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A viagem continua: Spix e Martius na região do Rio Negro
The journey continues: Spix and Martius in the region of Rio Negro
Cadernos de Tradução, vol. 44, no. 4, Esp., e104202, 2024
Universidade Federal de Santa Catarina

Artigo


Received: 14 October 2024

Revised document received: 04 December 2024

Accepted: 28 November 2024

Published: 01 December 2024

DOI: https://doi.org/10.5007/2175-7968.2024.e104202

Resumo: O presente trabalho é um comentário sobre a tradução de capítulo da obra Reise in Brasilien, de Johann B. von Spix e Carl F. P. von Martius, viajantes bávaros que relatam sua viagem feita pelo Brasil entre 1817 e 1820, realizada por ordem do rei da Baviera. O artigo inicia com observações sobre os autores e a obra, introduzindo o assunto do texto traduzido no contexto das viagens científicas do Esclarecimento. Em seguida, apresentam-se dados sobre traduções já publicadas do Reise in Brasilien para então se passar à discussão sobre a atividade de tradução propriamente dita, com explicações e justificativas para escolhas tradutórias, sempre tomadas com base no propósito de que o texto traduzido seja lido não apenas pelos leitores interessados no assunto mas também como fonte histórica de conteúdo rico e relevante para diversas áreas do conhecimento, como a história do Brasil e da Amazônia, a etnografia, a história das ciências, a botânica, a zoologia, entre outras.

Palavras-chave: Tradução de relato de viagem, Barra do Rio Negro, Spix and Martius.

Abstract: This paper is a commentary on the translation of a chapter of the work Reise in Brasilien, by Johann B. von Spix and Carl F. P. von Martius, Bavarian travellers who reported on their journey through Brazil between 1817 and 1820, carried out by order of the King of Bavaria. The article begins with observations about the authors and their work, introducing the subject of the translated text in the context of the scientific journeys of the Enlightenment. This is followed by data on previously published translations of Reise in Brasilien, before moving on to a discussion of the translation activity itself, with explanations and justifications for the translation choices, always made with the aim of the translated text being read not only by readers interested in the subject, but also as a historical source with rich and relevant content for various areas of knowledge, such as the history of Brazil and the Amazon, ethnography, the history of science, botany and zoology, among others.

Keywords: Translation of travelogs, Barra do Rio Negro, Spix and Martius.

1. Introdução

De 1817 a 1820, Johann Baptist von Spix (1781-1826) e Carl Philipp Friedrich von Martius (1794-1868) empreenderam sua famosa viagem ao Brasil por ordem do rei Maximiliano da Baviera. Eles percorreram cerca de 14.000 quilômetros em quase quatro anos. A viagem em si é um esforço admirável, mas os dois cientistas também acumularam uma coleção incrível de textos que se referem ao Brasil e ao que aqui encontraram. Neste texto, o interesse recai no relato de viagem intitulado Reise in Brasilien, publicado em três volumes e um atlas com ilustrações e mapas, entre 1823 e 1831 (Spix & Martius, 1823-1831)

A vinda dos dois aventureiros ao Brasil está ligada à famosa viagem de Alexander von Humboldt à América do Sul, que desencadeou uma verdadeira euforia por esse continente, na disputa entre reinos e nações sobre quem detinha a maior gama de conhecimento científico e de espécies em jardins botânicos e museus, uma guerra pelo domínio da ciência. A curiosidade chegou a Munique, fazendo que tanto os membros da Academia de Ciências quanto o Rei Max I se decidissem por uma viagem naturalista feita em nome da Baviera. Planos detalhados para uma expedição bávara à Ámerica meridional, incluindo o Caribe foram forjados na Academia já em 1815, mas não se falava em viagem ao Brasil, de acordo com Diener e Costa (2018). Entretanto, esses planos fracassaram devido à falta de fundos. Em 1817, porém, surgiu uma oportunidade trazida por um acontecimento político: o casamento da arquiduquesa Carolina Josepha Leopoldina, da Áustria, com o futuro imperador Dom Pedro I (Priore, 2012). Formou-se uma comitiva para acompanhar a arquiduquesa, e a decisão foi que a viagem naturalista deveria ser retomada. Os jovens prodígios Martius e Spix foram escolhidos para participar da grande expedição austríaca, que contou com outros naturalistas, inclusive com Johann Natterer, que ficou conhecido pela grande quantidade de material trazido do Brasil (Feest, 2012).

