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Entrevista com Rodrigo Saballa de Carvalho: itinerários da docência, pesquisa e formação de professores na Educação Infantil
Interview with Rodrigo Saballa de Carvalho: itineraries of teaching, research and teacher education in Early Childhood Education
Entrevista con Rodrigo Saballa de Carvalho: itinerarios de docencia, investigación y formación del profesorado en Educación Infantil
Olhar de Professor, vol. 26, pp. 01-19, 2023
Universidade Estadual de Ponta Grossa

Dossiê Comemorativo 25 anos

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Received: 29 September 2023

Accepted: 03 October 2023

DOI: https://doi.org/10.5212/OlharProfr.v.26.22458.063

Apresentação

Rodrigo Saballa de Carvalho é professor do Programa de Pós-Graduação em Educação, na linha de pesquisa Estudos sobre Infâncias, e do curso de Pedagogia, na área de Educação Infantil, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Autor de inúmeros artigos e organizador de livros sobre Educação Infantil, infâncias, currículo, docência, pedagogia, arte e cotidiano das crianças nas instituições de Educação Infantil, Rodrigo Saballa é doutor e mestre em Educação pelo Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGEdu) da UFRGS e pedagogo pela Universidade La Salle. Ademais, realizou estágio de pós-doutorado no Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade de Pelotas. Atua como coordenador da área de Educação Infantil da Faculdade de Educação da UFRGS e é líder do Grupo de Pesquisa em Linguagens, Currículo e Cotidiano de Bebês e Crianças Pequenas (CLIQUE) da mesma universidade.

Com longa trajetória profissional e acadêmica e um denso conhecimento sobre as questões políticas e pedagógicas que envolvem a Educação Infantil, Rodrigo concedeu esta entrevista à Revista Olhar de Professor, na qual faz uma análise acerca da sua carreira como professor e pesquisador, destacando suas contribuições para o campo da Educação Infantil.

Itinerários da docência, pesquisa e formação de professores na Educação Infantil

Rafaely do Nascimento Campos: Eu gostaria que você contasse um pouco sobre como se deu sua trajetória como pesquisador e seu interesse e aproximação aos Estudos das crianças e das infâncias.

Rodrigo Saballa de Carvalho: A minha trajetória como pesquisador e o meu interesse e aproximação aos Estudos das crianças e das infâncias é decorrente de três marcos que considero importantes de serem explicitados. O primeiro foi sem dúvida a minha atuação como docente na Educação Infantil, nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental e, posteriormente, como orientador pedagógico educacional. Realizei o curso de Magistério no Ensino Médio. Desse modo, comecei a atuar como professor de Educação Infantil e dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental desde a minha entrada no curso de Pedagogia. O exercício da docência com as crianças foi o desencadeador da minha curiosidade acadêmica pela Educação Infantil e, de forma correlata, pela formação docente para essa etapa educacional, como discuto no texto intitulado “O infraordinário na docência com crianças na Educação Infantil” (CARVALHO, 2021).

Cursei Pedagogia em um centro universitário privado no período noturno, com financiamento de um crédito educativo estadual. No decorrer do curso, atuei paralelamente como docente em duas escolas. Enquanto acadêmico de um centro universitário privado e trabalhando 40 horas por semana, não tive a oportunidade de participar de projetos de iniciação científica durante a graduação em Pedagogia, fato que impossibilitou a minha aproximação à pesquisa acadêmica naquela época. Todavia, a curiosidade epistemológica, a disciplina em relação ao estudo das questões relativas à Pedagogia, a militância em defesa dos direitos das crianças, o investimento em práticas de formação docente qualificadas, assim como o desejo de me tornar pesquisador, já faziam parte de minha constituição profissional desde o início da minha trajetória acadêmica.

O segundo marco diz respeito ao início da minha formação como pesquisador quando do meu ingresso no PPGEdu da UFRGS, na linha de pesquisa Estudos Culturais em Educação. A motivação para participar da seleção de mestrado foi decorrente da minha experiência como discente no curso de especialização em Gestão da Educação na UFRGS, especialmente com a escrita do meu trabalho de conclusão do curso.

Por outro lado, as questões que me possibilitaram o ingresso no mestrado em Educação na UFRGS foram sem dúvida emergentes da minha atuação docente com as crianças. Enquanto professor na escola, o convívio diário com as crianças, os processos de socialização profissional cotidianamente vivenciados, bem como a escuta atenta das crianças e de suas famílias, operaram como mobilizadores de problemáticas que se tornaram catalizadoras da minha pesquisa de mestrado em Educação, intitulada Educação Infantil: práticas escolares e o disciplinamento dos corpos (CARVALHO, 2005). Em meu papel de professor de Educação Infantil, sentia-me constantemente desafiado pelas relações sociais adultocêntricas estabelecidas entre adultos e crianças pautadas em práticas escolares geralmente naturalizadas no cotidiano institucional. Entretanto, eu também percebia que os docentes se encontravam implicados em um sistema escolar que os posicionava no contexto de determinadas lógicas disciplinares vistas como indeléveis ao exercício da docência com crianças.

