Servicios
Descargas
Buscar
Idiomas
P. Completa
A MEMÓRIA DE PROFESSORES INESQUECÍVEIS NA PERSPECTIVA DE ESTUDANTES DO CURSO DE PEDAGOGIA
Gabriel Fernandes da Silva; Alboni Marisa Dudeque Pianovski Vieira
Gabriel Fernandes da Silva; Alboni Marisa Dudeque Pianovski Vieira
A MEMÓRIA DE PROFESSORES INESQUECÍVEIS NA PERSPECTIVA DE ESTUDANTES DO CURSO DE PEDAGOGIA
The memory of unforgettable teachers from the perspective of pedagogy students
La memoria de profesores inolvidables desde la perspectiva de estudiantes del curso de pedagogía
Reflexão e Ação, vol. 32, núm. 2, pp. 134-150, 2024
Universidade de Santa Cruz do Sul
resúmenes
secciones
referencias
imágenes

Resumo: No cotidiano escolar, estabelecem-se expectativas para quem ensina e para quem aprende. Nesse contexto, colocamos o professor como objeto de estudo, por meio da memória e da representação dos estudantes que escolheram seguir a carreira docente. Nosso objetivo foi compreender o que tornou um professor inesquecível para estudantes do curso de Pedagogia. Para desenvolver o trabalho, utilizamos o método fenomenológico e nos fundamentamos na História Cultural. Os dados foram tratados à luz da análise de conteúdo, com 104 participantes. Os resultados indicam para a figura de um professor exigente.

Palavras-chave: Formação de Professores, História Cultural, Educação Escolar.

Abstract: In the school environment, expectations are established for both teachers and learners. In this context, we focus on the teacher as the subject of study, through the memories and perceptions of students who chose to pursue a teaching career. Our aim was to understand what made a teacher unforgettable for students in the Pedagogy program. To develop this work, we employed the phenomenological method and grounded our research in Cultural History. The data were analyzed through content analysis, involving 104 participants. The findings indicate the presence of a demanding teacher.

Keywords: teacher education, cultural history, school education.

Resumen: En el entorno escolar, se establecen expectativas tanto para quienes enseñan como para quienes aprenden. En este contexto, centramos nuestra atención en el profesor como objeto de estudio, a través de la memoria y la representación de los estudiantes que eligieron seguir la carrera docente. Nuestro objetivo fue comprender qué hizo que un profesor fuera inolvidable para los estudiantes del programa de Pedagogía. Para desarrollar este trabajo, utilizamos el método fenomenológico y nos fundamentamos en la Historia Cultural. Se analizaron los datos de 104 participantes a través del análisis de contenido. Los resultados indican la figura de un profesor exigente.

Palabras clave: formación de profesores, historia cultural, educación escolar.

Carátula del artículo

Pesquisas narrativas, formação de professores(as) e cotidiano escolar

A MEMÓRIA DE PROFESSORES INESQUECÍVEIS NA PERSPECTIVA DE ESTUDANTES DO CURSO DE PEDAGOGIA

The memory of unforgettable teachers from the perspective of pedagogy students

La memoria de profesores inolvidables desde la perspectiva de estudiantes del curso de pedagogía

Gabriel Fernandes da Silva
Pontifícia Universidade Católica do ParanáBrasil
Alboni Marisa Dudeque Pianovski Vieira
Pontifícia Universidade Católica do ParanáBrasil
Reflexão e Ação, vol. 32, núm. 2, pp. 134-150, 2024
Universidade de Santa Cruz do Sul

Recepción: 26 Agosto 2024

Aprobación: 23 Septiembre 2024

INTRODUÇÃO

Para o bom ou mau êxito da educação escolar, frequente e historicamente, coloca-se na figura do professor função de destaque, sobre a qual recai a responsabilidade de atender, por meio de seu ensino, a índices e métricas estabelecidos por avaliações externas que pouco ou nada consideram a realidade concreta do docente, as condições objetivas de trabalho, até mesmo o contexto da realidade escolar em que atua. Aos professores se direcionam questionamentos sobre sua formação, sua prática pedagógica, seu método de ensinar. É a profissão a respeito da qual todos têm algo a dizer, alguma dica a dar para realizar adequadamente seu trabalho. Do professor é esperado não somente ensinar, como se a própria prática pedagógica fosse algo simples, controlável e mensurável – concepção herdada pela forte influência positivista em nossa educação escolar brasileira. É desejado – por vezes exigido – que o professor realize atualizações frequentes, formações continuadas, seja inovador e disruptivo, encontre novas e criativas maneiras de tornar o conteúdo atraente, fácil e prazeroso – demandas frequentemente associadas ao uso de tecnologias educacionais.

Ao professor também é exigido que atenda às numerosas e fastidiosas demandas administrativas que quase sempre desconsideram sua carga horária de trabalho e, por essa razão, não são remuneradas. O produto mensurável de seu trabalho, isto é, a aprendizagem dos estudantes como resultado da transmissão de seu conhecimento, é quantificado ao limite – números, notas e conceitos, exigências que desconsideram as condições concretas, objetivas e os limites do trabalho docente.