Embora Martius e Spix também tenham levado à Europa um sem fim de amostras de espécies e outros elementos típicos do Brasil, inclusive crianças indígenas, o que na época era aceitável (Oliveira Harden & Harden, 2021; Costa, 2019), mais que as amostras chama a atenção e lhes rendeu a grande fama de naturalista o número de publicações que realizaram fundamentados em tudo o que viram e fizeram no Brasil. Diener e Costa (2018) listam as publicações dos dois. Martius publicou 20 obras cujo título mencionam o Brasil ou se relacionam a indígenas brasileiros e Spix, 10 obras referentes aos animais que aqui ele observou ou descreveu. Isso sem contar o Reise in Brasilien. Realmente, a viagem definiu a carreira dos dois naturalistas bávaros, ambos formados em medicina mas aparentemente apaixonados pela observação científica na verdade.

Com a tradução que apresentamos neste volume, continuamos a viagem pela Amazônia na companhia dos dois naturalistas bávaros, com fundamento no relato feito em Reise in Brasilien. Iniciada com trecho publicado em 2021 também na Cadernos de Tradução a respeito da região amazônica, temos agora, no Capítulo Primeiro do Livro Nono, uma narrativa que recai especificamente no que a Barra do Rio Negro ofereceu ao olhar dos dois viajantes, acompanhado por comentários feitos posteriormente.

Neste breve artigo, o foco está na tradução desse capítulo, trazendo ao leitorado da Cadernos de Tradução um pouco sobre o texto fonte, suas traduções e sobre aspectos interessantes da tradução que apresentamos desse relato referente ao período em que os dois bávaros estiveram na Barra do Rio Negro, região onde fica hoje a cidade de Manaus.

2. Viagem ao Rio Negro: descrição e deslumbramento

Martius e Spix chegam ao Rio Negro depois de viagem atribulada pelo rio Amazonas e ficam encantados com o que a nova localização revela. Distinguem uma diferença tão grande entre os dois ambientes, que mencionam no texto um limiar ou divisão entre dois tipos de vegetação. Em vez das águas turvas e vegetação espessa, com árvores cobertas por cipós, matas que chamam de imundas (em alemão), agora estão diante de margens “limpas e arenosas”, que não abrigam “enxames de mosquitos” que tanto fizeram penar nossos viajantes.

O texto traz comentários sobre os mais diversos assuntos, uma vez que basicamente tudo interessava aos dois aventureiros. Na descrição dos objetivos da viagem ao Brasil, vê-se a amplitude do que os viajantes deveriam realizar:

Coletar dados dos três reinos da história natural, produtos das artes e manufaturas, descrever e desenhar ‘pessoas, usos, vistas pitorescas e fenômenos peculiares’, e também fazer investigações astronômicas, geológicas, cosmológica (sic) e metereológica; além de recolher dados sobre a hisória antiga e recente do ‘continente e tamvém dos seus povoadores’

(Diener & Costa, 2018, p. 37-38).

Assim, há no texto uma narrativa em que se descrevem matas, animais, pessoas. Mais que isso, tem-se um retrato da vida econômica da região, pois são detalhados os registros das atividades produtivas desenvolvidas à época, como a colheita do café, do cacau e de frutas e castanhas de valor comercial, inclusive com menção do preço que se conseguia vender esses produtos. A atividade pesqueira também chamou a atenção dos viajantes, em particular a pesca do pirarucu, realizada nos chamados “pesqueiros”.

Em tudo isso, a mão de obra envolvida era basicamente a de pessoas indígenas. Essas pessoas, principalmente das etnias mura, passé (pazé) e manao (manáo)1, são responsáveis não apenas pelo trabalho nas plantações e nos pesqueiros, mas também na tecelagem e na olaria existentes na fazenda visitada. Homens e mulheres que trabalham em troca de uma remuneração já marcada pela diferença de gênero.

