Secciones
Referencias
Resumen
Servicios
Buscar
Fuente


Pesquisas sobre o curso de Pedagogia em produções acadêmicas de graduação e pós-graduação no CE-UFPB
Reseaches about the Pedagogy underdegree course on academic Productions of undergraduate and postgraduate studies in CE-UFPB
Investigación sobre la carrera de Pedagogía en las producciones académicas de grado y posgrado en CE-UFPB
Olhar de Professor, vol. 26, pp. 01-20, 2023
Universidade Estadual de Ponta Grossa

Dossiê: O campo teórico da Pedagogia e seus desdobramentos na formação de pedagogos/as

Los autores mantienen los derechos de autor y otorgan a la revista el derecho de primera publicación, estando la obra licenciada simultáneamente bajo la Creative Commons Attribution License Attribution 4.0 International (CC BY 4.0) que permite compartir la obra con reconocimiento de su autoría y publicación. inicial en esta revista. Los autores están autorizados a firmar contratos adicionales, por separado, para la distribución no exclusiva de la versión publicada en esta revista (por ejemplo, en repositorios institucionales o capítulos de libros), con reconocimiento de su autoría y publicación inicial en esta revista). Se incentiva a los autores a publicar y distribuir la versión en línea del artículo (por ejemplo, en repositorios institucionales o en su página personal), considerando que esto puede generar cambios productivos, así como aumentar el impacto y las citaciones del artículo publicado. Esta revista proporciona acceso público a todo su contenido, ya que esto permite una mayor visibilidad y alcance de los artículos y reseñas publicadas. Para obtener más información sobre este enfoque, visite Public Knowledge Project, un proyecto que desarrolló este sistema para mejorar la calidad académica y pública de la investigación, distribuyendo OJS y otro software para respaldar el sistema de publicación de acceso público para fuentes académicas. Los nombres y direcciones de correo electrónico de este sitio web se utilizarán exclusivamente para los fines de la revista y no estarán disponibles para otros fines.

Recepción: 16 Noviembre 2022

Aprobación: 23 Marzo 2023

DOI: https://doi.org/10.5212/OlharProfr.v.26.21252.038

Resumo: Este trabalho relata uma pesquisa que investigou o tratamento atribuído à Pedagogia como campo de conhecimento, curso e profissão, em Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC) de Licenciatura em Pedagogia e em teses e dissertações de Pós-Graduação em Educação no âmbito do Centro de Educação (CE) da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), de modo a produzir subsídios que auxiliem na defesa das especificidades da Pedagogia no cenário atual de repercussões problemáticas de novos e antigos equívocos conceituais derivados de políticas curriculares destinadas à formação de pedagogas/os no país. Com caráter quanti-qualitativo, a pesquisa pautou- se por processos de mapeamento de trabalhos no Repositório da UFPB, caracterizando-se como um estudo bibliográfico. Constatou-se que durante a formação inicial da/o pedagoga/o não é abordada a educação não escolar, dando exclusividade ao magistério. Notou-se, também, por parte dos autores das pesquisas analisadas, poucas referências conceituais sobre a Pedagogia em seu sentido epistemológico, cujo tratamento inclina-se, frequentemente, a resumi-la à docência.

Palavras-chave: Curso de Pedagogia, Formação do pedagogo, Currículo.

Abstract: This paper reports a research that investigated the treatment attributed to Pedagogy as a field of knowledge, underdegree course and profession, in thesis of Undergraduate Program in Pedagogy and dissertations and PhD thesis of Post-Graduation in Education in the scope of the Center of Education of the Federal University of Paraíba (UFPB), in order to produce subsidies that help in the defense of the specificities o1f Pedagogy in the current scenario of problematic repercussions of new and old conceptual mistakes derived from curricular policies destined to the formation of pedagogues in the country. With qualitative character, the research was guided by processes of mapping of works in the Repository of the UFPB, characterizing itself as a bibliographical study. It was verified that during the initial formation of the pedagogue, the non-schooling education is not approached, giving exclusivity to the teaching, resulting in difficulties, on the part of the authors of the analyzed researches, in conceptualizing Pedagogy in its epistemological sense, whose treatment is inclined, frequently, to summarize it to teaching.

Keywords: Pedagogy, Pedagogue Trainning, Curriculum.

Resumen: Este trabajo reporta una investigación que indagó el tratamiento atribuido a la Pedagogía como campo de conocimiento, carrera y profesión, en trabajos de fin de grado de Licenciatura en Pedagogía y disertaciones y tesis desarrolladas en el Programa de Posgrado en Educación en el ámbito del Centro de Educación (CE) de la Universidade Federal da Paraíba (UFPB), a fin de producir subsidios que ayuden en la defensa de las especificidades de la Pedagogía en el escenario actual de repercusiones problemáticas de nuevos y viejos errores conceptuales derivados de políticas curriculares destinadas a la formación de pedagogos en el país. Con carácter cualitativo, la investigación fue orientada para procesos de mapeo de obras en el Repositorio de la UFPB, caracterizándose como un estudio bibliográfico. Se verificó que durante la formación inicial del pedagogo, no se aborda la educación no escolarizada, dando exclusividad a la enseñanza, resultando en dificultades, por parte de los autores de las investigaciones analizadas, en conceptualizar la Pedagogía en su sentido epistemológico, cuyo tratamiento se inclina, frecuentemente, a resumirla a la enseñanza.

Palabras clave: Pedagogía, Formación de Pedagogos, Curriculum.