A docência, apesar desses desafios, tem seus encantos, seu propósito e sua via de realização. Aqueles que escolheram o caminho do magistério muito provavelmente vivenciaram experiências marcantes na condição de estudante. Para esses sujeitos que escolheram cursar a formação em Pedagogia, indaga-se quais serão as memórias que carregam de professores tidos como inesquecíveis, admitindo que elas podem ser positivas ou negativas. Diante dessas considerações iniciais, elaboramos a pergunta norteadora deste artigo: qual é a memória que os estudantes de Pedagogia guardam de seus professores inesquecíveis? Para responder a essa questão, definimos como objetivo geral compreender o que tornou um professor inesquecível para estudantes do curso de Pedagogia.

A pesquisa teve caráter bibliográfico, documental e de campo, sendo os dados obtidos pela participação de 104 acadêmicos(as)3(97 mulheres e 7 homens) do primeiro período do curso de Pedagogia de uma universidade situada no sul do país, com aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa sob nº 973.902, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná. A análise do corpus seguiu os passos recomendados por Bardin (2021).

A estruturação do artigo contém três partes. Discutimos, inicialmente, o que as pesquisas apontam sobre o professor inesquecível. Em seguida, abordamos o percurso metodológico deste estudo. Na sequência, apresentamos os resultados e a discussão deles para, finalmente, apresentar nossas considerações finais.

O QUE AS PESQUISAS DIZEM SOBRE O PROFESSOR INESQUECÍVEL?

Discorrer sobre professor inesquecível, enquanto objeto de estudo, constitui-se um exercício de elevada satisfação, pois acreditamos que os leitores deste trabalho, quando o acessarem, lembrarão daqueles que lhes marcaram a memória e terão acesso ao conhecimento que foi sistematizado a esse respeito. Nós mesmos, pesquisadores e formadores de docentes, temos mestres que ainda nos habitam em vivas memórias. Há quem tenha doces lembranças, há quem tenha memórias amargas. Inegável é o fato: professores deixam marcas em nossas histórias de vida. Pesquisarmos o professor inesquecível também se constitui uma tentativa de valorizar essa nobre profissão, face ao histórico e ainda permanente diagnóstico da falta de professores na educação básica brasileira.4

A escola, enquanto instituição social, tem funções previamente definidas que devem ser desempenhadas por todos os seus agentes, entre eles professores e estudantes. Estabelecem-se expectativas de ambos os lados, comportamentos que são esperados por aqueles que ensinam, assim como por aqueles que aprendem. Nessa relação dialética, a interação entre os sujeitos não se constitui um todo homogêneo, pois assim como existem diversas formas de encaminhar o processo pedagógico, as relações que se constroem no cotidiano escolar marcam a história de vida, alimentam narrativas e expressam singularidades das pessoas, eventualmente as encaminhando para determinadas direções.

Nesse sentido, buscamos trabalhos que investigaram a figura do professor inesquecível, professor marcante ou o bom professor. Esse exercício, distante de esgotar o tema ou realizar extensa revisão de literatura, constitui nossa intenção de examinar como e o que os estudos dizem sobre este profissional. Para início da discussão, quem seria o bom professor?

Seria ele o inovador, por excelência? Ou o amigo de sempre, que conta piadas aos alunos, despido de qualquer formalismo? É ele obrigatoriamente o indivíduo politizado, militante em sua Associação de Classe? Ou tenderia para o tipo ‘conservador’? Haveria alguém que tivesse tido influência direta em sua opção pelo magistério? Um professor da universidade? Um antigo professor primário? Teria sido sua opção pela carreira do magistério definida a partir de um critério racional de escolha ou, de fato, as coisas acabaram ocorrendo mais ao acaso? (Cunha, 2012, p. 9-10).

As indagações sobre quem seria o bom professor, citadas acima, avaliando as diferentes características, abordagens e representações deste profissional, foram realizadas por Newton César Balzan, no prefácio do livro O bom professor e sua prática, cuja autoria é de Maria Isabel Cunha (2012), em sua 24ª edição. Podemos perceber, nesses questionamentos colocados a priori, a complexidade que se apresenta ao tentar apreender as dimensões que envolvem o docente. Seria um bom professor aquele que desempenha satisfatoriamente sua prática pedagógica? Se sim, pela perspectiva de quem?

Zimmermann (2019), ao pesquisar a narrativa de atletas olímpicos brasileiros que tiveram sua experiência inicial no mundo esportivo na escola, portanto, mediada por professores, apresenta-nos o conceito de “professor suficientemente bom”5, cuja relação com o aluno é afetiva, caracteristicamente materna, com intencionalidade pedagógica bem definida, pois “[...] é permeada de cuidados, olhares de atenção no sentido de proporcionar um bom desenvolvimento do aluno e caminha para transformá-lo no escritor de sua história” (2019, p. 63), processo no qual “Este professor suficientemente bom é preocupado em proporcionar, condição de aprimoramento, incentivando seu aluno para que realize algo fora da média a fim de ser excelente” (2019, p. 63). Para Cunha, quando analisou a representação dos estudantes de 2º e 3º graus, percebeu que (2012, p. 61) “[...] dificilmente um aluno apontaria um professor como BOM ou MELHOR de um curso, sem que este tenha as condições básicas de conhecimento de sua matéria de ensino ou habilidades para organizar suas aulas, além de manter relações positivas”, chegando à conclusão de que os estudantes enfatizavam, a fim de justificar suas escolhas de bom professor, os aspectos afetivos. Apesar da evidente especificidade de cada estudo, a ideia de um professor suficientemente bom seria de quem não somente exige de seu estudante um bom desempenho escolar, ou seja, vai além, transcende a isso, marca sua história pelo desenvolvimento que busca promover.

