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Recepção: 10 Dezembro 2021
Aprovação: 21 Maio 2022
Publicado: 04 Julho 2022
DOI: https://doi.org/10.5335/hdtv.22n.2.13238
Resumo: A proposta deste artigo é refletir sobre uma experiência específica de ensino online de cursos livres sobre a história e temas correntes do Oriente Médio, para um público brasileiro, em tempos da crise sanitária da Covid-19. Entende-se a experiência do Grupo de Estudos e Pesquisa sobre o Oriente Médio (GEPOM) como um exercício de História Pública e de História Global, apresentando reflexões nesse sentido, e avalia-se brevemente as reações dos alunos - de diversos backgrounds e de diversos lugares do Brasil e do mundo - a respeito da experiência.
Palavras-chave: História do Oriente Médio, História Global, Pandemia..
Abstract: This article aims to reflect on a specific experience of teaching open online courses on the history and current affairs of the Middle East, to a Brazilian audience, in times of the Covid-19 health crisis. The experience of the Study and Research Group on the Middle East (GEPOM) is understood as an exercise in Public History and Global History, and reflections in this sense are presented. The feedback of the students - from different backgrounds and from diverse places in Brazil and abroad - regarding this experience is also briefly evaluated.
Keywords: Global History, Middle East History, Pandemic..
Resumen: El proposito de este artículo es reflexionar sobre uma experiencia específica de impartir em línea para una audiencia brasileña cursos abiertos sobre la historia y temas actuales de Oriente Medio, em tiempos de la crise de salud em Covid-19. La experiencia del Grupo de Estudios e Investigación sobre el Médio-Oriente (GEPOM) es entendida como un ejercicio de Historia Pública e Historia Global, presentando reflexiones em este sentido, y se evalúan brevemente las reacciones de los estudiantes - de diferentes orígenes y de diferentes lugares de Brasil y del mundo - respecto a la experiencia.
Palabras clave: Historia del Medio Oriente, Historia Global, Pandemia..
Introdução
A humanidade enfrenta desde 2019 uma crise global expressa na pandemia da Covid-19. Crise que nos permite ver quão avançada e coordenada é a ciência global, expressa na rapidez em que se identificou o vírus, indicou formas de evitar contaminação e se elaborou várias vacinas. Crise que também deixa claro o fracasso político mundial, sem articulação ampla no enfrentamento ao vírus, em especial no que diz respeito ao Sul Global. A pandemia acelera mudanças, sobretudo a transição digital, que moldará o mundo daqui para frente (HARARI, 2020). E se em pandemias passadas, como da Gripe Espanhola, não havia jeito a não ser suspender as aulas, desde 2020 migrou-se em massa para o meio digital, do ensino elementar ao universitário. Popularizaram-se também diversas iniciativas de cursos livres online para todos os públicos e gostos. O intuito aqui é justamente tratar de uma experiência de cursos livres sobre a história e temas correntes do Oriente Médio, de março de 2020 a novembro de 2021, através do Grupo de Estudos e Pesquisa sobre o Oriente Médio, o GEPOM. Entende-se essa experiência no contexto da consolidação dos Estudos de Oriente Médio no Brasil, e também como um exercício tanto de História Pública como de História Global.
Já circulam reflexões sobre desafios e vantagens da modalidade de ensino remoto no âmbito de instituições acadêmicas. Yuval Noah Harari, professor de História da Universidade Hebraica de Jerusalém, por exemplo, ressalta como desafio a questão do status dos professores uma vez que a possibilidade de gravação de suas aulas pode ser usada por instituições de ensino de modo a não precisar de seus serviços recorrentes, precarizando o trabalho. Como vantagem ele fala da possibilidade de debate em grupos mais efetiva em salas virtuaisii. Estudantes de várias universidades estadunidenses deram depoimentos ao jornal New York Times sobre o estudo remoto. Muitos falaram sobre as dificuldades de focar nas aulas e atividades, frente a tantas distrações e falta de estrutura em suas residências, bem como as inseguranças econômicas e mesmo alimentares. Para alguns, havia a vantagem da possibilidade de seguirem acompanhando mesmo no exterior seus cursos, mas que por sua vez, trazia a questão por vezes de fuso-horários bem diferentes, forçando estudos de madrugada, por exemploiii.
No que diz respeito ao ensino sobre o Oriente Médio no Brasil, e sua história em particular, Murilo Sebe Bon Meihy publicou reflexão em 2014 a esse respeito. Partindo de “intérpretes do Brasil”, passando pelo papel do ensino de língua árabe, pelos estudos das imigrações de médio-orientais para cidades brasileiras e crescente inserção dos imigrantes, pelo aumento de interesse nos conflitos da região sobretudo a partir da guerra civil-libanesa, chegava-se a uma maior diversidade de reflexões do que chama de “estudos árabes e islâmicos no Brasil”. Meihy ressaltava o grande foco dos estudos se darem em São Paulo e Rio de Janeiro e no fato de em grande medida as iniciativas dos pesquisadores acontecerem de maneira individual, sem apoio oficial.