Introdução

A Pedagogia se constituiu como um curso superior no Brasil no ano de 1939, na Universidade de São Paulo. Desde então, o curso passou por três reformulações curriculares até alcançar a configuração atual posta pela Resolução n. 02/2019 do Conselho Nacional de Educação (CNE), que estabeleceu Diretrizes Curriculares para Formação Inicial e Continuada de Professores para a Educação Básica (DCNFP) (BRASIL, 2019). Atualmente, o curso de Pedagogia tem suscitado muitos debates e questões sobre suas finalidades e formas de organização curricular foram (re)postas no cenário nacional, em decorrência da homologação das atuais Diretrizes Curriculares Nacionais para esse curso (BRASIL, 2006) e das DCNFP. As políticas curriculares decorrentes dessas normativas fazem com que a discussão sobre a identidade profissional da/o pedagoga/o e a especificidade da Pedagogia como campo de conhecimento seja relevante, especialmente considerando o tensionamento entre duas concepções distintas: uma que defende a docência como base do curso e atuação profissional da/o pedagoga/o e a outra que conceitua a Pedagogia como ciência da educação e a/o pedagoga/o como profissional habilitada/o para atuar em diferentes espaços educativos. Essa última concepção é a que fora adotada em nossa pesquisa. Desde logo, explicitamos que compreendemos a docência como sinônimo de magistério e não como síntese nuclear do trabalho pedagógico.

Segundo o pedagogo alemão Schimied-Kowarzik (1983), a Pedagogia é a ciência da e para a educação. Trata-se de uma ciência dialética que, teoricamente, investiga o fenômeno da educação, elabora orientações para a prática baseada em finalidades emancipatórias, estabelecendo princípios conceituais e metodológicos para a pesquisa, a formação e o trabalho de educadores/as. A Pedagogia no seu sentido mais amplo envolve a formação do ser humano como um todo, compreendendo os processos de socialização e internalização de conhecimentos e comportamentos que o constituem como sujeito histórico e cultural. Ou seja, a Pedagogia tem como objeto a educação como formação humana e não se restringe apenas à educação escolar. É em virtude da complexidade desses processos que a Pedagogia, como ciência, pode subsidiar uma reflexão sistemática acerca das práticas educativas em suas manifestações plurais. Desse modo, a presença da Pedagogia se faz necessária para compreender e mobilizar processos de formação humana em diferentes espaços e tempos sociais.

Concordando com Franco (2008), compreendemos a Pedagogia como a ciência que tem como objeto de estudo a práxis educativa. Como um elemento central nessa abordagem da Pedagogia como ciência, “o conceito de práxis está intimamente vinculado à prática, uma vez que esta é a referência para a transformação da realidade - não uma prática qualquer, mas, sim, uma prática carregada de intencionalidade, como expressão do caráter terreno do pensamento” (PIMENTA; PINTO; SEVERO, 2020). Segundo Houssaye (apud FRANCO; LIBÂNEO; PIMENTA, 2006), a Pedagogia é a junção da teoria e da prática em um movimento internamente articulado, o que torna a/o pedagoga/o simultaneamente uma/um intelectual e uma/um prática/o em educação.

A desarticulação entre as dimensões epistemológica, disciplinar-formativa e prática da Pedagogia - demonstradas nas atuais legislações, as quais expõem uma concepção reducionista ao atrelar a Pedagogia à docência - influencia diretamente a organização curricular do curso de Pedagogia que tem dado prioridade ao magistério para formação inicial da/o pedagoga/o, desconsiderando os demais espaços educativos de exercício dessa/e profissional, uma vez que a práxis educativa vai para além da educação escolar, voltando-se para a formação do ser humano em sua totalidade (PIMENTA; SEVERO, 2015).

Consequentemente, o curso não consegue abranger com profundidade outros espaços educativos para além da escola, nem mesmo funções pedagógicas para além da docência - que não entendemos como sinônimo de trabalho pedagógico - resultando em uma formação simplificada e limitada, na qual as/os estudantes não conseguem construir um perfil profissional multidimensional, que as/os habilite a exercer sua prática em diferentes espaços sociais.

Diante desse processo de descaracterização do curso de Pedagogia e da identidade profissional da/o pedagoga/o, surge o questionamento de como a Pedagogia está sendo abordada em pesquisas associadas a trabalhos de conclusão de curso de graduação em Pedagogia e do Programa de Pós- Graduação em Educação no Centro de Educação da Universidade Federal da Paraíba (CE-UFPB). O intuito da presente pesquisa, realizada através do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC), financiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), é compreender os modos pelos quais a Pedagogia como campo de conhecimento, como lócus formativo e como profissão tem sido problematizada nas pesquisas objeto de nosso estudo. Como objetivos específicos, a pesquisa buscou mapear a produção acadêmica sobre o curso de Pedagogia em trabalhos de conclusão de curso de graduação e pós-graduação stricto sensu do CE-UFPB; problematizar o lugar da Pedagogia como campo de conhecimento nesses trabalhos; e apontar contribuições à formação de pedagogas/os a partir de conclusões alcançadas pelos trabalhos mapeados.

Metodologia

O trabalho desenvolvido caracterizou-se como uma pesquisa bibliográfica do tipo estado da arte, a qual consiste na revisão de um conjunto de produções acadêmicas delimitado a partir de critérios específicos, a fim de identificar e examinar tendências, lacunas e questionamentos sobre um determinado tema. Os critérios foram: a) os trabalhos deveriam tratar da Pedagogia como campo, curso e profissão ou como objeto específico da pesquisa ou como referencial incorporado à fundamentação teórica dos mesmos; b) deveriam situar-se no marco temporal de 2007, um ano após a homologação das atuais DCN, a 2020.