Nesta posição de mestre/professor se sente responsável em proporcionar tais condições para que este pupilo aprimore seu virtuosismo ainda que latente. Seja por ter-lhe mostrado outra nova modalidade, por ter visto a possibilidade de sucesso, sem antes mesmo do aluno ter ideia do novo que se apresenta na hora do desafio aceito, seja por assegurar sua permanência nos treinos, seja por insistir com os pais deste aprendiz a importância da nova prática esse professor foi capaz de alterar o curso de uma trajetória pelo fato de ter tido o cuidado e olhar, observar e pontuar um detalhe que, no futuro, fará toda a diferença na vida de um jovem. (Zimmermann, 2019, p. 63).

Como podemos perceber, o conceito de professor suficientemente bom, apesar do termo parecer inicialmente polêmico, trata-se de um profissional que zela pela aprendizagem e pelo desenvolvimento de seu estudante para que este consiga avançar frente aos obstáculos que se apresentam. Para Cunha (2012), o conceito de bom professor é expressão de valor, sendo aquele que transmite conhecimentos especializados próprios do que se espera da instituição escolar, assim como conhecimentos da cultura referentes à transmissão de normas, valores, padrões de comportamento e modos de pensar que contribuem para a convivência social. Um dos resultados de seu estudo demonstrou que os estudantes “[...] não apontam como melhores professores os chamados ‘bonzinhos’. Ao contrário. O aluno valoriza o professor que é exigente, que cobra participação e tarefas. Ele percebe que esta é também uma forma de interesse se articulada com a prática cotidiana da sala de aula” (Cunha, 2012, p. 63).

Seria, então, aquele que acolhe afetivamente os estudantes, extrapolando sua função estritamente institucional relacionada aos desafios escolares, aconselhando-os também acerca dos obstáculos da vida? Ou o bom professor é aquele que propala ativamente sua visão crítica e seu projeto político articulado ao conteúdo escolar?

Possível diálogo com esses questionamentos seria realizado por Clemente Ivo Juliatto (2013), em sua obra De professor para professor: falando de educação, que abordou principalmente – mas não se limitando a – professores universitários e dedicou um capítulo inteiro ao bom professor. De acordo com esse autor, “[...] o bom professor ensina pelo que diz, mas principalmente pelo que faz. São as atitudes e comportamentos do professor que determinam o ambiente em sala de aula. Os alunos, em geral, acompanham o professor, e mais do que suas orientações, seguem seus exemplos” (Juliatto, 2013, p. 166). Dessa forma, não seria estranho pensar que, ao impactar vidas, o professor seja ele mesmo uma profissão que cause inspiração e seja seguida, apesar de tantos desafios envolvidos na carreira docente. Ao investigar a história de vida dos professores participantes de sua pesquisa, Cunha (2012, p. 80) percebeu que “A influência de atitude positivas de ex-professores é lembrada por 70% dos participantes. Eles afirmam que seus comportamentos como docente têm relação com a prática pedagógica vivenciada com estes mestres”.

Esse rigoroso estudo etnográfico investigou vinte e um professores – universitários e de Escola Técnica de 2º Grau – buscando entender por que determinados professores são considerados bons por seus pares, por seus estudantes e até mesmo por aqueles que não têm contato direto com o ensino. Para Cunha (2012, p. 56), “[...] quando se fala de BOM PROFESSOR, as características e/ou atributos que compõem a ideia de ‘bom’ são frutos do julgamento individual do avaliador”, razão pela qual essa avaliação não ocorre em vácuo ausente de intencionalidade, pelo contrário, cada estudante “[...] faz a sua construção própria de bom professor mas, sem dúvida, essa construção está localizada num contexto histórico-social. Nela, mesmo de forma difusa ou pouco consciente, estão retratados os papéis que a sociedade projeta para o BOM PROFESSOR” (Cunha, 2012, p. 56). Por isso, talvez, quando pensamos sobre o bom professor, essa valorização esteja condicionada a um tempo e a um espaço, às concepções políticas e epistemológicas – conscientes ou não, ao modo de produzir conhecimento e, sem dúvida, às expectativas que se criam em torno do que deve ser esse profissional e como ele deve desempenhar sua função.

É certo que professores têm capacidade de marcar positiva e/ou negativamente, de igual maneira, seus estudantes. Não adotamos uma cínica unanimidade, mesmo porque um professor que tenha sido muito marcante positivamente para um aluno pode ser alguém marcante negativamente para outro, em simultâneo. Mas temos a preferência, neste trabalho, por dar ênfase àqueles que foram marcantes como bons professores e admitimos claro “[...] que o bom professor não nasce pronto. Longe disso. Como se aprende a fazer qualquer outra coisa, aprende-se também a ser bom professor. É preciso, então, formar-se bom professor, esforçar-se para isso” (Juliatto, 2013, p. 69), portanto, a formação inicial seria somente a primeira etapa que deveria ser bem-feita, mas será no desenvolvimento de sua prática pedagógica, no cotidiano escolar, que se realizarão ações que impactam a vida de seus discentes – é na articulação da teoria e prática (práxis) que aprendemos a ser bons professores.