A partir da defesa da pesquisa de mestrado, tive indicação de passagem direta para o doutorado em Educação na UFRGS. Na pesquisa de doutorado, devido a minha atuação profissional como orientador pedagógico educacional junto a professoras egressas dos cursos de Pedagogia, as minhas inquietações voltaram-se para a formação inicial docente. Assim, defendi a tese A invenção do pedagogo generalista: problematizando discursos implicados no governamento de professores em formação (CARVALHO, 2011). O foco de discussão foi a formação do docente de Educação Infantil após a homologação das Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Pedagogia em 2006 (CNE, 2006) e seus efeitos na produção do pedagogo generalista. A pesquisa foi produzida com base na escuta e no debate com acadêmicas do curso de Pedagogia da UFRGS sobre a formação para a atuação na Educação Infantil no âmbito da graduação. A pesquisa de doutorado foi mobilizadora para a minha constituição como pesquisador e professor universitário, porque me possibilitou refletir sobre os discursos implicados na formação inicial do pedagogo, assim como sobre a necessidade de um posicionamento epistemológico, ético e político em relação à docência na Educação Infantil.

Por fim, o terceiro marco de minha constituição como pesquisador e de efetiva aproximação aos estudos das crianças e infâncias foi a minha primeira experiência como docente universitário, com a aprovação no concurso para a Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), campus Erechim (RS), em 2011. Na UFFS, atuei como professor na área de Educação Infantil do curso de Pedagogia de 2011 a 2016. Nessa Universidade, tive a oportunidade de me constituir como professor universitário e de desenvolver um trabalho articulado de ensino, de pesquisa com crianças e de extensão no âmbito da Educação Infantil. Posteriormente, em 2016, a partir de um novo concurso público, ingressei na Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul como professor da área de Educação Infantil. No ano subsequente ao meu ingresso como docente na UFRGS, fui credenciado como membro titular no PPGEdu, na linha de pesquisa Estudos sobre Infâncias.

Além disso, tive a oportunidade de fundar o Grupo de Pesquisa em Linguagens, Currículo e Cotidiano de Bebês e Crianças Pequenas (CLIQUE) (UFRGS/CNPq)3, espaço no qual tenho desenvolvido minhas investigações, intercâmbios e parcerias com pesquisadores nacionais e internacionais dos Estudos da infância e da Educação Infantil. Ainda, com esse grupo, tenho desenvolvido a minha produção científica sobre a pesquisa com crianças, a formação docente, o currículo, as culturas infantis e a docência nas instituições de Educação Infantil.

Atualmente, penso que a minha aproximação aos Estudos das crianças e das infâncias vem tornando-se cada vez mais orgânica pelo desenvolvimento de um trabalho densamente articulado entre pesquisa, ensino e extensão. As minhas contribuições teóricas no campo da Educação Infantil – docência, currículo, formação docente –, assim como a pesquisa com crianças, também têm reverberado além da esfera da Universidade. Isso porque, no contexto do grupo de pesquisa CLIQUE, compartilho com meus orientandos a preocupação de que nossas investigações contribuam com o trabalho dos docentes que atuam nas instituições públicas de Educação Infantil. Trata-se, sem dúvida, do compromisso ético e político com a produção e a difusão do conhecimento produzido através da prática de pesquisa na Universidade pública.

Rafaely: Na história da Revista Olhar de Professor, temos evidenciado um pouco do seu processo de constituição enquanto uma referência nos estudos sobre as crianças e as infâncias, assim como a docência na Educação Infantil. O que marcou esse caminho do Rodrigo Saballa de Carvalho, mestre em Educação, que publica artigos em 2006, 2007, 2008 e 2010 nesta revista, até o pesquisador na área dos estudos da infância que propõe o caderno temático Práticas artísticas contemporâneas, crianças e docência: experiências estéticas em 2021?

Rodrigo Saballa: Em primeiro lugar, eu gostaria de destacar o meu apreço pela Revista Olhar de Professor, pois, como destacado na questão, esse periódico possibilitou que eu partilhasse com um público mais amplo importantes discussões decorrentes de minhas investigações. As publicações ocorridas no período de 2006 a 2008 – intituladas “A emergência das instituições de Educação Infantil” (CARVALHO, 2006), “Problematizando práticas escolares na Educação Infantil” (CARVALHO, 2007) e “Discutindo a prática de seleção de alunos/as e a organização das turmas na Escola de Educação Infantil” (CARVALHO, 2008) – são emergentes das problematizações apresentadas em minha pesquisa de mestrado (CARVALHO, 2005). Nesses artigos, a problematização centrou-se na desnaturalização dos discursos que constituem práticas (escolares) no âmbito da docência na Educação Infantil. De fato, desde essa época, venho discutindo o currículo da Educação Infantil e a ausência da escuta e da participação das crianças na construção dos modos de ser, de se relacionar, de viver e de aprender no contexto de vida coletiva da Escola da Infância.

