Palavras chave: Produtos de higiene menstrual, Saúde da mulher, Menstruação, Populações vulneráveis, Enfermagem
Keywords: Menstrual hygiene products, Women's health, Menstruation, Vulnerable populations, Nursing
Palabras clave: Productos para la higiene menstrual, Salud de la mujer, Menstruación, Poblaciones vulnerables, Enfermería
Revisão Integrativa de Literatura
Challenges of menstrual management: an integrative review
Desafios da gestão menstrual: uma revisão integrativa
Desafíos de la gestión menstrual: una revisión integrativa

Recepción: 13 Marzo 2024
Aprobación: 15 Marzo 2024
A higiene menstrual refere-se ao conjunto de práticas e cuidados realizados pelas mulheres durante o período menstrual para garantir a limpeza e o conforto, promovendo assim o bem-estar físico, emocional e social.1 Isso inclui o uso de absorventes menstruais adequados, trocas regulares de absorventes, lavagem das mãos e da área genital, e descarte apropriado dos materiais utilizados durante o período menstrual.2 No contexto da higiene íntima feminina, a gestão menstrual desempenha um papel fundamental, intrinsecamente ligado à dignidade feminina e ao direito básico das mulheres, sendo influenciadas por fatores culturais, históricos e sociais, transmitidos muitas vezes de mãe para filha.1,2
A gestão menstrual é um aspecto essencial da saúde feminina e tem um impacto significativo no bem-estar físico, emocional e social das mulheres. A precariedade menstrual, ou pobreza menstrual, é uma realidade para milhões de mulheres em todo o mundo, resultando da falta de acesso adequado a saneamento básico, banheiros e itens de higiene menstrual.3
Esses desafios são exacerbados em países subdesenvolvidos e em desenvolvimento, onde a falta de acesso à água potável e instalações sanitárias adequadas cria barreiras adicionais para a gestão menstrual adequada. Mito, tabus e fatores socioculturais também dificultam a obtenção de informações precisas sobre a menstruação, limitando as atividades rotineiras das mulheres e afetando sua autoestima, saúde reprodutiva e escolaridade.4
Observa-se uma negligência notável em diversas regiões do mundo, abrangendo esferas sociais, econômicas, de saúde e políticas.5,6 Globalmente, estima-se que cerca de 500 milhões de mulheres e meninas enfrentam desafios menstruais devido à carência de estruturas e equipamentos adequados para a gestão menstrual.7
Apesar de ainda não ser lei em muitos países, nos últimos anos tem havido um aumento nas iniciativas governamentais para promover equidade e melhora da saúde menstrual8. No Brasil, a Lei nº 14.2149, promulgada em 2021, foi um marco importante nesse sentido, sendo regulamentada pelo Decreto nº 11.432 em março de 2023. Esta legislação garante a distribuição gratuita de absorventes e outros cuidados de saúde menstrual em todo o país.9 No entanto, ainda há falta de políticas públicas abrangentes para garantir uma gestão menstrual adequada, uma vez que os absorventes não são é único recurso necessário para a higiene menstrual.
O acesso a um espaço seguro, limpo e privado para gerenciar a menstruação com dignidade é um direito humano e uma questão de saúde pública essencial.10 Compreender as dificuldades e os impactos enfrentados pelas mulheres na gestão de suas menstruações é crucial para o desenvolvimento de políticas e programas públicos eficazes que garantam o manejo da gestão menstrual de mulheres e meninas.8
Nessa direção, destaca-se que a educação em saúde junto aos adolescentes, é de certo modo, negligenciada pelos profissionais de saúde com a justificativa de que eles, via de regra, só procuram os serviços de saúde em casos de doença.11 Contudo, ela é fundamental e precisa ser direcionada para o bem-estar geral e necessariamente incluir a educação sexual e todos os aspectos envolvidos. Os profissionais, portanto, precisam ser capacitados e desenvolver habilidades diferenciadas que lhes possibilitem encontrar meios de se aproximar deste público.12 Destaca-se que o ambiente escolar surge como uma alternativa bastante promissora para a educação em saúde de adolescentes, sobretudo quando envolve um planejamento e atuação conjunta dos profissionais da escola e do setor saúde.
Estas ações podem favorecer o esclarecimento de dúvidas e a abordagem, de forma sensível, das necessidades experienciadas no dia a dia, o que inclui a gestão menstrual. Estas ações contribuirão com promoção da saúde de forma geral e em específico com a autoestima e saúde sexual de meninas e meninos na fase de pré-adolescência e adolescência, com potencial para refletir inclusive na vida adulta.