Na dissertação intitulada Professores inesquecíveis: fragmentos, experiências e atravessamentos, diante dos dados encontrados pela revisão da literatura sobre essa temática, Dantas (2017, p. 27) percebeu que “Grande parte dos trabalhos encontrados versa sobre a formação do professor por meio da autobiografia, da confecção de memoriais que lhes proporcione a reflexão sobre a própria prática, ou, ainda, que lhes permita, ao se recordarem de seus próprios professores inesquecíveis, irem construindo sua prática pessoal” (p. 27), quando se trata, no entanto, da perspectiva dos estudantes,

Por outro lado, os trabalhos que retratam o conceito de bom professor, professor marcante ou inesquecível, sob o ponto de vista do aluno, em geral ressaltam a questão da afetividade, da relação interpessoal estabelecida, entre outras questões que destacam a pertinência de ser dirigir o olhar para o tema, com maior apreço e disposição para compreender como a experiência vivida, a lembrança dessa experiência e a perenidade da memória que essa experiência traz podem ajudar na compreensão mais ampla do processo educativo como formador do indivíduo para a vida. (Dantas, 2017, p. 28).

Lançar luz ao que os estudantes consideram como bom professor, sobretudo aqueles que escolheram seguir a carreira docente e estão em seu período inicial de formação para tal atividade, constitui-se um esforço para avançar no conhecimento que temos acerca dessa importante temática.

Apresentamos, portanto, um breve panorama sobre as pesquisas desenvolvidas acerca do professor inesquecível, professor marcante ou bom professor. Abordaremos o percurso metodológico desse estudo, informando o modo como os dados foram coletados, tratados e analisados.

PERCURSO METODOLÓGICO

Para desenvolver este trabalho, utilizamos abordagem qualitativa de pesquisa, pois buscamos valorizar informações descritivas relatadas pelos estudantes acerca do modo como compreendem os professores que marcaram suas vidas. Acreditamos que quantificar as respostas em unidades de análises, fragmentando-as em pedaços correspondentes, cujo conjunto expressa sua essência, isto é, um estudo de abordagem quantitativa, não seria adequado.

Metodologicamente, consideramos a memória do professor inesquecível um fenômeno cuja pesquisa se aproximará de sua essência. Para apreender a essência do fenômeno estudado, a partir da consciência que tomamos da realidade apresentada pelos dados, empregamos a Fenomenologia enquanto método que “[...] objetiva sair de uma visão ingênua sob o fenômeno para uma visão analítica-crítica da realidade. [...] um método que busca a luz por detrás das sombras, ou seja, quer desvelar a verdadeira essência que está escondida pela aparência” (Dedoné; Munhoz Costa; Mesquida, 2023, p. 5-6).

No cotidiano escolar, por alguma razão qualquer que seja, o professor marcou a história de vida dos(as) acadêmicos(as) participantes dessa pesquisa, tornando-se inesquecível. O exercício de buscarem essa lembrança em suas memórias está situado em um tempo e em um espaço, isto é, no aqui e no agora. Por isso, quando os participantes se põem a lembrar do passado, não o fazem necessariamente para apreender os fatos tal como ocorreram naquele momento, pois essa seria uma possibilidade improvável. A memória, todavia, constitui uma representação daquilo que as pessoas de hoje, olhando para trás, veem do que já passou. Assim também observou Cunha (2012, p. 39), em seu estudo, ao identificar que “Quando uma pessoa relata fatos vividos por ela mesma, percebe-se que reconstrói a trajetória percorrida dando-lhe novos significados. Assim, a narrativa não é a verdade literal dos fatos, mas, antes, é a representação que deles faz o sujeito”.

Buscamos, a cada passo, chegar mais próximos da essência do fenômeno estudado, conscientes de que “Neste exercício fenomenológico, o pesquisador precisa entender que provavelmente nunca chegue de fato à essência, ainda que sua busca seja o objetivo. Só é possível ir até o ponto máximo de consciência do fenômeno para aquele momento” (Dedoné; Munhoz Costa; Mesquida, 2023, p. 6).

Estamos certos de que nosso trabalho envolve um mergulho no microssocial, buscando trazer à consciência o fenômeno do professor inesquecível. Assim, quando nos atemos ao imaginário individual, perceberemos que este apresenta similaridades ao imaginário coletivo, expressos na representação que os estudantes participantes da pesquisa têm sobre o objeto de estudo. Assim, o local alimenta o universal e o caminho da pesquisa nos leva para categorias que estão inseridas na perspectiva da História Cultural.

