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DOSSIÊ V. 2: PESQUISAS NARRATIVAS, FORMAÇÃO DE PROFESSORES(AS) E COTIDIANO ESCOLAR
Guilherme do Val Toledo Prado; Graça Regina Franco da Silva Reis; Joelson de Sousa Morais
Guilherme do Val Toledo Prado; Graça Regina Franco da Silva Reis; Joelson de Sousa Morais
DOSSIÊ V. 2: PESQUISAS NARRATIVAS, FORMAÇÃO DE PROFESSORES(AS) E COTIDIANO ESCOLAR
Reflexão e Ação, vol. 32, núm. 3, pp. 1-7, 2024
Universidade de Santa Cruz do Sul
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Apresentação

DOSSIÊ V. 2: PESQUISAS NARRATIVAS, FORMAÇÃO DE PROFESSORES(AS) E COTIDIANO ESCOLAR

Guilherme do Val Toledo Prado
Universidade Estadual de CampinasBrasil
Graça Regina Franco da Silva Reis
Universidade Federal Rural do Rio de JaneiroBrasil
Joelson de Sousa Morais
Universidade Federal do MaranhãoBrasil
Reflexão e Ação, vol. 32, núm. 3, pp. 1-7, 2024
Universidade de Santa Cruz do Sul

Recepción: 03 Junio 2025

Aprobación: 16 Julio 2025

O volume 2 do Dossiê “Pesquisas narrativas, formação de professores(as) e cotidiano escolar” dá continuidade à perspectiva assumida no volume 1, apresentando

estudos, pesquisas e experiências de professores(as) narradores(as) pesquisadores(as) e outros tantos sujeitos em vista de fazer emergir suas potências de vida e as poéticas da narração de histórias da formação, aprendizagem e desenvolvimento profissional docente em suas múltiplas dimensões, intensidades e modos diversos de expressão da experiência vivida (Morais, Prado e Reis, 2024, p. 4).

Como sabemos, a perspectiva plural das pesquisas narrativas e (auto)biográficas em educação desenvolvidas no contexto brasileiro, muito têm colaborado para movimentar a tematização das experiências vividas e das vívidas experiências em diferentes contextos de produção de saberes e conhecimentos, em diferentes instituições universitárias, sejam eles em âmbito nacional ou internacional.

A singularidade dos diferentes sujeitos das pesquisaformação presentes neste volume, além da pluralidade de referências epistemopolíticas presentes nos artigos atestam, para nós, a riqueza do movimento instituinte promovido pelas pesquisas narrativas e (auto)biográficas em educação nos diferentes grupos de pesquisa nas instituições universitárias de ensino e pesquisa.

O que nos toca, sobremaneira, a partir da intensa leitura realizada para a constituição deste segundo volume é a ética do cuidado e da afetuosa relação estabelecida entre as(os) pesquisadoras(es) e os diferentes participantes das pesquisas, em diferentes instâncias escolares da Educação Básica e instituições educativas, fazendo do princípio de alteridade, anunciado por Freire (2011, 2014, 2016) e Bakhtin (2011, 2017a, 2017b), premissa a constituir os movimentos identitários pessoais e profissionais.

O artigo que abre esse segundo volume, Formação de professores em cruzos com terreiros afro-brasileiros: experiências em narrativas descoloniais e inclusivas, das autoras Norma Silvia Trindade de Lima e Mariana Sermião de Limna, da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas – FE/Unicamp, apresenta um ensaio provocativo e potencializador para uma guinada epistemopolítica no cotidiano das práticas formativas do ofício docente. A partir das narrativas das autoras, produzidas no âmbito dos pensamentos e afetos “numa perspectiva inclusiva descolonial e pluriversal”, em contextos e tempos diferenciados, vamos nos movimentando a partir das vivências afrocêntricas, em giras, macumbas, capoeiras e candomblés, que nos deslocam dos mundos e imaginações tecidos pelas hegemonias dos conhecimentos eurocentrados, racistas e patriarcais. A partir dos contributos apresentados pelas autoras, é possível o vislumbre e a materialização de práticas educativas inclusivas “e descoloniais, colaborando, sobremaneira, com o fortalecimento e a implementação da Lei 10.639/2003”.