De fato, São Paulo e Rio de Janeiro se mantêm importantes centros de estudos e ensino sobre questões do Oriente Médio no Brasil, tendo a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Federal Fluminense (UFF), sobretudo através do Núcleo de Estudos sobre o Oriente Médio (NEOM), os principais centros. Ampliam-se, porém, as iniciativas acadêmicas mais descentralizadas, com grupos, núcleos e centros de estudos sobre o Oriente Médio em instituições como a Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG), na Universidade Federal de Uberlândia (UFU), e na Universidade Federal de Sergipe (UFS)iv.
Recentemente, Arlene Clemesha e Silvia Ferabolli (2020), professoras respectivamente da USP e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), compartilharam suas experiências ministrando cursos sobre Oriente Médio para alunos de graduação e pós-graduação. Tratou-se ali, sobretudo, de experincias em ambiente acadêmico, em que se percebeu diferenças em alunos ainda na fase inicial de formação e em etapas mais adiantadas e a visão ainda comum de muitos em olhar a região a partir da perspectiva dos conflitos fortemente influenciada por uma literatura de segurança norte-americana. As professoras trataram, entre outros temas, da trajetória comum de lutarem contra o eurocentrismo ainda vigente nos poucos estudos de Oriente Médio e da importância do domínio de idiomas e de vivência na região, apesar dos pouquíssimos incentivos oficiais para tanto.
Tendo como pano de fundo essa inflexão que aparentemente vivemos na história global com a pandemia corrente e os desafios e oportunidades que a transição digital traz é que proponho aqui compartilhar uma experiência específica de ensino online sobre a História do Oriente Médio de março de 2020 a novembro de 2021. Trata-se, portanto de experiência bem recente e o artigo se pauta em observação participante e pesquisa qualitativa a partir de feedback de alunos nas partes iniciais. Ele está dividido em três partes, tratando primeiro da criação e atividades do GEPOM em geral, num contexto mais amplo dos estudos de Oriente Médio no Brasil. Em uma segunda parte se traçará um breve perfil dos alunos e suas reações às atividades do grupo. Por fim, no item 3 propõe-se uma reflexão sobre em que medida suas atividades também podem ser entendidas como uma interseção entre História Pública e História Global.
1 - O Grupo de Estudos e Pesquisa sobre o Oriente Médio (GEPOM)
Como pontuado por Murilo Meihy (2014), em especial a partir de 2011, tendo a chamada Primavera Árabe como pano de fundo, cresceram atividades sobre o Oriente Médio fora dos muros da academia no Brasil. Meihy trata especificamente das atividades que coorganizou então na Fundação Casa de Rui Barbosa, no Rio de Janeiro, e diz textualmente que “pode ser considerado um importante passo inicial na institucionalização dos estudos árabes e islâmicos fora das universidades brasileiras” (MEIHY, 2014, p. 28).
Em 2014, mesmo ano em que publicava o artigo na revista portuguesa Hamsa, o mesmo Murilo Meihy, em parceria com Monique Sochaczewski, então pós-doutoranda no Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil, da Fundação Getulio Vargas (CPDOC-FGV), organizou a primeira edição do “Seminário Estudos de Oriente Médio a partir do Brasil”. Foram realizadas três edições no Centro Cultural da Justiça Federal, no Centro do Rio de Janeiro, a partir de concorrência via edital aberto ao grande público, e uma edição na Universidade Petrobras, na Cidade Novav, a partir de contato com profissionais da empresa de petróleo visando maior espaço físico para o grande público interessado. Para Paulo Gabriel Hilu da Rocha Pinto, os seminários em questão tiveram papel muito importante no processo de consolidação do campo de Estudos de Oriente Médio no Brasil por dois motivos:
1) Porque eram multidisciplinares, com profissionais de Relações Internacionais, História e Antropologia, criando arena de troca interdisciplinar importante para os Estudos de Área; 2) Porque os trabalhos apresentados eram baseados em pesquisa empírica, guardadas as características de cada área. Colocou-se a pesquisa como condição sine qua non para se poder falar do tema Oriente Médio, para produzir conhecimento empiricamente comprovado e para colocar questões teóricas, embora essas últimas tenham ficado em segundo plano.vi
Em dezembro de 2015, as antropólogas Liza Dumovich e Ana Maria Raiteparvar e o designer Diego Torrão criaram a Revista Diáspora, “uma e-zine que produz, traduz, publica e divulga gratuitamente informações científicas, além de outros conteúdos, sobre o Oriente Médio e Norte da África e suas diásporas para o público em geral”. A revista contou com colunas fixas de acadêmicos reconhecidos da área, além de artigos livres, depoimentos e entrevistas. Um podcast chamado “Narrativas em movimento” foi também criado por integrantes da revista. Ao que tudo indica, em 2021 as atividades da revista têm se dado mais no meio de redes sociais, com ações pontuais, mas ela ainda segue existindo.