A questão epistemológica da história cultural estaria centrada no conceito de cultura como objeto de investigação, no estudo das representações sociais, das práticas culturais e do processo de apropriação. As representações construídas sobre o mundo não só se colocariam no lugar do mundo, como fariam com que os homens percebessem a realidade e a partir delas pautassem sua existência. Seriam elas as geradoras de condutas e práticas culturais e sociais. Caberia à história cultural resgatar representações, construindo uma representação sobre o que já foi representado. (Vieira, 2015, p. 371).

O estudo foi do tipo bibliográfico, referente ao levantamento de pesquisas que discorrem sobre professor inesquecível, e documental, pois o conjunto das atividades escolares compuseram o corpus documental objeto de análise – esses relatos foram eleitos como testemunhos escritos. Os dados foram tratados à luz da Análise de Conteúdo (AC) sistematizada por Bardin (2021).

O instrumento de coleta de dados foi o questionário estruturado, com base em uma atividade formativa intitulada “autobiografia escolar orientada”, na disciplina de História da Educação, direcionada a estudantes do primeiro período do curso de Pedagogia de uma renomada universidade particular, localizada na cidade de Curitiba-Paraná, para quem foi solicitado responder às questões relacionadas às suas vidas escolares. A intenção deste exercício foi de que refletissem e construíssem uma história narrativa de sua vida escolar do modo como a percebem, seletivamente, com foco aos episódios e cenas vivenciadas, descrevendo-os com detalhes. As perguntas abertas oportunizaram respostas discursivas, convidando-os a elaborar e discorrer sobre o tema, com sua própria grafia manual.

O corpus documental foi constituído por 104 atividades coletadas em três turmas distintas do curso de Pedagogia, sendo duas no período noturno e uma no período matutino. Nessas turmas, havia eventualmente acadêmicos(as) de outras licenciaturas. Atendendo ao princípio da não seletividade (Bardin, 2021), as condições para a produção das respostas foram as mesmas, ou seja, todos(as) os(as) participantes foram orientados a escrever um ou dois parágrafos sobre cada um dos eventos narrados mencionando onde ocorreu, a sua idade à época, o que exatamente ocorreu, quem estava envolvido no evento, o que estava pensando, sentindo ou desejando na ocasião, por que considera esse evento importante em sua história de vida escolar e o que o evento conta sobre o estudante e sua personalidade. As questões da atividade foram: 1 – memória mais antiga da escola; 2 – memória do ensino fundamental; 3 – Memória do ensino médio; 4 – Professor inesquecível; 5 – Influências na escolha da profissão; 6 – O que permaneceu idêntico em sua vida ao longo do tempo e o que mudou; e, 7 – Memória importante (agradável ou não) que você gostaria de relatar. Para fins de análise, foi realizado um recorte e somente a questão nº 4, referente ao professor inesquecível, foi escolhida.

A primeira etapa da análise de conteúdo, segundo Bardin (2021), refere-se a operacionalizar e sistematizar ideias iniciais (pré-análise), tratamento dos dados em que foram descartadas três atividades por não serem legíveis ou apresentarem informações vagas que não contribuem para este estudo. Buscando quantidade de material suficientemente representativa para viabilizar generalizações (atendendo aos critérios da homogeneidade, pertinência e de representatividade), foram selecionadas 101 atividades. As respostas, escritas manualmente pelos estudantes, foram transcritas integralmente em planilhas, no aplicativo Excel.

Em leitura flutuante, na exploração do material, logo percebemos nas respostas dos estudantes características recorrentes ao professor inesquecível, que envolvem aspectos afetivos (grifados na cor verde), passam por aspectos pedagógicos (grifados em rosa) e mencionam aspectos relacionais (grifados em amarelo). Evidenciamos, por outro lado, ausência de menções relativas aos aspectos políticos6 e ao uso de tecnologias educacionais. Os relatos negativos foram marcados em vermelho. Para depurar essas características em comum, construímos outra planilha, na qual unidades temáticas (trechos das respostas) foram alocadas dentro das unidades de registro, referentes às categorias afetivo, pedagógico e relacional.

O tema, enquanto unidade de registro, corresponde a uma regra de recorte (do sentido e não da forma) que não é fornecida uma vez por todas, visto que o recorte depende do nível de análise e não de manifestações formais reguladas. [...] O tema é geralmente utilizado como unidade de registro para estudar motivações de opiniões, de atitudes, de valores, de crenças, de tendências, etc. As respostas a questões abertas [...] podem ser, e são frequentemente, analisadas tendo o tema por base. (Bardin, 2021, p. 131).

As unidades de registro, por sua vez, foram alocadas próximas às unidades de contexto. Buscamos por inferências que revelassem o que caracterizou o professor inesquecível para os estudantes de Pedagogia. Para tanto, foram realizadas codificações e quantificações das unidades temáticas, fornecendo estofo qualitativo às categorias de análise. Os resultados desse processo de análise e a discussão dos dados obtidos foram realizados à luz do referencial teórico.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Começamos a desvelar o professor inesquecível por meio de uma inferência intrigante e recorrente: alguém cuja representação inicial no imaginário dos estudantes era negativa, de quem muitos tinham “medo” por conta de sua “fama” de “exigente”, “durona”, “rígido”, “brava” e “tradicional” – palavras mencionadas pelos participantes. Em todas as respostas nas quais se constatou essa compreensão, os(as) acadêmicos(as) relataram que ela foi descontruída/ressignificada no cotidiano escolar ao perceberem, por meio de aspectos pedagógicos e relacionais, a importância que esses docentes davam à aprendizagem de seus estudantes, desenvolvendo-os. Ainda mais, ao notarem o resultado desse conhecimento em sua construção como sujeito, possibilitando-os(as) fazer escolhas mais conscientes e críticas, bem como construir sua própria trajetória com autonomia.