O próximo artigo, de autoria de João Daniel Gomes Nascimento, Kelly Almeida de Oliveira e Jhonatan Wenderll Tavares Ferreira da Universidade Federal do Maranhão – UFMA, intitulado Vozes que libertam: o poder transformador da alfabetização em uma unidade prisional de ressocialização (UPR) em Codó/MA, apresenta uma rica reflexão dos participantes de uma pesquisa-ação, envolvendo as vozes dos sujeitos privados de liberdade e seus docentes. O autor e a autora, movimentam os conceitos de alfabetização de jovens e adultos, compreendendo-os em um contexto alfabetizador freireano, respeitoso e afetuoso, em que se indicam práticas alfabetizadoras que potencializam não só a autoconfiança dos(as) estudantes, como também o respeito consigo e com os outros e o auto-cuidado, favorecendo a construção das práticas de leitura e escrita a partir do contexto social imediato vivido pelos(as) participantes do estudo. É neste contexto “amoroso e afetivo” que os processos de reinserção social são potencializados por práticas alfabetizadoras emancipatórias e críticas, mostrando “como a educação pode servir como um pilar de esperança e transformação pessoal, ao proporcionar um senso de propósito e desenvolvimento contínuo” às pessoas privadas de liberdade.

O terceiro trabalho de autoria de Alessandra Nicodemos, Isabelle de Oliveira Martins e Wallace Cardoso, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Narrativas da/na Educação de Jovens e Adultos: experiências de professores em contexto pandêmico traz para as leitoras/os leitores, ricas reflexões sobre o trabalho docente na Educação de Jovens e Adultos a partir das narrativas destes profissionais, em dois estados brasileiros: Rio de Janeiro e Paraíba. Tomando como especificidade de trabalho docente o contexto pandêmico, as reflexões propostas, a partir do termo “isolamento docente”, mostram a precariedade no ensino na EJA e a construção de redes de cooperação para o enfrentamento do descaso das políticas públicas nesta modalidade de ensino, a favor de uma presencialidade que garanta não só os direitos educativos dos estudantes da EJA, como também a valorização dos profissionais da educação neste contexto.

Narrar a própria História de Vida e a Prática Docente pode contribuir para ações humanizadoras? de autoria de Raphael Cutis e Eliana Ayoub, da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas – FE/Unicamp, problematiza-se a vidapesquisaformação do primeiro autor e de uma professora e quatro professores de Educação Física de um município do interior paulista, no âmbito de uma pesquisa de mestrado. A partir da escrita de cartas, os(as) participantes da pesquisa problematizaram a si mesmos(as) e construíram reflexões relevantes sobre o trabalho no ensino da Educação Física, construindo inéditos viáveis no que se refere às práticas de movimentos nas relações pessoais e profissionais estabelecidas entre si. Como dizem o autor e a autora: “narrar a própria história de vida e a prática docente, entregando-nos a um processo (auto)biográfico de (auto)formação, pode contribuir, sim, para ações humanizadoras” e emancipadoras.

O artigo seguinte, Formação continuada de professores da educação infantil: o memorial autobiográfico como potência formativa e investigativa, de autoria de Francisco Marcos Pereira Soares, Neide Naira Paz Lemos e Antonia Edna Brito, da Universidade Federal do Piauí – IFPI, privilegia o uso dos memoriais autobiográfico nos processos formativos, especialmente na formação continuada na Educação Infantil. A partir do caso particular de uma formação em um município do interior do Piauí, o autor e as autoras procuram destacar a força das palavras rememoradas no contexto do memorial autobiográfico, bem como reforçam o quanto o compartilhar essas rememorações favorecem o estabelecimento de sentidos compartilhados no contexto da formação docente. A pesquisa-ação apresentada, pôde concluir que há “outras formas de compreender os professores, a ação docente e a formação continuada, partindo sobretudo da compreensão-interpretação da sua trajetória vida pessoa e profissional, respeitando a existencialidade humana do professor”.

O artigo de Niédja Maria Ferreira de Lima da Universidade Federal de Campina Grande – UFCG e Bárbara Cristina Moreira Sicardi Nakayama, da Universidade Federal de São Carlos – campus Sorocaba, Trajetórias de professores surdos de libras: surdos "filhos do bilinguísmo", procura trazer os itinerários formativos de sujeitos surdos, uma professora e dois professores de instituições universitárias públicas. Sustentado pelos “princípios epistemológicos da pesquisa (auto)biográfica em educação” e pela “educação bilíngue de surdos”, as autoras procuraram, no diálogo com esses sujeitos, traçar esses itinerários e reverenciar as experiências vividas e as recordações referência, bem como os aspectos que marcaram a vida pessoal e profissional destas pessoas, principalmente o aprendizado de Libras e a institucionalidade dos processos inclusivos de pessoas surdas em várias instâncias da vida social, com destaque para a vida universitária.

