Secciones
Referencias
Resumen
Servicios
Descargas
HTML
ePub
PDF
Buscar
Fuente


ABORDAGENS EPISTEMOLÓGICAS EM PUBLICAÇÕES SOBRE ALFABETIZAÇÃO FINANCEIRA
EPISTEMOLOGICAL APPROACHES IN PUBLICATIONS ON FINANCIAL LITERACY
Caderno de Administração, vol. 31, núm. 1, pp. 158-175, 2023
Unuversidade Estadual de Maringá

Artigo


Recepção: 18 Outubro 2021

Aprovação: 14 Dezembro 2022

DOI: https://doi.org/10.4025/cadadm.v31i1.61240

RESUMO: O presente trabalho teve como objetivo realizar uma reflexão epistemológica nos artigos mais relevantes em Alfabetização Financeira. Após uma análise profunda dos estudos com mais de 100 citações sobre o tema, foi possível classificá-los de acordo com os paradigmas epistemológicos propostos por Burrel e Morgan (1979). Constatou-se que mais de 90% dos trabalhos adotaram a abordagem funcionalista, com foco em métodos quantitativos e buscando a generalização dos resultados. Essa concentração revela a existência de um mainstream approach nas pesquisas em Alfabetização Financeira. A ausência de um pluralismo metodológico pode limitar a compreensão sobre o fenômeno e, consequentemente, o desenvolvimento da moderna Teoria das Finanças. Um efeito prático dessa compreensão limitada sobre a Alfabetização Financeira pode ser o desenho de políticas de educação financeira ineficientes ou com resultados insatisfatórios.

Palavras-chaves: Alfabetização Financeira, Paradigmas Epistemológicos, Pluralismo Metodológico, Funcionalismo, Educação Financeira.

ABSTRACT: The present work aimed to realize an epistemological reflection on the most relevant articles in Financial Literacy. After a thorough analysis of the studies with more than 100 citations on the topic, it was possible to classify them according to the epistemological paradigms proposed by Burrel and Morgan (1979). Results indicated that more than 90% of the studies adopted the functionalist approach, focusing on quantitative methods and seeking to generalize the findings. This concentration reveals the existence of a mainstream approach in financial literacy research. The absence of a methodological pluralism can limit the understanding of the phenomenon and, consequently, the development of the modern Finance Theory. A practical effect of this limited understanding of Financial Literacy may be the design of financial education policies that are inefficient or have unsatisfactory results.

Keywords: Financial Literacy, Epistemological Paradigms, Methodological Pluralism, Functionalism, Financial Education.

1. INTRODUÇÃO

O início do século XXI presenciou um crescimento de pesquisas em uma área emergente na Teoria das Finanças. Apesar de constatar-se que os primeiros trabalhos sobre o tema datam da década de 1960, empreendidos principalmente por investigadores oriundos da psicologia, a Alfabetização Financeira é um objeto de estudo relativamente recente, que viu seu desenvolvimento teórico amadurecer apenas a partir dos anos 2000. A explosão das fintechs, assim chamadas as empresas de serviços financeiros de base tecnológica, suscitou uma preocupação por parte de acadêmicos sobre a educação financeira da população, suscetível a comportamentos econômicos potencialmente prejudiciais com o aumento da oferta de crédito e demais serviços financeiros (MARSHAL, 1963; GABOR; BROOKS, 2016; ELSINGER et al., 2018; FIA, 2019).

A crise econômica mundial de 2008 intensificou o interesse por parte da literatura em estudar os efeitos da falta de conhecimento financeiro da população. Causada principalmente pela falta de regulação nos mercados de crédito hipotecário, a complexa engenharia criada por instituições financeiras para vender dívidas residenciais a outros agentes econômicos teve um impacto mais forte em investidores cujas decisões financeiras careciam de uma análise mais criteriosa. Além disso, diante de um contexto em que diferentes governos estão implementando reformas previdenciárias e passando a responsabilidade de gerir a poupança para aposentadoria aos indivíduos, a necessidade de alfabetizar financeiramente a população mostra-se fundamental (KLAPPER; LUSARDI, 2019; MURPHY, 2008).

Apesar das recomendações de que as instituições públicas devem empreender esforços para educar financeiramente a população, principalmente aqueles subgrupos potencialmente mais vulneráveis (como, por exemplo, os mais velhos, os menos escolarizados, os mais pobres e as mulheres), ainda não há unanimidade entre os acadêmicos sobre os resultados das intervenções pedagógicas já implementadas nos comportamentos financeiros de longo prazo dos participantes desses programas (KLAPPER; LUSARDI, 2019; AMAGIR et al.; 2018; LUSARDI; MITCHELL, 2014).

Uma potencial explicação das razões pelas quais se carecem resultados mais robustos e consistentes dos impactos da educação financeira no comportamento dos indivíduos seja a forma com que a Alfabetização Financeira é abordada pela literatura. Iquiapaza, Amaral e Bressan (2009) alertam para o fato de que a pesquisa em finanças é completamente dominada pelo paradigma do funcionalismo positivista, perdendo sua capacidade de entender e alterar o comportamento financeiro dos indivíduos. A utilização de diferentes perspectivas epistemológicas contribui para o avanço da compreensão de um determinado fenômeno e sobre a melhor forma de abordá-lo (SORDI; CUNHA; NAKAYAMA, 2017).

Nesse cenário, o presente trabalho busca avançar sobre uma lacuna na literatura, nomeadamente a ausência de artigos reflexivos que analisem a postura epistemológica do que se tem pesquisado em Alfabetização Financeira. O objetivo é classificar os artigos mais relevantes na área a partir do enquadramento de Burrell e Morgan (1979) e sugerir novos rumos de investigação, através da adoção de diferentes paradigmas epistemológicos.

Partindo do diagnóstico de Sayer (2020) de que a investigação em políticas públicas é mais efetiva quando se pauta no princípio de evitar a ocorrência de erros em detrimento da busca por uma verdade absoluta, a utilização de novos paradigmas para a pesquisa em Alfabetização Financeira pode ajudar a compreender melhor o fenômeno, contribuindo com a construção de iniciativas públicas de educação financeira mais eficazes.