Diante do exposto, o presente estudo teve como objetivo analisar as evidências disponíveis na literatura sobre os desafios da gestão menstrual.
Trata-se de uma revisão integrativa conduzida de acordo com as seguintes etapas: 1) elaboração da questão de pesquisa – inclui a definição do objetivo, e a identificação da palavras chaves a serem utilizadas; 2) Amostragem ou busca na literatura – definição dos critérios de inclusão e exclusão, das bases de dados a serem consultadas e a seleção dos estudos; 3) Categorização dos estudos – extração, organização e sumarização das informações e formação do banco de dados; 4) avaliação dos estudos – análise crítica dos estudos selecionados; 5) Interpretação e discussão dos resultados – recomendações para pesquisas futuras; e 6) apresentação da revisão com síntese das evidências disponíveis.13
A pergunta da pesquisa foi estruturada seguindo o método PICo. Assim, 'P' (população) refere-se às pessoas menstruantes, I – fenômeno de Interesse – gestão menstrual, e Co – contexto dificuldades e impactos enfrentados na gestão menstrual. A questão de pesquisa foi delineada como: Quais são as evidências disponíveis na literatura sobre dificuldades enfrentadas pelas pessoas na gestão menstrual?
A busca na literatura foi realizada no mês de agosto de 2023 e atualizada em janeiro de 2024 nas bases de dados: National Library of Medicine – PuBMed, Biblioteca Virtual em Saúde Brasil – BVS, Scientific Electronic Library Online – SCIELO e Mendeley. Os descritores utilizados foram: “Menstruação”, “Produtos de Higiene Menstrual” e “Saúde”, selecionados pelo DeCS e MeSH, combinados por meio dos operadores booleanos AND e OR, com o propósito de ampliar a possibilidade de localização de estudos que respondessem à questão de revisão.
Após a implementação da busca dos estudos em cada uma das bases de dados selecionadas, aplicou-se os critérios de inclusão e exclusão em três etapas. Na primeira, foram considerados artigos nos idiomas português, inglês ou espanhol, disponíveis online. Na segunda etapa, foram incluídos apenas artigos que abordassem diretamente a questão central da revisão, e os artigos duplicados foram excluídos. Na terceira etapa, foram excluídos artigos de revisão sistemática, narrativa e integrativa e incluso apenas artigos publicados nos últimos 5 anos. A decisão de estabelecer um recorte temporal foi motivada pela necessidade de focalizar os estudos mais recentes que possam refletir com precisão as tendências, avanços e práticas contemporâneas no campo de estudo da saúde menstrual, o qual está experimentando uma rápida evolução.
Para a seleção dos estudos dois revisores independentes fizeram a leitura de título e resumos de todos os estudos identificados. As divergências entre os revisores foram resolvidas mediante reunião de consenso, com a presença de um terceiro revisor. Em seguida, foi feita a leitura na íntegra dos estudos selecionados, tendo como resultado a seleção final daqueles que compuseram a amostra final da revisão. Destaca-se que as referências dos estudos incluídos foram rastreadas, resultando na não inclusão de estudos adicionais.
A seleção dos estudos incluídos seguiu um fluxograma adaptado das recomendações PRISMA (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses), apresentado abaixo pela Figura 1. Devido à natureza da revisão integrativa, o presente estudo não foi submetido à avaliação de um Comitê de Ética em Pesquisa.
Figura 1- Fluxograma do processo de identificação, seleção, elegibilidade e inclusão dos estudos, adaptado das recomendações do PRISMA). Três Lagoas, MS, Brasil, 2024

Foram identificadas inicialmente 812 produções nas bases de dados. Após a primeira etapa de seleção, 494 estudos foram obtidos, dos quais 200 foram submetidos à segunda etapa de avaliação. Após aplicar os critérios de inclusão e exclusão, 47 estudos foram selecionados para uma leitura completa. Destes, 17 foram considerados pertinentes à temática estudada e compuseram o corpus da pesquisa.
Dentre os oito periódicos em que os estudos foram publicados, dois apresentavam um fator de impacto menor ou igual a 1, três maior ou igual a 2 e os demais um valor entre 4 e 8. As áreas de conhecimento dos periódicos incluíam saúde da mulher, medicina terapêutica, medicina comunitária, saúde pública e global. Entre esses periódicos, apenas um concentrava estudos realizados em uma localização específica, ou seja, na África, enquanto os demais apresentavam estudos em nível internacional.