Em 2016, nascia também a revista a Ipsis Libanis. Ela chegou a ter seis edições, sob coordenação do Instituto de Cultura Brasil Líbano, do Rio de Janeiro, e tinha por objetivo debater temas ligados à cultura, história, literatura e assuntos relacionados a humanidades do Mundo Árabe. A editoria ficou a cargo da doutora em Teoria Literária pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Muna Omran, que trazia na bagagem sua experiência, desde 2009, na organização e edição dos “Dossiês do Oriente Médio” na Revista Litteris, reconhecida e qualificada pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).
Ainda pontuando atividades sobre o Oriente Médio, sobretudo cursos, fora do meio acadêmico vale ressaltar uma série de atividades realizadas na Casa do Saber, em especial do Rio de Janeiro, e no Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI). A Casa do Saber passou por recente reestruturação em 2021, tornando-se totalmente online, mas até recentemente era possível verificar em seu portal lista de aulas abertas, debates e cursos pagos sobre temas como cidades do Oriente Médio, história de sultões otomanos, e questões ligadas ao conflito israelo-palestino. Paulo Gabriel Hilu da Rocha Pinto, Monique Sochaczewski, Paula Sandrin, Muna Omran e Tanguy Baghdadi foram alguns de seus professores. Os jornalistas com vivência no Oriente Médio Guga Chacra e Klester Cavalcanti também participaram de atividades ali.
No caso do CEBRI, em 2018, após a bem-sucedida experiência meses antes do curso “Conhecendo a China”, foi organizado o curso “Conhecendo o Oriente Médio”vii. No âmbito desse think tank, cujo objetivo é influenciar tomadores de decisão sobre a inserção do Brasil no mundo, o intuito foi tratar de aspectos sociais e culturais bem como de segurança e defesa, de petróleo e geopolítica, diplomacia e economia. O público era de servidores públicos, executivos, diplomatas, além de estudantes em diversas fases de formação. Contou-se com a participação de professores consagrados como Jorge Lasmar (PUC-MG) e Guilherme Casarões (FGV-SP), mas também com perspectivas mais práticas como do advogado Fabio Figueira, sobre finanças islâmicas, do economista Najad Khouri, sobre geopolítica do petróleo, e do diplomata Felipe Hadock Lobo Goulart, sobre política externa brasileira.
A criação do GEPOM em abril de 2020 não se deu em um vácuo, portanto. Vem de um desenvolvimento de várias atividades de acadêmicos com sólida formação para fora da academia, bem como da troca com profissionais variados com vivência - e pesquisa - na região. A reunião realizada no CEBRI em 19 de fevereiro de 2020 com o embaixador Hermano Telles Ribeiro, então já apontado para a embaixada do Brasil no Líbano, mas ainda à espera de sabatina no Senado Federal, pode ser entendida de certa maneira como uma prévia do grupo. A pedido do embaixador em questão, foi organizado por Monique Sochaczewski, então Coordenadora Acadêmica e de Projetos do CEBRI, uma reunião com Paulo Gabriel Hilu da Rocha Pinto, Muna Omran e Najad Khouri para tratar da história das relações Brasil-Oriente Médio, Líbano em particular, e sobre articulações acadêmico-culturais do Brasil com a regiãoviii.
Um segundo ponto importante se deu em março de 2020, logo no início dos efeitos da pandemia no Brasil, quando a mesma Monique Sochaczewski converteu para o meio virtual e para somente quatro encontros seu grupo de estudos sobre História do Império Otomanoix. Contando com o economista Najad Khouri e a culturalista Muna Omran como alunos nessa primeira turma, os três profissionais decidiram que valia a pena juntar forças e criar um coletivo dedicado à pesquisa e ao ensino online sobre o Oriente Médio, e isso de fato se deu em abril de 2020. O curso sobre História do Império Otomano fez enorme sucesso demandando a abertura de diversas turmas nos meses subsequentes. Muna Omran de imediato adaptou para o meio virtual seu curso “Além das Mil e uma Noites” e Najad Khouri, com o apoio de Monique, elaborou o curso “Arábia Saudita e Irã”.
