Caderno temático "As reformas educacionais no Ensino Superior"
Recepción: 15 Agosto 2022
Aprobación: 08 Diciembre 2022
DOI: https://doi.org/10.5212/OlharProfr.v.25.20931.076
Resumen: El objetivo de este artículo es presentar tres clases de literaturas que dialogan con otras artes desde experiencias docentes escritas como estudios de caso. O sea, mostrar los conocimientos teóricos y prácticos resultantes de la experiencia docente (BONDÍA, 2002). Metodológicamente, esas clases están puestas como narraciones de actividades auténticas convertidas en reflexiones sobre la enseñanza de la literatura que dialoga con otras artes. Para presentarlas, basamos este artículo en la deconstrucción de la dicotomía teoría y práctica antes, durante y después de cada clase (CANDAU, LÉLIS, 1999). Es decir, este texto direcciona su atención teórico-metodológica en la meditación, teorización y divulgación académico-científica del conocimiento surgido de la experiencia docente. En cuanto a los datos cualitativos de este artículo, todos fueron recogidos en la actividad de extensión "Literatura y Cultura" (LeC), organizada e impartida por estudiantes y profesores de la UFSCar en escuelas pública de la ciudad de São Carlos, São Paulo.
Palabras clave: Actividades de extensión, Interartes, Enseñanza de literatura.
Resumo: O objetivo deste artigo é apresentar três aulas de literaturas que dialogam com outras artes, partindo de experiências docentes redigidas como estudos de caso. Em outras palavras, expomos neste artigo conhecimentos teórico-práticos do ensino de literatura provenientes da experiência (BONDÍA, 2022) da docência de literatura em uma atividade de extensão. Metodologicamente, essas propostas são narrações de atividades autênticas convertidas em reflexões sobre o ensino de literatura em diálogo com outras artes. Para apresentá-las, fundamentamos, subterraneamente, a proposta deste artigo na desconstrução da dicotomia teoria e prática antes, durante e depois de cada aula lecionada (CANDAU, LÉLIS, 1999). Isto é, este texto volta sua atenção teórico-metodológica na meditação, teorização e divulgação acadêmico-científica do saber advindo da experiência docente. Em relação aos dados qualitativos deste artigo, todos foram coletados na atividade de extensão “Literatura e Cultura” (LeC), organizada e ministrada por discentes e docentes da UFSCar em escolas estaduais do município de São Carlos, São Paulo.
Palavras-chave: Atividade de extensão, Interartes, Ensino de Literatura.
Abstract: The goal of this article is presenting three literature-interarts classes based on teaching experiences as case studies. In other words, I argue in this article a theoretical-practical knowledge (BONDÍA, 2022) from teaching literature in an extension activity. Methodologically, these proposals are narratives of authentic activities converted into reflections about the teaching of literature that dialogues with other arts. In order to present them, I have based the proposal of this article on the deconstruction of the dichotomy theory and practice before, during and after each lesson taught (CANDAU, LÉLIS, 1999). That is, this text turns its methodological-theoretical attention to the meditation, theorization, and academic-scientific dissemination of knowledge coming from the teaching experience. All the qualitative data of this article were collected during the extension activity "Literature and Culture" (LeC), organized and taught by UFSCar’s students and professors at state schools of São Carlos, São Paulo.
Keywords: Extension activity, Interarts, Literature teaching.
Introdução.2
A atividade de extensão Literatura e Cultura (LeC) foi concebida em 2015 por uma dupla de discentes do Programa de Pós-Graduação em Estudos de Literatura (PPGLit), da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), e por uma professora do mesmo programa3. que visavam a articulação entre a universidade pública e a sociedade. A proposta inicial da atividade era oferecer aulas de literatura sobre pesquisas realizadas por estudantes do referido programa em escolas públicas. Além dessa obstinação, o posicionamento político constituiu desde o princípio a esteira sobre a qual os professores do LeC propuseram sua participação. Ao relembrar ensaios como “O direito à literatura” ou “A literatura e a formação do homem”, ambos de Antonio Candido, evocamos o usufruto à literatura como qualidade intrínseca ao ser humano, cujo direito de acesso deveria ser inalienável. Por essa razão, as artes possuem uma importância central para a formação cognitiva/intelectual/cultural estudantil, entre outras inúmeras faculdades mentais e sociais. Portanto, a literatura e as artes representam um papel central para a sociedade e o benefício de atividades de extensão como o LeC parece ser o de expandir a fruição de outras literaturas e literaturas outras a um público não universitário (já que sempre tivemos um público de professores e estudantes da educação básica).