As autoras Márcia de Oliveira Soares e Adriana Varani da Universidade Estadual de Campinas – Unicamp, no texto Reflexões sobre o fazer pesquisa com narrativas do cotidiano de professoras da Educação Infantil, evocam as reflexões construídas a partir de narrativas do cotidiano de uma instituição de Educação Infantil de uma universidade pública do estado de São Paulo, com o sentido de mostrar a força e potência dos encontros formativos construídos colaborativamente, alicerçados na autoria das professoras neste nível da Educação Básica. A pesquisa orientou-se pela radicalidade do diálogo e pelas premissas da alteridade, favorecendo o estabelecimento de um coletivo docente que não só reafirma a autoria do trabalho docente como também “destacando a importância de estar com e pelo outro e cultivando ações mais dialógicas, de comunhão, cooperação e solidariedade”.

Experiências formativas através da Prodocência no cotidiano do CAP- UERJ, das autoras Ana Lucia Gomes de Souza e Camila Costa Gigante, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro – UERJ, como o próprio título sugere, apresenta as formativas experiências de licenciandos em formação inicial, vividas no contexto do programa Prodocência, no âmbito do cotidiano de uma escola pública na cidade do Rio de Janeiro. O destaque do artigo está nas “experiências instituintes” vividas no relacionamento entre a formação de licenciados em cursos de formação de professoras e professores e o programa Prodocência fomentado pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro e desenvolvido no Instituto de Aplicação Fernando Rodrigues da Silveira – CAPE-UERJ. O “movimento instituinte” desenvolvido nestas parcerias, promove não só o estabelecimento de práticas inovadoras no exercício da docência, como também fomenta a formação de professores e profissionais comprometidos com uma educação de qualidade pautadas em princípios de autonomia, participativos e democráticos.

O artigo de autoria de Andressa Nunes Martins e Kamila Lockmann, da Universidade Federal do Rio Grande – FURG, Experiências de in/exclusão nas licenciaturas: narrativas discentes, traz uma reflexão, necessária, atual e pertinente dos processos inclusão de pessoas com deficiência nas licenciaturas em uma instituição de ensino superior pública no sul do Brasil, sustentado pela voz dos e das estudantes com deficiência. De uma perspectiva foucaultiana pós-estruturalista, as autoras, a partir de análises documentais e entrevistas narrativas de “estudantes com deficiência, transtorno do espectro autista e/ou altas habilidades/superdotação” apresentam-nos uma reflexão contundente e instigante a respeito do alcance das práticas inclusivas no cotidiano da universidade, bem como alertam-nos para a excessiva pulverização das práticas de inclusão no âmbito institucional. Vale lembrar que já estamos com quase 10 anos da Lei Brasileira de Inclusão (LBI-Lei 13.146/2015) e somente a construção de uma ética da amizade cotidiana, como nos lembram as autoras, viabilizará a produção de “um mundo mais humano, ético e empático”, para todas as pessoas.

O artigo Furaram a minha bolha: desafios de uma professora em início de carreira de autoria de Suelen Aparecida de Carvalho Rela e Daniela Dias dos Anjos da Universidade São Francisco, é uma rica reflexão sobre os processos formativos que acontecem no início da carreira docente, a partir do relato de uma professora iniciante na profissão docente. O destaque das autoras numa perspectiva da análise dialógica do discurso, a partir da narrativa oral e escrita da professora, recai sobre situações do cotidiano escolar conflituosas e intensas, vividas tanto pela professora como pela equipe escolar. As considerações das autoras apontam para o tratamento de temas e situações cotidianas no âmbito da formação inicial de professores, bem como enfatizam a força da voz das professoras a constituírem reflexões da própria prática a fundamentarem a produção de conhecimentos e saberes na formação docente.

As autoras Vanessa Caldeira Leite, Diana Paula Salomão de Freitas e Andrisa Kemel Zanella, da Universidade Federal de Pelotas – UFPEL, com o artigo, Como as memórias da infância podem potencializar a docência sensível na Educação Infantil?, partem de uma perspectiva formativa outra, demandada por uma escola de educação infantil no Rio Grande do Sul, com a forte intenção de sensibilizar e comprometer as professoras da Educação Infantil a produzirem uma docência potencializadora das Infâncias. Alicerçadas na perspectiva teóricometodológica da pesquisaformação, as autoras construíram uma experiência formativa que mostra a importância de uma formação em serviço que “possibilita momentos de prazer, de fruição estética” que desenvolve “relações harmônicas” na tensão dos cotidianos das práticas de Educação Infantil, “colaborando para ampliar as belezas nos espaços de convivência”.