A partir de divulgação caseira nas redes sociais dos fundadores, de boca a boca entre os alunos, de matérias orgânicas publicadas em periódicos como O Globo e Folha de São Paulo, além de apoio institucional do CEBRI, o grupo foi se consolidando. Ao longo dos meses subsequentes, Monique Sochaczewski ministrou ainda cursos como “Recortes Otomanos”, “Mulheres e Império Otomano”, “Israel e Palestina”, “Recortes Israelenses”, “Sobre os Curdos”, “Terrorismo através da História”, “O Café e o Oriente” e “Historiadores Israelenses Contemporâneos: Yuval Noah Harari”. Muna Omran, por sua vez, lecionou “Recortes Femininos no Mundo Árabe”, “Diáspora Árabe e Literatura Brasileira”, “Líbano Contemporâneo”, “Cidades Árabes”, “Arte, Cultura e Resistência na Palestina”, entre outros. Já Najad Khouri acrescentou “Geopolítica do Petróleo” e “Esplendor dos Tapetes Orientais” ao seu portfóliox.
Os pesquisadores fundadores também ministraram cursos conjuntamente, como foi o caso de Monique Sochaczewski e Muna Omran com “Escritores do Oriente Médio”, “Escritoras do Oriente Médio”, e “Imagens do Oriente”. E com o tempo, novos pesquisadores-professores se uniram ao grupo, nominalmente os historiadores Heitor Loureiro e Andrew Traumannxi. Loureiro tem ministrado os cursos “Armênios: do Império Otomano à Diáspora”, “Recortes Armênios” e “Cidades em Disputa”. Traumann, por sua vez, leciona “Relações Brasil-Oriente Médio”, “Irã: História e Cinema”, “Islã Medieval” e “A questão dos refugiados e o Direito Internacional”.
Ao longo de 2021 o GEPOM contou com a internacionalista especializada em mediação cultural no Mediterrâneo Natália Gondim como pesquisadora visitante e o grupo se completou com o estudante de graduação em Relações Internacionais pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), Luis Felipe Herdy, como pesquisador júnior, ajudando na gestão de todo o trabalho do GEPOM. Desde o início os integrantes tem sido convidados para intervenções na mídia para tratar de temas da região, e crescentemente alunos vem incluindo temas tratados no GEPOM em seus trabalhos de conclusão, dissertações e teses, convidando os professores para suas bancas. Foi o caso, por exemplo, de Alaor Souza Oliveira, com a monografia “Pela defesa dos interesses otomanos: La Jeune Turquie, o Império Otomano e as Guerras dos Bálcãs (1912-1913)”, defendida em setembro de 2021 na Graduação em História da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Todos os professores-pesquisadores passaram a ministrar cursos próprios ou com outros parceiros do GEPOM, ou mesmo de fora, normalmente com quatro encontros de uma hora e meia. Passou-se também a oferecer lives mensais com renomados convidados para tratar de questões conjunturais da região. Entre os temas tratados estiveram a explosão no porto de Beirute, a normalização das relações de Israel com países do Golfo Pérsico, a nova rodada de conflito entre israelenses e palestinos em 2021, e a situação dos refugiados na região. E cresce o número de atividades culturais através do “GEPOM nas Artes”, iniciativa de Muna Omran, que tem contado em 2021 com apresentações musicais, artísticas e mesmo de peças inteiras, como foi o caso recente de “Eu matei Sherazade”, de Carol Chalita, inspirada no livro homônimo da libanesa Joumana Haddad. Foi ainda criado o periódico “GEPOM em Revista”, reconhecido com ISSN pela CAPES, e em vias de publicar seu terceiro número.
2 - Sobre o alcance do GEPOM
Como dito, divulgando de maneira caseira por redes sociais, e por vezes contando com divulgação espontânea na grande mídia, contou-se com centenas de alunos no Brasil e no mundo todo ao longo de quase dois anos de atividades. Há alunos das Américas oriundos da Argentina, Colômbia, México e Estados Unidos. Da Europa, conectam-se de Portugal, Espanha, Inglaterra, Irlanda, Alemanha, França, Itália, Suíça e Suécia. Na África contou-se com alunos em Moçambique e Sudão, e na Ásia, além de Líbano, Israel, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Turquia, tiveram também alunos residentes na China. São na quase totalidade brasileiros residentes no exterior de forma definitiva ou estudando e trabalhando lá fora, tendo em alguns casos estrangeiros também, mas que dominam o português porque leciona-se nesse idioma. No Brasil os alunos vêm de praticamente todos os estados da federação.
