Abstract: Objective: to seek evidence on modifiable risk factors that are related to the development of knee and hip osteoarthritis among elderly people. Method: this is an integrative review guided by PRISMA, in the Lilacs, Scopus, Medline, SciELO and Web of Science databases. The following descriptors were used: Elderly; Aging; Osteoarthritis; Hip; Knee; Risk factors. Results: seven articles were identified highlighting the sovereignty of risk factors related to overweight and/or obesity for the development of knee and hip osteoarthritis among elderly people. Conclusion: the results demonstrated the need for weight control to prevent osteoarthritis among elderly people and the development of more studies on the subject.
Keywords: Health of the elderly, Osteoarthritis, Prevention, Review.
Resumo: Objetivo: buscar evidências sobre os fatores de riscos modificáveis que estão relacionados ao desenvolvimento da osteoartrite de joelho e quadril, entre as pessoas idosas. Método: Trata-se de uma revisão integrativa norteada pelo PRISMA, nas bases de dados Lilacs, Scopus, Medline, SciELO e Web of Science. Utilizou-se os descritores: Idoso; Envelhecimento; Osteoartrite; Quadril; Joelho; Fatores de Risco. Resultados: identificou-se sete artigos com destaque para soberania dos fatores de risco relacionados ao sobrepeso e/ou obesidade para o desenvolvimento da osteoartrite de joelho e quadril, entre as pessoas idosas. Conclusão: os resultados demonstraram a necessidade do controle do peso para prevenção da osteoartrite entre as pessoas idosas e do desenvolvimento de mais estudos sobre a temática.
Palavras-chave: Saúde do idoso, Osteoartrite, Prevenção, Revisão.
Resumen: Objetivo: buscar evidencia sobre factores de riesgo modificables que se relacionan con el desarrollo de osteoartritis de rodilla y cadera en personas mayores. Método: se trata de una revisión integradora guiada por PRISMA, en las bases de datos Lilacs, Scopus, Medline, SciELO y Web of Science. Se utilizaron los siguientes descriptores: Adulto mayor; Envejecimiento; Osteoartritis; Cadera; Rodilla; Factores de riesgo. Resultados: fueron identificados siete artículos que destacan la soberanía de los factores de riesgo relacionados con el sobrepeso y/u obesidad para el desarrollo de artrosis de rodilla y cadera en personas mayores. Conclusión: los resultados demostraron la necesidad del control de peso para prevenir la artrosis en personas mayores y el desarrollo de más estudios sobre el tema.
Palabras clave: Salud del anciano, Osteoartritis, Prevención, Revisión.
Revisão Integrativa de Literatura
Modifiable risk factors related to osteoarthritis among older people
Fatores de riscos modificáveis relacionados a osteoartrite entre pessoas idosas
Factores de riesgo modificables relacionados con la osteoartritis entre personas mayores

Recepción: 04 Julio 2024
Aprobación: 18 Julio 2024
A osteoartrite (OA) é a forma mais comum de artrite em adultos, caracterizada por dor crônica e perda de mobilidade. A osteoartrite ocorre mais frequentemente após os 40 anos e a prevalência aumenta acentuadamente com a idade.1 A osteoartrite é a condição clínica mais frequente do sistema musculoesquelético no mundo, sendo caracterizada por alteração da estrutura e função das articulações, envolvendo a cartilagem articular, o osso subjacente e os tecidos moles.2
O principal sintoma da osteoartrite é a dor, que a princípio se inicia após o uso da articulação e é aliviada com o repouso. Com a evolução da doença, a dor pode ocorrer aos mínimos esforços ou mesmo no repouso. Outros sintomas como crepitação articular, rigidez articular menor que 15 minutos, e algumas vezes inflamação, com alterações biomecânicas importantes, podem ser a causa da limitação e incapacidade funcional desses pacientes.3 Pode ser entendida como uma insuficiência cartilaginosa decorrente de fatores mecânicos, genéticos, hormonais, ósseos e metabólicos levando a uma degradação do tecido cartilaginoso e consequente remodelação óssea e inflamação sinovial.2