A relação entre os colonos e os indígenas é retratada como bastante amigável, embora fique claro que aos últimos restava uma condição de subalternidade e dependência após o aldeamento. Os dois viajantes estrangeiros obviamente não escapam a sua condição de europeus iluminados e não deixam de ver os costumes e as crenças indígenas como primitiva ou infantil. Em concordância com a visão iluminada da época, o que se revela é o olhar do superior, pronto a descrever a natureza como exuberante, bela e útil, mas os povos originários como detentores de medos infantis e pontos a serem subservientes em troca de cachaça. Infelizmente, nada de anacrônico nessa visão torta que nos chega do século XIX.

Outra característica do Esclarecimento, o interesse generalizado pelas diversas áreas do conhecimento, é traduzida no texto pela menção, em diferentes pontos do texto, de palavras na “língua brasileira” ou geral para nomear espécies, registrar canções entoadas pelos indígenas, denominar jogos e divindades. Sendo assim, não se trata apenas de um retrato da natureza da Barra do Rio Negro, mas também de um registro etnográfico que informa sobre a população do local, seu modo de vida, sua língua e até sua relação com o mundo espiritual, uma vez que alguns demônios são também assunto do capítulo.

3. Tradução do capítulo: uma aventura à parte

Alguns pontos devem ser levantados sobre a tradução que acompanha este texto de apresentação. A obra de Martius e Spix, que está entre as muitas que os dois publicaram com base nos conhecimentos adquiridos durante a estada no Brasil, saiu em alemão entre 1823 e 1831, contando, como já mencionado, com três volumes de texto e um atlas com ilustrações e mapas. O primeiro volume foi traduzido para o inglês já em 1824, por H. E. Lloyd, que assim se identifica no prefácio de sua tradução. Não há outras informações na publicação sobre o tradutor, mas foi possível identifica-lo como Hannibal Evans Lloyd, linguista e tradutor inglês, responsável pela tradução de numerosas obras nas áreas das ciências naturais (com relatos de viagens), artes, história e política (Lee, 1893). Sua tradução do primeiro volume de Reise in Brasilien pode ser a explicação de como os nomes de Spix e Martius se tornaram tão conhecidos no meio científico tão rapidamente. Pode-se dizer que o sucesso dos dois se deve em grande parte à tradução como atividade de divulgação da ciência.

No Brasil, a primeira tradução conhecida foi feita por Manuel Augusto Pirajá da Silva e Paulo Wof, que, em 1916, publicaram trecho da obra pela Imprensa Official do Estado, em Salvador (Martius & Spix, 1916). Tratou-se de excerto referente ao registro do que os dois bávaros testemunharam quando passaram pela Bahia, e a publicação recebeu o óbvio título Através da Baia, excertos da obra Reise in Brasilia trasladados em português pelos Drs. Pirajá da Silva e Paulo Wolf. Título explicativo, no qual os nomes dos tradutores são mencionados. Citando Spix apenas de passagem e qualificando-o como “illustre companheiro”2 de Martius, Theodoro Sampaio redige texto introdutório elogioso tanto do trabalho de Martius quanto à tradução (que é creditada apenas a Pirajá da Silva), ressalta a importância das descobertas e dos feitos científicos do viajante e informa que “jamais se verteu para o portuguez, ou para língua mais accessível ao nosso meio latino” (Sampaio, 1916, p. ii) a parte que havia sido escrita com relação à viagem pelos sertões da Bahia.

Em seu Prefácio, Pirajá da Silva menciona Paulo Wolf como alguém que contribuiu para a tradução e afirma que há muito havia o desejo de ver “trasladada a vernáculo a celebre obra de von Martius e von Spix – Reise in Brasilien”, explicando o seguinte: “Na impossibilidade de trasladar a português toda a obra, verdadeiro monumento erguido á nossa Patria, contentamo-nos de fazel-o na parte que diz respeito á Bahia” (Silva, 1916, p. v).