De 2016 em diante, o LeC ampliou a categoria de docentes para além de alunos da pós-graduação (sendo que o PPGLit possuía apenas estudantes de mestrado em 2015) e engajou alunos/egressos de graduação em Letras, Pedagogia e doutorandos em Estudos de Literatura da UFSCar e da Unesp, campus Araraquara. A partir de 2017, além de estreitar os laços entre universidade e sociedade, o LeC inseriu a formação de professoras/es como uma de suas metas. Para refletirmos sobre a formação docente, além de aulas ministradas semanalmente em três escolas estaduais distintas do município de São Carlos, os coordenadores do LeC e demais docentes se reuniam, também semanalmente, para debates coletivos sobre a preparação de aulas de literatura, leituras teóricas concernentes ao ensino de literatura, preparação de material didático e escrita de planos de aula. Até a última atividade, ministrada no ano de 2022, o LeC contou com trinta e dois professores, sendo 17 graduandos, 1 graduado, 12 mestrandos, 2 doutorandos; estudantes de duas instituições públicas de ensino superior (UFSCar e Unesp) de dois diferentes cursos de graduação da UFSCar (Letras e Linguística), um da Unesp/Araraquara (Pedagogia) e de dois Programas de Pós-Graduação (PPGLIT-UFSCar e Programa de Pós-Graduação em Estudos Literários (PPGELi), da Unesp de Araraquara). No decorrer dos anos de LeC, três escolas públicas do município de São Carlos (Sebastião de Oliveira Rocha, Álvaro Guião e Conde do Pinhal) receberam as atividades. Diríamos, inclusive, que os números apresentados parecem atestar quantitativamente a importância dessa atividade de extensão para a formação de docentes de literatura.
Esse introito historiográfico do LeC serve para explanarmos a escolha dos temas das aulas dessa atividade. Entre 2015 e 2016, ministramos aulas relacionadas com projetos de Iniciação Científica desenvolvidos na graduação e as pesquisas realizadas no curso de PPGLit da UFSCar. Por esse motivo, podemos afirmar que um dos intuitos iniciais do LeC era a divulgação de pesquisas em Estudos Literários/Ciências Humanas para estudantes do ensino regular. O outro era demonstrar como são realizadas pesquisas em ciências humanas. No ano de 2017, mudamos essa proposta com a oferta de dois cursos modulares distintos intitulados "Literatura Fantástica" e "Literatura Marginal". Na sequência, entre 2018 e 2021, os membros decidiram formatar suas aulas questionando o valor e a essência plural do texto literário na companhia de outras artes. Por isso, a atividade desses anos intitulou-se "O que é literatura?". Com ela perguntamos em cada aula ministrada qual a essência da literatura (?) e como ela se relaciona com as outras artes. Excepcionalmente no ano 2020, e no auge da pandemia de coronavírus, apesar de tentarmos priorizar os laços com os estudantes, tivemos uma participação massiva de professoras da educação básica. Curiosamente, esse ano atípico para a atividade exerceu uma (quase) função de atividade de formação continuada (ou de atualização) para a comunidade escolar docente. Por fim, em 2022, para celebrarmos os cem anos da Semana de Arte Moderna, dividimos ambos os semestres do ano com aulas sobre obras de artistas modernistas de toda as fases do movimento.
Também cabe sublinhar que, desde 2018, as aulas – ainda que ministradas por diferentes docentes e em horários não concomitantes às de língua portuguesa, em escolas diversas e com escolhas bibliográficas e audiovisuais não presentes nos manuais dos estudantes – surgem tanto da aproximação da literatura com outros campos artísticos, quanto da participação dos discentes. Por isso, a medula das atividades foi sempre erigida por meio de pesquisas anônimas realizadas entre estudantes das escolas públicas em que ministramos o LeC4.. Para esse fim, o grupo de docentes se interessa em saber quais são as temáticas textuais, tipologias e gêneros mais consumidos pelo público estudantil do ensino médio (ou do público que, supostamente, se inscreveria na atividade). Por isso, todos os anos entregamos uma pequena entrevista com duas perguntas para alunos e alunas responderem: 1. Quais são os seus livros favoritos? 2. E quais os seus filmes e séries favoritos?
De posse das respostas de ambas as questões, reunimos os membros do LeC/es e verificamos conjuntamente quais as temáticas, tipologias textuais e gêneros discursivos mais interessam o público. Feito esse levantamento, planejamos aulas que imiscuem a literatura em outros meios, como o audiovisual, a fotografia, a escultura, a pintura, a internet, etc. e, dessa feita, aproximamos os estudantes do planejamento de todas as atividades. Realizamos, igualmente, esse escaneamento de percepções sobre literatura e meios audiovisuais visando a expansão do repertório artístico docente e estudantil. Demonstrada a tela de fundo metodológica do LeC, a qualidade de seus membros e os estudantes da atividade, é imperativo mencionar as seções compositivas deste artigo e seus objetivos.