2. REVISÃO DE LITERATURA

2.1 EPISTEMOLOGIA

A delimitação precisa do significado de Epistemologia não é uma tarefa simples. Robert Blanché (1975), por exemplo, advertiu para possíveis equívocos entre o termo e alegados significados, tais como Teoria do Conhecimento, Filosofia da Ciência, Metodologia e Ciências do Homem, já que a fronteira que separa Epistemologia dessas outras definições é bastante sutil. A melhor explicação de Epistemologia parece ser a que a iguala à Teoria da Ciência, um estudo filosófico da ciência e a respeito dela, utilizando-a como objeto de análise para investigar, de forma crítica e reflexiva, seus princípios, fundamentos e pressupostos (BLANCHÉ, 1975).

O estudo reflexivo sobre determinada matéria, entretanto, não é construído de forma pacífica. Gaston Bachelard (1990) sugere que a ciência está sempre destruindo conhecimentos mal-feitos e que a existência de obstáculos epistemológicos impede o progresso científico. Esses obstáculos são da natureza interna do pesquisador e derivam do próprio ato de conhecer determinada matéria, onde saber formular problemas torna-se o passo mais importante em busca do conhecimento científico. Para o autor, o principal obstáculo epistemológico é a opinião, pois esta pensa mal, traduz necessidades em conhecimentos, coíbe a construção do saber sobre determinado objeto e traz verdades tidas como naturais e absolutas, sendo necessário aboli-la para o progresso científico (BACHELARD, 1990).

Superar a opinião, dessa forma, é um objetivo basilar de toda a ciência. Carnap (1950) propõe o critério da verificabilidade para se atribuir um caráter científico a determinado postulado. De acordo com esse critério, toda proposição é dividida em três espécies: as proposições verdadeiras por sua própria natureza (ou tautologias), que nada dizem a respeito da realidade; as contradições, que são negações das tautologias e são falsas em virtude de sua forma; e as empíricas, cuja decisão a cerca da verdade ou falsidade de determinado objeto depende dos dados observáveis. Todas as demais proposições não possuem nenhum sentido, devendo-se denominá-las pseudoproposições, cujo valor reside no caráter emotivo de suas expressões (PASQUINELLI, 1983).

Popper (1999) adota uma postura crítica a respeito do conhecimento científico. Ao afirmar que o método da ciência consiste na aprendizagem através dos erros e que as experiências são guiadas por teorias, ataca os princípios de Bacon (1973) de que o conhecimento científico é construído por meio da observação. A ciência surge através de teorias, preconceitos e mitos e se desenvolve quando essas suposições são questionadas, o que significa que a ciência começa com a identificação de problemas. A abordagem crítica, portanto, está ligada à ideia de testar e refutar conjecturas. Nenhuma teoria pode-se dizer empírica se não for passível de ser refutável (POPPER, 1999).

A essa abordagem crítica, Kuhn (2000) acrescenta a noção de revoluções científicas, eventos onde um paradigma antigo é total ou parcialmente substituído por um mais novo e incompatível com o anterior. Essas revoluções científicas possuem um paralelismo marcante com as revoluções políticas onde, em ambos, um sentimento de funcionamento inadequado do sistema vigente suscita crises e é um pré-requisito para a revolução. Dessa forma, as revoluções científicas iniciam-se com um sentimento primeiramente limitado a uma pequena parcela da comunidade científica e, depois crescente, de que o paradigma vigente deixou de corresponder à realidade adequadamente (KUHN, 2000).

É nesse contexto de críticas e revoluções que Feyerabend (1993) afirma que nenhuma regra, mesmo que fortemente referenciada em termos epistemológicos, ainda não tenha sido alguma vez contestada. A evolução da ciência é decorrência da atitude de pensadores que decidem não se limitar por especificidades metodológicas. O autor chama a atenção para o que denomina de anarquismo epistemológico, onde apenas um postulado pode ser defendido pela comunidade científica em todas as circunstâncias: o princípio de que qualquer coisa serve (FEYERABEND, 1993).

O mapeamento das abordagens epistemológicas utilizadas pela literatura em Alfabetização Financeira, desse modo, parece pertinente, pois permitirá identificar se há uma corrente dominante ou, pelo contrário, uma metodologia pluralista, onde os principais autores procuram sustentar seus resultados a partir da análise aprofundada de outras ideias e pontos de vista. Uma ciência somente será bem-sucedida se permitir movimentos do tipo anarquista e contra-indutivo, onde a capacidade de refutar uma determinada teoria terá vez apenas com o auxílio de métodos tidos como incompatíveis (idem, ibidem).

2.2 PARADIGMAS EPISTEMOLÓGICOS

Barbosa et al. (2013) definem paradigmas epistemológicos como um conjunto de crenças, valores e técnicas compartilhadas por membros de determinado campo científico que se tornam referência obrigatória e hegemônica para abordagens de pesquisa dentro de uma área de conhecimento. Os paradigmas são fundamentados nas necessidades de compartilhamento e transmissão de conhecimento de pesquisadores que pertencem à mesma comunidade científica e revelam suas opções ontológicas e metodológicas, reproduzindo-se nas teorias que nela se abrigam e na possibilidade de diálogo com outras teorias (idem, ibidem).

Um paradigma epistemológico, nesse sentido, é o conjunto de realizações científicas universalmente reconhecidas que fornecem, durante certo período de tempo, soluções aos problemas que desafiam e instigam os praticantes de determinada ciência; realizações essas que são aceitas pela comunidade científica e passam a ser referência obrigatória aos pesquisadores desse campo do conhecimento (OLIVEIRA, 2021).

Partindo do pressuposto de que uma teoria organizacional não pode ser separada da ciência social, Burrel e Morgan (1979) propuseram modelo de paradigmas epistemológicos baseado em duas dimensões, de acordo com a natureza da ciência ou da sociedade. A natureza da ciência é dividida entre a visão de que só se compreenderá o mundo social envolvendo diretamente o julgamento político do pesquisador no assunto estudado e na abordagem que privilegia a realização de pesquisas baseadas na participação distante, a partir de protocolos sistemáticos e técnicos. A natureza da sociedade, por sua vez, é marcada por regulação ou conflito, em que as pesquisas adquirem um ponto de vista regulatório da ordem social, com base no consenso, integração e coesão social ou, alternativamente, assentada sobre bases de uma mudança radical, caracterizada por conflito estrutural, dominação e contradição (BURREL; MORGAN, 1979).