Após a sistematização dos dados, foram extraídas as seguintes informações, autores/ano e local do estudo, objetivo do estudo/ amostra (n) e principais resultados, descritos em dois quadros: o Quadro 1, apresentando 10 estudos de natureza quantitativa, e o Quadro 2, compondo sete estudos mistos ou de natureza qualitativa, conforme detalhado abaixo.
Quadro 1- Caracterização dos artigos de estudos quantitativos incluídos na revisão integrativa sobre impactos e desafios da gestão menstrual para as mulheres. Três Lagoas, Mato Grosso do Sul, Brasil, 2024

Quadro 2- Caracterização dos artigos de estudos mistos ou qualitativos incluídos na revisão integrativa sobre impactos e desafios da gestão menstrual para as mulheres. Três Lagoas, Mato Grosso do Sul, Brasil, 2024

Fonte: Elaboração própria.
Ao caracterizar os artigos analisados, cinco temas cruciais emergiram na discussão sobre os desafios relacionados à menstruação e sua gestão. Esses temas estão interconectados e desempenham um papel fundamental na compreensão dos obstáculos enfrentados pelas populações estudadas frente a gestão menstrual, sendo representados na Figura 1.
Figura 1- Infográfico dos temas conectados com a gestão menstrual da população dos estudos analisados. Três Lagoas, MS, Brasil, 2024

Fonte: Elaboração própria.
A partir dos estudos analisados, observa-se uma série de desafios que meninas e mulheres enfrentam no manejo da gestão menstrual, os quais envolvem mais do que questões práticas, como acesso a produtos adequados e infraestrutura sanitária. Eles abrangem também crenças culturais enraizadas e restrições sociais que impactam significativamente a forma como as pessoas vivenciam e enfrentam a menstruação.6
As crenças culturais e sociais desempenham papel importante na forma como a menstruação é percebida e vivenciada. A associação da menstruação com impureza, maldição ou tabu é comum em várias culturas, como observado em estudos realizados na Índia, Paquistão, Nepal e Etiópia. Essas crenças levam a práticas restritivas, como a proibição em cozinhar, compartilhar refeições com familiares na mesma mesa, consumir determinados tipos de alimentos e participar de reuniões familiares, bem como frequentar locais de culto ou praticar quaisquer atividades religiosas durante esse período.12-14
A religião pode influenciar as decisões relacionadas à saúde ginecológica, demonstrando uma forte correlação entre as crenças religiosas e comportamentos de cuidados de saúde.3,17,28 As diferentes religiões, como Hindu, Muçulmana, Cristianismo, Islamismo, religião tradicional africana, Catolicismo e Budismo mencionadas nos estudos analisados, tiveram impacto na gestão menstrual das mulheres e meninas.6,14,30 Algumas atividades como purificar a cozinha, a cama, os lençóis ou outros utensílios domésticos durante a menstruação também foram mencionados.13
A falta de educação menstrual adequada e a conscientização sobre saúde menstrual também contribuem para os desafios enfrentados pelas mulheres e meninas. Em algumas comunidades descritas pelos estudos, a menstruação é percebida como uma maldição de Deus, um fenômeno venenoso, impuro, sujo, incômodo e até vergonhoso.12,13,15,24,31
Embora a maioria das meninas receba informações sobre menstruação, principalmente de seus pais ou responsáveis, ainda assim observa-se uma parcela que não possui conhecimento menstrual antes da menarca.21,27 Ademais, muitas vezes, as informações disponíveis são imprecisas, estigmatizadas ou insuficientes, o que pode levar a práticas prejudiciais e à perpetuação de mitos e tabus em torno da menstruação.17
Diversos autores apontam as mães como a principal fonte de informação sobre menstruação antes da menarca.13,16,25,26 Isso ressalta a importância do papel materno na educação menstrual, o que é crucial para garantir práticas seguras e saudáveis durante a menstruação. Pesquisas apontam que meninas adolescentes que têm conversas abertas sobre menstruação com suas mães tendem a se sentir mais preparadas para vivenciar esse período.17,28
O acesso limitado a produtos de higiene menstrual adequados é um problema recorrente em muitas partes do mundo. Dentre os estudos selecionados, foi observado que os absorventes descartáveis são amplamente preferidos pelas mulheres, com uma taxa de adoção variando de 45% a 96,9%.12,14,21,30 Entretanto, outros estudos como os de Mudi, Pradhan e Meyer e Mohammed e colaboradores, destacam que uma parcela considerável de mulheres ainda utiliza outros tipos de materiais, como panos de tecido ou roupas usadas, devido à falta de acesso ou ao alto custo dos absorventes descartáveis.14,27 Essa prática não só aumenta o risco de infecções e complicações de saúde, mas também contribui para a estigmatização e a exclusão social das mulheres durante a menstruação.21,25