Nas seções adiante, narrarei5. três experiências docentes correspondentes aos anos de 2018 a 2020. Os títulos de cada uma dessas aulas e seus anos são: “O que é literatura?”, de 2018; “Amores ou o amor e sua representação na literatura e em outros meios narrativos”, de 2019; e “A literatura expandida a outras artes”, de 2020. A escolha das experiências desses três anos se deu, justamente, pelo caráter interartístico dessas aulas, cujas bases metodológicas, crítico-analíticas e políticas equilibram literatura e cultura.
Todas as experiências didáticas narradas estarão amparadas no pedagogo Jorge Larrosa Bondía (2002) e em seu artigo Notas sobre a experiência e osaber da experiência. Segundo o intelectual catalão, a dicotomia experiência e teoria deve ser desconstruída. Postas em posição de igualdade, a teoria e a experiência das práticas e metodologias docentes devem se equilibrar de modo que o profissional docente se dê conta da necessidade de teorizar a respeito de sua prática e experimentar a prática com a teoria. De certo modo, a teoria e a experiência docente pareadas estimulam a conscientização do processo de formação docente ininterrupto, que está além da leitura de textos e de cursos assistidos em uma licenciatura. Nesse ponto, o ensaio A relação teoria-prática na formação do educador, das pedagogas Vera Maria Candau e Isabel Alice Lélis (1999), parece dar um nó no texto anterior. Nesse texto, as autoras exploram a importância de a/o docente lidar com os termos teoria e prática como pontos convergentes, ou unitários, ou componentes indiscerníveis da prática pedagógica. Isto é, ao tratarmos sobre um tema especial, particular e central para a formação de leitores e o enriquecimento cultural proveniente do ensino de literatura neste artigo, julgamos pertinente não recorrermos a abstrações disjuntivas de teoria e prática (tão recorrentes não apenas na nossa, mas em inúmeras profissões)6.
Por essa razão teórico-metodológica, nas demais seções deste artigo você se deparará com a apresentação de minha prática docente conjugada a minha formação teórica. Melhor dizendo, ao longo da narração de minha experiência construirei uma percepção teórica sobre a implementação de aulas embasadas nas interartes. Cabe salientar que o levantamento das aulas citado neste artigo não se trata de uma simples descrição metodológica, mas uma versão planejada, experienciada e crítica de acontecimentos. Para disso, separei este artigo em três seções breves, cada uma seguindo a descrição de uma aula aliada às implicações da fundamentação teórico-pedagógica mencionada nos parágrafos anteriores.
O que é literatura? Aula ministrada em 2018
Todas as aulas deste artigo partem de um posicionamento de Antonio Candido (1988, p. 176) sobre literatura no ensaio, citado previamente, “O direito à literatura”:
Chamarei de literatura, da maneira mais ampla possível, todas as criações de toque poético, ficcional ou dramático em todos os níveis de uma sociedade, em todos os tipos de cultura, desde o que chamamos folclore, lenda, chiste, até as formas mais complexas e difíceis da produção escrita das grandes civilizações.
O professor Antonio Candido assinala no fragmento acima a importância de outras formas de expressão narrativas e poéticas não fixadas em uma expressão relativa a uma classe social, formação cultural e nível de letramento. Estimo esse posicionamento por estar entrelaçado à maneira pela qual as interartes são tratadas (ou poderiam ser, se se preferir) neste texto como parte integrante de um literário que não perde sua “essência”. Em outras palavras, podemos chamar de literatura todas as formas complexas de escrita apresentadas nas aulas, bem como outras manifestações artísticas correlacionadas a textos literários e aproximações a outras artes.