A osteoartrite é uma causa bem conhecida de dor crônica e incapacidade. Além de impactar na saúde física, pode ter efeitos negativos na saúde mental. Há também evidências de que a OA é um fator de risco para desenvolvimento de doenças cardiovasculares, mas os mecanismos ainda não estão bem documentados, sendo possivelmente pela dificuldade da prática de atividades físicas.4
A dor e as limitações funcionais são sequelas importantes da OA, com impactos significativos na vida das pessoas, particularmente aumento das limitações de atividade, perda de destreza e problemas de mobilidade, muitas vezes levando a consequências sociais negativas. A OA desempenha um papel particularmente importante no contexto de riscos aumentados devido à sua elevada prevalência na população entre adultos com mais de 50 anos (entre 22-38%), aumentando a prevalência com o aumento da idade.5
A Organização Mundial da Saúde (OMS) designou 2021-30 como a década do envelhecimento saudável, o que destaca a necessidade de abordar doenças como a osteoartrite, que afetam fortemente a capacidade funcional e a qualidade de vida.1 O envelhecimento saudável foi definido como um processo de criação e melhoria de oportunidades para manter e melhorar a saúde, a independência e a qualidade de vida.5
Sobre os locais que a OA pode afetar os joelhos, mãos, quadris e coluna, podem ter um impacto considerável no indivíduo, causando dor e incapacidade. A incapacidade causada pela OA afeta negativamente as atividades diárias dos indivíduos, levando a uma diminuição da sua qualidade de vida.6,7 Contudo, é sabido que a osteoartrite de quadril e joelho são as principais causas de incapacidade global e diante do envelhecimento da população mundial e das mudanças no estilo de vida moderna é esperado um aumento destes agravos no sistema de saúde. O que vem impulsionando a necessidade de se desenvolver estudos voltados a prevenção primária das OA, especialmente sobre o conhecimento dos fatores de risco modificáveis.8
Assim, conhecer os fatores que impactam no desenvolvimento da osteoartrite, principalmente os modificáveis, é essencial para prevenir e atenuar a progressão do dano articular, melhorando a qualidade de vida e a função física. Especialmente, com o aumento da longevidade da população brasileira e mundial,9,10 o conhecimento dos fatores de riscos modificáveis poderá direcionar as orientações e condutas dos profissionais de saúde, e assim, contribuir com o envelhecimento mais saudável e ativo.
Neste sentido, a pergunta de pesquisa que norteou esta revisão foi: o que as evidências científicas descrevem sobre os fatores de riscos modificáveis relacionados ao desenvolvimento da osteoartrite de joelho e quadril, entre as pessoas idosas? Desse modo, esta revisão tem por objetivo buscar evidências sobre os fatores de riscos modificáveis que estão relacionados ao desenvolvimento da osteoartrite de joelho e quadril, entre as pessoas idosas.
Trata-se de uma revisão da literatura, estruturada segundo as recomendações do Joanna Briggs Institute (JBI) e escrito por meio do Checklist Preferred Reporting for Systematic Reviews and Meta Analyses extension for Scoping Reviews.11
A construção da pergunta de pesquisa ocorreu pela estratégia População, Variáveis e Resultados (PVO) com o mnemônico: P – pessoas idosas > 60 anos, considerando as referências internacionais; V – Fatores de risco modificáveis; O – desenvolvimento da osteoartrite de joelho e quadril. Assim, a questão norteadora adotada foi: Quais fatores de riscos modificáveis estão relacionados ao desenvolvimento da osteoartrite de joelho e quadril entre as pessoas idosas?
Foram considerados elegíveis artigos científicos originais nacionais e internacionais, estudos quantitativos, qualitativos ou de métodos mistos, publicados em periódicos indexados, que mantém revisão por pares, disponíveis em formato completo e online, publicados entre 2019 e 2024; que abordassem a temática os fatores de riscos modificáveis relacionados ao desenvolvimento da osteoartrite de joelho e quadril. Os critérios de exclusão foram: artigos duplicados, artigos de revisões, editoriais, respostas ao editor, cartas e artigos com amostras < 60 anos. Em casos de discordância entre as pesquisadoras, foi realizado consenso para seleção. Foram realizados filtros prévios, no tangente ao período e idiomas nas bases de dados escolhidas.