Por outro lado, o artigo “A formação de professores e supervisores escolares empreendedores: reflexões sobre o empreendedorismo como valor pedagógico” (CARVALHO; KARPOWICZ, 2010) foi decorrente da discussão sobre empreendedorismo e cultura do management nos discursos dos pedagogos em formação que, na época, eu estava desenvolvendo em minha tese de doutorado (CARVALHO, 2011), em articulação com a investigação do meu orientando Alexandre Karpowicz para o trabalho de conclusão do curso de especialização em Supervisão Escolar da Faculdade Porto Alegrense (FAPA). Nesse artigo, o ponto de vista dos docentes de Educação Infantil em formação e dos supervisores escolares é tematizado. Através da discussão proposta, evidenciamos a força da cultura empreendedora e do gerencialismo de si e dos outros nos modos de constituição dos profissionais participantes das investigações. A argumentação desenvolvida no artigo, embora tenha transcorrido mais de uma década, ainda têm o potencial de colaborar para o tensionamento dos discursos contemporâneos de formação docente na Educação Infantil emergentes do “mercado pedagógico” vigente – cujo foco se encontra na padronização dos modos de ser professor de crianças. Uma década após a publicação do artigo (CARVALHO; KARPOWICZ, 2010), já atuando como professor e pesquisador da área de Educação Infantil no PPGEdu/UFRGS, organizei o caderno temático Práticas artísticas contemporâneas, crianças e docência: experiências estéticas (CARVALHO; BLANCO MOSQUERA; CIDRÁS, 2021). O caderno foi organizado juntamente com os pesquisadores espanhóis Vicente Blanco Mosquera e Salvador Cidrás, docentes da Universidade de Santiago de Compostela. Os artigos publicados se concentraram nas experiências docentes mobilizadas por práticas artísticas contemporâneas. Nesse caderno, tive a oportunidade de publicar um artigo em coautoria com a minha orientanda Nathalia Schuermann dos Santos, do PPGEdu/UFRGS (SANTOS; CARVALHO, 2021). Nele, evidenciamos as performances das crianças em contextos de brincadeiras em instalações efêmeras de jogo, assim como a potencialidade da arte contemporânea enquanto mobilizadora das práticas docentes na Educação Infantil. O artigo é resultante da pesquisa desenvolvida pela Nathalia em sua dissertação de mestrado em Educação Crianças, performances e arte contemporânea: instalações efêmeras de jogo na Educação Infantil (SANTOS, 2021), sob minha orientação, no âmbito da linha de pesquisa Estudos sobre Infâncias.

Rafaely: Em suas pesquisas de mestrado e doutorado em Educação, você utiliza como referencial teórico os Estudos Culturais em Educação e as contribuições dos estudos desenvolvidos por Michel Foucault. Quais aspectos desses estudos você considera como contribuições para pensar a Educação Infantil?

Rodrigo Saballa: Essa é uma questão interessante, pois me permite revisitar essas investigações, que marcaram a minha iniciação como pesquisador, para pensar sobre suas possíveis reverberações no tempo presente. Objetivamente, acredito que a contribuição da pesquisa de mestrado ainda tem o potencial de provocar o leitor a perceber os modos como opera o poder disciplinar na produção dos tempos, espaços e corpos na escola de Educação Infantil. Considero que essa pesquisa continua sendo promotora de problematizações sobre as práticas docentes, assim como dos modos de funcionamento das escolas de Educação Infantil. A investigação possibilita inferir que, “[...] se assumirmos a perspectiva de que as práticas escolares são ‘produzidas’, é possível desnaturalizá- las, repensá-las, reinventá-las, experimentando outras posições de sujeito, outros modos de agir e de pensar” (CARVALHO, 2005, p. 174).

Por outro lado, em relação à investigação da minha tese (CARVALHO, 2011), entendo que ainda ressoam a discussão sobre a formação do pedagogo generalista – que habilita para diferentes frentes de trabalho – e a necessidade de problematização do léxico da formação do pedagogo (CARVALHO, 2010) e dos traços da cultura gestionária de vida, como o empreendedorismo, a autocrítica e a flexibilidade (CARVALHO, 2012), nos discursos de muitos acadêmicos em formação. Contemporaneamente o léxico da formação do pedagogo também vem sendo constituído por uma colonização ascendente das pedagogias italianas de Educação Infantil – sendo um dos efeitos mais evidentes o modo de organização curricular por campos de experiências proposto na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) da Educação Infantil (MEC, 2017). Por conseguinte, também destaco, no que tange ao léxico da formação, a força do “mercado pedagógico” de cursos, lives, mentorias, assessorias e “influencers pedagógicos” que tem culminado na difusão de determinado modelo de exercício da docência pautado em uma cultura gestionária de vida (CARVALHO, 2011, 2012).

Rafaely: Como líder do grupo de pesquisa CLIQUE (UFRGS/CNPq), em suas investigações, você tem discutido o currículo na Educação Infantil. Como você tem abordado o currículo na primeira etapa da Educação Básica?