O desejo de Pirajá da Silva se concretizou por meio do talento de uma mulher. Em 1938, chegou às mãos dos brasileiros a tradução completa dos volumes de Reise in Brasilien, feita por Lúcia Furquim Lahmeyer, em publicação feita pela Imprensa Nacional. Se a obra de Martius e Spix é impressionante, não menos pode ser dito sobre o trabalho de Lahmeyer, que obviamente não tinha à sua disposição todos os recursos tecnológicos que hoje facilitam o trabalho tradutório. O texto muito bonito de Lahmeyer, que dá voz aos dois aventureiros bávaros em português, é raro, mas felizmente foi republicado, em 2017, em edição primorosa elaborada pelo Senado Federal e disponível pela internet, conforme registrado Por Oliveira Harden e Harden (2021). Só podemos imaginar, pela amostra que se constituiu o capítulo por nós traduzido, o trabalho incansável de Lahmeyer de pesquisa minuciosa a todo tipo de material sobre a fauna e aflora brasileira, de etnografia sobre as nossas nações indígenas e até acerca da filosofia iluminista que guiou a viagem de Martius e Spix no Brasil.

A tradução de Lahmeyer parece ter se guiado pela vertente que opta pela tradução fluida, e algumas indicações feitas pelos autores são retiradas, pelo menos da versão de 2017. Os autores faze, por exemplo, indicações de páginas ou de pranchas de ilustrações que não são reproduzidas.

Nossa abordagem foi diferente. O que guiou nosso trabalho de tradução e determinou escolhas tradutórias e discursivas foi a possibilidade de o texto ser lido não apenas como material com curiosidades sobre a Barra do Rio Negro, mas como fonte histórica para pesquisadores de áreas diversas. Assim, mesmo sob o risco de apresentar passagens menos naturais em português ou manter o registro de alguma abreviação que não conseguimos decifrar, optamos por manter sinais que podem ser interessantes para pesquisadores da história da tradução, da história, da etnografia e mesmo da história do livro. Foi a convicção na importância que pode ter a própria materialidade do texto que nos fez, por exemplo, manter as palavras italicizadas conforme os autores fizeram no texto fonte. Essa foi uma escolha que permite identificar certo padrão (uso para indicar palavras nas línguas indígenas ou em português no texto fonte), mas também permite deixar dúvidas que podem ter ocorrido ao leitor do texto original (nem sempre o uso do itálico é consistente).

Em paralelo a isso, tomamos a decisão de utilizar notas de tradução e inclusões no texto com o uso de colchetes. Além de explicitar tópicos ou explicar alguma menção de autores ou obras feitas no texto, as notas e inclusões têm o potencial de tornar visível o exercício tradutório e abrir um diálogo com os leitores, envolvendo-os nos dilemas que tivemos que resolver enquanto traduzíamos o texto e mesmo demonstrando momentos em que a compreensão do material só foi possível depois de descobrirmos redes de significados ou intertextualidades antes desconhecidos. Um exemplo é uma passagem em que os autores descrevem uma jovem indígena, de aparência doentia, como uma kakerlak, que é o alemão para barata. Ocorre que, na época, era comum o uso de kakerlak para designar pessoas albinas (ver Lu-Adler, 2022, p. 16). Enquanto Lehmeyer utilizou a qualificação “albina” na sua tradução (Martius & Spix, 2017, p. 209) preferimos manter a imagem do texto fonte e acrescentar uma nota. Assim, com a interação mediada pela nota, a explicação dada pode ser aproveitada em pesquisas diversas, inclusive para tradutor ou tradutora que se veja na mesma situação de espanto em que nós nos vimos.

Outros trechos também nos fizeram considerar qual era nossa posição enquanto mediadores de mundos tão distantes. As diferentes menções feitas no texto fonte para descrever os indígenas e as poucas pessoas negras citadas que hoje obviamente são tidas, com justificativas, como racistas e degradantes, estão presentes no texto e exigiram de nós um posicionamento. A opção foi de não aplicar censura no texto por uma questão de verdade histórica, mais uma vez imaginando que a tradução não vai ser lida apenas por quem busca uma atividade de lazer, movido por mera curiosidade, mas também por pessoas que a vão ler com olhos de especialistas em assuntos do passado. A decisão foi, mais uma vez, pelo texto como fonte histórica.