Em seu desenvolvimento, essas duas dimensões foram combinadas e abriram quatro paradigmas da ciência social, conforme ilustrado na Figura 1, extraída de Rodrigues Filho (1998).


Figura 1
Paradigmas Epistemológicos.
Fonte: Rodrigues Filho (1998).

O enfoque radical humanista considera o indivíduo como alguém que tem o potencial de transcender todo o conhecimento que tem em relação a dado fenômeno. O indivíduo, como criador do mundo em que vive, deve utilizar o conhecimento científico não apenas para compreender a sociedade, mas também modificá-la, tendo como referência uma visão que enfatiza a necessidade de superar as limitações dos arranjos sociais (GARRIDO; SALTORATO, 2018). O paradigma estruturalista, por sua vez, estabelece que as sociedades não podem se desenvolver, se deixarem as estruturas inteiramente por conta do status quo, sugerindo que não é possível transpor acriticamente os obstáculos ao desenvolvimento econômico e social. O estruturalismo não pretende apenas relacionar variáveis ou fazer previsões, mas compreender e explicar, dinamizando parâmetros a partir do sentido histórico e institucional da sociedade. A explicação econômica exige análise de variáveis como a história, as relações sociais e as instituições (DOMINGUES; FONSECA, 2021).

Já a perspectiva interpretativista enfatiza a importância dos significados subjetivos, assim como ações simbólicas na forma como o indivíduo constrói e reconstrói sua própria realidade. Essa realidade é reproduzida por meio de interações sociais, não é algo dada à espera de uma descoberta. A epistemologia interpretativista supõe que todo o conhecimento sobre a realidade depende das práticas humanas e é construído por meio da interação entre as pessoas e a sociedade (SACCOL, 2009). Por fim, o paradigma funcionalista é baseado na existência de um mundo sistêmico orientado para produzir um sistema social ordenado e regulado. O comportamento é algo demarcado pelo contexto em uma sociedade de relacionamentos sociais tangíveis e concretos. A perspectiva funcionalista é reguladora e prática em sua orientação, preocupando-se em observar a sociedade de maneira e gerar conhecimento empírico útil (MORGAN, 2005).

As características dos paradigmas epistemológicos das pesquisas em Ciências Sociais propostos por Burrel e Morgan (1979) são resumidas na Tabela 1.


Tabela 1
Paradigmas Epistemológicos de Pesquisas em Ciências Sociais.
Fonte: Elaborada pelos autores, com base em Rodrigues Filho (1998).

2.3. ALFABETIZAÇÃO FINANCEIRA

O construto Alfabetização Financeira é resultado de uma série de aperfeiçoamentos desenvolvidos pela literatura ao longo dos tempos. No início da década de 1960, pesquisadores da área da psicologia começaram a questionar os efeitos da falta de conhecimento de tópicos de finanças no comportamento dos indivíduos. À época criou-se a variável Conhecimento Financeiro, que intencionava medir o entendimento das pessoas em relação a questões como a gestão do dinheiro e sobre custo e precificação de bens básicos (MARSHAL, 1963).

O aprofundamento dos estudos nessa temática suscitou o alargamento das fronteiras do termo, onde mensurar apenas o nível de conhecimento em questões financeiras parecia não ser o mais adequado. Surgiu, então, a variável Habilidades Financeiras, percebido como uma extensão dos conhecimentos financeiros onde, além destes, o processo de tomada de decisões financeiras também é levado em consideração pelos pesquisadores (PHILIPPATOS; MOSCATO, 1971).

Investigar se os indivíduos sabiam como colocar em prática seus conhecimentos e aptidões financeiras foi o próximo passo implementado pela literatura. Buscou-se, assim, determinar o nível de Capacidades Financeiras das pessoas, variável que procurava medir até que ponto os indivíduos utilizam seus conhecimentos para ações financeiras concretas (STREITWIESER; GOODMAN JR, 1983).

A simbiose das três variáveis descritas anteriormente permitiu o desenvolvimento de um construto mais profundo. A Alfabetização Financeira, assim, ao avaliar o conjunto de conhecimentos, destrezas, habilidades, comportamentos e atitudes necessárias para a tomada de decisões financeiras sólidas e que potencializem o alcance do bem-estar por parte dos indivíduos, tornou-se um parâmetro oportuno para medir conhecimentos, comportamentos e atitudes financeiras (CHEN; VOLPE, 1998; ATKINSON; MESSY, 2012; LUSARDI; MITCHELL, 2014; POTRICH; VIEIRA; KIRCH, 2016; OECD, 2016).

Com a realização de pesquisas interdisciplinares sobre o tema e a reunião de estudiosos de diferentes campos do saber, a definição dessa variável foi aperfeiçoada para expressar a capacidade cognitiva de compreender conceitos financeiros e a habilidade de utilizar esses conhecimentos em contextos de tomada de decisão financeira, levando os indivíduos a escolhas ótimas e que potencializam o seu bem-estar financeiro (LUSARDI, 2019; HASTINGS; MITCHELL, 2018; HANS et al., 2020; KAPASI et al., 2019; BONGINI; ZIA, 2018).

A evolução do construto ao longo do tempo mostra que há uma grande oportunidade para pesquisas que se dediquem a avaliar epistemologicamente a forma como o mesmo tem sido estudado, a fim de compreender quais os paradigmas se sobressaem e possíveis avanços para a ciência, a partir da adoção de metodologias pluralistas.

3. METODOLOGIA

A pesquisa sustenta suas conclusões a partir de uma visita aos artigos mais relevantes, publicados até 2020, que se dedicaram ao estudo da Alfabetização Financeira. A seleção e análise dos artigos que compuseram a amostra foi realizada entre os meses de março e junho de 2021. Trata-se de uma pesquisa qualitativa que não se utiliza de modelos matemáticos ou aplicações estatísticas para analisar resultados, mas sim da leitura, interpretação e reflexão crítica de textos publicados em periódicos revisados por pares (DE PAIVA JÚNIOR et al., 2011). As ciências sociais têm passado por sucessivas transformações e as pesquisas qualitativas no campo da Administração cada vez mais têm conquistado legitimidade (REBELATO MOZZATO et al., 2018).