Pensando nisso como força motriz subterrânea de minha aula – no tema literatura e outras artes ou de sua expansão a outros meios, estratégias narrativas e poéticas, gêneros, etc. –, o primeiro dos textos lidos foi “Os estatutos do Homem (Ato Institucional Permanente)”, de Thiago de Mello, poema que se destaca pela escrita nos moldes de um ato institucional. Feita a leitura, desabrochou um debate sobre a essência da literatura e de sua forma:
Artigo I
Fica decretado que agora vale a verdade, agora vale a vida e de mãos dadas marcharemos todos pela vida verdadeira;
Artigo II
Fica decretado que todos os dias da semana, inclusive as terças-feiras mais cinzentas, tem direito a converter-se em manhãs de domingo;
Artigo III
Fica decretado que a partir deste instante, haverá girassóis em todas as janelas, que os girassóis terão direito a abrir-se dentro da sombra e que as janelas devem permanecer o dia inteiro abertas para o verde onde cresce a esperança;
Um dos estudantes respondeu que, embora se trate de um texto escrito aos moldes de um escrito jurídico, ele não possui uma função de intervenção na realidade. Outro salientou como esse texto havia sido a sua primeira leitura com traços do campo jurídico, embora houvesse reconhecido se tratar de algo desse meio. Em seguida, perguntei a eles se toda literatura é escrita nas malhas da ficção, o que me responderam afirmativamente. Para isso, a próxima leitura seria, precisamente, uma que conjugava ficção e fato histórico, que, não por isso, é menos literária:
Poema tirado de uma notícia de jornal
João Gostoso era carregador de feira livre e morava no
Morro da Babilônia num barracão sem número.
Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro
Bebeu
Cantou
Dançou
Depois se atirou na lagoa Rodrigo de Freiras e morreu afogado.
De acordo com Armando Antenore, que em 2019 assinou na Revista Piauí um artigo dedicado aos Infortúnios de João Gostoso, o analista de sistemas/editor Cláudio Soares e o poeta Heitor Ferraz Mello encontraram a notícia que deu azo à escrita (comprovadamente não imaginativa) do poema de Manuel Bandeira na Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional. Esse poema, notadamente (re)conhecido, foi baseado em acontecimentos noticiados, embora isso não o tenha convertido em não literário. Na sequência, apresentei a página do jornal mencionado:
A próxima leitura foi a do poema “Biografia”, de Gabriel Celaya, um soneto escrito em torno de procedimentos e/ou injunções, aparentemente, relativos aos imperativos de uma biografia de alguém que, aparentemente, não gostaria de revelar pormenores da vida à sociedade.
Não pegue a colher com a mão esquerda.
Não ponha os cotovelos à mesa.
Dobre bem o guardanapo.
Isso tudo: pra começar.
Extraia a raiz quadrada de três mil trezentos e treze.
Onde está Tanganika? Em que ano nasceu Cervantes?
Vou colocar um zero de comportamento, se você falar com o seu companheiro.
Isso tudo: pra continuar.
Você acha correto que um engenheiro faça versos?
A cultura é um enfeite, e negócio é negócio.
Se você continuar com essa moça, fecharemos as portas.
Isso tudo: pra viver. Não seja tão louco. Seja educado. Seja correto.
Não beba. Não fume. Não tussa. Não respire.
Ah, sim, não respirar! Dar o não a todos os nãos.
E descansar: morrer7
(CELAYA, 2003, p. 137, tradução nossa).
Os procedimentos injuntivos do poema anterior também estão presentes no “conto” “Instruções para chorar”, de Júlio Cortázar. (1994, p. 7-8). Embora haja a impressão de se tratar de um texto fortemente eivado com os valores do encargo, distanciado do acontecimento histórico, da ficção e aproximado do gênero discursivo “receita”, ainda assim é difícil distanciá-lo da definição de literário. Afinal, o que julgava pertinente debater nessa aula era como uma produção interartística poderia ser considerada literária e desembocar em um tema político. A esse respeito, fiz a ressalva de que definir o literário se trata de uma correspondência interna, subjacente e, muitas vezes, anterior ao amparo estético de uma obra de arte/literária (RANCIÈRE, 2009). Em outras palavras, livro, escultura, quadro, HQ, etc. erigem sua estética em posicionamentos políticos do artista e de seu público. Para debater esse enlace entre literatura e política, lemos em sala de aula duas tirinhas da cartunista Laerte Coutinho (2016; 2014?) engendradas em um conteúdo eminentemente político e verbal:
“Essas tirinhas são literárias? Se não ou se sim, por quê?”, essas perguntas circundaram a argumentação de que, embora o texto verbal constitua o convencionado literário, a literatura pode embrenhar-se não apenas em letras impressas e em um conteúdo temático – este último insuflado na crítica política ao golpe (nada) democrático sofrido pela ex-presidenta Dilma Rousseff ou na percepção da falta de interesse pela leitura por parte do povo brasileiro. Outras formas artísticas que se entranham à literária também podem constituir parte integrante dessa noção – assim como as ilustrações, além dos balões de fala, das tirinhas de Laerte Coutinho – ao incorporarem, ampliarem ou restringirem a definição de literatura em posicionamentos políticos de uma dada sociedade e história. Para finalizar a aula, lemos um fragmento do capítulo do livro O demônio da teoria, de Antoine Compagnon, para sistematizarmos como a literatura pode se associar, ou não, a imagens ou a outras artes, bem como sustentarmos que considerar textos como literários, ou não, é algo político-ideológico:
A definição de um termo como literatura não oferecerá mais que o conjunto das circunstâncias em que os usuários de uma língua aceitam empregar esse termo [...]. É uma sociedade que, pelo uso que faz dos textos, decide se certos textos são literários fora de seus contextos originais [...] Retenhamos disso tudo o seguinte: a literatura é uma inevitável petição de princípio. Literaturaé literatura, aquilo que as autoridades (os professores, os editores) incluem na literatura” (COMPAGNON, 2010, p. 44-45, grifos do autor).