Outra característica do texto em alemão é a sua redação em longos trechos sem paragrafação e em períodos longos que dificultam um pouco a leitura. Para a publicação neste volume, que se dá em tabela bilíngue, foi feita a divisão dos trechos pela necessidade de paralelismo com a versão em alemão, com paragrafação feita somente nos pontos onde há parágrafo também indiciado pelos autores do texto fonte. O uso do travessão, que foi empregado aparentemente para indicar mudança de assunto, também foi mantido conforme o texto dos dois viajantes, seguindo a mesma lógica de indicar para leitores os sinais do texto fonte.

Conforme já explicitado anteriormente (Oliveira Harden & Harden, 2021), foi necessário tomar decisões também com relação à grafia dos nomes dos povos indígenas mencionados. Recorremos ao que determina a Convenção da Associação Brasileira de Antropologia (ABA), em Convenção publicada em 1954. Por exemplo, empregamos a letra maiúscula, a grafia z e acento em “Pazé”, de acordo com grafia usada indicada pela ABA (Câmara Jr., 1955, p. 130).

Um ponto que deve ser ressaltado é a presença de comentários feitos pelos autores (provavelmente por Martius, mas não é possível ter certeza) adicionados quando da publicação dos volumes, ou seja, em um tempo diferente daquele em que são redigidos os registros que constituem o capítulo. Nesses comentários, numerosos e longos, os autores registram informações que não julgaram pertinentes aos relatos, mas que são relevantes para os que desejam saber mais sobre o que eles testemunharam enquanto estavam na Barra do Rio Negro. Temos aí inclusive descrições de espécies botânicas e seus usos medicinais, com o uso da língua latina como era a prática à época. O texto se detém ainda sobre as numerosas espécies de macacos que foram encontrados durante a estada na Amazônia. Na tradução, foram mantidas ordem, numeração e itálicos deixados no texto fonte.

4. Considerações Finais

Neste artigo, tecemos comentários a respeito da tradução do primeiro capítulo do nono livro do volume 3 de Reise in Brasiliens, obra empreendida por Carl von Martius e X von Spix no contexto das viagens naturalistas do Esclarecimento. Em sua estada no Brasil, os dois viajaram por diferentes regiões do país, e seu capítulo XX foca no que testemunharam na região amazônica, mais especificamente Características da escrita dos autores foram mencionadas para justificar escolhas tradutórias feitas dentro da perspectiva de elaboração de um texto em português que servisse de documento histórico, apresentando informações de forma clara e compreensível para os leitores de hoje, o que significa que algumas frases que não são mais compreensíveis, mesmo para falantes nativos de alemão, foram adaptadas ao uso moderno. Os nomes de lugares que não são mais de uso comum foram atualizados, assim como os nomes dos povos indígenas. No entanto, o texto ainda contém elementos que devem parecer fora de lugar, especialmente na discussão crítica que se faz necessária hoje sobre colonialismo, racismo, tratamento dado a minorias e outros pontos de suma importância. Isso se aplica principalmente à avaliação dos povos indígenas, que geralmente são retratados como primitivos e intelectualmente subdesenvolvidos, o que se explica pela absoluta aderência de Spix e Martius ao Zeitgeist da época.

Referências

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Costa, M. F. (2019). Os ‘meninos índios’ que Spix e Martius levaram a Munique. Artelogie. 14, 1-17. https://doi.org/10.4000/artelogie.3774.

Diener, P. & Costa, M. P. (2018). Martius. Capivara.

Feest, C. (2012). Johann Natterer e as coleções etnográficas dos naturalistas austríacos no Brasil. In. C. Augustat (Org.). Além do Brasil. Johann Natterer e as coleções etnográficas da expedição austríaca de 1817 a 1835 ao Brasil. Catálogo da exposição do Museum für Völkerkunde, Viena - Kunsthistorisches Museum, de 18 de julho de 2012 a 7 de janeiro de 2013. https://www.researchgate.net/publication/331982696_Johann_Natterer_e_as_colecoes_etnograficas_dos_naturalistas_austriacos_no_Brasil.