Optou-se por uma abordagem exploratória, com intuito de proporcionar maior familiaridade com o problema em estudo. Esse tipo de abordagem é recomendado quando se é necessário definir o problema com maior precisão, obter dados adicionais para construção de hipóteses mais adequadas ou explorar um problema para prover compreensão (VIEIRA, 2002). Na coleta de dados, a estratégia adotada foi a pesquisa bibliográfica. Esta procura explicar e discutir um assunto ou problema com base em referências publicadas em livros, periódicos e anais de congresso, constituindo-se na essência de um estudo exploratório (SOARES et al., 2018).

Para identificar as pesquisas proeminentes no tema recorreu-se à base de dados Web of Science, o recurso mais comumente utilizado por acadêmicos para fins de avaliação da produção científica (MUGNAINI; STREHL, 2008). A busca pelo termo Financial Literacy, o equivalente em inglês para a expressão Alfabetização Financeira, resultou em 1.638 artigos, com enorme concentração nos últimos 5 anos, conforme apresentado na Tabela 2. Trata-se, portanto, de um assunto recente em termos de publicação de artigos científicos.

Tabela 2
Publicações sobre Alfabetização Financeira por Período

Fonte: Elaborado pelos autores.

Diante da grande quantidade de trabalhos disponíveis, optou-se por selecionar os mais relevantes utilizando como métrica de triagem a quantidade de citações de cada artigo. O critério está baseado na Cientometria, fonte importante de informação para pesquisadores interessados na evolução da ciência. Empregando o limite mínimo de 100 citações para que o artigo pudesse ser considerado como relevante, foram analisados os 19 artigos mais significativos na área (SILVA; BIANCHI, 2001).

Qualquer técnica de análise de dados implica em uma metodologia de interpretação que, como tal, possui procedimentos específicos envolvendo a preparação dos dados para a análise, tendo em vista que esse processo consiste em extrair sentido de textos (MOZZATO; GRZYBOVSKI, 2011). Adotou-se como método de interpretação dos artigos a análise de conteúdo, um conjunto de técnicas de análise de comunicações que tem como objetivo ultrapassar as incertezas e enriquecer a leitura dos dados coletados, buscando compreender criticamente o sentido das comunicações e seu conteúdo manifesto ou latente (CHIZZOTTI, 2006).

O mapeamento epistemológico dos trabalhos fundamentou-se na clássica abordagem de Burrel e Morgan (1979), que resumiram as perspectivas filosóficas e teorias sociais em uma matriz 2x2, com quatro paradigmas diferentes. O conhecimento do mundo nas ciências sociais aplicadas pode ser concebido de forma objetiva ou subjetiva e, ainda, a visão de mundo adotada pelo pesquisador encaixa-se em termos de ordem ou conflito. A identificação do posicionamento epistemológico de cada artigo da amostra foi realizada a partir da análise dos seus objetivos, dos métodos desenvolvidos, dos instrumentos utilizados para coleta de dados, das técnicas estatísticas aplicadas na análise dos dados, da eventual busca por generalização dos seus achados e do desenvolvimento ou ausência de hipóteses de pesquisa (DE MELO HEINZEN et al., 2013).

O trabalho, nesse contexto, classificou os 19 artigos analisados de acordo com os paradigmas apresentados, permitindo a identificação de abordagens pouco exploradas pela literatura em Alfabetização Financeira.

4. ANÁLISE DOS RESULTADOS

Um dentre os 19 artigos que fizeram parte da amostra foi descartado após uma primeira análise. O estudo Measuring Financial Literacy (HUSTON, 2010) faz uma coletânea dos diversos instrumentos usados pelos pesquisadores para mensurar a Alfabetização Financeira. Como se trata de uma revisão da literatura, não faz sentido falar em paradigma epistemológico deste estudo.

Os 18 trabalhos restantes foram então classificados, após profunda análise, de acordo com o paradigma epistemológico predominante. A Tabela 3 apresenta os resultados da classificação.

Tabela 3
Classificação dos Artigos por Paradigma Epistemológico

Fonte: Elaborado pelos autores.

Há uma clara opção pelo paradigma funcionalista nas principais pesquisas sobre Alfabetização Financeira. A utilização de modelos estatísticos avançados indica uma aproximação ao princípio de Popper (1999), que afirma que os testes quantitativos são, em geral, mais rigorosos e precisos do que os testes qualitativos.

A pesquisa predominante em Alfabetização Financeira procura, ainda, diferenciar relações casuísticas do acaso. Cournot, mencionado em Blanché (1975), já prenunciava, no século XIX, a importância das considerações estatísticas e probabilísticas para a ciência, que busca separar as leis naturais do acaso, sendo este último considerado oposto à lei e estranho à ciência (BLANCHÉ, 1975).

Nota-se, ainda, uma tentativa de universalizar os resultados da pesquisa, seja para países específicos (VAN ROOIJ; LUSARDI; ALESSIE, 2011; LUSARDI; MITCHELL, 2011a) ou até mesmo para a população em geral (LUSARDI; MITCHELL, 2011b). As pesquisas assemelham-se, mais uma vez, ao método popperiano de que apenas teorias testáveis podem nos dizer algo sobre o mundo empírico e, quanto mais abrangente for uma teoria, mais passível de ser testada (POPPER, 1999).

A objetividade do método e a tentativa de universalização dos resultados encontrados são características marcantes do paradigma epistemológico funcionalista de Burrel e Morgan (1979). Essa perspectiva é caracterizada por um comprometimento extremamente elevado com modelos e métodos importados das ciências naturais. Pesquisadores dessa corrente epistemológica tratam o mundo social como se ele estivesse em seu estado natural para construir suas hipóteses, referindo-se aos seres humanos como máquinas ou organismos biológicos e à estrutura social como um sistema físico natural (BURREL; MORGAN, 1979).