O amor na literatura e em outros meios narrativos: aula ministrada em 2019
Nessa aula, discuti a representação do amor em diversos meios narrativos e imagéticos amparado em dois quadros e em uma fotografia que possuem (ou parecem possuir) o amor como eixo motriz. A primeira das obras apresentadas foi um quadro de Salvador Dali (1937), intitulado Metamorfoses de Narciso. Para explorar a alegoria desse quadro surrealista, tirei proveito do mito de Narciso para construir uma argumentação em torno do amor-próprio excessivo representado pela figura mitológica. Ou como a pintura de Dali está diretamente intrincada à maneira pela qual a perfeição do amor pode ser associada à imperfeição de um maléfico entusiasmo sobre si mesmo.
Como a representação das qualidades e dos defeitos do amor pode ser multifacetada, o quadro Os amantes (1928), de René Magritte, foi a próxima imagem apresentada:
Explorei esse quadro para além do suposto complexo de Édipo do pintor com o intuito de desvelar um posicionamento (que, talvez, seria imperceptível se os estudos de gênero e de suas infinitas performances pelos sujeitos que os compõem (BUTLER, 2003) não tivessem progredido intelectualmente). Em outras palavras, uma interpretação do quadro, amparada nesse complexo, parece reduzi-lo a uma visão heterossexual cis e não direcionar o olhar para as vestes dos personagens como destinadas a papéis sociais executados por gêneros também determinados. O beijo representado muda de figura dessa forma, afinal a multiplicidade de significados ganha destaque ao idearmos se (não) se trata de personagens cis e também ao perguntarmos (retoricamente) se não possuímos olhares viciados quando visualizamos a posição heterossexual como a majoritária para as artes de amar ao esquecermos da existência de outras orientações sexuais.
A imagem apresentada em seguida foi uma fotografia tirada por Alfred Einsenstaedt (1945) na Times Square após o anúncio do fim da Segunda Guerra Mundial. Acompanhada de um texto conciso de Victor Paiva ([n.d.], grifo nosso) intitulado “A enfermeira da icônica foto do beijo na Segunda Guerra deixou sua marca no mundo” escrito para a revista Hypeness, o argumento da aula foi direcionado para a (possível) existência de uma orientação sexual majoritária representada no amor como uma aparente perfeição transcendental ou idealização que (pode) desvela(r) (um)a imperfeição amorosa. Na foto, visualizamos o marujo George Mendonsa agarrando à força a assistente de dentista Greta Zimmer Friedman. Desafortunadamente, esta fotografia foi vista (e ainda é) como uma demonstração de amor apaixonado, embora se trate de um beijo abusivo.
Na sequência, fiz algumas perguntas aos estudantes para provocarmos a participação: “Como amar? Como amar na literatura? Como amar na arte?”. Essas questões foram feitas para correlacionar definições pertinentes, embora não permanentes, sobre as representações amorosas nas obras pictóricas demonstradas. Como definições para essas questões, apresentei uma reflexão (possível) sobre cada uma dessas manifestações tripartida em três eixos que funcionam concomitantemente: o amor imperfeito, o amor ideal e a orientação afetiva de amadas e amados. Para isso, apresentei uma sequência lógica para auxiliar a leitura e a interpretação de obras literárias, não literárias e interartísticas que contam com representações de amor em seu bojo:
Essas engrenagens serviram para demonstrar que as representações do amor em inúmeras narrativas literárias e em outros meios narrativos estão amparadas na imperfeição do amor, seja ao extremo, seja em seus defeitos intrínsecos e expectativas; na idealização do amor como um sentimento que existe apenas em grau superlativo por beirar a perfeição; e como o interesse individual por um gênero e/ou sexo e sua atração física ou sentimental se direciona. Na sequência da aula, apresentei uma sequência de textos literários para debater as engrenagens do amor.