Harden, A. R. de O. & Harden, T. (2023). Uma viagem para nunca esquecer: traduzindo o olhar europeu sobre a Amazônia Brasileira. Cadernos De Tradução41(esp. 1), pp. 101–109. https://doi.org/10.5007/2175-7968.2021.e84943

Lee, S. (ed.). (1893). Dictionary of national biography.  V. 33. Smith, Elder, & co. https://archive.org/details/dictionarynatio24stepgoog/page/n22/mode/2up.

Lu-Adler, H. (2022). Kant’s use of travel reports in theorizing about race — A case study of how testimony features in natural philosophy. Studies in History and Philosophy of Science, 91, pp. 10–19. https://doi.org/10.1016/j.shpsa.2021.10.020

Martius, C. F. P. von & Spix, J. B. von (1916). Através da Bahia. Escerptos da obra Reise in Brasilien trasladados a português por Dr. Manoel A. Pirajá da Silva e Dr. Paulo Wolf. Trabalho apresentado ao 5º Congresso Brasileiro de Geographia. (Trad. M. A. P. Silva & P. Wolf.). Imprensa Official do Estado. https://cuislandora.wrlc.org/islandora/object/lima%3A19862.

Priore, M. D. (2012). A carne e o sangue: a imperatriz D. Leopoldina, D. Pedro I e Domitila, a marquesa de Santos. Rocco.

Sampaio, T. (1916). Introducção. In C. F. P. Von Martius & J. B. Von. Spix. Através da Bahia. Escerptos da obra Reise in Brasilien trasladados a português por Dr. Manoel A. Pirajá da Silva e Dr. Paulo Wolf. Trabalho apresentado ao 5º Congresso Brasileiro de Geographia. (Trad. M. A. P. Silva & P. Wolf.). (pp. i-iv). Imprensa Official do Estado. Disponível em: https://cuislandora.wrlc.org/islandora/object/lima%3A19862.

Silva, M. A. P. (1916). Preambulo. In C. F. P. Von Martius & J. B. Von. Spix. Através da Bahia. Escerptos da obra Reise in Brasilien trasladados a português por Dr. Manoel A. Pirajá da Silva e Dr. Paulo Wolf. Trabalho apresentado ao 5º Congresso Brasileiro de Geographia. (Trad. M. A. P. Silva & P. Wolf, ). (pp. v-viii). Imprensa Official do Estado. https://cuislandora.wrlc.org/islandora/object/lima%3A19862.

Spix, J. B. von & Martius, C. F. P.h von. (1823, 1828, 1831). Reise in Brasilien. 3 Bande. und 1 Atlas. M. Lindauer (Band I), I. J. Lentner (Band II), C. Wolf (Band III).

Spix, J. B. von & Martius, C. F. Ph. von. Viagem pelo Brasil (1817-1820). 3 vols. e 1 Atlas. (Trad. Lúcia Furquim Lahmeyer). Senado Federal, Conselho Editorial, 2017

Notes

1 Indicação entre parênteses da grafia dada ao nome das etnias na tradução do Capítulo de Martius e Spix.
2 Optou-se por utilizar nessa e em outras passagens citadas a ortografia do documento fonte.
Conjunto de dados de pesquisa Não se aplica.
Financiamento Não se aplica.
Consentimento de uso de imagem Não se aplica.
Aprovação de comitê de ética em pesquisa Não se aplica.
Publisher Cadernos de Tradução é uma publicação do Programa de Pós-Graduação em Estudos da Tradução, da Universidade Federal de Santa Catarina. A revista Cadernos de Tradução é hospedada pelo Portal de Periódicos UFSC. As ideias expressadas neste artigo são de responsabilidade de seus autores, não representando, necessariamente, a opinião dos editores ou da universidade.

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Editores de seção Andréia Guerini

Ingrid Bignardi

Revisão de normas técnicas Ingrid Bignardi

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Conflito de interesses Não se aplica.


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