Os perfis são muito variados. Desde estudantes de graduação (a maioria de História, Relações Internacionais, Direito e Comunicação Social) e mesmo Ensino Médio, a estudantes de pós-graduações e mesmo professores catedráticos de instituições renomadas como USP, Universidade de Brasília (UnB) e UFMG. Há ainda CACDistas (Candidatos à Carreira Diplomática), diplomatas em diversos estágios da carreira, embaixadores da ativa e aposentados. Muitos são ainda militares, jornalistas, executivos (mesmo CEOs), funcionários públicos e profissionais de diversas áreas do Direito, e aposentados, leitores apaixonados, ou viajantes saudosos de passear pelo mundo. Há os que chegaram influenciados por séries e novelas de sucesso em plataformas de streaming, sobretudo as turcas Ertuğrul e 8 em Istambul disponíveis na Netflix. Outros se aproximaram por profundo amor a leitura ou ainda por entenderem nos cursos formas de viajar quando não se podia nem sair de casa. A quase totalidade fez mais de um curso oferecido. Vários fizeram todos os cursos e são assíduos nas lives e demais atividades dos integrantes para além do GEPOM.
Desde o início dos cursos, inspirados por prática das atividades da Fundação Konrad Adenauer em suas atividades no Brasil, passou-se a enviar formulários de monitoramento dos alunos visando ter feedback e alguma noção de quem eram e o que mais especificamente queriam. O objetivo era entender o que levava pessoas num momento complicado da pandemia estudar tema árido como História do Oriente Médio. Além disso, como organizadores, também havia o interesse em saber a opinião dos alunos sobre o formato dos cursos, uma vez que se havia criado uma espécie de padrão com a abertura das salas virtuais meia hora antes da aula justamente para momento descontraído de conversa não necessariamente ligada ao curso; começo em horário pontual, seguido por uma hora de exposição de conteúdo na Plataforma Zoom com apresentação de PowerPoint; cerca de meia hora para perguntas e respostas então para encerrar a aula. Por vezes é indicada leitura prévia de texto ou que assistam algum filme, documentário, TED Talk ou clipe de música. Sempre se compartilha os Powerpoints após as aulas e se enviava as gravações para os que não puderam assistir a aula ao vivo. Com o tempo passou-se a enviar as gravações para todos os alunos mesmo os presentes e criaram-se normas de convivência como: todos de microfone desligados durante a parte expositiva e com vídeos fechados para os que estivessem em movimento.
Uma das hipóteses para o amplo interesse dos alunos nos cursos era que de um lado seria por questões familiares de ancestralidade árabe, judaica, armênia ou drusa (temas tratados em alguns dos cursos e de aberta ancestralidade de vários inscritos). Por outro lado, havia também a suposição de que o interesse dos alunos pelo Oriente Médio seria de cunho profissional, na medida em que havia diplomatas, pesquisadores, militares entre os participantes, informações colhidas nos bate papos informais que antecedem cada aula e nos momentos de inscrição nos cursos. Além disso, estariam os alunos que buscavam os cursos do GEPOM também motivados pela “História Global”, particularmente pela história do Oriente Médio? Com esse objetivo, foi realizado um levantamento junto aos alunos do GEPOM obedecendo a um critério: que tivessem realizado mais de um curso. Há uma pesquisa qualitativa em curso mais aprofundada liderada pela socióloga Maria Luísa Sá Earp, aluna de diversos cursos do GEPOM praticamente desde seu início. Compartilha-se aqui, porém, algumas reflexões preliminares dignas de nota.
Foi enviado questionário por e-mail para cerca de 30 alunos com as seguintes questões - 1) Por que razão se interessaram pelos cursos de História do Oriente Médio? 2) Quais as vantagens de estudar à distância sobre tal tema? E as desvantagens? 3) Do método criado - abertura mais cedo da sala para conversas gerais, apresentação expositiva de cerca de uma hora acompanhada com PowerPoint, e período ao final para perguntas e respostas, além de compartilhamento do material - o que destaca como positivo e o que poderia melhorar? 4) Comentários livres.
Para a primeira questão surgiram respostas por razões profissionais, como a seguinte: “Estudo migrações forçadas e refúgio e entender um pouco mais dessa região é importante para minhas pesquisas, aulas e projetos”. Outros explicaram seus interesses por razões pessoais, como mera curiosidade: “Por se tratar de área cujo conhecimento é absolutamente rasteiro e com enfoque único, veio a curiosidade de me aprofundar e ter um ponto de vista próprio dissociado daquele fornecido por séries e filmes”. O profundo interesse na História apareceu em várias respostas também, em especial a História do Oriente Médio: “Primeiramente me interesso por História, sobretudo dos países mais distantes do nosso viés ocidental”; “História é uma paixão antiga e cultivada desde jovem”; “A pouca atenção conferida ao Oriente Médio nas esferas de ensino do Brasil faz com que a busca de conhecimento a seu respeito faça-se uma quase obrigação.” E por fim, razões acadêmicas também figuraram entre as razões, como vê-se no seguinte fragmento: “Entender um pouco mais dessa região é importante para minhas pesquisas, aulas e projetos.” A tal da ancestralidade praticamente não apareceu como razão de fazerem os cursos, portanto.