Entre os estudos analisados, destacam-se desafios relacionados à infraestrutura sanitária em diversos contextos, incluindo escolas, locais de trabalho e até mesmo prisões. Esses desafios têm impacto direto na saúde, bem-estar e participação plena das pessoas na educação e na força de trabalho.19,31 No entanto, o estudo conduzido por Emanuel e Yawson em Gana, com estudantes escolares, apresentou uma descoberta significativa: a maioria das meninas tinha acesso a um banheiro privativo e água para higiene pessoal, diferenciando-se de outros estudos onde a escassez de água e o desconforto nas instalações sanitárias eram predominantes.18,19,25-27
A situação se agrava quando consideramos que, devido à falta de instalações adequadas para descarte e troca, meninas e mulheres prolongam o uso de absorventes além do recomendado, enfrentando dificuldades para manter uma higiene adequada.18,25,26 No caso de mulheres encarceradas, a situação é ainda mais crítica, com falta de privacidade, instalações sanitárias precárias e escassez de água, levando-as a recorrer à água contaminada do rio para higiene pessoal quando não há água limpa disponível.19
Desde o aumento do risco de infecções e complicações de saúde até o estresse emocional causado pela estigmatização e exclusão social, os desafios enfrentados durante a menstruação podem ter consequências duradouras para o bem-estar geral das mulheres e meninas.18,27 O estudo de Mulugeta et al. identificou que 13,17% das meninas desenvolveram infecções vaginais durante a menarca, enquanto apenas 9,12% receberam informações sobre menstruação antes desse período.23 Por sua vez, Hassan e colaboradores observaram corrimento vaginal incomum, inflamação e erupções vaginais em 30,5% das meninas sem informações prévias.22 Outros estudos corroboram essas descobertas, destacando infecções do trato reprodutivo e erupções cutâneas na região pubiana devido a práticas inadequadas de higiene íntima.19,21
Os sintomas enfrentados por meninas e mulheres durante a menstruação abrangem uma ampla gama de experiências. Segundo Hennegan et al., mulheres frequentemente descrevem dores intensas, mudanças de humor, fraqueza e cansaço durante esse período.31 No estudo de Mohammed et al., 98,3% das meninas relataram dor menstrual, enquanto 85% expressaram preocupação com vazamentos e 14,5% mencionaram inflamação vaginal.27 A dismenorreia emerge como um sintoma principal comum relatado pelas participantes dos estudos selecionados, destacando-se como um dos principais desafios na gestão menstrual.12,18,25,29,30
O absenteísmo escolar, foi relatado por 28,1% das meninas no estudo de Deepa e colaboradores, sendo influenciado por diversos fatores, incluindo dores abdominais, medo do odor, preocupação em manchar as roupas, falta de métodos adequados de descarte e restrições tradicionais.12 A redução da mobilidade e do conforto, afetando atividades cotidianas como se sentar, caminhar e andar de bicicleta, também é uma consequência relatada pelas participantes em um dos estudos.30
No ambiente de trabalho, as mulheres também enfrentam desafios devido à menstruação. A menstruação pode levar a ausências ou redução de tarefas no trabalho, com a infraestrutura do local de trabalho desempenhando um papel importante na experiência menstrual das mulheres.31 Além disso, meninas e mulheres enfrentam ausências na escola e na universidade devido à menstruação. Crankshaw et al. relataram que 26,1% das meninas faltaram à escola devido à menstruação, enquanto Kpodo et al. encontraram uma taxa de 13,9% de falta na universidade por esse motivo.26,27
A falta escolar durante a menstruação está diretamente relacionada à gravidade dos sintomas menstruais, meninas com sintomas mais graves, como dores abdominais e de cabeça intensa, tendem a faltar mais à escola.27 Além disso, a falta de acesso a produtos menstruais adequados também contribui para o absenteísmo escolar durante este período.32 Por outro lado, meninas que têm acesso a produtos menstruais adequados e instalações de saneamento têm maior probabilidade de frequentar a escola regularmente e ter um desempenho acadêmico melhor.6
Os desafios enfrentados por meninas e mulheres na gestão menstrual demandam uma abordagem que vai além das questões práticas, como acesso a produtos adequados e infraestrutura sanitária.33 É essencial também abordar as crenças culturais e as restrições sociais que perpetuam o estigma em torno da menstruação. Essa abordagem holística é fundamental para promover melhor compreensão sobre a menstruação, permitindo que mulheres e meninas vivenciem esse aspecto natural de suas vidas com dignidade e respeito.34
Os programas de educação menstrual que abordem aspectos biológicos, sociais e culturais da menstruação são de extrema importância e devem envolver não apenas as meninas, mas também os meninos, pais, professores, mulheres adultas e membros da comunidade para promover uma compreensão holística e sem tabus da menstruação.6 Conversas abertas sobre menstruação em famílias, escolas e comunidades são essenciais para eliminar o tabu e promover uma cultura de aceitação e apoio.