Um único artigo, dentre os que compuseram a amostra, afastou-se do paradigma funcionalista e adotou uma abordagem mais próxima do interpretativo. Ao mergulhar em mais de 100 trabalhos que utilizaram o termo Alfabetização Financeira, Remund (2010) concentrou-se nos diferentes significados e símbolos que envolvem a variável, buscando uma definição que contemplasse as várias dimensões envolvidas no processo de tomada de decisão financeira por parte dos indivíduos.

Remund (2010) preocupou-se com a possível falta de objetividade na utilização do termo. Um fato mal interpretado, nesse sentido, constitui um obstáculo epistemológico que deve ser superado e o consentimento da comunidade científica sobre o assunto deve ser buscado, já que se trata do critério superior para a escolha e utilização de determinado paradigma (BACHELARD, 1990; KUHN, 2000).

A Tabela 4traz uma síntese dos artigos investigados e o correspondente paradigma de cada um deles, seguindo a abordagem de Burrel e Morgan (1979). Apresenta, adicionalmente, os principais objetivos de cada um dos trabalhos que compõem a amostra.

A análise dos artigos evidenciou uma predominância de métodos quantitativos nos estudos sobre Alfabetização Financeira. Dos 19 artigos estudados, mais de 90% utilizaram essa metodologia para chegar aos seus objetivos. Somente 2 trabalhos não seguiram esse caminho, com ambos dedicando-se a analisar a literatura existente. A hegemonia da metodologia quantitativa já foi manifestada em outros estudos da área de finanças, levantando a questão se esse fenômeno é fruto da maior facilidade em obter grande volume de dados econômicos, contábeis e financeiros de empresas de capital aberto (CONFESSOR et al., 2022). A pesquisa qualitativa em finanças demanda uma maior dedicação de tempo por parte dos pesquisadores, que enfrentam pressão para publicar trabalhos dentro de prazos cada vez mais restritos (KACZYNSKI et al., 2014).


Tabela 4
Paradigma Epistemológico dos Artigos mais Relevantes em Alfabetização Financeira
Fonte: Elaborado pelos autores.


Tabela 4
continuação

Não há, portanto, a utilização de uma metodologia pluralista para análise do fenômeno em pauta, o que limita o desenvolvimento das pesquisas científicas em finanças pessoais (FEYERABEND, 1993). Conforme salientado por Iquipaza, Amaral e Bressan (2009), a moderna Teoria em Finanças concentra-se demasiadamente em ferramentas estatísticas para chegar a conclusões empíricas, afastando-se das suas bases históricas de observação dos fenômenos de forma individual, que considerava cada caso de acordo com suas próprias peculiaridades. O anarquismo epistemológico pode contribuir com o crescimento da Teoria em Finanças ao possibilitar a análise dos fatos de forma alternativa, permitindo vislumbrar detalhes que podem passar despercebidos em estudos com grandes amostras (FEYERABEND, 1993).

Por fim, cabe ressaltar a ausência de qualquer artigo que se encaixe dentro dos paradigmas estruturalista e radical humanista. Os estudos mais relevantes em Alfabetização Financeira enxergam as relações econômicas e sociais como um fato dado, sem discutir mudanças mais profundas e estruturais da sociedade. Apesar da nítida preocupação com a falta de conhecimentos financeiros por parte da população e da sugestão de implantação de iniciativas públicas e privadas em educação financeira que possam mudar o cenário encontrado, os pesquisadores adotam uma postura de aceitação do status quo (LUSARDI; MITCHELL, 2014; FERNANDES; LYNCH; NETEMEYER, 2014; GATHERGOOD, 2012).

Questionamentos sobre as atitudes das instituições financeiras em relação aos seus clientes ou recomendações de maior regulação governamental dessas mesmas organizações não foram observados nos artigos mais relevantes de Alfabetização Financeira. Thaler e Sunstein (2008) advertem para os vieses psicológicos que afetam a arquitetura de escolha dos indivíduos e levam a tomada de decisões ineficientes do ponto de vista financeiro, sendo importante a atuação de entes governamentais para aprimorar a forma como produtos e instrumentos financeiros são oferecidos à população.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O presente trabalho realizou um mapeamento epistemológico dos artigos mais relevantes que tratam do tema Alfabetização Financeira, uma importante lacuna na moderna Teoria das Finanças. A intenção é contribuir com o desenvolvimento da literatura ao fazer uma reflexão sobre o modo como os autores mais proeminentes na área percebem como se faz ciência e buscam avançar no conhecimento sobre o mundo, além de encontrar possíveis novas vias de atuação. A pesquisa pode, eventualmente, colaborar com o aperfeiçoamento do ensino de finanças ao expor a necessidade de uma maior pluralidade nas perspectivas epistemológicas adotadas pela academia, lançando luz sobre novas formas de abordar os fenômenos nessa área tão relevante para as ciências sociais aplicadas.

Após profunda análise constatou-se a existência de um paradigma predominante nos estudos sobre Alfabetização Financeira. Dentre os artigos mais citados sobre o tema, mais de 90% utilizaram uma abordagem funcionalista, na perspectiva clássica de Burrel e Morgan (1979), para alcançar os seus objetivos e chegar às conclusões. Percebe-se claramente a existência de um mainstream approach que domina as publicações em Alfabetização Financeira.

O avanço nas últimas décadas de instrumentos e softwares estatísticos permitiu aos pesquisadores a utilização dessas ferramentas no tratamento de dados de forma mais contundente e confiável. Além disso, o progresso das tecnologias da informação possibilitou ampliar sobremaneira as amostras populacionais utilizadas nos trabalhos, de forma a alcançar cada vez mais indivíduos e aproximar-se de resultados com caráter generalizável.

Essa predileção por métodos quantitativos e a busca incessante por testes de rigor e robustez cada vez mais sofisticados aproximou a Teoria das Finanças das ciências exatas e da natureza, onde determinado fenômeno está dado e cabe ao pesquisador encontrar relações casuísticas que possam ser generalizáveis e ajudem a explicar o mundo tal como ele é. Contudo, há de se ressalvar de que a Teoria de Finanças encontra-se dentro do arcabouço das ciências sociais aplicadas. Toda a complexidade do ser humano, com suas individualidades e seus vieses comportamentais, deve ser levada em consideração nas pesquisas em Alfabetização Financeira.