O primeiro dos textos apresentados foi uma cantiga de amigo escrita pelo poeta, e rei, Don Alfonso de León (1221-1284), Alfonso X (ou talvez um texto escrito por Sancho I): “Ai eu coitada, como vivo em gram cuidado” (1256?)8. A leitura deste poema, acrescida da explicação do caráter sentimental da amada submissa à espera do amigo (amado, amor), determina tematicamente como algumas obras posteriores posicionaram a “mulher” na relação amorosa sócio, histórica e culturalmente falando.
Na sequência, o desdobramento contemporâneo dessa temática foi debatido com a canção Tatuagem, do discoCalabar (1973) de Chico Buarque, uma entre inúmeras do escritor e compositor que posicionam um eu-lírico feminino em sua voz. Nessa canção de Chico, a mulher parece, declaradamente, submissa “E também pra me perpetuar em tua escrava”, como a de Alfonso X à espera do amado. Imóveis em seu desejo, ambas as personagens parecem dignificar seu espírito na servidão a um senhor: “Ai eu coitada, como vivo em gram desejo/ por meu amigo que tarda e nom vejo”. Outro desdobramento contemporâneo musical é a canção “A outra”, de Marcelo Camelo (2003), contida no disco Ventura da banda Los Hermanos, que mantém o uso da voz feminina por um cantor homem. No entanto, a mulher demonstra nessa representação que a imperfeição de seu amor não é exaltada, mas repelida por se tratar de um adultério: “Não dá mais pra fingir que ainda não vi/ As cicatrizes que ela fez/ Se dessa vez/ Ela é senhora deste amor/ Pois vá embora, por favor/ Que não demora pra essa dor/ Sangrar”. Na sequência da aula, lemos a famosa passagem de Romeu e Julieta, de William Shakespeare (1595-1597[?]), em que a garota recebe de Frei Lourenço a notícia de que seu amado, Romeu, se envenenou. Todas essas engrenagens do amor foram debatidas pondo em xeque como a formação sentimental baseada na perfeição, transcendência do sentimento e em uma orientação sexual decorreu em sérios problemas para a vida humana em plenitude.
Uma assertiva de Antonio Candido (2011, p. 178) em seu ensaio – demasiadamente citado neste artigo – “O direito à literatura” é certeiro ao inferir a leitura literária não sendo: “[...] uma experiência inofensiva, mas uma aventura que pode causar problemas psíquicos e morais, como acontece com a própria vida, da qual é imagem e transfiguração”. A literatura e suas atividades não são ingênuas, pois suas representações também podem resultar em modos de ver consolidados e prejudiciais à vida humana. Para isso, citei as personagens Emma Bovary, a Madame Bovary de Gustave Flaubert (1857), e Luíza do Primo Basílio, de Eça de Queirós (1878), e suas narrativas de enganos, amores imperfeitos, advindos da idealização amorosa advinda dos romances românticos que serviram como pontapé para a ruína individual das protagonistas de cada livro.
Também apresentei algumas narrativas que giram em torno de relações homoafetivas e como tendem a ter a reprovação do público preconceituoso e conservador. Ao que parece, esse público tende a deslocar essas outras orientações afetivas para o eixo da imperfeição, como se a perfeição pudesse corresponder somente a uma entre tantas possíveis orientações afetivas. Como destaque desses últimos anos, discutimos o beijo gay de dois personagens de uma história em quadrinhos da Marvel Comics polemizada pelo ex-prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (GRINBERG, Felipe; RISTOW, Fabiano, 2019). Além da história em quadrinhos mencionada, lemos alguns trechos de outra HQ, Azul é a cor mais quente, de Julie Maroh, para debatermos como a engrenagem da imperfeição também pode tocar histórias sobre orientações afetivas não maioritárias. Afinal, perfeição e imperfeição não se conjugam a sexualidades, mas à afetividade individual, aos desenganos e às alegrias que somente o amor pode (nos) proporcionar.
Por fim, lemos algumas páginas de outros romances: Todos nós adorávamos caubóis, de Carol Bensimon (2013), e Mechame pelo seu nome (2007), do escritor italiano André Aciman. Para embasar as orientações afetivas e seus direitos, lemos um trecho de um texto do jurista Enézio de Deus (2005) a respeito do dano moral provocado por quem não respeita a liberdade afetivo-sexual de outros indivíduos. Para terminar essa aula, assistimos algumas cenas/trailersde filmes para que os estudantes respondessem quais pareciam relacionados às engrenagens apresentadas ao longo da aula (amor idealizado, amor imperfeito e orientação afetiva).