Segundo Romanowski e Ens (2006), as pesquisas do tipo “estado da arte” podem representar uma importante contribuição para a construção do campo teórico das áreas de conhecimento científico. As autoras apontam que pesquisas dessa natureza,

Procuram identificar os aportes significativos da construção da teoria e prática pedagógica, apontar as restrições sobre o campo em que se move a pesquisa, as suas lacunas de disseminação, identificar experiências inovadoras investigadas que apontem alternativas de solução para os problemas da prática e reconhecer as contribuições da pesquisa na constituição de propostas na área focalizada (ENS; ROMANOWSKI, 2006, p. 39).

Esse tipo de pesquisa tem como procedimentos fundamentais o mapeamento e a revisão das fontes. O primeiro “têm como finalidade central levantar indicadores que fornecem caminhos ou referências teóricas para novas pesquisas”; e o segundo “busca identificar as condições em que determinadas evidências ocorrem e a possibilidade de identificação de padrões de ocorrência.” (VOSGERAU; ROMANOWSKI, 2014 apud MELLO; PREZENSZKY, 2019).

Sendo assim, o percurso metodológico da pesquisa teve como base de dados o Repositório Institucional da UFPB. Para mapear as pesquisas relacionadas ao tema, utilizamos a palavra “Pedagogia” como descritor de conteúdo.

Os trabalhos foram selecionados a partir da leitura dos resumos das pesquisas, para identificar o objeto de estudo, e, em algumas delas, foi necessário fazer leitura de sumários, dos trechos introdutórios, da análise dos dados e das considerações finais para identificar se estavam relacionadas ao objetivo da pesquisa.

No processo de mapeamento, as pesquisas coletadas foram dispostas em uma matriz de dados organizada em 9 descritores: título, autor, orientador, ano, tipo da produção, objetivo, metodologia, concepção de Pedagogia e resultados principais.

Em seguida, iniciamos o processo de sistematização dessas pesquisas, agrupando-as em 3 categorias segundo os procedimentos indicados por Bardin (2011): Pedagogia como campo teórico, Pedagogia como formação e Pedagogia como profissão. As produções sobre a Pedagogia como campo teórico são assim definidas por se tratar de estudos que têm o intuito de levantar discussões acerca do estatuto identitário da Pedagogia como saber; as produções que abordam a Pedagogia como formação são estudos que têm como principal objetivo tratar da dinâmica formativa do curso; por fim, a categoria Pedagogia como profissão reúne as produções que abordam os saberes e as práticas da atuação de pedagogas/os.

Resultados e discussão

Ao todo, foram coletados 66 trabalhos, somando 57 Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC), 7 Dissertações e 2 Teses. As produções mapeadas datam de um período que vai de 2007 a 2021, como representado no gráfico abaixo. Esse recorte temporal obedeceu ao interesse em conhecer as produções que se deram a partir de 2006, ano de aprovação das DCN do curso.



Gráfico 1 - Período das produções
Fonte: Os autores com base nos dados da pesquisa, 2022.

Pedagogia como profissão

Na categoria sobre a Pedagogia como profissão, foram reunidos 32 TCCs e 2 dissertações que trataram da prática profissional da/o pedagoga/o, das suas áreas de atuação, bem como os desafios, contribuições e possibilidades do trabalho pedagógico nas mesmas. As principais áreas não escolares destacadas nos trabalhos são no âmbito hospitalar, organizacional, no setor jurídico e em espaços socioeducativos. Há, também, outras monografias que abrangem mais áreas que a/o pedagoga/o pode atuar, tais como: cursos de capacitação profissional, temática apresentada no TCC “Atuação de pedagogos nos cursos de formação e capacitação da polícia militar do estado da Paraíba”; e a domicílio, como apresentado no TCC “A intervenção pedagógica em domicílio: contribuições para a autonomia de pessoas com paralisia cerebral.”

No que diz respeito à Pedagogia no ambiente hospitalar, cabe ressaltar que essa área vem ganhando destaque e espaço para atuação da/o pedagoga/o. Uma das práticas pedagógicas que se inserem nesse âmbito é a classe hospitalar, a qual se respalda legalmente pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), correspondendo a uma forma de atendimento docente na modalidade Educação Especial. O objetivo principal é dar continuidade ao processo de ensino e aprendizagem de crianças e adolescentes hospitalizados.



Quadro 1 – Pesquisas sobre a prática da/o pedagoga/o no âmbito hospitalar
Fonte: Os autores com base nos dados da pesquisa, 2022.

Ao nos depararmos com os conceitos de Pedagogia Hospitalar e Classe Hospitalar nos trabalhos, percebemos que esses conceitos estão sendo compreendidos como sinônimos. No entanto, a Pedagogia Hospitalar é muito mais ampla do que a Classe Hospitalar, que por sua vez, possui a Pedagogia Hospitalar como sua base para realização da prática no atendimento à/ao criança/adolescente enfermo.

Pontes (2017), autora do TCC “A importância da Pedagogia no ambiente hospitalar, citando Mattos e Mugiatti (2006), sublinha que a Pedagogia Hospitalar é

[...] aquele ramo da Pedagogia, cujo objeto de estudo, investigação e dedicação é a situação do estudante hospitalizado, a fim de que continue progredindo na aprendizagem cultural, formativa e, muito especialmente, quanto ao modo de enfrentar a sua enfermidade, com vistas ao auto cuidado e à prevenção de outras possíveis alterações na sua saúde (MATOS; MUGIATTI, 2006 apud SIMANCAS; LORENTE, 2006, p. 79 apud PONTES, 2017).

Com relação a isso, vale destacar o TCC “A Pedagogia Hospitalar e a prática do pedagogo hospitalar”, no qual a autora traz a distinção de ambas as modalidades explicando que

A denominação Classe Hospitalar aparece como acompanhamento didático ao ser hospitalizado, para que não ocorra uma defasagem no ensino regular do educando e consecutivamente um atraso cognitivo por conta de sua internação. Já a Pedagogia Hospitalar é o conjunto de ações pedagógicas que beneficiam o aprendizado do aluno/paciente, ou seja, uma modalidade está inserida na outra (SILVA, 2018).

Além disso, a Pedagogia Hospitalar envolve atividades lúdicas em brinquedotecas, dinâmicas de formação permanente de equipes de profissionais da saúde, trabalhos de conscientização de cuidados junto aos familiares, etc., integrando saúde e educação. No TCC “A Pedagogia Hospitalar: entre os impasses e as possibilidades a partir da realidade do Hospital Barão Lucena (HBL)”, a autora Tatiane Santana de Andrade Moura afirma a importância da presença da/o pedagoga/o no âmbito hospitalar evidenciando que sua prática educativa contribui na formação física, social, cognitiva e intelectual do indivíduo hospitalizado.

De acordo com essas e as demais pesquisas que abordam essa temática, parece ser incontestável as contribuições fundamentais do trabalho da/o pedagoga/o nesse espaço para continuidade do processo de escolarização de crianças e adolescentes que precisaram deixar de frequentar a escola devido a problemas de saúde, humanizando o processo terapêutico com uma assistência educativa que se desenvolve em torno do potencial de aprendizagem em contraponto às restrições das condições de enfermidade. Entre suas principais funções, a/o pedagoga/o busca identificar as necessidades educativas particulares do/a paciente, a fim de desenvolver estratégias de ensino adaptáveis para a condição na qual este/a se encontra. Desse modo, o papel da/o pedagoga/o se faz necessário junto à equipe de profissionais da saúde, uma vez que colaborará na mediação entre a equipe do hospital e a criança/adolescente. Nas considerações finais das pesquisas supracitadas, os resultados expostos se mostram positivos nos âmbitos emocional, cognitivo e social dos educandos.

Outro aspecto observado nas pesquisas é o pouco reconhecimento curricular dessa área na formação em Pedagogia e a literatura técnica restrita que aborda fundamentos teórico-metodológicos que são requeridos. Os autores expressam que há muitas poucas pesquisas sobre essa área havendo, assim, a necessidade de mais estudos e discussões que abordem essa temática. A exemplo disso, a autora do TCC “A Pedagogia hospitalar e a prática do pedagogo hospitalar”, sugere que outros estudos sejam feitos de modo a tornar conhecido como a/o pedagoga/o atua nessa área, bem como os benefícios de suas intervenções na vida de pacientes enfermos, tanto durante a internação no hospital, quanto à volta para a escola (SILVA, 2018). Ainda sobre essa questão, outra autora, do TCC intitulado “A importância da Pedagogia no ambiente hospitalar”, afirma que se outros estudos sobre a presença da Pedagogia no âmbito hospitalar forem realizados, possibilitará o atendimento pedagógico para os enfermos que estão no processo escolar, mas que muitas vezes são esquecidos (PONTES, 2017, p. 39).

Assim como a Pedagogia no âmbito hospitalar, a Pedagogia em ambientes organizacionais é uma outra área de atuação da/o pedagoga/o pouco abordada no curso. Os trabalhos que apresentam essa temática mostram a relevância do papel da/o pedagoga/o nesses espaços, uma vez que humaniza o trabalho no setor organizacional, ajuda a desenvolver as potencialidades individuais de trabalhadores/as, auxilia na organização, planejamento e elaboração de projetos, em estratégias de recrutamento e educação permanente, etc. Como observado, geralmente as/os pedagogas/os que escolhem atuar nesse ramo se situam no setor de Recursos Humanos (RH) e em setores ligados à promoção de responsabilidade social das organizações.

De acordo com Silva (2020), na dissertação “Pedagogia Organizacional: estudo baseado na teoria fundamentada (grounded theory) no Nordeste do Brasil”, o autor explica que a Pedagogia Organizacional é um “campo de práticas pedagógicas desenvolvidas nos diversos espaços não escolares, como empresas (públicas e privadas), Ongs, editoras, meios de comunicação, dentre outros”. Ele ainda afirma que, ao compreender a Pedagogia como Ciência da Educação, utilizar o termo “Pedagogia Organizacional” amplia o sentido restrito do termo “empresarial”, incorporando uma dimensão social e crítica das práticas educativas que se dão nessa área (SILVA, 2020). Assim, optamos por utilizar o termo “Pedagogia Organizacional” para nos referirmos à prática pedagógica em espaços corporativos.

O quadro 2 apresenta os trabalhos que tratam essa temática.


Quadro 2 – Pesquisas sobre a prática da/o pedagoga/o no âmbito organizacional

Fonte: Os autores com base nos dados da pesquisa, 2022.

Os TCCs “Concepções acerca das contribuições do pedagogo empresarial: estudo de caso em uma instituição financeira” e “Educação corporativa: uma formação ao longo da vida”, apontam que os/as funcionários/as e gestores/as associam a profissão de pedagoga/o unicamente à docência e não acham que seja importante a presença da/o pedagoga/o na empresa; além de confundir suas funções com as de outras profissões e de atribuir suas responsabilidades profissionais a outros profissionais que não compreendem o processo de ensino e aprendizagem.

O reducionismo que acaba por associar a Pedagogia à docência desconsidera diferentes possibilidades de inserção profissional da/o pedagoga/o. De fato, a docência também faz parte do leque de possibilidades de atuações profissionais desse profissional, entretanto não se limita exclusivamente a isso. Levando em consideração esses dados obtidos nos respectivos TCCs supracitados, vale destacar o quanto a identidade profissional da/o pedagoga/o é descaracterizada e desvalorizada pela sociedade, assim como, ainda, acontece nos próprios cursos de Pedagogia, uma questão problemática e muito presente nas pesquisas analisadas.

O setor judiciário e as unidades socioeducativas, também são outros espaços não escolares destacados como possibilidades de exercício profissional da/o pedagoga/o. Como exposto nas produções que abordam essa área (quadro 3), a presença da/o pedagoga/o nesses setores se faz cada vez mais necessária uma vez que seu trabalho propicia aos/às reeducandos/as a possibilidade de dar continuidade ao processo de escolarização dentro do contexto socioeducativo, na ressocialização e na construção da cidadania. Quanto à Pedagogia Jurídica, o trabalho de pedagogas/os auxilia a execução de medidas judiciais de modo a garantir a efetividade do direito à educação manifestado na promoção de condições para a formação humana.


Quadro 3 – Pesquisas sobre a prática da/o pedagoga/o em espaços socioeducativos

Fonte: Os autores com base nos dados da pesquisa, 2022.

A dissertação “Pedagogia jurídica: a atuação de pedagogas nas equipes multidisciplinares do fórum da infância e da juventude de João Pessoa-PB”, apresenta o conceito de Pedagogia Jurídica como,

Um campo de saberes e práticas exercidas por Pedagogos(as) na esfera do Poder Judiciário no Brasil, exige o desenvolvimento de argumentos teóricos capazes de vincular três aspectos fundamentais: a noção de Pedagogia como ciência, a prática pedagógica não escolar e a pertinência da expertise profissional do(a) Pedagogo(a) na construção da Justiça, envolvem diferentes dimensões da promoção, defesa e ampliação do Direito à Educação como Direito Humano (CARVALHO, 2020).

As pesquisas dessa categoria indicam que o trabalho pedagógico no setor jurídico acontece em diferentes espaços, mas principalmente naqueles em que se manifestam situações e fatores de risco e vulnerabilidade social. Contudo, mesmo reconhecendo a importância atribuída ao tema, os trabalhos indicam que o curso tem negligenciado um tratamento curricular mais específico aos saberes e às práticas relativas a esse âmbito de trabalho.

Pedagogia como lócus de formação

Os estudos que abordam sobre a Pedagogia como formação totalizam 27 produções, conforme demonstra o quadro a seguir.



Quadro 4 – Pesquisas sobre a Pedagogia como formação
Fonte: Os autores com base nos dados da pesquisa, 2022.

Conforme os dados obtidos apontaram, o curso de Pedagogia da UFPB cumpre com as determinações das Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), possuindo um caráter crítico e oferece referências teórico-práticas para o desenvolvimento de capacidades profissionais da/o pedagoga/o para atuar em sala de aula, tendo em vista que sua base formativa é a docência. Além do mais, o curso traz importantes contribuições no aspecto de desenvolvimento pessoal, uma vez que incentiva a ampliação do pensamento crítico do aluno quanto à educação e sociedade, favorecendo a formação da e para a autonomia. Porém, as pesquisas dessa categoria apontam que ainda é preciso de aprimoramento nos aspectos metodológico, teórico e prático do curso para a área da docência na Educação Infantil, em particular, e para a Gestão Educacional.

Os trabalhos apontam outras temáticas que mereciam mais destaque ou deveriam ser inseridas na formação da/o pedagoga/o docente, a exemplo temos os TCCs: Ensino de matemática nos anos iniciais do Ensino Fundamental: formação de pedagogos e prática de sala de aula na cidade do Conde/PB (AUTOR, ano); e Consciência Fonológica na formação docente de pedagogos. O primeiro trabalho apresentou as dificuldades e desafios enfrentados pela/o pedagoga/o docente que trabalham a disciplina de matemática em sala de aula, baseado em entrevistas com outras pedagogas docentes, e ressalta a necessidade de uma formação continuada voltada para o ensino de disciplinas específicas do Ensino Fundamental I, que capacite as/os pedagogas/os que desejam atuar como professores da educação básica, alegando que a carga horária para o ensino dessas disciplinas durante a formação superior é insuficiente.

Quanto ao segundo TCC supracitado, a autora apresenta o conceito de consciência fonológica e sua importância nos processos de alfabetização e letramento das crianças para a/o pedagoga/o que irá atuar como professor dos anos iniciais do ensino fundamental.

Segundo análise da autora, essa temática não é apresentada durante a formação da/o pedagoga/o e, embora o curso tenha como base formativa a docência para o Educação Infantil e anos iniciais do ensino fundamental, os estudantes concluintes entrevistados para sua pesquisa demonstraram desconhecimento dessa temática. O trabalho destaca o desafio de formar a/o professora/o alfabetizadora/or no curso de Pedagogia quando este não possui sequer uma disciplina voltada ao tema.

Ainda sobre a Educação Infantil, a autora do TCC “Saberes do curso de Pedagogia para a formação do profissional da educação infantil”, afirma que o curso de Pedagogia oferece conhecimentos necessários para a prática da/o pedagoga/o docente, sobretudo, para a educação infantil, apesar de haver carência de um aprofundamento disciplinar para essa área da educação básica.

Com relação a/ao pedagoga/o docente da Educação de Jovens e Adultos (EJA), foi possível depreender que nessa modalidade de ensino há muitos desafios para o profissional de pedagogia, uma vez que sua prática de ensinar precisa dialogar com a realidade econômica, cultural e política de seus alunos, sempre pautada na cidadania. Acerca da formação, as pesquisas que tratam dessa temática revelam que o curso de Pedagogia dispõe de disciplinas suficientes para essa modalidade, haja vista possuir uma área de aprofundamento que a ela se volta, aportando elementos críticos sobre educação e sociedade. Apesar disso, as pesquisas demonstram que são necessárias atualizações para essa área durante a formação no curso, como: aumentar a carga horária de atividades práticas nos estágios, além de trazer conteúdos que retratem realidades cotidianas que as/os futuras/os pedagogas/os irão se deparar em sua prática, sobretudo, docente.

Além disso, foram apontadas divergências na forma que o curso é ofertado nos três turnos, principalmente no noturno. Por exemplo, o trabalho “A formação do/a licenciado/a em Pedagogia na UFPB: reflexões sobre a oferta do curso noturno”, apresenta que há defasagem na oferta de disciplinas no turno noturno, a exemplo de alguns estágios que deveriam ser obrigatórios. O autor aponta que, apesar do projeto político do curso oferecer a opção de duas áreas de aprofundamento: Educação Especial e Educação de Jovens e Adultos (EJA), para o graduando do turno da noite só é possível a última opção.

Os trabalhos trazem, ainda, uma breve explanação sobre a formação na área da Gestão Educacional. Essas pesquisas apontam que a área da gestão aparece de forma reduzida no currículo e a carga horária se mostra insuficiente para uma área tão complexa. O TCC “A formação do pedagogo para atuar na gestão escolar: o Curso de Pedagogia da Universidade Federal da Paraíba” trata exclusivamente dessa temática, evidenciando que, apesar do curso atender às determinações das DCNs na oferta de disciplinas relacionadas à área da gestão, o currículo do curso não atende à necessidade das/os graduandas/os para se aprofundarem nessa área, os conteúdos das disciplinas específicas se mostram insuficientes e a formação da/o pedagoga/o gestora/or se torna frágil e simplificada..

Com relação à Educação Inclusiva, as pesquisas (quadro 5) expõem que a formação inicial da/o pedagoga/o para atuar nessa área também se mostra insuficiente, apresentando as dificuldades e desafios que esses profissionais enfrentam ou vão enfrentar ao lidar com alunos com deficiência em sala de aula ou fora dela. Como apresentou os resultados do TCC “A importância da formação do pedagogo para atuar na Educação Inclusiva”, os professores entrevistados nessa pesquisa não receberam uma preparação plena no curso para atuarem na referida modalidade, tendo que aprender por experiência própria através do fazer cotidiano. Desse modo, a/o pedagoga/o precisa buscar uma formação continuada em determinadas áreas específicas uma vez que a formação inicial não oferece um aprofundamento considerável para as demais áreas educativas.

Apesar de haver diversos trabalhos que tratam da temática sobre a Educação Inclusiva, na presente pesquisa, incluímos apenas produções que abordassem, especificamente, a Educação Inclusiva com enfoque no curso de Pedagogia e na formação da/o pedagoga/o.


Quadro 5 – Pesquisas sobre a Educação Inclusiva na formação da/o pedagoga/o

Fonte: Os autores com base nos dados da pesquisa, 2022.

De modo geral, a questão problemática mais ressaltada nos trabalhos que se referem à Pedagogia como lócus de formação é quanto à organização curricular do curso e a formação inicial da/o pedagoga/o para um amplo campo de possibilidades de inserção profissional. As pesquisas evidenciam as muitas lacunas encontradas no currículo do curso, como: a falta de disciplinas que contemplem as muitas áreas de atuação profissional de Pedagogia, a carência de mais horas de atividades práticas e mais diversidade de espaços nos estágios, tendo em vista que estes acontecem exclusivamente em ambientes escolares e não oportunizam vivências em espaços não escolares. A educação não escolar aparece de forma residual e sucinta no Projeto Político-Pedagógico (PPP) do curso, precisando de uma reavaliação e reformulação de um currículo que contemple a educação não escolar, além de evidenciá-la como campo de atuação da/o pedagoga/o. Por exemplo, há um vasto leque de áreas profissionais para a/o pedagoga/o se especializar e exercer sua prática educativa – como já apresentado anteriormente nas pesquisas da categoria “Pedagogia como profissão” – no entanto, conforme as pesquisas das quais tratamos no presente tópico, o curso oferece apenas duas áreas de aprofundamento: Educação Especial e Educação de Jovens e Adultos, ambas direcionadas ao magistério. Assim, as/os estudantes ficam sem opção de escolher outras áreas de seu interesse. Por isso, se faz necessária a formulação de um novo currículo que contemple de forma mais orgânica os âmbitos de atuação profissional da/o pedagoga/o.

Pedagogia como campo teórico

Na categoria “Pedagogia como campo teórico”, somam-se 4 trabalhos. Essas produções foram assim classificadas por se tratar de estudos que se dedicam à reflexão conceitual sobre as bases da Pedagogia, mas desdobram reflexões sobre campos de atuação e problemáticas da formação da/o pedagoga/o. Ressalta-se que apesar dos trabalhos refletirem outras categorias temáticas deste estudo, os mesmos foram concebidos no âmbito da Pedagogia como campo teórico por evidenciarem com maior especificidade a problemática epistemológica da Pedagogia.


Quadro 6 – Pesquisas sobre a Pedagogia como campo teórico

Fonte: Os autores com base nos dados da pesquisa, 2022.

A Pedagogia como Ciência da Educação, tem como objeto de estudo a educação em sua dimensão como prática social, a qual busca investigar a teoria e a prática da educação nos seus aspectos sociais, políticos, econômicos, psicológicos, a fim de descrever e explicar a prática educativa. (LIBÂNEO, 2008).

A Pedagogia é um campo de saberes múltiplos, que perpassa as mais variadas esferas sociais – algumas das quais foram destacadas nas pesquisas objeto de estudo dessa pesquisa – que investiga os meios e os fins do fenômeno educativo para a formação humana, a fim de preparar os indivíduos para a vida social. Segundo Libâneo (2008),

O caráter pedagógico da prática educativa se verifica como ação consciente, intencional e planejada no processo de formação humana, através de objetivos e meios estabelecidos por critérios socialmente determinados e que indicam o tipo de homem a formar, para qual sociedade, com que propósitos (LIBÂNEO, 2008, p. 25).

Essa ação educativa intencional, comprometida, reflexiva, transformadora tanto da teoria que a determina, quanto da prática que a realiza e que visa atender às demandas sociais é denominada de práxis educativa (FRANCO, 2008). Esse é o objeto da Pedagogia como ciência. Desse modo, a práxis pedagógica acontece, concomitantemente, onde a prática educativa se faz presente. É responsabilidade da Pedagogia criar, organizar e orientar o processo educativo, proporcionando e organizando os métodos para os fins da educação.

Apesar dos debates acerca da identidade da Pedagogia e as diretrizes curriculares não terem trazido, de fato, uma definição efetiva, é notório o esforço por parte de educadores, sobretudo, as/os pedagogas/os pesquisadores em colocar em pauta a questão epistemológica da Pedagogia a fim de remover a subalternização existente da Pedagogia em relação às outras áreas a fim de dar autonomia científica para a Pedagogia como ciência.

Assim sendo, buscamos investigar, também, pesquisas que abordam a identidade da Pedagogia e que levantam discussões em torno dessa questão. Conforme analisadas as pesquisas referentes à categoria “Pedagogia como campo teórico”, destacamos a dissertação “A significação da Pedagogia: discurso curricular, representações sociais e perspectivas de ensino na formação inicial de pedagogos”, na qual expõe que no Projeto Político Pedagógico (PPP) do curso de Pedagogia e nas DCNs não é especificado o sentido epistemológico da Pedagogia, demonstrando a ausência de conceituação da Pedagogia e do conhecimento pedagógico, limitando a Pedagogia à docência.

Outro ponto destacado na monografia supracitada é a falta de clareza em relação a conceituação da Pedagogia, como campo de conhecimento, por parte dos professores formadores do curso, e isso acontece justamente devido a própria trajetória tanto na formação, quanto profissionalmente, desses professores.

Ainda nos outros trabalhos dessa categoria, a questão de centralizar a docência como base da Pedagogia é vista como um problema. Por exemplo, no TCC “Pedagogia empresarial no curso de Pedagogia: olhares sobre o debate”, as autoras buscaram analisar como a pedagogia organizacional estaria sendo discutida no âmbito do curso de Pedagogia em TCCs, além de compreender criticamente como a própria Pedagogia estaria sendo definida nesses trabalhos. Elas afirmam que alguns dos TCCs objetos do seu estudo apresentam a/o pedagoga/o apenas como professora/or das series infantis e iniciais do ensino fundamental, no entanto, elas destacam que uma das autoras dos TCCs analisados por elas, conseguiu trazer uma definição clara do que vem a ser a Pedagogia e o papel da/o pedagoga/o:

A pedagogia é, então, o campo do conhecimento que se ocupa do estudo sistemático da educação do ato educativo, da pratica educativa, como componente integrante da atividade humana, como o fato da vida social inerente ao conjunto dos processos sociais. Não há sociedade sem práticas educativas (MARTINS, 2010 apud MELO; NASCIMENTO, 2015).

Essas e as demais pesquisas dessa categoria apontam que por mais que as DCNs e o PPP do curso façam uma sucinta referência ao trabalho da/o pedagoga/o em espaços não escolares, nota-se que o currículo do curso ainda é muito voltado a formar a/o pedagoga/o para ser professora/or do Educação Infantil e Ensino Fundamental I, dada a centralização da Pedagogia à docência no âmbito da formação da/o pedagoga/o, tendendo associar a Pedagogia e a profissão de pedagoga/o, exclusivamente, a docência e/ou colocar as duas profissões como sinônimos, desconsiderando seu sentido epistemológico. Todavia, um ponto positivo quanto a isso é que as/os próprias/os autoras/es compreendem e alegam que tal associação ocorre devido as DCNs normatizarem e polarizarem a Pedagogia e o curso, primordialmente, a docência.

Considerações finais

As fragilidades na formação inicial da/o pedagoga/o apresentadas nas pesquisas analisadas são provenientes da carência de conceituação do sentido da Pedagogia como campo de conhecimento, sobretudo, por parte das diretrizes curriculares vigentes. Fica claro que, no curso, os conteúdos programáticos são organizados e fundamentados em preparar a/o pedagoga/o exclusivamente para a docência, o que é um equívoco, levando em consideração que a/o pedagoga/o pode exercer sua prática nas mais diversas áreas profissionais. Em consequência disso, as/os pedagogas/os enfrentam muitas dificuldades para exercer sua profissão em espaços não escolares, uma vez que sua formação não aborda a Educação Não Escolar em seu currículo, de forma clara e aprofundada, deixando lacunas em sua formação.

Através da investigação dessas pesquisas, nota-se que há o desafio em articular a Pedagogia como campo de conhecimento e como curso de formação profissional. Além da demanda de uma reformulação curricular que insira outros espaços de atuação da/o pedagoga/o em seus conteúdos teórico-práticos, ainda, faz necessário que sejam inseridos conteúdos disciplinares que assim como ocorre com o curso, onde se estuda a sua trajetória sócio-histórica, que se estude a própria Pedagogia como Ciência da Educação e sua trajetória sócio-histórica.

Espera-se que com essa pesquisa, o debate sobre o sentido da Pedagogia e a formação da/o pedagoga/o seja ampliado, em especial, no âmbito da UFPB, a fim de levantar discussões sobre essas questões tão fundamentais para as/os educadoras/es frente às mudanças que vem ocorrendo no cenário atual. Primeiramente, é necessário que a Pedagogia seja conceituada no seu sentido pleno, abrangendo toda sua complexidade tanto como campo de conhecimento quanto como curso de formação profissional. A compreensão da Pedagogia deve deixar de ser pautada apenas à docência - colocando esta como uma de suas áreas de atuação - e ser reconhecida como Ciência da Educação, a Ciência Prática, para que se possa gerar reflexões acerca da estrutura curricular que atualmente organiza os cursos de Pedagogia e pôr em discussão os elementos teóricos e práticos que devem servir de pressupostos para a formulação legislativa a fim de normatizar questões educacionais. No mais, uma reformulação curricular que abranja o sentido epistemológico da Pedagogia e insira a educação não escolar na formação das/os pedagogas/os irá fortalecer a capacidade formativa do curso e trará mais clareza quanto aos objetivos profissionais e sociais da/o pedagoga/o, visto que a Pedagogia é responsável por atender às demandas sociais no sentido de buscar soluções para as problemáticas do cenário contemporâneo no que se refere à formação humana, e a/o pedagoga/o é a/o profissional habilitado para desenvolver intervenções articulando a teoria e a prática.

De acordo com o estudo feito nessas pesquisas, podemos considerar que é imprescindível uma reavaliação da proposta curricular que seja fundamentada não somente na docência, mas, sobretudo, na articulação entre as dimensões epistemológica, prática e disciplinar para garantir uma formação adequada ao pedagogo a fim de formar “aquele que procura conjugar a teoria e a prática pela própria ação”, fazendo “surgir um plus, na e pela articulação teoria-prática da educação”. (HOUSSAYE, 2002 apud FRANCO; LIBÂNEO; PIMENTA, 2006).

Referências bibliográficas

BARDIN, L. Análise de conteúdo. São Paulo: Edições 70, 2011.

BRASIL. Conselho Nacional de Educação. Resolução CNE/CP 2/2019, de 20 de dezembro de 2019. Define as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação Inicial de professores da Educação Básica (BNC-Formação). Diário Oficial da União, Brasília, seção 1, p. 46-49, 20 de dezembro de 2019.

BRASIL. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Diretrizes Curriculares Nacionais para o curso de Graduação em Pedagogia. Resolução n º1, de 15 de maio de 2006. Brasília: MEC, 2006.

ENS, R. T.; ROMANOWSKI, J. P. As pesquisas denominadas do tipo "estado da arte" em educação. Revista Diálogo Educacional, Paraná, vol. 6, n. 19, p. 37-50, set./dez. 2006. Disponível em: http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=189116275004. Acesso em: 18 jul. 2022.

FRANCO, M. A. R. S. Pedagogia como ciência da educação. ed. 2. rev. ampl. São Paulo: Cortez, 2008.

FRANCO, M. A. S.; LIBÂNEO, J. C.; PIMENTA, S. G. Elementos para a formulação de diretrizes curriculares para cursos de Pedagogia. Cadernos de Pesquisa, São Paulo, v. 37, n. 130, p. 63-97, jan./abr. 2007. DOI: https://doi.org/10.1590/S0100-15742007000100005

LIBÂNEO, J. C. Prática Educativa, Pedagogia e Didática. In: LIBÂNEO, J. C.; PIMENTA, S. G. (coord.). Didática. 28. Reimp. São Paulo: Cortez, 2008. p. 15-31.

MELLO, R. R. de.; PREZENSZKY, B. C. Pesquisa bibliográfica em educação: análise de conteúdo em revisões críticas da produção científica em educação. Revista Diálogo Educacional, Curitiba, v. 19, n. 63, p. 1569-1595, out./dez. 2019. DOI: https://doi.org/10.7213/1981-416X.19.063.AO01

PIMENTA, S. G.; PINTO, U. DE A.; SEVERO, J. L. R. DE L. A Pedagogia como lócus de formação profissional de educadores(as): desafios epistemológicos e curriculares. Práxis Educativa, Ponta Grossa, v. 15, p. 1-20, 6 jun. 2020. DOI: https://doi.org/10.5212/PraxEduc.v.15.15528.057

PIMENTA, S. G.; SEVERO, J. L. R. DE L. A Pedagogia entre passado e contemporaneidade: apontamentos para uma ressignificação epistemológica. Inter-Ação, Goiânia, v. 40, n. 3, p. 477-492, set./dez. 2015. DOI: http://dx.doi.org/10.5216/ia.v40i3.35869

SCHMIED-KOWARZIK, W. Pedagogia dialética. São Paulo: Brasiliense, 1983.



Buscar:
Ir a la Página
IR
Visor de artículos científicos generados a partir de XML-JATS por