No Quadro 1, expomos as unidades de registro referentes à categoria afetivo, em que está descrito o modo como eles percebem hoje a importância desse bom professor (exigente) para sua aprendizagem.

Quadro 1
(Re)significações das representações7

Os autores, com base nos dados coletados (2024).

Podemos compreender essa noção equivocada, professor exigente cuja fama causa medo, pela via do docente que exerce devidamente sua autoridade, não como um fim em si mesmo, com o intuito de que o processo de ensino-aprendizagem se efetive, porque “Ter autoridade é indispensável ao professor para se impor na aula e conseguir fazer seu trabalho. O bom professor se impõe pela seriedade, pelas atitudes e comportamentos que adota e pelo conhecimento que tem do que ensina” (Juliatto, 2013, p. 167).

A afetividade, atributo muito presente nos comentários dos estudantes ao ressignificar esta visão inicial contaminada por uma pretensa fama ruim, acompanha adjetivos descritivos do professor inesquecível como alguém que também foi “gentil”, “amável”, “acolhedor”, “motivador”, “doce”, “carinhosa”, “parceira”, “dedicada”, “atenciosa”, “paciente”, “querida”, “divertido”, “calmo” e “carismático”. O relato desses atributos ainda foi frequentemente associado aos verbos “motivar”, “admirar”, “encantar”, “marcar” e “inspirar”. Diante da combinação de fatores evidenciada, podemos deduzir que muitos estudantes escolheram seguir o magistério pela referência que tiveram de seus docentes, bem como pela aquisição de conhecimentos escolares que lhes permitiram acessar outros níveis de formação. A experiência com esses professores, nesse sentido, foi tão marcante que se tornou determinante para a escolha da futura prática profissional, como podemos constatar por meio das unidades de registro do Quadro 2.

Quadro 2
Professores inspiradores

Os autores, com base nos dados coletados (2024).

Ao discorrer sobre o professor inesquecível, é recorrente os(as) participantes relatarem mais de um docente. Diante de bons atributos pessoais e do estabelecimento de relações afetivas positivas, aproximamo-nos ainda mais do que os estudantes representam sobre um professor inesquecível. Esses relatos apontam para o entrelaçamento de aspectos afetivos, que se desdobram em aspectos relacionais e apresentam, em sua base, o bom ensino do professor, decorrente dos aspectos pedagógicos. O professor inesquecível sempre pareceu ajudar e apoiar seus estudantes quando estes estiveram em situações desafiadoras na vida pessoal, com dificuldades em aprender o conteúdo estudado, com dificuldades relacionais com colegas. Essa intervenção marcou a vida dos(as) acadêmicos(as) e despertou neles e nelas sentimentos de admiração pelo profissional, de interesse pelo conhecimento, de engajamento pelos estudos e até mesmo de ressignificação do espaço escolar, como é possível verificar no Quadro 3.

Quadro 3
Bons professores

Os autores, com base nos dados coletados (2024).

A abordagem utilizada pelos docentes para fazer suas intervenções demonstrou qualidades pessoais que não são e não podem ser dissociadas da construção que o cotidiano escolar proporciona ao aprendermos a ser professor, na prática. Por isso, buscando apreender seus aspectos relacionais, isolá-los dos aspectos afetivos e pedagógicos ocorre somente para fins de análise. A prática do professor é fruto de múltiplas experiências que também ocorrem fora do espaço escolar.

O conhecimento do professor é construído no seu próprio cotidiano, mas ele não é só fruto da vida na escola. Ele provém, também, de outros âmbitos e, muitas vezes, exclui de sua prática elementos que pertencem ao domínio escolar. A participação em movimentos sociais, religiosos, sindicais e comunitários pode ter mais influência no cotidiano do professor que a própria formação docente que recebeu academicamente. Há uma heterogeneidade na vida cotidiana do professor manifesta pelas incongruências, saberes e práticas contraditórias e ações aparentemente inconsequentes. É preciso recuperar esse aspecto heterogêneo ao invés de eliminá-lo, na tentativa de enquadrá-lo em tipologias previamente definidas. Ao contrário, a riqueza, muitas vezes, está no heterogêneo e é preciso reconhecê-lo como produto de uma construção histórica. (Cunha, 2012, p. 34).

Se inicialmente os(as) acadêmicos(as) tinham uma imagem negativa de um professor exigente, foi no aprofundamento da relação professor-discente que passaram a entendê-lo como alguém acolhedor, paciente, amigo, preocupado, parceiro e mestre capaz de transmitir confiança, carinho, diversão e proporcionar a leitura crítica da realidade vivenciada, como constatamos no Quadro 4.

Quadro 4
Professores marcantes

Os autores, com base nos dados coletados (2024).

Para além dos pontos positivos, professores também marcaram negativamente seus estudantes, ainda que em número muito menor daqueles lembrados com bons sentimentos. Talvez por não refletirem sobre sua prática e reproduzirem cenas vivenciadas na própria vida enquanto estudantes, utilizaram abordagem que não é adequada para a finalidade a que se propõe, tal como ocorreu de “[...] ela sempre jogar em minhas costas o meu histórico familiar, afinal muitas pessoas da minha família passaram por ela” (participante 46). No caso dessa estudante, ela concluiu que “[...] independente de tudo ela foi uma das professoras que me influenciou a ser quem sou hoje” (participante 46). Em outro caso, “uma vez ela me deu um texto e me fez explicar para a turma toda, fiquei com raiva e nervosa para apresentar” (participante 31), mas a estudante relata que “com o decorrer do tempo percebi como era boa professora, a melhor que tive” (participante 31).

Esses dois casos exprimem cenas de professores que marcaram negativamente, embora tenham sido ressignificados positivamente pelos participantes da pesquisa, o que nem sempre acontece, já que uma terceira acadêmica posiciona, sem entrar em detalhes, que “de todas as características que não devo ter como profissional, aprendi pelas experiências com essa professora que conheci aos 9 anos na escola” (participante 28). Em diálogo com nosso referencial teórico, podemos avaliar essas situações pelo “[...] fato de o professor ter tido uma educação autoritária e punitiva pode fazê-lo tentar repelir esta forma no seu cotidiano docente, mas pode também levá-lo a repetir essa prática” (Cunha, 2012, p. 32).

A partir da análise dos dados, é possível afirmar que os(as) acadêmicos(as) que escolheram cursar Pedagogia, hoje, representam o professor inesquecível como alguém com fama de ser rigoroso e exigente com o desempenho escolar de seus estudantes; por vezes tradicional, que torna suas aulas atraentes e divertidas particularmente pelo modo como ensina, pelas histórias que conta e pela forma como desperta em seus estudantes interesse pela leitura e pelos estudos; alguém que acolhe, ajuda e incentiva seus estudantes nos momentos de incertezas em relação às situações da vida e às dificuldades de aprendizagem; um docente que se relaciona de forma amigável e carinhosa, cuja marca principal é a amorosidade. O professor inesquecível é aquele que ensina; ao ensinar os conteúdos escolares, relaciona-se afetivamente, promove e incentiva estudantes a construírem seus caminhos com autonomia. Ao ser tudo isso, o professor inesquecível é hoje, para os(as) acadêmicos(as) do curso de Pedagogia, alguém que causa admiração e encantamento, marca a história de vida daqueles a quem ensinou, constituindo-se um exemplo a ser seguido

CONSIDERAÇÕES FINAIS

À guisa de considerações finais, com este trabalho, investigamos a representação que os(as) acadêmicos(as) do curso de Pedagogia têm sobre a figura do professor inesquecível, na atualidade. Percebemos que essa representação apresenta uma forma multifacetada entre aspectos pedagógicos, afetivos e relacionais.

Como condição principal, podemos apreender que o docente marcante é aquele que ensina os conteúdos sistematizados pela humanidade e que são transmitidos no contexto escolar, portanto, essa condição está estritamente relacionada à expectativa que se tem de sua função na escola, enquanto instituição social, ainda que os(as) acadêmicos(as) não tenham consciência dessa dimensão crítica. De modo complementar, o professor se torna inesquecível não somente pelo conteúdo do que ensina, mas pelo modo como encaminha o processo pedagógico, quando utiliza o conhecimento não como uma forma de poder e/ou dominação, mas com objetivo de promover aprendizagem, interesse e encantamento de seus estudantes. O professor se torna marcante na forma como acolhe seus estudantes com afetividade e respeito às suas histórias de vida, assim como na maneira que estabelece relações de confiança, respeito e encorajamento criando um campo de abertura para que eles e elas expressem seus sentimentos, inseguranças, desejos, sonhos e aflições cotidianas. Por isso, o professor marcante é sensível e incentivador, além de exigente.

Essa produção de conhecimento se constituiu em um esforço para valorizar a profissão docente e os importantes impactos não quantitativos que decorrem de seu trabalho, ou seja, o resultado dele na vida de seus estudantes. Estes não são, muitas vezes, perceptíveis de imediato, pois transcendem a sala de aula, marcam a vida das pessoas, têm o potencial de construir novas realidades e, no limite, também novos modelos de sociedade.

Dessa forma, nosso trabalho também foi um esforço para incentivar os estudantes a relatarem aos seus professores inesquecíveis o quanto foram marcantes em suas histórias de vida e suas escolhas profissionais. Sejam essas marcas positivas ou negativas, a reflexão que pretendemos despertar é que no cotidiano escolar, na articulação entre teoria e prática, aprendemos a ser professores marcantes, bons professores e até mesmo inesquecíveis. Para tanto, devemos sempre lembrar que não estamos prontos, por isso a reflexão de nossa prática profissional é sempre necessária para não reproduzirmos ações autoritárias e punitivas. Antes, porém, devemos sempre utilizar nossa autoridade como um elemento de mediação para que o processo de ensino-aprendizagem se efetive satisfatoriamente.