Não se trata de uma crítica ao paradigma funcionalista, mas sim à unanimidade de sua utilização. A compreensão sobre o fenômeno Alfabetização Financeira pode avançar consideravelmente a partir da utilização de outros paradigmas igualmente relevantes. Diversos estudos encontraram indícios de que alguns subgrupos populacionais são especialmente mais vulneráveis em termos de Alfabetização Financeira, mas há pouco trabalho produzido que busque compreender os motivos que levaram determinados grupos a terem uma maior carência em conhecimentos e atitudes financeiras. Somente uma pesquisa mais introspectiva, de caráter interpretativo, poderia chegar a resultados mais robustos na percepção do fenômeno.

Da mesma forma, a utilização de uma abordagem mais radical do ponto de vista da mudança da sociedade também pode contribuir com o desenvolvimento da Teoria das Finanças, especialmente na área da Alfabetização Financeira. Ao optar por uma compreensão do mundo de caráter regulatório, as pesquisas parecem aceitar que nada pode ser feito para mudar, estruturalmente, as relações sociais. O indivíduo, dessa forma, é quem precisa de conhecimentos para não se prejudicar com os complexos instrumentos financeiros ofertados pelo mercado. Há uma carência de estudos relevantes que confrontem essa realidade, de forma a buscar maneiras que transformem as relações sociais em busca de uma sociedade mais justa e igualitária, permitindo um equilíbrio de forças entre indivíduos e instituições financeiras.

A partir da discussão levantada, pode-se imaginar os benefícios para a Teoria das Finanças com a expansão de fontes empíricas de dados para incluir o que os indivíduos têm a dizer, permitindo explorar o raciocínio complexo por trás de cada conversação. A adoção de diferentes paradigmas epistemológicos deve trazer uma maior compreensão sobre o fenômeno Alfabetização Financeira, permitindo o desenho de políticas públicas que aspiram enfrentar o fenômeno em suas causas, aumentar a compreensão geral sobre o tema e a construção de uma sociedade em que os indivíduos adotem uma postura mais racional, crítica e adequada na tomada de decisões financeiras. Para isso, entretanto, é necessário que os pesquisadores em finanças estejam dispostos a enfrentar a zona de conforto da área e busquem diferentes perspectivas epistemológicas, apropriando-se de novas ferramentas metodológicas e engajando-se a outras searas científicas, tendo em vista que a interdisciplinaridade em ciências sociais pode beneficiar as práticas de pesquisa em finanças.

Deve-se, adicionalmente, ampliar o leque dos objetivos de pesquisa em Alfabetização Financeira. Ao sair do tradicional propósito de generalização de resultados, a literatura pode avançar sobremaneira buscando, por exemplo, compreender os mecanismos sociais e históricos que fazem com que determinados grupos sociodemográficos já identificados tenham menores níveis de alfabetização financeira.

Outra abordagem inovadora pode surgir de pesquisas que tenham por objetivo confrontar o status quo do sistema financeiro atual. É dever da ciência questionar o papel das instituições financeiras em desenvolver produtos mais inclusivos, acessíveis e que possam levar ao bem-estar financeiro dos indivíduos e a uma sociedade mais justa. A crise econômica global de 2008 mostrou que, sem regulação, as instituições financeiras podem ofertar produtos ao mesmo tempo complexos, confusos e nocivos, impactando de forma ainda mais agressiva as classes mais desfavorecidas.

O presente trabalho não se trata de uma revisão sistemática nem exaustiva da literatura sobre Alfabetização Financeira. Buscou-se analisar profundamente os trabalhos que mais influenciaram outros pesquisadores, utilizando a quantidade de citações como critério de seleção de artigos. Há, portanto, limitações que podem ser suprimidas por estudos futuros que se interessem pela temática, como a ampliação da amostra, a utilização de outras bases de dados e a adoção de diferentes critérios de impacto das publicações que podem tornar a análise ainda mais robusta.

Como encaminhamentos para pesquisas futuras, sugere-se que investigadores interessados no fenômeno Alfabetização Financeira adotem métodos e paradigmas epistemológicos ainda inexplorados, permitindo a superação de preconceitos teórico-metodológicos e o avanço científico sobre o tema. Também será proveitoso para o desenvolvimento da literatura investigar o posicionamento epistemológico dos artigos com baixa e média quantidade de citações, confrontando os resultados com os aqui apresentados. Será possível, assim, identificar se há relação entre o posicionamento epistemológico do pesquisador e a quantidade de citações do seu trabalho. A ausência de pluralidade metodológica pode ser fruto da baixa quantidade de citações, inibindo novos pesquisadores a adotar paradigmas inovadores.

REFERÊNCIAS

AMAGIR, A. et al. A review of financial-literacy education programs for children and adolescents. Citizenship Social & Economics Education, v. 17, n. 1, p. 56-80, 2018.

ATKINSON, A.; MESSY, F. Measuring Financial Literacy: Results of the OECD/International Network on Financial Education Pilot Study. In: ORGANIZAÇÃO PARA A COOPERAÇÃO E DESENVOLVIMENTO ECONÓMICO: WORKING PAPERS ON FINANCE, INSURANCE AND PRIVATE PENSIONS, 15.,2012, Paris. Anais...Paris: OECD Publishing, 2012.

BACHELARD, G. A epistemologia. Lisboa: Edições, 1990.

BACON, F. Novum Orgamum; Nova Atlântida. Os pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 1973.

BARBOSA, M. A. C.; SANTOS, J. M. L. D.; MATOS, F. R. N.; ALMEIDA, A. M. B. Nem só de debates epistemológicos vive o pesquisador em administração: alguns apontamentos sobre disputas entre paradigmas e campo científico. Cadernos EBAPE, v. 11, p. 636-651, 2013.

BLANCHÉ, Robert. A epistemologia. Lisboa: Presença, 1975.

BONGINI, P.; ZIA, B. Introduction: The Financial Literacy Collective. Economic Notes, v. 47, n.2-3, p. 235-244, 2018.

BURREL, G.; MORGAN, G. Sociological paradigms and organizational analysis. London: Heinemann, 1979.

CARNAP, R. Empiricism, semantics and ontology. Revue Internationale de Philosophic, v. 4, p. 20-40, 1950.

CHEN, H.; VOLPE, R. P. An Analysis of Personal Financial Literacy Among College Students. Financial Services Review, v. 7, n. 2, p. 107-128, 1998.

CHOI, J. J.; LAIBSON, D.; MADRIAN, B. C. Why does the Law of One Price Fail? An Experiment on Index Mutual Funds. Review of Financial Studies, v. 23, n. 4, p. 1405-1432, 2010.

CHIZZOTTI, A. Pesquisa em ciências humanas e sociais. São Paulo: Cortez, 2006.

COLE, S.; SAMPSON, T.; ZIA, B. Prices or Knowledge? What Drives for Financial Services in Emerging Markets? Journal of Finance, v. 66, n. 6, p. 1933-1967, 2011.

CONFESSOR, K. L. A.; SILVA, J. G. da; SANTOS, J. F. dos. Evidências da Pesquisa Científica em Finanças nos Últimos Anos. Revista de Administração, Regionalidade e Contabilidade, v. 1, n. 1, 2022.

DOMINGUES, F. S.; FONSECA, P. C. D. O método estruturalista: a economia reconhece seus limites. Nova Economia, v. 31, p. 613-636, 2021.

DREXLER, A.; FISCHER, G.; SCHOAR, A. Keeping it Simple: Financial Literacy and Rules of Thumb. American Economic Journal - Applied Economics, v. 6, n. 2, p. 1-31, 2014.

FERNANDES, D.; LYNCH, J. G.; NETEMEYER, R. G. Financial Literacy, Financial Education, and Downstream Financial Behaviors. Management Science, v. 60, n. 8, p. 1861-1883, 2014.

FEYERABEND, P. Contra o método. Lisboa: Relógio D’água, 1993.

FOX, J.; BARTHOLOMAE, S.; LEE, J. Building the case for financial education. Journal of Consumer Affairs, v. 39, n. 1, p. 195-214, 2005.

FUNDAÇÃO INSTITUTO DE ADMINISTRAÇÃO. Fintechs: como são e como funcionam. São Paulo, 20 mar. 2019. Disponível em:<Disponível em:https://fia.com.br/blog/fintechs>. Acesso em: 01 jun. 2020.

GABOR, D.; BROOKS, S. The digital revolution in financial inclusion: international development in the fintech era. New Political Economy, v. 22, n. 4, p. 426-436, 2016.

GARRIDO, G.; SALTORATO, P. Paradigma Humanista-Radical: Uma Construção Teórica Alternativa para a Análise Organizacional. Revista Brasileira de Estudos Organizacionais, v. 5, n. 1, p. 174-173, 2018.

GATHERGOOD, J. Self-control, financial literacy and consumer over-indebtedness. Journal of Economic Psychology, v. 33, n. 3, p. 590-602, 2012.

HANS et al. Literacy Mediates Racial Differences in Financial and Healthcare Decision Making in Older Adults. Journal of the American Geriatrics Society, p. 1-7, 2020.

HASTINGS, J.; MITCHELL, O. S. How financial literacy and impatience shape retirement wealth and investments behaviors. Journal of Pension Economics and Finance, p. 1-20, 2018.

HELMUT, E. et al. Digitalization in financial services and household finance: fintech, financial literacy and financial stability. Financial Stability Report Oesterreichische Nationalbank(AustrianCentral Bank), v. 35, p. 50-58, 2018.

HUSTON, S. J. Measuring Financial Literacy. Journal of Consumer Affairs, v. 44, n. 2, p. 296-316, 2010.

IQUIAPAZA, R. A.; AMARAL, H. F.; BRESSAN, A. A. Evolução da pesquisa em finanças: epistemologia, paradigma e críticas. Organização & Sociedade, v. 16, n. 49, p. 351-370, 2009.

JAPPELLI, T.; PADULA, M. Investment in Financial Literacy and Saving Decisions. Journal of Banking & Finance, v. 37, n. 8, p. 2779-2792, 2013.

JORGENSEN, B. L.; SAVLA, J. Financial Literacy of Young Adults: The Importance of Parental Socialization. Family Relations, v. 59, n. 4, p. 465-478, 2010.

KACZYNSKI, D.; SALMONA, M.; SMITH, T. Qualitative research in finance. Australian Journal of Management, v. 39, n. 1, p. 127-135, 2014.

KAPASI et al. Association of TDP-43 Pathology With Domain-specific Literacy in Older Persons. Alzheimer Disease & Associated Disorders, v. 33, n. 4, p. 315-320, 2019.

KLAPPER, L.; LUSARDI, A. Financial literacy and financial resilience: Evidence from around the world. Financial Management, p. 1-26, 2019.

KUHN, T. S. A estrutura das revoluções científicas. São Paulo: Perspectivas, 2000.

LUSARDI, A. Financial literacy and the need for financial education: evidence and implications. Swiss J Economics Statistics, v. 155, n. 1, 2019.

LUSARDI, A.; MITCHELL, O. S. Financial Literacy around the world: an overview. Journal of Pension Economics & Finance, v. 10, n. 4, p. 497-508, 2011.

LUSARDI, A.; MITCHELL, O. S. S. Financial literacy and retirement planning in the United States. Journal of Pension Economics & Finance, v. 10, n. 4, 509-525, 2011.

LUSARDI, A.; MITCHELL, O. S.The Economic Importance of Financial Literacy: Theory and Evidence. Journal of Economic Literature, v. 52, n. 1, p. 5-44, 2014.

LUSARDI, A.; MITCHELL, O. S.; CURTO, V. Financial Literacy among the Young. Journal of Consumer Affairs, v. 44, n. 2, p. 358-380, 2010.

MARSHAL, H. R. Differences in parent and child reports of the child’s experience in the use of money. Journal of Educational Psychology, v. 54, n. 3, p. 132-137, 1963.

MCDANIEL, L.; MARTIN, R. D.; MAINES, L. A. Evaluating financial reporting quality: The effects of financial expertise vs. financial literacy. Accounting Review, v. 77, p. 139-167, 2002.

MELO HEINZEN, D. A. de; MARINHO, S. V.; NASCIMENTO, S. do. O posicionamento epistemológico das pesquisas brasileiras no campo da estratégia voltadas às instituições de ensino superior. Revista Gestão Organizacional, v. 6, n. 3, 2013.

MORGAN, G. Paradigmas, metáforas e resolução de quebra-cabeças na teoria das organizações. RAE - Revista de Administração de Empresas, v. 45, n. 1, p. 58-71, 2005.

MOZZATO, A. R.; GRZYBOVSKI, D. Análise de conteúdo como técnica de análise de dados qualitativos no campo da administração: potencial e desafios. Revista de Administração Contemporânea, v. 15, p. 731-747, 2011.

MUGNAINI, R.; STREHL, L. Recuperação e impacto da produção científica na era google: uma análise comparativa entre o Google Acadêmico e a Web of Science. Enc. Bibli: R. Eletr. Bibliotecon. Ci. Inf, 2008.

MURPHY, J. A. An Analysis of the Financial Crisis of 2008: Causes and Solutions, 2008. Disponível em: SSRN<https://ssrn.com/abstract=1295344>, DOI http://dx.doi.org/10.2139/ssrn.1295344, 2008.

NORVILITIS, J. M. et al. Personality factors, money attitudes, financial knowledge, and credit-card debt in college students. Journal of Applied Social Psychology, v. 36, n. 6, p. 1395-1413, 2006.

OLIVEIRA, D. J. S. Gestão Social: Epistemologia para Além de Paradigmas. Organizações & Sociedade, v. 28, p. 582-606, 2021.

ORGANIZATION FOR ECONOMIC CO-OPERATION AND DEVELOPMENT. International survey of Adult Financial Literacy Competencies. [S.l.]: OECD Publishing, 2016.

PAIVA JÚNIOR, F. G. de; DE SOUZA LEÃO, A. L. M.; DE MELLO, S. C. B. Validade e confiabilidade na pesquisa qualitativa em administração. Revista de Ciências da Administração, v. 13, n. 31, p. 190-209, 2011.

PASQUINELLI, A. Carnap e o Positivismo Lógico. Lisboa: Edições, 1983.

PHILIPPATOS, G. G.; MOSCATO, D. R. Effects of Constrained Information on Player Decisions in Experimental Business Simulation: Some Empirical Evidence. Journal of the Association for Computing Machinery, vol. 18, n. 1, pp. 94-1041971.

POPPER, K. O mito do contexto. Lisboa, Ed: 70, 1999.

POTRICH, A. C. G.; VIEIRA, K. M.; KIRCH, G. Você é Alfabetizado Financeiramente? Descubra no Termômetro de Alfabetização Financeira. Revista de Administração e Contabilidade da Unisinos, v. 13, n. 2, p. 153-170, 2016.

REBELATO MOZZATO, A.; SIQUEIRA COLET, D.; GRZYBOVSKI, D. O potencial da história de vida como estratégia de pesquisa qualitativa em Administração: “Você pode me contar sua história?”. Caderno de Administração, v. 26, n. 1, p. 170-186, 2018.

REMUND, D. L. Financial Literacy Explicated: The Case for a Clearer Definition in an Increasingly Complex Economy. Journal of Consumer Affairs, v. 44, n. 2, p. 276-295, 2010.

RODRIGUES FILHO, J. Desenvolvimento de diferentes perspectivas teóricas para análise das organizações. Revista de Administração Pública, v. 32, n. 4, 163-175, 1998.

SACCOL, A. Z. Um retorno ao básico: compreendendo os paradigmas de pesquisa e sua aplicação na pesquisa em administração. Revista de Administração da UFSM, v. 2, n. 2, p. 250-269, 2009.

SAYER, P. A new epistemology of evidence-based policy. Policy & Politics, v. 48, n. 2, p. 241-258, 2020.

SILVA, J. A.; BIANCHI, M. L. P. Cientometria: a métrica da ciência. Paidéia (Ribeirão Preto) , Ribeirão Preto, v. 11, n. 21, p. 5-10, 2001.

SOARES, S. V.; PICOLLI, I. R. A.; CASAGRANDE, J. L. Pesquisa bibliográfica, pesquisa bibliométrica, artigo de revisão e ensaio teórico em Administração e Contabilidade. Administração: ensino e pesquisa, v. 19, n. 2, p. 308-339, 2018.

SORDI, V. F.; CUNHA, C. J. C.; NAYAYAMA, M. K. Criação de conhecimento nas organizações: Epistemologia, tipologia, facilitadores e barreiras. Perspectivas em Gestão & Conhecimento, v. 7, n. 2, p. 160-174, 2017.

STREITWIESER, M. L.; GOODMAN JR, J. L. A Survey of Recent Research on Race and Residential Location. Population Research and Policy Review, v. 2, p. 253-283, 1983.

THALER, R.; SUNSTEIN, C. Nudge: O empurrão para a escolha certa. New York: Penguin Group, 2008.

VAN ROOIJ, M C. J.; LUSARDI, A.; ALESSIE, R. J. M. Financial literacy and retirement planning in the Netherlands. Journal of Economic Psychology, v. 32, n. 4, p. 593-608, 2011.

VAN ROOIJ, M C. J.; LUSARDI, A.; ALESSIE, R. J. M. Financial Literacy and stock market participation. Journal of Financial Economics, v. 101, n. 2, p. 449-472, 2011.

VAN ROOIJ, M C. J.; LUSARDI, A.; ALESSIE, R. J. M. Financial Literacy, Retirement Planning and Household Wealth. Economic Journal, v. 122, n. 560, p. 449-478, 2012.

VIEIRA, V. A. As tipologias, variações e características da pesquisa de marketing. Revista da FAE, v. 5, n. 1, 2002.



Buscar:
Ir a la Página
IR
Visualizador XML-JATS4R. Desarrollado por