A abordagem da menstruação como evento natural enfrenta barreiras, perpetuando estigma e impactando negativamente a participação comunitária e a equidade de gênero.34 Neste contexto, é crucial reconhecer o papel fundamental dos profissionais de saúde no enfrentamento da pobreza menstrual. A capacitação dos profissionais de saúde é essencial para lidar com a gestão menstrual e oferecer suporte adequado aos usuários de saúde nessa questão.5 Eles precisam ser sensibilizados e preparados para abordar esse tema de forma adequada, integrando-o aos cuidados de saúde preventivos e promovendo ações para mitigar os impactos da pobreza menstrual na saúde e bem-estar das mulheres e meninas.
Aponta-se como limitação desta revisão sistemática a não utilização de termos específicos para inclusão do público transgênero na estratégia de busca. Entretanto, caso fossem encontrados artigos que abordassem esta temática, esse não seria considerado um critério de exclusão. Outra limitação identificada está relacionada à distribuição geográfica dos estudos incluídos. A maioria das pesquisas analisadas foi conduzida em regiões de países subdesenvolvidos, limitando a generalização dos resultados para outras realidades geográficas e culturais. Além disso, poucos estudos foram realizados em países desenvolvidos, e estes não abordavam a temática específica desta revisão.
É importante notar que as publicações analisadas nesta revisão se concentraram em cenários internacionais, com destaque para países africanos e asiáticos. Isso ressalta a necessidade urgente de realizar mais pesquisas em outras localidades, incluindo o Brasil, a fim de obter uma compreensão abrangente dos desafios e impactos da gestão menstrual em contextos diversos e possibilitar o desenvolvimento de intervenções e políticas mais direcionadas e eficazes.
Apesar dessas limitações, é válido ressaltar que o estudo apresenta uma metodologia robusta, seguindo as etapas recomendadas para revisões de literatura. Isso aumenta a confiabilidade e a replicabilidade dos resultados. A inclusão de múltiplas fontes na busca bibliográfica, juntamente com o uso de descritores amplos, contribuiu para aumentar a probabilidade de identificar estudos relevantes sobre o tema, oferecendo uma visão abrangente dos desafios na gestão menstrual. Ademais, a síntese e categorização dos resultados dos estudos incluídos foram pontos positivos, destacando temas cruciais relacionados aos desafios enfrentados na gestão menstrual e facilitando a compreensão e interpretação das informações apresentadas nos artigos pesquisados.
A revisão bibliográfica realizada neste estudo abordou de forma abrangente os principais desafios e impactos enfrentados na gestão menstrual, cumprindo seu objetivo. Os resultados destacaram cinco temas cruciais que emergiram na discussão sobre os desafios relacionados à menstruação: Barreiras Culturais e Sociais, Acesso a Produtos de Higiene Menstrual, Infraestrutura e Ambientes Adequados, Educação e Conscientização, e Impacto na Saúde e Bem-Estar.
As barreiras culturais e sociais, combinadas com a falta de educação menstrual, contribuem para a estigmatização e exclusão das mulheres e meninas durante o período menstrual, além das questões práticas, como acesso a produtos adequados e infraestrutura sanitária. A falta de acesso adequado a produtos de higiene menstrual e infraestrutura sanitária afeta negativamente a saúde da mulher, bem-estar e participação em atividades educacionais e laborais. Os sintomas menstruais, como dores intensas e mudanças de humor, também exercem um impacto significativo na vida diária das mulheres, levando ao absenteísmo escolar e no trabalho.
Os profissionais de saúde podem desempenhar um papel crucial frente à gestão menstrual, por meio de iniciativas educativas e sociais voltadas para a disseminação de informações sobre saúde menstrual, autocuidado e normalização do ciclo menstrual. Portanto, é de extrema importância reconhecer e abordar essas questões para promover um ambiente mais inclusivo e saudável para mulheres e meninas, além de orientar o desenvolvimento de intervenções e políticas públicas eficazes no enfrentamento dos desafios relacionados à gestão menstrual.
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