Incentivamos, com esse trabalho, que mais pesquisas sejam realizadas procurando apreender, pela perspectiva dos estudantes – especialmente aqueles que decidiram seguir a carreira docente – os atributos que tornaram um professor marcante em suas trajetórias. Esses conhecimentos contribuirão para o aprimoramento da prática profissional de muitas outras gerações de professores e a construção virtuosa de muitas outras gerações de estudantes.

Material suplementario
Información adicional

redalyc-journal-id: 7225

REFERÊNCIAS
BARDIN, Laurence. Análise de conteúdo. 4. ed. Lisboa: Edições 70, 2021.
CUNHA, Maria Isabel da. O bom professor e sua prática. 24. ed. Campinas: Papirus, 2012.
DANTAS, Myrthes Maria Matos. Professores inesquecíveis: fragmentos, experiências, atravessamentos. 2017. 129f. Dissertação (Mestrado em Educação) – Universidade Estadual Paulista, Rio Claro, 2017. Disponível em: < http://hdl.handle.net/11449/152083>. Acesso em: 18 set. 2024.
DEDONÉ, Tiago Silvio; MUNHOZ-COSTA, Patricia Helena de Ribeiro; MESQUIDA, Peri. A hermenêutica fenomenológica como método e a educomunicação como sujeito: uma busca pela essência do fenômeno. Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 18, n. 00, maio, 2023. Disponível em: https://periodicos.fclar.unesp.br/iberoamericana/article/view/18009. Acesso em: 18 jul. 2024. DOI: 10.21723/riaee.v18i00.18009.
JULIATTO, Clemente Ivo. De professor para professor: falando de educação. Curitiba: Champagnat, 2013
VIEIRA, Alboni Marisa Dudeque Pianovski. A história cultural e as fontes de pesquisa. HISTEDBR On-line, Campinas, n. 61, p. 367-378, mar. 2015. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/histedbr/article/view/8640533/8092. Acesso em: 09 jul. 2020. DOI: 10.20396/rho.v15i61.8640533.
ZIMMERMANN, Maria Alice. O professor inesquecível nas narrativas de atletas olímpicos brasileiros. 2019. 115f. Dissertação (Mestrado em Ciências) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2019.
Notas
Notas
1 Pontifícia Universidade Católica do Paraná – PUCPR – Paraná – PR – Brasil – https://orcid.org/0000-0002-0697-6739 – gabriel_fernandesdasilva@hotmail.com.
2 Pontifícia Universidade Católica do Paraná – PUCPR – Paraná – PR – Brasil – https://orcid.org/0000-0003-3759-0377 – alboni@alboni.com.
3 No corpo do texto deste artigo, utilizamos a nomenclatura acadêmicos(as) para nos referir aos participantes da pesquisa, bem como para incluir e representar ambos os gêneros, razão pela qual os cursos de Pedagogia no Brasil são majoritariamente femininos. Termos como estudante e discente foram utilizados quando expressamos as ideias abrangentes.
4 De acordo com pesquisas do Inep, “a carência de professores no país não se deve à falta de vagas nos cursos de licenciatura, mas sim à baixa atratividade da carreira do magistério, considerada uma das principais causas associadas ao déficit de docentes no Brasil”. Disponível em: <https://www.gov.br/inep/pt-br/assuntos/noticias/estudos-educacionais/pesquisa-inep-discute-docentes-na-educacao-basica>. Acesso em: 05 jul. 2024.
5 Em seu trabalho (p. 62), a autora esclarece que este conceito foi inspirado na definição de “mãe suficientemente boa”, utilizada por Winnicott (1975, p. 25 apud Zimmermann, 2019, p. 62), a qual “[...] efetua uma adaptação ativa às necessidades de bebê, adaptação que diminuiria gradativamente, segundo a crescente capacidade deste em aquilatar o fracasso da adaptação e em tolerar os resultados da frustração, e cujo êxito desses cuidados para a criança depende de sua devoção e não do jeito ou esclarecimento intelectual”.
6 A ausência de menções relativas aos aspectos políticos também foi percebida no estudo desenvolvido por Cunha (2012, p. 63), que identificou “Quando os alunos hoje apontam O BOM PROFESSOR, só em situações raras, referem-se ao seu posicionamento político. Isto significa dizer que esta não é uma dimensão apreendida por eles e que não faz parte fundamental de sua percepção de BOM PROFESSOR”.
7 Em razão da limitação de caracteres imposta pela estrutura que caracteriza um artigo científico, também em atendimento às regras de submissão da revista, a unidade de contexto foi suprimida. A unidade de registro fornece elementos para compreensão do que foi dito.
Quadro 1
(Re)significações das representações7

Os autores, com base nos dados coletados (2024).
Quadro 2
Professores inspiradores

Os autores, com base nos dados coletados (2024).
Quadro 3
Bons professores

Os autores, com base nos dados coletados (2024).
Quadro 4
Professores marcantes

Os autores, com base nos dados coletados (2024).
Buscar:
Contexto
Descargar
Todas
Imágenes
Visor de artículos científicos generados a partir de XML-JATS por Redalyc