Rodrigo Saballa: O currículo da Educação Infantil enquanto temática investigativa tem grande centralidade em minha atuação como pesquisador. O próprio grupo de pesquisa CLIQUE foi criado com o intuito de garantir um fórum permanente de pesquisa, discussão e formação docente, assumindo como aspecto fulcral a temática do currículo da Educação Infantil tanto no âmbito das políticas curriculares (CARVALHO; BERNARDO; LOPES, 2021; CARVALHO, 2023) como das práticas docentes (SILVA; CARVALHO, 2020; BERNARDO, 2022; TEBALDI, 2020, 2023; SANTOS, 2021, 2023) desenvolvidas com as crianças nas instituições de Educação Infantil. No escopo de nossas investigações, na área das políticas curriculares de Educação Infantil, indico a recente pesquisa que desenvolvi com minhas orientandas no CLIQUE sobre os processos de recontextualização da BNCC (MEC, 2017) nos documentos curriculares municipais das capitais brasileiras. Um resultado parcial das discussões dessa pesquisa foi publicado no artigo “Educação Infantil pós-BNCC e a produção do neossujeito docente em documentos curriculares municipais” (CARVALHO; BERNARDO; LOPES, 2021). A partir da análise de documentos curriculares municipais, foi possível identificarmos uma reedição da discursividade presente na BNCC (MEC, 2017), o compartilhamento de práticas docentes “exitosas” como modelos a serem seguidos, bem como a secundarização do docente enquanto profissional.

Em vista disso, organizei com o pesquisador Cleriston Izidro dos Anjos o dossiê intitulado Educação Infantil e currículos: cultura, docência e formação em debate (ANJOS; CARVALHO, 2021), publicado pela Revista Debates em Educação, da Universidade Federal de Alagoas (UFAL). Esse dossiê é uma notável contribuição para a área de Educação Infantil, sobretudo para pensarmos em estratégias de reinvenção e recontextualização do currículo prescrito pela política curricular vigente no âmbito das práticas docentes. Devemos lembrar que as Diretrizes Curriculares Nacionais de Educação Infantil (DCNEI) (MEC, 2009), em seu art. 3º, definem currículo como “conjunto de práticas que buscam articular as experiências e os saberes das crianças com os conhecimentos que fazem parte do patrimônio cultural, artístico, ambiental, científico e tecnológico de modo a promover o desenvolvimento de crianças de 0 a 5 anos de idade”. Cabe, assim, indagar: a implantação da BNCC (MEC, 2017), através da elaboração dos documentos curriculares estaduais e municipais, tem garantido a compreensão de currículo presente nas DCNEI (MEC, 2009)? As exigências de muitos municípios em relação ao trabalho com a leitura e a escrita na pré-escola têm assegurado as interações e a brincadeira como eixo norteador do currículo? Os sistemas de ensino e livros didáticos adotados por muitas redes de ensino asseguram as especificidades do trabalho docente na Educação Infantil?

Investigar o currículo da Educação Infantil contemporaneamente implica considerar uma série de efeitos decorrentes da homologação da BNCC (MEC, 2017) e de sua implantação em curso, entre os quais destaco: a) o processo de colonização da concepção de currículo de Educação Infantil baseada em uma epistemologia eurocêntrica pautada na organização curricular italiana (CARVALHO; LOPES; BERNARDO, 2021); b) a difusão dos livros didáticos para a Educação Infantil alinhados à BNCC (MEC, 2017), dos manuais docentes e dos sistemas de ensino que têm sido adquiridos por vários municípios;

c) a centralidade da alfabetização na pré-escola e o consequente processo de secundarização das especificidades do trabalho pedagógico da Educação Infantil, constante nas DCNEI (MEC, 2009); d) a ausência de recontextualização da política curricular da BNCC (MEC, 2017) em documentos curriculares municipais de Educação Infantil; e) a avaliação das crianças da Educação Infantil, especialmente as que frequentam a pré-escola, a partir dos objetivos de aprendizagem e desenvolvimento elencados na BNCC (MEC, 2017), tendo em vista o desenvolvimento de “habilidades e competências” para o primeiro ano do Ensino Fundamental; f) a produção de um neossujeito docente nos documentos curriculares municipais (CARVALHO; BERNARDO, LOPES, 2021). Certamente existem outros aspectos que poderiam ser elencados, todavia o que eu gostaria de chamar a atenção é que, hoje, a discussão do currículo da Educação Infantil demanda, além da reafirmação das DCNEI (MEC, 2009), o debate de uma série de aspectos de ordem política e pedagógica.

Atualmente estou concluindo a pesquisa intitulada “O currículo da Educação Infantil em discurso nos livros didáticos de formação de professores” (CARVALHO, 2023), na qual analiso como as obras alinhadas à BNCC (MEC, 2017) endereçadas aos professores de Educação Infantil que atuam na creche e na pré-escola abordam o currículo. Os resultados da pesquisa indicam a perspectiva disciplinar do currículo veiculado nas obras, a pedagogização da docência (SILVA; CARVALHO; LOPES, 2021) na Educação Infantil a partir da indicação de modelos de planejamento a serem seguidos pelos professores, a reiteração (e também ampliação) dos objetivos de aprendizagem e desenvolvimento previstos na BNCC (MEC, 2017), a abordagem dos direitos de aprendizagem e campos de experiência baseada em sequências didáticas, assim como a difusão de atividades focadas no processo de alfabetização das crianças da pré-escola.

Paralelamente a minha pesquisa, no âmbito do CLIQUE, minha orientanda de mestrado Amanda Lopes defendeu a dissertação Currículo narrativo: diálogos com docentes da pré-escola em 2022. Essa pesquisa foi desenvolvida durante o período de isolamento social na pandemia, através da metodologia de grupo focal. O intuito da discussão foi investigar os modos como os docentes atuantes na pré-escola, representantes de todas as regiões do país, atribuíam sentidos ao currículo em suas práticas docentes. Já a doutoranda Angélica Bernardo (2022) tem investigado a produção de um currículo narrativo de cujo processo participem as crianças, a professora e as famílias.