A respeito das vantagens e desvantagens de se estudar remotamente, vários alunos ressaltaram a vantagem de poder estudar de qualquer lugar do Brasil e do exterior estando “em qualquer lugar e, principalmente, não precisar se deslocar”, e de “reunir pessoas de diferentes partes do mundo em uma aula ao vivo”. O fato de serem indicados materiais complementares como vídeos, filmes e livros foi elogiado até por permitir “continuar seus estudos através da sua própria pesquisa e leituras”.
Sobre o método de ensino do GEPOM, há depoimento elogiando a abertura da sala virtual mais cedo dizendo gerar “clima gostoso, descontraído, de bate-papo no corredor, na porta da sala, que aproxima e ao mesmo tempo já mata umas questões mais simples, que poderiam alongar desnecessariamente nas outras duas partes”, permitindo a troca entre os próprios alunos.
Na parte de comentários livres, alguns aproveitaram para elogiar o apoio dado pelo pesquisador júnior Luis Felipe Herdy, bem como perceberem que ele vivencia ali importante experiência para sua própria formação. Outros ressaltaram a importância dos cursos no contexto específico da pandemia: “durante esse período de pouca convivência social, está sendo muito enriquecedor conviver com o GEPOM e os diversos alunos, que possuem um nível bem elevado e várias profissões diferentes da minha”. Não foram poucos os que ressaltaram a importância de aliar como fio condutor “alegria, descontração e afeto - além do conteúdo, qualidade e seriedade”.
3 - Uma experiência de História Pública e História Global
A experiência do GEPOM pode ser entendida como uma interseção entre a História Pública e a História Global. A definição feita pelo blog History@Work do Conselho Nacional de História Pública dos Estados Unidos (NCPH), em tradução livre, é a de que a História Pública é aquela “descreve as muitas e diversas formas em que a história é posta no mundo. Nesse sentido, é a história aplicada aos assuntos do mundo real”xii. Em termos da abordagem intelectual, a teoria e a metodologia da História Pública se mantêm firmemente na disciplina da História e se baseia em trabalho acadêmico sério. A atividade no GEPOM pode então considerada História Pública porque se por um lado pauta a elaboração das aulas no rigor acadêmico - sempre apresentando minimamente debate teórico por trás, as fontes usadas e recomendando largamente bibliografia referendada - por outro busca sempre uma apresentação clara e acessível de modo que seja de fácil entendimento do público variado que atende.
Uma outra característica tida como mais comum dos historiadores públicos é o trabalho colaborativo. E no caso do GEPOM a colaboração se dá não só entre professores-pesquisadores integrantes do coletivo, como também com os alunos não raro gerando experiências de “histórias compartilhadas”. Não são poucas as “wiki-aulas”, forma como por vezes denominaram-se a construção colaborativa de conhecimento na parte final das aulas por conta dos muitos depoimentos enriquecedores de alunos ao conteúdo tratado. Em várias edições da aula única “O Café e o Oriente”, por exemplo, testemunhou-se alunos compartilhando suas experiências familiares ou in loco no Oriente Médio consumindo tal bebida. Uma aluna armênia nascida na Líbia mostrou os bules e xícaras específicos, bem como contou da tradição de sua família na leitura da borra do café. Outra compartilhou fotos e vídeos seus consumindo café no Líbano, Síria, Turquia e Curdistão iraquiano. Um terceiro, residente em Israel, contou a história do pé de café levado por seus ancestrais do Iêmen para a Palestina ainda sob domínio otomano. Não são poucos os diplomatas, jornalistas e trabalhadores humanitários que compartilham também suas experiências como testemunhas oculares de eventos importantes no Oriente Médio, tais como a Revolução Iraniana, conflitos recentes no Sudão, ou lida com refugiados da Síria e do Iraque.
A experiência do GEPOM pode ser também compreendida como uma atividade no âmbito da chamada História Global. Isso se dá porque segue o mote de tratar da história para além do Ocidente e do nacionalismo metodológico (GONDAR; RIZZO, 2019), apresentando, portanto, a história de região - o Oriente Médio - importante de se conhecer para melhor entendermos a história mais ampla, mas também a própria história do Brasil por conta da larga presença de imigrantes oriundos de lá em nosso tecido social (SOCHACZEWSKI, 2021).
Arlene Clemesha e Silvia Ferabolli (2020, p. 106) relatam o esforço por discutir a periodização eurocêntrica vigente, que divide a História em Antiga, Medieval, Moderna e Contemporânea ou em classificações relacionadas à modelos econômicos (feudalismo) e cultural (Renascimento), que não leva em consideração o que chamam de “história árabe”, mesmo excluindo-a. De fato, lecionar sobre a História do Oriente Médio no GEPOM, para público além do acadêmico, também inclui grandes desafios nesse sentido. O esforço, assim como das professoras da USP e da UFRGS, tem sido o de colocar a história eurocêntrica em perspectiva, indicando, por exemplo, que não só o chamado Renascimento como mesmo as Reformas Protestantes têm mais conexão com a história do Império Otomano do que se imagina.