A literatura expandida a outras artes: aula ministrada em 2020
A aula “A literatura expandida a outras artes” foi a única ministrada remotamente devido à imposição de distanciamento social ocasionado pela pandemia de covid-19. Para começar a aula, exploramos como o sintagma “frutos estranhos” pode ser atribuído a inúmeros objetos artísticos e ensaísticos: uma fotografia de Lawrence Beitler (HARAZIM, 2016, p. 355) em que constam dois homens negros covardemente assassinados; o poema “Strange fruits” escrito por Abel Meeropol e inspirado na fotografia anterior; a canção homônima musicada do poema anterior e aclamada na voz de Billie Holiday; uma instalação do artista brasileiro Nuno Ramos (2010); e um livro ensaístico chamado Frutos estranhos, de Florencia Garramuño (2014), que debate textos literários que interagem com outras artes, meios, materiais, estratégias de produção artística. Estes exemplos serviram para demonstrar como um sintagma pode embasar inúmeras representações de um mesmo tema, assim como propiciar a interação de inúmeras obras.
A obra central sobre a intersecção de materiais e resultados diversos mencionada nessa aula foi um quadro (que metaforicamente pode se relacionar a outras artes) da artista plástica brasileira contemporânea Patrícia Lopes (2014). Nesse caso, tratava-se de um dos quadros de sua série de exposições chamada África, apresentado para um debate sobre o envolvimento de obras em técnicas distintas das consideradas usuais. Durante uma viagem guiada pela savana africana, a artista fotografou alguns animais, além de gravar o som ambiente. Em seu computador pessoal, ela utilizou o photoshoppara ampliar pequenos fragmentos de cada fotografia e negativou suas cores. Como resultado, as paisagens africanas tornaram-se, guardadas as devidas proporções, quadros abstratos. Tendo essas obras em mãos, a autora as pintou com as cores que pareceram o mais próximo possível de sua percepção sobre cada espaço. Além disso, a artista acrescentou aspereza, hachura e fragmentos de plásticos coloridos em cada um dos quadros pintados para que eles pudessem ser tocados pelo público. Em relação à gravação do som ambiente, o tato foi unido à obra como uma proposta de acesso aos quadros por deficientes visuais. Ouvir os sons da savana africana tornou-se sinônimo de tocar os diferentes terrenos representados na própria tela e experimentados pela fotógrafa.
Na sequência, apresentei aos alunos como se deu o surgimento do sintagma “campo expandido” e o relacionei à literatura em contato com outras artes, materiais, objetos e estratégias. Para esse fim, apresentei o ensaio “Sculpture in the expanded field”, da intelectual estadunidense Rosalind Krauss, embasado em como “[...] [ess]a categoria [a escultura] pode tornar-se quase que infinitamente maleável” (KRAUSS, 1979, p. 30, tradução). Para tal, debatemos como as obras levantadas pela autora expandem o conceito de arte escultórica. Como exemplo, apresentei as obras textorama – um mural em que a artista alinhou cartograficamente todas as obras e citações literárias prioritárias de sua formação intelectual – e o XXL Color books (ou “Livro de Cores Extra Grande”, em tradução livre nossa) – ou uma proposta da artista para que os espectadores e leitores interagissem com seus livros preferidos. Assim, a artista propôs que as pessoas escolhessem algumas das páginas de suas obras favoritas, as ampliasse, as imprimisse e as disponibilizasse em áreas comuns para serem manuseadas e desfrutadas por outras pessoas de um modo diferente do planejado pelo “escritor original”.
Além das obras de Gonzalez-Foerster, que se destacam por seu caráter de literatura expandida, apresentamos o livro Seu Azul (2013), de Gustavo Piqueira, que explora habilmente a inserção de ilustrações e de propagandas encadeadas com a narrativa verbal. A capa do livro também torna a leitura “áspera”, às vezes pedregosa e sedimentária, devido ao singular trabalho artesanal de colagem de areia nas extremidades inferior e superior de cada edição vendida. De certo modo, um trabalho de editoração que se aproxima em muito do mundo da bricolagem.