A busca dos artigos ocorreu em abril de 2024, envolvendo as seguintes fontes de informação, utilizando o acesso institucional do Portal de Periódicos da Capes/ Acesso CAFe (Comunidade Acadêmica Federada): National Library of Medicine - PubMed, Scopus (Elsevier), Web of Science, Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciência da Saúde (LILACS)/BVS e Scientific Electronic Library Online -Scielo. Após localização na listagem dos Descritores em Ciências da Saúde (DeCS/MeSH), disponibilizados no portal da BVS-MS (http://decs.bvs.br), utilizou-se os seguintes descritores: (Aged OR Elderly OR Aging) AND Osteoarthristis AND (Knee OR Hip) AND (Risk factors); (Idoso OR Envelhecimento) AND Osteoartrite AND (Quadril OR Joelho) AND (Fatores de Risco).
Os arquivos com o resultado da busca em cada uma das sete fontes de informação foram carregados no Software Zotero, aplicando-se a função de retirada de duplicatas. Dois pesquisadores fizeram reunião de alinhamento e teste de calibragem com 50 documentos. Posteriormente, iniciaram a análise e seleção dos artigos, primeiramente envolvendo títulos e resumos e em seguida com análise do texto completo.
A extração dos dados dos artigos finais selecionados foi realizada com o auxílio de um instrumento contento informações sobre o título, nome do(s) autor(es), ano, local de realização do estudo, tipo de estudo, amostra e resultados relacionados ao objetivo desta revisão. Os resultados foram organizados e apresentados por meio de figuras e quadro com sínteses narrativas.
Foram identificados 1543 artigos e 1.390 artigos permaneceram após a remoção dos artigos duplicados. Foram excluídos 1296 artigos após leitura de títulos e resumos. Em seguida, foi realizada análise do texto completo de 96 artigos, sendo excluídos 87 artigos por não atenderem os critérios de elegibilidade deste estudo, sendo incluídos 7 (sete) artigos na revisão (Figura1).

O intervalo temporal dos estudos foi de 2019 a 2024, com predominância de publicações em 2023 - Park, J, 2023;12 Sundaram et al., 2023;13 e Ji et al., 2023.14 Quanto ao local de realização do estudo no Brasil, na Coreia do Sul e na Índia foram realizados dois estudos em cada país; e apenas um estudo na China. Em relação ao delineamento metodológico, todos apresentaram abordagem quantitativa sendo a maioria por meio de estudos transversais (n=6) e apenas um ecológico o do Park J, 202312 (Quadro 1).

Legenda: IMC= Índice de Massa Corporal; OA: Osteoartrite; OAJ: Osteoartrite de Joelho; OR: Odds Ration
Em relação aos fatores de risco modificáveis relacionados ao desenvolvimento da osteoartrite de joelho e/ou quadril, entre as pessoas idosas, abordadas nos estudos selecionados, destaca-se: o sobrepeso e a obesidade (5 artigos); e os demais fatores como estilo de vida sedentário, circunferência de cintura aumentada, sono prejudicado, residentes em área urbana em comparação aos das áreas rurais e baixa escolaridade, que foram relatados uma vez em cada estudo desta revisão (Quadro 1).
Uma das doenças reumáticas mais prevalentes é a osteoartrite (OA), descrita por ser degenerativa e crônica, caracterizada pelo desgaste da cartilagem articular individual. A incidência é maior em articulações de grande peso, como joelho e quadril, e com avançar da idade aumenta-se consideravelmente a chance do desenvolvimento da OA, principalmente na população idosa.15 O que impulsionou o desenvolvimento desta revisão com foco nos fatores de risco modificáveis relacionado ao desenvolvimento da OA entre as pessoas idosas, que poderá ajudar as pessoas a retardar ou mesmo evitar o surgimento destas enfermidades com a adoção de medidas preventivas ao longo da vida.
Nos resultados desta revisão, a maioria dos fatores de risco modificados relacionado ao desenvolvimento da OA em pessoas idosas foram relacionados ao sobrepeso e/ou obesidade, como IMC elevado, vida sedentária e circunferência de cintura aumentada. O que corrobora com resultados de revisão sistemática publicada em 201516 que já apontava a idade, sexo, obesidade, doenças metabólicas, osteoporose, fatores genéticos e lesões articulares. E, outra mais recente (2023)17, que destaca que o sobrepeso ou obesidade a longo prazo pode resultar em perda muscular e acúmulo de gordura, levando à liberação de fatores inflamatórios que aumentam a pressão do joelho ou alteram a biomecânica da articulação do joelho, induzindo a OA e, ainda, demonstrou que manter um peso corporal mais leve por um período de 10 anos pode reduzir o risco de OA em 27,5%.
O peso em excesso pode aumentar o estresse nas articulações, levando a maior dor, rigidez e desgaste muscular. Para as estruturas do quadril, a dor pode começar na região da virilha ou nádegas, irradiar para a parte interna da coxa ou joelho, e se a doença estiver mais avançada, a dor causará alguma dificuldade de movimento. Esta condição aumenta o risco de OA devido à sobrecarga das articulações.18
Vale ressaltar que o sobrepeso ou obesidade tendem, também, a agravar a condição clínica da OA, o que pode ser atenuado com alimentação adequada e prática de atividade física regular.19 Portanto, é altamente recomendável que os pacientes que controlem seu peso para prevenir a ocorrência de OA.17 E, segundo a sociedade brasileira de reumatologia, é fundamental manter o peso nos limites da normalidade para prevenção da OA. E, nos casos já instalados, perder peso é indicação importantíssima no tratamento, destacando que por menos que seja a redução, haverá sempre um benefício.20 O que foi ratificado pelo American College of Rheumatology, em 2019.21
Indivíduos com OA de joelho e quadril apresentam limitações devido a dor e diminuição da função física. A literatura aponta que a atividade física pode ser considerada uma opção útil e eficaz para a reabilitação dessa população.22 Medidas educativas baseadas em mudanças no estilo de vida, incluindo dieta e exercícios, e técnicas de proteção articular são importantes para tratar e prevenir a OA. As diretrizes da Osteoarthritis Research Society International (OARSI) para o tratamento e manejo da OA do joelho, quadril e múltiplas articulações definem medidas não farmacológicas como estratégias primárias, como educação sobre a doença, programas de exercícios de fortalecimento muscular, exercícios aeróbicos e mente-corpo, combinado com exercícios, foco mental e controle da respiração para melhorar a força, o equilíbrio e a flexibilidade. Além disso, uma dieta controlada é recomendada para controle de peso.23
A atividade física oferece vários benefícios à saúde, incluindo remodelação articular, fortalecimento muscular e controle de peso. A atividade recreativa ou de intensidade moderada é um fator de proteção para a osteoartrite. E, estudos mostraram que a perda de peso pode melhorar a dor e a função articular e reduzir os processos inflamatórios. A literatura estima que perder 5 kg de peso corporal pode reduzir o risco de desenvolver osteoartrite em 50%.24
Outro fator de risco que vale destacar é o sono, descrito no estudo de Ji et al (2023)14 realizado na China, que revelou um acréscimo de risco entre 1,6 e 1,9. Contudo, evidências apontam que tal condição está vinculada a inter-relação entre o sono e a dor, tendo em vista que a prevalência de dor noturna no joelho e problemas relacionados ao sono potencializa a gravidade da OA, afetando a qualidade de vida dos pacientes, com frequentes relatos de queixas de sono entre este público. Entretanto, estudos que examinam a relação entre a qualidade do sono e os sintomas em pacientes com OAJ são limitados e faltam estudos longitudinais, requerendo mais pesquisas que avaliem a relação entre o sono e OA.14,25
Por meio deste artigo, destaca-se a importância de aumentar a familiaridade dos profissionais de saúde com as variáveis modificáveis que interferem na osteoartrite, com consequente aumento do custo para saúde e para qualidade de vida das pessoas idosas. A identificação desses fatores pode favorecer a adoção de medidas preventivas de forma mais direcionada e precoce.
Ademais, como limitações do estudo, destaca-se a necessidade de produzir mais estudos que abordem os fatores modificáveis entre as pessoas idosas, especialmente de cunho longitudinal, visto o aumento da longevidade e o impacto que o conhecimento destes fatores pode gerar entre as medidas de prevenção e promoção da saúde entre este público.
Os estudos destacaram o sobrepeso e/ou obesidade como fator de risco modificável preponderante para o desenvolvimento da osteoartrite de joelho e quadril entre as pessoas idosas; incluindo fatores associados a tal como IMC elevado, vida sedentária e circunferência de cintura aumentada. O sono também foi mencionado, contudo necessitando de maiores estudos longitudinais para explicar tal relação. Assim sendo, os estudos enfatizaram a necessidade de se investir no controle e perda de peso para prevenção da OA entre as pessoas idosas.
redalyc-journal-id: 5057
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