Nos cursos que abordam a História do Império Otomano, por exemplo, têm-se buscado “provincializar” a Europa (CHAKRABARTY, 2000) aproveitado a oportunidade de colocar a história eurocêntrica em perspectiva fazendo uso de estudos de intelectuais consagrados em universidades ocidentais. Peter Burke, professor de história da Universidade de Cambridge e com fortes conexões com o Brasil atuando por um tempo como colunista do jornal Folha de São Paulo, tem sido mobilizado, por exemplo, ao indicar que durante o século XV as cidades-estados italianas, como Florença e Pádua acolheram professores refugiados do Império Bizantino. Mesmo antes da perda de Constantinopla para os otomanos, em 1453, muitos já passavam a ensinar a língua grega e “graças a estes refugiados, alguns estudiosos italianos puderam ler importantes textos gregos na língua original” (BURKE, 2008, p. 29). Essa troca entre cristianismo oriental e ocidental, com papel tão importante para o Renascimento, passa muitas vezes desapercebida em geral. E não raro, o público brasileiro entende como cristãos somente católicos e evangélicos.
Martin Puchner, professor de Literatura Comparada da Universidade de Harvard que se propôs a fazer uma espécie de história global da escrita, comparada por muitos ao livro “Sapiens” de Yuval Noah Harari, serve também de apoio em alguns cursos e reflexões. Em seu capítulo “Gutenberg, Lutero e o novo público da imprensa” de “O mundo da escrita” explica o impacto da perda cristã de Constantinopla para os otomanos ressaltando que além da questão da simbologia para sua fé, os comerciantes de Mainz se deparavam também com “súbita interrupção da rede de comércio que trazia do Oriente especiarias e ideias como papel e a impressão” (PUCHNER, 2019, p. 189). As ditas indulgências - forma criada pela Igreja Católica para levantar fundos para tentar retomar Constantinopla - foram impressas por Gutenberg, que também publicou então diversas obras anti-turcas. (PUCHNER, 2019, p. 190). A questão das indulgências estão por trás do racha na Igreja que levou ao surgimento do Protestantismo, e tem sua origem nas conexões com o Oriente.
Citar Peter Burke e Martin Puchner para mostrar as várias conexões existentes entre a tomada pelos otomanos de Constantinopla (e de mais territórios bizantinos) com o Renascimento e mesmo a Reforma na Europa é estratégica porque alunos os reconhecem como pesquisadores de renomadas instituições ocidentais. Apoiando-se em trabalhos como os deles, aos poucos, introduz-se acadêmicos nativos do Oriente Médio refletindo sobre sua própria história e atualidade, sobretudo na própria região, assim como fontes históricas importantes da região. Os relatos de viagem do “marroquino” Ibn Battuta (1304-1368) e do otomano Evlyia Çelebi (1611-c. 685) foram, por exemplo, tratados em detalhes em algumas aulas. Alguns dos estudos de Suraiya Faroqhi (2007) sobre a história otomana, bem como as análises do egípcio Abdel Monem Said Aly, do israelense Shai Feldman e do palestino Khalil Shikaki (2013) para o conflito israelo-palestino são alvo de atenção em debates. A busca por um olhar nativo e a apresentação de diversas narrativas, sobretudo para alguns dos temas conflituosos da região, mostra-se bastante enriquecedora.
Escritores médio-orientais com larga tradução para o inglês e crescente para o português também ajudam no esforço de apresentar a história do Oriente Médio. É o caso, por exemplo, de Orhan Pamuk, escritor nativo de Istambul e vencedor do prêmio Nobel de Literatura em 2006. No curso “Escritores do Oriente Médio”, há uma aula dedicada especificamente à sua vida e obra, e no curso “Recortes Otomanos”, a primeira aula, dedicada à história da cidade de Istambul é recheada de referências aos seus escritos, sobretudo ao livro Istambul: memória e cidade (PAMUK, 2007). Seu romance Meu nome é vermelho (PAMUK, 2004), porém, talvez seja um dos melhores instrumentos para inserir debates sobre a História Global. A própria forma de escrita do livro, mesclando o romance nos moldes ocidentais com o meddah, forma tradicional de contação de história turca, já é um importante ponto de partida. A história, passada no final do século XVI, gira em torno de um crime ocorrido entre miniaturistas em Istambul (então denominada Constantinopla), quando preparavam iluminuras para uma obra encomendada pelo sultão que representasse o poder e riqueza de seu império para ser presentado ao doge de Veneza. A história traz debates sobre as diferentes artes de então. Por um lado, as técnicas ocidentais florescentes justamente com o Renascimento. Por outro, reflexões sobre as miniaturas verbalizadas pelo personagem Tio Efêndi, relatavam que essas, além de dever à pintura persa, também se coloca em débito “com os chineses, por intermédio dos mongóis, e com os árabes” (PAMUK, 2004, p. 213).