A investigação sobre o trabalho com a linguagem oral na pré-escola e a defesa de que sejam asseguradas as especificidades do currículo da Educação Infantil foi o objeto de pesquisa de minha orientanda Lisiane Tebaldi (2020). Em sua dissertação de mestrado, cujo título é: "Ei, olha a história que a gente tá fazendo"! : as crianças e suas performances na produção de narrativas orais na pré-escola (TEBALDI, 2020), ela abordou estratégias de mediações docentes no trabalho com a oralidade na pré- escola, bem como analisou as performances narrativas dos meninos e meninas participantes do processo investigativo. As performances narrativas das crianças são detalhadamente discutidas no artigo que produzimos em colaboração (TEBALDI; CARVALHO, 2023). Por sua vez, minha orientanda Nathalia Santos (2021), através de sua pesquisa de mestrado denominada: Crianças, performances e arte contemporânea: instalações efêmeras de jogo na Educação Infantil, discutiu a potencialidade da arte contemporânea enquanto mobilizadora do currículo no trabalho desenvolvido com crianças de 2 a 5 anos de um grupo multietário na Educação Infantil. O foco do debate foram os modos como as instalações efêmeras de jogo operam na promoção da produção de performances de fazer de conta e de fazer acreditar (SANTOS; CARVALHO, 2023) – a partir de brincadeiras envolvendo o simbolismo e a produção de narrativas pelas crianças. Tanto Tebaldi (2023) como Santos (2023) seguem no grupo de pesquisa desenvolvendo suas investigações de doutorado sob a minha orientação, objetivando contribuir com o debate sobre o exercício da docência na Educação Infantil a partir de práticas pedagógicas que assegurem os direitos das crianças e reiterem a produção participativa do currículo na Educação Infantil.

Por fim, saliento que o currículo da Educação Infantil se encontra em um campo de disputas que movimenta monetariamente a produção editorial de livros, as assessorias aos municípios, os sistemas de ensino, os cursos, o “turismo pedagógico” a países europeus, cujo efeito tem sido a ascensão do mercado pedagógico e a secundarização da qualificação do trabalho educativo desenvolvido nas instituições de Educação Infantil públicas em nosso país.

Rafaely: O tema da formação de professores e da docência na Educação Infantil ocupa um lugar de destaque em sua produção científica. Como você tem discutido essas temáticas em suas pesquisas e orientações? Além disso, o que seria mais importante mudar na formação inicial e continuada dos docentes?

Rodrigo Saballa: A docência na Educação Infantil e a formação de professores para essa etapa realmente têm sido duas temáticas privilegiadas em minha produção científica desde o início de minha trajetória como pesquisador. Atuo como professor da área de Educação Infantil na Faculdade de Educação da UFRGS e, desse modo, encontro-me diretamente implicado na formação de docentes que atuarão em creches e pré-escolas. No curso de graduação em Pedagogia, tenho trabalhado com a orientação dos Estágios na Educação Infantil e especificamente com disciplinas relativas à ação pedagógica. Ou seja, sou responsável por disciplinas da graduação que demandam a prática docente das acadêmicas nas instituições de Educação Infantil a partir da observação, do planejamento e da construção de um currículo participativo.

Paralelamente a minha atuação docente na graduação, tenho ofertado, no Programa de Pós- Graduação da UFRGS, seminários e leituras dirigidas que tematizam o exercício da docência com crianças. Além disso, em minhas investigações, assim como nas pesquisas de doutorado e mestrado que tenho orientado no grupo de pesquisa CLIQUE, a formação docente e a docência na Educação Infantil têm sido contempladas. Isso porque compartilho com o meu grupo de orientandos o entendimento de que nossas investigações têm o compromisso ético, político e social de contribuição com a formação dos docentes que atuam com as crianças nas escolas públicas de Educação Infantil. Especificamente em relação à formação docente, destaco a pesquisa de dissertação de mestrado há pouco defendida por Valmir Dorneles Júnior (2022), intitulada: Espaços, lugares e territórios na pré-escola: narrativas de vivências espaciais a partir dos encontros entre docentes e crianças, na qual foram discutidas as narrativas de vivências espaciais de professoras de pré-escola a partir do exercício da docência com as crianças. Ressalto que a produção de conhecimento derivada das pesquisas que temos desenvolvido no CLIQUE se encontram articuladas ao meu trabalho docente na graduação, bem como em minha atuação na formação continuada de professores de Educação Infantil de instituições públicas – representantes de todas as regiões do país – que têm participado efetivamente dos projetos de extensão por mim propostos na Universidade.

Quanto à discussão sobre a docência na Educação Infantil, organizei com as pesquisadoras Bianca Salazar Guizzo e Arianna Lazzari o dossiê Docência na Educação Infantil: das políticas curriculares às práticas pedagógicas (CARVALHO; GUIZZO; LAZZARI, 2023). Tal como argumentamos na apresentação do dossiê, tenho defendido que “a docência na Educação Infantil deve ser não liberal, pedagogicamente intencional, relacional, contextual, politicamente engajada e epistemologicamente situada” (CARVALHO; GUIZZO; LAZZARI, 2023, p. 1). Advogo pelo entendimento da docência como ofício (ALLIAUD, 2017), que, devido ao seu caráter relacional, demanda do profissional conhecimento, escuta atenta, presença ativa, cuidado com o outro, diálogo, mediação docente qualificada, convívio e disponibilidade para dar suporte às aprendizagens das crianças na Educação Infantil.

A partir do exercício de minha docência no Ensino Superior e da atuação efetiva na formação (inicial e continuada) de professores de Educação Infantil, tenho assumido a premissa de que a docência envolve autoria. No entanto, declaro de antemão que não se trata de forma alguma da noção de autoria que sendo difundida no âmbito do mercado pedagógico contemporâneo neoliberal. Inspirado nas discussões propostas por Alliaud (2017), refiro-me à autoria docente que emerge do estudo, do trabalho coletivo, da reflexão crítica, do posicionamento e do compromisso com a tradução de princípios pedagógicos em práticas docentes inventivas que tenham sentido nos contextos das instituições públicas de Educação Infantil. Ora, sempre é bom lembrar que em “meio a tantos preceitos pedagógicos a serem seguidos pelos(as) docentes, acaba-se aniquilando a atividade intelectual de pesquisa, estudo, leitura e debate que constitui a docência como profissão. (CARVALHO, 2021, p. 102).

Considero oportuno retomar um texto que escrevi recentemente, intitulado “Diálogos entre Pedagogia da Infância e formação docente na Educação Infantil”, no qual argumento que “[...] a formação docente tem sido pensada majoritariamente em nosso país (tanto no âmbito da formação inicial como da continuada) com base na prescrição de modelos de exercício da docência, pautados em pedagogias e experiências profissionais consideradas exitosas, muitas vezes alheias ao nosso contexto [...]” (CARVALHO, 2022a, p. 260). Nessa perspectiva, tenho discutido em minhas pesquisas a discursividade da formação docente contemporânea, que muitas vezes é norteada por “modelos de atuação” profissional a partir de abordagens pedagógicas em voga no mercado. Essa discussão também tem sido desenvolvida na pesquisa de minha orientanda de mestrado Fernanda Guimarães (2023), cujo título é A formação continuada vista pelas professoras de Educação Infantil: sociedade de capacitação e mercado pedagógico em discussão. Portanto, tenho defendido que “[...] é preciso haver uma formação docente menos prescritiva, mais crítica e autoral, pautada pelo exercício do pensamento” dos professores que atuam na Educação Infantil (CARVALHO; GUIZZO; LAZZARI, 2023, p. 1).

Em meu trabalho como professor e pesquisador, tenho atuado na promoção de uma formação docente (inicial e continuada) na Educação Infantil que envolva: 1) o estudo crítico e analítico de pedagogias de Educação Infantil que vêm sendo historicamente produzidas, visando à seleção e recontextualização de princípios educativos em práticas docentes participativas que assegurem os direitos das crianças; 2) a possibilidade de os docentes exercerem “a autoria no exercício da docência, com base em uma densa formação ética, política, cultural e pedagógica, que leve em consideração as relações entre currículo e cotidiano das instituições, tendo em vista compreender melhor as crianças e seus modos de vida” (CARVALHO, 2022a, p. 271); 3) o conhecimento das políticas de Educação Infantil do nosso país e especialmente das políticas curriculares para essa etapa, posicionando-se frente a esses documentos de caráter mandatório – como, por exemplo, a Base Nacional Comum Curricular (MEC, 2017) – não apenas como consumidores, mas como produtores de sentidos; 4) o estudo das especificidades do trabalho pedagógico na Educação Infantil, dos modos de aprendizagem das crianças e de possíveis estratégias de mediação docente que confiram sustentação às investigações, questionamentos e descobertas das crianças; 5) a crítica (e a resistência) aos currículos prescritos (após a homologação da BNCC) que têm sido instituídos pelos livros didáticos para crianças, pelos sistemas de ensino, pelos “manuais” para docentes e até mesmo por redes municipais que desconsideram a concepção de currículo presente nas DCNEI (2009), transformando a docência na pré-escola em uma antecipação do 1º ano do Ensino Fundamental; 6) a discussão do Projeto Educativo das Instituições de Educação Infantil, de maneira que os docentes (e futuros docentes) consigam garantir efetivamente a construção de um currículo de Educação Infantil que reconheça as crianças como cidadãs e assegure os seus direitos; 7) o entendimento “[...] de que não existe um ‘modelo’ de professor, mas que somos nós que constituímos modos de exercício da docência, sempre passíveis de reinvenção” (SILVA; CARVALHO, 2020, p. 512); 8) a promoção do intercâmbio e do debate de experiências entre docentes de diferentes redes públicas de Educação Infantil brasileiras que compõem o território nacional; e 9) a pesquisa e o estudo sobre as abordagens de trabalho pedagógico na Educação Infantil, desenvolvidas em países latino-americanos. Saliento este último ponto porque, no contexto da Educação Infantil brasileira, se conhece tanto sobre as experiências educativas europeias, sobretudo italianas, e tão pouco sobre o trabalho sendo desenvolvido em países próximos ao nosso como, por exemplo, a Argentina e o Uruguai.

Enfim, a partir de todos esses aspectos, tanto na formação inicial como na continuada de docentes da Educação Infantil, tenho investido esforços na aproximação entre a Universidade e as instituições de Educação Infantil – creches e pré-escolas –, buscando a constituição de redes de professores que possam estudar coletivamente, debater, compartilhar práticas docentes e exercer escolhas na constituição dos Projetos Educativos dos contextos em que atuam.

Rafaely: A temática da pesquisa com crianças e suas implicações éticas, discussão que muito me instiga, tem recebido atenção em sua produção científica. O reconhecimento das crianças como sujeitos de pesquisas ganhou destaque nas últimas duas décadas. Contudo, muitos pesquisadores já pontuam algumas contradições no que diz respeito aos aspectos epistemológicos e éticos na participação efetiva das crianças nas pesquisas. Como você tem abordado, no grupo de pesquisa CLIQUE (UFRGS/CNPq) e junto aos seus orientandos, a participação das crianças nas investigações?

Rodrigo Saballa: A pesquisa com/sobre/para crianças, a partir das contribuições dos Estudos Sociais da Infância, tem ocupado um lugar especial nos estudos, discussões, produção científica e trabalho investigativo desenvolvido com o meu grupo de pesquisa. Entre as pesquisas com crianças produzidas no grupo, ressalto o trabalho de Machado (2019), Piva (2019), Bertasi (2019), Tebaldi (2020), Kelleter (2020) e Santos (2021). Inspirado pelas discussões que têm mobilizado o meu grupo nas investigações com crianças, em 2022 organizei o e-book Percursos investigativos em pesquisas com (sobre/para) crianças na Educação Infantil (CARVALHO, 2022b), obra na qual tive a oportunidade de compartilhar discussões sobre pesquisa com crianças sendo desenvolvidas por pesquisadores da área de Educação Infantil em diferentes universidades do território nacional. Especificamente no capítulo de abertura da obra, denominado “Pauta ético-metodológica em discussões sobre pesquisa com (sobre/para) crianças” (CARVALHO; SANTOS; MACHADO, 2022), tive a oportunidade de, junto dos meus orientandos de doutorado Nathalia e Sandro, apresentar como temos desenvolvido ética e metodologicamente as nossas investigações com crianças no âmbito do grupo de pesquisa CLIQUE. Isso porque considero que discutir com rigorosidade os aspectos éticos nas pesquisas com crianças é de extrema importância, pois, como tenho abordado em artigos escritos com meus orientandos (TEBALDI; CARVALHO, 2022; CARVALHO; SANTOS; TEBALDI, 2023), isso denota o reconhecimento do pesquisador dos direitos das crianças enquanto cidadãs.

Pautados nos estudos de Bóden (2021), temos defendido igualmente que nossas investigações sejam com, sobre e para as crianças. O nosso entendimento é que a pesquisa com crianças – a qual envolve a escuta, o diálogo e a participação efetiva delas –, também é sobre elas na medida em que narramos as nossas experiências em campo (MACHADO; CARVALHO, 2021). Por conseguinte, a pesquisa também é para as crianças, pelo fato de assumirmos, enquanto grupo de pesquisa, um compromisso ético com os participantes e a instituição, não somente no que tange à devolutiva da investigação para as crianças, famílias e docentes, mas em relação às possíveis contribuições às instituições de Educação Infantil nas quais desenvolvemos nossas investigações. Na esteira dessa discussão, organizei, com os(as) pesquisadores(as) Marlene Oliveira dos Santos (UFBA), Daniel Brailovsky (Universidade Pedagógica Nacional – Buenos Aires) e Alboni Marisa Dudeque Pianovski Vieira (PUCR-PR), o dossiê Pesquisas com/sobre/para crianças e docentes na Educação Infantil: discussões conceituais, éticas e metodológicas (CARVALHO; SANTOS; BRAILOVSKY; VIEIRA, 2023) para a Revista Diálogo Educacional. Os artigos publicados no dossiê contribuem para que se pense o lugar das crianças nas pesquisas, assim como os desafios epistemológicos, éticos e metodológicos no desenvolvimento de investigações com crianças.

Por tudo isso, no âmbito das orientações de mestrado e doutorado que tenho realizado no grupo de pesquisa CLIQUE, defendo que pensar o currículo, a docência e a formação de professores de Educação Infantil implicam também observar, escutar e dialogar com as crianças sobre suas demandas, anseios, desejos e pontos de vista sobre o cotidiano na creche e na pré-escola. Todavia, saliento que as relações sociais estabelecidas com as crianças em campo não se encontram pautadas exclusivamente na oralidade, pois sempre consideramos os movimentos, as gestualidades, as sonoridades, os silêncios, os processos de escuta e toda sorte de manifestações que podem ser observadas em campo. As investigações de Piva (2019) e Kelleter (2020), por exemplo, foram desenvolvidas com bebês e crianças bem pequenas. Ambas as pesquisas demandaram observar os deslocamentos, as gestualidades, as sonoridades, bem como as escolhas, os assentimentos e recusas expressas pelos participantes envolvidos no processo.

