analisou os fatores associados à adesão e uso adequado de EPIs pelos profissionais pós-graduandos vinculados a programas de residência em saúde no contexto da pandemia da covid-19. A variação da idade do residente de 21 a 26 anos esteve associada ao uso adequado de máscara cirúrgica; os serviços de APS como área de concentração do programa de residência tiveram associação com o uso adequado de máscara cirúrgica e gorro; o tempo de atuação do residente não teve associação com o uso adequado de EPI; a realização de atividades de capacitação sobre EPI esteve associada ao uso adequado de máscara cirúrgica e máscara N95. A pesquisa evidenciou que nenhum residente apresentou adesão ao uso de EPI ≥75%, sendo que o percentual médio de adesão foi de 29,1%.

Diante das evidências encontradas no presente estudo sugere-se que todos os profissionais, inclusive aqueles que se encontram em formação no serviço, conheçam as medidas e estratégias deprevenção das Iras.15 O uso de EPI possui relevância no enfrentamento da pandemia e na prevenção de outras doenças infectocontagiosas, cuja finalidade é a segurança do profissional e do paciente e a diminuição da propagação de doenças.12

Alguns estudos realizados no período da pandemia da Covid-19 mostraram diferentes percentuais de adesão ao uso de EPIs: 41,3%22; 53%6 e 90,6%.7 Estudos epidemiológicos realizado no Brasil e nos Estados Unidos, antes do período pandêmico, evidenciaram que o uso incorreto de EPI pode favorecer a infecção por patogénos23-24, destacando que a falta de capacitação também contribui para a não adesão ao uso de EPIs.23 Além disso, a contaminação pode ocorrer tanto devido a falta do EPI quanto a desparamentação incorreta.24

A presente pesquisa evidenciou que os residentes não utilizam de forma adequada todos os EPIs. Entre os EPIs com maior frequência de uso adequado, destacam-se máscaras N95, máscaras cirúrgicas e óculos de proteção ou protetor facial. Na pandemia de Covid-19 – no que tange à utilização de medidas de precaução, destacaram-se as medidas de precaução por aerossóis, sendo a máscara N95 fator de proteção entre os profissionais de saúde que realizam procedimentos geradores de aerossóis.6,14,25 O uso adequado de óculos e protetores faciais também auxiliam na proteção profissional 6,25-26, pois estes equipamentos impedem o contato de microrganismos com a cavidade oral e vias aéreas.27

Em relação aos fatores associados ao uso adequado de EPI, pesquisa realizada com profissionais da APS do Catar indicou que idade, tempo de experência e área de atuação das atividades laborais influenciaram a adesão ao uso de EPIs.6

No presente estudo, os profissionais mais jovens tiveram maior prevalência de uso adequado do EPI máscara cirúrgica. Em estudo realizado em Gana, a variável idade não foi associada à adesão aos EPIs e ao uso destes7, mas, em estudo realizadono Catar, o fator idade teveassociação com adesão e uso dos EPIs. Os profissionais de 50 anos ou mais foram maispropensosa adesão emcomparação aos profissionais mais jovens, de 18 a 29 anos.6

No que diz respeito à área de concentração do programa, as ações preventivas devem levar em consideração o grau de risco de contaminação por Covid-19, nas distintas áreas de concentração do trabalho.22 Pesquisa realizada com profissionais da APS evidenciou que os profissinais de saúde que estão em contato com casos suspeitos ou confirmados de Covid-19, em alguns turnos de trabalho ou na maioria deles, eram menos propensos ao cumprimento total de adesão e uso dos EPIs comparado àqueles que lidam com pacientes infectados em todos os períodos das atividades laborais.6

Acredita-se que o profissional que atua diretamente com pacientes com Covid-19 é mais consciente quanto ao risco de infecção, a ponto de isso interferir sobre a sua percepção e comportamento de uso de EPIs.6 Na pesquisa em Gana com profissionais de saúde atuantes no ambiente hospitalar que prestavam assistência aos pacientes com covid-19 mostrou que o tempo de atuação não foi associado à adesão aos EPIs e ao uso destes.7 Tais resultados vêm ao encontro dos dados deste estudo que mostra que o tempo de atuação não afeta a adesão aos EPIs e o uso dos mesmos.

Salienta-se que todos os profissionais que prestam assistência direta aos pacientes devem ser adequadamente informados e capacitados.4 A troca de conhecimentoe saberes é capaz de fortalecer o processo ensino-aprendizagem no que diz respeito àsmedidas de prevenção à covid-19.25 As simulações clínicas8 e as atividades de capacitação direcionadas aos residentes sobre ouso adequado de paramentação e desparamentação podem contribuir parao uso apropriado de EPIs e diminuição do risco de adoecimento8,28, como também a educação permanente no serviço é um fator decisivo para adesão aos EPIs e o uso adequado dos mesmos pelos profissionais de saúde11,neste estudo as atividades de capacitação tem relação com a adesão ao uso de EPI.

No que se refere à adesão ao uso de EPIs neste estudo, esta variou de 0% a 67%. Estudos realizados com profissionais de saúde durante a pandemia, na Etiópia e no Catar mostraram uma baixa adesão ao uso de EPIs, 41,3%22 e 53%6, respectivamente. A baixa adesão pode estar atrelada à insegurança profissional devido a falta e reutilização de EPIs28, como também a não percepção do risco de adoecimento por parte do profissional.6,22 Já um estudo feito em Gana relatou uma taxa de adesão de 90,6%.7 A taxa elevada de adesão pode estar relacionada à realização de atividade de capacitação sobre EPIs.8

As limitações desta investigação estão atreladas a maioria dos participantes serem da região sudeste do pais, ao estudo do tipo transversal e à condução da coleta de dados em ambiente virtual,questionário autoaplicavél, motivo pelo qual houve baixa participação dos residentes apesar de terem sido utilizadas diversas estratégias de recrutamento.

Apesar disso, o estudo apresenta valiosas contribuições para o conhecimento científico em saúde e enfermagem, entre elas se pode citar: conhecer os fatores associados à adesão aos EPIs e ao uso destes por residentes em saúde durante a pandemia e evidenciar a importância do fortalecimento da temática biossegurança nos programas de residência.

Assim, recomenda-se a elaboração e implementação de capacitações sobre EPIs para os residentes e o incentivo à educação permanente, com utilização de simulações clínicas como recursos pedagógicos para a aprendizagem a fim de permitir o exercício profissional pleno e seguro de acordo com o processo de trabalho e a realidade da assistencial. Tais ações visam não somente ao alcance das competências técnicas, habilidades e expertise esperadas para o residente, mas também buscam qualidade e segurança para profissional, paciente, família e comunidade.

Conclusão

Conclui-se que os fatores associados ao uso adequado de equipamentos de proteção individual por profissionais pós-graduandos vinculados a programasde residência em saúde foram idade, área de concentração do programa e realização de atividades de capacitação. Apesar da adesão aos equipamentos de proteção individual ter sido baixa, as atividades de capacitação tiveram relação sobre adesão ao EPI. Diante desses resultados, sugere-se a realização de estudos futuros, inclusive com a utilização de abordagens qualitativas, para conhecer, em profundidade, os fatores que impedem a adesão aos EPIs e seu uso adequadono cotidiano de trabalho de residentes em saúde.

AGRADECIMENTOS

Dra. Kelli Borges dos Santos e Dr. Thiago César Nascimento; e ao Núcleo de Estudo em Infecções e Complicações Relacionadas à Assistência à

Saúde (NEICAS).

Agradecimento ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações - MCTI, ao Ministério da Saúde – MS e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq pelo financiamento da pesquisa, Processo N. XXXX/2020-6 – Chamada MCTIC/CNPq/FNDCT/MS/SCTIE/Decit Nº 07/2020 - Pesquisas para enfrentamento da COVID-19, suas consequências e outras síndromes respiratórias agudas graves.

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