Por fim, pode-se entender as atividades de ensino de História do Oriente Médio no âmbito do GEPOM como um esforço prático do que foi indicado por Dominic Sachsenmaier (2007) como a necessária busca de versões mais plurais e ecumênicas do passado. Sachsenmaier ressaltava as limitações do campo da História Global, considerando a concentração da produção ainda em grande medida restrita à Europa e Estados Unidos. Pontuava ainda que as regiões acadêmicas periféricas estavam pouco conectadas umas com as outras, e que o impacto da tecnologia ainda era insuficientemente explorado (SACHSENMAIER, 2007, p. 473). A seu ver, valia acompanhar o impacto da digitalização de fontes primárias e secundárias, como grande facilitadora do trabalho de acadêmicos cuja mobilidade ainda era limitada por razões financeiras, políticas ou pessoais (SACHSENMAIER 2007, p. 483). A internet parecia poder contribuir para diversificar a produção do conhecimento e acesso a fontes, como de fato pode se comprovar na experiência elencada aqui.
Para Sachsenmaier (2007, p. 488), uma história global ecumênica só pode ser concebível se houver uma comunidade acadêmica de fato ecumênica, sendo necessários passos concretos nesse sentido, como uma educação intercultural, traduções acadêmicas, publicação de fóruns de diálogos, entre outros. Na sua avaliação o trabalho em equipe sendo bastante estimulado, inclusive. No âmbito do GEPOM, o esforço pelo ecumenismo se deu em diversas camadas, desde o literal - com integrantes de origens religiosas diversas (como judeus, cristãos e muçulmanos) e mesmo outras nacionalidades além da brasileira, lecionando sobre a diversidade religiosa e um histórico também de tolerância no Oriente Médio -, até experiências transnacionais incipientes importantes. Há por um lado uma busca por aproximação, mediada pela embaixada do Brasil no Líbano, com o meio acadêmico daquele país, e que contou com uma primeira atividade na forma da palestra proferida Muna Omran sobre a diáspora árabe na literatura brasileira, em inglês, para convidados do Centro Cultural Brasil-Lìbano, em 7 de abril de 2021.
Ao longo de 2021 também se deu a participação de Monique Sochaczewski no projeto online “Nation Building in the world”, liderado pelo pesquisador grego Gabriel Haritos, na posição de pesquisador de pós-doutorado no Azrieli Center for Israel Studies, na Universidade Ben Gurion, em Israel. O projeto incluiu palestras mensais de acadêmicos radicados na Coreia do Sul, Zimbabwe, Emirados Árabes Unidos, e Turquia, além de Brasilxiii, com amplos debates comparando esses casos com o caso específico de Israel. O interessante nesse sentido, que dessa vez, no lugar de lecionar sobre Oriente Médio para o público brasileiro, o esforço foi inverso, de tratar da história do Brasil para público em grande medida médio-oriental. Gabriel Haritos tem colaborado ainda com atividades do GEPOM explicando as especificidades da história grega em geral, das relações dos gregos com o Império Otomano e a República da Turquia e mesmo tensões recentes no Mediterrâneo Oriental que envolvem Grécia e Chipre.
Considerações Finais
Lecionar sobre temas da história do Oriente Médio tem sido tanto uma forma de professores do GEPOM se manterem ativos profissionalmente com os temas de sua especialidade acadêmica, como também preservarem a sanidade mental durante boa parte do período da crise sanitária da Covid-19. A experiência mostrou ainda que há um número significativo de brasileiros de diversos backgrounds interessados em História em geral e do Oriente Médio em particular. Trata-se de pessoas que leem muito, assistem séries e filmes sobre a região e que em tempos não pandêmicos já foram ou planejavam ir para o Oriente Médio vivenciar in loco muito do que tem sido tratado nas aulas.
São brasileiros que de uma maneira geral sentem que há uma lacuna em sua formação básica ou profissional sobre região tão importante do mundo, ávidos por recomendações oriundas de estudiosos sobre como melhor se informar em geral ou que caminhos seguir para chegarem a se tornar especialistas. Em um mundo e em um país em que tanto se reclama dos debates superficiais e rasos é animador perceber o apelo da História para além dos muros da academia - no caso a História Pública - e para além do Ocidente e dos nacionalismos - no caso a História Global - a um público de centenas - quiçá milhares - de pessoas espalhados por todo o Brasil e pelo mundo. E nesse caso específico, o Oriente Médio se mostrou um oásis num mundo em crise sanitária e tantas mudanças.
Referências:
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Notas: