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Resenha do Livro “Atividades aquáticas: um olhar dirigido ao ensino”
Rômulo Meira Reis; Marina Cocco Faria; Caio Serpa
Rômulo Meira Reis; Marina Cocco Faria; Caio Serpa
Resenha do Livro “Atividades aquáticas: um olhar dirigido ao ensino”
Book review “Aquatic Activities: A Look at Teaching”
Reseña del libro “Actividades acuáticas: una mirada a la enseñanza”
Olhar de Professor, vol. 27, pp. 01-006, 2024
Universidade Estadual de Ponta Grossa
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Resenhas

Resenha do Livro “Atividades aquáticas: um olhar dirigido ao ensino”

Book review “Aquatic Activities: A Look at Teaching”

Reseña del libro “Actividades acuáticas: una mirada a la enseñanza”

Rômulo Meira Reis
UERJ, Brasil
Marina Cocco Faria
UERJ, Brasil
Caio Serpa
UFRJ, Brasil
Olhar de Professor, vol. 27, pp. 01-006, 2024
Universidade Estadual de Ponta Grossa

Recepción: 14 Marzo 2024

Aprobación: 18 Junio 2024

Apresentação

O presente trabalho proporciona uma resenha sobre o livro - Atividades aquáticas: um olhar dirigido ao ensino, organizado pelo professor Guilherme Tucher e pela professora Márcia Fajardo, o qual representa uma obra fundamental para quem busca uma compreensão aprofundada sobre o ensino e aprendizado de esportes aquáticos. Este livro educacional oferece um mergulho completo no mundo das atividades aquáticas, destacando-se por sua abordagem pedagógica cuidadosa e abrangente, dedicada à professores e professoras.

A narrativa descritiva do livro guia os leitores por uma jornada que perpassa pela história das atividades aquáticas, aquisição de habilidades motoras, nado artístico, no polo aquático e técnicas específicas. Os organizadores abordam de forma minuciosa aspectos pedagógicos relacionados ao ensino dessas atividades, oferecendo proposições valiosas para professores e professoras de Educação Física Escolar, treinadores e treinadoras de esportes aquáticos.

Um dos pontos fortes do livro é a diversidade de tópicos abordados, em que são explorados não apenas os aspectos técnicos dos estilos de nado como: crawl, costas, peito e borboleta, mas também aprofundam questões como a adaptação ao meio aquático, prática de atividades aquáticas para pessoas com deficiência e segurança em atividades aquáticas para grupos de risco. Essa abordagem ampla reforça a relevância do livro tanto para estudantes quanto para professores e professoras ou especialistas na área.

Além disso, os organizadores, autores e autoras dos capítulos demonstram conhecimento pelo assunto, tornando a leitura envolvente, esclarecedora e informativa. A maneira como articulam conceitos pedagógicos com elementos práticos pode ser apreciada por aqueles que desejam aprimorar suas habilidades de ensino em esportes aquáticos, diferenciando-se dos demais livros do campo da Educação Física, que em geral denotam a performance e o alto rendimento.

Desdobramentos da obra

Os primeiros quatro capítulos oferecem uma base sólida para compreender o mundo das atividades aquáticas sob uma perspectiva educacional. Nesse sentido, o primeiro capítulo mergulha na história das atividades aquáticas, apresenta o desenvolvimento e a evolução das práticas aquáticas ao longo dos anos, enfatizando o contexto histórico para entender o papel atual dessas atividades na educação física e no esporte. Tal perspectiva histórica possibilita a exploração da dimensão conceitual do conteúdo, a qual refere-se ao ensino através dos conceitos específicos das práticas da cultura corporal de movimento, como por exemplo, apresentando as transformações históricas do esporte na sociedade (Darido; Rangel, 2005).

Vale ressaltar que, o processo de ensino aprendizagem deve ser integral, isto é, as três dimensões do ensino, a se saber, atitudinal, procedimental e conceitual, devem estar presentes. O fato do livro aqui resenhado ter como primeiro capítulo uma análise histórica das atividades aquáticas, demonstra uma preocupação na superação da prática somente pela prática.

Destacamos que, o ensino de questões sócio-históricas das modalidades é uma forma de superação do fazer pelo fazer, assim, ao adentrar nas questões conceituais, como por exemplo, o desenvolvimento histórico dos esportes aquáticos, os discentes podem ser capazes de refletir sobre a prática da modalidade numa perspectiva crítica.

Logo, ensinar a história das atividades aquáticas contribui para com o processo ensino aprendizagem, ampliando os horizontes educacionais, seguindo em direção ao para além do fazer.

Como também, aumenta as possibilidades avaliativas, ultrapassando as perspectivas tradicionais, em que, apenas os aspectos motores, tais como, a técnica das modalidades, a melhoria de índices cinemáticos etc. eram avaliadas (Darido, 2012).

No segundo capítulo, há o ingresso no âmbito pedagógico da aprendizagem das atividades aquáticas na Educação Física escolar, discussão sobre metodologias de ensino, estratégias de motivação e a importância do planejamento de aulas eficazes. Essa seção disponibiliza entendimentos para professores e professoras que buscam melhorar suas práticas de ensino no ambiente escolar. Isto posto, as dimensões do conteúdo (conceitual, procedimental e atitudinal) citadas por Darido e Rangel (2005) podem estar contempladas nas estratégias metodológicas e no planejamento das aulas, oportunizando fluidez ao processo de ensino-aprendizagem das atividades aquáticas.

O terceiro capítulo atravessa os aspectos fisiológicos no processo de ensino-aprendizagem das atividades aquáticas, detalha como o corpo humano reage ao meio aquático, considerando questões como flutuação, equilíbrio, resistência, respiração e adaptação. Então, os conhecimentos sobre fisiologia tornam-se cruciais para otimizar o ensino e a prática das atividades aquáticas, garantindo a segurança e o desempenho dos alunos e alunas, ratificando também o conceito de interdisciplinaridade do campo da Educação Física, afinal, o professor ou professora necessitam de conhecimentos multifacetados para ensinar (Darido; Rangel, 2005). Portanto, a conexão interdisciplinas no campo da Educação Física, sobretudo nas atividades aquáticas, não devem ser negligenciada durante a prática pedagógica.

A temática do quarto capítulo ingressa nos conceitos biomecânicos aplicados à construção da consciência corporal na adaptação ao meio aquático. Desse modo, são analisados e discutidos como os princípios biomecânicos influenciam diretamente na técnica do nado e como essa compreensão pode ser transmitida aos alunos de maneira eficaz. Desse modo, compreende-se que essa seção pode auxiliar aqueles que desejam aprimorar suas habilidades de ensino em esportes aquáticos, pois contempla ações para a execução do nado aproveitando as características corporais. Reforçando atributos da dimensão procedimental ao proporcionar aos alunos vivências das atividades aquáticas frente as técnicas realizadas (Darido; Rangel, 2005; Darido, 2012).

O conjunto dos quatro capítulos iniciais realça a necessidade pela busca e a importância de possuir uma gama de conhecimentos aplicáveis ao ensino das atividades aquáticas. Portanto, corrobora com as premissas de Darido e Rangel (2005) em relação a explorar, aprofundar e diversificar os conteúdos da Educação Física em fontes de conexão com diferentes conhecimentos, ratificando a posição de que esta sinergia do conhecimento é benéfica à Educação Física, principalmente, ao ensino das atividades aquáticas.

No conteúdo do capítulo cinco ao capítulo nono, as análises sobre a atividades aquáticas ocorrem através do exame da adaptação ao meio aquático e os estilos de nado, abordando aspectos específicos e técnicos, realçando a dimensão procedimental do conteúdo sobre a aquisição dos fundamentos básicos do esporte (Darido; Rangel, 2005; Darido, 2012). Todavia, a obra mantém a objetividade voltada ao ato de ensinar.

Isto posto, o quinto capítulo possui o foco na fase de (re)adaptação ao meio aquático. Assim, o desenvolvimento da questão discute quais maneiras e como os indivíduos (alunos ou futuros alunos) podem superar o desafio inicial de se adaptar à água, destacando técnicas e estratégias como: uso ou não de óculos, formas de respiração, equilíbrio, flutuação, uso de meios auxiliares (prancha, macarrão, tapete flutuante ou bolas), atividades lúdicas e mergulhos, que podem ser usadas para facilitar essa transição e facilitar a integração do indivíduo com a água.

Entre os capítulos sexto e nono há um profundo mergulho nos diferentes estilos de nado: crawl (6º capítulo), costas (7 º capítulo), peito (8 º capítulo) e borboleta (9 º capítulo). Apesar de seguirem uma “linha tradicional”, voltada a execução da técnica e do gesto motor do nado com maior eficiência, os autores concentram o foco no ensino sob o olhar do professor, na correção do gesto, na eficiência, no deslize, na redução do “arrasto” e no aprimoramento dos nados tanto para iniciantes quanto para atletas que estão no nível de competição, beneficiando assim, alunos ou professores que atuam em diferentes níveis. Não obstante, cabe destacar que formas e sugestões para ensinar a alunos e alunas são explicitadas nos capítulos de maneira pedagógica, reduzindo o tecnicismo (Darido; Rangel, 2005).

Saindo do viés técnico esportivo, o décimo capítulo dedica a atenção para a prática de atividades aquáticas para pessoas com deficiência. Dessa maneira, conceitos ligados à inclusão e acessibilidade nas atividades aquáticas estão em cena, oferecendo orientações práticas e estratégias pedagógicas sobre como empregar os ensinamentos para atender às necessidades específicas de diferentes indivíduos. Então, a inclusão e igualdade de acesso as atividades aquáticas ficam evidenciados, evitando o capacitismo.

Por outro lado, o décimo primeiro capítulo aborda atividades aquáticas para grupos de risco, enfatizando a segurança e a prevenção de acidentes em ambientes aquáticos. Nesse sentido, pessoas como: diabéticos, hipertensos, obesos, gestantes, tabagistas, ateroscleróticos ou cardiopatas são inclusas no processo ensino-aprendizagem das atividades aquáticas. Logo, são compartilhadas informações sobre como criar programas de atividades aquáticas, recomendando ações como acompanhamento médico e revisões periódicas para garantir a segurança dessa população, especialmente em situações que envolvem crianças, idosos e pessoas com condições de saúde específicas. Isto posto, tais informações podem servir como ponto de partida para professores e professoras que se deparam ou depararão com o desafio de ensinar a grupos especiais.

Os capítulos finais, décimo segundo e décimo terceiro capítulos, explicitam os temas do nado artístico e do polo aquático respectivamente, modalidades pouco exploradas no campo da Educação Física. Mantendo a linha educacional do livro, o ensino do nado artístico é revelado por características marcantes tais como: resistência, flexibilidade, força e controle da respiração, as quais são combinadas a técnica, beleza e expressão corporal na água. Há também uma análise detalhada das habilidades e estrutura do nado artístico, visando o aprimoramento dessa “arte aquática”. Então, tal estruturação transcende as coreografias ritmadas no ambiente aquático, com os participantes em perfeita sincronia.

O décimo terceiro capítulo, que finaliza a obra, trata da aquisição de habilidades motoras do polo aquático, um esporte competitivo e dinâmico. Assim, rompendo a barreira sobre o mito da masculinidade que percorre a modalidade (Telles etal., 2015), os autores “chutam para o gol” através de uma abordagem pedagógica com atividades coeducativas para propor formas de desenvolver habilidades motoras para prosperar no polo aquático. Então, surgem explicações sobre o ensino de habilidades como a pernada alternada (movimento para manter o jogador flutuando), segurar e receber a bola, passes, chutes para o gol e variações, nado para deslocamentos e posicionamento de jogadores na piscina. Portanto, a dimensão procedimental do conteúdo de Darido e Rangel (2005), recebe uma perspectiva pedagógica para estimular a prática e consequentemente a aquisição de habilidades motoras através de vivências do esporte aquático.

A coletânea dos treze capítulos do livro alcança as proposições de Darido e Rangel (2005) para os elementos da cultura corporal de movimento que compõem a Educação Física, percorrendo ao longo do texto um caminho “para além do gesto motor e do tecnicismo”, mantendo o cunho educacional e pedagógico.

Material suplementario
Referências
DARIDO, S. C.; RANGEL, I. C. A. Educação Física na escola: implicações para a prática pedagógica. Guanabara Koogan, 2005.
DARIDO, S. C. Educação física na escola: conteúdos, suas dimensões e significados. In: UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA. Prograd. Caderno de formação: formação de professores didática geral. São Paulo: Cultura Acadêmica, 2012. p. 51-75, v. 16.
TELLES, S. DE C. C.; REIS, R. M.; ELIAS, R. V.; HARRIS, E. R. A. A mídia impressa e o polo aquático brasileiro: o mito de Aladar Szabo. Movimento, Porto Alegre, n. 22, v.1, p. 237–250, 2015. DOI: https://doi.org/10.22456/1982-8918.56569
TUCHER, G.; FAJARDO, M. (orgs.). Atividades aquáticas: um olhar dirigido ao ensino. 1a. ed. Curitiba: Editora Appris, 2020.
Notas
Notas
1 Doutor em Ciências do Exercício e do Esporte/UERJ. Pesquisador do Grupo de Pesquisa em Escola, Esporte e Cultura/GPEEsC. E-mail: romulomreis@hotmail.com
2 Estudante de Bacharelado em Educação Física/UERJ. E-mail: marina.cocco99@gmail.com
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