As Histórias reais (2013), da artista francesa Sophie Calle, foi outro livro apresentado por seu caráter de expansão a outros campos, como a fotografia e a instalação. Antes de ser publicada em livro, essa obra se tratava de uma instalação que interseccionava fotografias e textos, aparentemente, autobiográficos da autora. A estética dessa obra se ampara na indefinição de realidade e ficção, assim como o livroAs Helenas de Troia, n.y. (2018), de Bernadette Mayer. Esse livro, além de possuir inúmeras fotografias como o de Sophie Calle, intersecciona a poesia com inúmeras – e implícitas – gravações sonoras. Para explicitar isso, cabe retornar à gênese desse livro. Essa escritora procurou em listas telefônicas o contato de todas as mulheres chamadas Helena no distrito de Troy, em Nova Iorque, e gravou entrevistas sobre a vida delas como inspiração para a escrita de poemas “biográficos” sobre elas. Neste seguimento, outra obra que intersecciona literatura e outras artes apresentada foi a de microcontos Dois palitos, de Samir Mesquita (n.d.). Sua inovação interartística está além do fato de os textos estarem contidos dentro de uma caixinha de fósforos e de suas leituras serem aleatórias. A novidade desse “livro/caixa de microcontos” é a interatividade proporcionada pelo ambiente virtual em que foi publicado9.
Figura 8: Dois palitos, de Samir Mesquita.
Fonte: Samir Mesquita (2008).
Entre outros exemplos, para terminar essa discussão e a aula, apresentei Nove noites (2002), de Bernardo Carvalho. A apresentação desse romance foi realizada com a leitura de uma resenha de jornal escrita pela antropóloga Mariza Corrêa para a Folha de São Paulo e a menção desse diálogo na narrativa do livro. Além dessa recuperação historiográfica, se pesquisarmos mais, descobriremos que o romance avança para uma pesquisa historiográfica do campo etnográfico – escrita também por Mariza Corrêa, dessa vez, em companhia de Januária Mello. Nesse último caso, o romance – e seus supostos resquícios de ficção – se entrelaça em textos etnográficos do livro das autoras e seus personagens-históricos. De certo modo, é dessa feita que o panorama interartístico parece mobilizado pelo leitor e pela leitora, muito mais do que por Bernardo Carvalho. Em outras palavras, nesse ponto um dos alunos comentou algo próximo a ter percebido que leitura não é, então, uma atividade passiva. Nessa conta, incluímos nós, humanos, assim como as artes verbais, imagéticas, sonoras, palpáveis, etc. que se entroncam na literatura e nos variados objetos artísticos que usufruímos cotidianamente. Afinal, após tocados pelas artes que amamos, ou detestamos, nunca mais seremos os mesmos. E, indubitavelmente, a cada aula que lecionamos, chegamos um pouco mais próximo das professoras e dos professores que idealizamos ser.
Conclusões
As leituras e as análises de inúmeros textos literários, fotografias, histórias em quadrinhos e elementos audiovisuais das aulas apresentadas tinham como objetivo oferecer instrumentos de análise sobre o universo artístico/literários e seus entrelaçamentos com diferentes representações de temáticas humanas, tais como: i. A essência da literatura; ii. As diversas representações do amor na literatura conjugada, ou não, com outras artes e; iii. Como a noção (complexa) de literatura pode ser expandida e imiscuída em outros objetos, práticas, meios, objetos e campos artísticos.
Ao longo deste artigo, considerei a presença do termo “interartes” partindo de duas formas distintas, sendo que uma não exclui a outra: 1. Temática, perceptível sobretudo em assuntos similares ou próximos que, consequentemente, ligam artistas distintos por vias interdiscursivas e/ou intertextuais e/ou interartísticas; 2. Formal, relativa às artes que preconizam procedimentos de intersecção entre objetos, práticas, meios, estratégias, campos artísticos e outros campos do conhecimento humano. As duas primeiras aulas deste artigo parecem mais associadas às interartes do ponto de vista temático, bem como a terceira delas parece mais aproximada das interartes desde o ponto de vista formal.
O LeC tem se baseado desde 2018 em inúmeras maneiras de demonstrar como alguns temas são representados em culturas, textos e artes distintos, destacando-se entre essas representações as inúmeras possibilidades de o amor ser apresentado já que se trata de um tema sobre o qual estudantes mantém contato abundante por meio de livros, filmes e seriados. Igualmente, definir a literatura e como ela se expande parece uma discussão milenar para a qual apenas duas horas de aulas podem ser improdutivas se não aclarados os inúmeros semas que a constituem a partir de sentidos políticos, históricos, ideológicos e sociais. Cabe fazer jus à experiência do LeC relatada e fundamentada ao longo deste artigo como um caminho profícuo para um levantamento necessário de casos de ensino de literatura que, possivelmente, servirão como incentivo ao/à professor/a da disciplina refletir e teorizar acerca de sua prática docente para, assim, compartilhar conhecimentos metodológicos.
Por fim, se o que ainda nos resta é sonhar, idealizamos e incentivamos a criação de mais atividades de extensão de literatura voluntárias e gratuitas oferecidas Brasil afora para que, assim, outras experiências singulares possam ser relatadas e teorizadas como a nossa.
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Notas