Por fim, o último artigo, de autoria de Maria Naira de Carvalho e Maria do Socorro Borges da Silva da Universidade Estadual do Piauí – UFPI, Quarto do Espelho: narrativas de mulheres negras da EJA, pistas para educar em Direitos Humanos, apresentam-nos a trajetória de mulheres negras e os desafios docentes para o trabalho com Direitos Humanos. De uma perspectiva cartográfica e alicerçada na filosofia de Deleuze, o artigo destaca tanto a produção do “quarto do espelho”, para favorecer a emergência das narrativas orais das mulheres negras, como também a força do narrar a provocar empoderamento e emancipação, no contexto da escola de EJA e do encontro das mulheres e entre elas. A voz feminina, ao ser partilhada, gera movimento de resistência e de re-existência, favorecendo o compartilhamento não só das dores como também das delícias do existir feminino, em amizade e sororidade, em uma sociedade patriarcal e classista.

Como podemos depreender, esse segundo volume do Dossiê “Pesquisas narrativas, formação de professores(as) e cotidiano escolar” é o resultado de um trabalho coletivo, tanto do Comitê Editorial da revista Reflexão e Ação, como também dos pareceristas adhocs e técnicos de apoio da revista, que possibilitaram um intenso diálogo com as autoras e autores dos artigos a buscarem o aprimoramento dos textos, conferindo maior clareza de estilo e coesão e coerência argumentativas, marcadas na apresentação deste dossiê.

Cada um dos textos, seja no volume 1 ou no volume 2 deste dossiê, atestam a riqueza das abordagens narrativas e (auto)biográficas e o comprometimento das pesquisadoras e pesquisadores com a justiça social e os direitos humanos dos sujeitos das diversas e diferentes comunidades educacionais mobilizadas nas pesquisas em educação.

Agradecemos às autoras e autores por suas valiosas contribuições e convidamos às leitoras e leitores a compartilharem conosco a construção de abordagens narrativas e (auto)biográficas que mostram que o mais importante “são os passarinhos” e não “os aviões”, com tão bem nos disse o poeta pantaneiro, Manoel de Barros (2003).

Material suplementario
Información adicional

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Referências
BARROS, Manoel de. Cantigas por um passarinho à toa. Editora Record. Rio de Janeiro. 2003.
BAKHTIN, M. M. O autor e a personagem. In: BAKHTIN, M. M. Estética da criação verbal. 5.ed. São Paulo: Editora Martins Fontes, 2011. p. 3-186.
BAKHTIN, M. M. Para uma filosofia do Ato Responsável. 3. Ed. Trad. de Waldemir Miotello, Apresentação Augusto Ponzio. Editora Pedro e João, 2017a.
BAKHTIN, M. Apontamentos dos anos 1970-1971. In: BAKHTIN, M. Notas sobre literatura, cultura e ciências humanas. Organização, tradução, posfácio e notas de Paulo Bezerra. Notas da edição russa Serguei Botcharov. São Paulo: Editora 34. 2017b, p. 21-56.
FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa: São Paulo-SP: Paz e Terra, 2011.
FREIRE, P. Pedagogia do Oprimido. 57. ed. Rio de Janeiro-RJ: Paz e Terra, 2014.
FREIRE, P. Pedagogia da Indignação. 17. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2016.
MORAIS Joelson de Sousa; PRADO, Guilherme do Val Toledo; REIS, Graça Regina Franco da Silva. Apresentação do Dossiê “Pesquisa narrativa, formação de professores(as) e cotidiano escolar. Reflexão e Ação. Santa Cruz do Sul, v. 32, n. 2, p. 1-9, mai./ago. 2024
Notas
Notas
1 Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP – Campinas – São Paulo – https://orcid.org/0000-0002- 2415-8369 – gvptoledo@gmail.com.
2 Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro – UFRRJ – Rio de Janeiro – Rio de Janeiro – https://orcid.org/0000-0002-2420-0985francodasilvareis@gmail.com
3 Universidade Federal do Maranhão – UFMA – São Luís – Maranhão – https://orcid.org/0000-0003-1893- 1316 – joelson.morais@ufma.br.
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