Outro fato importante de ser compartilhado é que temos trabalhado especificamente com pesquisas com crianças em escolas de Educação Infantil. As creches e pré-escolas públicas que atendem em turno integral são espaços nos quais as crianças permanecem por um período de 8 a 12 horas por dia. Desse modo, entendemos que é preciso investir em pesquisas que tematizem as relações sociais estabelecidas nesses espaços institucionais, assim como a dimensão do cuidado e da educação ofertada às crianças institucionalmente. O desenvolvimento de pesquisas em instituições de Educação Infantil representa o investimento do grupo em contribuir para que os docentes pensem a docência, o currículo, o cotidiano e sobretudo as relações que são estabelecidas com as crianças nesse contexto de vida coletiva.

Desse ponto de vista, parece-me indispensável que a participação seja discutida no âmbito das pesquisas com crianças, enquanto um direito de todos os envolvidos. Advogo, tal como Alderson (2008), que a pesquisa com crianças imprescindivelmente demanda a participação e o reconhecimento delas enquanto sujeitos no processo investigativo. Entretanto, assumir a centralidade da participação das crianças nas pesquisas implica pensar a discussão ética, metodológica e o próprio processo de discussão conceitual da investigação. Ao se propor uma pesquisa com crianças, considero oportuno indagar qual é a compreensão do pesquisador sobre a participação das crianças na pesquisa. Como a compreensão do pesquisador sobre a participação é explicitada e debatida conceitualmente? De que modos efetivamente as crianças participam na pesquisa? A participação das crianças impacta no desenvolvimento das estratégias de geração dos dados da investigação? Há impacto da participação das crianças na discussão conceitual produzida pelo pesquisador? No decorrer da pesquisa, as crianças têm tempo para dialogar, sugerir, indagar e se posicionar quanto ao que está sendo proposto? As relações sociais estabelecidas pelas crianças no cotidiano institucional são consideradas como modos de participação? Como participam os bebês e as crianças bem pequenas nas pesquisas que os tem como foco privilegiado de investigação? As questões compartilhadas com certeza podem operar como mobilizadoras das reflexões de quem faz pesquisas com crianças para que a participação não se torne apenas um slogan no contexto da discussão conceitual, sem ser devidamente promovida e sustentada na prática investigativa.

Por isso, concordo com Alderson (2008) quando afirma que a participação das crianças, além da dimensão da consulta e da tomada de decisão, envolve as relações sociais que são estabelecidas por elas no cotidiano institucional. Conforme declara a autora, a participação das crianças encontra-se no convívio com os pares, nos processos de escuta, nas relações de amizade, na produção de culturas infantis, nos processos de constituição dos grupos, nas gestualidades, entre outros tantos aspectos que podem ser observados nas pesquisas com crianças. Assumindo essa perspectiva, na pesquisa de mestrado em andamento do meu orientando Tiago Abreu (2023), têm sido evidenciadas as várias dimensões da participação de um grupo de crianças de 5 anos no cotidiano de uma turma de pré- escola.

Rafaely: A partir de seus itinerários de docência, pesquisa e formação de professores de Educação Infantil, o que podemos aprender com a sua experiência? Por fim, qual é a sua mensagem para os pesquisadores e docentes, leitores da Revista Olhar de Professor?

Rodrigo Saballa: No decorrer da entrevista, tive a possibilidade de explicitar que, em meu trabalho como pesquisador, tenho focalizado as crianças e os docentes como participantes de minhas investigações sobre currículo, linguagens e cotidiano na Educação Infantil. Entendo que, no âmbito do grupo de pesquisa CLIQUE, junto aos meus orientandos, tenho contribuído com a formação docente (inicial e continuada) e especialmente para o reconhecimento das crianças, suas linguagens e culturas no contexto cotidiano de produção do currículo da creche e da pré-escola nas instituições públicas de Educação Infantil. Considero importante que os docentes e pesquisadores que se encontram envolvidos com a formação de professores entendam: 1) que “[...] não existe um modelo docente, mas modos de exercer a docência, sempre passíveis de reinvenção” (CARVALHO, 2022a, p. 271); 2) que os preceitos de atuação docente difundidos pela rede que constitui o mercado pedagógico acabam “[...] aniquilando a atividade intelectual de pesquisa, estudo, leitura e debate que constitui a docência como profissão” (CARVALHO, 2021, p. 102); 3) que “[...] não existe a instituição de Educação Infantil, mas diferentes instituições, com seus limites, seus desafios e suas possibilidades, os quais demandam engajamento e disponibilidade para construção de projetos pedagógicos que garantam os direitos das crianças, sustentem seus processos de aprendizagem e promovam a interlocução com as famílias” (CARVALHO, 2022a, p. 271); 4) que se perguntem: onde se encontram os docentes no interior dos discursos das políticas curriculares e de formação? Quais posições têm ocupado os docentes nos discursos dos formadores? (CARVALHO, 2021). Enfim, o desafio é que tanto docentes como pesquisadores se posicionem dentro dos discursos que os levam a se constituir como profissionais de um determinado tipo. Afinal, tanto a docência como a pesquisa são feitas de composições que nos possibilitam exercer a nossa profissão como ofício (ALLIAUD, 2017). Eis o desafio (e convite) que compartilho com os leitores da entrevista.

Referências

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